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quarteirões. Aquilo não parecia nem um pouco longe o bastante para ser seguro, mas Aedion não tinha fôlego para avisar isso a ela. Manter-se de pé era difícil o bastante. Os pontos na lateral do corpo abriram-se, mas, graças aos deuses, eles tinham saído da propriedade do palácio. Um milagre, um milagre, um mil... — Rápido, seu gordo bundão! — disparou Aelin. Aedion se obrigou a se concentrar, desejando força às pernas, à coluna. Chegaram a uma esquina adornada com festões e flores, então a jovem olhou para as duas direções antes de correr pela interseção. O clangor de aço em aço e os gritos dos feridos percorriam a cidade, fazendo com que os grupos de festejadores alegres ao redor deles começassem a murmurar. Mas Aelin continuou rua abaixo, então pegou outra. Na terceira rua, ela reduziu os passos e se inclinou sobre o primo, começando uma música lasciva em uma voz bêbada e muito desafinada. Assim se tornaram cidadãos comuns comemorando o aniversário do príncipe, cambaleando de taverna em taverna. Ninguém deu qualquer atenção aos dois — não quando todos os olhos estavam voltados para o castelo de vidro que se erguia atrás. Cambalear fez a cabeça de Aedion ficar zonza. Se desmaiasse... — Mais um quarteirão — prometeu Aelin. Aquilo era alguma alucinação. Só podia ser. Ninguém teria sido, de fato, burro o bastante para resgatá-lo; e principalmente não sua própria rainha. Mesmo que ele a tivesse visto cortar meia dúzia de homens como se fosse uma pilha de trigo. — Vamos, vamos — disse ela, ofegante, avaliando a rua decorada, e Aedion entendeu que Aelin não falava com ele. As pessoas perambulavam, parando a fim de perguntar o que era a comoção no palácio. A jovem os liderou pela multidão, meros bêbados encapuzados e trôpegos, até chegarem a uma carruagem preta de aluguel que encostou no meio-fio, como se estivesse esperando. A porta se abriu. Sua prima o empurrou para dentro, direto para o chão, então fechou a porta atrás de si.

— Já estão parando todas as carruagens nos principais cruzamentos — avisou Lysandra, quando Aelin entreabriu o compartimento de bagagens sob um dos bancos.

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Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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