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Aelin odiava os esgotos. Não porque eram imundos, fétidos e cheios de pragas. Na verdade, eram uma forma conveniente de percorrer Forte da Fenda despercebida e imperturbada se a pessoa conhecesse o caminho. Ela os odiava desde que fora amarrada e deixada para morrer ali, cortesia de um guarda-costas que não aceitara muito bem os planos da jovem de assassinar seu mestre. Os esgotos tinham enchido, e, depois de se soltar das amarras, ela nadou — nadou mesmo — na água pútrida. Mas a saída estava selada. Sam, por pura sorte, a salvou, mas não antes de Aelin quase se afogar, engolindo metade do esgoto no meio disso. Ela levou dias e inúmeros banhos para se sentir limpa. E incontáveis vômitos. Portanto, ao entrar naquele bueiro e fechar a grade acima... Pela primeira vez naquela noite, as mãos de Aelin tremeram. Mas ela se obrigou a superar o resquício do medo e começou a andar silenciosamente pelos túneis escuros, iluminados pelo luar. Ouvindo. Seguindo para o sudeste, pegou uma seção grande e antiga, uma das principais conexões do sistema. Provavelmente estava ali desde o momento em que Gavin Havilliard decidira estabelecer aquela capital ao longo do Avery. Aelin parava de vez em quando para ouvir, mas não havia sinais dos perseguidores. Uma interseção de quatro túneis diferentes surgiu adiante, e a jovem reduziu o passo, segurando as facas de luta. Os dois primeiros caminhos estavam claros; o terceiro — aquele que levaria diretamente até o capitão caso ele estivesse se dirigindo ao castelo — estava mais escuro, porém era largo. E o quarto... Sudeste. Aelin não precisava dos sentidos feéricos para saber que a escuridão que saía do túnel sudeste não era do tipo comum. O luar das grades acima não a penetrava. Nenhum ruído era emitido, nem mesmo o farfalhar dos ratos. Outro truque de Arobynn... ou um presente? Os sons distantes que Aelin seguia vinham daquela direção. Contudo, os rastros morriam ali. Ela caminhou de um lado para outro com quietude felina diante do limite em que a luz fraca sumia para dentro da escuridão impenetrável. Silenciosamente, pegou uma pedra no chão e atirou contra o breu adiante. Não houve som de retorno da pedra caindo. — Eu não faria isso se fosse você. A jovem se virou na direção da fria voz feminina, casualmente inclinando as facas. A segurança encapuzada do Cofres estava recostada contra a parede do túnel,

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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