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ÍNDICE Prefácio Apresentação Introdução CAPÍTULO 1 A cruz de Cristo CAPÍTULO 2 Espírito Santo: o agente da pregação e da sabedoria do apóstolo CAPÍTULO 3 A unidade da Igreja na diversidade dos ministros CAPÍTULO 4 A liderança genuína CAPÍTULO 5 Os cristãos, o pecado e a disciplina CAPÍTULO 6 Disputas entre irmãos e santidade do corpo de Cristo CAPÍTULO 7 O casamento e as relações familiares CAPÍTULO 8 Alimentos sacrificados aos ídolos


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SAMUEL ALEXANDRE MARTINS CAPÍTULO 9

O apostolado de Paulo CAPÍTULO 10 Exemplos do passado que servem de referência CAPÍTULO 11 Práticas ministeriais e devocionais das mulheres na igreja corinto e a sua manifestação visível CAPÍTULO 12 Os dons espirituais CAPÍTULO 13 O verdadeiro amor CAPÍTULO 14 O culto pentecostal CAPÍTULO 15 A ressurreição dos mortos CAPÍTULO 16 Preocupação com os crentes pobres. Planos pastorais. Recomendações finais Bibliografia


PREFÁCIO

Esta obra representa mais um esforço do autor em colocar nas mãos dos que amam as verdades bíblicas e as procuram vivenciar nas dimensões do individual e do colectivo, nas igrejas locais onde estão inseridos, uma reflexão actual e contextualizada sobre o ensino ministrado pelo apóstolo Paulo na sua primeira carta à igreja em Corinto. A escolha do tema ajuda-nos a perceber a intenção do autor ao apresentar-nos essa carta em forma comentada. É perceptível a compreensão da mensagem geral da carta, sendo a abordagem aos textos feita de forma pastoral, resultado do munus que desenvolve e de manifesto entendimento da contemporaneidade das «questões coríntias». É óbvia a intenção de nos levar à detecção dos princípios imutáveis da ética divina. A linguagem é acessível e os comentários sugerem uma nuance devocional pelo insistente confronto identitário com os «parecidos» connosco na denúncia de situações «parecidas» com as nossas. Percebemos que o autor quer ser didáctico: além de informar, instrui, colocando-nos diante do «espelho» do pragmatismo de uma vida autenticamente cristã. Carlos Fontes 18.10.2011


APRESENTAÇÃO

«Estudar esta carta é fazer um diagnóstico da igreja contemporânea, é ver as suas vísceras e entranhas. É colocar um grande espelho diante de nós mesmos».1 A carta de Paulo aos coríntios faz-nos uma apresentação muito prática do que é a vida numa qualquer igreja, em diferentes épocas ou lugares, evidenciando as dúvidas, os conflitos, os pecados e demais situações próprias da vida em comunidade. É por isso que o seu estudo e reflexão, efectuados de uma maneira prática e devocional, tornam-se muito importantes e úteis, actualmente. Nela encontramos equacionados alguns dos problemas enfrentados pelos primeiros cristãos gentios e também a forma inspirada como Paulo lhes deu solução, dos quais uns eram de natureza teológica e outros especialmente relacionados com a conduta cristã em termos morais e espirituais. Este livro, que agora apresento aos leitores, tem por base uma série de estudos bíblicos que fui ministrando, ao longo de mais de um ano, os quais foram de grande enriquecimento espiritual para mim e para a igreja que sirvo, estou disso bem seguro.

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Lopes Hernandes; I Coríntios; Hagnos; 2009; São Paulo; pág. 9


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Ao longo desses meses, pudemos todos compreender que as lutas e problemas por que, quotidianamente, passamos, assim como as vitórias que, a par e passo, alcançámos, são comuns e, por isso, partilhadas por milhões de outros cristãos no mundo inteiro. O estudo desta carta tem ainda por objectivo — que me propus alcançar, enquanto o ministrava à comunidade — evitar que os crentes, nossos contemporâneos, tenham uma visão romântica da igreja nascente, nos primórdios da acção evangelizadora protagonizada pelos discípulos de Jesus Cristo, pois os problemas de hoje, com os quais reiteradamente nos confrontamos, em substância são idênticos aos daquela época e de todo o período da história da Igreja. Podemos reflectir, considerando as experiências de então, sobre muitos dos problemas que vivemos hoje, como sejam: contendas entre irmãos, conflitos matrimoniais, embriaguez, desvalorização da Ceia do Senhor, diferentes classes sociais (os pobres passam fome e os ricos banqueteiam-se…), aspectos relacionados com os dons espirituais e o culto pentecostal, ressurreição dos mortos e esperança da Igreja, autoridade dos ministros de Cristo e o seu justo sustento. A isto tudo e muito mais, que representava a vivência e preocupações da igreja em Corinto, o apóstolo deu resposta, tentando conduzir a igreja no sentido de deixar progressivamente o seu estado infantil e carnal e assumir a verdadeira condição espiritual, como corpo de Cristo e marca distintiva dos salvos no seio da sociedade. É importante reconhecer, estudando esta carta de Paulo, que compreenderemos melhor o que é ser igreja e como torná-la, a cada dia, mais parecida com aquele que é a sua cabeça, Jesus Cristo. ***


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Porque foram os primeiros destinatários deste estudo, devo deixar aqui, em destaque, uma palavra de grande afeição e gratidão aos irmãos da Assembleia de Deus Luso-Francesa em Paris, que me foram de constante incentivo enquanto lhes ministrava sobre os vários assuntos que Paulo abordou, acentuando, a cada passo, a necessidade de cada um ser, como eu quero ser, imitador de Jesus. Têm-me os irmãos dedicado amor e carinho abundantes e, pacientemente, escutado, semana após semana, o que o Senhor lhes queria ensinar, através do estudo da sua Palavra. Também me têm ensinado muito, ao longo destes cinco anos, e este livro é, em grande medida, o resultado da partilha das coisas de Deus que fizemos, a qual faz parte da nossa experiência comum de vida. Tem sido, por isso, um enorme prazer e alegria ver cada um crescer no conhecimento da Palavra de Deus, juntamente comigo. Louvo a Deus pelo grande privilégio de poder servir o Mestre entre eles e com eles, durante esse período, o que ainda faço e continuarei a fazer pelo tempo que for da vontade d’Ele.


INTRODUÇÃO

O apóstolo Paulo foi o fundador da igreja em Coríntio quando, no final da sua segunda viagem missionária, chegou a essa cidade com a mensagem do Evangelho. Foi um dos locais onde passou cerca de um ano e meio a evangelizar e ensinar (Actos 18.11). Só em Éfeso permaneceu mais tempo. Terá chegado a Corinto na Primavera do ano 50 d.C. e partido no Outono de 51 d.C. O apóstolo, nesta missiva (que praticamente todos os estudiosos do Novo Testamento lhe atribuem sem reservas), respondeu a muitas perguntas, que lhe foram colocadas pelos próprios crentes coríntios, as quais, provavelmente, lhe terão feito chegar por carta mas também através dos crentes membros da família de Cloé. A cidade de Corinto era uma das mais importantes do império romano, situava-se nas proximidades da grande Atenas e era banhada pelo mar Egeu e o mar Jónio, tendo um dos mais importantes portos de mar da época. A sua população seria de aproximadamente meio milhão de pessoas. Por estes motivos, era uma cidade cosmopolita, onde pessoas de diferentes culturas e origens circulavam, proporcionando oportunidades de imensa troca cultural e social entre elas de modo que evangelizar Corinto correspondia a uma grande oportunidade de fazer chegar o Evangelho praticamente a todo o mundo conhecido à época.


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Além disso, era, então, uma cidade muito importante em termos comerciais e um dos pólos mais importantes para a circulação de bens; ali desenvolvia-se a indústria da cerâmica, a principal indústria entre outras. A sua fama assentava também na realização de competições desportivas, sendo os jogos ístmicos de Corinto muito importantes, só superados pelos jogos atenienses. Devemos sublinhar que a cidade se transformara num espaço aberto à discussão de novas ideias, dedicando-se os seus cidadãos residentes e forasteiros a ouvir grandes filósofos e pensadores contemporâneos. No que se refere à situação moral, Corinto era uma das cidades mais pecaminosas de todos os tempos, sendo o uso do verbo

Korinthiazomais (corintianizar) usado para descrever a vida dissoluta dos seus habitantes, cuja prática da prostituição era confundida com o culto religioso, misturando-se um e outra de tal modo que não se distinguiam. Com efeito, «a depravação de Corinto era tão notória que o nome da cidade “tinha na verdade passado a fazer parte do vocabulário da língua grega; e a própria palavra “corintianizar” significava “agir de forma leviana”».2 «Este último pecado, tão generalizado em Corinto, deu origem a expressões como “corintianizar”, que tem o sentido de iniciar-se em práticas imorais; também a “donzela coríntia”, que simbolizava essa iniciação; e ainda “enfermidade coríntia”, que indicava os resultados venéreos desses pecados de imoralidade».3

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Comentário Bíblico Beacon volume 8; CPAD; Rio de Janeiro, 2006; pág. 236 Champlin e Bentes; Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Volume I; Candeia; São Paulo; 1997; pág. 923


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A deusa Afrodite tinha na cidade um grande templo. Nele trabalhavam mil prostitutas cultuais e milhares de coríntios e turistas iam aí adorar Afrodite e ter relações de índole sexual com essas «sacerdotisas». A prática homossexual também era absolutamente comum e sem pudor, sendo apresentada como forma de exercício do mais puro amor. As manifestações de idolatria eram constantes e diversificadas, pois, além daquela deusa, havia muitos outros deuses e templos que lhes eram dedicados para a prática do culto religioso.


CAPÍTULO 1

A CRUZ DE CRISTO Unidade, sabedoria, poder e glória de Deus


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O apóstolo Paulo visitou a cidade de Corinto, na Acaia, durante a sua segunda viagem missionária (Actos 18.1-18), onde permaneceu durante o período de um ano e meio. Aí testemunhou a respeito de Cristo todos os sábados na sinagoga até que a resistência à sua mensagem o forçou a retirar-se da cidade, tendo-se, nessa altura, voltado para os gentios. A igreja em Corinto seria, então, formada por judeus convertidos, prosélitos, tementes a Deus e pagãos convertidos através da mensagem pregada pelo apóstolo. Isso fazia com que a «igreja de Deus, que vivia na cidade de Corinto», fosse muita diversificada quanto às origens sociais e religiosas dos respectivos membros. Por ter sido o fundador dessa comunidade cristã, Paulo continuou ligado a ela por via epistolar e por intermédio de enviados pessoais. A Carta aos Coríntios é a resposta às questões que se suscitavam no seio da igreja e das quais tomou conhecimento pessoal por escrito e por intermédio de outros crentes, revelando-se muito perturbadoras as informações recebidas acerca do estado espiritual dos irmãos que ele tão bem conhecia… Da sua leitura, percebe-se com nitidez que as lutas e problemas que a igreja do Senhor enfrenta, actualmente, não são diferentes daqueles que as igrejas nascentes tiveram que enfrentar, em particular a da cidade de Corinto, certamente sob influência da conduta imoral e idólatra dos seus habitantes, que eram, muitos deles,


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frequentadores das cerimónias do templo de Afrodite, deusa da fertilidade, com as suas mil prostitutas cultuais.

PREFÁCIO, SAUDAÇÃO E ACÇÃO DE GRAÇAS (v. 1-9)

As primeiras palavras de Paulo foram para lembrar os crentes de Corinto que ele foi «chamado apóstolo de Jesus Cristo», ou seja, não era um apóstolo por sua própria escolha mas pela vontade de Deus. Subjacente a essa declaração inicial estava bem patente a sua obra de perseguidor da Igreja, nada compatível com um projecto ou vontade pessoal de poder vir a ser arauto, entre eles e pelo mundo fora, da causa do Mestre, o que só acontecia exactamente por causa da manifestação da soberana vontade de Deus na sua escolha para apóstolo. Por isso, queria deixar bem claro, desde o início, que o seu apostolado não era obra sua, como também não era uma idealização humana, mas, sim, o resultado duma chamada pessoal e divina. Diante dessa constatação, rejeitar a sua mensagem não implicava rejeitá-lo a si próprio, mas a divina palavra de quem o chamara e comissionara. O seu apostolado era, portanto, segundo a «vontade de Deus» e, na qualidade de apóstolo de Cristo, tinha o seu completo apoio e autoridade. E, não provindo esta dos homens, tinha o direito e a responsabilidade, que lhe foram dados pelo próprio Senhor, de tentar corrigir os muitos erros que grassavam no seio daquela igreja.

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Os crentes coríntios foram identificados pelo apóstolo como sendo a «igreja de Deus», «santificados em Cristo» e «chamados santos». Em primeiro lugar, eram igreja de Deus, não deste ou daquele homem. A Igreja, com efeito, formada pelos santos, pertence a Deus! Devido ao apego dos coríntios a vários líderes, estabelecendo em relação a eles uma relação de preferência, Paulo afirmava que a igreja não era propriedade de homens — por muito importantes que fossem e tivessem trabalhado nela e por ela — mas de Deus. Em segundo lugar, da mesma maneira que Paulo fora chamado por Deus para ser apóstolo, todos os crentes o foram (e ainda hoje o são!) para ser santos. Na cidade de Corinto reinava a imoralidade, a corrupção e os vícios sexuais. Ora, os crentes coríntios deviam ser um povo «santificado», separado e dedicado às coisas do Senhor, contrastando, no seu exemplo de vida, com os vícios que dominavam a cidade. Apesar das muitas imperfeições dos crentes, Paulo dirigia-se aos que, naquela igreja, eram santificados em Cristo e chamados para ser santos. A característica distintiva do crente é que tem Jesus de Nazaré como seu Senhor. Na verdade, os crentes são chamados para pertencerem ao seu povo, que são os que invocam o nome de Jesus Cristo, «Senhor deles e nosso», como dizia Paulo. A Igreja é constituída pelos «chamados», por aqueles que vão sendo separados por Deus do meio da sociedade humana e das suas corrupções, para se dedicarem à causa da sua pátria celestial, a que pertencem por mérito d’Aquele que os chamou e os tornou santos.

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No início da Carta, Paulo elogiou os crentes, embora, como veremos, o grande objectivo da mesma era corrigir as suas falhas e, por isso, em grande parte dela, falaria sobre assuntos que mereciam reparo no seio da igreja. Apesar de todas as suas falhas, a graça de Deus ainda estava neles, através da pessoa de Jesus, pois dizia-lhes que estavam «enriquecidos» em Cristo pela comunhão que tinham com Ele. O testemunho de Cristo, que lhes fora trazido por Paulo, tinha sido abundantemente confirmado entre eles e isso levou-os à fé. E foi tão real esse testemunho que podia afirmar que nenhum dom lhes faltava, ou que todos os dons estavam disponíveis para plenamente se manifestarem por meio deles. Essas manifestações do Espírito deviam prepará-los para o dia da manifestação de Cristo de modo que se apresentassem diante de Cristo «irrepreensíveis», isto é, sem defeito, irreprováveis. Obviamente que ser inocente ou irrepreensível na vinda do Senhor não depende do mérito de cada cristão, mas sim da fé depositada em Cristo, pois Ele é «justiça nossa». Tudo isto estava baseado não nos méritos dos coríntios (que eram muito poucos ou mesmo nenhuns), mas na fidelidade de Deus — «fiel é Deus» — e por causa dessa fidelidade eles podiam manter a comunhão com o seu Filho Jesus Cristo. Paulo teve necessidade de frisar essa questão da comunhão com o Filho de Deus, que é o Senhor e Cristo, antes de lhes mostrar que vinham abusando dessa comunhão. Faziam-no promovendo o partidarismo, considerando os líderes humanos os seus «senhores» e negligenciando, assim, o senhorio de Cristo; ora, desta forma quebravam a unidade e a comunhão da igreja.


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EXALTAR O HOMEM É SUBSTITUIR CRISTO, PROMOVER A DIVISÃO E OFUSCAR A GLÓRIA DE DEUS (v. 10-17)

Paulo tratou primeiramente do problema das divisões dentro da congregação coríntia (assunto ao qual voltará nos capítulos seguintes), pedindo aos crentes algo que sabia ser imprescindível para ultrapassá-las: a vontade de viver em harmonia! Eis o seu veemente apelo: «Rogo-vos, porém, irmãos…», ou seja, peço-vos, encorajo-vos, exorto-vos, imploro-vos, apelo-vos com toda a intensidade, com todas as forças da minha alma… As divisões entre os irmãos era algo intolerável. Dirigiu-se aos crentes como «irmãos», palavra que usará quarenta vezes na carta que estava a redigir. Utilizava-a para salientar o espírito fraterno que deveria prevalecer entre os membros da igreja, em lugar das divisões de que falara e sabia existirem. Não fez tal apelo em seu próprio nome, mas no de Jesus Cristo. Embora estivesse seguro do seu ministério apostólico entre eles, não lhe bastaria invocá-lo em face dos partidarismos existentes no seio da comunidade. Só enfatizando o nome de Cristo e o seu senhorio sobre os irmãos poderia começar a afastá-los das disputas e captar-lhes a atenção para o que queria ensinar-lhes. O nome do Senhor Jesus Cristo estava acima do de Paulo e dos demais ministros reconhecidos por eles e, por isso, ao longo da carta vai ser nomeado mais do que em qualquer outra escrita por ele exactamente com o fim último de enfatizar o senhorio de Cristo. ***


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Ele apelava aos irmãos para que falassem todos a mesma coisa, para que estivessem em paz, resolvessem as suas diferenças e vivessem em harmonia por meio da reconciliação entre eles, uma vez que viviam em «dissensões», «contendas», «discussões» e «discórdias». E exortava-os a terem o mesmo parecer, ou seja, o mesmo propósito, e mesma intenção, mente e opinião… A unidade que invocava era de natureza interior. Falar a mesma coisa significava mais do que simplesmente articular as mesmas palavras ou ter o mesmo discurso — era caminhar no mesmo sentido e sob a mesma orientação, com o mesmo ideal e pensamento. No início das suas palavras de exortação, atacou as facções existentes na igreja, na qual a adoração dos heróis substituía a que devia ser conferida exclusivamente ao grande Herói dos consagrados e chamados para ser o seu povo — o Senhor Jesus. As dissensões entre eles desonravam o nome de Cristo e ofuscavam a sua glória. No corpo de Cristo a diversidade é uma bênção, mas as divisões são um pesadelo. Por isso Paulo questionava-os: «Está Cristo dividido?» De certa maneira, Cristo estava dividido pois os crentes aceitavam-no de acordo com a dedicação que votavam aos apóstolos das suas preferências. Ora, isso era um absurdo uma vez que Cristo não podia ser fraccionado em função da simpatia ou afeição, por muito legítimas que fossem, tributadas aos seus servos, nomeados e tidos em altíssima conta entre eles como referências ou exemplos. O apóstolo queria fazer-lhes compreender que nenhum homem podia ser o herói dos que pertenciam ao povo de Deus, pois só Cristo podia sê-lo. Foi Ele quem realizou a expiação capaz de levar os homens de volta a Deus, foi Ele quem morreu por todos os homens. Não Paulo, Pedro ou Apolo…


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A essência da mensagem que lhe pregara assentava nos méritos de Cristo, que a Cruz tão bem representava. Nada podia substituir essa mensagem simples porque era por meio dela que os homens eram levados de volta a Deus. As boas novas, ali em Corinto e por onde Paulo ministrava, eram a mensagem da «cruz de Cristo». Como é evidente, tal mensagem, na sua simplicidade, tem o mesmo valor e significado para nós, hoje, e por isso, nas pisadas do grande apóstolo, pregamo-la como meio suficiente para salvação dos perdidos e unidade dos salvos.

NA CRUZ DE CRISTO, DEUS DESTRÓI O ORGULHO HUMANO (A cruz é a exibição da sabedoria de Deus aos olhos dos homens) (v. 18-25)

A mensagem da morte de Cristo na cruz era o centro da pregação do apóstolo. Cristo fez pelos homens o que eles não poderiam fazer por si mesmos. Apresentar essa mensagem era, portanto, anunciar ao mundo o que Jesus fizera em benefício de todos: expiação, redenção, justificação… No entanto, o facto de estar centralizada no Salvador, que morrera, a mensagem constituía uma loucura para os incrédulos. A mensagem da cruz tem, verdadeiramente, um efeito duplo naqueles que a ouvem: para os que a aceitam, é a palavra da salvação (poder de Deus), para os que a rejeitam é a palavra de destruição (loucura). Para Judeus e Gregos, essa mensagem era «loucura», principalmente para os gregos incrédulos, porque não coincidia com a sua noção de sabedoria. Para os Judeus, era debilidade e uma pedra de tropeço porque não coincidia com a sua noção de poder;



Vistos ao Espelho: como viver o Evangelho em Comunidade