Page 206

Não era possível. O sangue de Elide era vermelho; não tinha dentes ou unhas de ferro. Sua mãe era igual. Se havia ascendência, era tão antiga que fora esquecida, mas... — Minha mãe morreu quando eu era criança — explicou ela ao se virar e dar um aceno de despedida ao cozinheiro-chefe. — Jamais me contou nada. — Uma pena — respondeu Asterin. Todos os criados observaram Elide boquiabertos conforme ela saiu mancando, os olhos questionadores diziam o bastante: não tinham ouvido. Um pequeno alívio, então. Pelos deuses! Ah, deuses. Sangue de bruxa. A criada subiu as escadas, cada movimento lançava dores lancinantes pela perna. Seria por isso que Vernon a mantinha acorrentada? Para evitar que saísse voando se algum dia mostrasse uma gota de poder? Seria por isso que as janelas daquela torre em Perranth tinham barras? Não... não. Ela era humana. Completamente humana. Contudo, no exato momento em que as bruxas se reuniram, quando Elide ouvira aqueles boatos sobre os demônios que queriam... queriam... procriar, Vernon a levara até ali. E ficara muito, muito próximo do duque Perrington. Ela rezou para Anneith a cada passo da subida, rezou para a Senhora das Coisas Sábias, pedindo que estivesse errada, pedindo que a terceira no comando estivesse errada. Somente ao chegar ao pé da torre da Líder Alada, Elide percebeu que não tinha ideia de para onde ia. Não tinha para onde ir. Ninguém para quem correr. Os veículos de entrega só chegariam em algumas semanas. Vernon poderia entregá-la quando desejasse. Por que não o fizera imediatamente? O que estava esperando? Ver se o primeiro dos experimentos funcionaria antes de oferecer a sobrinha como moeda de troca por mais poder? Se ela era um bem tão valioso, precisaria ir mais longe que suspeitava para escapar do tio. Não apenas para o continente ao sul, mas além deste, para terras das quais nunca ouvira falar. Mas sem dinheiro, como o faria? Sem dinheiro... exceto pelas bolsas de moedas que a Líder Alada deixava espalhadas pelo quarto. Elide olhou para as escadas que se esticavam nas sombras. Talvez pudesse usar o dinheiro para subornar alguém — um guarda, uma bruxa de aliança inferior — que pudesse tirá-la dali. Imediatamente. O tornozelo da menina doeu conforme subiu as escadas às pressas. Não levaria uma bolsa inteira, mas apenas algumas moedas de cada uma, para que a Líder Alada não

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

Advertisement