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Então eles eram mais uma vez um borrão de braços e pernas e golpes e escuridão. Do outro lado da arena, Arobynn, olhos arregalados, sorria; um homem faminto diante de um banquete. Lysandra se agarrava à lateral do assassino, os nós dos dedos brancos enquanto lhe apertava o braço. Homens sussurravam ao ouvido de Arobynn, os olhos fixos na arena, tão famintos quanto os dele. Os donos da arena ou clientes em potencial negociando o uso da mulher que lutava com uma ira tão selvagem e um prazer tão maligno. Aelin acertou um chute no estômago do comandante, fazendo-o atingir a parede de pedra. O homem desabou, arquejando sem fôlego. A multidão comemorou, e a jovem ergueu os braços, virando-se, formando um círculo lentamente, a Morte triunfante. O rugido de resposta do público fez Chaol perguntar-se se o teto desabaria. O comandante avançou contra Aelin, que se virou, pegando-o e prendendo seus braços e pescoço em uma chave difícil de soltar. Ela fitou Arobynn como se fizesse uma pergunta. O mestre olhou para o homem de olhos arregalados e voraz ao lado dele... então assentiu. O estômago de Chaol se revirou. Arobynn vira o bastante. Provara o bastante. Não fora sequer uma briga justa. Aelin deixara que continuasse porque o assassino queria que continuasse. E depois que ela derrubasse aquela torre do relógio e a magia voltasse... O que a seguraria? O que seguraria Aedion e aquele seu príncipe feérico, e todos os guerreiros como eles? Um novo mundo, sim. Mas um mundo no qual a voz humana normal não passaria de um sussurro. Aelin torceu os braços do adversário, levando-o a gritar de dor, então... Então ela cambaleou para trás, segurando o antebraço, o sangue brilhando forte pelo rasgo em seu traje. Somente quando o comandante se virou, com sangue escorrendo pelo queixo e os olhos completamente negros, Chaol entendeu. Ele a havia mordido. O capitão emitiu um chiado com os dentes trincados. O valg lambeu os lábios, o sorriso ensanguentado aumentou. Mesmo com a multidão, Chaol conseguiu ouvir o demônio dizer: — Sei o que você é agora, sua vadia mestiça. Aelin abaixou a mão que tinha levado ao braço, sangue reluzia na luva escura. — Que bom que também sei o que você é, desgraçado. Acabe com isso. Ela precisava acabar com aquilo imediatamente.

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Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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