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“Alsatian Cousin” head, além de meninos) e parecia enfatizar o amor de Morrissey pela alma do Norte, com seu letreiro mal feito de néon formando o nome da meca do gênero do começo dos anos 1970, o Wigan Casino. [4, 5, 40, 554, 567, 568]

“Alsatian Cousin” (Morrissey/Street), Do álbum Viva Hate (1988). Um prelúdio maliciosamente adequado para um disco batizado de Viva Hate, “Alsatian Cousin” mostra Morrissey como uma vítima traída, desafiando um parceiro a revelar os detalhes de um caso antigo. A menção de bilhetes deixados sobre as carteiras e o estereótipo de funcionários de uma escola com retalhos de couro costurados nos cotovelos sugerem um caso ilícito entre professor e aluno, o que se reforça pelo fato de o título da canção ter sido tirado de uma peça de Alan Bennett, Forty Years On, que se passa em uma escola pública inglesa (“Eu tinha um parentesco distante com a família Woolf por meio de alguns primos alsacianos”). Desde a metáfora gráfica de “tent flaps open wide” (“abas de tendas escancaradas”) à descrição de ser colocado em cima da mesa do professor, Morrissey canta as palavras com raiva, ecoando o sentimento no refrão com uivos caninos. Uma escolha corajosa para abrir um disco, com a guitarra venenosa e o ritmo forte muito contrastantes com o rótulo de indie que a maioria dos fãs e críticos atribuía a Morrissey na época. Street apresentou a música a Morrissey como um “esboço” sobre o qual o guitarrista Vini Reilly devia improvisar, e como suas criações livres dominam o arranjo, o próprio Reilly, posteriormente, contestou a autoria da melodia. Como no caso da homenagem de Johnny Marr ao rapper Lovebug Starski em “How Soon

is Now?”, Street também escondeu uma referência ao hip-hop bem na cara de Morrissey na linha de baixo, muito inspirada em “White Lines (Don’t Don’t Do it”), de Grandmaster & Melle Mel. “Eu estava querendo ver até onde conseguia levar Morrissey”, diz Street, “e fiquei impressionado ao ver até onde ele queria ir e experimentar. Ele foi uma pessoa incrivelmente inspiradora para se trabalhar”. Uma última digressão sobre o título da música: aqueles que não sabiam ao certo se a maior parte de Viva Hate dos Smiths tinha sido dirigida ou escrita para Johnny Marr na época da separação dos Smiths deveriam levar em conta que na época Marr era o proprietário orgulhoso de dois cães alsacianos, Rufus e Curtis (de Thomas e Mayfield). [25, 39, 168, 272, 280]

“Ambitious Outsiders” (Morrissey/Whyte), Do álbum Maladjusted (1997). Originalmente feita para ser a faixa-título do sexto álbum solo de Morrissey, “Ambitious Outsiders” também era sua favorita do disco renomeado, sem muita imaginação, de Maladjusted. Entre suas letras mais perturbadoras, parecia dar voz à consciência sem remorso de um círculo de pedófilos diante da histeria dos jornais sensacionalistas. Provocando os maiores medos e paranoias da sociedade a respeito dos molestadores de crianças – dizendo que eles caminham entre nós sem serem vistos, monitorando o ônibus escolar enquanto estudam a oportunidade de fazer mais uma vítima –, a música ousa colocar a culpa pelos crimes nos pais das crianças como punição por se “reproduzirem”.1 1. Como Morrissey nunca comentou diretamente a influência de Neil Young, pode ser apenas coincidência o fato de a letra da canção ter semelhanças com “Revolution Blues”, inspirada em Charles Manson, música do álbum de Young chamado On the Beach, de 1974, que traz os trechos “you never see us” e “keep the population down”.

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04/10/13 11:11

Mozipedia - A enciclopédia de Morrissey e dos Smiths  
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Call me morbid, call me pale, but I spent so many years on your trail… Pare se você acha que já ouviu essa antes. Morrissey gosta mais de ga...

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