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Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS Redação Jornalística II – 2011/2 Professor: Anelise Zanoni Cardoso Nome: Letícia Rossa

Exercício: Perfil – Juliana Bublitz

Juliana Bublitz: a repórter-coragem Em meio a 230 jornalistas, ela digita. As mãos ansiosas que passeiam sobre o teclado e os olhos que acompanham as palavras na tela do computador são os mesmos que, minutos antes, observaram e anotaram dados que serão lidos no próximo dia nas páginas da Zero Hora. O ponteiro ansioso do relógio gira depressa, mostrando que o tempo para a matéria a ser redigida está se esvaindo. A missão de Juliana Bublitz, repórter das editorias de Geral e Polícia, não é fácil. O prazer, entretanto, compensa qualquer esforço. As conversas, piadas e ruídos típicos de uma redação nem são mais ouvidos por ela. Após 10 anos de profissão, a jornalista aprendeu a lidar com a falta de tempo e a rotina imprevisível. “É cansativo, mas bastante interessante ter que destrinchar uma pauta em poucas horas. Vivemos em uma constante luta contra o tempo”, comenta. A fala agitada de Juliana une-se à coragem que a repórter insere em cada palavra que escreve ou pronuncia. O jeito moleca aliado à seriedade e à dedicação profissional renderam a ela dois prêmios Ari e uma indicação ao Esso, honrarias concedidas aos melhores do Jornalismo de cada ano. Um dos motivos do sucesso precoce, como ela mesma gosta de enfatizar, é a falta de medo. Juliana não se sente intimidada por nada. A jornalista diz sim às pautas, recarrega suas baterias com um bloco de papel e caneta em mãos e parte para a rua. “Venha o que vier, não tenho muito a perder. Se eu tiver receio de algo, nunca vou sair do lugar”, afirma. Do Interior para a Capital Ela fez o processo inverso. Ao invés de se destacar primeiramente na redação de Porto Alegre da Zero Hora, Juliana tornou-se conhecida no Interior. Sua atuação como correspondente aconteceu no Vale do Rio Pardo, época em que ficou responsável pela cobertura de 20 municípios. A simplicidade das comunidades pequenas fez com que a jornalista desenvolvesse reportagens que contassem a história de pessoas anônimas, que


contribuem de modo discreto, porém importante, para o crescimento de sua região. “Os indivíduos do interior são mais humildes e abertos. Eu chegava nas casas de desconhecidos e saía de lá sabendo de coisas incríveis”, explica Juliana. A disposição de Juliana para pôr o pé na estrada, ingressar nas favelas em meio a uma troca de tiros, se sujar com a lama que sobe até os joelhos e conhecer pessoas e suas histórias, fez com que ela possuísse, em pouco tempo, um currículo de dar inveja. As experiências vivenciadas por ela ao longo da última década ultrapassaram os limites profissionais. “O meu trabalho é o único que permite que em um dia eu esteja na vila mais miserável do Rio Grande do Sul e no outro participe de um coquetel na sala do governador. Melhorei muito na minha vida pessoal ao enxergar estas diferenças”, revela. A repórter especial Aos 32 anos, ela mantém um sonho. Apesar de declarar-se apaixonada pelas editorias de Polícia e Geral, a repórter-coragem Juliana Bublitz quer, um dia, ser correspondente especial. “Eu acho muito interessante o jornalista que viaja para algum lugar e conta como ele é para as pessoas. É o nosso olhar do mundo”, explica. Ela sentiu um gostinho do que é ser uma enviada especial no último mês de julho, quando passou sete dias em Porto Seguro, na Bahia. Sua missão foi acompanhar in loco tudo o que estudantes de todo o país fazem no município nordestino nas tradicionais viagens escolares. A cobertura rendeu uma reportagem de três páginas para a Zero Hora e alguns vídeos para a ZH online. “O mais importante foi observar, sentir o cheiro e entrar no clima para poder contar as histórias direito”, diz. As centenas de comentários positivos e negativos sobre a reportagem fizeram com que a jornalista ficasse satisfeita o resultado do seu trabalho. Os sete dias passados na Bahia foram apenas uma prévia do que o futuro pode estar reservando para Juliana Bublitz. Ela vai para onde ela quer e não tem limites.

Juliana Bublitz: a repórter-coragem  

Perfil elaborado para a disciplina de Redação Jornalística II da Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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