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Havia homens gritando nas masmorras. Ele sabia disso porque o demônio o obrigara a caminhar ali, passando por cada cela e mesa de tortura. Achava que conhecia alguns dos prisioneiros, mas não lembrava seus nomes; jamais conseguia se lembrar de nomes quando o homem no trono ordenava que o demônio observasse o interrogatório. O demônio ficava feliz em obedecer. Dia após dia após dia. O rei jamais fazia perguntas. Alguns dos homens choravam, alguns gritavam e alguns permaneciam em silêncio. Até mesmo desafiadores. No dia anterior, um deles — jovem, belo, familiar — o reconhecera e implorara. Implorara por perdão, insistira que não sabia de nada e chorara. Mas não havia nada que ele pudesse fazer, mesmo enquanto os observava sofrer, mesmo enquanto as câmaras se enchiam com o fedor de carne queimando e com o odor pungente e acobreado do sangue. O demônio se deliciava com aquilo, ficando mais forte a cada dia que descia até lá e inspirava a dor deles. Ele juntava o sofrimento dos presos às memórias que lhe faziam companhia, deixando que o demônio o levasse de volta à masmorra de dor e desespero no dia seguinte e no seguinte.

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Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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