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— As serpentes aladas já carregarão peso o suficiente durante a batalha. Com nossa armadura, as armas, os mantimentos e as armaduras dos próprios animais, precisaremos encontrar lugares para aliviar a carga. Ou elas não ficarão no ar por muito tempo. O ferreiro levou as mãos aos quadris, avaliando as armas que tinha feito, e ergueu a mão para indicar que a bruxa esperasse enquanto ele disparava para dentro do labirinto de fogo e minério derretido e bigornas. O golpe e o clangor de metal sobre metal eram os únicos ruídos enquanto Sorrel também sopesava uma das lâminas. — Sabe que apoio qualquer decisão que tomar — começou ela. Os cabelos castanhos estavam bem presos, e a bruxa mantinha o rosto bronzeado, provavelmente lindo para mortais, equilibrado e sóbrio como sempre. — Mas Asterin... Manon conteve um suspiro. As Treze não tinham ousado exibir qualquer reação quando a líder levara Sorrel para aquela visita antes da caçada. No entanto, Vesta ficara perto de Asterin no ninho — se era por solidariedade ou por revolta silenciosa, Manon não sabia. Mas Asterin a encarara de volta e assentira; com seriedade, mas assentira. — Quer ser imediata? — perguntou a líder. — É uma honra ser sua imediata — disse Sorrel, a voz rouca atravessando os martelos e as fogueiras. — Mas também era uma honra ser a terceira no comando. Você sabe que Asterin traça uma linha tênue diante da loucura em um bom dia. Enfurne-a no castelo, diga que não pode matar, desmembrar ou caçar, mande que fique longe dos homens... É claro que ficará próxima ao limite. — Estamos todas no limite. — Manon contara às Treze sobre Elide, e imaginou se os olhos atentos da jovem reparariam que agora havia uma aliança de bruxas a xeretando. Sorrel inspirou profundamente, os ombros poderosos se ergueram. Ela apoiou a adaga. — Na Ômega, conhecíamos nosso lugar e o que era esperado de nós. Tínhamos uma rotina; tínhamos um propósito. Antes daquilo, caçávamos as Crochan. Aqui, não passamos de armas esperando para sermos usadas. — Ela indicou as lâminas inúteis na mesa. — Aqui, sua avó não está por perto para... influenciar as coisas. Para fornecer regras rigorosas; para incutir medo. Ela tornaria a vida daquele duque um inferno. — Está dizendo que sou uma líder ruim, Sorrel? — Uma pergunta silenciosa demais.

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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