Issuu on Google+

POEIRA


PAULO VELOZO

WWW.OFICINAITSU.COM.BR


ÍNDICE

04

EDITORIAL

12

LORENA KAZ

22

MANIA DE MADEIRA

36

ENSAIO: ABU

54

PLAYLIST POEIRA

64

ENSAIO: ALUISIO BISPO

80

RENATO CAFUZO

90

CAPITAL DO PODRÃO

OLHARES

06

O REFÚGIO EMPOEIRADO DO ROCK

14

NÍCOLAS MARTINS

34

SOMOS NOSOTROS!

46

CAIO LOPES

62

SOCIALIZE IT

74

O LOOK PERDIDO

82


E D I T O R I A L

N o

i n í c i o

v a g a n d o a o

p e l o

m e s m o

S o m o s a

j á

e s t a v a

v a z i o ,

t e m p o

p o r

m u i t a s

n a d a ,

e m

e l a .

v e z e s

p e r c e b e m o s

l á ,

p e l o

e s t a n d o

r o d e a d o s

t o c a m o s e

e l a

m u i t a s

t u d o .

N ó s

s e m

m a s

a

p e r c e b e r

v e z e s

s e m

v ê - l a . F o r m a d a n o s s a

c o m

a

p e l e ,

c a r r e g a n d o

m o r b i d a d e

a n d a a s

p e l o s

d e

n ã o

p r e s e n t e ,

q u e

e m

c o n t r a

p a r t i d a ,

e m

s e u

e s t á g i o e

é

d e

m a i s

c a r r e g a

m a i s

f l o r e s t a s

e s p e r a n ç a

u m

c e n t r o s

l á ,

a c o m p a n h a n d o n a s

o

v a i d a d e

m o r t e q u e

n a

r o c k ,

l i v r o s ,

m a i s

a v e r d e .

e s t á

m a i s

d e

p a r e c e m h u m a n a

d o

q u e

p e s s o a s .

e s t á

v e l h o

d a n d o

c o n s t r u ç õ e s

s a t i s f a z e r E l a

p e l o s

c r e s c i m e n t o

q u e

a b r i g a r

i m a t u r o ,

e l a

a r r a n h a - c é u s à

v i d a ,

n o s

u r b a n o s

u m a

f u t u r o

N o s

d e s e n f r e a d o

c ô m o d o s

i m p r e s s õ e s

p r e t é r i t o

c a m p o s

d e

n a s

d o s

s u r g e

p r o j e t o , e s c u r i d ã o

n o i t e n o

p ú t r i d a ,

e s q u e c i m e n t o

d o b r a s

d o s

n a d e

v i d a

l e v e z a u m

d a

a

n a u m

n a

i d e i a n o v o

f o r m a

d a r k r o o m . . . 4

d o s

c a s a c o s ,

e s t e r e ó t i p o s , d a n d o

n o

e

n a

e l a

é


o

n a d a

e l a A

é

q u e

e s t á

e m

a t e m p o r a l ,

P O E I R A

f o i

e l á

t e m a

t e m

p r o p o s t a

o l h a r

é

d e s t a

e m

a

e s c o l h i d a

p r i m e i r o c o m o

t u d o ,

t o d o s ,

P O E I R A .

c o m o

o

r e v i s t a

o f e r e c e r

t r a n s c e n d e n t e ,

q u e u m

ú n i c o

e

m u l t i f o c a l . A q u i

v o c ê

c o n t e m p l a r á

d i f e r e n t e s

s o b r e

a t r a v é s

d e p o i m e n t o s

d o n a

d e

L i l i a r a

i l u s t r a ç õ e s K a z

e

t r ê s

e n s a i o s

P a r a

o

d e

G r a u

( t + t ) ,

o

o u t r o s ,

d e

a l é m

N o v a s

d e n t r e c o n t a m o s

( P r o j e t o e

E d d u

M a r c e l o

I s a b e l a

B r a v o

M i r a n d a

A n t o n e l l i

D U T Y ,

d e n t r e

u m a

p l a y l i s t

d e

e s p e c i a l

e x p e r i ê n c i a s n a s

d e

P r i s c i l a

T j a n

T h i a g o

H E A V Y

p a r t i c i p a ç ã o

B o a

U m

U r b a n a ) ,

( I n f i n i t t a ) ,

v o c ê

e d i ç ã o

( B a r r a c o # 5 5 ) ,

( T o m a d a

p r ó x i m a s

( r e ) l e i t u r a ,

d a s

L o r e n a

a l é m

M a r c e l l o s

F e i

d a

A b u .

e s t a

V i t o r

N o s o t r o s ) ,

c o m o

f o t o g r á f i c o s ,

F á b i o

o s

C l á u d i o ,

f e r a s

p a r t i c i p a ç ã o

M i d o r i ,

p ó

c o m o

M a r t i n s ,

r e a l i z a r a

m e s m o

L u i s

d e

N i c o l a s

e l e s , c o m

e

o

ó t i c a s

d e

c o m

S e r g u e i .

a g u a r d a m

p o r

p á g i n a s . A l u í s i o 5

B i s p o


OS OLHARES: POEIRA

CADA CABEÇA É UM MUNDO, CADA OLHAR UMA SENTENÇA. A VISÃO QUE LANÇAMOS SOBRE AS COISAS QUE NOS RODEIAM DEFINE A NÓS MESMOS. ASSIM REUNIMOS UM GRUPO IMPROVÁVEL PARA DISSERTAR SOBRE NOSSO TEMA

6


DONA ALICE Sei que o assunto é poeira, mas não sei o que isso tem a ver com o que minha família costuma achar graça das minhas manias. Meu nome é Alice, tenho 75 anos bem vividos MESMO e também tenho a sorte de minha família ser um tesouro que me dá muito amor e carinho. Assim sendo, vamos as minhas manias. Não tenho medo de morrer, mas sim de dar trabalhos aos filhos e netos. Morrer todos nós vamos, tive uma vida boa procurando sempre ser correta. Desse modo acho que Deus me acolherá. Faço só alguns pedidos caso perca a consciência, e é isso que os meninos acham graça. Se eu não puder falar quero que me mantenham limpa e cheirosa, muito cuidado com o hálito e com os xixis. Quando chegar minha, hora vaporizar meu caixão com algo que cheire bem. Quando meu marido ainda era vivo, tinha uma lista para manter a casa em ordem como eu gostaria. Ai estão minhas birutices que minha família acha graça, mas eu acho normal. Esqueci: Não precisam me levar pra passear com cobertor xadrez nas pernas!

7


CARLOS MACHADO A poeira sempre me perseguiu não só ela mesma material, mas simbolicamente através da minha mãe. Todo asmático tem por habito ser superprotegido, o que faz você ficar mais asmático ainda. Você é literalmente sufocado por ela. Imagina minha mãe. Ela é uma pessoa ótima, mas ela me deixava louco com esse negócio de “ Olha a poeira, o cheiro”. Principalmente poeira. Ela vivia limpando aquela casa. Eu fiquei com um asco, um nervosinho de que eu não consigo... Talco, pós.... Tudo que se relaciona a poeira e ao que a poeira pode provocar, me dá nervoso. E é algo tão difícil pra mim, virou algo psicológico, principalmente quando eu era garoto. Quando viajamos e a casa ficava fechada, minha mãe anunciava “ Nossa a casa ta toda empoeirada” . Eu já começava a passar mal na hora. Quem tem asma sabe disso. É horrosos. Você fica arriado na mesma hora. Era engraçado que ando a gente viajava e ia pra praia, eu me desligava e já me sentia bem, mas era só entrar no carro que minha mãe começava “ a casa deve estar empoeirada, o bolor da poeira”. E eu que sempre fui muito imagético já tinha esses como vilões na minha cabeça. E as vezes eu queria jogar bola, mas o asmático se denuncia com os barulhos e minha mãe não podia ouvir pra que pudesse ir. Às vezes eu me sufocava com travesseiro para ela não me ouvir e as vezes eu me sufocava e desmaiava, o que era pior. Minha mãe já achava que eu estava muito mal.Se eu personificasse a poeira seria a barata nojenta feita por um animador bem conhecido em comerciais de publicidade, Valdecir. Eu desde criança imaginava que a poeira era da gangue dessa barata que era cheia de poeira. Há também pessoas, seres humanos poeira. São pessoas que você não dá atenção porque elas te provocam reações que me fazem chegar me casa asmático. Nós somos sinestésicos em relação à profissão. Tem pessoas que me remetem a poeira que me deixam com essa mesma sensação asmática. 8


ZULMIRA GIL A poeira pra mim é como se fosse um exército de micro-organismo que esperam o momento de distração pra atacar. Desde pequena sonhava com ácaros se multiplicando e multiplicando e tacando lixo e poeira em mim até me cobrir toda. Pra quem é alérgico a poeira é quase que uma arma letal. Quando chego em um ambiente com poeira, não preciso nem vê-la ou ouvir alguém falando que tem poeira. Eu simplesmente a sinto e da pior maneira. Já começo a espirrar, já começo a me sentir fraca, meus olhos ficam vermelhos e coçam muito. Ela acaba comigo de uma forma... Hoje por exemplo, pensei que era gripe, mas do jeito que meu olho coço já sei que é ela e já sei onde ela me atacou. Não lembro desde quando eu tenho alergia a poeira. Lembro de as vezes quando criança, limpar a casa e não ter problemas como os que eu tenho agora. Acho que depois que eu tive meus filhos que minha alergia agravou. Já fui a médicos especializados em alergia, já tomei injeção pra alergia, já tomei remédios, mas ela sempre me vence em algum momento e é horrível! E o pior... Eu trabalho o dia todo com processos, diários de contabilidade e pode imaginar que nem todo mundo pensa em fazer limpezas nos livros que entregam a prefeitura. Então... até no trabalho eu sou atacada por ela. Não é que eu viva sempre morrendo por causa de poeira. Tenho minhas medicações, mas as vezes ela consegue avançar minhas barreiras e me ganhar nessa guerra.

9


LUÍS CLÁUDIO Bem, a poeira é um grande inimigo não só das pessoas que tem alergias, mas também quem trabalha em bibliotecas. Eu já trabalhei em algumas e em todas elas, por mais que se faça uma limpeza constante, sempre tem aqueles locais onde aglomera mais poeira, na maioria das vezes são aqueles livros que quase não são consultados ou emprestados, aí ficam muito tempo guardados e acabam sendo prezas fáceis para ela. A poeira na minha vida sempre me “acompanhou”, já que trabalhei em escritórios de advocacia, arquivos de empresas grandes e em grandes bibliotecas, ou seja, não tem como fugir, ela sempre esteve junto comigo, por onde quer que eu vá sempre tem uma poeirinha para limpar. Acredito que ninguém goste da poeira, sem dúvida é um visitante que ninguém gostaria de ter, seja em casa ou no trabalho.

10


LILIARA No meu caso, sendo diarista é ao meu favor a poeira, porque sem ela não há mão de obra. Geralmente de 15 em 15 dias eu tenho vários lugares para tirá-la, aí é que está meu ganha pão. No entanto se deixa-las acumuladas em um certo tempo será prejudicial a saúde de qualquer pessoa no tocante a respiração e alergia, podendo até levar a morte.

11


LORENA KAZ ĂŠ ilustradora, natural do Rio de Janeiro

12


13


O REFÚGIO EMPOEIRADO DO ROCK O BAR MAIS ROCK AND ROLL, COM O PIOR ATENDIMENTO DO RIO. O HEAVY DUTY BEER CLUB AJUDA A MANTER VIVO O ROCK E TODA A CULTURA INERENTE A ELE. E A IMPRESSÃO É DE QUE ELE JAMAIS ESTEVE SOB RISCO DE MORTE.

Por Carol Baptista Fotografia: Aluisio Bispo e Roberto Cruz

14


PORRA

15


Duty abriu em um espaço apertado e escuro, onde motoqueiros e fãs de rock, heavy metal e outras vertentes do estilo se encontravam para beber muito e ouvir bandas ao vivo. A rua era o palco e também onde boa parte do público se acomodava. Em 2006 (ou 2007, Zeca disse não lembrar ao certo) a casa passou para o endereço atual, mais amplo e com uma decoração temática que é, definitivamente, um dos pontos altos do local: bonecos do Alien e do Eddie, do Iron Maiden, peças de motos, guitarras, mostruários de bebidas, um “lustre” de garrafas de cerveja, fotos de bandas, artistas e de frequentadores, mesa de sinuca, chão xadrez e uma iluminação vermelha que, junto a outros muitos detalhes, constroem o ambiente perfeito para o público alvo. E como não falar do famoso Dark Room da casa, com “escuridão total garantida”... mas Definitivamente, ele não morreu. E existe um lugar em que seus seguidores fazem questão de mantê-lo bem vivo, onde a sensação é de voltar um pouco no tempo: roupas pretas, cabelos longos e som alto, em reverência a bandas que tiveram seu auge nas décadas de 70 e 80. Claro que ali ele também se renova, recebendo as novas gerações e dando espaço para que o rock esteja sempre entre nós. A história do heavy duty beer club começou nos anos 90, quando zeca urubu - membro do motoclube balaios - foi consertar a moto em uma oficina na rua ceará na praça da bandeira, rio de janeiro. A oficina era também um bar, já conhecido ponto de encontro do motoclube, e o dono pretendia vender. Zeca, que já foi vendedor na praia e teve barraca de doces na rua, resolveu comprar. Em 1997, o Heavy

16


18


que só fica disponível ao público em festas especiais, como a Vulcânica Rock n Sexy Party. O atendimento é outra característica famosa... conhecido como o bar com o pior atendimento do Rio, a verdade é que não há garçons. Costumam trabalhar na casa os donos, Zeca e sua esposa Alessandra Sampaio e mais alguns poucos funcionários. É praticamente um auto atendimento, o que parece ser mais interessante para os frequentadores. Cada um monta a sua mesa do jeito que achar melhor, pede a cerveja e o petisco direto no balcão e depois de ser avisado pelo dono no microfone(“batata frita pronta, porra!”) volta para buscar. Tudo fica registrado em uma comanda, sem necessidade de controle de consumo por mesa, sem cobrança de 10%, muito

prático para donos e clientes. A cerveja vem extremamente gelada e o cardápio de comida é bastante básico: porções de fritas, de calabresa acebolada, filé mignon aperitivo, nuggets, hamburgueres, dentre outros pratos típicos de boteco. No palco, que parece mudar constantemente de configuração dentro do espaço, tocam bandas diversas, de quinta a sábado. Conversamos com os integrantes da Poeira Atômica, que tem uma história bastante próxima com o local. A vocalista, Zaira Marques, nos contou que a banda - que já tem 7 anos - começou com a reunião de músicos que já tocavam em outras bandas e teve diversas formações desde seu início. O nome - que, claro, nos interessou bastante - foi dado por um amigo dos

19


integrantes. Ao questionarmos o significado, Zaira disse não saber se deveria dizer... em seguida, disse que o amigo comentou que a banda era isso, uma explosão. O que se confirma na voz potente e grave da vocalista e no setlist que traz covers de bandas de Heavy Metal e Heavy Rock como Judas Priest, Black Sabbath, Motörhead, Iron Maiden, Deep Purple, Rainbow, Scorpions, Whitesnake, Metallica, Ozzy e Dio. Outro diferencial está na guitarra de Reinaldo GoreDoom, que não segue o protocolo da maioria dos covers e sempre faz seu próprio solo. A banda, que está se preparando para compor músicas próprias, conta ainda com Rick Ferris no baixo e Sérgio Rato na bateria. A relação do Poeira com seu público é muito próxima, a sensação é de que são amigos tocando para amigos (e muitos são, mesmo, afinal a banda toca no local quase toda semana). Para eles, o local e a quantidade de pessoas importa pouco. Eles já se apresentaram em casamentos, em uma loja de móveis, já tocaram para um público de seis pessoas (com a mesma energia de um show lotado) e Zaira já cantou com seu filho, Heitor Dio, no colo. Em seus perfis em redes sociais, eles dão o aviso: “tocamos em casamentos, confraternizações, enterro de sogra, ou seja, festas em geral. Só não nos peça para tocarmos baixo!!!”. É com o espírito de bandas como essa e um público fiel que o Heavy Duty Beer Club ajuda a manter vivo o Rock e toda a cultura inerente a ele. E tem sido muito bem sucedido, na verdade, a impressão é de que ele jamais esteve sob risco de morte.

20


O p ro p r i e t รก r i o Z e c a

21


MANIA de MADEIRA

NÃO EXISTE MATÉRIA PRIMA MAIS DEMOCRÁTICA. ELA SEMPRE ESTEVE PRESENTE E ESTÁ ESPALHADA PELOS MAIS VARIADOS AMBIENTES. MESMO ASSIM AINDA TEM GENTE QUE A REINVENTA E A COLOCA NO TOPO DA LISTA DAS COISAS QUE QUEREMOS TER. AS INFINITTA DECORAÇÃO E EXPRESSÃO E A T+T, CADA UMA A SEU JEITO, TRANSFORMAM MADEIRA EM ARTE

HARMONIA, EQUILÍBRIO ,

SAM SUA HISTÓRIA E A PAIXÃO

BOM GOSTO E MADEIRA! SÃO

PELO DESIGN ATRAVÉS DE UM

OS PONTOS CHAVE PARA A

TRAÇO DELICADO QUE TIRA

CRIAÇÃO DESSAS DUAS EMPRE-

DA MADEIRA A SUA FACE MAIS

SAS. A CARIOCA INFINITTA, DA

LEVE. FOMOS CONVERSAR COM

DESIGNER ISABELA MIRANDA,

ISABELA E THIAGO PRA SABER

ENCONTRA, REAPROVEITA E

COMO É VIVER PARA RECRIAR

TRANSFORMA OBJETOS COM

E TRANSFORMAR A MAIS RICA

COR E MISTURAS INUSITADAS

DAS MATÉRIAS PRIMAS.

QUE DÃO VIDA NOVA AO MÓVEL E A QUALQUER AMBIENTE QUE OCUPAR. JÁ O CARIOCA THIAGO ANTONELLI E O DINAMARQUÊS THOMAS MACH, FUNDADORES DA T+T EXPRES-

22


Fotografia: Paulo Velozo e acervo t+t Entrevista: Laticia Xerez e Alexandro Sรก


INFINITTA com Isabela Miranda

24


Retina: Como tudo começou e como está a Infinitta? Isabela. A Infinitta começou com a nossa ideia minha e do Du (Eduardo Moura, ex sócio) de abrirmos uma loja com uma proposta nova, de decoração e design, mas eu sempre gostei da transformação,

da mistura do velho com o ultramoderno e do reaproveitamento. Fiz isso a vida toda e agora faço profissionalmente. Encontrar objetos interessantes no lixo , nos brechós e ferrosvelhos sempre me fascinou. Adoro pensar num projeto especifico para aquela peça! O mercado do repaginado é

25

mais difícil do que parece. Embora todos se encantem com as nossas soluções e ideias, o fato de ser antigo ou descartado ainda esbarra no preconceito. Mas está cada vez melhor, é um conceito que veio para ficar que está bem vivo na Europa e isso conta para a adesão do consumidor brasileiro.


R: Como é seu processo que captação de materiais? I. Eu diria que nos produtos que fazemos para a loja , a maioria parte do descartado mesmo, já nos projetos buscamos usar o máximo de madeira de demolição e outras peças antigas, mas às vezes compramos material novo. R: Como é o fator erro dentro da criação de móveis e objetos? Já teve erros que viraram acertos? I. Os erros sempre acontecem. Mas lidamos com o imperfeito então muitas vezes fica fácil contornar o erro e transforma-lo em oportunidade, mas como em qualquer trabalho às vezes a gente vacila mesmo e aí tem de fazer de novo, mudar o caminho.... faz parte.

26


27


R: Como definiu que o seu negócio era projetar móveis? T. Eu e Thomas, nos conhecemos em 2005 na faculdade de design de Umea (Umeå Designhögskolan) na cidade de Umea que fica a uns 1000 km ao norte da capital

de Estocolmo (Suécia). Na época não tínhamos idéia e nem nenhuma pretensão em montar algo juntos, estávamos totalmente dedicados aos projetos da faculdade. A idéia da nossa colaboração veio apenas 5 anos depois, quando resolvi convidar o Thomas

28

para desenharmos móveis em parceria. Para ser mais exato, meu irmão (Luca Antoniolli) me pediu que eu desenhasse móveis para sua casa e eu achei que seria mais divertido desenhar os móveis em parceria do que sozinho. E bastou um e-mail de 3 linhas para convencer


T+T com Thiago Antonelli

meu amigo Dinamarquês a desenhar comigo os móveis do Luca. Na verdade foi muito fácil convence-lo por que sabia da paixão de Thomas em projetar móveis. E é essa paixão em comum que nos fez escolher desenhar cadeiras e mesas, e essa é a paixão que nos mantém

motivados a continuar desenhando. Amamos o que fazemos! R: Quais as dificuldades do mercado? T. Ficamos quase um ano para fechar a linha 2012. Foram muitos desenhos, centenas de e-mails, alguns

29

protótipos e muita dor de cabeça com fornecedores. A chegada do Thélvyo (nosso terceiro t) foi fundamental para que nossos rabiscos saíssem do plano das idéias para a realidade. Hoje nossos móveis estão expostos em Ipanema na loja da galeria021 e temos um belíssimo atelier


30


no coração da floresta da tijuca, na Barrinha. Podemos contar com a parceria de excelentes fornecedores pelo Brasil à fora e estamos montando nossa própria marcenaria no Interior do Rio de Janeiro. R: Como é esse momento em que o projeto sai do papel? T. Ficamos na expectativa que nossos fornecedores executem os projetos exatamente do jeito que imaginamos. O sentimento é de pura ansiedade, “será que vai dar certo?”. São muitas viagens aos subúrbios do Rio, São Paulo e Minas Gerais para fazermos com que tudo saia perfeito. Quando os primeiros móveis ficaram prontos, foi uma sensação muito estranha, queria tranca-los aqui em casa e não queria que ninguém os visse. Não que não tenha gostado do resultado final, pelo contrário. Mas por ser

uma parte de mim, naquele momento desejei mesmo parar tudo por ali. Sempre dá um frio na barriga antes de você mostrar para o “público” o seu trabalho. Já o Thomas, por morar na Suécia, tivemos que mandar a cadeira tt39 pelo correio e ele só pode ver ao vivo os produtos finais alguns meses depois de prontos. Ele me disse, por skype, que se sentou na cadeira e ficou um tempo meditando, imaginando tudo o que a árvore que deu origem a madeira daquela cadeira deve ter presenciado, visto, ouvido e sentido. R: De onde vem a inspiração? T. No começo do processo a inspiração vem de todos os cantos. Referência, natureza, cotidiano urbano etc. Mas, com o passar do processo, lá pela segunda rodada de troca de desenhos é que a coisa começa a ficar interessante e começamos a nos inspirar 31

um nos desenhos do outro. Nesse momento a referência se torna o sketch do outro. Daí a soma, a troca e a colaboração. E é isso o que me encanta na t+t. R: Qual é o grande diferencial da t+t? T. Nesse mercado, eu acredito que o diferencial é a expressão estética de cada marca ou designer. Os gostos de quem consome esse tipo de trabalho varia muito. Há quem ame nosso trabalho e também existe pessoas que não gostem. Não podemos e não queremos agradar a todos, estamos aí para proporcionar mais uma opção. Assim como não existe o melhor filme, também não existe a melhor cadeira, e não temos essa pretensão. Somos uma marca jovem, amamos o que fazemos, mas ainda somos sonhadores e temos que comer muita poeira para poder chegar lá.


N Ă? C O L A S M A RT I N S ĂŠ membro do coletivo La Selva, designer e ilustra nas horas vagas

34


35


ABU

36


37


38


39


42


43


FA B I O A B U 茅 f o t 贸 g r a f o www.fabioabu.com


SOMOS NOSOTROS! Por Aluísio Bispo e Paula Gil

46


TRABALHAR NUM PROJETO AUTORAL, BUSCAR REFERÊNCIAS E AINDA FAZER UMA GRANDE VIAGEM POR TODA A AMÉRICA LATINA. UM SONHO? PARA PRISCILA MIDORI E VICTOR MARCELLO ESSE SONHO É UMA REALIDADE E SE CHAMA NOSOTROS.

Da mesma forma como os gringos veem o Brasil somente como futebol, samba, carnaval, verde e amarelo, calçadão de Copacabana, da mesma forma nós vemos os outros países da América Latina cheia de estereótipos, que vão de sombreros a charutos. Para desmistificar essas ideias padronizadas dos nossos vizinhos que Priscila e Victor criaram o Projeto Nosotros, que tem como objetivo apresentar jovens artistas e criativos, e mostrar que a cultura latina de hoje está no mesmo nível de qualidade de qualquer país desenvolvido. Segundo Victor, a escolha do projeto se realizar na America Latina é por que materiais sobre jovens designers americanos, europeus e japoneses é muito fácil de ser coletado, visto que por aqui é tudo muito recente, faltava uma documentação do que anda ocorrendo. Priscila completa dizendo que isso se deve também ao fato de termos vivido um passado de colônia e de nos espelhar no que vem de fora como se aquilo fosse o melhor, sendo que aqui temos uma cultura muito rica, com muita cor, ritmo, sabor e por isso é hora da gente olhar pra dentro pra começar a ser original. “As pessoas que se destacam aqui são consideradas exceções. A gente queria mostrar que isso não é mais uma exceção, isso é uma realidade” – Victor Marcello Para que o projeto fosse realizado, foi necessário um ano de conversa, planejamento e muita pesquisa para estabelecer um formato e um conceito final. E também um imprescindível o pedido de demissão do trabalho para que dessem início à viagem. Visto isso, o principal objetivo

47


O s A n d e s s e g u n d o o P ro j e t o N o s o t ro s .

foi mostrar que a América Latina está conectada, unida pela arte. A viagem começou pelas pesquisas realizadas pela internet sobre artistas no Uruguai e com isso foi se formando uma rede onde um artista indicava o outro e assim conheciam suas obras, viam exposições e mais trabalhos com os quais se identificavam. Entrevistaram designers, ilustradores, quadrinistas, músicos, toymakers e viram a versatilidade nesses profissionais. Como aqui temos o “jeitinho brasileiro”, nos demais países latinos também em desenvolvimento, há algo parecido. Como Victor diz “temos que aprender a fazer um pouco de tudo, a cultura do “do it yourself “. Na falta de recursos , temos que nos adaptar e acumular funções,

48


A o l a d o , o e n c o n t ro A rg e n t i n o T M D G

o que nos torna profissionais mais completos e preparados. Dentre todos os países visitados o que mais os instigou foi o México pela força, as cores aparentemente mais vibrantes e o orgulho pelo passado e cultura milenares. Os mexicanos se mostraram um povo muito autorreferente ainda que cosmopolitas. Foi no México que perceberam que ainda que o projeto seja referente a cultura latina contemporânea, Victor e Priscila , valorizam muito o passado e sabem o quanto ele enriquece e influencia o que produzimos. Agora o Projeto Nosotros visa mostrar ao mundo que a nós não devemos nada a ninguém quando o assunto é criatividade. Que não temos mais aquele estigma de colônia. Ao mesmo tempo em que internet

49


50


A s b r i n c a d e i r a s q u e s u rg i r a m d o d i a - a - d i a d a v i a g e m

51


Ă l b u m d e v i a g e m : C u b a , M ĂŠ x i c o , C h i l e , A rg e n t i n a e U r u g u a i

52


por um recorte disso”. Já entraram em contato com algumas pessoas e em breve voltaram a fazer as malas. “Começamos essa viagem sem falar uma palavra de Espanhol e hoje, não só sentimos muito orgulho de sermos latinos, como também sabemos o quanto os outros países têm orgulho de ter o Brasil como parte dessa identidade. “ – Priscila Midori

diluiu as fronteiras, ela nos fez enxergar o nosso verdadeiro potencial. “Somos o que há de mais fresco no cenário cultural e devemos parar de olhar tanto pra fora e voltar a atenção a nós mesmos.” diz Victor Marcello. Com relação a visão do Projeto Nosotros sobre o Brasil, eles dizem que é o nosso país é a fase final do projeto e também a mais difícil para seleção de artistas, já que, segundo eles, “[...]existem vários Brasis dentro do Brasil, e vamos ter que optar

+ em www.projetonosotros.com

53


PLAYLIST POEIRA

QUANDO SE FALA EM POEIRA, QUE MÚSICAS VÊM À SUA MENTE? FOI COM ESTA PERGUNTA QUE FOMOS ATRÁS DE PESSOAS DE UNIVERSOS DIFERENTES E MONTAMOS UM RICO REPERTÓRIO.

54


SERGUEI Cantor 1 - Stairway to Heaven - Led Zeppelin 2 - Lucy in the Sky With Diamonds - The Beatles 3 - Sympathy For The Devil - Rolling Stones 4 - Mam達e eu Quero - Carmen Miranda 5 - Maneiras - Zeca Pagodinho

55


CRENTE CREW Grupo de Rap 1 - Húmus - Crente Crew 2 - Isso é Crente Crew - Crente Crew 3 - Amanhecer - Crente Crew 4 - Os Pretos - Movimentos Enraizados 5 - Cinza Sujeira - Mc Coé, Aírá e Acme

56


DEDO. É um membro que nasce da palma da mão, ou do pé. São divididos entre si, e tem unhas. h t t p : / / o d e d o . t u m b l r. c o m / O Automaton Longe. Construído para oferecer grandes seleções de músicas, está totalmente ligado a qualquer tipo de entretenimento. Participa de festas ocupando lounges e lugares específicos. Automaton Longe defende suas escolhas, abaixo. A v DEDO ida é. Life is Sweet.

Coletivo de Arte A p1r o- pFlashback o r ç ã o p aRepository r a o m e r e -n g ue é sempre: Untitled 2 - Outer Limits Recordings - Driving at Night 2 5 03 g- rMatrix a m a s Metals d e a ç ú- cTanning a r p a r aSalon 4 claras. 4 - Explorers - That Beneath of Realms Fermenting 5 - James Ferraro + Sam Meringue + 90210 - Untitled

M e r i n g u e , ( m ə ˈ r æ ŋ , m ə - r a n g ; F r e n c h p r o n u n c i a t i o n : [ m e ˈʁɛ ̃ g ] ) i s a type of dessert, often associated with Swiss and French cuisine, m a d e f r o m w h i p p e d e g g w h i t e s a n d s u g a r, a n d o c c a s i o n a l l y a n a c i d s u c h a s c r e a m o f t a r t a r o r a s m a l l a m o u n t o f v i n e g a r. Sam Mehran [pronounced ‘merr-anne’ ] (bor n August 18, 1986) also known as Sam Meringue, is an American Australian musician best k n o w n f o r b e i n g a m e m b e r o f s h o r t l i v e d b a n d Te s t I c i c l e s , a s w e l l as having been in a large number of other side projects. Se não o utilizar ou servir de imediato, cubra o merengue com uma folha de película transparente e conserve-o.

57


GUILHERME ROCHA Inspetor Escolar 1 - Não toque no ungido - Damares 2 - Poeira da Estrada - Andréa Fontes 3 - Pintou Sujeira - Exaltasamba 4 - Será que é Amor - Exaltasamba 5 - Eu fui Comprado - Fernandinho

58


FABIANO MORENO Músico/Guitarrista do BNegão & Seletores de Frequência 1 - Il Buono il Brutto il Cattivo - Ennio Morricone 2 - The Straight Story - Angelo Badalamenti 3 - If You’ve Never Been in Love - John Lee Hooker 4 - RV - Faith No More 5 - Chicago breakdown - Jelly Roll Morton

59


MARCELO GHIZI Designer 1 - Long, long, long - The Beatles 2 - Cucarachas Enojadas - Tito & Tarantula 3 - O Doce e o Amargo - Secos e Molhados 4 - Sangue de Barro - Chico Science e Nação Zumbi 5 - Clint Eastwood - Gorillaz

60


61


CAIO LOPES ĂŠ Ilustrador e Designer

62


63


A VELHA HISTÓRIA Por Aluisio Bispo

64


65


66


67


68


69


70


71


72


73


descobriram a classe c, ou d, ou baixa, ou qualquer que seja o nome pejorativo e, não dá pra disfarçar, povão está na moda. Mas se o mundo enxerga a periferia, a periferia enxerga o mundo? Passo a passo a previsão pode ser otimista, mas por enquanto nossa

SOCIALIZE IT

cultura ainda é distribuída como a renda: desigual! E não é raro encontrarmos no meio da gente, pessoas que lutam para agitar a vida cultural de norte a sul. Dessa vez achamos o Barraco #55 e o Tomada Urbana.

74


75


BARRACO #55

Aluisio Bispo

76


Holanda, quando Fei e Ellen, que trabalhavam em seu Trabalho de Conclusão de Curso , Ellen resolveu fazer uma vivência no Morro do Complexo do Alemão, onde contou com a ajuda de Eddu, já Fei resolveu fazer a sua vivência na Colômbia , onde conheceu Rodrigo. Após essa vivência de comportamento do local e de pessoas que habitavam naquele local. Fei e Ellen retornaram para Holanda, trocando experiências que ambas viveram em seus respectivos projetos , surgiu uma idéia de se juntarem , já que o Eddu já havia comentado com Ellen o seu desejo de criar algo que realmente fosse pra comunidade e não pro pessoal fora dela. Ellen que era amiga de Fei a convidou para participar do projeto , assim Fei fez o mesmo com Rodrigo. Após muitas conversar os quatros resolveram colocar a mão na massa e fazer o projeto virar realidade. Fei e Ellen organizaram uma pequena festa na Holanda com a ajuda de familiares para conseguirem um dinheiro para poderem voltar ao Brasil e procurar um “barraco” para o projeto. Aliás, o nome “barraco” foi dado justamente com a intenção de caracterizar como algo que é instalado na favela. Eles não queriam um projeto sediado no asfalto e realizado na comunidade, eles queriam algo da comunidade pra comunidade. O “55” veio pelo fato de ser este o código telefônico do Brasil. Enfim, a ideia era dizer que era o “Barraco do Brasil”. Para manter as atividades do Projeto, eles criaram um hostel (albergue), assim pessoas de vários lugares podem permanecer ali para conhecer um outro Rio de Janeiro (pouco mostrado lá fora) e, quem quiser, participar das ações do Barraco #55. Perto da sede do projeto fica a praça onde são realizadas as atividades, dentre elas: oficinas de inglês, de música e audiovisual, além do CineMoto. Todas as atividades são gratuitas. A renda do projeto é oriunda do hostel e da colaboração de amigos e familiares. O Barraco#55 inicia, apoia e facilita projetos em todas as áreas: sustentabilidade, inclusão social, arte e cultura (música, audiovisual), mas também está aberto a novos projetos. Fundamental em sua forma de trabalhar é a colaboração e a interação com os moradores locais, e da troca de cultura.

é uma incubadora para projetos comunitários, onde os interessados em cultura, artistas, estudantes e pesquisadores podem ficar para colaborar e resolver os problemas locais sócio-culturais. As atividades são realizadas no Complexo do Alemão. O Complexo do Alemão é um conjunto de treze favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro. Considerada durante muitos anos como uma das mais violentas da cidade, abriga aproximadamente quase 400.000 habitantes, entre esses encontram-se artistas, ativistas, além de ONGs e associações. É um lugar muito interessante que tem se desenvolvido paralelamente ao resto da sociedade brasileira, devido ao descaso do Estado por décadas. Lá, a vida está organizada de uma forma muito particular: o espírito criativo e a capacidade de improvisação dos moradores é muito inspiradora. Além disso, a cultura da favela é única e muito mais rica do que somente funk carioca, como a mídia muitas vezes tenta nos fazer acreditar. O projeto foi criado por quatro jovens, Eddu, Fei, Ellen e Rodrigo, que acreditam no potencial da arte e da cultura de conectar pessoas além do desenvolvimento social e humano, principalmente em áreas pobres. Eddu Grau é um carioca músico-compositor, cantor e guitarra e ativista social. Nascido e criado no Complexo do Alemão, ele sabe muito sobre a realidade local social e econômica, os problemas, as necessidades e potencialidades. Fei Um Tjan e Ellen Sluis, holandesas, trabalham com novas mídias. Nos últimos anos elas têm feito projetos de mapeamento, visualizando histórias e sonhos da juventude de Amsterdã em diferentes linguagens de mídia (fotografia, texto, áudio, vídeo). Ambas viveram e trabalharam na América do Sul há vários anos em projetos semelhantes. Rodrigo Saavedra é um ativista social colombiano e artista, músico, baixista, saxofonista e técnico audio visual. Ele sabe tudo sobre o fazer e não fazer de um centro cultural depois de ter tido o seu próprio em Bogotá até 2008. Os quatro de formam uma dinâmica, diversificada, crítica, e acima de tudo muito entusiasta equipe, acreditando no potencial do Barraco # 55 para reunir as pessoas e conseguir uma mudança local. Tudo teve início numa universidade da 77


TOMADA URBANA

Paula Gil

Fotografia: Acervo dos projetos, AluĂ­sio Bispo e Ladylaine Machado

78


Um evento diferente que reúne teatro, arte e cultura livre: essa é a definição da Tomada Urbana. A Tomada Urbana – ato VI é uma mostra de teatro de rua realizada desde 2009 em Barra Mansa, Região Sul-Fluminense do Estado do Rio de Janeiro. Nela ocorrem apresentações do Coletivo Teatral Sala Preta e de grupos convidados de cidades brasileiras e da América Latina como Quito, no Equador e da capital mexicana Cidade do México. Além de espetáculos a ‘Tomada’ oferece oficinas para os grupos participantes, atividades abertas à comunidade, palestras, mesas redondas e atividades paralelas como intervenções urbanas e performances. Com sua 4ª edição em dezembro de 2012, a mostra tem como objetivo a interação artística entre a silhueta urbana e o público. A ideia é ocupar todo o espaço urbano com o teatro de rua objetiva transformando o espaço numa “realidade figurativa”. O Evento também almeja ampliar suas ações levando para os bairros e distritos de Barra Mansa sua programação com espetáculos inéditos e convidados de outras cidades brasileiras e da América Latina. “Quando falamos de consumo de

cultura, não necessariamente referimos ao valor instituído do ingresso pago, mas sim à presença que o espectador dedica à “acontecência” espontânea que interrompe seu cotidiano. O teatro de rua é, comumente, compreendido como um modo espetacular que busca este lugar de convivência pública. A rua é o lugar de encontro com um público particular, o público popular.” Diz Marcelo Bravo, produtor da Tomada Urbana. Para um evento que começou em 2009 com apenas o repertório do Coletivo teatral Sala Preta, a cada nova edição se expande para outros bairros e aumenta seu repertório. Isso permitiu aos organizadores compreender a importância da troca de saberes e experiências entre agrupações artísticas de diversas localidades para a construção e consolidação do processo cultural barramansense e também da região onde está inserido o Sala Preta. Em 2013, pretende-se uma programação ainda mais ampla, com novas localidades atendidas, e atividades paralelas. A Tomada Urbana – ato IV garante a continuidade de um evento exitoso, além de promover o intercâmbio nacional e internacional entre artistas de teatro. 79


R E N AT O C A F U Z O Ilustrador e designer formado pelo Senai-RJ e sócio na Palafita Comunicação e Artes

80


81


82


83


84


85


86


87


88


Fotografia: Leticia Xerez Produção: Ladylaine Machado Modelo: Priscila Luzardo Apoio: Brechó do Casarão

89


QUE

?

UMA FINA SELEÇÃO DOS PODRÕES MAIS CLÁSSICOS DO RIO. PARA SABER ENDEREÇOS E DETALHES DE CADA UM, ACESSE NOSSA PÁGINA 90


Alfa e Omega Sanduicheria Alves Batata

Carioca

Super Sanduicheria

Solanches B i r a ’s D o g Alexa Lanches

K e l l ’s B u rg e r

Barraca sem nome

Caldo da Tia

Oliveira Gigantão do Biofá

L e a n d ro L a n c h e s

Lobão Lanches

Seu Zé da Kombi / B a r r a c a d a P re g u i ç a

SM Lanches

C a c h o r r ã o d a Vi o l a n t e

91

Barraca de Caldos do Sebastião


92


Revista Retina #1