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do espaço cavernoso. — Última mesa contra a parede. Ele está terminando com um cliente. Aelin olhou na direção indicada. Os dois lados do Cofres exibiam alcovas cheias de prostitutas, mal escondidas da multidão pelas cortinas. Sua visão passou pelos corpos se contorcendo, pelas mulheres de rosto macilento e olhos vazios, que buscavam o ganha-pão naquele esgoto pútrido, pelas pessoas que monitoravam os lucros das mesas mais próximas — vigias, voyeurs e cafetões. Mas ali, enfiadas na parede adjacente às alcovas, havia diversas cabines de madeira. Exatamente aquelas que Aelin monitorava discretamente desde que chegara. E naquela mais afastada das luzes... um brilho de botas de couro polido se estendia sob a mesa. Um segundo par de botas, gastas e enlameadas, estava apoiado no chão, diante do primeiro, como se o cliente estivesse pronto para ir embora. Ou, se fosse muito burro, lutar. Ele obviamente foi burro o suficiente para deixar sua guarda pessoal visível, um farol alertando qualquer interessado de que algo importante acontecia naquela última cabine. A sentinela do cliente — uma jovem esguia, encapuzada e armada até os dentes — estava recostada contra uma pilastra de madeira próxima, os cabelos escuros e sedosos na altura dos ombros brilhavam à luz conforme ela monitorava atentamente o salão dos prazeres. Estava tensa demais para ser uma frequentadora comum. Sem uniforme, sem cores ou insígnias de família. Não era surpreendente, considerando a necessidade do cliente por sigilo. O sujeito provavelmente achava que era mais seguro fazer a reunião ali, embora esse tipo de encontro geralmente acontecesse na Fortaleza dos Assassinos, ou em uma das pousadas sombrias cujo dono era o próprio Arobynn. Ele não fazia ideia de que Arobynn era também um dos maiores investidores do Cofres, assim seria preciso apenas um aceno de cabeça do antigo mestre de Aelin para que as portas de metal se trancassem... e o cliente e a guarda jamais saíssem dali. Mas ainda restava a pergunta: por que Arobynn concordara em se encontrar ali? E isso fazia com que Aelin continuasse olhando para o outro lado do salão, em direção ao homem que destruíra a vida dela de inúmeras formas. Seu estômago se apertou, mas a jovem sorriu para Tern. — Eu sabia que a coleira não iria muito longe. Aelin se afastou do bar, passando pela multidão antes que o assassino conseguisse

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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