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montanhas e navegavam sobre as planícies agrícolas anteriores ao rio Acanthus. A maioria dos humanos tinha deixado aquela região, fora massacrada pela guerra ou por diversão. Mas ainda havia alguns se soubessem onde procurar. Eles voaram adiante, o prateado de uma lua crescente se erguendo cada vez mais: a Foice da Velha. Uma boa noite para caçar se o rosto impiedoso da Deusa os acompanhasse, embora a escuridão da lua nova — a Sombra da Velha — fosse sempre preferível. Pelo menos a Foice fornecia luz o suficiente para que Manon enxergasse conforme verificava a terra. Água — mortais gostavam de morar perto de água, então ela seguiu na direção de um lago que vira semanas antes, mas que ainda não havia explorado. Ágeis e reluzentes como sombras, as Treze dispararam pela terra encoberta pela noite. Por fim, o luar refletiu fracamente sobre um pequeno corpo d’água, e Abraxos deslizou naquela direção, mais e mais para baixo, até que Manon pudesse ver o reflexo dos dois na superfície lisa, ver a capa vermelha flutuando atrás de si, como um rastro de sangue. Atrás, Asterin gritou, então a líder se virou para ver a imediata estender os braços e se reclinar para trás na sela, até estar deitada de costas na coluna da montaria, os cabelos dourados soltos e esvoaçantes. Um êxtase tão selvagem; havia sempre uma alegria voraz e indomada quando a prima voava. Manon perguntava-se se a imediata às vezes escapulia à noite para voar usando nada além da própria pele, abrindo mão até mesmo da sela. A líder olhou para a frente e franziu a testa. Graças à Escuridão que a Matriarca das Bico Negro não estava ali para ver aquilo, ou não seria apenas Asterin que estaria ameaçada. Seria o pescoço da própria Manon também, por permitir que tal selvageria fosse cultivada. E por ser incapaz de contê-la por completo. A bruxa viu um pequeno chalé com um campo cercado. Uma luz tremeluzia na janela; perfeito. Além da casa, trechos de branco sólido reluziam, claros como a neve. Melhor ainda. Manon desviou Abraxos na direção da fazenda, na direção da família que — se fosse esperta — ouvira o ecoar das asas e se abrigara. Nenhuma criança. Era uma regra silenciosa entre as Treze, mesmo que alguns outros clãs não tivessem problemas com aquilo, principalmente as Pernas Amarelas. Mas homens e mulheres eram parte do jogo se elas quisessem se entreter.

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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