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FALL/WINTER 2011


Estes oito profissionais contam como é ter o privilégio de ganhar dinheiro fazendo o que amam. Coisas que você também adoraria fazer (até mesmo de graça!) e outras que a gente nem se dá conta que existem. Sim, misturar negócios com prazer dá certo.

Marina Fuentes, 31, jornalista e crítica gastronômica Trampos de responsa: na Folha de S. Paulo - onde tenho a coluna semanal em vídeo “Boa Vida” - e para o iG onde assino matérias de bebida e comida. Gostosuras: sempre que, por conta do trabalho, deixo meu bairrismo de lado e vou comer em lugares que nunca pensei que existiam. A maioria das pessoas não sai do seu circuito, não abre mão dos seus hábitos, pede sempre o mesmo prato. Garçom, a conta! Acham que é o melhor trabalho do mundo, que como de graça em todos os lugares. Claro que existem almoços em que as assessorias apresentam as casas novas, mas para ter referência real de serviço e de qualidade, só frequentando os lugares como uma cliente normal. Vai um engov? Há dias em que você só quer ir para casa, tomar uma canja e dormir, mas precisa ir no novo bar da moda, pegar fila, tomar chope e comer bolinho de bacalhau. Já fiz maratonas alimentares, a semana inteira almoçando duas vezes e jantando comida árabe. 24 horas: vivo olhando as fachadas para ver se há algum estabelecimento novo, e no supermercado passo um tempão vendo produtos nas gôndolas. Em restaurantes, leio o cardápio inteiro, a carta de drinques e de vinhos, mesmo que eu não vá pedir nada alcoólico. Uniforme de trabalho: depende, se for um ambiente formal, como degustação de vinhos, uso vestido e salto. Na redação, uso jeans e camiseta com tênis ou rasteirinha.

Mariano Kweller, 43, cinegrafista e diretor de fotografia freelancer Rotina: não tem. Pode ser um mês viajando em gravação ou numa bela quarta-feira ensolarada poder beber cerveja no boteco. Trampos de responsa: caixa de DVDs do Chico Buarque, documentários para o Discovery Channel “Rebelião dos Tubarões” e “Destino: lua de mel”, DVD Pitty, Retrato Falado (Globo). Primeiro amor: desde criança, quando todos escreviam o nome da menina que gostavam no caderno da escola, eu escrevia ‘cinema, cinema, cinema’. Vida boa: pendurado num helicóptero a 15 metros do Cristo Redentor e cantando um tango com Chico Buarque em Budapeste. Tudo misturado: trabalho é parte da minha vida pessoal. Ao mesmo tempo que viajo a trabalho, essas experiências ficam para mim. Quando vejo um filme bem fotografado, analiso e tiro ideias. Olho gordo: quando conto o que faço, me fazem sentir que tenho um trabalho melhor do que pessoas que trabalham todo dia das 9h às 18h no mesmo lugar. Uniforme de trabalho: calça cargo, camiseta básica e tênis. Se for para gravar show, tudo preto.


Rodrigo “Madeira”, 34, construtor de pistas de skate

Carol Althaller, 22, coolhunter

Freestyle: nunca tive carteira de trabalho! Comecei ajudando skatistas mais velhos, aos 14 anos, e não parei mais. Tenho por princípio trabalhar menos, com mais prazer. Então não tenho site nem cartão, sou chamado por indicação de skatistas e donos de lojas.

Como é? Tenho que estar conectada com a moda, artes, música, comida, viagens. Todos os detalhes dessas manifestações são importantes para entender o comportamento do consumidor e saber o que ele quer.

Picos: no Sul, a pista do Circuito Brasileiro Profissional de Skate, na Drop Dead, Qix Skate Park (Novo Hamburgo), no evento Alma Surf (na Bienal) e na casa de várias pessoas, como o half pipe que fiz para o skatista Pedro Barros. Prêmio: quando a pista fica pronta eu dou sempre a primeira volta. Mudança no rolê: sempre fui skatista e cheguei em nível de competição, mas larguei para ficar só na construção das pistas. No fim, este é meu diferencial. Inspiração: a molecada se interessa bastante. Muitos que já me ajudaram acabaram gostando e abrindo sua própria firma. Também encontro skatistas profissionais depois de 10 anos que me agradecem por terem começado a andar numa pista que fiz. Uniforme de trabalho: calça jeans, camiseta básica e tênis street.

Viagem: todos sempre pensam que você tem que viajar bastante e descobrir novas culturas. A verdade é que um analista de tendência trabalha muito o tempo todo e nem sempre precisa ir longe para detectar um novo movimento. Super cool: não me sinto de fato trabalhando. Para mim as coisas se interligam e quando estou descansando também estou procurando e descobrindo novas coisas. Ao mesmo tempo, no trabalho tenho a oportunidade de estar em contato com pessoas legais e inspiradoras, novas culturas, enfim... Sou apaixonada pelo que faço! Non stop: trabalho 24 horas, 7 dias por semana. Às vezes sinto que preciso desacelerar e me dou esse tempo, mas logo fica chato. Uniforme de trabalho: a roupa mais confortável possível.


Bina, 44, diretor de efeitos especiais para TV e cinema

Diego Cartier, 23 anos, sommelier de cervejas

Fissura: era pirado em televisão quando era moleque, sempre pensei que ia trampar na TV um dia.

Caminho sem volta: antes de trabalhar na área, já pesquisava e degustava cervejas do mundo inteiro, até que um dia resolvi entrar de vez nesse universo e não saí mais.

Traquitanas: em set de filmagem já fiz fogo, chuva, fumaça, pack shot de produtos para publicidade. Um truque simples é usar um toca-discos pra fazer o produto girar. Os melhores profissionais são químicos, físicos e têm todo tipo de cola, solvente... Efeitos Especiais: 3D, 2D, motion graphics para fazer animações, desde vinhetas da MTV, abertura de programas, ou composições em filmes. A gente faz um cara que está no estúdio parecer que está na rua, num dia ensolarado. Estilo de Vida: lido com universos variados, música, skate, graffiti, conheço muito artista, ator, diretor. E faço meu horário. Orgulho: não deixo nunca de me apaixonar e sinto falta de trabalhar quando estou de folga. É um tipo de trabalho que todos querem fazer. Stress: é sempre adrenalina e ralação, porque minha parte é a última do processo. Se o prazo aperta e o orçamento estoura, a bomba cai em mim. Tenho que me virar. Uniforme de trabalho: Jeans, camiseta e tênis vans.

Aprecie com moderação: o Sommelier de Cervejas é responsável pela parte gastronômica, cuidando desde a apresentação, temperatura e taça adequada até a harmonização com pratos. Mas nosso lema é “beba menos, beba melhor”, a ideia é trocar a quantidade pela qualidade.   Bebedeira: sou um legítimo “Beer Hunter”. Aproveito minhas viagens de lazer para desbravar cervejarias, bares, brewpubs e restaurantes. A ideia não é “encher a cara”, mas desfrutar a riqueza de cores, aromas e sabores encontrados na cerveja. Hora extra: os amigos estão sempre em volta pedindo dicas e eu acho ótimo, A maioria se interessa tanto que acaba mergulhando também nesse universo. Happy hour: quase sempre tomo Cerveja, mas também adoro Champagne, Sidra e Vinho. Uniforme de trabalho: geralmente uso tênis ou sapatos, jeans (por sinal são todas Levis, haha), camisas vintage (60’ s), camisetas polo e camisetas básicas.


Autumn Sonnichsen, 27, fotógrafa especializada em ensaios sensuais Prazer: quando estou fotografando e percebo que a mulher está se sentindo linda. Ela muda sua postura, se mostra, tem orgulho de si mesma. E tenho minhas modelos favoritas, que são minhas amigas e é sempre gostoso de fotografar. Universo fantástico: nos últimos 3 anos tenho fotografado o carnaval no Rio de Janeiro e adoro. Aquelas mulheres sensacionais e tal… E também todo o frenesi dos bastidores. Todo gringo gosta de caranaval, né? Dá uma abaixadinha: sempre perguntam qual é a técnica pra tirar a roupa das meninas numa boa. Não tem fórmula. Eu tenho meu jeito. Sem medo de ser feliz: não costumo ter medo, mas as pessoas dizem que é loucura ficar em cima de telhados, sentada no pára-peito dos prédios ou levar uma mulher para fotografar pelada no centro da cidade sem autorização. Dor de amor: ainda não fiz todas as fotos que queria ter feito e às vezes isso me dói. Também tenho que ir a festas chatas, e isso me dói mais ainda. Uniforme de trabalho: calça de sarja preta, regata preta, com Havainas ou tênis All Star. 

Thiago Kamming, 29 anos, luthier Afinação: o músico chega aqui e escolhe peça, acabamento, até autógrafo dele pode ser colocado no instrumento. Rola uma grande troca grande de energia. Todos os instrumentos que faço são como se fossem filhos. Repertório: fiz réplica da guitarra e contrabaixo Mosrite, do Joe e Marky Ramone. Tive oportunidade de mostrar pessoalmente e eles acharam o máximo. Também crio meus prórpios instrumentos, violão, bateria, cavaquinho, contrabaixo, viola, violino… Ensaio: sou autodidata. No Brasil a gente conta nos dedos os profissionais de luthieria. Não pode jogar fora uma guitarra porque ficou velha e pronto. Lá fora é comum encontrar músicos que estão há 30, 40 anos com o mesmo instrumento. Backstage: tem vezes que trabalho de madrugada até terminar e ficar do jeito que quero. A música e os instrumentos são minha vida, respiro isso. Show: quando o cara testa o instrumento e fala, “como você deixou assim, perfeito?”, depois manda mensagem para agradecer. Uniforme de trabalho: Camiseta


AMORES EXPRESSOS SOCIEDADE ILIMITADA Fotos por: James Street

Jornalista de formação, desde adolescente ele fazia fanzine, curtia skate, bandas punk, graffiti e acabou se tornando um dos mais importantes curadores de arte urbana no Brasil. Ela largou o jornalismo pela publicidade e durante anos foi diretora de arte na maior agência de Porto Alegre. Juntos, formaram a Noz. art, empresa que busca revelar novos artistas ligados a diferentes subculturas. Desde então o trabalho anda sempre de mãos dadas com o prazer. Não que antes fosse ruim, mas depois do casamento, pessoal e profissional, algumas lacunas foram preenchidas e tudo se encaixou lindamente.


O primeiro projeto a quatro mãos foi a mostra Transfer, que rolou em Porto Alegre em 2008 e ganhou sua segunda edição em São Paulo ano passado (pra onde se mudaram há menos de um ano). Mantêm no sul a galeria Fita Tape e já colecionam no currículo em comum curadorias e projetos importantes como a expo “Create and Destroy”, que refletiu a relação de skate e arquitetura na cidade, e mostras individuais como a de Fabio Zimbres, no Espaço +Soma. Na conversa a seguir, eles contam a (rara) dor e a delícia de ser um casal apaixonado, que divide a cama, as contas e soma talentos para propagar a arte underground. Como começaram a trabalhar juntos? Ana: Na mostra Transfer (em Porto Alegre, 2008). Eu era diretora de arte em uma agência de publicidade, ele estava fazendo o projeto e a gente se conheceu. Ali eu me toquei que o que ele fazia era muito legal, e era possível trabalhar de outras maneiras. Então me demiti. Pexão: Quando conheci a Ana estava na maior agência de Porto Alegre, me interessei por ser um esquema bem diferente do meu: com clientes grandes, um ritmo comercial mesmo. E ela era interessada no meu lado, de fazer coisas divertidas, empolgantes. Então a gente fez essa troca profissional, que foi muito misturada com o relacionamento. De cara teve uma admiração profissional mútua. Ana: Também de interesses, né… Pexão: E a história química, lógico, mas uma série de afinidades absurda: pra música, história em quadrinhos, a gente tinha os mesmos livros. Hoje em dia, lá em casa tem livros repetidos na estante. Ela já tinha essa inclinação pra mergulhar neste universo underground, que antes era o hobby dela. Ana: Me dei conta que não queria ficar lá trabalhando das nove da manhã às nove da noite, enquanto estavam acontecendo várias coisas legais e criativas na cidade. Foi aí que nasceu a parceria? Pexão: Foi meio inevitável porque nosso relacionamento é uma coisa bem simbiótica, a gente passa o tempo inteiro juntos. Então foi uma coisa natural.

O que um somou ao outro profissionalmente? Pexão: A Ana tem esse lado de estar inserida num nível mais profissional, da publicidade, de lidar com clientes grandes, uma lógica de trabalho mais eficiente. Sempre fiquei chocado com a velocidade com que ela consegue fazer um layout, enquanto eu demoro dias e dias, sempre tentando refinar. Ana: Pra mim foi a independência. Não precisar depender de um trabalho fixo, e conseguir viabilizar projetos assim mesmo. Essa coisa de me libertar foi importante. Tem momento em que ser casal atrapalha? Pexão: Um stress geralmente pode se transformar numa briga de casal. Ana: A gente tem muita intimidade, tem liberdade de retrucar… Pexão: E dizer, “isso tá uma merda”. Aí o outro fica puto da cara, lógico. Ana: Mas acho que tem mais vantagens do que desvantagens. É louco porque uma relação sozinha já é difícil de administrar, o tempo todo tem questões pra resolver. Se junta ainda questões do trabalho, pode ser mais difícil… Ana: No nosso caso somou. Conheço casais que não podem trabalhar juntos, que até já tentaram, mas não dá certo. Pexão: É, a gente tá num extremo, mas também tem outro extremo. Tem amigo meu da galera do skate dos anos 90 que tem uma cabeça bem fechada. Tipo, “namorada não tem nada a ver comigo, quero uma guria que seja patricinha, que não saiba nada do que eu gosto”. Acho a coisa mais bizarra do mundo, não ter afinidade nenhuma. Quando tu trabalha com o que tu ama, tu não separa muito a sua vida do trabalho, então é difícil separar seu relacionamento do trabalho também. Na hora de selcionar os artistas e as obras, vocês são muito influenciados pela emoção, pelo gosto pessoal? Ana: Primeiro é definido um conceito para cada projeto, então já fica mais fácil peneirar. Pexão: Acho que depende do projeto. A Transfer, por exemplo, que é uma exposição grande, tem um propósito nacional, que vai


além do meu gosto particular. Claro, tenho admiração por todos os artistas que estão ali, mas tem outras coisas que estão em jogo. Já na nossa galeria em Porto Alegre (a Fita Tape) dá pra ser bem pessoal. É comum as pessoas pensarem na galeria de arte como se fosse algo público, que deve ser aberto aos artistas, mas não é! É como um fanzine, um projeto pessoal. Quem está tocando a galeria faz o que bem entender ali dentro. Se é um projeto pra uma marca já muda também – mas a gente não vai trabalhar com algo que não goste. Isso é sagrado e acabou virando um cartão de visitas também.

“A gente trabalha do lado da cama também, é prático… E ela me manda cartinhas, em envelopes todos desenhados. Quando vejo tem uma cartinha ao lado do notebook. ” Então tem que ter tesão? Pexão: Tem que se empolgar. Tanto num projeto cultural quanto comercial, a gente leva em conta tudo que já fizemos antes, tudo que está acontecendo no mundo, pra fazer algo realmente novo, porque aí o trabalho flui. Todo mundo fica feliz. Ana: Tem que considerar não só o retorno financeiro, mas também a felicidade que aquele trabalho vai te dar: conhecer um artista, viajar… Pexão: Tem outras coisas que poderiam ser contabilizadas; lugares que a gente entra de graça, roupa que a gente ganha, viagem que a gente não paga, artista que dá obra… Ana: É, a gente já tem uma super coleção. Pexão: Isso tem que botar na balança. Nosso tempo de trabalho é a nossa vida, e ficar torrando seu tempo com algo que você não acredita… é triste.

Skate, graffiti, música, arte. O que esses universos tem em comum, que faz vocês terem essa paixão? Pexão: A sinceridade. Se a gente pegar fanzine, arte de rua, skate, os pioneiros fizeram isso num momento que não tinha perspectiva nenhuma de ter qualquer retorno financeiro, é totalemnete sincero. No panorama da arte contemporânea hoje em dia, um artista que passa pela faculdade, que acompanha as revistas de arte, que tenta fazer a trajetória de uma forma mais estabelecida, ele necessariamente sabe que aquilo pode dar muito dinheiro. E pra mim isso muda bastante a tua relação com sua expressão. A maioria dos nossos heróis são pessoas que tendo ou não dinheiro vão continuar fazendo o que gostam, porque precisam fazer. É a vida deles. Como é a relação de vocês com os artistas? Pexão: Artistas que têm raiz no underground muitas vezes são tratados, por gente do meio da arte ou da publicidade, como se não soubessem muito bem o que estão fazendo. Nós que acompanhamos durante anos, décadas, sabemos que eles têm uma trajetória incrível. Chegamos nesses artistas com um respeito, de não tirar eles de “macaquinho exótico”, de “ah, isso é da rua, é artista punk”, ele é muito loco, vai lá e faz qualquer coisa que a gente quiser”. Ana: Não me formei em jornalismo mas comecei a escrever sobre arte justamente por conhecer. Dependendo da área de atuação do jornalista, às vezes é mais importante tu conhecer o assunto mais do que a técnica. Pexão: Nossa batalha diária é levar esses universos super específicos para o grande público ou para a imprensa não especializada, sem distorcer tudo. Se vocês ganhassem uma grana pra tirar férias, o que fariam? Ana: Japão, né? Pexão: Ah, Tóquio… a gente tá morando em SP por causa (do bairro) da Liberdade! Brincadeira, mas a gente pira muito, o Japão tá muito na frente em termos de cultura pop e underground. Este mês vamos pra Paris e Londres visitar um monte de galerias, museus, conhecer uns artistas.


Ana: A gente nem tem vontade de sair só de férias, tipo, agora eu vou parar tudo. Então a ideia de descansar que muita gente tem, de ir pra uma praia e ficar sem fazer nada, com vocês não rola? Ana: Acho que essa ideia que as pessoas têm é porque elas se estressam muito no trabalho. A gente também se estressa, normal. Mas não fica pensando, “ah, como eu queria estar numa praia agora”. Tanto que a gente foi pra Fortaleza e ficou indo só em casa de artistas, só um dia fomos na praia, né? Pexão: Comemos um camarão ali e já saimos fora (risos). E pra curtir um romance? Pexão: Ficar em casa, abrir um vinho… Ana: Sair pra jantar… Pexão: A gente é bem romântico no dia-a-dia. Ana: Ele fica o dia inteiro me apertando! Pexão: A gente trabalha do lado da cama também, é prático… E ela me manda

cartinhas, em envelopes todos desenhados. Quando vejo tem uma cartinha ao lado do notebook. O que mais admiram um no outro? Ana: Antes de ser namorada eu era amiga e a conversa é sempre muito boa, flui. Também acho ele muito querido, muito justo com as pessoas. Pexão: Gosto de como ela é obssessiva e sempre está sabendo das coisas antes das outras pessoas. É uma coolhunter nata, sempre envolvida com algum cenário que eu não sabia. O resto é a alegria de sempre poder escutar música juntos, ver desenho animado juntos… Ana: Só video de skate que eu não vejo muito. Pexão: Mas ela gosta da trilha sonora.


Jaqueta - 70589-0036 Suéter - 63626-4024 Calça - 05591-0010


Camisa - 53445-0004 Crochê - 44267-0003 Calça - 11507-0113


Camiseta - 60684-0004 Camisa - 64399-0004 Calรงa - 04514-0171


Ela: Camisa - 64093-0007, Calรงa - 04511-0388; Ele: Camiseta - 64508-0192, Calรงa - 06044-0002.


Ela: Túnica - 53452-0001; Ele: Camiseta - 64200-0017, Calça - 04511-0387;


Jaqueta - 75508-0001 Camiseta - 60784-0005 Calรงa - 05591-0011


Da esquerda para a direita: Camisa - 53792-0009 e Short - 31129-0002; Camiseta - 64211-0005 e Jardineira - 37474-0001; TĂşnica - 53434-0002 e Blusa Manga Longa - 31061-0001.


Camisa - 74401-0004 Calรงa - 05591-0009


Camiseta - 64508-0249 Colete - 70616-0001 Calรงa - 05510-0129


Camisa jeans - 64399-0002 Camisa xadrez - 74401-0004


Blusa - 53447-0003 Camisa - 74402-0001 Saia - 92096-0016


Ela: Suéter - 66052-0002 e Blusa - 31061-0003; Ele: Camisa - 64399-0002 e Calça - 05591-0009;


Ele: Parka - 62685-0001 e Calça - 00514-0202; Ela: Jaqueta - 71172-0001 e Túnica - 53458-0001.


Para ver mais dicas sobre cada lugar, visite o site: matadornetwork.com/ notebook/travel-and-adventure-jobs/ worlds-best-places-to-busk

Quer ser um busker? Este site ensina como: www.buskerworld.com


Buskers: ARTISTAS DE RUA Não é preciso viajar, está nos filmes: músicos e artistas de rua se apresentando em praças, calçadas, metrôs. Até outro dia eles estavam na Avenida Paulista, na Praça da Sé e outros pontos da região central de São Paulo. Há alguns meses, o som diminuiu. A prefeitura da cidade proibiu toda expressão artística nas ruas. Em algumas cidades da Europa e Estados Unidos não só é permitido, como organizado. O cara toma coragem, pega sua guitarra e começa a tocar em uma das calçadas mais movimentadas da cidade. As pessoas estão de passagem, com pressa, falando no celular. Ele tem que ser bom para fazer com que elas parem por alguns minutos e prestem atenção. Seu talento é testado. Se elas pararem, ele não sabe se vão deixar uma moeda na caixinha, quiçá uma nota mais polpuda. Mas ele segue com o show.

de shows. Depois de se impressionar com o esquema novaiorquino, o músico amador Marcelo Beraldo, 36, viajou a 10 países para saber como funcionava o esquema de shows em seus metrôs. Então organizou o Red Bull Sounderground, festival inédito que aconteceu no metrô de São Paulo em outubro do ano passado. Ele conta que pesquisas feitas no metrô de Nova York apontam que nas estações onde tem música, a segurança aumenta. O festival foi um sucesso e ele acaba de fazer proposta oficial à Secretaria de Transportes de São Paulo com um programa para regulamentar apresentações no metrô. Mas tem esperança que seja aprovada justamente agora, que nem nas ruas estão deixando? “O lado bom dessa proibição é justamente questionar, levantar a discussão.

Eis que um belo dia seu talento não importa – a polícia chega e diz que aquilo é proibido, apreende seu instrumento e o leva para delegacia, algemado. A cena é fotografada e causa indignação e revolta na internet. Isso aconteceu com o músico Rafael Pio, que se apresentava na Avenida Paulista no final do ano passado. Tudo por causa da “Operação Delegada”, criada pela prefeitura de São Paulo para coibir toda forma de comércio ilegal na cidade. A discussão explodiu, rolou passeata de protesto e as questões levantadas ainda estão no ar.

A cultura de artistas de rua no Brasil ainda é fraca comparada com países da Europa. A tendência é ser liberado em lugares de tradição democrática, e a gente começou a votar para presidente só há 20 anos.” Paris, Londres, Seul, Barcelona e Montreal também têm seus próprios programas que permitem e organizam a música em suas estações subterrâneas. Nas ruas, os músicos também não enfrentam problemas.

A constituição não garante livre expressão artística? A prefeitura concorda que sim, desde que o artista não ganhe dinheiro para se expressar no espaço público. Mas os transeuntes não pagam se querem e quanto querem? Sim, mas a prefeitura alega que de qualquer maneira eles incentivam o pagamento, colocando suas caixinhas no chão. Nas maiores cidades do mundo existe esse problema? Não. Em muitos lugares esses artistas, chamados “buskers”, podem se apresentar livremente ou adquirir licenças mediante pagamento de uma taxa anual. A cidade conhecida como a mais amiga dos buskers é Barcelona. Lá não é necessário ter licença para performances nas ruas, além de ser o palco do maior festival de músicos de rua do mundo, o Busker’s Festival, que chegou em sua sexta edição em 2010. E todo ano é lançado um CD com uma compilação de músicas de grupos de rua. Em Nova York, o som que rola no metrô já é atração que faz parte da cidade. Para organizar a parada, eles criaram o MUNY (Music Under New York), programa que faz audições para selecionar os músicos que vão se apresentar durante um ano em uma determinada estação. Seria como fechar uma temporada

Beraldo conta que assim como aqui, em Lisboa, Tokyo e Hong Kong não se encontra buskers facilmente, sendo que em Tokyo é terminantemente proibida a performance no metrô (que é o maior do mundo). O guia de viagens do site Matador Network fez uma lista com os oito melhores lugares para os buskers (veja quadro) faturarem. O texto que abre o ranking diz: “Dá para fazer uma grana extra com um pouco de talento. O que você precisa é escolher o lugar certo”. Mais do que nunca, São Paulo não é este lugar.

Os melhores lugares para buskers Washington Square Park, Nova York (EUA), Alexanderplatz, Berlin (Alemanha), Dublin (Irlanda), Montmartre, Paris (França), Covent Garden, Londres (Reino Unido), Marrakesh (Marrocos), Cidade Velha, Jerusalem (Israel), Nova Delhi (India).

Eles foram Buskers Bob Dylan; Neil Young; Dave Gilmore; Syd Barret (Pink Floyd; Eric Clapton; Ben Harper; Madeleine Peyroux; Fela Kuti.


Nina, estudante de Arquitetura.

Calรงa skinny - 19903-0001 Camiseta listrada vermelho/marinho - 31102-0003 Jaqueta com capuz - 33640-001


FA LL/WINTER

Guilherme, estudante de Relações Internacionais

Camisa jeans - 63471-0003 Cardigan - 60461-0002 Calça cotelê preta - 00500-406


Pedro, estudante de cinema.

Julia, estudante de Artes CĂŞnicas.

Blusa listrada marinho - 31059-0001 Shorts moleton - 31054-0002


Julia, estudante de Artes Plรกsticas.

Apron dress - 71191-0001 Camisa western - 32639-0003


Miguel, estudante de FĂ­sica.

Moleton branco e marinho com bolso - 60379-0002 Calça com suspensório - 35144-0002


Cris, estudante de Letras.

Shorts - 31154-000 Blusa tricot marinho - 33999-0003


Natalia, estudante de Moda.

Jardineira - 11435-0003 Tricot - 44270-0001


Pedro, estudante de Cinema.

Casaco Preto - 62684-0002 Camisa Branca - 64136-0001 Calรงa Skinny Preta - 91332-0001


FIDALGOS DA TIPOGRAFIA Desavisados podem achar vir de uma locomotiva o som que de repente toma conta daquela esquina em Taboão da Serra. Fosse pela antiguidade e porte de sua origem, quase estariam certos. Mas o maquinar sai da prensa Johannesburg de tipos móveis, datada de 1929 e pesada dez toneladas, que o tipógrafo Carlos Palmeira, 45, e o impressor Maurício Pereira Campos, “75 mais uns meses”, acabaram de pôr para funcionar. São eles funcionários da gráfica Fidalga, que há cerca de 30 anos imprimem os cartazes lambe-lambe (aqueles colados à base de água e farinha) que muito provavelmente você já viu grudado em algum muro e pensou o quão legal seria ter um deles na sua casa. “A vizinhança ficou curiosa quando chegamos, mas agora até dizem gostar do barulho”, conta Carlos. O nome veio da rua, na Vila Madalena, da qual ocuparam o número 490 até setembro de 2009, quando tiveram que de lá sair por “questões de herança”, segundo ‘Carlinhos’. De lá até abril de 2010, chegaram a ficar inoperantes. “Quando viemos pra cá, tivemos que pedir para instalar o gerador trifásico, o que demorou muito. Tiveram dias em que não tínhamos dinheiro sequer pra tomar um café”, lembra. Isso, somado ao baque anterior que foi a instauração da lei Cidade Limpa (estimam em 60% a queda no número de pedidos), quase fez com que Maurício, aposentado, desistisse. Mas na mudança, “mais que tudo” – a alcunha, a máquina, conseguida do Partido dos Trabalhadores (paga em “serviço”), e as famílias de fontes, levaram a “paixão” por profissões que, não fossem eles, talvez já estivessem extintas em São Paulo, quiçá no Brasil. “Não largamos pela perseverança. Sair, só se for por doença. Eu trabalho por amor, né? Pra mexer com isso tem que gostar muito”, assume o tipógrafo, lá faz 25 anos. “Comecei colando cartazes. Aprendi o que faço hoje durante esse tempo que estou aqui.” “Ele é um bom tipógrafo”, elogia ‘seu’ Maurício, que em gráficas trabalha desde os 17 – dos lugares pelos quais já foi empregado, aliás, faz-se uma lista considerável. “Sempre pensei em trabalhar com isso, desde garoto. De ficar vendo revistas e falar ‘algum dia vou fazer essas coisas.”, completa. “Somos [a Fidalga] os únicos que ainda fazem isso”, afirma Carlos. Isso acabou gerando o interesse de artistas, além de curiosos. “Esse aqui [mostra] é um cartaz que a gente fez pro [Stephan] Doitschinoff [grafiteiro]. A gente também tem uma parceria bem legal com a [galeria] Choque Cultural, pra quem a gente faz todos os tipográficos.


Mas também fazemos tudo quanto é pedido. Já teve desde erótico até um rapaz que pediu pra imprimirmos uma tiragem de convites de casamento pra ele”, lembra. O que não quer dizer necessariamente, passados séculos da revolução de Gutenberg, que são ou ainda serão milionários. A gráfica funciona no esquema cooperativo, cada um ganhando sobre o trabalho que trouxe. “Com o que tiramos daqui, pagamos o aluguel, luz, água e nossa comida.” “Dá pra tirar uma vida razoável”, adiciona Maurício. Mesmo porque, com a diminuição do volume de trabalhos, o leque de clientes também mudou. “A gente ainda tem uns pedidos fixos, como o de uma festa em Carapicuíba, mas a maioria chega pelo interesse de alguém que ficou sabendo de nós e pediu pra conhecer e tal. Geralmente de gente que ainda se interessa por tipografia”, explica Carlos. Ouvimos tudo isso – e muito mais, afinal História é o que não falta – no dia em que fomos visitá-los. Era uma terça-feira, a primeira de fevereiro. Graças ao trânsito, chegamos atrasados. Sem sinal outro de lá funcionar uma máquina do início do século passado que o número 115 no muro da casa amarela, ficamos em dúvida. “É aqui mesmo. Achei que vocês não viessem mais”, nos recebeu Maurício. O que se seguiu foi a confecção do cartaz que ilustra este texto. Enquanto conversávamos, ambos prepararam da rama (onde são dispostos os tipos de acordo com a diagramação, depois encaixada na prensa) à tinta. “Eu vejo mais o seu Maurício que a própria mulher dele”, brincou Cláudio entre idas e vindas. Falando nisso, e a esposa, seu Maurício? “Ela gosta do que eu faço. Estou casado há 48 anos, né? Quem não gosta são meus filhos. Acham tudo muito sujo. Ninguém quer aprender como se faz, pra continuar.” Cláudio tampouco tem herdeiros. “Mas isso não acaba não. A gente não vai deixar terminar. De algum jeito passamos pra frente, né, seu Maurício?”. Interrompe um SMS. “Viu? O pessoal ainda pede trabalhos. Esse chegou por mensagem. É pra amanhã. Cada mês é um tanto de pedidos, não temos um salário”, comemora Cláudio. Tudo terminado, saímos com 100 cópias a R$ 200. “Deixa no carro que até amanhã seca direitinho”, ensina o impressor. Entre o porta-malas e o adeus, notamos um sinal de “Vende-se”. Este, obviamente, não impresso por eles. “Viu que sacanagem? A gente muda pra cá e põem pra vender. Mas também, se tiver que sair daqui a gente acha outro lugar. Meu telefone vai ser o mesmo, vocês me acham. Aqui, ou em outro lugar que seja, tem homem trabalhando pela cultura do país.”


O seu jeans serve nos quadris e coxas, mas fica muito apertado na cintura? Experimente o Slight Curve. A

cintura cai bem, mas não realça o visual? Demi Curve é a sugestão. Rolam umas sobras na parte de trás da cintura? Prove

Não é nada disso, só um jeans com gancho muito pequeno?

o Bold Curve.

Vista o Supreme

Curve.


Por isso mesmo a gente queria te apresentar a linha Levi’s® Curve ID, que utiliza um sistema de caimento revoluncionário baseado não apenas no tamanho mas na forma de cada mulher. Até hoje, apenas a cintura era levada em consideração. Desde que nós criamos o primeiro jeans feminino, há 75 anos, ninguém havia alterado a fórmula para encontrar o caimento perfeito. Agora com quatro shapes diferentes, a Levi’s© Curve ID mergulha no universo e diversidade do corpo feminino. Isso tudo foi baseado em uma pesquisa de um ano e meio realizada pela Levi’s© – um estudo de rastreamento tridimendsional com cerca de 60 mil mulheres em 18 países com o objetivo de determinar padrões de curvas femininas. Com esse projeto, a conseguiremos vestir 90% das mulheres no mundo. Criamos jeans customizados que permitem que às mulheres encontrem seu caimento perfeito, ajudando-as a sentirem-se confiantes e sexies. Milhões de mulheres já descobriram suas curvas. Qual é a sua? FAÇA O TESTE NO SITE. WWW.LEVI.COM.BR


O CURVE Da CAROL

“O que é essa tal de Curve ID? Será que aqui vou encontrar um jeans que caia bem em mim?”

É isso que acontece... sempre sobra essa folguinha aqui atrás.

Vamos resolver este problema já! Antes de tudo, precisamos descobrir qual é a sua curva.


“Hmm... será que é tão simples assim?”

A partir de um estudo da Levi’s descobrimos que 90% das mulheres se encaixam em quatro curvas diferentes: slight, demi, bold ou supreme. E com essa fita métrica exclusiva consigo descobrir qual calça ficará perfeita em seu corpo.

A sua curva é Bold!


Aqui está. Temos várias opções de lavagens.43

Ah, então a parte difícil é escolher!


Nossa, isso Ê genial. Parece que a calça foi feita sob medida pra mim. Finalmente encontrei um jeans que fica bem.


SEU JEANS PODE ECONOMIZAR 16 MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA PARA O PLANETA. Nós não valorizamos a água. Isso é um fato. Em nossas casas, abrimos a torneira e a água sai. É limpa. Não custa caro. Parece que há muita água para todo mundo. Mas aqui está um outro fato. De toda a água do planeta, apenas 1% é adequada ao uso humano. É só isso. 1%. Para todo mundo. E não há água nova entrando no sistema. A água que bebemos hoje é a mesma água que os dinossauros tiveram que beber. Aqui está um outro fato. Não poderemos continuar usando água da mesma maneira que estamos fazendo agora. Nós já perdemos metade de nossas áreas úmidas de água doce. Os suprimentos de água potável no mundo todo estão diminuindo em taxas alarmantes. Este não é um problema abstrato. 1 em cada 6 pessoas no planeta -1.1 bilhão de seres humanos de verdade – não têm água limpa suficiente para beber. Todos os dias, 10.000 crianças com menos de cinco anos morrem de doenças relacionadas à água. Acreditamos que é importante agir, pois fazemos parte de uma indústria que depende da água. Um jeans comum precisa de 42 litros de água para ser tingido, lavado e acabado. Quando levamos um deles para casa, utilizamos água ainda mais para cuidar do nosso jeans, sendo 21 litros a cada lavagem. São 4 vezes a quantidade de água que uma pessoa em um país em desenvolvimento poderia usar por um dia inteiro para beber, limpar, comer e lavar.

Projetando um Produto Melhor A marca Levi’s® está oferecendo uma maneira de direcionar a água utilizada em nossa parte da equação: os jeans Water<Less™. Os jeans Water<Less™ reduzem nosso uso de água em uma media de 28% por unidade – e até 96% para alguns estilos. É um passo na direção certa, e algo em que estamos comprometidos, à medida que aumentamos nossa produção Water<Less™. Começando em Março de 2011, queremos dar acesso em excesso, forneceremos água potável limpa para comunidades necessitadas em todo o mundo, e precisamos de você para ajudar nessa distribuição. Para juntar-se a nós e cuidar do planeta, por favor inscreva-se abaixo. Para informação mais detalhada sobre o comprometimento da companhia na conservação de água, visite: www.levistrauss.com/sustainability/planet/water e www.levi.com.br


ÁGUA DE BEBER FOTOS POR VAVÁ RIBEIRO

Um filtro, dois baldes e alguns tubos: este é o kit que o surfista americano Jon Rose carrega na bagagem em suas surf trips. Em cada pico visitado, ele oferece a chance de suprir uma necessidade básica, que em muitos casos pode ser rara: beber água potável. Jon sempre se sentiu um grande sortudo por levar a vida viajando e surfando ao redor do globo. Mas além de conhecer alguns dos cantos mais paradisíacos desse mundão, ele também se depara com realidades sociais e econômicas bem diferentes – e nem sempre agradáveis. Foi em uma de suas surf trips que Jon teve certeza que não só podia, como devia se empenhar em ajudar pessoas e comunidades que visitava em sua eterna peregrinação como surfista profissional. Em um barco distante da costa do Sumatra, em 2009, o surfista sentiu o mar se agitar levemente. Mais tarde, chegando à costa da cidade de Padang, se deparou com uma cena de completa devastação: um terremoto de escala 7.6 havia matado mais de mil pessoas e deixado outras cem mil desabrigadas. Na verdade, Jon estava a caminho de sua primeira missão em Bali, para entregar dez filtros de água de sua então recém-criada ONG Waves For Water (W4W). Diante do acaso na natureza, seus primeiros filtros (que tornam qualquer água potável), foram entregues à equipe de resgate do Sumatra. A solução consiste em um kit simples e fácil de montar, com custo que varia entre R$ 70 e R$ 80. Um filtro de cerâmica, alguns tubos, dois baldes e pequenas conexões, garantem que a água suja se transforme numa água clara, totalmente livre de impurezas e micro-organismos que transmitem doenças como malária, febre amarela e cólera (a água contaminada mata 3,3 milhões de pessoas a cada ano).


Tudo começou quando Jon teve um insight, inspirado no trabalho de seu pai, Jack Rose –fundador da ONG “Rain Catcher”, que ensina vilarejos na África a filtrar água da chuva. Jon pensou: “Por que não fazer isso em todos os picos de surf que visitamos?” Com pouco mais de um ano de vida, a W4W tem cada vez mais surfistas levando seus kits na bagagem e já contabiliza um bocado de gente beneficiada: no Sumatra foram 2 mil pessoas com acesso à água limpa. Em Bali, 37 vilas empobrecidas agora bebem água sem riscos. No Haiti, mais de 100 mil vítimas do terremoto tiveram acesso à água potável, com 11 mil filtros distribuídos. “Encheu meu coração de alegria ver que agora as crianças tomam água dos filtros sabendo que aquele presente está ali para tornar suas vidas melhores”, conta Jon em seu blog. O objetivo não é apenas levar e montar os filtros, mas também ensinar líderes de comunidade a montar o sistema, para que eles possam se virar sozinhos depois e passar esse conhecimento a mais pessoas. Para tanto, o surfista explica que é preciso ter um certo tato: “Não é uma tarefa fácil conquistar a confiança, mas feito isso, é simples operar o filtro, que pode fornecer água limpa a cerca de 100 pessoas”. No início de fevereiro deste ano, Jon esteve na região serrana do Rio de Janeiro, a convite do fotógrafo brasileiro Vavá Ribeiro. Seu apoio às regiões mais prejudicadas pelas chuvas foi iniciativa do movimento Água Pura, Serra Viva. “Algumas pessoas não acreditavam que estávamos ali para simplesmente ajudar. Nós fizemos algumas demonstrações, pegando uma água bem suja, filtrando e bebendo posteriormente”, disse Jon em entrevista coletiva no Rio. Em texto publicado no site da W4W, o surfista resume a gratificação de ter agregado as missões humanitárias à sua rotina de surfista: “Tenho passado boa parte da minha vida surfando em aventuras pelo planeta, e tenho aprendido todo tipo de coisa no caminho. Na verdade minhas experiências na estrada definem quem sou hoje. Acho que o acesso a diferentes culturas e credos é o que mais nos ajuda a evoluir. A diversidade é sem dúvida o que mais nos ensina! Mas as lições que tive no último ano com a W4W realmente superaram tudo o que eu sabia até então. (…) Tem sido surreal”.


Esta é uma publicação da Editora Vice Brasil Ltda. Produção Equipe Marketing Levis Brasil Produtor Executivo: Tony Cebrian Editor Chefe: Fernanda Negrini Jornalista: Erica Gonsales Repórter: Bruno Soraggi Produtor: Pedro Falcão Atendimento: Samantha Kuczynski Schwarz Diretor de Criação: Gabriel Klein Diretor de Arte: Felipe Oliveira Designer Gráfico: Renata Abelin Ilustrador: Sergio Rodriguez Quadrinhos: Diego Gerlach Fotógrafa (Soundcheck): Debby Gram Stylist (Soundcheck): Fabrizio Maia Stylist (Campus) : Renata Abelin Fotógrafo (O Curve de Carol): Luiz Alberto Fiebig Junior Produção (O Curve de Carol): Samantha Kuczynski Schwarz Fotógrafa (demais editoriais e capa): Fernanda Negrini



FALL/WINTER 2011