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por dentro da série da hbo

bryan cogman TM

Prefácio de

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george r. r. martin

Prólogo de

david benioff & d. b. weiss

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Agradecimentos Trabalhar nessa série extraordinária, com pessoas tão apaixonadas e talentosas, não faz justiça à frase “sonho que se torna realidade”. Então, agradeço a David Benioff e D. B. Weiss, meus chefes, mentores e amigos, que me deram a incrível oportunidade não só de escrever para Game of Thrones, mas também de fazer este livro especial. E, claro, sou grato a George R. R. Martin, por criar esse mundo fantástico e esses personagens intensos – minha esperança contínua é de deixá-lo orgulhoso. Agradeço também a Gemma Jackson, Michele Clapton e todo o elenco e a equipe de GoT, do passado e do presente, que de bom grado conseguiram tempo (em meio à agitada agenda de produção da segunda temporada) para partilhar suas ideias sobre a série. E peço desculpas a todos os entrevistados que não fazem parte do livro – tínhamos tão pouco espaço! Obrigado ao coprodutor Greg Spence, ao coordenador de pós-produção Martin Mahon, às artistas conceituais Ashleigh Jeffers e Kim Pope, à coordenadora do departamento de arte Joanne Hall e à fotógrafa Helen Sloan pela ajuda inestimável em reunir a arte deste livro. E muito, muito obrigado a você, Lucy Caird: o livro teria sido quase impossível sem seu trabalho heroico de agendar entrevistas com elenco e equipe. Finalmente, minha gratidão eterna a minha esposa, Mandy, por sua persistente paciência, seus conselhos e seu amor.

—Bryan Cogman Agradecimentos especiais a James Costos, Stacey Abiraj, Josh Goodstadt, Janis Fein, Cara Grabowski, Robin Eisgrau e Vicky Lavergne. Fotografias de Game of Thrones de Helen Sloan, Nick Briggs, Paul Schiraldi, Oliver Upton e Ashleigh Jeffers. Ilustrações dos figurinos de Michele Clapton e Kimberly Pope. Arte conceitual de Julian Caldow, Marc Homes, Gavin Jones, Tobias Mannewitz, Kimberly Pope e William Simpson.

www.hbo.com Copyright © 2012 by HOME BOX OFFICE, INC. All rights reserved. HBO and related trademarks are the property of Home Box Office, Inc. Publicado originalmente por Chronicle Books em 2012 sob o título: Inside HBO’s Game of Thrones 2013 © Todos os direitos desta edição reservados a TEXTO EDITORES LTDA. [Uma editora do Grupo Leya] Rua Desembargador Paulo Passaláqua, 86 01248-010 – Pacaembu – São Paulo – SP – Brasil www.leya.com.br Diretor editorial: Pascoal Soto Editora executiva: Tainã Bispo Produtora editorial: Fernanda Satie Ohosaku Assistentes editoriais: Renata Alves, Maitê Zickuhr e Andréa Bruno Tradução: Marcia Blasques Preparação: Marcia Menin Revisão: Gabriela Hengles e Eliane Usui Diagramação: Ana Dobón

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Angélica Ilacqua CRB-8/7057 Cogman, Bryan Por dentro da série da HBO Game of Thrones / Bryan Cogman; tradução de Marcia Blasques. – São Paulo : LeYa, 2013. 192 p. : il., color. ISBN 978-85-8044-667-8 Título original: Inside HBO’s Game of Thrones 1. Game of Thrones (programa de televisão) 2. Televisão – seriados I. Título II. Blasques, Marcia 12-0367

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Índice para catálogo sistemático:

1. Game of Thrones (programa de televisão)

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Impresso na China

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Sumário 4 . . . . . . . Prefácio: Das Páginas para a Tela por George R. R. Martin 6 . . . . . . . Prólogo: Sete Perguntas para David Benioff e D. B. Weiss

8 . . . . . . . I

A Muralha

15 . . . . . . . . Caminhantes Brancos: Uma Breve História 17 . . . . . . O Prólogo Episódio I da Primeira Temporada: “O Inverno está Chegando”

21 . . . . . . A Patrulha da Noite: Uma Breve História 22 . . . . . . Desenhando a Muralha e o Castelo Negro 27 . . . . . . Vestindo a Patrulha da Noite 28 . . . . . . Jon Snow 31 . . . . . . Samwell Tarly 32 . . . . . . Além da Muralha

36 . . . . . . II Winter fell 38 . . . . . . Casa Stark: Uma Breve História 40. . . . . . Criando Winterfell 44. . . . . . Vestindo Winterfell 47 . . . . . . Eddard “Ned” Stark 51 . . . . . . Catelyn Stark 52 . . . . . . Robb Stark 55 . . . . . . Sansa, Arya e Bran

60 . . . . . . III Porto Real 62 . . . . . . Porto Real: Uma Breve História 64 . . . . . . Criando Porto Real 69 . . . . . . O Trono de Ferro 70 . . . . . . Vestindo Porto Real 72 . . . . . . Casa Lannister: Uma Breve História 75. . . . . . . Tywin Lannister 76 . . . . . . Cersei Lannister 81 . . . . . . Vestindo Cersei 82 . . . . . . Jaime Lannister 84 . . . . . . Ned versus Jaime Episódio 5 da Primeira Temporada: “O Lobo e o Leão”

87 . . . . . . Tyrion Lannister 90. . . . . . Casa Baratheon: Uma Breve História 93 . . . . . . Robert Baratheon 94 . . . . . . Joffrey Baratheon 98 . . . . . . A execução de Ned Episódio 9 da Primeira Temporada: “Baelor”

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105 . . . . . Renly Baratheon 105 . . . . . Margaery e Loras Tyrell 106 . . . . . Mindinho (Petyr Baelish) 107. . . . Varys 110 . . . . . Brienne de Tarth 111 . . . . . Bronn 113 . . . . . Batalha da Água Negra Episódio 9 da Segunda Temporada: “Água Negra”

118. . . . . . IV Westeros 120 . . . . . Casa Greyjoy: Uma Breve História 122 . . . . . Criando Pyke 127 . . . . . Theon Greyjoy 130 . . . . . Casa Arryn: Uma Breve História 132 . . . . . Criando o Ninho da Águia 134 . . . . . As Terras Fluviais: Uma Breve História 136 . . . . . Pedra do Dragão: Uma Breve História 138 . . . . . Criando Pedra do Dragão 141 . . . . . Stannis Baratheon 142 . . . . . Melisandre 143 . . . . . Davos Seaworth

144 . . . . . V Essos 146 . . . . . Essos: Uma Breve História 148 . . . . . Criando Essos 152 . . . . . Casa Targaryen: Uma Breve História 155 . . . . . Daenerys Targaryen 158 . . . . . Vestindo Dany 161 . . . . . Viserys Targaryen 162 . . . . . A coroação de Viserys Episódio 6 da Primeira Temporada: “Uma Coroa de Ouro”

166 . . . . . Jorah Mormont 169 . . . . . Khal Drogo 174 . . . . . Criando o Idioma Dothraki 176 . . . . . O nascimento dos dragões Episódio 10 da Primeira Temporada: “Fogo e Sangue”

180 . . . . . Qarth e o Deserto Vermelho 183 . . . . . Vestindo Qarth 184. . . . . Por trás das câmeras 188. . . . . Um pouco de traquinagem 190 . . . . . . Epílogo: Reflexões sobre Game of Thrones

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P refácio : das páginas para a tela por George R.R. Martin

George R. R. Martin no set de Game of Thrones em Belfast.

David Benioff e D. B. Weiss são homens corajosos ou loucos. Só assim para aceitar o trabalho de levar A Guerra dos Tronos (e o restante de minha maciça série de fantasia épica, Crônicas de Gelo e Fogo) para a televisão. Não há tarefa mais perigosa em Hollywood do que tentar transformar um livro popular ou aclamado pela crítica em série de TV ou filme. O Hollywood Boulevard está forrado de crânios e ossos secos daqueles que tentaram e falharam... e, para cada fracasso conhecido, há centenas dos quais nunca se ouviu falar, porque as adaptações foram abandonadas no meio do caminho, em geral depois de anos de desenvolvimento e dezenas de roteiros. Uma história é uma história, mas cada meio tem seu modo de contá-la. Um filme, um programa de TV, um livro, uma revista em quadrinhos; cada um tem suas forças e fraquezas, coisas que funcionam bem, outras nem tanto, coisas que dificilmente são factíveis. Passar das páginas para a tela nunca é fácil. [ 4]

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Um romancista conta com técnicas e recursos que não estão disponíveis para os roteiristas: diálogos internos, narradores inconstantes, pontos de vista de primeira e terceira pessoa, flashbacks, narrativas expositivas e vários outros. Como romancista, empenho-me em colocar os leitores dentro das mentes dos personagens, deixá-los a par de seus pensamentos, permitir-lhes que vejam o mundo pelos olhos deles. A câmera, no entanto, fica do lado de fora do personagem, e o ponto de vista, então, é necessariamente externo em vez de interno. Além da locução (que me parece sempre uma intrusão, um suporte na melhor das hipóteses), o roteirista depende do diretor e do elenco para transmitir a profundidade das emoções, as sutilezas dos pensamentos, as contradições dos personagens que um escritor pode simplesmente contar para o leitor em prosa franca e direta. Há, ainda, certos desafios práticos. Um drama televisivo dura cerca de 60 (na TV a cabo) ou 45 minutos (na TV aberta). Há mais flexibilidade em um filme, mas mesmo

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nesse caso o melhor que se consegue é em torno de duas horas. Chegue a três horas e os estúdios certamente começarão a cortar. A maior parte dos romances, porém, tem história demais para essa duração. Produza uma adaptação cena por cena, linha por linha, e você acabará com algo longo demais, tanto para a TV como para o cinema. E o problema é agravado quando o material de origem é uma fantasia épica. O Senhor dos Anéis foi dividido em três volumes porque o livro que Tolkien entregou era três vezes mais longo do que a maioria dos romances da década de 1950. E meus livros, como quase todas as fantasias contemporâneas, são muito maiores do que os de Tolkien. Orçamentos e prazos de produção também têm grande impacto no que pode ou não ser feito quando se passa das páginas para a tela. É fácil para alguém como eu descrever um estupendo salão de festas com uma centena de lareiras, grande o suficiente para acomodar mil cavaleiros, cada um com sua elegância heráldica. Mas coitados dos pobres produtores que reproduzirão isso na tela. Primeiro, precisam construir um cenário gigante, com todas aquelas lareiras (“Você realmente precisa de cem? Não podemos ter, por exemplo, seis?”). Depois, devem encontrar mil figurantes para ocupar o salão. Então, têm de fazer com que os figurinistas esbocem mil túnicas heráldicas, meçam mil extras, costurem os figurinos e... bem, você captou a ideia. Uma alternativa seria tentar fazer tudo com imagens geradas por computador. Um ótimo recurso, mas que também tem custos e consome tempo. E orçamento é orçamento, seja ele de 1 milhão de dólares ou 100 milhões. Ao longo de minha carreira, trabalhei em ambos os lados da grande divisão entre páginas e tela. Comecei com o impresso, no início dos anos 1970, como romancista e contista, escrevendo exclusivamente em prosa. Na década de 1980, alguns produtores e estúdios me notaram, e tive minhas primeiras experiências com meu trabalho sendo opinado, adaptado e, em alguns casos, até mesmo T h r o n e s

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filmado. Passei a criar roteiros em meados da mesma década, para a refilmagem da CBS de Além da Imaginação, e me peguei adaptando histórias de outros escritores. Trabalhei por três anos como escritor/produtor da série de TV A Bela e a Fera e depois por cinco anos no desenvolvimento (mais conhecido como “inferno do desenvolvimento”), escrevendo pilotos de TV e filmes, a maior parte dos quais nunca foi feita. Somando tudo, permaneci quase uma década em Hollywood. Acho que fiz alguns bons trabalhos, porém, oriundo que era do mundo da prosa, estava constantemente batendo a cabeça contra os muros do que era possível no cinema e na televisão. “George, isso é ótimo”, dizia o estúdio sempre que eu chegava com o primeiro rascunho de um novo roteiro, “mas filmar o que está aí vai custar cinco vezes nosso orçamento. Você precisa reduzir dez páginas... cortar doze personagens... transformar essa imensa cena de batalha em um duelo... diminuir de doze cenários para dois...”, e assim por diante.

Nenhum estúdio ou rede de TV jamais tocaria em uma história como essa. Eu sabia. Seriam bons livros, talvez grandes livros, porém era tudo o que seriam. (Ah, a ironia...) Mais ou menos na época em que A Fúria dos Reis foi publicado, começamos a ouvir falar de produtores e roteiristas interessados nos direitos da série (A Fúria foi o segundo volume, mas o primeiro a alcançar o topo das listas dos mais vendidos). Eu estava cético. Meus agentes e eu respondemos a alguns telefonemas, fomos a algumas reuniões, ouvimos algumas propostas... mas eu continuava em dúvida. Todos falavam em transformar As Crônicas de Gelo e Fogo – todos os sete livros, incluindo os que eu ainda não havia escrito – em filme. Com certeza estavam inspirados pelo imenso sucesso da trilogia de O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, e esperavam reproduzir isso. Também fiquei inspirado pelo trabalho de Jackson, mas sabia que a mesma abordagem nunca funcionaria com minhas fantasias. Minha série é muito grande, muito complexa. Um de meus volumes, sozinho, é tão grande quanto os três do professor Tolkien

“Vocês são loucos”, eu disse para eles. “É muito grande. É muito complicado. É muito caro.” E eu fazia. Era o trabalho. No entanto, sempre preferi aqueles meus primeiros improdutíveis rascunhos iniciais aos roteiros finais e, depois de dez anos na indústria, estava cansado de me refrear. Foi isso que, mais que tudo, me levou de volta à prosa, meu primeiro amor, na década de 1990. O resultado foi A Guerra dos Tronos e sua sequência (cinco livros publicados até o momento, mais dois planejados). Havia passado anos imaginando, escrevendo e desenvolvendo conceitos para a TV, tudo eminentemente factível para os orçamentos televisivos. Agora queria deixar tudo isso para trás, transpor todos os obstáculos. Imensos castelos, vastas paisagens dramáticas – desertos, montanhas, pântanos –, dragões, lobos gigantes, batalhas colossais com centenas de cada lado, brilhantes armaduras, belas heráldicas, lutas de espada e torneios, milhares de personagens complicados, antagônicos, falhos, um completo mundo imaginário. Completamente não filmável, é claro.

juntos. Foram necessários três filmes para fazer justiça a O Senhor dos Anéis. Seriam necessários vinte para fazer As Crônicas de Gelo e Fogo, e não havia estúdio no mundo louco o suficiente para se comprometer a isso. Mesmo assim, as conversas me fizeram pensar sobre como seria possível passar minha história das páginas para a tela. A televisão era o único caminho, percebi. Não uma série de rede de TV aberta; tal ideia jamais daria certo. O orçamento de uma rede aberta simplesmente não seria suficiente, e seus censores ficariam chocados com todo o sexo e a violência dos romances. Na melhor das hipóteses, seriam produzidas versões com cortes, chá gelado em vez de hidromel forte. Uma longa minissérie poderia servir, algo como Raízes ou Shogun, mas as redes de TV abertas não estavam mais fazendo esse tipo de miniépicos. Tinha de ser a HBO, decidi. O pessoal que fizera Os Sopranos, Deadwood, Roma. Ninguém nem chega perto quando se trata de produzir televisão adulta de qualidade. Mas não P r e f á c i o

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podia ser um filme para TV, tampouco uma minissérie. Precisava ser uma série completa, com uma temporada inteira dedicada a cada livro. O único problema era que a HBO nunca havia feito fantasia ou demonstrado qualquer interesse no gênero. Jamais aconteceria. E então conheci David Benioff e Dan Weiss, em um almoço marcado por meu agente, Vince Gerardis, no Palm, em Los Angeles. O almoço se estendeu além do jantar. Acontece que David e Dan tinham o mesmo sonho que eu, de fazer de As Crônicas de Gelo e Fogo uma série na HBO. “Vocês são loucos”, eu disse para eles. “É muito grande. É muito complicado. É muito caro. A HBO não faz fantasia.” Os dois loucos não se intimidaram. Amavam a história e estavam convencidos de que podiam levá-la para a tela. Então os deixei tentar. Foi a melhor coisa que já fiz. Enquanto escrevo, a primeira temporada de Game of Thrones começou e terminou, com grande aclamação do público e da crítica, incluindo nomeações para o Emmy® e o Golden Globe®. Além de Peter Dinklage ter conquistado os dois prêmios por sua atuação como Tyrion Lannister, escritores, produtores, diretores, figurinistas, produtores de efeitos especiais, dublês e muitos mais foram reconhecidos, por seus pares, pelo trabalho marcante. As filmagens da segunda temporada já estão completas, e os novos episódios estão a postos. E tanto a série como os livros se tornaram parte de nossa cultura, com referências e citações em programas tão diversos quanto Os Simpsons, The Big Bang Theory, Parks and Recreation, Castle e Chuck. Ninguém está mais feliz ou espantado do que eu. É bom demais para uma história que eu achava que jamais saltaria das páginas para a tela. “Como fizeram isso?”, talvez você pergunte. Bryan Cogman tem feito parte dessa jornada desde o início. Foi a primeira pessoa que David e Dan contrataram quando receberam sinal verde, e ele passou a maior parte dos últimos anos em Westeros. Eu o deixarei contar. Como David e Dan, ele sabia que esse trabalho era perigoso quando o aceitou.

—george r. r. martin Santa Fé, Novo México 27 de janeiro de 2012

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P r ó logo Sete perguntas para David Benioff e D. B. Weiss Como produtores-executivos e roteiristas-chefes, David Benioff e D. B. (Dan) Weiss dividem o leme de Game of Thrones. Tornaram-se amigos há mais de quinze anos, quando estudavam literatura irlandesa no Trinity College, em Dublin. Com o passar do tempo, ambos alcançaram sucesso como romancistas e roteiristas, mas não haviam encontrado um bom projeto para trabalhar juntos até se depararem com a saga épica fantástica de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo. Como foi o primeiro contato de vocês com os livros de George R. R. Martin? BRYAN COGMAN:

D . B . W E I S S : Quando vi os livros pela primeira vez, formavam uma grande pilha de papel no chão diante da porta de David. Pareciam literalmente um peso de porta.

Em janeiro de 2006, conversei por telefone com um agente literário que me falou algo sobre os livros que representava. Um, em particular, me soou interessante: A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin. Confesso que não tinha ouvido nada a respeito da obra ou de George antes desse telefonema. Quando mais jovem, eu era grande fã de ficção fantástica, particularmente fantasias épicas, mas, depois de ler várias imitações de Tolkien, perdi o gosto por esse tipo de literatura. Mesmo assim, ouvir sobre o romance me intrigou, então eu disse que gostaria de lê-lo. Alguns dias mais tarde, um pacote chegou à minha porta. Um pacote pesado, contendo os primeiros quatro volumes de As Crônicas de Gelo e Fogo, mais de quatro mil páginas no total, com capas tradicionais de fantasia épica – homens barbudos empunhando espadas, castelos distantes, feiticeiras sensuais com decotes impressionantes. Eu pensei: “Bem, parece o tipo de coisa-padrão”. Em poucas páginas soube que estava errado. Depois que Jaime Lannister empurrou Bran Stark de uma janela da torre, fiquei viciado. Após ler algumas centenas de páginas, liguei para Dan, um de meus mais antigos amigos, e alguém que eu sabia que já tinha sido tão obcecado por fantasia quanto eu. Ambos tínhamos orgulho de sermos mestres em nossos respectivos jogos de Dungeons and Dragons.

DAVID BENIOFF:

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D. B. Weiss e David Benioff

Convulsiva.

Tudo bem, talvez “orgulho” seja exagero. Talvez não nos gabássemos desses jogos nas festas do ensino médio. Mesmo assim...

DAVID BENIOFF:

Ele me pediu que desse uma olhada em A Guerra dos Tronos, para ter certeza de que não estava louco. Dei uma olhada, tive a mesma reação de “caralho!” quando Bran foi jogado pela janela, e três dias mais tarde tinha lido 900 páginas. Não lia um livro assim desde os doze anos. Foi uma experiência poderosa. Compulsiva. Propulsiva.

B R Y A N C O G M A N : O que os fez querer adaptar o material, e por que fizeram isso para a televisão, e não para o cinema?

D. B. WEISS:

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D. B. WEISS:

Algumas vezes.

DAVID BENIOFF: Você não entra em um processo de adaptação levianamente. No caso de Game of Thrones, dedicamos seis anos de nossas vidas à série. E o fizemos por uma razão simples, T h r o n e s

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familiar para os leitores de George: ficamos apaixonados pelos livros. Ficamos apaixonados pelo mundo que ele criou, pela expansão de Westeros e Essos. Ficamos apaixonados pelos personagens, centenas deles, tanto pelos bons como pelos maus, pelos Stark, pelos Lannister, pelos Targaryen e pelos Greyjoy. Ficamos apaixonados pela brutalidade da narrativa: ninguém está a salvo. O bem não triunfa sobre o mal. Pessoas terríveis têm traços simpáticos, e pessoas adoráveis têm traços repugnantes. D. B. WEISS: Quando grande parte de sua vida é adaptar materiais para a tela, você sempre está procurando personagens profundos, uma história muito bem trabalhada e atraente, paixão, violência, intriga, humanidade e todas as ambiguidades que vêm com um mundo plenamente realizado... e você nunca encontra tudo isso no mesmo lugar. Só que nós encontramos. Foi estimulante e assustador.

E todas as coisas pelas quais nos apaixonamos tornavam impossível considerar os livros como fonte para um filme. Primeiro, porque comprimir cada volume em um filme de duas horas significaria descartar dezenas de tramas secundárias e montes de personagens. Segundo, porque um filme de fantasia com esse escopo, financiado por um grande estúdio, certamente precisaria ser classificado para maiores de treze anos, o que significaria sem sexo, sem sangue, sem profanidades. Foda-se isso.

DAVID BENIOFF:

Descrevam alguns dos desafios de adaptar uma narrativa desse porte, com tantos personagens e tramas. BRYAN COGMAN:

A questão se responde por si mesma: há muita coisa lá. George não contou só uma história; ele criou um mundo. Dez horas é bastante tempo para contar uma história, mas para fundar um mundo você tem de ser eficiente ou se arriscar a perder coisas que ama. Na primeira temporada, eu acho que conseguimos manter quase tudo o que realmente amamos. Ao avançar, infelizmente, serão necessários alguns sacrifícios ou compressões – de outro modo, precisaríamos de trinta episódios por temporada, e o orçamento com o elenco afundaria o barco. Mas o objetivo sempre será preservar o espírito da série: D. B. WEISS:

criar episódios que façam os telespectadores se sentirem do mesmo jeito que os livros nos fazem sentir quando os lemos pela primeira vez... e relemos e lemos novamente. Quais cenas ou diálogos em particular vocês mais se orgulham de ter escrito?

BRYAN COGMAN:

A cena em que Syrio e Arya conversam sobre suas crenças: “Só há um deus. O nome dele é Morte. E só há uma coisa para dizer para a Morte: ‘Hoje não’”. Essa cena [do episódio 6 da primeira temporada] mostra perfeitamente o processo colaborativo de Game of Thrones. George, claro, inventou Arya e Syrio. De início não planejávamos ter essa cena em particular, mas Jane Espenson [corroteirista do mesmo episódio] nos convenceu de que era uma boa ideia. Dan pegou a cena original de Jane e a reconfigurou. Então fiz aquele diálogo sobre a morte. Miltos Yerolemou [que interpretou Syrio] pegou um diálogo que poderia ter soado pomposo ou pretensioso, ou pomposamente pretensioso, e o entregou assim. E Dan Minahan dirigiu uma cena perfeita.

D. B. WEISS:

Os diálogos são muito simples, mas um dos quais mais me orgulho é provavelmente o da cena entre Robert e Cersei [no episódio 5 da primeira temporada], quando eles têm um raro momento de lucidez sobre o pântano tóxico que é o casamento deles. Cersei pergunta a Robert se alguma vez tiveram chance de serem felizes juntos, e Robert lhe diz a verdade: “Não”. Então, pergunta para ela: “Isso a faz se sentir melhor ou pior?”. E ela responde: “Não me faz sentir nada”. Isso não aparece muito em uma página, na verdade. Então, deixe-me mudar a pergunta para: “Que diálogos vocês mais se orgulham de os atores terem reproduzido com eficácia devastadora?”.

Norte oferece ampla gama de locações a curta distância. Cumes varridos pelo vento, praias rochosas, prados verdejantes, altas falésias, riachos bucólicos – podíamos filmar durante o dia em qualquer um desses lugares e ainda dormir à noite em Belfast, que é uma base maravilhosa, uma cidade pequena onde nos sentimos em casa desde o início. Nossa equipe local é abastecida por pessoas incrivelmente apaixonadas e talentosas. Diferentemente de lugares acostumados às super-produções, como Hollywood ou Londres, ainda sentimos certa excitação da comunidade por termos escolhido Belfast como ponto central da série.

DAVID BENIOFF:

D. B. WEISS:

Você, senhor, está enganado. O melhor diálogo que você escreveu é aquele em que Sam diz: “Sempre quis ser um feiticeiro”.

DAVID BENIOFF:

BRYAN COGMAN: Quais dos vários temas da história mais ressoam em vocês?

No mundo real, coisas horríveis acontecem com pessoas boas, mas imbecis

DAVID BENIOFF:

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hipócritas em geral fazem tremendo sucesso. Então, como, no mundo da fantasia, o bem sempre triunfa e o mal é derrotado? Parece estranho por se tratar de uma história de dragões, demônios de gelo e princesas com cabelos prateados, mas George traz certo realismo para a fantasia épica. Ele introduz tons de cinza em um universo geralmente preto e branco. Antes de mais nada, para mim essa sempre foi uma história sobre poder. Quem o quer, por que o quer, como consegui-lo, o que fazer com ele, o custo para o personagem e sua família. É o tema que perpassa grandes histórias épicas, desde a Ilíada até O Poderoso Chefão e O Senhor dos Anéis. E, nesse sentido, também é uma história sobre como o pessoal se torna político, como os amores, as luxúrias, os ódios e os remorsos de alguém podem ter repercussões muito além das pessoas imediatamente afetadas.

Por que a Irlanda do Norte foi a escolha final para as gravações e base de operações de Game of Thrones?

BRYAN COGMAN:

DAVID BENIOFF: Por várias razões: a Irlanda do

BRYAN COGMAN: Por fim, em que momento

perceberam que [o ex-assistente, atual supervisor de produção] Bryan Cogman era a chave para o sucesso da série?

D. B. WEISS: Infelizmente, foi pouco depois que

o demitimos e vendemos seu bebê para o circo.

D A V I D B E N I O F F : Ele sempre nos ameaçava de pedir demissão da série e trabalhar em Camelot. É verdade.

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semente (para a Muralha) foi os livros, quando visitei o Reino O sol estava se pondo, e fiquei Era outono, um dia frio. O Tentei me colocar no lugar de um legionário romano postado, naquela muralha, alguém da Itália ou da África; o Império tinha soldados do mundo todo nessa época. Você fica parado ali, praticamente no fim do mundo, e pode ver as colinas e as florestas além. Que inimigo está vindo por aqueles bosques? O que vai emergir e atacá-lo do outro lado da muralha? Foi um

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foi ino uei O

plantada dez anos antes de eu começar a escrever Unido pela primeira vez e fui à Muralha de Adriano. parado no alto da muralha, olhando para o norte. vento soprava, e isso despertou algo em mim. momento realmente profundo, que tocou algo em minha imaginação. Havia uma história ali. É claro, na Muralha de Adriano, o que teria emergido daqueles bosques seria um escocês! Eu precisava de mais do que um escocês. E a fantasia é inevitavelmente maior, então eu sabia que a Muralha tinha de ser maior. —GEORGE R. R. MARTIN Produtor-executivo, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo

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Caminhantes Brancos Uma breve história

“Ah, minha doce criança do verão, o que você sabe sobre o medo? O medo é para o inverno, quando a neve fica com mais de trinta metros de altura. O medo é para a Longa Noite... quando os Caminhantes Brancos se movem pelos bosques.” —Velha Ama

Há mil anos, segundo a lenda, um inverno brutal e uma horrível escuridão engoliram toda Westeros. Essa escuridão, conhecida como a Longa Noite, durou uma geração. Foi a época dos Caminhantes Brancos, criaturas demoníacas nascidas dos desertos gelados do Extremo Norte. Liderando monstruosos exércitos de mortos, os Caminhantes Brancos travaram uma guerra contra os vivos, varrendo vilas, fortalezas e cidades, destruindo completamente tudo em seu rastro. Com o tempo, uma aliança entre os Primeiros Homens e os Filhos da Floresta pôs fim à Longa Noite. Juntos, derrotaram os Caminhantes Brancos, mandando-os de volta para os rincões inexplorados do Extremo Norte. Para evitar que invadissem novamente, o povo de Westeros construiu a Muralha e colocou a Patrulha da Noite sobre ela. Por um milênio, os Caminhantes Brancos não foram vistos, tornando-se, então, mais mito do que realidade, uma história para assustar crianças desobedientes na hora de dormir. No entanto, com relatos perturbadores chegando de além da Muralha, alguns se perguntam se os Caminhantes Brancos retornaram... e estão se preparando para voltar a atacar.

[ acima ] Arte conceitual inicial, Caminhante Branco. ✥ [ ao lado ] A Floresta Assombrada, onde vivem os selvagens e criaturas piores. ✥ [ dupla anterior ] A Muralha. ✥ [ página 11 ] Patrulheiros se aventuram para o norte.

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O PRÓLOGO Episódio 1 da Primeira Temporada: “O Inverno Está Chegando”

Nos momentos iniciais de Game of Thrones, três homens da Patrulha da Noite – Sor Waymar Royce, Will e Gared – aventuram-se além da Muralha. A missão rotineira de patrulhamento torna-se fatal quando encontram os legendários e horríveis Caminhantes Brancos, e apenas Will (interpretado por Bronson Webb) escapa com vida. vestidos e maquiados para que parecessem não humanos. Conor O’Sullivan, nosso especialista em próteses, encomendou alguns conceitos artísticos para vender a ideia.

Eu estava conversando sobre o primeiro storyboard da sequência com [o diretor] Tim Van Patten. Tim descreveu a cena de maneira muito específica – toda aquela intensa atmosfera e estado de espírito. Foi um jeito realmente incrível de abrir a série, atingindo os espectadores com algo abstrato, algo que nunca tinham visto, e jogando-os dentro da história.

WILL SIMPSON (artista de storyboard):

TIM VAN PATTEN (diretor, primeira temporada): A aparência do Caminhante Branco foi o primeiro desafio. No último minuto, finalmente chegamos à aparência com a qual ele ficou, mas não antes que cada detalhe fosse discutido à exaustão. Como havia se adaptado ao ambiente? Qual o tom da pele? As feições? A altura? Como se movia? Sua vestimenta? Suas armas? W I L L S I M P S O N : Fiz três desenhos dos Caminhantes Brancos durante a produção do piloto, conceitos muito iniciais. A ideia original veio da descrição do livro: deviam ser entidades congeladas.

“Eu vi o que vi... vi os Caminhantes Brancos.”

ADAM McINNES (supervisor de efeitos visuais, pri-

{ Will }

meira temporada): Quando Tim Van Patten fez os storyboards da sequência do Caminhante Branco no prólogo, a presença da criatura era muito mais extensa do que a usada no episódio, o que foi bom por vários motivos. Fomos obrigados a encontrar a solução mais acessível para as criaturas que não fosse simplesmente evitar vê-las desde o início. Por fim, decidimos que os Caminhantes seriam interpretados por atores

[ acima ] Os patrulheiros Gared (Dermot Keaney) e Sor Waymar Royce (Rob Ostlere), da Patrulha da Noite, vasculham a floresta. ♦ [ ao lado ] Bronson Webb como Will, um malsucedido patrulheiro da Patrulha da Noite.

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ALIK SAKHAROV (diretor de fotografia, primeira temporada): Conheço Tim Van Patten desde 1998, quando trabalhamos na primeira temporada de Os Sopranos, então desenvolvemos um código ao longo dos anos. Nós dois passamos uma semana no apartamento dele – bebendo um bom vinho e comendo muito macarrão, claro – e disparamos ideias para todos os lados. Analisamos o roteiro, diálogo por diálogo, olhamos as fotos da locação e imaginamos como seria a ação. Lembro que andamos pelo apartamento fazendo cada movimento dos patrulheiros, agindo quase como se fosse um teatro, um teste da caixa-preta. Então começamos a dividir a sequência em tomadas, começando com Will cavalgando, uma tomada inicial extremamente longa. Vamos observá-lo ou seguir com ele? Detalhes assim são discutidos exaustivamente porque, dependendo do tipo de tomada, você inspira uma resposta emocional distinta do espectador. Para mim, a chave para aquela primeira sequência era a marcha cautelosa, e Timmy é um mestre na utilização do tempo. ADAM McINNES: Os atores nas vestes de Caminhantes tinham de se mover do melhor modo possível em um terreno difícil, quase sem enxergar, já que as máscaras reduziam a visão a um grão. Acrescentamos o brilho azul dos olhos na pós-produção.

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WILL SIMPSON: O interessante dessa sequência é que fui até a locação [Floresta Tollymore, na Irlanda do Norte] com Tim e Alik e tomei notas, rabiscando enquanto discutíamos. Estava vendo tudo ali, bem diante de mim, antes de desenhar, o que não acontece normalmente. Foi ótimo trabalhar com Tim, ele é muito colaborativo. Dei duro para conseguir movimentos e energias reais nos quadros para ajudá-lo a compreender a sequência.

Acabamos mudando a sequência da noite, como estava no roteiro, para o crepúsculo, a fim de ter melhor controle das tomadas e sentir mais o ambiente. Filmamos no fundo da floresta, o que trouxe mais desafios, e nosso pessoal de efeitos especiais teve de criar a neve. Isso tudo levou três dias – nenhum deles fácil, mas todos satisfatórios.

TIM VAN PATTEN:

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O que amo nesse prólogo é que começa com essa sequência louca, que é basicamente um filme de terror, e então você não vê os Caminhantes novamente durante toda a temporada! Mas estão sempre, como observadores, no fundo de sua mente, assim como na mente dos caras na Muralha. 

WILL SIMPSON:

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[ à esquerda ] Locação na Floresta Tollymore. ♦ [ acima, no alto ] Os Caminhantes Brancos estão prontos para a “ação”. ♦ [ acima, embaixo ] Uma macabra descoberta além da Muralha. ♦ [ página anterior, em cima ] Arte conceitual da Muralha. ♦ [ página anterior, embaixo ] O diretor Tim Van Patten recorre aos storyboards no set.

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A P A TR U L H A D A N O ITE Uma breve história “A noite chega, e agora começa minha vigia. Não terminará até minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei em meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o escudo que guarda o reino dos homens. Dou minha vida e minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão por vir.” –Juramento da Patrulha da Noite

Patrulha da Noite é uma irmandade juramentada dedicada a defender os reinos dos homens contra o retorno dos Caminhantes Brancos e de outras forças obscuras que se escondem no Extremo Norte. Seu posto é a poderosa Muralha, uma fortificação maciça de gelo e pedra de duzentos metros de altura, erigida pelos Primeiros Homens no despertar da Longa Noite. Essa fabulosa estrutura, diferente de qualquer outra já construída, estende-se de um lado a outro de Westeros, toda ela guardada e mantida pelos homens da Patrulha. Um homem da Patrulha da Noite não usa emblema; veste-se todo de preto e é frequentemente chamado de “irmão negro”. Faz um juramento de servir por toda a vida; sua única fidelidade é para com seus companheiros da Patrulha. Renuncia ao nome de família e a quaisquer terras ou títulos; seu passado é esquecido, apagado. Um irmão negro deve se manter celibatário, não pode casar ou ter filhos, pois os fundadores da Patrulha da Noite acreditavam que o amor era a morte do dever. Prometendo uma vida de privações e grande sacrifício, o juramento da Patrulha da Noite não deve ser feito levianamente – a punição para a deserção é a morte. Uma vez na Muralha, as distinções de classe são deixadas para trás, e orgulhosos voluntários de casas nobres ficam lado a lado com pequenos ladrões recrutados em calabouços. Qualquer um pode subir de posição; um homem ganha o que merece na Muralha. Ainda que os Caminhantes Brancos tenham desaparecido há muito tempo, a Patrulha da Noite tem outro inimigo formidável para combater. Por gerações, bárbaros seminômades conhecidos como “selvagens” ameaçam o povo do Norte. Denominando-se “povo livre”, eles se recusam a seguir as leis e os costumes dos Sete Reinos. Ao longo da história, diferentes clãs selvagens mobilizaram-se sob uma liderança única, um “Rei Para Lá da Muralha”, e tentaram ataques de larga escala

contra o reino. Todas as vezes foram retumbantemente derrotados pelos corajosos homens da Patrulha da Noite. Agora, no entanto, um novo rei selvagem, chamado Mance Rayder, uniu os selvagens com um fervor não visto há mais de cem anos. No auge de sua glória, a Patrulha era muito respeitada em todo o continente, no entanto, servir como irmão negro já não tem o mesmo prestígio de antigamente. A Casa Stark e outras casas do Norte continuam a reconhecer sua importância para a segurança e estabilidade do reino, mas as poderosas casas do Sul não partilham desse ponto de vista. Elas não consideram os selvagens uma ameaça real e duvidam que os Caminhantes Brancos retornarão – duvidam até de sua existência. Acreditam que a Patrulha da Noite é uma ordem equivocada e obsoleta, composta por párias inúteis, criminosos e imprestáveis. Por isso, o contingente da Patrulha foi diminuindo, até chegar a menos de mil homens, e apenas três dos dezenove castelos ao longo da Muralha são funcionais. Mas, a despeito dessas privações, os irmãos negros continuam sua solitária vigília.

[ acima ] Jon Snow (Kit Harington) e Samwell Tarly (John Bradley) fazem os votos da Patrulha da Noite diante de um represeiro ancestral. ✥ [ ao lado ] Jon Snow (Kit Harington) enfrenta seus companheiros recrutas durante treino no Castelo Negro. [ 21]

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DESENHANDO A MURALHA e O CASTELO NEGRO

“Eu só quero ficar em cima da Muralha e mijar da beira do mundo.” { Tyrion Lannister } [ acim a ] O we n T eale como o sádico mestre de armas da Patrulh a da Noite, A lliser Th o r ne . DAVID BENIOFF (produtor-executivo, roteirista):

Os efeitos visuais mais importantes filmados no primeiro episódio são os da Muralha, o que é compreensível, uma vez que a Muralha pode ser o marco divisório mais crucial em toda Westeros. Tinha de parecer ao mesmo tempo realista e deslumbrante, e a equipe de efeitos especiais fez um trabalho excelente. Nosso objetivo com a Muralha era criar uma estrutura que fosse inquestionavelmente feita de gelo, mas cuja construção também tivesse a marca registrada da engenharia humana. O lado sul, onde fica o Castelo Negro, seria o lado movimentado. Veríamos remanescentes das trilhas e postos avançados usados para transportar materiais e manter a construção ao

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longo dos séculos. O lado norte tinha de ser puro, para que fosse inconcebível que alguém pudesse escalar a Muralha, proporcionando, assim, a defesa perfeita contra as forças obscuras do Norte. Para construir tudo isso, começamos com a arte conceitual e a construção física do Castelo Negro nas locações na pedreira Magheramorne. R O B B I E B O A K E (coordenador de locações) :

Lembro de ler a primeira temporada desesperado, pensando: “Onde vou encontrar isso?”. A Irlanda do Norte tem várias locações, mas nem tantas muralhas de duzentos metros. Então fiquei muito satisfeito quando levei [a designer de produção] Gemma Jackson até Magheramorne, uma velha pedreira de calcário a cerca de trinta

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quilômetros ao norte de Belfast, e perguntei: “O que acha?”. Lá estava! Por completa coincidência, acabamos construindo na parte mais segura da pedreira. ADAM McINNES: A justificativa para uma base mais rochosa para a Muralha era a necessidade de a engenharia ter material sólido como fundação para o gelo, o que provavelmente se encaixava bem com uma boa e alta locação física na qual filmar. A equipe de efeitos especiais tratou a superfície da rocha para parecer gelo e neve acumulada. Então digitalizamos todo o cenário com o Castelo Negro e a muralha-pedreira para obter a base de um modelo de computação gráfica, e um extenso matte painting digital foi usado para finalizar as cenas em que a Muralha é vista na série. T h r o n e s

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GEMMA JACKSON: Foi Tom Martin, nosso incrível gerente de

construção, quem teve a ideia de usar um elevador de canteiro de obras de verdade. Então compramos um, e nós mesmos cobrimos a estrutura que veio com ele. Foi uma coisa extraordinária, embora ele tenha emperrado uma ou duas vezes com os atores dentro!

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DAVID BENIOFF: Gemma Jackson e seu departamento se superaram com o Castelo Negro. De todos os maravilhosos cenários criados para a primeira temporada, é provavelmente o meu favorito. Os diretores adoram filmar ali, porque podem colocar a câmera em qualquer ângulo sem nunca deixar nosso mundo. Não há pontos mortos – quando você fica parado no meio do Castelo Negro, você realmente acredita que está dentro dele. GEMMA JACKSON (designer de produção): Comecei

com os roteiros e as descrições encontradas no livro de George, mas também pesquisei muito material envolvendo a cultura esquimó – ou pessoas vivendo em iglus, que são imun-

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O cenário era incrível. Era surpreendente caminhar por algo quase idêntico ao que eu tinha em mente. Não percebi na época, mas trabalhar na pedreira, com o cenário construído contra a imensa parede, deu aos atores a sensação real da importância daquilo. Teria sido mais difícil sentir esse assombro só com uma tela verde. KIT H ARINGTON ( Jon Snow):

dos. Elas dormem em plataformas, enroladas todas juntas em peles. Há latões de cera e gordura, além de sangue das focas que mataram. É fascinante, muito primitivo. Também fiquei obcecada pela arquitetura do Himalaia. Muitas vezes parece que as construções estão nascendo das rochas e das pedras, e elas precisam resistir a um clima muito rigoroso.

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O Castelo Negro era um cenário com interiores e exteriores, construído em uma área da parede da pedreira, e tinha de representar o pátio principal de um grande castelo, o restante do qual foi construído com computação gráfica usando arte conceitual como guia. Todos aqueles castelos ao longo da Muralha estão desmoronando, e o Castelo Negro é T h r o n e s

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[ acima ] O cenário da Muralha. ♦ [ à esquerda ] Alliser Thorne (Owen Teale) em um “momento de ensinamento” com Jon Snow (Kit Harington). ♦ [ página ao lado, embaixo, à esquerda ] Arte conceitual inicial da Muralha. ♦ [ página ao lado, embaixo, à direita ] James Cosmo como o Senhor Comandante Mormont.

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[ acima ] Arte conceitual inicial do Castelo Negro.♦ [ à direita ] Kit Harington (Jon Snow) luta com Grenn (Mark Stanley). ♦ [ página ao lado, em cima ] O endurecido irmão negro da segunda temporada. ♦ [ página ao lado, embaixo ] A Patrulha da Noite na locação na Islândia, na segunda temporada.

um dos poucos que ainda funcionam. É um lugar miserável para estar. Então decidimos usar vigas e pedras, materiais brutos para transmitir como devia ser extenuante viver ali. É um mundo muito monocromático de gelo, madeira e pedra.

Kit Harington: Eu amei de verdade filmar aquelas cenas de luta. Derrotar três caras com uma espada é o sonho de todo jovem ator.

JOHN BRADLEY (Samwell Tarly): Quando vi aquilo pela primeira vez, pensei: “Ah, meu Deus, é imenso! Tenho de encenar aqui. Tenho de me ligar e atuar o melhor que puder”.

Então percebi que tudo estava ali para me ajudar a atuar o melhor possível. Qualquer receio que eu tinha em entrar no mundo da série foi dissipado naquele lugar, naquele momento, de

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tão impressionante o cenário e de tão imersos que ficamos nele. Podia ser um cenário de TV, mas não era o lugar mais agradável para se estar em alguns dias. Só de atravessar o pátio, com aquelas pedras afiadas, a chuva caindo e o manto pesado, não há como sua mente estar em outro lugar. Filmávamos ali o dia todo, e o local mais confortável para descansar era aquela imensa pilha de rochas, onde todos sentávamos. Aquilo era conforto! Basicamente vivíamos naquela pilha de rochas.  T h r o n e s

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VESTINDO A PATRULHA DA NOITE MICHELE CLAPTON (figurinistas): Esses homens não usariam todos a mesma cor, o mesmo tom de negro. A Patrulha da Noite está deteriorando, seu contingente vem diminuindo, eles não têm dinheiro, então as roupas precisavam refletir essas circunstâncias. Trabalhamos com a ideia de que eles tingem as roupas de negro, o que dá tons distintos. E, claro, dispõem de peles para manter-se aquecidos, mas tudo sempre tem de ser feito com o que conseguem nas proximidades. Tudo é muito sujo, muito grosseiro. Também decidimos que os recrutas ficariam com as próprias roupas, além da rústica armadura-padrão de treino. Não usariam a

“Na próxima vez que eu vir você, você estará de negro.” { Robb Stark }

“Sempre foi a minha cor.” { Jon Snow } vestimenta negra até que entrassem para o agrupamento e fizessem o juramento da Patrulha da Noite. Muitos dos novos recrutas foram arrancados das prisões, não tinham capa ou manto. Então, entre os recrutas, há uma mistura de cores e tecidos, dependendo de onde vieram. Sam, por exemplo, de origem nobre, tem um padrão de roupas muito mais elevado. A aparência de Jon Snow, inicialmente, vem de Winterfell, mas, como é bastardo, suas roupas não têm a mesma qualidade das de seus irmãos e irmãs. Quando ele vai para a Muralha, conserva o mesmo traje, mas introduz alguns novos elementos escuros. Então, claro, fica totalmente de negro quando faz o juramento. Ele mantém o manto negro original durante toda a série; é um pedaço de casa, o que faz sentido para o seu personagem, eu acho.  A

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“ Na próxim a vez qu e n o s e ncon tra rmos, falarem os s o b re sua mã e . ” — ­N e d S t a r k p a r a J o n S n o w

O filho bastardo de Ned Stark, Jon, foi reconhecido pelo pai ao nascer e criado com os meios-irmãos e meias-irmãs em Winterfell, onde sempre se sentiu como um pária. Cresceu idolatrando o pai, ansiando pela afeição e aprovação que Ned nunca foi capaz de lhe dar totalmente. Jon parece ter encontrado seu lugar no mundo com a Patrulha da Noite, da qual se tornou um líder natural e um guerreiro eficaz ao enfrentar os perigos além da Muralha.

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nunca se sentiu realmente parte da família, sobretudo pelo jeito como é tratado por Catelyn, sua madrasta. M I C H E L L E F A I R L E Y (Cate l y n Sta r k): Para Cat, ele é uma recordação diária da infidelidade de Ned, de sua traição. Acho que ela canaliza toda a raiva e ódio que sentiu por Ned em Jon. Ela não consegue disfarçar isso e não pode evitar. É mais forte do que ela.

D. B. WEISS (produtor-executivo, roteirista): Jon Snow é o que essa his-

tória tem de mais próximo do herói tradicional, pelo menos no início. No entanto, assim como faz com a maior parte dos personagens da saga, George pega o familiar e o vira de ponta-cabeça. Jon pode ser um herói, mas sua jornada é tudo, menos tradicional. DAVID BENIOFF: Sinto como se tivéssemos visto todos os

jovens atores do Reino Unido, muitos dos quais fizeram vários testes para diversos papéis, incluindo Robb, Theon, Viserys e Jon Snow. Fizemos duas audições para Jon: uma com um texto do primeiro episódio e outra com uma cena posterior, do terceiro livro, A Tormenta de Espadas. Kit Harington pareceu a pessoa certa desde o início, porque foi capaz de incorporar Jon Snow nesses dois pontos diferentes da história – o jovem imaturo do piloto e o guerreiro experiente das temporadas futuras.

KIT HARINGTON: Há o olhar que troco com Catelyn em uma das cenas iniciais do episódio 1 da primeira temporada, no pátio de treinos. Aquilo resume toda a infância de Jon, o que teve de viver. Acho que, de algum modo, tudo o que ele faz, cada relacionamento, o faz pensar na mãe que nunca teve, o que lhe traz questões muito freudianas cada vez que se aproxima de uma garota! Para Jon, a Patrulha da Noite foi desde muito cedo algo do qual sabia que faria parte. Ele admira seu tio Benjen [interpretado por Joseph Mawle], primeiro patrulheiro na irmandade, e acredito que percebe que Benjen se sente um pouco intruso também. Jon vê a Patrulha da Noite como um chamado nobre e a Muralha como o lugar em que pode se tornar mais do que um bastardo. É claro, ele descobre que a Muralha e a Patrulha da Noite são bem diferentes do que esperava. Acho que a primeira temporada é realmente sobre Jon perdendo sua família: o pai morto, o tio perdido além da Muralha, os irmãos e irmãs separados, Robb liderando uma guerra. Isso tem grande impacto sobre ele, endurece-o. Ele tem de fazer a escolha de deixar a antiga vida para trás de uma vez por todas e se dedicar à nova família, aos irmãos da Patrulha da Noite. A segunda temporada é sobre encarar os perigos além da Muralha e o que realmente significa ser um irmão negro. Ele é testado das formas mais inesperadas possíveis.

K I T H A R I N G T O N : Eu me apaixonei pelo personagem imediatamente, porque ele não é um herói clichê. Ele comete erros; é possuído por muito autodesprezo e dúvidas. Viveu sua própria vida como um intruso, já que nascer bastardo é uma marca de vergonha nesse mundo. Apesar da sorte de ter sido reconhecido pelo pai e criado com os irmãos e irmãs,

[ no alto ] Jon supervisiona o exercício de arco do irmão mais jovem, Bran, em uma cena do episódio 1 da primeira temporada. ✥ [ acima ] Jon na segunda temporada. ✥ [ página ao lado ] John Bradley como Samwell Tarly. ✥ [ página anterior ] Kit Harington como Jon Snow.

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“Sempre quis ser um patrulheiro.“ —Jon Snow

“Sempre quis ser um feiticeiro.“ — S a m w e l l Ta r l y

Primogênito de uma família nobre, Sam foi expulso pelo pai desaprovador e obrigado a se juntar à Patrulha da Noite. Embora seja um autoproclamado covarde e, no início, intimidado pelos outros recrutas, sua inteligência e pensamento rápido o ajudam a ser reconhecido e, com o tempo, torna-se um dos amigos mais próximos de Jon Snow. JOHN BRADLEY: Houve um momento, no episódio 4 da

J O H N B R A D L E Y : Minha cena favorita na primeira

primeira temporada, durante um treino com espadas [no qual o tímido Sam é maltratado por outro recruta], em que fiz uma importante descoberta. Tínhamos feito alguns ensaios, então eu tinha sido espancado algumas vezes. [O diretor] Brian Kirk estava arrumando as tomadas, e eu estava deitado no chão – ninguém estava prestando atenção em mim. Lembro de olhar para cima e ver Kit em pé a meu lado. Sem falar com ninguém, quase para si mesmo, ele disse: “Pobre Sam”. Fiquei tão contente! Tive certeza, naquele instante, de quão comovente aquela trama poderia ser, vendo Kit, o ator, sentindo algo pelo personagem. Foi então que soube que estávamos no caminho certo.

temporada é a cerimônia de “formatura” [na qual são atribuídas as posições aos recrutas da Patrulha da Noite]. Sam percebe que algo perturba Jon e usa sua autodepreciação para fazer o amigo sorrir. É revelado um lado diferente de Sam – quão perspicaz ele é em relação à inteligência emocional. Noutro momento, Sam convence Jon de que ser designado intendente é uma coisa boa, utilizando a retórica e a lógica para persuadi-lo. Vai além da amizade; Sam realmente se torna uma influência sobre Jon.

KIT HARINGTON: À primeira vista, a dinâmica entre Jon

e Sam pode parecer a do “herói e seu amigo”, mas é muito mais do que isso. Jon pode começar como protetor de Sam, mas uma amizade real se desenvolve quase imediatamente, e os dois se complementam muito bem.

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KIT HARINGTON: John traz muito humor e inteligência

a Sam. Como acontece com muitos personagens, quando você pensa que entendeu Sam, ele o surpreende. Pode parecer um covarde, mas é na verdade muito corajoso, um dos personagens mais corajosos da série.

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A l é m d a m u r al h a “Temos outras guerras para lutar. Lá fora.” – ­S e n h o r C o m a n d a n t e M o r m o n t

DAVID BENIOFF: Um dos desafios da série é que ficamos viajando entre ambientes e climas absur-

damente diferentes, várias vezes em um mesmo episódio. A Irlanda do Norte funciona muito bem como dublê das cercanias de Winterfell, das Terras Fluviais, do Vale e das Terras da Tempestade. Mas é difícil reproduzir as Terras do Sempre Inverno na Irlanda – não há grandes montanhas e a neve é esporádica e imprevisível. Felizmente, Stuart Brisdon e a equipe de efeitos especiais realizaram um trabalho incrível “fazendo nevar” em várias locações na primeira temporada. Na segunda temporada, Jon Snow e os irmãos da Patrulha da Noite se aventuram bem além da Muralha, em busca de Benjen Stark e para descobrir por que os selvagens estão abandonando suas aldeias. Colocar neve sobre a Fortaleza de Craster – outro projeto magistral na manga de nosso ás, Gemma Jackson – funcionou bem, mas, quando Jon e companhia alcançam o Punho dos Primeiros Homens e além, não ficamos satisfeitos em espalhar celulose branqueada em um morro enlameado. Sentimos que precisávamos filmar em algum lugar que parecesse tão frio e glorioso como o mundo que imaginamos enquanto lemos os livros. Então filmamos as cenas da trama de Jon Snow, na segunda temporada, na Islândia. Era imensamente desafiador filmar em dezembro, com cerca de quatro horas e meia de luz por dia, mas o cenário natural espetacular fez tudo valer a pena. [ no alto ] Arte conceitual inicial do Punho dos Primeiros Homens, na segunda temporada. ✥ [ no centro ] Jon Snow e Ygritte (interpretada por Rose Leslie), uma intrépida selvagem que Jon encontra nos desertos gelados além da Muralha. ✥ [ página do lado ] A Fortaleza de Craster. ✥ [ próxima dupla ] Jon Snow do lado de fora da Fortaleza de Craster.

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GAME OF THRONE - Por dentro da série da HBO