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Ter Sorrel na posição de Asterin era... estranho. Como se o equilíbrio do mundo tivesse mudado. Mesmo agora, as serpentes aladas das duas ficavam ariscas perto uma da outra, embora nenhum dos machos tivesse ainda se lançado em combate. Abraxos costumava abrir espaço para a fêmea azul como o céu de Asterin — até mesmo roçava nela. Manon não esperou que a bruxa atasse o macho antes de entrar no covil do ferreiro, a construção era pouco mais que um punhado de mastros de madeira e um telhado improvisado. As forjas — gigantes de pedra adormecidos — forneciam luz, e homens martelavam e erguiam e escavavam e produziam ali. O ferreiro do regimento aéreo já estava à espera, logo além do primeiro mastro, gesticulando para elas com a mão vermelha e cheia de cicatrizes. Na mesa diante do homem musculoso de meia-idade havia uma diversidade de lâminas — aço de Adarlan, reluzente do polimento. Sorrel permaneceu ao lado de Manon quando a líder parou diante da variedade, escolheu uma adaga e a sopesou nas mãos. — Mais leve — informou ela para o ferreiro, que a observava com os olhos escuros e atentos. Ela pegou outra adaga, então uma espada, analisando-as também. — Preciso de armas mais leves para as alianças. Os olhos do homem se semicerraram levemente, mas ele pegou a espada que a bruxa tinha apoiado e a sopesou como ela fizera. Ele inclinou a cabeça, batendo no cabo decorado, depois a balançou. — Não me importa se é bonita — explicou Manon. — Apenas uma finalidade me interessa. Corte os adereços e talvez consiga tirar algum peso. O ferreiro fitou o local em que Ceifadora do Vento despontava das costas da bruxa, o cabo simples e comum. Mas Manon o vira admirando a lâmina — a verdadeira obra de arte — quando se conheceram na semana anterior. — Somente vocês, mortais, se importam se a lâmina é bonita — comentou ela. Os olhos dele brilharam, e a bruxa perguntou-se se o homem teria respondido caso tivesse língua para fazê-lo. Asterin, usando qualquer que fosse seu modo de encantar ou aterrorizar as pessoas para que lhe dessem informações, descobrira que a língua do ferreiro fora cortada por um dos generais ali, para evitar que revelasse seus segredos. O sujeito não devia poder escrever ou ler, então. Manon imaginou que outras coisas teriam contra ele — quem sabe uma família — para manter um homem tão habilidoso como prisioneiro. Talvez isso tenha levado Manon a dizer:

Profile for Letícia Lopes dos Santos Pereira da Silva

Trono de Vidro: Rainha das Sombras - Parte1  

Parte um do volume 4 da série Trono de Vidro de Sarah J. Maas

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