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para Maeve que sou uma péssima música. — Ela apontou para um ponto no palco. — Ali. Fique ali e pare de falar, seu desgraçado insuportável. Rowan riu, então se moveu até o ponto indicado. Ela engoliu em seco ao se sentar no banco liso e abrir a tampa do piano, revelando as teclas brancas e pretas reluzentes abaixo. Aelin colocou os pés nos pedais, mas não fez menção de tocar o teclado. — Não toco desde antes de Nehemia morrer — admitiu ela, as palavras pesadas demais. — Podemos voltar outro dia se quiser. — Uma oferta carinhosa e firme. Os cabelos prateados de Rowan brilharam à luz fraca da vela. — Pode não haver outro dia. E... eu consideraria minha vida muito triste se jamais tocasse de novo. O guerreiro assentiu, cruzando os braços. Uma ordem silenciosa. Aelin encarou as teclas e, devagar, apoiou a mão no marfim. Era liso, frio e à espera... uma imensa besta de som e alegria prestes a ser acordada. — Preciso me aquecer — disparou ela, então mergulhou, sem mais uma palavra, tocando o mais suavemente possível. Depois que começou a ver as notas na mente de novo, quando a memória muscular fez com que os dedos se estendessem, buscando aqueles acordes familiares, Aelin começou. Não foi a peça triste e linda que certa vez tocara para Dorian; não foram as melodias leves e dançantes, que tinha tocado para se divertir; não foram as peças complexas e inteligentes, que tocara para Nehemia e Chaol. Aquela peça era uma comemoração — uma reafirmação da vida, da glória, da dor e da beleza em respirar. Talvez por isso Aelin tivesse assistido à peça todo ano, depois de tantas mortes e torturas e punições: como um lembrete do que ela era, do que lutava para manter. Ascendendo mais e mais, o som saindo do piano como a canção do coração de um deus, até Rowan caminhar para ficar ao lado do instrumento, até Aelin sussurrar para ele: “Agora” e o crescendo se despedaçar no mundo, nota após nota após nota. A música explodiu ao redor deles, rugindo pelo teatro vazio. O silêncio oco que habitara Aelin por tantos meses agora transbordava com som. Ela levou a peça à conclusão com o acorde final, explosivo e triunfante. Quando ergueu o rosto, levemente ofegante, viu que os olhos de Rowan estavam cheios d’água e que engolia em seco. De alguma forma, depois de todo aquele tempo,

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Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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