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língua, então os dedos da mulher pararam no cabo bem polido. — Decido poupar você e é assim que me paga? — perguntou ela, puxando o capuz para trás. — Não sei muito bem por que estou surpresa. A rebelde soltou a faca e tirou o próprio capuz, revelando um rosto bonito e bronzeado; sério e totalmente destemido. Os olhos escuros se fixaram em Aelin, avaliando-a. Aliada ou inimiga? — Diga-me por que veio até aqui — pediu a rebelde, baixinho. — O capitão diz que você está do nosso lado. Contudo, se escondeu dele no Cofres hoje à noite. Aelin cruzou os braços e se recostou contra a úmida parede de pedra. — Vamos começar com você me dizendo seu nome. — Meu nome não é de sua conta. Aelin ergueu uma sobrancelha. — Você exige respostas, mas se recusa a me dar qualquer uma em troca. Não foi à toa que o capitão a deixou fora da reunião. É difícil entrar no jogo quando não se sabe as regras. — Ouvi falar do que aconteceu no último inverno. Que você foi até o armazém e matou tantos de nós. Assassinou rebeldes... meus amigos. — Aquela máscara fria e calma nem mesmo vacilou. — No entanto, agora devo acreditar que você estava do nosso lado esse tempo todo. Perdoe-me se não estou sendo franca. — Eu não deveria matar as pessoas que sequestram e espancam meus amigos? — retrucou Aelin, baixinho. — Não devo reagir com violência quando recebo bilhetes ameaçando matar meus amigos? Não devo estripar o desgraçado egoísta que fez com que minha amada amiga fosse assassinada? — Ela se afastou da parede e caminhou na direção da mulher. — Gostaria que eu pedisse desculpas? Deveria me ajoelhar por alguma dessas coisas? — O rosto da rebelde não demonstrou nada, ou por treinamento ou por frieza sincera. Aelin riu. — Foi o que pensei. Então por que não me leva até o capitão e guarda o discurso besta e arrogante para depois? A estranha olhou para a escuridão mais uma vez e sacudiu a cabeça devagar. — Se não tivesse colocado uma lâmina contra minha garganta, eu teria dito que chegamos. — A rebelde apontou para o túnel adiante. — De nada. Aelin pensou em atirar a mulher contra a parede imunda e úmida apenas para lembrá-la de quem, exatamente, era a campeã do rei, mas então uma respiração irregular chegou aos ouvidos dela, vindo daquela escuridão. Respiração humana, assim como sussurros.

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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