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Educação Patrimonial

Olhar o passado para entender o presente e projetar o futuro


Educação Patrimonial

Olhar o passado para entender o presente e projetar o futuro


Realização Petróleo Brasileiro S. A. Petrobras Unidade de Negócio de Exploração e Produção do Espírito Santo Gerência de Exploração Gerência Setorial de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Coordenação do Projeto UN-ES/EXP/SMS Execução Técnica CTA- Centro de Tecnologia em Aqüicultura e Meio Ambiente Coordenação Geral Alessandro Trazzi Gerente de Projeto e Coordenação Técnica Sérgio Rodrigues Coordenação de Arqueologia Celso Perota Pesquisa e Redação Fernanda Tabacow Projeto Gráfico, Editoração e Diagramação Leticia Orlandi Paulo Gois Bastos Revisão Regina Simões Este caderno é parte integrante do Projeto de Educação Patrimonial que contempla em seu escopo: capacitação de trabalhadores, exposição itinerante e excursões didáticas na área de influência das atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos na porção continental da região norte do Estado do Espírito Santo. Uma iniciativa da Petróleo Brasileiro S. A. – Petrobras. Todos os direitos reservados à Petróleo Brasileiro S. A. Informações PETROBRAS Petróleo Brasileiro S.A. Unidade de Negócio de Exploração e Produção do Espírito Santo Tel: 0800 39-5005


APRESENTAÇÃO Se pensarmos que a principal função da educação é o seu caráter libertador e de que, em síntese, a educação deve possibilitar o crescimento individual e a iniciação social, veremos que a Educação Patrimonial cumpre bem isso, uma vez que visa, a partir da experiência de cada aluno, fazê-lo perceber e entender o contexto sócio-histórico no qual está inserido. Dessa forma são constituídos sujeitos críticos, pois isso é possível somente após o entendimento de sua própria realidade. A Educação Patrimonial é um instrumento para a afirmação da cidadania e deve contar com o envolvimento da comunidade na gestão do seu Patrimônio Cultural. Assim, realiza-se um processo de alfabetização cultural que habilita os alunos para uma leitura e percepção crítica do seu meio. A partir desse olhar, da valorização do passado para o entendimento do presente, é que a comunidade projeta um futuro alicerçado nos seus reais e mais importantes valores. A inserção desta perspectiva, bem como o resgate da identidade local e a consciência dos valores e das marcas do patrimônio pessoal e coletivo são os objetivos prioritários do Programa de Educação Patrimonial do Norte Capixaba. A motivação para o desenvolvimento dessa iniciativa se deu a partir da descoberta de diversos sítios arqueológicos durante a realização de programas de aquisição sísmica realizado pelo Ativo Exploratório da Unidade de Negócios de Exploração e Produção do Espírito Santo (UN-ES) da Petrobras. O Programa de Educação Patrimonial do Norte Capixaba tem como atividades principais a formação de professores, a difusão de material didático específico, que reúne parte das descobertas realizadas pela Petrobras em mais de 40 anos de atividades no Espírito Santo, além de exposições itinerantes e visitas orientadas a patrimônios históricos e sítios arqueológicos. Como a Educação Patrimonial possui um caráter transdisciplinar, ou seja, enquanto metodologia pode ser trabalhada em todas as disciplinas, indicamos formas de aplicação desse conteúdo nas disciplinas de Ciências, Português, História e Geografia. Há sugestões de atividades para cada disciplina, mas adiantamos que não há receitas prontas para serem seguidas. Façam um bom uso desse material!


Índice EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

7

CiÊNCIAS

19

PORTUGUÊS

31

hISTÓRIA

41

GEOGRAFIA

53


EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

O

patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e transmitimos às futuras gerações. Nosso Patrimônio Cultural e Natural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade. O que faz com que o conceito de Patrimônio Mundial seja excepcional é sua aplicação universal. Os sítios do Patrimônio Mundial pertencem a todos os povos do mundo, independentemente do território em que estejam localizados. PATRIMÔNIO CULTURAL É o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, são considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo. O patrimônio é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e passamos às gerações futuras. O Brasil, em toda sua imensa extensão territorial, é uma nação multicultural. Nossa cultura vem sendo transmitida através das sucessivas gerações, sempre se renovando e se recriando num processo vivo e dinâmico, propiciando à nação a possibilidade de

construir sua própria identidade. A manifestação dessa identidade revela-se através do nosso Patrimônio Cultural que não se restringe somente aos bens culturais móveis e imóveis, mas de todos os elementos representantes de nossa memória nacional. O PATRIMÔNIO VIVO: A DINÂMICA CULTURAL Todas as ações, por meio das quais, os povos expressam seu modo específico de ser constituem a sua cultura, que vai ao longo do tempo adquirindo formas e expressões diferentes. A cultura é um processo dinâmico, transmitido de geração em geração, que se aprende com os ancestrais,

Patrimônio cultural é tudo que representa costumes e valores de um povo e de um lugar.

O Convento da Penha, Vilha Velha, é um dos patrimónios culturais mais conhecidos no Espírito Santo e também um dos que mais representa a memória capixaba  << Educação Patrimonial


CONHECER PARA PRESERVAR

se cria e recria no cotidiano do presente, na solução dos pequenos e grandes problemas que cada sociedade ou indivíduo enfrentam. Neste processo dinâmico de socialização, em que se aprende a fazer parte de um grupo social, o indivíduo constrói a própria identidade. Reconhecer que todos os povos produzem cultura e que cada um tem uma forma diferente de se expressar é aceitar a diversidade cultural. Este conceito nos permite ter uma visão mais ampla do processo histórico, reconhecendo que não há cultura mais importante do que outra. O PATRIMÔNIO TEM QUE SER PROTEGIDO No Brasil o órgão governamental que cuida do Patrimônio é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, nascido como secretaria durante o governo Vargas – SPHAN. Este Educação Patrimonial >> 10

órgão vem atuando no sentido de concretizar esse processo de resgate pela sociedade de seu Patrimônio Cultural e acredita que pelo processo educacional estas práticas se efetivarão. Para tanto, preparou um Guia Básico de Educação Patrimonial (Horta 1999), contendo propostas para o desenvolvimento de ações que auxiliem e contribuam para o (re) conhecimento das pessoas no que se refere às questões do Patrimônio cultural.

A preservação do patrimônio pressupõe um projeto de construção do presente, pois a cultura de um povo não se constitui só dos bens móveis ou imóveis, mas de toda manifestação que se origine de conceitos históricos, ambientais, paisagísticos, arquivísticos, etnográficos, que em alguma época possam ter contribuído para a consolidação da identidade de um grupo social. PRESERVANDO O PATRIMÔNIO CULTURAL A proteção do meio ambiente compreende não apenas o ambiente natural, mas o meio ambiente artificial, cultural e do trabalho. O meio ambiente, na interpretação moderna, engloba a natureza e as modificações que o homem nela introduziu. O meio ambiente natural é constituído da água, da flora, do ar, da fauna

A preservação do patrimônio histórico teve início como atividades sistemáticas no século XIX, após a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Industrial, inicialmente para restaurar os Monumentos destruídos na guerra.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) propõe-se promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o mundo, considerado especialmente valioso para a humanidade. Este objetivo está incorporado em um tratado internacional denominado Convenção sobre a proteção do patrimônio mundial cultural e natural, aprovada pela UNESCO em 1972.


e o cultural, das obras de arte, os imóveis históricos, museus, belas paisagens e tudo mais que identifique a memória do ser humano. Por isso, é imprescindível que a população e os governos se conscientizem da relevância da preservação cultural para o bem-estar próprio de seus descendentes.

adaptação para os novos usos; Execução dos projetos a serem aprovados pelos órgãos oficiais fiscalizadores; Elaboração das especificações de serviços e materiais bem como dos cronogramas físico-financeiros que nortearão a execução das obras de restauração; Acompanhamento técnico das intervenções.

Como preservar? A primeira condição para a Reconstituição de cerâmica antiga (foto preservação de um patrimônio ao lado) e intervenção casario antigo tombado é a consciência de (foto abaixo) são ações para preservação seu valor histórico, artístico, do patrimônio artístico e arquitetônico científico e/ou afetivo, pela coletividade envolvida. Outra condição fundamental é seu uso efetivo. Nada contribui tanto para a degradação de um prédio como a sua não utilização. Toda matéria tem uma vida útil determinada por suas características intrínsecas e pela forma como é mantida. Assim, a manutenção sistemática, preventiva ou corretiva é a melhor maneira de se preservar um patrimônio, tombado ou não. Quais as etapas de um trabalho de restauração? Resumidamente, o trabalho de restauração de monumentos arquitetônicos tombados pode ser discriminado nas seguintes etapas: Pesquisa Histórica do Edifício; Levantamentos Arquitetônicos e Fotográficos; Mapeamento de danos; Diagnóstico do quadro de deterioração; Formulação dos critérios e técnicas de intervenção a serem usados já considerando a 11 << Educação Patrimonial


CLASSIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL Patrimônio Material

Maneiras de vestir, hábitos alimentares, instrumentos musicais, obra de arte, técnicas construtivas, movimentos, máquinas e equipamentos, móveis, moedas...

Patrimônio Imaterial

Canções, crenças, celebrações, lendas, saberes que passam de uma geração para outra, manifestações cênicas, lúdicas e plásticas, lugares e espaços de convívios, dialetos...

Patrimônio Arqueológico

Locais de antigas moradias, artefatos, restos alimentares, representações artísticas, rituais.

Pintura rupestre em rocha no Parque Nacional da Serra da Capivara, no sul do Piauí. Figuras desenhadas pelos primeiros habitantes do continente americano. Educação Patrimonial >> 12

Patrimônio Artístico Obras de arte, danças folclóricas, pinturas, esculturas, artesanato.


Patrimônio Ambiental vida, tanto a humana, quanto a dos animais e vegetais. ou Natural

Patrimônio Religioso ou Sacro

Elementos significativos das crenças e manifestações de fé, independentemente da religião: igrejas, terreiros de umbanda, objetos e utensílios que fazem parte dos rituais, estatuária...

Elementos naturais - fauna e flora da região, mananciais hídricos e as reservas minerais. A preservação do patrimônio ambiental é de primordial importância, no dia a dia das pessoas, no mundo inteiro, pois o meio ambiente é antes de tudo, um sustentáculo da

Patrimônio Arquitetônico ou edificado

Construções de diferentes: residências, fortificações, templos, praças, edifícios públicos, fábricas, selos, portos, moinhos.

Ouro Preto, Minas Gerais Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, Rio de Janeiro 13 << Educação Patrimonial


EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ensino básico na promoção do Atualmente, cada vez mais, conhecimento sobre a utiliexige-se dos educadores que zação e exploração dos bens trabalhem com conteúdos culturais e do meio ambiente que evidenciem a diversidade nas escolas. Para tanto, esse cultural e a sua transposição caderno procura mostrar como didática, conforme previsto identificar, explorar e valorizar nos Parâmetros Curriculares o patrimônio cultural brasileiNacionais (PCN) e nos Temas ro, tendo como base as inforTransversais da Educação mações conceituais e práticas (TTE). Entretanto, existem metodológicas de Educação poucas publicações dirigidas Patrimonial proposta no aos educadores no Brasil que “Guia Básico de Educação tratam dos aspectos relacioPatrimonial” (Horta 1999). nados à educação e à cultura Um tema importante! oferecendo alternativas para a A Educação Patrimonial prática cotidiana. Desta forma, busca resgatar uma relação as dificuldades são inúmeras de afeto da comunidade pelo Dinâmica conceitual para que o educador passe a patrimônio. Assim, desencaO conceito de patrimônio utilizar abordagens menos deia-se um processo de aprocultural tem-se modificado ao comprometidas com o conteximação da população ao palongo dos últimos anos. Deixa údo tradicional presentes nos trimônio, à memória, ao bem planejamentos educacionais de privilegiar, apenas, um cultural, de forma agradável, período histórico ou estilístico, e nos livros didáticos, e passe prazerosa, lúdica. A metodocomo o barroco, por exemplo, então, a construir situações de logia da Educação Patrimonial para se estender aos demais aprendizado sobre o processo pode ser voltada a grupos de cultural no qual se está inseri- qualquer idade e aplicada a períodos, inclusive o moderdo. Sendo assim, este material qualquer bem cultural, desde nismo. Deixa de se preocupar apenas com o excepcional foi produzido com o objetimuseus até sítios culturais, voltando-se, também, para vo de apoiar o professor do como um córrego, por exemplo. o exemplar, aqueles objetos que documentam a história, abrangendo, inclusive, diversas classes sociais. Na visão contemporânea do patrimônio, a questão dos conjuntos urbanos surge como uma forte presença norteadora. Não se coloca mais o edifício isolado como o mais importante, mas privilegiam-se as relações de entorno e as paisagens urbanas coesas que referenciam o tempo histórico e ambientam as cidades, contribuindo para a O Museu Imperial de Petrópolis-RJ se destaca nacionalmete pela identidade de seu povo. O PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTISTICO Patrimônio histórico e artístico de um povo é mais do que um conjunto de antigüidades ou mera coleção de curiosidades que a corrente do tempo foi largando pela vida. Ele é responsável pela continuidade histórica de uma comunidade que se reconhece como tal e corporifica seus ideais e valores, transcendendo as gerações. Dessa forma, incita ao patriotismo e à ética, convidando ao saber e à reverência.

promoção e realização de atividades de Educação Patrimonial

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Partindo do pressuposto de que para preservar é preciso conhecer, esse material foi produzido para motivar os professores do ensino básico a desenvolver um trabalho de educação patrimonial na sua escola, com o intuito de esclarecer e informar a população a respeito do patrimônio cultural de sua comunidade. Dessa maneira, pode-se promover a conscientização sobre a importância de seus bens na construção de uma memória coletiva e, conseqüentemente, da preservação de suas riquezas culturais.

Visitar museus é uma excelente maneira de conhecer e valorizar o patrimônio cultural

O QUE É EDUCAÇÃO PATRIMONIAL? A Educação Patrimonial é um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no patrimônio cultural como fonte primária de conhecimento, enriquecimento individual e coletivo. A partir do conhecimento dos múltiplos aspectos culturais, o trabalho de Educação Patrimonial busca levar crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento critico e valorização de sua herança cultural. Dessa maneira, os objetos e expressões do Patrimônio Cultural são o ponto de partida para a atividade pedagógica, realizada através da observação, do questionamento e da exploração de todos os aspectos desses objetos e expressões. Dessa forma, a Educação Patrimonial pode ser assim um instrumento de

“alfabetização cultural” que auxilia o indivíduo a fazer a leitura do mundo que o rodeia, incentivando-o a reconhecer o universo sócio-cultural e a trajetória histórico-temporal em que está inserido. Em outras palavras, a Educação Patrimonial nada mais é do que uma proposta interdisciplinar de ensino voltada para questões do patrimônio cultural. Compreende desde a inclusão nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, de temáticas ou de conteúdos programáticos que versem sobre o conhecimento e a conservação

do patrimônio histórico, até a realização de cursos de aperfeiçoamento e extensão para os educadores e a comunidade em geral. A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ESTÁ PREVISTA NOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino fundamental, elaborados pelo Ministério da Educação (MEC), trazem uma inovação, ao permitir a necessária interdisciplinaridade na educação básica, mediante a introdução dos 15 << Educação Patrimonial


chamados “temas transversais’’, que deverão ser explorados nas diferentes disciplinas escolares. Dois desses temas transversais possibilitam à escola o estudo do patrimônio histórico e a conseqüente adoção de projetos de educação patrimonial. Trata-se dos temas do meio ambiente e da diversidade cultural. Dessa maneira, a Educação Patrimonial está prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino fundamental. Os parâmetros são referências para reorientação curricular e constituem o eixo norteador da política educacional no país. Uma das qualidades do documento é justamente a questão da memória, a incorporação das histórias locais, e no interior delas a Educação Patrimonial. Na descrição dos conteúdos obrigatórios para o primeiro ciclo do ensino fundamental, por exemplo, o eixo temático é a história local e do cotidiano. O professor é orientado a enfocar preferencialmente diferentes histórias do local em que o aluno vive. O objetivo é que os estudos da história local ampliem a capacidade do aluno de observar o seu entorno para a compreensão de relações sociais existentes no seu próprio tempo. EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NAS ESCOLAS: RESGATANDO PATRIMÔNIO CULTURAL Em termos teórico-metodológicos, a Educação Patrimonial se utiliza dos lugares e Educação Patrimonial >> 16

suportes da memória (museus, monumentos históricos, arquivos, bibliotecas, sítios pré-históricos e históricos, etc.) no processo educativo, a fim de desenvolver a sensibilidade e a consciência dos alunos e dos cidadãos para a importância da preservação desses bens culturais. Por meio da Educação Patrimonial, o processo de ensino e aprendizagem pode ser dinamizado e ampliado, muito além do ambiente escolar onde toda uma comunidade pode estar envolvida. Dessa maneira, passa a ser mais um instrumento no processo de educação que deve contribuir para o despertar de uma consciência crítica e de responsabilidade para com a preservação do patrimônio e, conseqüentemente, do meio ambiente. DINÂMICA NO ENSINO Por meio da Educação Patrimonial, o processo de ensino e aprendizagem pode ser dinamizado e ampliado, muito

além do ambiente escolar onde toda uma comunidade pode estar envolvida. Sendo assim, o desenvolvimento de programas de Educação Patrimonial, envolvendo não só a rede escolar, mas também as organizações da comunidade local, as famílias, as empresas e, principalmente, as autoridades responsáveis, contribuem para a ampliação de uma nova visão do Patrimônio Cultural Brasileiro em sua diversidade de manifestações. DESENVOLVIMENTO DE CONCEITOS E HABILIDADES O processo educativo, em qualquer área de ensino/aprendizagem, tem como objetivo levar os alunos a utilizarem suas capacidades intelectuais para a aquisição de conceitos e habilidades, assim como para o uso desses conceitos e habilidades na prática, em sua vida diária e no próprio processo educacional. METODOLOGIA ESPECÍFICA A metodologia específi-


ca da Educação Patrimonial pode ser aplicada a qualquer evidência material ou manifestação da cultura, seja um objeto ou conjunto de bens, um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico, uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental, um centro histórico urbano ou uma comunidade da área rural, uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual, um processo de produção industrial ou artesanal, tecnologias e saberes populares, e qualquer outra expressão resultante da relação entre os indivíduos e seu meio ambiente. A Educação Patrimonial procura provocar situações de aprendizado sobre o processo cultural e seus produtos e manifestações, que despertem nos alunos o interesse em resolver questões significativa para suas próprias vidas, pessoal e coletiva. O patrimônio cultural e o meio-ambiente histórico em que está inserido oferecem oportunidades de provocar nos alunos sentimentos de surpresa e curiosidade, levando-os a querer conhecer mais sobre eles. Outro aspecto de fundamental importância no trabalho da Educação Patrimonial é o seu caráter transdisciplinar, podendo ser aplicado como métodos em todas as disciplinas. APLICANDO A METODOLOGIA A análise de um objeto ou fenômeno cultural pode ser

feita através de uma séria de perguntas e reflexões. Perguntas: Quais os aspectos físicos/ matérias? Qual a forma/desenho? Qual a função/uso? Como se deu a construção/ processo? Qual o valor/significado? Como descobrimos isso? Por meio da observação, feita através da pesquisa/estudo originamos a discussão. Por fim, chegamos à conclusão que é o conhecimento trazido pelo objeto. ETAPAS METODOLÓGICAS Para ajudar no processo de identificação do objeto/tema de estudo podemos sistematizar algumas etapas, são elas: Observação: O que está sendo visto? A discussão a respeito do patrimônio leva o grupo a observar e pensar sobre o que está vendo. Nesta fase, geralmente são utilizados jogos, como o de memória, para, de uma forma lúdica, prender a concentração do grupo. Registro: O segundo momento está voltado para que as pessoas demonstrem o que acharam de mais significativo. O registro pode ser verbal, por meio de desenho, escrita etc... Pesquisa: Esta fase abrange a discussão no grupo sobre o patrimônio – as dúvidas, opiniões – e uma pesquisa – a partir de livros, revistas, jornais entrevistas ou qualquer outro material, que agregue informações mais amplas.

Apropriação: Este é o momento que o grupo tem para expressar, da maneira que for mais conveniente e informal, o significado que ficou para cada um. NOTA Antes de iniciar o trabalho com qualquer dos temas do Patrimônio Cultural, procure estudar e conhecer o tema a ser tratado.Você pode conversar com os técnicos do Museu local, do Instituto do Patrimônio, com membros da comunidade, ir a bibliotecas e arquivos para ampliar seu enfoque e conhecer os recursos a serem explorados. Defina seus objetivos educacionais e os resultados pretendidos. Decida que habilidades, conceitos e conhecimentos você quer que seus alunos adquiram e de que modo o trabalho se insere no seu currículo.Verifique que outras disciplinas poderiam estar envolvidas na exploração do tema e converse com outros professores dessas matérias. Converse com a coordenação pedagógica de sua escola para discutir como o trabalho será avaliado e como poderá ser mostrado na escola, de maneira a serem aproveitados pelos demais alunos.

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ETAPAS Observação

Registro

Exploração

Apropriação

RECURSOS/ ATIVIDADES Exercícios de percepção visual/ sensorial, utilizando perguntas, manipulação de objetos, experimentação, pesquisa e anotações, brincadeira, jogos de detetive... Desenhos, descrição verbal ou escrita, gráficas, fotográficas, maquetes, mapas...

OBJETIVOS

Análise do problema, levantamento de hipóteses, discussão, questionamento, avaliação, pesquisa em outras fontes (bibliotecas, arquivos, cartórios, instituições, jornais, revistas) Recriação, releitura, dramatização, interpretação em diferentes meios de expressão como pintura, escultura, drama, dança, música, poesia, texto, filme e vídeo.

- desenvolvimento das capacidades de análise e julgamento crítico, interpretação das evidências e significados.

- Identificação do objeto/ função/ significado; - desenvolvimento da percepção visual e simbólica.

- fixação do conhecimento percebido, aprofundamento da observação e análise crítica; - desenvolvimento da memória, pensamento lógico, intuitivo e operacional.

- envolvimento afetivo, desenvolvimento da capacidade de auto-expressão, apropriação, participação criativa, valorização do bem cultural.

Fonte: Adaptado do Guia Básico de Educação Patrimonial (Horta 1999).

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A MULTIPLICAÇÃO DO MÉTODO A metodologia da Educação Patrimonial pretende ser um instrumento valioso para o trabalho pedagógico dentro e fora da escola. Para alcançar a multiplicação das idéias e conceitos propostos no campo da educação sobre o patrimônio cultural é importante que se faça um treinamento com os agentes que irão desenvolver este trabalho nas escolas, nas associações de bairros, ou qualquer espaço ou grupo social que se pretende sensibilizar. Esse treinamento pode ser realizado por meio de Oficinas de Educação Patrimonial, que levarão os participantes a experimentar diretamente a metodologia de trabalho proposta, podendo assim avaliar a sua eficiência e potencialidade. Como favorecer esse processo? Durante o trabalho de campo, os alunos podem usar lentes para examinar os diferentes materiais e suas texturas e qualidades. A deterioração dos materiais em objetos e edifícios históricos é um bom pretexto para se produzir hipóteses e pesquisas sobre como e porque alguns materiais se deterioram diferentemente de outros. As questões sobre o clima e a umidade são importantes nesta questão. Pode-se fazer experiências com madeiras, metais, ferro, plástico, papel, vidro, etc., submetendo-os a diferentes


agentes de deterioração e a um processo de observação: jogando na água, enterrando, deixando ao ar livre, sacudindo, submetendo a impacto, manipulando o objeto ou material estudado. Pode-se assim discutir as diferentes maneiras de preservação desses materiais. FONTE PRIMÁRIA DE CONHECIMENTO A habilidade de interpretar os objetos e fenômenos culturais amplia a nossa capacidade de compreender o mundo. A observação direta, a manipulação e o questionamento do objeto, feito com perguntas apropriadas, podem revelar estas informações em um primeiro nível de conhecimento, que deverá ser extrapolado por meio do estudo e da investigação de fontes complementares como fotografias, livros, documentos, arquivos, pesquisas etc. Neste contexto, o objeto mais comum de uso doméstico ou cotidiano pode oferecer uma vasta gama de informações a respeito do seu contexto histórico-temporal, da sociedade que o criou, usou e transformou, dos gostos, valores e preferências de um grupo social, de seus hábitos, da complexa rede de relações sociais. Neste processo de etapas sucessivas de percepção, analise e interpretação das expressões culturais é necessário definir e delimitar os objetivos e metas da atividade de acordo com o que se quer alcançar.

COMO SURGIRAM OS BOTÕES? Até a Idade Média, na Europa, as roupas, em especial os casacos e coletes, eram amarradas com laços e cadarços, de tecido ou de couro. Após o surgimento do botão, fechando o vestuário, as pessoas passaram a ter uma melhor proteção contra o frio e o vento, em suas atividades diárias. Isto veio contribuir para a diminuição das doenças contraídas pela exposição a esses fatores atmosféricos, inclusive à umidade, em uma época em que a medicina ainda estava engatinhando, e em que não se conheciam os antibióticos e outros medicamentos para combater a gripe, a pneumonia, a bronquite. A invenção do botão veio assim aumentar a expectativa de vida dos indivíduos, influenciando também a moda, e gerando uma sucessão de outros recursos para o fechamento das roupas, em tempos posteriores, como os zíperes, os botões de pressão em metal, e mais recentemente as fitas “velcro”. A popularização do uso do botão levou à criação de usos correlatos para este pequeno objeto, que passa a ostentar monogramas, indicativos da profissão do usuário (como nos uniformes do período imperial, no Brasil, que ostentam a sigla PI ou PII, em referência aos dois Imperadores), a ser símbolo de prestígio social, como as abotoaduras de ouro ou madrepérola usadas nos punhos das camisas, ou ainda o uso na propaganda, com os conhecidos “buttons”/ botões com siglas partidárias, de campanhas sociais, de eventos ou clubes. Podemos ainda lembrar o “futebol de botão”, tão popular entre adultos e crianças. (Maria de Lourdes Pereira Horta).

FORMULANDO HIPOTESES SOBRE OBJETOS A metodologia da Educação Patrimonial nos leva a formular hipóteses sobre os objetos e fenômenos observados, buscando descobrir sua função original e sua importância no modo de vida das pessoas que os criaram. Por exemplo, um simples botão, de plástico, de osso ou de madeira, parece não oferecer uma grande margem de exploração de significados. Mas se pensarmos em como era a vida das pessoas antes da invenção do botão, podemos descobrir fatos interessantes.

AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA Em qualquer atividade de Educação Patrimonial, a avaliação da experiência pode trazer subsídios que possibilitem aos educadores enriquecer a aplicação da metodologia utilizada, verificando o nível de envolvimento e compreensão dos alunos com o tema explorado. Um método possível para se fazer esta avaliação é o uso de questionários, aplicados aos professores e alunos, a partir da experiência vivenciada. 19 << Educação Patrimonial


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CIÊNCIAS 21 << Educação Patrimonial nome cartilha >> 02


O

trabalho com o Patrimônio Cultural e Histórico é mais facilmente compreendido no âmbito das disciplinas que podem abordar esse tema, como a História. Trabalhar o Patrimônio, nas demais disciplinas, quase sempre passa despercebido pelos professores, já que é comum a sobrecarga nos currículos escolares, com disciplinas que competem entre si pela limitação do tempo em sala de aula e pelas normas oficiais estabelecidas. Contudo, os objetos patrimoniais, os monumentos, sítios e centros históricos, além do patrimônio imaterial e natural que representam, são recursos educacionais importantes que permitem ultrapassar os limites interdisciplinares. Desta forma, podem ser utilizados como motivadores, para qualquer área do currículo ou para reunir áreas aparentemente distantes no processo de ensino/aprendizagem.

a resistência de diferentes tipos de materiais. O mesmo pode ser feito com maquetes de estruturas e arcos.

Disciplina de Ciências e a Educação Patrimonial: os edifícios e monumentos podem ser usados para o estudo dos fenômenos e das leis da Física, por exemplo, a força da gravidade: galpões e salões antigos, com estrutura aparente, podem ajudar a compreensão dos problemas de construção e de distribuição dos pesos do telhado e paredes. Tijolos de brinquedo podem ser usados em sala de aula para reconstruir problemas estruturais e testar

Educação Patrimonial e Arqueologia Descobrindo e estudando sítios arqueológicos no Brasil, os arqueólogos encontram pistas para desvendar a vida das pessoas que habitaram, ou que já passaram, pelo que chamamos hoje de território brasileiro. Para tanto, eles lançam mão de metodologias e técnicas indispensáveis para transformar as descobertas arqueológicas em conhecimento sobre o passado. O trabalho de Educação Patrimonial é pare-

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INVESTIGANDO O PRESENTE PARA CONHECER O PASSADO O longo período de tempo que antecede a História, período em que não se tem registros escritos ou orais, é chamado Pré-História. Mas se não há registros escritos, ou orais, dos tempos pré-históricos, como podemos estudálos? Para um arqueólogo, um montinho de lascas de pedra pode trazer muitas informações importantes, mas, para uma pessoa comum, pode não ter significado. A descoberta de sítios arqueológicos é freqüentemente ocasional, sendo muitas vezes feita por proprietários rurais, agricultores, construtores ou pedreiros durante suas atividades de trabalho.

cido com o dos arqueólogos: aprender a ler as evidências do passado no presente, para delas tirar conclusões e conhecimentos.


O que é Arqueologia? Arqueologia é uma ciência social que estuda e interpreta a vida das sociedades passadas através de seus restos materiais em seus devidos contextos. Esses restos, chamados de Cultura Material, são as manifestações físicas das atividades humanas para se adaptarem aos diversos ambientes do planeta, em uma escala de tempo que teve início com os primeiros seres humanos até chegar aos dias atuais. Em outras palavras, a arqueologia se dedica ao estudo das sociedades humanas através de seus vestígios materiais e das modificações que imprimiram no ambiente em que viveram, alterando a paisagem, fauna e flora.

de enterramento etc. - estruturas: as construções de todos os tipos, para atender às suas necessidades e modos de vida, tais como casas, abrigos, depósitos de alimentos e grãos, igrejas, cemitérios, colégios, fortificações etc. - ecofatos: ou as coisas da natureza usadas pelo homem de acordo com suas necessidades, como por exemplo, restos de alimentos, ossos e conchas, sementes, carvão, fibras, pedras etc.

Investigando o passado: Um arqueólogo é como um detetive que investiga os vestígios e as pistas que mostram como viviam as sociedades no passado. Existem diferentes tipos de trabalhos arqueológicos. Os mais praticados no Brasil são: a Arqueologia Préhistórica, que estudo o período antes de 1500 quando os europeus chegaram ao Brasil; e a Arqueologia Histórica que estuda o passado do homem que viveu a partir dessa data. As pistas do passado: As principais evidências que os arqueólogos podem encontrar em um sítio arqueológico, como pistas para desvendar o mistério da vida dos povos que nos antecederam, enterradas ou sobre a superfície do solo, são: - artefatos: qualquer objeto feito pelo homem, como instrumentos de trabalho, para caça ou de pesca, de música ou ritual, brinquedos, vasilhas, peças de indumentária, modos 23 << Educação Patrimonial


De viajante a detetive O trabalho do arqueólogo pode também, em vários aspectos, ser comparado à busca de um detetive. Através dos mais variados vestígios materiais deixados pelas sociedades antigas, ele procura reconstituir o mundo que lhe é inviTirando a prova Os sambaquis nos provam a existência de comunidades de coletores/caçadores, os quais consumiam os moluscos, para depois amontoar suas cascas para morar sobre elas, já que constituíam um lugar alto e seco. No interior dos sambaquis podem ser encontrados vestígios de fogueiras, instrumentos cortantes, amoladores, restos de mamíferos, além de ossos de peixes, répteis e baleias, além de sepultamentos.

sível, formado pelas crenças, comportamentos e idéias. Os vestígios materiais constituem, portanto, as pistas de que o arqueólogo-detetive dispõe para reconstruir os diferentes modos de vida do passado. Encontrar estas pistas tornase o primeiro passo da investigação. O local em que os vestígios materiais aparecem é chamado, pelos pesquisadores, de “sítio arqueológico”. Como são encontrados os Sítios Arqueológicos? Um sítio arqueológico é um local no qual os homens que viveram antes do início de nossa civilização e deixaram algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram sua comida, uma pintura, uma sepultura, a simples marca de seus passos. Descobrindo a historia Existem algumas formas de o arqueólogo perceber que,

em períodos mais antigos, o homem utilizou um determinado espaço. Em alguns casos, o encontro dos sítios arqueológicos pode ser casual, como por exemplo, durante a perfuração de um poço, construção de estradas, trabalhos de agricultura, edificações de prédios, dentre outras atividades. Já existiram casos em que em meio a essas atividades foram encontrados grandes sítios arqueológicos. As características topográficas e cartográficas (mapas) e fotografias aéreas, muitas vezes permitem identificar a existência de sítios arqueológicos. A partir da analise de fotografias aéreas (chamadas de aerofotografia), já foram percebidos vários indícios de ocupações do período pré-histórico e histórico. E os sambaquis? Sambaqui (do tupi tamba’kï; literalmente “monte de conchas”) são depósitos criados pelo Homem constituídos por materiais orgânicos, calcários, empilhados ao longo do tempo e sofrendo a ação da intempérie, que acaba por promover uma fossilização química, pois a chuva deforma as estruturas dos moluscos e dos ossos enterrados, difundindo o cálcio em toda a estrutura e petrificando os detritos e ossadas porventura ali existentes. Sua ocorrência (elevação) é facilmente percebida pelo destaque dos montículos em uma área plana da paisagem. A sua

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existência pode ser também reconhecida em estudos de geomorfologia (área da geografia que estuda o relevo e seus componentes). Arqueologia dos animais A Zooarqueologia, ou “arqueologia dos animais” se dedica a outros temas relacionados aos diferentes usos que os homens faziam dos animais, no passado: no início, perseguiam-nos como fontes de alimento depois aprenderam domesticá-los e utilizálos como força motriz. Hoje voltam sua atenção para o aprimoramento de raças com experimentos genéticos. A análise de seus restos permite identificar os tipos de animais consumidos, as preferências do grupo, as variações na dieta alimentar das pessoas que pertenciam a níveis distintos na hierarquia social e política, ou até mesmo mudanças nos hábitos alimentares de toda uma população, ao longo do tempo. Através de todos estes trabalhos o Zooarqueólogo procura recuperar os vestígios animais presentes nos sítios arqueológicos, para então começar a estudar o papel que eles desempenharam, em nossa História. Tecnologia A arqueologia tem atualmente métodos e técnicas modernas para recuperar as informações do passado, como por exemplo, a utilização de um detector eletromagnético que é capaz de identificar ob-

Restos ósseos de um cão podem ser interpretados como vestígios de domesticação animal em épocas remotas jetos arqueológicos no interior dos solos, uma vez que a terra é condutora de eletricidade. Para conhecer o que está enterrado, o arqueólogo também conta com recursos sofisticados, que “enxergam” o que está abaixo da superfície. Existem diversos métodos e aparelhos desenvolvidos pelos geofísicos, como o GPR (Ground Penetrating Radar - radar de penetração do solo): através da emissão de ondas magnéticas, ele detecta a presença de corpos enterrados, fornecendo um “raio-X” do subsolo. Estes aparelhos são ainda úteis para definir áreas mais favoráveis de escavações, ou então para indicar porções que devem ser preservadas para pesquisas futuras.

da História no mundo através dos vestígios que ficaram enterrados por conta da ação do tempo. Uma variedade relevante é composta pelas escavações de emergência, realizadas quando se encontra um sítio arqueológico que será afetado ou destruído por uma obra. Desde o início, a noção de “Escavar um sítio arqueológico é como comer um delicioso bolo que contém as sucessivas camadas de nossa História”

ESCAVAÇÕES Muito utilizado em áreas como a Paleontologia e a Arqueologia, a Escavação é um recurso para descobrir evidências sobre a evolução

Um momento!... Agora começaram as escavações! Quando a geologia e o homem se cruzam... pode aparecer... A Arqueologia 25 << Educação Patrimonial


escavação esteve fortemente vinculada ao processo geológico de estratificação do solo, que obedece à denominada “lei da superposição”: as camadas superiores do terreno seriam resultado de ações recentes, enquanto camadas inferiores e mais profundas seria resultado de ações antigas. A deposição de peças arqueológicas no solo obedece ao mesmo princípio geral: as encaixadas nos estratos próximos à superfície seriam relacionadas a uma ocupação humana mais recente, enquanto peças encontradas em estratos profundos pertenceriam a uma ocupação bem mais antiga. Deste modo, os estratos se acumulam em seqüência, ao longo do tempo, dando ao sítio arqueológico a feição de um delicioso bolo, com suas sucessivas camadas de recheio. PATRIMÔNIO GEOLÓGICO COMO VALOR EDUCATIVO A individualização dos conceitos de Patrimônio Geológico, dentro dos temas mais abrangentes de Conservação da Natureza e do Ambiente, representa uma evolução positiva relativamente recente, sendo estes conceitos ainda pouco reconhecidos por grande parte dos agentes educativos. O conhecimento geológico é fundamental para a manutenção da vida e conservação do planeta, pois sua superfície, habitat do homem e dos demais seres vivos, nos Educação Patrimonial >> 26

Parque Paulo César Vinha, em Guarapari fornece o substrato e o material para nossa subsistência. O meio geológico é fonte de riquezas minerais, das águas, de solos férteis, origina cadeias de montanhas, vales, sendo base para as culturas, atuando como suporte físico (substrato) para o desenvolvimento e fornecendo o material para sua subsistência. PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL: CONHECER PARA PRESERVAR A preservação do patrimônio pressupõe um projeto de construção do presente, pois

A preservação do patrimônio histórico teve início como atividades sistemáticas no século XIX, após a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Industrial, inicialmente para restaurar os Monumentos destruídos na guerra. a cultura de um povo não se constitui só dos bens móveis ou imóveis, mas de toda manifestação que se origine de conceitos históricos, ambientais, paisagísticos, arquivísticos, etnográficos, que em alguma época possam ter contribuído para a consolidação da identidade de um grupo social.


CURIOSIDADES: OS ANIMAIS NA PRÉ-HISTÓRIA HUMANA O melhor e velho amigo do Homem Quem tem animais de estimação sabe o cuidado que eles exigem e a dor que sentimos quando se machucam ou morrem, existindo, nos dias de hoje, até mesmo cemitérios para que sejam enterrados. Era assim também no Uruguai há mais de 2.500 anos. Durante escavações no sítio Potrerillo de Santa Teresa os arqueólogos vinham retirando uma série de esqueletos humanos quando se depararam com uma ossada diferente, de animal. O zooarqueólogo da equipe entra em cena e cons-

tata: a ossada é de cachorro. O que teria feito aquele grupo indígena enterrar, junto com seus mortos, um cão? Provavelmente teria sido um animal de estimação, revelando que mesmo há milhares de anos atrás os animais participavam da vida cotidiana e recebiam, em alguns casos, cuidados especiais. Acampamentos de caça e sítios açougue Os restos animais podem ter grande importância para definir o tipo de atividade que o homem desenvolveu, no sítio arqueológico estudado. Muitos grupos humanos erguiam acampamentos de caça, onde tocaiavam suas presas e armavam armadilhas para aprisioná-las. Cânions

eram utilizados para encurralar os animais, que depois eram facilmente abatidos. Beiras de rio permitiam apanhar as presas no momento em que fossem beber água. E locais de cachoeira se mostravam excelentes pontos de pesca. Depois de abatidos, muitos animais recebiam uma espécie de tratamento prévio, igual ao que pôde ser observado durante as escavações de um sítio arqueológico em São Paulo. Dali retirou-se uma grande quantidade de ossos provenientes apenas das partes menos nobres da caça (crânio e patas). As demais partes, que contêm carne, teriam sido levadas para consumo no local onde o grupo habitava. Tratava-se, portanto, de um verdadeiro “açougue pré-histórico”.

A domesticação dos animais Outra importante questão tratada pela Zooarqueologia é o início da domesticação dos animais. Até que momento o homem se serviu de animais em seu estado selvagem, e quando começou a criá-los em cativeiro? Uma das formas de identificar a prática da domesticação é reconhecer algumas alterações físicas que começam a ocorrer em animais aprisionados. Por ter menos espaço para se movimentar e uma alimentação empobrecida, os animais em cativeiro tendem a ser menores, tanto no tamanho do corpo como no tamanho dos dentes. Também apresentam uma deteriorização genética, causada pelo constante cruzamento das espécies dentro de um pequeno grupo de animais. Pesquisas recentes se valem inclusive de análises de DNA para identificar a domesticação. Os humanos, já no tempo da pré-história utilizavam conhecimentos de genética através da domesticação e do cruzamento seletivo de animais e plantas. Atualmente, a genética proporciona ferramentas importantes para a investigação das funções dos genes, isto é, a análise das interações genéticas. No interior dos organismos, a informação genética está normalmente contida nos cromossomos, onde é representada na estrutura química da molécula de DNA. Por outro lado, animais utilizados em trabalhos de carga ou tração podem trazer marcas ou deformidades ósseas, resultando em ótimos indicadores de domesticação. Assim, a Zooarqueologia abre diferentes portas para conhecer inúmeros aspectos do nosso passado, a partir do relacionamento que os homens mantiveram com os animais que os cercavam. 27 << Educação Patrimonial


MONUMENTOS E SÍTIOS HISTÓRICOS

Os monumentos são geralmente construídos com o duplo objetivo de comemorar um acontecimento importante, ou homenagear uma figura ilustre, e, simultaneamente, criar um objeto artístico que melhorará o aspecto de uma cidade ou local. Estruturas funcionais que se tornaram notáveis pela sua antiguidade, tamanho ou significado histórico, podem também ser consideradas monumentos.

MONUMENTOS E SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DO ESPÍRITO SANTO

Em todos os municípios do norte do Estado são encontrados remanescentes da varias culturas pretéritas, como a Tupinambá. Na região já foram identificados mais de duzentos sítios de diferentes tamanhos (desde pequenos sambaquis a outros que caracterizam grandes aldeias). habitantes e a visão do mastro da velha igreja, única parte da As áreas do Parque de antiga vila que ainda se mostra Itaúnas e seu entorno imediato, visível. abrigam sítios arqueológicos datados entre 500 A.C. e 500 As dunas D.C., sendo encontrados ali As Dunas de Itaúnas e os artefatos de população indíge- sítios arqueológicos foram na ligada à tradição Itaipu. Re- tombados como patrimônio gistram-se ainda informações arqueológico, etnográfico, da ocupação de outras épocas: paisagístico e científico pelo índios e negros, século XVIII; Conselho Estadual de Cultura. da antiga Vila de Itaúnas, desenvolvida a partir do comércio, • Dunas de Itaúnas (Resol. principalmente, de farinha de 08/86 – CEC – Proc.18/84) mandioca. A partir de 1950 a Vila de Itaúnas sofreu o procesO Ticumbi so de soterramento pelas dunas. Enquanto manifestação cultuDevido ao desmatamento e aos ral merece destaque os grupos fortes ventos constantes, a anti- folclóricos de Ticumbi. Realizado ga Vila foi soterrada pela movi- há mais de 200 anos e passado mentação de areia, forçando os de pai para filho, o Ticumbi é moradores a se mudarem para a o mais tradicional folguedo em margem direita do Rio itaúnas. louvor a São Benedito realizado No lugar do antigo vilarejo pelos núcleos de cultura negra formou-se dunas, que hoje são em Conceição da Barra e Itaúnas. internacionalmente famosas, O Ticumbi foi registrado, pelo algumas com até 30 metros de Conselho Estadual de Cultura, altura. Do passado sobraram como bem cultural de natureza as histórias e lembranças dos imaterial. Conceição da Barra

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Nos municípios de Conceição da Barra, São Mateus, Linhares e Pancas possuem sítios e monumentos histórico-culturais tombados pelo IPHAN e também, pelo Conselho Estadual de Cultura.


São Mateus Dentre os bens de interesse histórico e cultural encontrados no município de São Mateus deve ser destacado o casario do Porto Histórico de São Mateus, composto de 32 sobrados construídos entre os séculos XVIII e XIX. Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura na década de 70, o núcleo histórico do Porto de São Mateus é um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos do Estado do Espírito Santo. Destacam-se ainda: a Igreja Velha, ruína de uma construção de estilo colonial português da metade do século XIX; e a Igreja Matriz, uma construção das mais antigas do Estado. Linhares No que concerne aos bens de interesse histórico-culturais no município de Linhares, são destacados o Farol do Rio Doce, o Museu Lorenzutti, que possui um grande acervo de animais com tratamento taxidérmico, contando com mais de 1.000 exemplares em

exposição. As tradicionais bandas de congo que se reúnem em Regência e o Festival de Concertinas que acontece na localidade de Baixo Quartel. O Farol do Rio Doce, no distrito de Regência, um monumento de aço do século XIX que hoje se encontra descaracterizado, faz parte da relação de bens arquitetônicos tombados pelo Conselho de Cultura Estadual.

interesse histórico e apresenta sua vegetação natural bem preservada, por isso faz parte do acervo de bens naturais de interesse arqueológico, etnográfico, paisagístico e científico do Estado. • Ilha do Imperador (Resolução 02/99 – CEC – Proc. 47/91)

• Farol do Rio Doce (Resolução 05/98 – CEC – Proc. 08/83 – 30/98) A Ilha do Imperador, na Lagoa Juparanã, possui

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Pancas O maior patrimônio cultural do município de Pancas é a sua paisagem natural, com algumas das mais belas formações rochosas do Estado e encravado numa região montanhosa, onde se destacam as Serras de Pancas e de Santa Luzia. O destaque fica por conta da Pedra da Agulha, com 500 metros de altura e da Pedra do Camelo, com 720 metros de altura, ambas tombadas como bens arqueológicos, etnográficos, paisagísticos e científicos, pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.

• Pedra do Camelo (Resolução 02/97 – CEC – Proc. 23/84) • Pedra da Agulha (Resolução 03/97 – CEC – Proc. 15/84) Em relação aos bens de natureza imaterial, o destaque fica por conta das atividades relacionadas às tradições da cultura Pomerana, concentradas em Lajinha. São as festas populares, em geral em torno da igreja luterana, e a dança, destacando-se o Grupo de Danças Folclóricas Alemãs, com seu vestuário tradicional.

ATIVIDADES SUGERIDAS A Educação Patrimonial consiste na implementação de atividades educativas como a investigação, identificação e valorização cultural. Antes de iniciar o trabalho, defina os objetos educacionais e os resultados pretendidos. Decida que habilidade de conhecimento você quer que seus alunos adquiram e que modo o trabalho se insere no estudo em ciências.

1-O arqueólogo do futuro: Os alunos podem imaginar que são arqueólogos do ano 3000. A sala de aula ou o jardim da escola podem ser sítios arqueológicos, que serão explorados pelos alunos para descobrir as pistas sobre a vida no início do século XXI. Cada grupo de alunos deve recolher, em um saco plástico, alguns artefatos ou coisas que foram para o lixo, na sala ou no pátio da escola. Cada aluno, em Educação Patrimonial >> 30

cada grupo, descreve em uma ficha um objeto encontrado. Quando todos os objetos estiverem descritos, o grupo pode discutir a função de cada um, discutindo as várias hipóteses de uso, como se não soubessem como era a vida em nossa época. Cada grupo apresentará aos demais suas hipóteses sobre o material encontrado; no final da atividade, é possível fazer um painel, em classe, sobre as

informações obtidas, a partir da análise do material recolhido, discutindo ainda tudo o que não está representado por esse material o que está faltando, ou o que fica pouco claro, a partir dessas evidências. Este exercício, que pode ser bem divertido e lúdico, estimulando a criatividade dos alunos, também os fará perceber as limitações da Arqueologia, na descoberta dos mundos passados.


2-Mapas mentais: Peça aos seus alunos para desenhar um mapa o mais detalhado possível, marcando o maior número de edifícios que possam lembrar-se em seu caminho diário entre a casa e a escola, ou da rua principal da cidade, ou das ruas que contornam a escola. O resultado permitirá várias reflexões a respeito do que se olha e do pouco que se registra de tudo aquilo que se vê. Uma comparação entre todos os mapas elaborados demonstrará que alguns edifícios são lembrados por todos os alunos e outros por quase ninguém. Por que isso acontece? Muitas discussões poderão surgir a partir deste exercício.

3-Escavação simulada: Como fazer com que alunos compreendam a Pré-História? Não é tarefa fácil! Uma ótima maneira de fazer com que entendam de que forma se dá as pesquisas é apresentando o mundo da arqueologia. Para isso, o professor pode realizar uma simulação de uma escavação em sítio arqueológico. Num primeiro momento os alunos poderão receber explicações sobre os objetivos da Arqueologia. Com auxílio dos conceitos citados anteriormente, os alunos deverão receber instruções dos métodos e técnicas em campo, quais seriam os procedimentos adequados e as causas de tanto rigor para “escavar” o chão.

As crianças, assim, serão encaminhadas à escavação simulada divididas ao longo da área de escavação. O professor pode levar estacas e corda e fazer com os alunos a demarcação de um terreno qualquer que tenha areia. Em seguida, os alunos podem começar a fazer a procura e a escavação dos artefatos. Aos poucos as crianças irão escavando e evidenciando a cultura material que anteriormente tinha sido enterrada (lítico, cerâmica, réplica dos esqueletos, estruturas, etc). No final, os alunos podem fazer uma breve análise do material recolhido. A aula, dessa forma, fica mais divertida, atrativa e estimula a atenção e aprendizado dos alunos.

ATIVIDADES COMPLEMENTARES 1-Pesquisa sobre a fauna e flora da região: Elaboração de uma pesquisa sobre as plantas e ou dos animais encontrados na região. - Identificar animais extintos e a causa de sua extinção. - Fazer um cartaz com desenhos /fotos dos animais identificando os locais onde são encontrados ou existiam e montar uma exposição.

2-Fazer uma comparação da forma de abastecimento de água e alimentos no passado e atual: - Como a água chegava ás casas no passado? E Atualmente? - Como os alimentos eram e são transportados?

3-Oficina de Arqueologia: Oficinas sistemáticas são desenvolvidas pelos professores com o objetivo de desmitificar e demonstrar o trabalho da arqueologia, sua importância e a responsabilidade de todos frente a esse Patrimônio, que constitui uma referência material do desenvolvimento das culturas que existiram no local. A partir desta experiência procura-se desenvolver o aspecto investigativo latente na criança, de forma lúdica, levando-a a compreender o papel do arqueólogo na tradução das evidências do passado e a relacionar este passado com o presente e o futuro.

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AVALIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA Em qualquer atividade de Educação Patrimonial, a avaliação da experiência pode trazer subsídios que possibilitem aos educadores enriquecer a aplicação da metodologia utilizada, verificando o nível de envolvimento e compreensão dos alunos com o tema explorado. Um método possível para se fazer esta avaliação é o uso de questionários, aplicados aos professores e alunos, a partir da experiência vivenciada. Os questionários preenchidos após a visita ou atividade permitem avaliar: 1- Aspectos relativos ao professor: familiaridade com o local visitado, intenção, motivação da visita, nível de preparação em sala de aula, conhecimento prévio do tema, expectativa em relação à visita e aos resultados alcançados. 2- Aspectos relativos ao aluno: motivação, dificuldades, adequação da atividade ao tempo disponível, nível de apreensão do tema. 3-Aspectos relativos à escola e à integração pedagógica: exploração do tema por várias disciplinas, envolvimento de diferentes professores, elaboração de trabalhos interdisciplinares, resultado e produtos apresentados, envolvimento de alunos, professores, coordenadores e pais, envolvimento com a comunidade, organização e recursos disponibilizados para a atividade.

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PORTUGUÊS 33 << Educação Patrimonial nome cartilha >> 02


A

raiz da palavra patrimônio é herança paterna. Quando se trata de patrimônio cultural, seu significado está associado à construção e acumulação de bens e à sua permanência, no tempo e no espaço. Está associado, portanto, à história e à sua continuidade e trajetória. São os testemunhos da história e da cultura, produzidos pelos grupos sociais, que permitem conhecer o modo de vida de pessoas que viveram em outras épocas e lugares, em situações diferentes das nossas, mas que como nós, trabalharam, lutaram, amaram, sofreram, foram felizes ou tristes. Tudo isto nos dá consciência de que fazemos parte de um todo maior, que continua nos dias de hoje e se estenderá para o futuro.

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Linguagem: as sugestões para a dramatização/ representação de papéis/ solução de problemas podem servir como ponto de partida para o trabalho de criação verbal, falada ou escrita. O material coletado pelo aluno, no papel de jornalista ou produtor de rádio/TV/video, pode ser usado de diversas maneiras: para elaborar um artigo de jornal, uma novela ou documentário de televisão, uma peça de teatro, uma história infantil, ilustrada ou em quadrinhos, uma exposição, etc. Ou pode ser usado simplesmente como base para discussão em sala de aula. Todas essas criações demandam o uso imaginativo e competente da linguagem. A poesia e a metáfora podem ser usadas como expressão

dos sentimentos e percepções provocados pela observação dos objetos ou monumentos. A pesquisa das linguagens e termos de épocas passadas, comparados com os da atualidade, as diferentes expressões e formas de linguagem, ritmo e pronúncia, características das diferentes regiões e de diversas origens étnicas, pode contribuir para a compreensão dos processos culturais e históricos em nosso país, com seus diferentes elementos e aportes. Representar papéis e vivenciar experiências de outros contextos culturais no tempo e no espaço requer a compreensão da linguagem e expressões de grupos diferenciados, contribuindo para o envolvimento dos alunos com os fenômenos e grupos característicos da


pluralidade cultural brasileira. A leitura de obras da literatura da época, ou da região, pode enriquecer o processo de conhecimento e discussão do tema abordado. ORIGEM E SIGNIFICADO DA PALAVRA PATRIMÔNIO A palavra Patrimônio tem origem latina Pater que significa herança, legado, deixado de pai para filho. Sendo o patrimônio o conjunto de bens de uma instituição, empresa ou pessoas em geral. Também é o conjunto de experiências produzido por outras gerações que ficam registradas na coletividade. Constitui o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país, cuja conservação seja de interesse público, quer por seu excepcional valor arqueológico, etnográfico, bibliográfico ou artístico. O Patrimônio subdividese em Patrimônio Cultural e Patrimônio Natural. Patrimônio Cultural: É composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que tenham valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico. Patrimônio Natural: Significa as formações físicas, biológicas e geológicas excep-

Ainda constituem o Patrimônio Vivo: artesanatos, maneiras de pescar, caçar, plantar, cultivar e colher, de utilizar plantas como alimentos e remédios, de construir moradias e fabricar objetos de uso, a culinária, as danças e músicas, os modos de vestir e de falar, os rituais e festas religiosas e populares, as relações sociais e familiares, as canções, as histórias e lendas contadas de geração a geração. cionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético. MANIFESTAÇÕES POPULARES: O PATRIMÔNIO IMATERIAL E O ENCONTRO DAS LINGUAGENS

linguagens através das quais registramos, expressamos e transmitimos o que pensamos, o que sentimos e tudo o mais que diz respeito à nossa vida - pertencem a um acervo revelador: o patrimônio cultural, tradição, herança de outros tempos que se junta ao presente, ganhando o futuro.

Em cada sentido moram outros sentidos. Os olhos, os ouvidos, a boca o nariz, a pele, o corpo todo está inserido na cultura. Sentimos o mundo e construímos os sentidos a partir do que vivemos. Danças, músicas, histórias, objetos, roupas, utensílios, comidas, remédios, crenças, valores - as 35 << Educação Patrimonial


LÍNGUA: PATRIMÔNIO CULTURAL DE UM POVO A população brasileira foi formada por pessoas oriundas de diversos países e continentes, mas as normas gramaticais não contemplaram as modificações que ocorreram na linguagem oral, informal, provenientes dessa mistura de culturas tão diferentes. Entretanto, a língua portuguesa, com mais de 215 milhões de falantes nativos, é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental. Idioma oficial de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo falada na antiga Índia Portuguesa (Goa, Damão, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli), Macau e Guiné Equatorial, além de ter também estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul e na União Africana.

A linguagem é uma herança social, “uma realidade primeira”, que uma vez assimilada, envolve os indivíduos e faz com que as estruturas mentais, emocionais e perceptivas sejam reguladas pelo seu simbolismo. Permeia o conhecimento e as formas de conhecer o pensamento e as formas de pensar, a comunicação e os modos de comunicar, a ação e os modos de agir. Ela é a roda invertida que movimenta o homem e é movimentada por ele. A Originalidade Sendo um país de proporção continental, cada estado do Brasil conservou algumas particularidades do povo que primeiro o ocupou. Por isso, muitas vezes se fala em língua regional, que são derivações das línguas originais, com modificações em sua estrutura, neologismos e sotaque diferente. Assim, muitas palavras têm uma significação própria, única, em cada estado. Cada qual possui também expressões peculiares, de maneira que, existe uma grande dificuldade em se ter um padrão de língua nacional. Além disso, a

linguagem verbal difere-se por classes sociais e por nível de instrução. Pessoas com pouco estudo normalmente utilizam uma linguagem que é transmitida por meios orais; essa linguagem quase sempre contém incorreções gramaticais. Por outro lado, pessoas com maior nível de conhecimento procuram utilizar o vernáculo em sua forma correta, normativa. O meio termo encontra-se naqueles que fazem da palavra a matéria-prima de seus trabalhos. Estes mesclam a linguagem culta e a informal, a fim de conseguirem máximo valor expressivo em suas criações; para eles, tudo é válido, contanto que se busque a originalidade. Linguagem brasileira - patrimônio cultural do povo Considerando que a linguagem oral, popular, muito se difere da linguagem culta, qual seria, então, a língua do coração brasileiro? Esta ou aquela? A resposta está em quando ela é utilizada. Em situações formais e textos técnicos, é conveniente utilizar a língua culta. Em situações informais ou em obras literárias, o que deve preponderar é a eufonia,

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a musicalidade, o valor expressivo, tudo quanto a transforma num patrimônio cultural de um povo. De Corpo e Alma Na linguagem dos cantos, danças, fantasias e comidas, o brasileiro fala sobre a sociedade em que vive, seus valores e crenças. Nas festas e por meio delas, são permanentemente construídas maneiras de viver e ver o mundo. São Bumbasmeu-boi juninos, Maracatus carnavalescos, Folias de Reis e Pastorinhas, Cavalhadas e Festas do Divino, candomblés e festas de Iemanjá que fazem a alegria do povo brasileiro e determinam um calendário que ainda é muito pouco explorado por professores e escolas. São instrumentos que podem instigar o olhar, ultrapassando a barreira do somente estético para agregar a percepção dos contextos originais em que as manifestações se desenvolvem e desenrolam de corpo e alma. O papel do professor O professor de Língua Portuguesa e Literatura é importante divulgador do processo sistemático de uma educação patrimonial, por ser fonte primária da cultura popular e capaz de enriquecer o indivíduo e o coletivo, tornando-se um poderoso instrumento de reencontro do povo com suas origens através das artes literárias. Seu envolvimento no processo de fortalecimento da Cultura, é primordial, diria

Discutir e entender a noção de patrimônio cultural no cenário atual é essencial para entendermos o desenvolvimento e permanência das manifestações populares.

mesmo, fundamental para a construção de uma postura consciente e ativa no desenvolvimento da cidadania e da Cultura.

SUGESTÕES No desenvolvimento da Educação Patrimonial, podese escolher núcleos temáticos a serem trabalhados a partir desta metodologia: - A casa, espaços e mobiliário; - Documentos familiares; - Instrumentos de trabalho e técnicas de uso; - Cultivos e alimentação; - A flora e a fauna nativas. Cada um desses temas pode servir como objeto de estudo e exploração durante todo um semestre letivo, em todas as áreas/disciplinas do currículo, por meio de atividades e experiências concretas de observação, coleta, pesquisa e exploração, partindo sempre do enfoque da realidade quotidiana dos alunos. Os aspectos do trabalho, do plantio e da colheita e de outras atividades comuns na região poderão ser observados no campo. A valorização dos ofícios rurais e do conhecimento tradicional 37 << Educação Patrimonial


Poetizar para crianças não é tarefa fácil. Trabalhar poesia em salas de aula também não é tão simples assim. É preciso ter sensibilidade e prazer pela poesia, entrar no mundo da imaginação do poeta e deixar a criança bailar na sua imaginação, unir esses dois mundos é o grande desafio do professor. Transmitir conhecimento através da poesia é uma forma de valorização do sentimento infantil que procura se identificar com os conceitos que lhes chegam prontos. É preciso deixar a poesia falar na criança e a criança falar com a poesia, enquanto se aprende a escrever a palavra alegria.

passado de geração a geração trará um resultado altamente positivo das atividades, levando os alunos a reconhecerem e a terem orgulho de sua história pessoal e coletiva, de seus pais e avós. Por intermédio do manuseio, do registro em diferentes meios, dos jogos, das entrevistas com familiares e integrantes da comunidade, alunos e professores têm a possibilidade de entender e reconstituir as tramas sociais, tecnológicas, econômicas e culturais que compõem o tecido de sua trajetória e identidade históricas. Inspirado no Poema A leitura do poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado “A CHAVE” pode servir de inspiração, e de metáfora, para o trabalho da Educação Patrimonial. A partir de um simples objeto comum, como uma chave (e logo imaginamos uma chave antiga, talvez já enferrujada), o poeta nos abre a porta da imaginação e da evocação de todo um universo do passado, onde transitam paisagens, Educação Patrimonial >> 38

personagens, sons, animais, e toda a força da criação humana, cristalizada no gesto do serralheiro... “o serralheiro não sabia / o ato de criação como é potente/ e na coisa criada se prolonga, ressoante...” Ouvir a voz das coisas (“Ora, direis, ouvir estrelas...” diz um outro poeta brasileiro), perceber o ato de criação que se prolonga nelas, e chega até nós, escutar as histórias que nos contam. Esta é a “alfabetização cultural” que se propõe com o trabalho e a metodologia da Educação Patrimonial. Aprendendo a arte da comunicação Os alunos do Ensino fundamental devem aprender, desde cedo, que a leitura e a escrita são ferramentas essenciais na arte da comunicação. Com elas são possíveis a transformação em pessoas ativas, participativas e agentes transformadores da sociedade. Assim, é imprescindível o incentivo aos alunos de boas leituras e que, acima de tudo, eles apliquem as informações deste hábito no dia-a-dia.

Confira abaixo o poema que fala de preservação e meio ambiente. Uma poesia escrita por alunos do Ensino Fundamental que foram inspirados sobre este tema após a leitura do livro O Mundinho Azul. Água A natureza precisa de pessoas com o compromisso da Educação. Para aprender o sentido da palavra conservação. Os rios, mares e oceanos necessitam de maior atenção. A água “pede” por preservação. Sem água não há vida. A nossa água está sendo poluída. O Homem não deve poluir. Mas, sim aprender a contribuir. A água é nossa maior riqueza. O Homem deve conviver e respeitar a natureza. Todos os brasileiros sabem que o português é a língua majoritária e oficial do Brasil, e muitos sabem que ele é derivado do latim. Mas a maioria desconhece a história do idioma no país e da sua relação com as diversas outras línguas que aqui se falavam antes da chegada de Pedro Álvares Cabral e com as que vieram durante e depois da colonização. A herança na linguagem dos índios Antes do Descobrimento


do Brasil no ano de 1500, já viviam ali populações de nativos conhecidos como Tupi-guarani, que deixaram inúmeros topônimos. Uns, como Guarujá e Aracaju são tradicionais, utilizados pelas populações indígenas antigas, outros são modernos, apostos por eruditos utilizando as línguas tupi-guaranis, como Anhembi ou Urubupunga. A colonização portuguesa começou gradativamente pelo litoral, a partir de 1532, com a instituição das capitanias hereditárias. Nesse período, diversas comunidades da família Tupi e Guarani habitavam o litoral brasileiro entre a Bahia e o Rio de Janeiro. Havia entre elas uma grande proximidade cultural e linguística. Para estabelecer uma comunicação com os nativos, os portugueses foram aprendendo os dialetos e idiomas indígenas. A partir do tupinambá, falado pelos grupos mais abertos ao contato com os colonizadores, criou-se uma língua geral comum a índios e não-índios. Ela foi estudada e documentada pelos jesuítas para a catequização dos povos indígenas. Em 1595, o padre José de Anchieta a registrou em sua Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil. Essa língua geral derivada do tupinambá foi a primeira influência recebida pelo idioma dos portugueses no Brasil. Toponomia Muitos nomes de plantas,

frutas e animais brasileiros têm origem no tupinambá. Alguns exemplos são abacaxi, araticum, buriti, caatinga, caju, capim, capivara, carnaúba, cipó, cupim, curió, ipê, imbuia, jaboticaba, jacarandá, mandacaru, mandioca, maracujá, piranha, quati, sucuri e tatu.

A toponímia do Brasil é o conjunto de topônimos mais utilizados no Brasil, e demonstra claramente o modo de ocupação da terra à partir do descobrimento e do início da colonização.

Podemos dizer que a Educação Patrimonial deve ter como um dos pilares a preservação, a valorização e o fortalecimento da Língua Portuguesa, nesta acepção, importa aqui, defender também, a trilogia índio, negro e branco, pois foram eles que constituíram o povo brasileiro, enriquecendo a língua que tornou-se comum aos três com a interação de suas culturas.

A toponímia, ciência que estuda a origem dos nomes de lugares, também revela um grande número de palavras indígenas na fala do brasileiro: Aracaju, Avaí, Caraguatatuba, Guanabara, Guaporé, Jabaquara, Jacarépaguá, Jundiaí, Parati, Piracicaba, Tijuca, etc. A influência indígena também acabou propiciando a criação de expressões idiomáticas, como “andar na pindaíba” e “estar de tocaia”, que são marcas linguísticas de uma cultura específica. Além dos nomes de localidades (cidades, vilas, municípios, províncias, países etc.), a

toponímia ainda estuda: Os hidrônimos: nomes de rios e outros cursos d’agua; Os limnônimos: nomes de lagos; Os orônimos: nomes dos montes e outros relevos; Os corônimos:, nomes de subdivisiões administrativas e de estradas. A linguagem Negra Outro contato que influenciou a língua portuguesa na América foi com as línguas dos negros africanos trazidos como escravos para o país. Depois de quatro séculos de contato direto e permanente de falantes africanos com a 39 << Educação Patrimonial


língua portuguesa no Brasil, esse processo de interação lingüística, apoiada por fatores favoráveis de ordem sócio-histórica e cultural, foi provavelmente facilitado pela proximidade relativa da estrutura lingüística do português europeu antigo e regional com as línguas negro-africanas que o mestiçaram. Essa semelhança estrutural provavelmente precipitou o desenvolvimento interno da língua portuguesa e possibilitou a continuidade da pronúncia vocalizada do português antigo na modalidade brasileira (onde as vogais átonas também são pronunciadas), afastando-a, portanto, do português de Portugal, de pronúncia muito consonantal, o que dificulta o seu entendimento por parte do ouvinte brasileiro. Nesse processo, o negro banto, pela antiguidade, volume populacional e amplitude territorial alcançada pela sua presença humana no Brasil colônia, ele, como os outros, adquiriu o português como segunda língua, tornando-se o principal agente transformador da língua portuguesa em sua modalidade brasileira e seu difusor pelo território brasileiro sob regime colonial e escravista. A CONTRIBUIÇÃO DOS NEGROS PARA A CULTURA POPULAR DO ESPÍRITO SANTO Apesar de todo o sofrimento que lhes foi imposto pela sociedade escravista, os negros deram uma contriEducação Patrimonial >> 40

buição decisiva para a cultura popular do Espírito Santo. Nas áreas onde houve uma presença muito forte do africano, situadas especialmente no Norte, estão hoje as mais expressivas manifestações do folclore capixaba como o Ticumbí, a Marujada, os Reis de Boi e o Jongo de São Benedito. A mais conhecida delas, o Ticumbí, tem origem no quilombo do “Negro Rugero”, localizado no Sapé do Norte, Conceição da Barra, por iniciativa de Silvestre Nagô. Esse auto sobrevive até hoje graças a uma elite de negros, constituída de pequenos produtores rurais, que anualmente, no dia 1º de janeiro, faz uma única apresentação diante da capela de São Benedito. Dentro do folclore brasileiro, o Ticumbí tem características únicas, não sendo encontrado nada idên-

tico a ele em qualquer região do país. O OFÍCIO DAS PANELEIRAS DO ESPÍRITO SANTO O ofício das Paneleiras de Goiabeiras foi o primeiro bem cultural inscrito no Livro de Registro dos Saberes, em 20 de dezembro de 2002. O Pedido foi feito a pedido da Associação das Paneleiras de Goiabeiras e pela Secretaria Municipal de Cultura de Vitória, Espírito Santo. A fabricação artesanal de panelas de barro em Goiabeiras Velhas, Vitória do Espírito Santo é uma atividade eminentemente feminina e constitui um saber repassado de mãe para filha por gerações sucessivas. É também o meio de vida de mais de 120 famílias, muitas das quais aparentadas entre si.


ATIVIDADES 1-O Patrimônio da Minha Terra Por que fazer um livro de receitas típicas do lugar onde se vive? A atividade “As receitas da minha terra” tem como objetivo promover a aprendizagem da escrita e da cultura por meio da produção de um livro de receitas das comidas típicas da região onde os alunos vivem. Como essa produção não envolve um processo de criação mas, sim, o registro de ingredientes e de instruções para se preparar um prato, a atividade privilegia os aspectos do como escrever, e ao mesmo tempo o reconhecimento da cultura local. Favorece, assim, o trabalho com os alunos durante o processo de alfabetização. Além disso, esta atividade permite aos alunos aproximarem-se do universo da culinária e conhecer as receitas que marcam a trajetória de sua família e a cultura local. Ao pesquisar as tradições culinárias de sua cidade e de seu estado, os alunos estarão também estudando aspectos da História e da Geografia local. Será uma oportunidade inclusive para que eles aprendam a valorizar e a preservar a pluralidade cultural que caracteriza nosso país. A culinária representa um dos aspectos mais saborosos de uma cultura, além de ser um possível recorte

para análise da História e da Geografia de um lugar. Com o estudo de sua cozinha típica, os alunos poderão perceber e compreender as alterações que os pratos sofrem ao longo do tempo, a descoberta de invenções humanas, a influência que os povos recebem de outros povos. Além disso, a culinária possui um aspecto afetivo pelo fato de os aromas e os sabores das comidas invocarem em nós lembranças e sentimentos agradáveis. A função social da refeição é importante também porque as pessoas não comem somente para se alimentar, mas para vivenciar com parentes e amigos um prazer compartilhado, um modo de ser e de viver. O que os alunos aprenderão com esta atividade? Ler para obtenção de informações em textos descritivos e de instruções (receitas). Usar procedimentos para a realização de entrevistas (aprender a perguntar e registrar informações). Usar a escrita como recurso

de sistematização e socialização dos conhecimentos adquiridos. Produzir textos, utilizando estratégias de planejamento e revisão. Usar recursos tecnológicos (transcrição das fitas, linguagem e manuseio de gravador, computador e fotografia). Valorizar a cultura local. Qual o tempo de duração da atividade? A produção do livro de receitas das comidas típicas da região envolve uma ampla pesquisa sobre as tradições da culinária local. Para tanto, é preciso levantar os pratos, temperos e sabores característicos do lugar, identificar sua origem, experimentar algumas receitas e, é claro, produzir o livro. Por isso mesmo, é interessante que a atividade seja realizada ao longo de um semestre escolar (4 meses). Onde pesquisar? Livros, revistas e cadernos de receita. É possível também obter informações junto às merendeiras das escolas, 41 << Educação Patrimonial


quitandeiras da cidade, cozinheiros de restaurantes típicos e familiares. Que recursos tecnológicos poderão ser utilizados? Esta atividade permite a utilização de recursos tecnológicos como a máquina fotográfica, o computador e o gravador. Que outros produtos poderão ser gerados? Cada aluno pode receber uma cópia do livro de receitas. No dia do lançamento do livro, ocorrerá também um evento de degustação de algumas das receitas tratadas no livro. Mas outros materiais - como cartazes e/ou calendários - poderão ser confeccionados, utilizando-se as mesmas imagens e textos do livro. Estes produtos poderão ser distribuídos para as outras turmas da escola e também para pessoas ou instituições da comunidade. É importante que a biblioteca da escola receba um exemplar de cada material gerado, servindo como fonte de informação para outros professores e alunos.

referente ao Patrimônio Cultural com a premiação dos três primeiros lugares.

4- Montagem de uma Cartilha: Familiarizados com os con2-Montagem de um Jornal ceitos e toda a problemática histórico sobre a cidade: relacionada com o patrimônio Pedir aos alunos para narrar cultural da cidade, os alunos os principais acontecimentos poderão criar cartilhas do paque ocorreram na cidade como trimônio cultural ilustradas. se fossem matérias de jornal. 5- Elaboração de lista de 3- Concurso de redação ações prioritárias em defesa sobre o tema: do patrimônio cultural. Elaboração de um concurso Os alunos podem elaborar de redações entre os alunos uma lista propondo ações de Educação Patrimonial >> 42

preservação do patrimônio cultural. 6- Elaboração de palestra Peça aos alunos para prepararem uma palestra referente aos trabalhos de educação patrimonial. Conceitos a serem trabalhados: bem cultural, cidadania, memória, identidade, patrimônio cultural, defesa do patrimônio cultural, importância dos trabalhos relacionados com a preservação do patrimônio cultural (Inventário, dossiês, restauração, conservação e registros).


HISTÓRIA 43 << Educação Patrimonial


Enquanto patrimônio, a cultura é um longo rio cujas águas envolvem uma determinada geração de seres humanos, e lhes transmite valores morais e estéticos, ideologias, história, códigos e símbolos... Enfim, um rico patrimônio elaborado por seus ancestrais que as novas gerações recebem quando existe um ponto de passagem e encontro possível entre este tesouro e o receptor dessa enorme oferenda”. Manuel Vázquez Montalbán

CONHECER PARA VALORIZAR Trabalhar o Patrimônio Cultural nas escolas fortalece a relação das pessoas com suas heranças culturais, estabelecendo um melhor relacionamento destas com estes bens, percebendo sua responsabilidade pela valorização e preservação do Patrimônio, enriquecendo a vivência real com a cidadania, num processo de inclusão social.

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O

s currículos escolares são comumente sobrecarregados, com disciplinas que competem entre si por limitação do tempo em sala de aula e pelas normas oficiais estabelecidas. Contudo, os objetos patrimoniais, os monumentos, sítios e centros históricos, ou patrimônio natural são um recurso educacional importante, pois permitem a ultrapassagem dos limites de cada disciplina, e o aprendizado de habilidades e temas que serão importantes para a vida dos alunos. Desta forma, podem ser usados como detonadores ou motivadores para qualquer área do currículo ou ainda, para reunir áreas aparentemente distantes no processo de ensino/aprendizagem. Educação Patrimonial e a Disciplina de HISTÓRIA: os objetos patrimoniais e os edifícios e centros históricos, os sítios arqueológicos e paisagísticos podem refletir a maior parte da História do Brasil e do mundo. Os objetos e monumentos do passado são a evidência concreta da comunidade e da mudança dos processos culturais. A comparação da própria casa com as casas do passado pode dar aos alunos a compreensão de como os estilos e modos de vida das sociedades mudam ao longo do tempo. Os detalhes de diferenciação dos objetos do passado e do presente podem ser traçados num gráfico, ou linha do

tempo, que pode ser comparada a uma árvore genealógica, situando os personagens familiares em diferentes épocas. “O CENÁRIO CULTURAL EM QUE VIVEMOS HOJE VALORIZA O NOVO, O AMANHÃ E O FUTURO”. O termo cultura é bastante amplo e pode ser definido como tudo aquilo que o homem, ao longo da sua evolução, criou e vem criando para interagir com a natureza, que o distinguiu dos animais. Assim, a cultura é um processo dinâmico transmitido de geração em geração que se aprende com todos os ancestrais e se cria e recria no cotidiano presente, na solução de pequenos problemas que cada sociedade ou indivíduos enfrentam. Dessa maneira, a cultura ao longo do tempo vai adquirindo formas diferentes de expressão que constituirão um conjunto de manifestações artísticas, sociais, lingüísticas e comportamentais de um povo e sua cultura. Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc.


MONUMENTOS E SÍTIOS HISTÓRICOS Um monumento é uma edificação ou sítio histórico de caráter exemplar, por seu significado na trajetória de vida de uma sociedade/comunidade e por suas características peculiares de forma, estilo e função. Existem monumentos construídos especialmente para celebrar ou relembrar algum episódio, momento ou personagem de nossa história, criados por arquitetos, escultores, artistas, como por exemplo: o

Monumento as Bandeiras em São Paulo, ou o Monumento aos Mortos na 2 Guerra Mundial no Rio de Janeiro, ou o Memorial JK em Brasília. Outros são remanescentes do passado, que sobreviveram ao tempo, e que são consagrados pela sociedade como símbolos coletivos, e como referência da memória de um povo como, por exemplo, as esculturas do Mestre Aleijadinho em Ouro Preto.

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MONUMENTOS E SÍTIOS HISTÓRICOS DE SÃO MATEUS - ES Ruínas da Igreja dos

Jesuítas Praça José de Anchieta (séc. XVI). Sítio Histórico Porto de São Mateus Sítio Histórico – Localizado na cidade baixa, a 500m do centro. È composto por casarões do século passado, tombados pelo patrimônio histórico. No local existe um dos poucos pelourinhos do país, São Mateus, situa-se ao norte do Espírito Santo, a 218 km de Vitória.

No Espírito Santo, o entorno do Porto de São Mateus, que possui 32 sobrados construídos no século XVII e século XIX, é um monumento tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Biquinha Data de 1880 e durante muito tempo serviu à comunidade, fornecendo-lhe água potável. Integra o Patrimônio Histórico de São Mateus.

Igreja de São Benedito Construída a mais de um século, ocupa lugar de destaque no cenário cultural mateense. Ruínas da Igreja Velha de São Mateus Ruínas da Igreja Velha – Construída em 1596. Ruínas de um templo construído por índio e escravos. Para sua construção foram utilizadas pedras que vinham como lastros nas embarcações e como Educação Patrimonial >> 46

aderente dos blocos, uma liga obtida com óleo de baleia e cal. Diz a lenda que em suas paredes foram escondidos tesouros. Está localizada na Praça Anchieta, Centro. Mistérios e Lendas Alguns monumentos continuam a servir à mesma função original, como as igrejas da época colonial. A Igreja Velha é um monumento que vem atravessando os séculos, um mistério ronda-a: por que uma edificação tão grandiosa não chegou a ser terminada?


As obras do monumento histórico da Igreja Velha ora são atribuídas ao padre José de Anchieta, ora ao barão de Timbuí (num movimento popular que teria reunido descendentes de índios e negros). Construída com blocos de pedra a Igreja avançava estrategicamente sobre um campo em plano inferior onde hoje estão a rodoviária e a Praça Mesquita Neto e prometia ser, ao que a arquitetura indica, um grande templo popular disposto para um largo espaço campal. As obras nunca foram terminadas e possivelmente a razão disso jamais será revelada, bem como a procedência da lenda que por muitos anos foi contada na região de que haveria um túnel ligando a Igreja Velha ao Porto de São Mateus, à margem do Rio Cricaré.

TOMBAMENTO Alguns edifícios isolados, sítios ou conjuntos de edificações têm um significado especial para a História do Brasil. Os técnicos do IPHAN identificam estes edifícios e sítios por meio de estudos e pesquisas, como base para o trabalho de conservação e restauração, e para sua proteção oficial, de acordo com a Constituição Federal e Decreto Lei no 25, de novembro de 1937, a chamada Lei do Tombamento. Os monumentos assim identificados são chamados monumentos ou edifícios tombados, quando inscritos nos Lavros do Tombo do Patrimônio Nacional, estadual ou municipais. O tombamento é assim um registro oficial e legal de um edifício, um conjunto de edificações, centros urbanos

históricos, ou objetos e coleções de significado exemplar para a sociedade. Um monumento, por exemplo deve ser visto como um elemento do meio ambiente histórico, e como tal deve ser analisado em seu contexto social e histórico, ao longo do tempo. Dessa maneira, os monumentos e sítios históricos de importância e significado para a cultura nacional são em geral tombados – protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN ou pelas instituições estaduais e municipais de Patrimônio. Entretanto, em qualquer lugar, pequena vila ou cidade, e mesmo na área rural existem sítios e edificações que, embora não sejam registrados oficialmente, apresentam características e significados semelhantes aos que são protegidos por lei. A

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casa, a escola, a rua, a estrada, também são parte do meio ambiente histórico e do patrimônio cultural das comunidades em que vivem os alunos, e como tal podem ser utilizadas como objeto de estudo na Educação Patrimonial. PANELAS DE BARRO – PATRIMONIO IMATERIAL BRASILEIRO Tombadas em novembro de 2002 pelo IPHAN - como patrimônio imaterial brasileiro, essas panelas de barro são mais do que um utensílio para o preparo da moqueca e da torta capixabas, comida típica do estado do Espírito Santo. Elas têm status de ingrediente: sem a panela, a receita fica diferente. As panelas são produzidas de acordo com técnicas indígenas, principalmente da tribo una. Saiba mais sobre a história da cidade de São Mateus: A colonização portuguesa De acordo com a tradição oral, os primeiros colonizadores portugueses chegaram a São Mateus no ano de 1544. O município comemora no 21 de setembro seu aniversário de colonização. A pequena povoação do Rio Cricaré (Kiri-Kerê, que quer dizer manso, propenso a dormir) recebeu o nome de São Mateus por ter sido em um dia 21 de setembro (dia consagrado Educação Patrimonial >> 48

ao evangelista Mateus) que o Padre José de Anchieta visitou essa povoação. É provável que tenha sido no ano de 1566, quando Anchieta passou pela capitania do Espírito Santo, visitando as aldeias. (In: História de São Mateus - Eliezer Nardoto e Herinéa Lima, pág. 406) A batalha do Cricaré Atravessar o oceano Atlântico para fixar residência no Brasil, no século XVI, era considerado, no mínimo, uma loucura. Enfrentar as doenças tropicais, os animais selvagens e os índios não era coisa fácil.

Bem por isso que os primeiros portugueses que Vasco Fernandes Coutinho trouxe para sua capitania do Espírito Santo vieram dos cárceres de Portugal. Eram ladrões, salteadores e assassinos que recebiam perdão dos seus crimes, desde que viessem para ficar no Brasil. Isso era o que determinava um decreto do Rei Dom João III, em 1534. (In: História de São Mateus - Eliezer Nardoto e Herinéa Lima, nota nº 2, pág. 27).Quando aqui chegavam com suas armas de fogo, dominavam os índios que se defendiam com armas primitivas - arco e flecha, tacape (lança de madeira) e bordunas


(pedaço de pau tipo cacetete). Os índios eram escravizados para o trabalho nos engenhos e suas mulheres violentadas. E como aconteceu? A batalha aconteceu em vários pontos da margem do rio Cricaré, inclusive no rio Mariricu (variação da palavra Marerique, que quer dizer fortaleza de pau-a-pique), no início do ano de 1558. Depois da Batalha do Cricaré a povoação de São Mateus recebeu mais colonos que foram transformando a povoação numa das maiores produtoras de farinha de mandioca da costa brasileira. Marinheiros de várias partes aqui chegavam trocando facões, machados e pólvora por alimento (principalmente a farinha). Já os mineiros que viviam nos sertões de São Mateus vinham trocar pedras preciosas por armas, pólvora, ferramentas e roupas. A chegada dos negros No século XVII o Espírito Santo começava a dar sinais de prosperidade, chegando a abastecer com farinha de mandioca outras províncias e o próprio reino. Na área de São Mateus foi criado um porto para o escoamento desses produtos agrícolas. Em, 1621 chegaram ao Espírito Santo os primeiros negros, para ajudar na lavoura.As terras do Espírito Santo e, particularmente, as de São Mateus configuram território onde floresceu o mercado de escravos.

Criação do município Em 03 de abril de 1848, a Villa Nova do Rio São Matheus foi elevada a cidade, com o nome São Matheus, e criado o correspondente município. Nessa época, o município de São Matheus totalizava uma área de 13.588 km2, correspondendo a 1/3 do território do Espírito Santo. Com o correr dos tempos, particularmente na primeira metade do século XX, novos municípios foram criados a partir do desmembramento do município original. O QUE É MEIO AMBIENTE HISTÓRICO? É o espaço criado e transformado pela atividade humana ao longo do tempo e da história. O meio ambiente histórico está em toda parte, em torno de nós; o que pode variar é a extensão e o modo em que ele pode ser identificado. O meio ambiente histórico é dinâmico e continua a mudar no presente. O conceito de mudança e continuidade é

essencial para a compreensão do Patrimônio Cultural, como um dos processos básicos a ser abordado no processo de Educação Patrimonial. As dimensões do meio ambiente histórico O meio ambiente histórico tem duas dimensões: a horizontal que revela o aspecto de toda uma área em determinado período do tempo, no passado, ou presente, e a dimensão, que mostra as sucessivas camadas e modificações de uma mesma área ao longo do tempo vertical. A sobrevivência de cada uma dessas camadas depende de uma série de fatores, como tipo de material usado, ou o processo de mudança nas atividades agrícolas e industriais e na população. Como encontramos o meio ambiente histórico? Podemos encontrá-lo todo dia, a qualquer momento, em torno de nós. Para as crianças com um tempo de vida mais recente e menor que dos adul49 << Educação Patrimonial


tos, quase tudo que as rodeia é produto de um passado distante, do tempo da vovó. A própria casa, a família ou a escola podem ser material útil para iniciar a compreensão da mudança e continuidade nos alunos.

ATIVIDADES SUGERIDAS 1-Reconhecendo os objetos O homem produz objetos variados que utiliza para dar conta das suas necessidades cotidianas. Seus instrumentos de trabalho, objetos de adorno, peças utilizadas em rituais, na alimentação, na higiene pessoal, nos deslocamentos diferem segundo utilidade e durabilidade.

A louça quebrada

O objetivo desta atividade é iniciar o aluno na compreensão da evidência cultural e nos diferentes modos de analisá-la, levando-o a perceber o procesPara identificação dos obso de reconstituição do passajetos, o professor poderá pedir do, por meio dos fragmentos aos alunos que levantem as see vestígios observados no preguintes informações a respeito sente. A experiência pode ser do objeto selecionado: usada como preparação para o estudo de qualquer evidência, • Aspectos físicos: tamade objetos de museus a monho, forma, cor, peso, material numentos em ruínas ou sítios empregado, ornamentos, estado históricos e arqueológicos. atual de conservação; • Apresente aos alunos um • Processo construtivo: objeto qualquer de cerâmionde foi feito, quem participou ca ou louça comum (xícara, do processo de construção, que prato, bule, pote, caneca, etc.), partes compõem o objeto, se previamente quebrado em peele é resultado de um processo quenos pedaços, dentro de um artesanal, industrial etc; saco plástico transparente; • Função do objeto: Qual o • Peça aos alunos para seu uso e as suas transformaidentificar o que é este obções durante os anos; jeto. A resposta nem sempre • Significado atual: O valor será óbvia. Faça perguntas que é conferido nos dias atuais. Educação Patrimonial >> 50

que levem à observação do material empregado, vestígios de decoração e a forma dos fragmentos; • Escolha um dos fragmentos que permita uma fácil identificação (a alça, por exemplo). Faça perguntas que levem a uma interpretação deste fragmento de evidência. Nem sempre você pode ter certeza absoluta de como era o objeto original. A borda de uma caneca, ou de um pote, pode ser semelhante; • Repita o exercício com os demais fragmentos. Os alunos podem desenhá-los para tentar montar o quebra-cabeça, ou tentar reconstituir o objeto juntando os próprios fragmentos (desde que não haja risco para os alunos).


2-Utilizando a História Oral

3-Jogo de identificação:

A voz dos moradores é um recurso importante para reconstruirmos o modo de vida social e suas inúmeras implicações no cotidiano de uma determinada época.

Utilizar fotografias / transparências de objetos e detalhes de prédios. Dividir a turma em dois grupos. Os alunos terão que identificar os detalhes e objetos. No final, peça aos alunos para elaborar um álbum de figurinhas referente aos bens culturais: • Criar um prêmio para os três primeiros alunos que montarem o álbum.

• A história de vida consiste no levantamento da história de indivíduos particulares; • Descreve e analisa valores, atitudes e experiências do entrevistado.; • A história temática pressupõe a determinação de um tema para pesquisa. Roteiro para esta atividade 1. Identificar os possíveis informantes, segundo os objetivos do trabalho; 2. Contatar com os informantes e marcar dia e hora da entrevista; 3. Organizar o roteiro da entrevista com os alunos, segundo o gênero (história temática ou de vida), elaborando perguntas simples e diretas que possibilitem respostas com a maior quantidade de informações possíveis; 4. Dividir as tarefas entre os membros do grupo que vai realizar o trabalho; 5. Testar o equipamento (gravador, fitas, microfone, pilhas); 6. Identificar as fitas gravadas com data, o nome e endereço do entrevistado; 7. Transcrever as fitas.

Material de apoio: Vários tipos de materiais podem ser elaborados para auxiliar na exploração dos bens culturais, entre eles podemos usar a folha didática, que tem como objetivo orientar os alunos no processo de descoberta. Esse material estimula a capacidade de percepção do aluno para uma melhor compreensão do que está sendo observado. A seguir sugerimos algumas abordagens que podem ser trabalhadas: 1-Análise de documentos: Os documentos referem–se aos manuscritos ou impressos que contêm informações importantes sobre o modo de vida, hábitos e valores de uma determinada época. Veja abaixo a relação de documentos que podem ser analisados pelos alunos: • Jornais, revistas, livros, passaportes, certidões; • Convites, escrituras, testamentos, inventários,; • Registros paroquiais, censos; • Telegramas, cartas, atas, notas fiscais, mapas; • Receitas culinárias; • Ofícios, prontuários médicos, laudos periciais; • Folhas de pagamento de empregados; • Registros contábeis. O professor pode elaborar uma folha didática, para os alunos preencherem, contendo os seguintes itens para auxiliar na analise dos documentos: 1. Aspectos físicos dos documentos: qual o seu tamanho, forma, cor, estado de conservação; 2. Tipologia: é um convite, ofício, memorando, ata, nota fiscal; 3. Local e data: Qual sua origem e época de produção. 51 << Educação Patrimonial


4. Autoria: quem produziu o documento? Documento da administração pública, de instituição privada, de um indivíduo em particular?; 5. Destinatário: a quem se destina? Há destinatário explícito?; 6. Finalidade da sua produção: informa? Solicita? Comunica? 2-O Patrimônio Cultural através da observação da casa dos alunos. A exploração do Patrimônio Cultural pode partir da própria casa do aluno numa perspectiva de análise do presente para o passado. Na investigação dos dados com os alunos, o professor poderá utilizar a entrevista oral, pesquisa de objetos, as características das residências, as roupas, os alimentos, os móveis e as características e transformações que ocorrem no tempo. Levando em consideração, por exemplo: • Material empregado na construção; • Compartimentos existentes; • Tarefas que são desempenhadas na casa. Observação: Também podemos analisar o abastecimento de água, iluminação, deslocamento, formas de diversão, reuniões familiares.

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3-A Produção Artesanal A produção artesanal pode se destacar no município de São Mateus e pode servir de fonte de pesquisa para análise dos produtos. Dados sobre os artesãos da comunidade Para a coleta de informações sobre os artesões da comunidade, peça aos alunos para anotar as seguintes informações: • Nome do artesão, endereço atual, tipo de artesanato.; • Endereço onde funcionava a oficina e descrição do local; • Dados sobre sua formação (com quem e onde aprendeu o ofício); • Situação espaço-temporal do exercício da sua atividade; • Caracterização do contexto social em condições econômicas do artesão. Tipo de produto Não se esqueça de pedir aos alunos para descreverem o produto do artesão (fotografar ou desenhar), verificar as diferentes partes do produto e nomeá-los, verificar transformações das partes ou do produto com um todo ao longo do tempo e as técnicas empregadas na sua produção. Matéria-Prima Também é importante observar os instrumentos e elementos utilizados, organização do processo produtivo, circulares e consumo do produto. 4-Festas e Comemorações A investigação detalhada das festas e comemorações permite-nos analisar a dinâmica de seus componentes estruturais que, na simples participação, passam-nos despercebidos. Dados de identificação do ato festivo 1. Localização espacial: ocorrência (cidade, instituição, pavilhão, praça, parque, rua, igreja, sala...);

2. Abrangência: local, regional, nacional, internacional, espaço físico próprio ou não; 3. Denominação da festa: origem do nome, mudança na denominação ao longo do tempo, acontecimento que originou a comemoração; 4. Organização: quem coordena quais entidades ou associações participam dessa organização, comissões, divisão de tarefas.; 5. A preparação da festa: ações que precedem a festa,


ornamentação do local, limpeza, montagem do cenário, alegorias, tendas e barracas; 6. Descrição da festa ou comemoração: símbolos, signos e representações que a festa pretenda transmitir, danças, músicas, carro alegórico, discursos; 7. Os atores sociais: público que freqüenta, meios de divulgação - folders, pôsteres, cartazes; 8. Transformações ocorridas: estruturação e organização do evento.

5-Patrimônio Folclórico As danças e folguedos que compõem o patrimônio folclórico capixaba resultaram da contribuição inestimável das diferentes etnias que influíram em nossa formação histórica e cultural. É um patrimônio riquíssimo e variado que ainda sobrevive em vários pontos do Estado. Nesse patrimônio evidencia-se a influência lusitana, na dança das fitas e nas folias de reis; dos africanos, no ticumbi, no jongo e nas bandas de congo, nas quais também se fez sentir, em traços sincréticos, a presença da contribuição indígena; dos colonos europeus, que povoaram o Espírito Santo como imigrantes, e trouxeram suas danças de coreografia vistosa, em que sobressaem os movimentos rápidos e a indumentária típica dos dançantes.

Ticumbi Dança dramática, de origem africana, cultuada especialmente no norte do Espírito Santo, principalmente nas cidades de São Mateus e Conceição da Barra.

6-Patrimônio Religioso

material utilizado para a sua construção, qual o Santo de Diz respeito sobre as mani- Devoçao; festações religiosas: 2. Pesquise sobre a vida do • Identificação do elemento Santo: como viveu, o que fez e sacro; como morreu; • O espaço físico; 3. Identifique os atributos • O espaço interno; da imagem. De onde veio a • Os rituais que fazem parte imagem? Quem produziu? do culto; Como foi adquirida? • Os celebrantes. 4.Existe uma festa em homenagem ao Santo? Quando, 7-Reconhecendo a Igreja: onde e como acontece? DesPrepare uma ficha para os creva a festa; alunos preencherem contendo 5.Entreviste o principal as seguintes perguntas: responsável pela festa usando 1. O nome da igreja mao seguinte roteiro: triz do município, quando foi • Nome; construída, quem construiu, o

• Função na festa; • Quando surgiu a festa?; • Por que acontece a festa?; • Quem financia?; • Principais participantes; • Como acontece a festa: Início, meio, fim; • Como é o altar principal da igreja? Descreva o elemento decorativo que mais te chamou atenção. No final, peça aos alunos para fazer um desenho do interior da Igreja, identificando as principais imagens e onde estão localizadas.

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SUGESTÕES COMPLEMENTARES DE ATIVIDADES • Desenhar e fotografar objetos, utensílios, lugares; • Entrevistar artesãos locais, antigos moradores, personalidades públicas; • Empreender ações de conservação em prédios ou áreas abandonadas;

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• Organizar manifestações em prol da preservação de bens patrimoniais selecionados pelos alunos; • Organizar campanhas de conscientização da importância da preservação do patrimônio; • Organizar álbuns de fotografias sobre eventos, festas, ou situações relativas de ocupação do espaço ou mesmo

de instituições ou associações da comunidade; • Montar painéis com descrição das etapas dos processos produtivos características do local; • Organizar inventários gastronômicos ou colecionar receita de pratos típicos do lugar.


GEOGRAFIA 55 << Educação Patrimonial


A

tualmente, o Brasil, depara-se com a Educação em pleno período de transformação. Cada vez mais, exige-se dos educadores que trabalhem com conteúdos em que sejam explicitadas a diversidade cultural e a sua transposição didática, conforme proposta expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e nos Temas Transversais da Educação (TTE). O momento é, por exemplo, propício para inserir novas teorias e práticas na Educação, tais como projetos envolvendo Educação Patrimonial, fugindo um pouco dos currículos engessados em ações tradicionais e autoritárias. Trata-se de atividades extracurriculares, hoje classificadas como trans ou interdisciplinares, que pro-

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curam reconhecer e valorizar as referências culturais locais, regionais ou nacionais. O estudo de um centro histórico, de um parque botânico ou do meio ambiente natural pode ser o ponto de partida para a abordagem dos temas que envolvem a disciplina de geografia. A elaboração de mapas e plantas de edificações, a comparação com mapas antigos, a análise dos registros populacionais de uma determinada localidade são outros recursos a explorar, tendo como base a evidência histórico/cultural. A procedência dos materiais, as técnicas construtivas, a decoração podem dar informações interessantes para o conhecimento da Geografia Física e Humana. Ao iden-

tificar os recursos e características que dão o caráter especial de uma localidade ou região, os alunos podem discutir as alternativas para sua preservação. O trabalho de educação patrimonial é imprescindível para a adequada proteção do Patrimônio Cultural. Trata-se de um trabalho constante de conscientização e envolvimento de todos os segmentos que compõem a comunidade, nos trabalhos de preservação dos marcos e manifestações culturais, definindo conceitos, esclarecendo dúvidas, divulgando e mostrando o resultado dos trabalhos e, o mais importante, dividindo responsabilidades.


Geografia Humana do Brasil A Geografia Humana do Brasil tem como objetivo principal a realização de uma leitura da sociedade brasileira levando em conta os aspectos da população, economia, fluxo de migração, meio-ambiente, industrial, tecnologia, turismo, agropecuária, conflitos no campo, enfim todas relações humanas desenvolvidas no território nacional. Campos da geografia humana Como a geografia humana estuda a própria sociedade através do espaço (ou a espacialidade da vida social), as dimensões do estudo da geografia humana são as dimensões básicas da sociedade, ou seja a dimensão econômica, a dimensão política, e a dimensão cultural da sociedade, entre outras coisas. Resultam da geografia humana a geografia econômica, a geografia política, a geografia cultural, entre outros campos. Geografia Física do Brasil A Geografia Física do Brasil tem como objeto de estudo todos os aspectos naturais (geologia, hidrografia, clima, relevo, vegetação), nessa análise o foco limita-se a esses temas, sem o envolvimento o homem, tendo em vista as características originais. 57 << Educação Patrimonial


Geografia Cultural Pode ser entendida como um ramo da Geografia Humana preocupada com a distribuição espacial das manifestações culturais, como: religiões, crenças, rituais, artes, formas de trabalho, enfim tudo que é resultado de uma criação ou transformação do homem sobre a natureza ou das suas relações com o espaço. Seja no planeta, em um continente, país etc. Atualmente, pode-se pensar na Geografia Cultural como sendo aquela que considera os sentimentos e as idéias de um grupo ou povo sobre o espaço a partir da experiência vivida. É uma geografia do lugar. Sua relevância será estabelecida à medida que as referências culturais determinem as ações da sociedade sobre a natureza.

Festa de Caboclo Bernardo festa popular que acontece na vila de Regência, Linhares-ES ARQUEOLOGIA E A GEOGRAFIA Ainda hoje, muitas pessoas associam a arqueologia às aventuras vividas por personagens dos filmes de aventura. Ou seja, um caçador de relíquias antigas e valiosas. Porém, esta ciência atual nada tem a ver com essa imagem plantada pelos filmes. Por ser uma ciência como outra qualquer, utiliza de métodos de investigação e trabalho científico. Atua em parceria com outras áreas do conhecimento como, por exemplo, antropologia, história, sociologia, química, paleontologia, botânica, biologia, geografia, Educação Patrimonial >> 58

entre outras. A arqueologia tem como objetivo entender as mudanças ocorridas na vida do ser humano, desde suas origens. Para tanto, utiliza de vestígios do passado para reconstituir as fases históricas. Estes vestígios, também chamados de documentos históricos, podem ser escritos ou não-escritos. Ossos, restos de fogueiras, pinturas rupestres ruínas, textos antigos, objetos de cerâmica, entre outros, podem ser analisados e fornecerem informações sobre o passado.


Sítios Arqueológicos Os locais onde são encontrados estes objetos são chamados de sítios arqueológicos. Os pesquisadores fazem seus estudos e suas investigações neste espaço, escavando com muito cuidado, para não quebrar peças importantes e para não perder informações importantes que os sítios contém. A posição em que os objetos são encontrados é de fundamental importância para a reconstituição de uma época. Desta forma, os cientistas anotam as posições e condições em que estes fragmentos foram encontrados para serem analisados com mais rigor em laboratórios e museus.

Registros fósseis Os fósseis também são importantes fontes de informações para os estudos. Formados a milhões de anos, são registros do passado que podem mostrar como foi a vida e o meio ambiente num tempo muito distante. Quem estuda esses fósseis são os paleontólogos. A ciência conta com um preciso sistema de datação, conhecido como Carbono-14. Este elemento químico, presente nos seres vivos, começa a se desprender após a morte. A cada 5.700 anos, o objeto perde aproximadamente metade da radiação. Através da comparação, é possível determinar a idade do objeto com uma margem de erro de 40 anos aproximadamente. Quando se trata de épocas acima de milhares de anos, essa margem de erro torna-se insignificante. As datações de Carbono14 são usadas em contextos arqueológicos. As datações de fósseis são feitas por outros métodos. Na realidade a arqueologia é que mais utiliza o método de Carbono-14. PATRIMÔNIO GEOLÓGICO Só recentemente o Homem começou a ter consciência do todo natural e da posição que nele ocupa. As suas capacidades intelectuais e tecnológicas conferem-lhe posições de acentuado domínio sobre os recursos biológicos e geológicos, mas, em contrapartida,

atribuem-lhe o máximo de responsabilidades no uso que deles faz. O patrimônio geológico é um bem natural que precisa ser gerenciado, porém, para criar os mecanismos de gestão, é preciso primeiro conhecer os locais de interesse geológico que tenham importância científica, e que que tenham importância científica e sejam representativos na cronologia geológica de uma determinada região. Esses lugares podem revelar o conhecimento sobre a nossa existência no Planeta Terra. 59 << Educação Patrimonial


Você sabia? O geoturismo compreende um novo segmento do turismo de natureza no Brasil, que surge com a intenção de divulgar o patrimônio geológico, bem como, possibilitar sua conservação. Tal atividade utiliza feições geológicas como atrativo turístico, divulgando a Geodiversidade das regiões turísticas.

PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESPÍRITO SANTO O Espírito Santo vem se constituindo ao longo de sua história a partir de inúmeras matrizes culturais, gerando uma diversidade permeada de sensibilidades e produções variadas que requerem espaços de avivamento e expressão. Primeiro os índios, depois negros e imigrantes europeus trouxeram (e trazem) para o Espírito Santo manifestações, artefatos, música, culinária, experiências lúdicas, produções simbólicas, etc, estabelecendo espaços de interação e transversalidades, gerando tantos outros produtos híbridos que contém a vida de nossa gente.

A PANELA DE BARRO A panela de barro é, sem dúvida, uma das maiores expressões da cultura popular do Espírito Santo. Desde a sua origem - nas tribos indígenas que habitaram o litoral do Estado - até os dias de hoje, a técnica de sua confecção e a estrutura social das artesãs pouco mudou. O trabalho artesanal das paneleiras sempre garantiu a sobrevivência econômica de seus familiares, como também de suas tradições. A região de Goiabeiras, ao norte da Ilha de Vitória, sempre foi o local tradicional da produção de panelas de

barro. No início, o trabalho era de cunho familiar e as panelas eram feitas nos quintais das casas das paneleiras. As panelas de barro constituem o principal elemento cultural na elaboração de pratos típicos da culinária capixaba. A moqueca capixaba, a moqueca de garoupa salgada com banana-daterra e a torta capixaba têm de ser feitas em panela de barro, para serem autênticas. A produção é constante e todas as peças produzidas são vendidas aos turistas e à população da Grande Vitória.

Manifestação folclórica Ticumbi

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O FOLCLORE O dia 22 de agosto foi declarado Dia do Folclore, no Brasil, conforme D ecreto n° 56.747, de 17 de agosto de 1965. A palavra folclore vem do inglês folk, que significa povo, e lore, que é o particípio passado antigo do verbo to learn — aprender, conhecer. Assim, a palavra folclore refere-se à sabedoria popular e, de uma maneira geral, a tudo aquilo que o povo faz, cria e transmite pela tradição, mediante aprendizagem comum. No Espírito Santo, são manifestações folclóricas, por exemplo, as bandas de congo, as puxadas de mastro, as cantigas de roda, o Ticumbi e o alardo, as receitas da medicina popular à base de ervas, as crendices e superstições, o jongo, artesanato como as panelas de barro e outros produtos do nosso artesanato, etc.

DANÇAS E FOLGUEDOS CAPIXABAS As danças e folguedos que compõem o patrimônio folclórico capixaba resultaram da contribuição inestimável das diferentes etnias que influíram em nossa formação histórica e cultural. É um patrimônio riquíssimo e variado que ainda sobrevive em vários pontos do Estado. Nesse patrimônio evidencia-se a influência lusitana, no alardo, na dança das fitas e nas folias de reis; dos africanos, no Ticumbi, no jongo e nas bandas de congo, nas

quais também se fez sentir, em traços sincréticos, a presença da contribuição indígena; dos colonos europeus, que povoaram o Espírito Santo como imigrantes e trouxeram suas danças de coreografia vistosa, em que sobressaem os movimentos rápidos e a indumentária típica das suas regiões de origem.

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ATIVIDADES 1-As pessoas e as paisagens do lugar onde vivo Por que trabalhar com a paisagem local? “As pessoas e as paisagens do lugar onde vivo” têm como objetivo a organização de uma exposição de fotografias que retratem elementos culturais e naturais da paisagem local. Ao longo de seu desenvolvimento, os alunos aprenderão a usar um recurso tecnológico (a máquina fotográfica) de forma planejada e contextualizada. E como a fotografia geralmente é acompanhada por pequenos textos descritivos, chamados de textos de referência, produzirão textos sintéticos e objetivos sobre um conteúdo que já lhes é familiar. O nome do lugar retratado, a data da construção de um edifício ou uma breve explicação sobre a origem de uma reserva natural são exemplos de assuntos que poderão aparecer nessa produção. Além disso, o trabalho com a paisagem local permite que os alunos aprendam a valorizar o patrimônio histórico-cultural e natural do lugar onde vivem. Quantos de nós passamos a vida sem conhecer um edifício histórico que marca a paisagem local, uma área de preservação natural do município ou os acontecimentos que fizeram o lugar onde vivemos ser aquilo que é hoje? Aqui, a escola tem um papel essencial: com atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo, os alunos poderão conhecer o patrimônio histórico e natural da sua cidade ou região por meio de textos, de depoimentos de pessoas da comunidade ou de visitas ao local. Qual o tempo de duração da atividade? A montagem de uma exposição fotográfica sobre as pessoas e as paisagens do lugar onde se vive envolve uma ampla pesquisa sobre o que será retratado, o registro através da fotografia, a seleção das fotos que farão parte da exposição, a elaboração e revisão dos textos que acompanharão as imagens e, por fim, a organização da exposição. Por isso mesmo, é interessante que atividade seja realizada ao longo de um semestre escolar (4 meses). Educação Patrimonial >> 62

Que outros produtos poderão ser gerados? Além da exposição de fotografias sobre o patrimônio histórico-cultural e/ou natural da cidade destinada à comunidade, os alunos poderão produzir cartões postais utilizando as mesmas imagens e textos gerados para a exposição. É possível também produzir cartazes sobre os locais importantes e/ou interessantes da cidade, com o objetivo de divulgá-los entre as pessoas da comunidade. Os cartazes poderão ser afixados na escola ou no comércio do bairro.

Onde pesquisar? Em revistas, jornais, livros, documentos históricos, CDROM, Internet, gravuras, fotografias e vídeos. É possível também entrevistar pessoas da comunidade que conheçam a história e a geografia local, consultar especialistas no assunto e instituições. Que recursos tecnológicos poderão ser utilizados? Esta atividade permite a utilização de recursos tecnológicos como a máquina fotográfica, o computador e o gravador.

O que os alunos aprenderão com esta atividade? • Selecionar fontes de informações adequadas aos propósitos do estudo; • Reconhecer a estrutura e organização do texto informativo; • Usar procedimentos de leitura a partir de aspectos gráficos do texto; • Usar a escrita como recurso de sistematização e socialização dos conhecimentos adquiridos; • Produzir textos, utilizando estratégias de planejamento e revisão; • Usar a máquina fotográfica enquanto recurso tecnológico para o registro da paisagem; • Valorizar a paisagem local e o modo de vida do lugar.


2-Criação de museu local Nesta atividade os alunos organizarão um museu local (de pessoas, brinquedos e outros), destinados à comunidade escolar, moradores da cidade e visitantes. Um museu é por excelência a instituição que tem como função a conservação do patrimônio cultural de um determinado povo, a manutenção e a valorização de sua identidade. Esta atividade tem como objetivo central permitir aos alunos apropriarem-se e identificarem-se com os elementos culturais da região onde vivem, para assim compreenderem o sentido de preservá-los. Afinal, será que museu é mesmo uma coisa chata? Guardar e preservar uma coisa não é trancá-la, mas, sim, zelar por ela para poder observá-la e admirá-la. Sendo assim, um dos eixos do trabalho é a própria discussão sobre o que é considerado patrimônio cultural e que, portanto, vale a pena ser reunido e guardado, levando-se em conta as particularidades de cada região e a sua memória social. Que recursos tecnológicos poderão ser utilizados?

O que temos na nossa cidade que merece tal tratamento? A realização de vários tipos de pesquisa pode colaborar na busca de resposta para a pergunta, permitindo que os alunos aprendam novas informações obtidas em diversas fontes: mapas, livros, imagens, entrevistas com pessoas da cidade ou visitas a museus, para posteriormente decidirem quais os acervos que serão eleitos como parte do museu. A partir do envolvimento em diversas situações de aprendizagem que culminarão na criação de um museu participativo e de autogestão - em que os alunos e pessoas da comunidade interessadas poderão discutir qual o local mais adequado, esquemas de doações e de monitoria -, espera-se que os alunos valorizem cada vez mais seu patrimônio histórico-cultural, bem como a possibilidade de todo e qualquer indivíduo, anônimo ou célebre, ter a sua história de vida registrada e preservada.

Onde pesquisar?

Em arquivos públicos, museus, periódicos locais, livros, Esta atividade permite a CD-ROM e também consulutilização de recursos tecnoló- tando pessoas da comunidade, gicos como máquina fotográa Secretaria de Cultura e Tufica, filmadora, televisão, vídeo, rismo e associações de defesa gravador e computador. do meio ambiente.

O que os alunos aprenderão? • Usar procedimentos de pesquisa como a busca de informações em fontes variadas (livros, jornais, revistas, mapas e junto a pessoas); • Escrever textos informativos e descritivos; • Usar recursos tecnológicos como a máquina fotográfica, o gravador, a filmadora e os computadores para registro de informações sobre pessoas, objetos e lugares; • Usar procedimentos para a organização de acervos, como a coleta de objetos, relatos e informações; o registro e catalogação de objetos e dados obtidos; o planejamento do espaço; a organização de exposições etc.; • Valorizar o patrimônio histórico-cultural e natural. Qual o tempo de duração? Um semestre escolar (4 meses). Que outros produtos poderão ser gerados? Poderão ser produzidos folhetos e cartazes sobre o acervo do museu, utilizandose textos e imagens que fazem parte da exposição. Com este material, os alunos poderão divulgar o museu entre as pessoas da comunidade, convidando-as para visitá-lo.

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3-Patrimônio Arquitetônico Todo o tipo de edificação que faz parte do patrimônio arquitetônico pode ser analisado pelos alunos através deste roteiro. • Nome oficial e popular da edificação, endereço, mapa ou planta de situação, pontos de referência... • Motivo da construção, pessoas ou órgãos envolvidos... • Marco temporal da construção, função inicial e atual da edificação. • Características gerais do espaço em que o bem foi construído, o entorno. • Características originais internas e externas da edificação. • A construção do prédio, materiais utilizados, origem dos materiais empregados. • Técnicas construtivas, elementos decorativos, estilos arquitetônicos, profissionais envolvidos. • Números de peças, função de cada um, características particulares dos espaços internos. • Organização inicial e atual do espaço. • A trajetória do patrimônio construído ao longo do tempo. • Alterações no uso e funções da edificação ao longo do tempo, reformas e intervenções realizadas. • Transformações dos elementos decorativas, mobiliário e entorno da edificação. • A edificação e o meio social contextualização na história da época em que foi construída-os acontecimentos político-sociais e culturais. • Significativos da comunidade e sua relação com essa construção.

4-Monumentos Quais os monumentos, estátuas existem na nossa cidade? Qual a relação desses monumentos com a nossa história? Localização: argumentos para a localização da estátua ou monumento, características gerais do local (paisagem, público que freqüenta), relação do monumento com o local de instalação. Descrição da estátua ou monumentos, material empregado na sua construção, responsável pela idealização e execução, dimensões descrição da ornamentação, elemento complementares.

SUGESTÕES COMPLEMENTARES DE ATIVIDADES 1-Inventariando a cidade O professor pode elaborar junto com os alunos um questionário cujo título pode ser “Reconhecendo a cidade” contendo as seguintes perguntas: •Você conhece a história da sua cidade? Como nasceu a sua cidade? •Desenhe a planta da sua cidade localizando os lugares e os prédios ou casas mais importantes. Educação Patrimonial >> 64

• Conte quantas escolas, cinemas, igrejas, praças existem na sua cidade. • Quais os lugares de diversão que você mais freqüenta. Escreva uma redação sobre este local. • Você sabe onde nasce o rio que passa por sua cidade? Qual a origem do nome do rio? • Faça um desenho do rio desde a sua nascente até che-

gar a sua cidade, identificando os lugares por onde passa. • Desenhe o caminho que você percorre para chegar na escola identificando as casas mais antigas. • Quais são as festas mais importantes da cidade e onde acontecem. Descreva a festa que você considera a mais importante. •Em sua opinião, qual o bem cultural mais importante


da cidade. Por que? • O que você acha que deve ser feito para se preservar os bens culturais da sua cidade. • Quais os problemas que a sua cidade apresenta? • Quais as soluções para estes problemas? • Como é a sua cidade dos sonhos? 2- Elaboração de inventário do acervo cultural da cidade: 1o passo- Peça aos alunos para fazerem um levantamento referente aos bens culturais da cidade contendo informações históricas (construtor, época da construção, primeiros moradores, usos, etc.) e fotografias. Utilizar uma planta cadastral recente da cidade ou localidade. 2o passo- Utilizando uma cópia da planta cadastral da cidade, montar um painel para que os alunos colem as fotografias dos bens culturais mais expressivos na quadra ou região onde se localiza. 3o passo – Montar um mapa (planta cadastral) localizando os principais problemas da cidade.

3- Jogo de Comparações O professor poderá trabalhar essa atividade em sala de aula. 1o passo - Peça para os alunos fazerem uma comparações utilizando fotografias atuais e antigas da região. 2o passo – elabore um formulário guia contendo as seguintes questões, por exemplo: • O que existia e que não existe mais; • O meio de transporte do passado e o atual; • Como se vestiam as pessoas e como se vestem hoje; • Faça uma entrevista com um parente mais velho sobre a sua vida na infância e adolescência : onde morava, onde estudava, se trabalhava, como brincava, lugares que freqüentava, músicas que ouvia, como se vestia. 4- Montagem do Júri simulado: • Escolher um bem cultural com problemas que para ser o objeto de discussão; • Escolher quatro alunos para interpretarem os papéis de dois irmãos a favor da preservação e dois contrários à preservação; • Um grupo de alunos fará o papel do corpo de jurados. 5- Jogo de identificação: • Utilizando fotografias / transparências de objetos e detalhes de prédios; • Dividir a turma em dois grupos. Os alunos terão que identificar os detalhes e objetos.

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