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que ele amara... talvez tivesse se afogado no amplo e cruel mar entre Forte da Fenda e Wendlyn. Talvez tivesse morrido nas mãos dos príncipes valg. Ou quem sabe ele fora um tolo durante todo aquele tempo, um tolo ao ver as vidas que ela tomou e o sangue que tão irreverentemente derramou, sem se sentir enojado. Havia sangue nela naquela noite; Aelin matara muitos homens antes de encontrá-lo. Nem mesmo se incomodara em se limpar, não pareceu notar que vestia o sangue dos inimigos. Uma cidade... ela envolvera uma cidade com suas chamas e fizera uma rainha feérica estremecer. Ninguém deveria possuir aquele tipo de poder. Se Aelin podia fazer uma cidade inteira queimar como vingança por uma rainha feérica ter chicoteado um amigo... O que faria com o império que escravizara e massacrara seu povo? Chaol não contaria a Aelin como libertar a magia; não até que tivesse certeza de que ela não reduziria Forte da Fenda a cinzas no vento. Bateram à porta; duas batidas eficientes. — Deveria estar em seu turno, Nesryn — disse Chaol, como um cumprimento. Ela entrou, com a suavidade de um felino. Durante os três anos em que o capitão a conhecia, Nesryn sempre tivera aquele modo silencioso e esguio de se mover. Um ano antes, um pouco arrasado e inconsequente devido à traição de Lithaen, aquilo o intrigara o bastante para que ele passasse o verão compartilhando a cama dela. — Meu comandante está bêbado e com a mão dentro da blusa de qualquer que seja a nova garçonete no colo dele. Não vai reparar em minha ausência durante um tempo. — Um leve interesse brilhou nos olhos escuros da mulher. O mesmo tipo de interesse que estava ali no ano anterior, sempre que se encontravam em pousadas, ou quartos acima de tavernas, ou às vezes até mesmo contra a parede de um beco. Chaol precisara daquilo — da distração e do escape — depois que Lithaen o deixou pelo charme de Roland Havilliard. Nesryn estava apenas entediada, aparentemente. Ela jamais o procurou, jamais perguntou quando o veria de novo, portanto os encontros dos dois sempre foram iniciados por ele. Alguns meses depois, Chaol não se sentiu particularmente mal ao partir para Endovier e parar de vê-la. Nunca contara a Dorian... ou a Aelin. E, quando esbarrou em Nesryn três semanas antes em uma das reuniões dos rebeldes, ela não parecera amargurada. — Você lembra um homem que levou um chute no saco — comentou ela, por fim. Chaol lançou um olhar para a mulher. E porque de fato se sentia daquela forma, porque talvez estivesse mais uma vez se sentindo arrasado e inconsequente, Chaol

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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