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Então Aelin afastou o colarinho da túnica para revelar um fino colar de cicatrizes. — Baba Pernas Amarelas, a Matriarca do clã de bruxas Pernas Amarelas, me deu essas daqui quando tentou me matar. Cortei a cabeça dela, então esquartejei o cadáver e o enfiei no forno de seu vagão. — Eu me perguntava quem teria matado Pernas Amarelas. — Aelin podia tê-lo abraçado somente por aquela frase, pela ausência de medo ou nojo naqueles olhos. Ela caminhou até o bufê e tirou uma garrafa de vinho de dentro do armário. — Fico surpresa por vocês, animais, não terem bebido todo meu álcool decente durante os últimos meses. — Aelin franziu a testa para o armário. — Parece que alguém andou atacando o brandy. — O avô de Ren — respondeu Aedion, seguindo os movimentos de Aelin de onde estava, ao lado da janela. A jovem abriu a garrafa de vinho e não se incomodou com uma taça ao desabar no sofá e beber. — Esta aqui — continuou ela, apontando para uma cicatriz irregular no cotovelo. Aedion deu a volta no sofá e se sentou ao lado da prima. Ele ocupava quase metade do móvel. — O lorde pirata da baía da Caveira me deu essa marca depois que destruí sua cidade inteira, libertei os escravos e me saí muito bem enquanto fazia tudo isso. Seu primo pegou a garrafa de vinho, então bebeu. — Alguém já ensinou humildade a você? — Você não aprendeu, por que eu deveria? Aedion riu, então mostrou a mão esquerda a ela. Vários dos dedos eram tortos. — Nos campos de treinamento, um daqueles desgraçados de Adarlan quebrou todos os meus dedos quando resolvi abrir a boca. Depois ele os quebrou em um segundo lugar porque eu não parava de xingá-lo. Aelin assobiou com os dentes trincados, mesmo maravilhando-se com a coragem, com a ousadia. Mesmo misturando o orgulho do primo com uma pontada de vergonha de si. O general puxou a camisa para cima, revelando um abdômen musculoso onde um corte largo e irregular descia das costelas até o umbigo. — Batalha perto de Rosamel. Faca de caça serrilhada, 15 centímetros, curvada na ponta. O desgraçado me acertou aqui. — Ele apontou para o alto, então desceu o dedo. — E cortou para o sul. — Merda — disse Aelin. — Como é possível que ainda esteja respirando? — Sorte... e consegui me mover enquanto ele arrastava a faca para baixo, evitando que me estripasse. Pelo menos depois daquilo aprendi o valor de me proteger.

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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