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— Basta — ordenou o duque, e o fogo desapareceu da mão de Kaltain. O jovem desabou no tapete, soluçando ofegante. O homem apontou para as cortinas nos fundos da tenda, que sem dúvida ocultavam uma área de dormir. — Deite-se. Como uma boneca, como um fantasma, a mulher se virou, aquele vestido de meianoite girando também, e caminhou até as pesadas cortinas vermelhas, atravessando-as como se ela não passasse de névoa. O duque caminhou até o rapaz e se ajoelhou diante dele no chão. O preso ergueu a cabeça, sangue e lágrimas se misturavam em seu rosto. Mas os olhos de Perrington se fixaram nos de Manon conforme colocou as enormes mãos de cada lado do rosto do soldado. E quebrou seu pescoço. O estremecimento do estalo da morte percorreu a bruxa como a nota desafinada de uma harpa. Normalmente, ela teria rido. Contudo, por um segundo, sentiu sangue azul quente e pegajoso nas mãos, sentiu a impressão do cabo da faca em sua palma quando segurou com força para cortar a garganta daquela Crochan. O soldado desabou no tapete conforme o duque se levantou. — O que quer, Bico Negro? Como a morte da Crochan, aquilo fora um aviso. Fique de boca fechada. Mas ela planejava escrever para a avó. Planejava contar tudo que acontecera: aquilo e que o clã das Pernas Amarelas não fora visto nem ouvido desde que entrara na câmara sob a Fortaleza. A Matriarca voaria até ali e começaria a partir colunas. — Quero saber por que nosso acesso ao clã das Pernas Amarelas foi bloqueado. Estão sob minha jurisdição, portanto, tenho o direito de vê-las. — Foi bem-sucedido; é tudo de que precisa saber. — Deve ordenar a seus guardas imediatamente que deem a mim e as minhas permissão para entrar. — De fato, dezenas de sentinelas tinham bloqueado o caminho de Manon, e, a não ser que as matasse para passar, não tinha como entrar. — Você escolhe ignorar minhas ordens. Por que eu deveria seguir as suas, Líder Alada? — Não terá um maldito exército para montar aquelas serpentes aladas se trancafiar todas para seus experimentos de procriação. Elas eram guerreiras — eram bruxas Dentes de Ferro. Não eram bens para servirem de procriadoras. Não deveriam ser cobaias. A avó de Manon o destruiria.

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Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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