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ÍNDICE

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ARREDORES

56 Viagens Esportivas Para quem ama viajar, aventure-se por algum desses roteiros radicia.

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56 Waltel Branco Ele já ensinou Baden Powell, trabalhou com os expoentes da Bossa Nossa, e compôs trilhas famosas.

ESTILO

56 Zaragoza um dos maiores fenômenos midiáticos de 2012, revelando-se um curioso destino turístico.

PERSONAGENS

56 Festival de Teatro Confira as peças imperdíveis desta 22ª edição, indicadas por um time de peso.

56 Designer e Arquitetos Os dez dos mais notáveis profissionais dodesign e arquitetura da atualidade.

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56 Moda As principais tendências para a próxima estação elementos perfeitos para aquecer os dias mais gelados do ano.

SABORES

56 Bistrô em Paris Restaurantes parisienses que têm a criatividade de chefs premiados na hora de definir e apresentar os pratos.

SABORES

56 Bistrô em Paris Restaurantes parisienses que têm a criatividade de chefs premiados na hora de definir e apresentar os pratos.

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EDITORIAL

DESIGN EDITORIAL É PARA OS FORTES! O objetivo geral do design, em qualquer uma das suas diversas variações, geralmente consiste na organização e composição de ideias. O material com que se trabalha são elementos visuais, funcionais ou conceituais, que geralmente partem do próprio designer ou de uma necessidade específica, o chamado briefing. É nesse aspecto, na origem e nos propósitos das ideias, que o design editorial se diferencia. O designer editorial tem a tarefa de apresentar para o mundo ideias criadas não por ele próprio e sim por uma variedade de outros profissionais como artistas, fotógrafos, escritores e jornalistas. Enquanto esses profissionais têm a tarefa de pesquisar e elaborar uma unidade de informação, a preocupação do designer é elaborar um conjunto dessas informações de forma clara, agradável e atrativa para o leitor sem distorcer ou prejudicar de qualquer forma o seu conteúdo original. Trata-se de uma tarefa nobre e de muita responsabilidade, que pode ser comparada com a curadoria de uma exposição. Esta Edição Especial da Revista Top View consiste de uma parceria entre os Editores da Revista, as Professoras da disciplina de Projeto Visual II e os alunos do 2º ano do curso de Design Projeto Visual da Universidade Positivo.

Nesta parceria, durante o segundo bimestre de 2013, os alunos puderam desenvolver o projeto de design editorial de uma revista. O projeto para um novo layout, o grid, a composição, a paleta de cores, cada tipografia e estilo de parágrafo, as imagens, a produção fotográfica, as horas em frente ao computador, a espera em sala para orientação com as professoras, cada linha órfã, cada ajuste na diagramação, testes de impressão, entre tantas outras especificidades fazem parte da tarefa do designer editorial. Assim, como professoras, esperamos que os alunos tenham experimentado neste projeto uma pequena parte desta área do design que, por vezes, carece de profissionais especializados e que também possam contar com este projeto como mais um artefato de importância para seus portfólios. Aos Editores da Revista Top View e aos demais leitores, esperamos que apreciem o trabalho de nossos alunos sob um novo ponto de vista e uma nova maneira de contar suas histórias, informações e imagens que estão prestes a desfrutar nas página que se seguem.

Boa leitura. Boa apreciação visual. Professoras Eliza Sawada e Michelle Aguiar Design Projeto Visual | Universidade Positivo

A TOP VIEW pode ser acessada na íntegra em seu tablet. Basta baixar o aplicativo gratuitamente na Apple Store, escolher a edição e ler o conteúdo completo. Todas as revistas publicadas desde janeiro de 2011 estão disponíveis.

FOTO Letica Gusso PRODUÇÃO Nayara Bardini MODELO Mariana Breda

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ARREDORES

VIAGENS ESPORTIVAS

Aventureiro ESPÍRITO

Se você ama viajar e gosta de praticar esportes, junte a mochila, uma boa dose de disposição e aventure-se por algum destes roteiros

FOTO BELPRESS COMUNICAÇÃO

por Fabiane Tombely

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SOBRE RODAS Se você é aficionado por carros, motos e estradas, esta viagem foi feita pra você. A Bike Road Tour, agência especializada em viagens internacionais de moto e carro, reúne grupos interessados em destinos cobiçados como Califórnia e Flórida. Nesse tipo de aventura é importante ter experiência e uma boa programação. Para isso, a agência acerta todos os detalhes da rota. No pacote está incluído o acompanhamento para a retirada dos passaportes e vistos, aluguel das motos ou carros, reservas em hotéis, restaurantes e passeios, guia bilíngue, caminhão para transporte de bagagens e apoio. Ao chegar a esses lugares, os grupos alugam carros (as opções incluem Camaro e Mustang) ou motos (Harley- Davidson, BMW e Honda) e viajam pelo roteiro previamente escolhido. A próxima aventura na Califórnia está marcada para 22 de outubro de 2012. O roteiro inclui Los Angeles, Monument Valley, Las egas, San Francisco e Costa do Pacífico (Big Sur), com duração de 18 dias e 17 noites. No caminho, especificamente em Las Vegas, o grupo terá a oportunidade de participar de eventos como o Sema Show (considerada a maior feira de customização de carros e motos dos Estados Unidos) e o NHRA (National Hot Rod Association), campeonato americano de arrancadas. Tudo isso devidamente gravado e fotografado pela equipe. QUEM LEVA Bike Road Tour_(41) 3024-6761 www.bikeroadtour.com.br

empresa reúne grupos de pessoas interessadas em viagens de moto ou carro pela Califórnia e Flórida.

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ARREDORES

VIAGENS ESPORTIVAS

Costa Rica, El Salvador, Indonésia e Peru estão na lista dos países mais procurados por quem busca boas ondas.

SURF TRIPS

FOTO STELLA VASSILIEVA

Contato com a natureza, cultura local e ondas perfeitas são os atrativos que a operadora de turismo Wellcome Surf Trips oferece aos seus viajantes. Os três sócios da agência são surfistas e, claro, conhecem os principais destinos de surf do mundo. Juntos, prestam consultoria especializada na hora de escolher os roteiros, que são preparados de acordo com a experiência de cada surfista. Costa Rica, El Salvador, Indonésia e Peru estão na lista dos países mais procurados por quem busca boas ondas. O “Surfe Só Para Meninas” na Costa Rica, por exemplo, e as chamadas boat trips são os roteiros mais procurados. O primeiro inclui acompanhamento de guias locais surfistas que ficam encarregados de levar as garotas para surfarem nos melhores picos do país. Durante a viagem também há aula diária de yoga, massagem e outras atividades. As boat trips acontecem nas Ilhas Mentawais, na Indonésia, e também fazem a cabeça dos aventureiros. Durante 12 dias os surfistas ficam a bordo de um barco totalmente equipado, desfrutando de uns dos melhores picos de surf do mundo. As viagens são realizadas durante todo o ano, de acordo com a época das melhores ondas de cada destino. Réveillon na Costa Rica e nas Ilhas Mentawais são as próximas saídas programadas. A dica da agência para esses roteiros é muita disposição, preparo físico para enfrentar longas sessões de surf, e uma boa máquina fotográfica para registrar tudo.

QUEM LEVA Wellcome Surf Trips_(41) 3249- 4416 www.welcomesurftrips.

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TRAVESSIA 4X4 Percorrer as mais selvagens praias do extremo norte da costa brasileira em jipes 4x4 é a proposta deste roteiro. Uma verdadeira expedição, que possibilita ao viajante conhecer toda a região costeira entre Lençóis e Jericoacoara. Os Lençóis Maranhenses são famosos por suas dunas brancas recortadas por águas verde-azuladas, rios e manguezais. No litoral cearense, Jericoacoara tem praias extensas de mar azul, e atrai muitos praticantes de kitesurf e windsurf pelas excelentes condições de vento. Por ser uma travessia, dorme-se em cinco hotéis diferentes durante a viagem. No final, as duas noites em Jeri são suficientes para repor todas as energias.Um motorista profissional, um guia e um anfitrião da agência acompanham os viajantes durante a expedição.As noites são distribuídas entre as pequenas cidades e vilarejos de Santo Amaro, Atins, Barra Grande e Jericoacoara. Após explorar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, os aventureiros embarcam em veículos 4x4, percorre do alguns trechos por praias virgens e outros por estradas de areia e asfalto até chegar a Jeri e, aí sim, relaxar por alguns dias. O roteiro dura dez dias e nove noites. Quem proporciona a experiência é a Matueté Brasil, considerada a principal operadora de viagens personalizadas do Brasil.

Caminhadas nas dunas, mergulhos nas lagoas e passeios de barco também fazem parte do roteiro.

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FOTO DIVULGAÇÃO MTUETÉ

QUEM LEVA Matueté Brasil_(41) 3071-4515 www.matuete.com

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VIAGENS ESPORTIVAS

FOTO ARQUIVO

ARREDORES

MERGULHO O arquipélago de Fernando de Noronha é um dos destinos mais belos e desejados do Brasil. Para os amantes do mergulho, então, nem se fala. O local é o principal e mais bonito parque marinho brasileiro, considerado por muitos profissionais como um dos melhores lugares do mundo para a prática de mergulho. A operadora Freeway Diving (divisão da Freeway Brasil, operadora pioneira em ecoturismo no Brasil) traz alguns roteiros com viagens voltadas para a prática de mergulho autônomo, ou seja, para mergulhadorescredenciados. Há opções de mergulho de nível básico e avançado. No roteiro estão inclusos quatro noites e cinco dias, três saídas com dois mergulhos - incluindo guia, cilindro e lastro (equipamento utilizado para compensar a flutuabilidade causada principalmente pela roupa isolante). Apesar das belezas do fundo do mar serem a principal atração, os passeios na Trilha do Atalaia, do Golfinho e do Leão onde se encontram as melhores praias de Noronha – são imperdíveis. Então, caso sobre um tempinho, não se esqueça de agendálos. Fernando de Noronha é considerado o principal e mais belo parque marinho brasileiro. O mergulhador pode desfrutar de uma visibilidade de até 50 metros.

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QUEM LEVA Matueté Brasil_(41) 3071-4515 www.matuete.com

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ARREDORES

ZARAGOZA

Borja

a cidade do Ecce Homo O restauro infeliz de uma pintura do século 19 em Borja, Espanha, tornou-se um dos maiores fenômenos midiáticos de 2012 e revelou um curioso destino turístico por Juliana Reis

“Sí, Borja está de moda”, respondeu a moça do escritório de turismo quandofinalmente expliquei meu interesse nesse município espanhol de 5 mil habitantes na província de Zaragoza, Comunidade Autônoma de Aragão. Deixando tudo às claras ficou mais fácil, uma vez que o motivo do interesse era um tanto constrangedor. É que Borja tem sido palco de um dos maiores fenômenos midiáticos de 2012, desde que uma octogenária local resolveu restaurar uma pintura do século 19 em uma das igrejas da cidade, em agosto. Desprovida de qualidades qualificações adequadas, a borjana Cecilia Giménez provocou um dos mais infelizes retoques de obra de arte que se tem notícia de todos os tempos. O restauro teve repercussão internacional e a pacata Borja ganhou a atenção do mundo inteiro. Até a companhia aérea britânica Ryanair – atuante em 28 países – anda anunciando pacotes para lá.

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Borja é mais

Foto Archivo Provincial de Zaragoza

do que boas risadas do restauro malsucedido. Oceano Atlântico

França

BORJA ZARAGOZA

Espanha

Barcelona

BARCELONA

Mar Mediterrâneo

Fortaleza: meio castelo meio rocha, o monumento domina o horizonte de Borja.

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ARREDORES

ZARAGOZA

Cidade E o roteiro não é mesmo uma máideia.Quem for até Borja, além de darboas ris das, terá pelo menos três oportunidades:descobrir uma cidadezinhaque guarda vestígios de todos os povos que por ali passaram – celtas, romanos, mouros e cristãos; conhecer os vinhos locais da Denominação de Origem “Campo de Borja”; e, obrigatoriamente, passar por uma das joias mais bem guardadas da Espanha: Zaragoza, capital de Aragão, verdadeira compilação de três civilizações eque, de quebra, guarda a construção moura mais importante da Espanha fora da Andaluzia – região mais fortemente marcada pela antiga dominação moura (árabe muçulmana) da Península Ibérica

Onde está a obra A cinco quilômetros do centro de Borja, em uma colina repleta de árvores e fontes d’água, ergue-se o Santuário de Misericórdia, em cuja igreja está o Eccee Homo – pintura em parede realizada pelo artista Elías García Martínez no século 19 e restaurada por Dona Cecilia no século 21. Esse santuário foi construído no século 16 para acomodar uma imagem da Virgem de Misericórdia, que durante o domínio mouro ficou enterrada no claustro da Colegiata de Santa Maria – outra igreja importante de Borja.

Além do Ecce Homo

O casario dos séculos 16 e 17 aparece pelas ruelas de Borja.

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Depois de matar a curiosidade diante da obra de Dona Cecilia, é horade observar que uma fortificação mesclada a uma rocha paira no alto da cidade. É o que dá nome ao lugar: Borja, em árabe, significa torre ou fortaleza. Essa corcunda seca que sobe inesperadamente, desafiando a área urbana, é um enigma arqueológico. Uma escavação científica jamais foi feita ali, mas acredita-se que essa coisa meio castelo meio rocha foi utilizada por celtas, romanos, bárbaros e até pelos Banu- -Qasi, uma família que dominou Borja e seus arredores no século 9, chegando até a confrontar abertamente os importantes emires de Córdoba. Os Banu-Qasi eram muladís, cristãos convertidos ao islamismo para desfrutar dos mesmos direitos dos muçulmanos no al-Andalus (nome dado à Península Ibérica pelos conquistadores islâmicos). Séculos mais tarde, já reconquistada pelos cristãos, Borja ganharia novas ruas, casas e palácios que representam a arquitetura renascentista aragonesa. Nesse universo vale destacar ainda o casario dos séculos 16 e 17 e monumentos como a Colegiata de Santa Maria, antiga igreja cuja torre é um minarete – estrutura que pertence a mesquitas e de onde um encarregado anuncia as cinco preces diárias do Islã.

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Queremos que se quede así!

Santuário da Misericórdia:lar da restauração mais falada do momento.

Restauro feito de maneira inadequada (para não dizer grotesca) virou sátira no mundo todo A notícia do restauro veio à tonaem 7 de agosto por meio do blogdo Centro de Estudos Borjanos, quedocumenta a história da cidade. Desdeentão, ganhou repercussão mundiale (pasmem) muitos admiradores.Os quase 28 mil fãs da recém criada página “Club de fans de Cecilia Giménez, la restauradora del Ecce Homo”, no Facebook, pedem que a restauração seja mantida como está e dão uma ideia do alcance do fato. A obra pode ser visitada no Santuário de Misericórdia, a cinco quilômetros do centro de Borja, das 10h às 14h e das 16h às 20h.

A cidade tem vestígios celtas, romanos, mouros e cristãos.

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ARREDORES

ZARAGOZA

Basílica Del Pilar: Ladrilhos e elementos árabes, toques góticos cristãos e a secular Ponte de Pedra.

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Surpreza de Vizinha

Zaragoza

Quem se aproxima de Zaragoza (a 65 quilômetros de Borja) atravessando a Ponte de Pedra rumo ao centro histórico e enxerga, às margens do Rio Ebro, a colossal Basílica da Nossa Senhora do Pilar, tem a impressão de estar em algum lugar mais ao oriente – como Istambul, talvez. É que as 11 cúpulas dessa igreja que mescla estilos cristãos e muçulmanos dominam a paisagem e formam o cartão postal mais famoso de Zaragoza, capital da Comunidade Autônoma de Aragão e um dos destinos mais fortemente marcado pela dominação muçulmana da Península Ibérica entre os séculos 11 e 14 . A capital aragonesa pode não estar nos folhetos de viagem mais tradicionais talvez a Andaluzia lhe roube essa chance , mas é, sem dúvida, uma surpresa. Fundada pelos romanos sob o nome de Caesaraugusta, tomada durante quatro séculos pelos mouros e conquistada pelo rei cristão Alfonso I em 1118, ela reúne vestígios de três civilizações. Se ruínas romanas aparecem em uma esquina, na próxima o domínio muçulmano escancara sua herança, tendo o Palácio de la Aljafería como seu exemplo arquitetônico mais impressionante. O toque final é capricho dos monarcas cristãos: exemplos da arquitetura renascentista, barroca e gótico-mudéjar (que mescla componentes cristãos com muçulmanos).

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Centro Histórico: ruelas charmosas se entrelaçam por entre vestígios de antigas civilizações.

Zaragoza: passado rico e lição de aprendizado entre culturas.

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ARREDORES

Exterior da Aljafería: palácio fortificado abrigou uma dinastia árabe, os reis católicos e a Inquisição Espanhola.

ZARAGOZA

Moura A maior atração de Zaragoza é a gigantesca e já citada Basílica de la Virgen del Pilar, com seus Goyas, seus Velazquez e até duas bombas expostas na parede – sim, bombas! (veja box). Mas o Palácio de la Aljafería impressiona tanto quanto o templo cristão, e é a construção moura mais importante da Espanha fora da Andaluzia. Construído pelos mouros nos século 11 e tomado pelos cristãos no século 12, torna-se o palácio dos reis católicos Fernando e Isabel no final do século 15 e funciona por um tempo até como sede do Tribunal da Inquisição espanhola. Apesar das sucessivas reformas realizadas pelos monarcas aragoneses, a arquitetura muçulmana teima em continuar lá, visível e maravilhosa. A mescla de culturas continua na Catedral del Salvador, também chamada de La Seo, onde eram coroados os reis de Aragão na Idade Média. Começou em estilo românico no século 12, passou para gótico no século 14, e o que se vê hoje é resultado de um trabalho que termina no século 17: fachada barroca, cobertura de ladrilhos e azulejos no estilo mudéjar (arte que se desenvolveu entre os séculos 12 e 16 e é mais representativa na Espanha, com destaque na Andaluzia, em Toledo e no Vale do Ebro), muros com detalhes góticos, interior barroco e renascentista.

Bomba Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), três bombas foram atiradas em Zaragoza: uma delas caiu do lado de fora da Basílica de Nossa Senhora do Pilar e as outras duas, dentro. Nenhuma explodiu. O fato é compreendido como sendo um milagre. Após esse episódio, as bombas foram pregadas numa parede, dentro da basílica, e estão lá até hoje.

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Tempo de paz e

Prosperidade Dominada pelos árabes, Zaragoza floresceu e se converteu num verdadeiro caldeirão de cultura, numa lição de convivência e aprendizagem mútua entre muçulmanos, cristãos e judeus. Em seu período de máximo esplendor – do século 11 até a conquista pelos cristãos em 1118 –, acolheu intelectuais de diferentes pensamentos e religiões. Figura fundamental foi Abu Bakr ibn al-Sa’ig ibn Bayya, considerado o maior dos filósofos do al-Andalus. Conhecido pelos cristãos como Avempace, poeta, matemático, astrônomo, músico emédico, além de vizir (conselheiro) de três reis. Com a reconquista cristã, teve que se exilar. Acabou seus dias em Fez, no Marrocos, em 1138, provavelmente envenenado. O movimento do exílio e a morte repentina contribuíram para que seus escritos ficassem desorganizados. Sua perda é lamentada no Centro de Historia de Zaragoza, onde é possível conhecer a trajetória da Zaragoza da Espanha dos mouros.

Romana Essa civilização já se revela no subsolo da Plaza del Pilar, coração do centro histórico de Zaragoza, com o Museu do Fórum de Caesaraugusta: ali estão os vestígios do fórum, de um mercado, de pórticos e até do sistema de esgoto da cidade romana utilizado entre os anos 1 a.C. e 1 d.C. Já o Teatro de Caesaraugusta, do século 1, é o monumento romano mais bem conservado da cidade. O primeiro andar apresenta cenas de seu descobrimento em 1972, retrocedendo no tempo e sugerindo como foi ocupado durante as épocas cristã, muçulmana e romana. Quem não quiser entrar, pode se contentar em ver o teatro pelo lado de fora, já que ele é fechado ao público apenas por uma grande barreira de vidro. E ainda aparecem pela cidade restos da muralha que protegia Caesaraugusta.

Reconquistada A reconquista cristã de Zaragoza aconteceu em 1118 por Alfonso I. A expulsão definitiva dos judeus e dos mouros ao longo dos séculos desacelerou o seu crescimento. No século 19, Zaragoza converteu-se num símbolo de resistência contra as tropas de Napoleão, na Guerra de Independência. Hoje é a quinta maior cidade espanhola. No vale do importante rio Ebro, renasce esplendorosa numa posição estratégica a meio caminho entre Madri e Barcelona.

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ARREDORES

ZARAGOZA

Serviços Como Chegar

O que vistar

De carro a partir de Zaragoza (65 km) pela Ruta Nacional 232 ou de ônibus pela companhia Therpasa

Santuário de Misericórdia Monte Muela Alta (a 5 km de Borja, seguindo pela estrada Borja al Buste) Aberto das 10h às 14h e das 16h às 20h.

www.therpasa.es 0034 976-225-723 1h30 de viagem

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Onde ficar Os melhores hotéis estão no centro histórico de Zaragoza. O centro de informação turística (Plaza del Pilar 0034 976-201-200) oferece uma lista com preços e faz reserva gratuita pelo site www.zaragoza.es/turismo ou pessoalmente.

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FESTIVAL DE TEATRO

PERSONAGENS

ARTE VERTENTE

Para orientá-lo na vasta programação do Festival de Teatro de Curitiba, a TOP VIEW foi consultar quem realmente conhece o assunto. Confira as peças imperdíveis desta 22ª edição, indicadas por um time de peso

FOTO DIVULGAÇÃO

por Daniel Batistella

Homem Vertente: cada apresentação utiliza em torno de 30 mil litros de água, reutilizando 80% em futuras

SERVIÇOS

COMO COMPRAR

COMO COMPRAR

22º Festival de Teatro de Curitiba De 26/3 a 07/4

Bilheteria shopping Mueller Av. Cândido de Abreu, 127, Centro Cívico, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h

Bilheteria shopping Palladium Av. Presidente Kennedy, 4.121, Portão, de segunda a sexta, das 11h às 23h, sábados, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h

PREÇOS

Bilheteria Parkshopping Barigui Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê, de segunda a sexta, das 11h às 23h, sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h

www.festivaldecuritiba.com.br www.bilhetedigital.com.br

Mostra 2013: R$ 60 Fringe: de entrada franca à R$ 60 risorama: R$ 60

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GONZAGÃO - A LENDA (drama) A trajetória de vida de Luiz Gonzaga é somada aos mitos criados acerca do Rei do Baião para contar a história de um dos mais importantes nomes da música brasileira, no ano de seu centenário. No sertão de Araripe, uma trupe de atores chega embalada pelos sons do Nordeste e recria, sem se prender ao onde e ao quando, a atmosfera de nascimento de um dos principais gêneros da nossa música, que de tão original parece ter sempre existido. Com mais de 30 canções interpretadas, é um agradecimento ao compositor de Asa Branca pela riqueza cultural conferida por sua obra ao nosso Brasil. Direção: João Falcão. Elenco: Marcelo Mimoso, Laila Garin, Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Paulo de Melo, Renato Luciano e Ricca Barros. Teatro Positivo Grande Auditório (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, Campo Comprido), dias 31/3 (19h) e 1/4 (21h).

AS DICAS DE

Gil Baroni Foto Ana Clara Tonocchi

ATOR

O HOMEM VERTENTE (multimídia, estreia nacional)

É de uma companhia argentina maravilhosa. Trazem esse trabalho fantástico, bem sensorial. É algo para ver e curtir.

(Sobre O Homem Vertente)

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A montagem brasileira do espetáculo da companhia argentina Ojalá é uma produção multissensorial, na qual música, projeções, dança, performance e teatro se juntam e o espectador recebe um “bombardeio” de estímulos. Conta a viagem de um homem por meio de sua imaginação. Passando por baixo de muita água, ele deverá enfrentar desafios e atravessar mundos fantásticos repletos de criaturas e personagens alucinantes. Uma odisséia emocionante pelos caminhos da fantasia. Só no final descobriremos se foi encontrada a saída, e os espectadores serão a chave para chegar até ela. Direção: Pichón Baldinu. Elenco: não divulgado. Arena Parque Barigui (Av. Cândido Hartmann s/no), dias 30/3 (21h), 31/3 (19h), 5/4 (21h), 6/4 (21h) e 7/4 (19h). Homem Vertente: cada apresentação utiliza em torno de 30 mil litros de água, reutilizando 80% em futuras apresentações.

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FESTIVAL DE TEATRO

FOTO DIVULGAÇÃO

PERSONAGENS

AS DICAS DE

ESTA CRIANÇA (drama)

Guilherme Weber

Estrutura-se em dez cenas curtas e apresenta como tema único, ao mesmo tempo fragmentado em diferentes aspectos de abordagem, a relação entre pais e filhos. Constrangedoras, engraçadas, tristes, estranhas, as situações de morte, nascimento, adoção, abandono, agressão e desabafo ilustram pontos cruciais e eternos na vida dos personagens sem nome, reconhecidos apenas pelas relações de parentesco que se tornam aparentes no desenvolvimento dos diálogos. Direção: Marcio Abreu. Elenco: Renata Sorrah, Giovana Soar, Ranieri Gonzalez, Edson Rocha. Guairinha (Rua XV de Novembro, 971, Centro), dias 31/3 (19h) e 1/4 (21h).

ATOR

PARLAPATÕES REVISTAM ANGELI O grupo Parlapatões encena personagens do cartunista Angeli como Rê Bordosa, Meia Oito, Bob Cuspe, Bibelô, Moska e Os Escrotinhos. Com trilha sonora do titã Branco Mello em parceria com Emerson Villani e direção do parlapatão Hugo Possolo, a peça é uma revista rock’n’roll que homenageia esse artista polêmico da história recente do humor no Brasil. Quadros curtos são dedicados a cada criação, que também é representada em cena, com um personagem quase narrador, o Angeli em Crise. A visão crítica sobre a política nacional, marcante na obra do cartunista, é exposta em sincronia com a trilha sonora roqueira e um clima de HQ. Direção: Hugo Possolo. Elenco: Raul Barretto, Paula Cohen, Hugo Possolo, Rodrigo Mangal e Hélio Pottes. Teatro Marista (Colégio Marista Santa Maria, Rua Joaquim de Matos Barreto, 98, São Lourenço), dias 27/3 (21h) e 28/3 (21h).

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(comédia, estreia nacional)

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NEM FREUD EXPLICA (comédia) A peça brinca com as formas tradicionais de terapia e discute de forma ampla o estado da arte da psicanálise. Conta a história de Frederico, homem atormentado por um problema incomum: todos que olham para ele morrem de rir – literalmente. Brinca com as relações entre pacientes e analistas, em uma crítica a todas as teorias psicanalíticas. Mostra uma situação em que analista e paciente se enxergam refletidos um no outro e não veem diferenças no aspecto da impossibilidade de compreensão. Encontram-se diante da escorregadia e deslizante dimensão da psique humana. Direção: João Luiz Fiani. Elenco: João Luiz Fiani e Marino Jr. Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel, Rua Cel. Dulcídio, 517, Batel), dias 6/4 (19h) e 7/4 (19h).

AS DICAS DE

Diogo Portugal COMEDIANTE

RISORAMA

Com João Luiz Fiani e Marino Júnior, essa peça já se tornou um clássico e todos devem assistir.

(Sobre Nem Freud Explica)

Nem Freud Explica: uma crítica bem humorada, inteligente e divertida a todas as teorias psicanalíticas

(comédia)

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Se o que você curte é dar boas risadas, é a escolha perfeita. Comediantes de todo o país desembarcam em Curitiba trazendo seus melhores quadros de stand-up. As apresentações acontecem em um ambiente descontraído, perfeito para você relaxar e dar muita risada em boa companhia. Com curadoria do humorista Diogo Portugal e a presença da anfitriã Nany People, o Risorama chega à sua 10ª edição. Elenco: 35 convidados, entre eles Rafinha Bastos, Marco Luque e Danilo Gentili. ParkCultural, ParkShopping Barigui (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê), dias 28/3 (20h), 29/3 (20h), 30/3 (20h), 31/3 (20h), 1/4 (20h) e 2/4 (20h).

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PERSONAGENS

FESTIVAL DE TEATRO

FICÇÃO (drama) Composto por cinco espetáculos curtos independentes – porém complementares – acerca de questionamentos sobre a necessidade da ficção e nossa impossibilidade de abandoná-la, tanto na vida real quanto nas produções artísticas. Cada ator é também autor de seu próprio solo, e apresenta depoimentos ficcionais em que as ideias de intimidade e documento são indissociáveis. Chamados pelo próprio nome, os atores simulam um estado confessional, assumindo-se personagem, confundindo o espectador com histórias reais e histórias inventadas. Direção: Leonardo Moreira. Elenco: Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Mariah Amélia Farah, Thiago Amaral. Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/nº, Prado Velho), dias 6/4 (17h) e 7/4 (17h).

AS DICAS DE

Marcio Abreu

Ficção: cinco espetáculos curtos ocupando o mesmo espaço cênico em períodos diferentes.

DIRETOR

HAIKAI (drama, estréia nacional)

Uma estrutura de cinco solos, criados por cada ator. Reflexão sobre o lugar da ficção e suas relações com o real. (Sobre Ficção)

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FOTO DIVULGAÇÃO

FOTO DIVULGAÇÃO

A forma de poesia japonesa que trabalha com a síntese para sugerir, por meio de livres associações, infinitos significados possíveis, confere ao espetáculo mais que o próprio nome. Em três momentos distintos – como nas três frases que compõem os haikais –, é desenhada uma espécie de paisagem humana traumática, com símbolos que evocam a morte, o crime, a ausência, a presença do invisível e a impossibilidade de compreendermos a nós mesmos e nossas ações. Traz, nas palavras, a força desorganizadora e criadora de infinitas formas de instabilidade sensorial. Direção: Roberto Alvim. Elenco: Martina Gallarza, Nena Inoue e Paulo Alves. Espaço Cênico (Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305, São Francisco), dias 30/3 (21h) e 31/3 (21h).

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O MÉDICO E O MONSTRO (comédia)

FOTO DIVULGAÇÃO

Dr. Jekyll acredita que em todos os seres humanos existem tanto o bem quanto o mal, e parece ter finalmente encontrado uma fórmula capaz de comprovar sua teoria. Após muito empenho, chega à poção que promete separar os indivíduos de seus comportamentos, e decide tornarse sua própria cobaia. Combinada ao café intragável da empregada Minerva, a fórmula traz à tona a metade perversa do médico, autodenominada Edward Hyde, que passa a consumir e a mandar na personalidade generosa de Jekyll. Direção: Cesar Augusto. Elenco: Bruce Gomlevsky, Débora Lamm, Erica Migon, Hugo Resende, Isabel Cavalcanti, Marcelo Olinto e Michel Blois. Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1.299, Centro), dias 5/4 (21h) e 6/4 (21h).

AS DICAS DE

Ranieri Gonzales ATOR

Indico pelos atores Marcos Caruso, que é brilhante, e Erom Cordeiro, que é supertalentoso. São ótimos. Para quem gosta de atuação, é uma aula.

(comédia) Um famoso escritor de romances policiais convida o amante de sua esposa, um cabeleireiro italiano, para um encontro, a fim de propor um golpe baseado em um jogo de encenação do qual ambos sairiam com lucro. A convivência entre os dois, porém, desencadeia uma batalha de gênios com potencialidade para resultados inesperados. O espetáculo tem em sua construção o que há de melhor nos romances de suspense: uma sucessão de jogos entre os dois homens, nos quais nem sempre é claro quem está realmente dominando ou sendo dominado. Direção: Gustavo Paso. Elenco: Marcos Caruso, Erom Cordeiro, Felipe Miguel e Vinícius Marins. Guairão (Rua Conselheiro Laurindo, s/ nº, Centro), dias 30/3 (21h) e 31/3 (21h).

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(Sobre Em Nome do Jogo)

FOTO DIVULGAÇÃO

EM NOME DO JOGO

Marcos Caruso e Erom Cordeiro: duelo inteligente em um espetáculo eletrizante e otalmente inesperado.

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A TOP VIEW reuniu nesta edição dez dos mais notáveis profissionais do design e arquitetura da atualidade que ganharam destaque mundial com suas criações. Tem até suingue brasileiro. Confira! por Patrícia Ribas

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PHILIPPE STARCK: Beleza É Utilidade

Design é uma ferramenta para ajudar a tribo.” Autor de frases como essa – mote para a criação de produtos funcionais, em detrimento de peças apenas bonitas –, o parisiense Philippe Starck, 63 anos, consolidou-se como criador inquieto e preocupado com questões como a democratização do design e o meio ambiente. Suas peças tornaram-se icônicas, como a cadeira Louis Ghost ou o espremedor de suco Juicy Salif. Starck também virou grife para hotéis, restaurantes e cafés descolados no mundo todo – do aguardado Ma Cocotte, em Paris, com inauguração prevista para setembro deste ano, ao Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, remodelado por ele em 2007. “Ele transmite uma postura confortável mesmo quando está ousando e/ ou subvertendo”, diz Dulce Albach, coordenadora do curso de Design de Produto da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Isso libera limites, configurando sua atuação nas mais diferentes áreas, com diferentes materiais, em diversos países e com grande segurança, para além das críticas e das controvérsias.

Abbracciaio Elegante candelário de alumínio que na disposição das duas velas sugere um abraço apaixonado. As duas peças unidas dão ainda estabilidade ao conjunto. Criação da coleção deste ano desenvolvida por Starck para a marca italiana Kartell.

De enfant terrible, no início da carreira, a empresário consolidado e preocupado com questões sócio-ambientais.

Também para a Kartell, a cadeira Masters foi criada especialmente para o Salão Internacional do Móvel de Milão de 2009. Combina os contornos de três cadeiras icônicas do design: a Tulip Armchair, de Eero Saarinen, a Series 7 Chair, de Arne Jacobsen, e a Eiffel Chair, de Charles Eames.

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FOTOS DIVULGAÇÃO KARTELL

Masters Chair

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KARIM RASHID: Excentricidade No Luxo Com uma personalidade solar, que reflete muito de sua origem multicultural – egípcio criado em Londres e radicado em Nova Iorque – Karim Rashid, 52 anos, trouxe ao design contemporâneo algo de ousado e – por que não? – excêntrico. Dono de um currículo que soma cerca de 3 mil projetos com sua assinatura, trabalha com marcas absolutamente diversas: Citibank, Hyundai, Samsung, Veuve Clicquot, Audi e Swarovski, para citar algumas. Sua atuação abrange desde a criação de produtos até o desenvolvimento de marcas e artigos de luxo, além de design de interiores para hotéis, bares e restaurantes. Tem quase uma década de experiência como professor e – surpresa – eventualmente se apresenta como DJ. “Rashid consegue provocar a percepção sensorial dos objetos através do seu design ousado e inusitado. Potencializa grandes marcas através da pluralidade de sua autoria, deixando em evidência sua assinatura e reiterando o seu compromisso comercial, conquistado pela visibilidade de suas criações”, diz Ana Brum, coordenadora do curso de Design da Unicuritiba e diretora técnica do Centro de Design do Paraná. “As criações dele são ainda extremamente sensuais”, avalia.

Bobble

Designer ousado, vai do rigor da academia, como professor respeitado, à alegria das pistas de dança, como DJ.

Inovação e sustentabilidade: a garrafa d´água, além do desenho moderno, tem um filtro de carvão (que pode ser trocado e é vendido separadamente). A proposta é encher com água da torneira mesmo – o filtro garante a retirada de impurezas e o frescor.

Garbo Com a lixeira de contornos suaves, que sugerem curvas hollywoodianas, criada para a canadense Umbra, na década de 1990, Rashid mostrou que até o lixo pode ter sua dose de graça e glamour. A peça virou uma febre nas lojas e até hoje é sucesso de vendas.

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PATRÍCIA URQUIOLA: Feminina Sem Frescura Com móveis e produtos repletos de curvas e formas arredondadas, que às vezes remetem a flores ou ondas, a espanhola Patricia Urquiola, 51 anos, transmite muito de feminilidade – mas sem a pecha de “mulherzinha”. Como define a designer Dulce Albach, coordenadora do curso de Design da UFPR: “Ela representa em grande estilo um sofisticado aconchego, delicadeza e contato humano característicos de uma especial ‘alma feminina’.” Exemplos disso são as linhas de sofás produzidas para a rede italiana Moroso, a série de porcelanas e cerâmicas Landscape, desenvolvida para a tradicional fábrica Rosenthal – que foi exibida em 2008, no Design Museum, de Londres – e, mais recentemente, a delicada rolha Fil d’Or, desenvolvida para o champanhe francês Ruinart. Nascida em Oviedo, Patricia cursou a Faculdade de Arquitetura da Politécnica de Madri e o Politécnico de Milão, onde se formou em 1989. Há muitos anos trabalha na Itália, onde mantém desde 2001 seu próprio estúdio. Lá, além de design de produto, trabalha com arquitetura, instalações e desenvolvimento de conceito.

Espanhola de Oviedo, vive e trabalha na Itália e é uma das mulheres mais respeitadas no ramo do design.

Canasta

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Essa série de sofás e poltronas que remetem à textura arredondada e trançada de cestas de palha (“canasta”, em espanhol) foi desenvolvida para a rede italiana B&B em 2007, para ambientes externos. Combina a nostalgia do material à modernidade das formas.

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IRMÃOS CAMPANA: Brasileiros Singulares Discreta e pouco chegada a holofotes, a dupla brasileira ganhou o mundo com projetos que trazem muito de inusitado, especialmente no que diz respeito à escolha de materiais. São cadeiras de imensos emaranhados de cordas, poltronas feitas com centenas de bonecas e bichos de pelúcia, mesas com tampo de ralo de PVC, luminárias de gravetos de bambu e sandálias de plástico. “Os irmãos Campana conseguem em sua irrequieta obra trazer a expressão brasileira, inventiva, instigante, lúdica. Ao mesmo tempo em que retratam um momento e local, o Brasil, eles são universais”, diz Ken Fonseca, mestre em Tecnologia e professor do curso de Design da UFPR. “Eles rompem as tênues barreiras entre a arte e o design ao trabalhar com uma linguagem híbrida, rompendo também com os aspectos puramente funcionais dos produtos.” Nascidos no interior de São Paulo, Humberto e Fernando Campana, 59 e 51 anos, foram os primeiros designers brasileiros a exibir trabalhos no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), em 1994. Recentemente, receberam mais uma premiação internacional: o prêmio Criação e Patrimônio 2012 do Comitê Colbert, instituição que reúne 75 casas de luxo francesas e 13 instituições culturais.

Do interior de São Paulo para o mundo, os reservados irmãos Campana seguem levando humor e leveza ao design contemporâneo.

Cadeira Vermelha Criada em 1993, é formada por um calculado emaranhado de corda amarrado a uma estrutura de aço. Produzida pela italiana Edra, foi a obra que deu projeção internacional à dupla e marcou o início da produção industrial de seus trabalhos.

Melissa Experimentação com o mundo da moda: em 2004 foi iniciada parceria dos Campana com a Grendene, empresa brasileira de calçados. A série foi idealizada a partir do próprio trabalho dos irmãos com fios de PVC e já ganhou várias reedições.

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Especializado na criação de mobiliário – sempre com foco no consumidor final –, o alemão Konstantin Grcic, 47 anos, é hoje um dos mais respeitados designers industriais do mundo. Desenvolve produtos para grandes companhias, omo a japonesa Muji, a italiana Magis e a alemã Authentics, além de manter seu próprio negócio, a Konstantin Grcic Industrial Design (KGID), empresa criada por ele em 1991, com sede em Munique. Grcic tem entre suas criações mais conhecidas a cadeira Myto e a luminária Mayday Lamp, ambos projetos premiados com o Compasso d´Oro, uma das mais importantes e tradicionais premiações do design industrial europeu. Recentemente, ganhou repercussão sua cadeira Médici, criada para a italiana Mattiazzi. A peça, toda em madeira, de linhas retas e concepção clássica, foi definida pelo próprio designer como uma espécie de “volta às origens” – na juventude, Grcic fez um curso técnico de marcenaria, anos antes de estudar design no Royal College of Art, em Londres. Além da produção de móveis, também atua como curador de exposições sobre design para museus no mundo todo.

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KONSTANTIN GRCIC: Simples E Eficiente Designer alemão costuma ser descrito como “minimalista”, mas diz preferir a palavra “simplicidade” para definir seu trabalho.

Creio que a proposta foi a mistura entre ingenuidade e rudeza.

KONSTANTIN GRCIC, SOBRE A CADEIRA CHAIR ONE

Chair One Pensada a partir de uma bola de futebol tradicional, a cadeira Chair One, lançada em 2004, tem o assento feito em alumínio e pelo menos duas opções de base. É uma das peças mais populares do designer.

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TOM DIXON: Design Para Todos

Etch Web Parte da coleção Luminosity, apresentada no Salão Internacional do Móvel de Milão deste ano, a luminária pendente Etch Web é composta por uma grande e leve esfera (65 cm de diâmetro, com menos de 1 quilo). Quando acesa, produz sombras em forma de ângulo.

Fan Chair Natural Aqui, como em várias de suas criações, Dixon faz uma releitura de móveis ingleses tradicionais. Lançada em 2011, a peça de madeira foi idealizada como uma versão moderna da clássica cadeira Windsor, um dos ícones do design britânico.

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Criatividade com tino comercial é a habilidade de Tom Dixon, 59 anos, que começou a carreira por acaso – soldando sozinho uma motocicleta quebrada, em 1983. Pegou gosto pela coisa e passou a criar peças de mobiliário: ganhou o mundo. Questionado certa vez sobre sua falta de formação acadêmica em entrevista concedida à equipe do Museu Design, de Londres, declarou que via nisso algo positivo: “Pude experimentar sem restrições e cometer meus próprios erros. Como resultado, desenvolvi minha própria atitude.” A partir de criações com a cadeira S-chair e a luminária The Jack Light, passou da produção “caseira” para a profissionalização. Apurou o faro comercial na Habitat, rede de móveis e decoração britânica. “Com firmeza geométrica, ele dá leveza a produtos tradicionais, transformando-os em objetos de desejo democráticos, quase unânimes”, diz a designer Ana Brum, diretora técnica do Centro de Design do Paraná. Nascido na Tunísia de pai inglês e mãe franco-letã, Dixon cresceu em Londres, onde mantém desde 2002, entre outros projetos, a companhia de criação e produção de peças de iluminação e mobiliário que leva seu nome. A marca lança coleções anualmente e vende em mais de 60 países.

Com peças vendidas em mais de 60 países, Dixon provou que o autodidatismo pode ser um excelente negócio.

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RON ARAD: Experimentação Avesso a rótulos, o designer israelense Ron Arad, 61 anos, projetou-se internacionalmente com obras desafiadoras e a proposta de fugir do comum e da produção em massa. “Para ele não existe uma linha entre arte e design”, diz o professor Ken Fonseca, do curso de Design de Produto da UFPR. “Desenvolve peças únicas ou em pequenas séries, não mais definidas pelos processos produtivos, mas desafiando as limitações existentes.” Nascido em Tel Aviv, mudou-se para Londres em 1973 para estudar arquitetura. Ganhou fama nos anos 80 como designer autodidata, fabricando móveis que mais pareciam esculturas – caso da Rover Chair, primeira peça que ganhou destaque: um assento velho de carro acoplado a uma estrutura de sucata. Arad também especializou-se em unir tecnologia a seus projetos, como na instalação Curtain Call. Essa cortina feita de 5.600 barras de silício, suspensa em um anel de 18 metros de diâmetro, serviu de tela para filmes, performances e interação com o público durante o festival Bloomberg Summer do centro cultural Roundhouse de Londres, em 2011. “Com ele, o design redescobriu a sua liberdade de criação”, conclui Fonseca.

Para ele não existe uma linha entre arte e design. KEN FONSECA, PROFESSOR DA UFPR

Conhecido por associar como poucos a arte ao design, Arad defende a originalidade de suas criações em detrimento do grande mercado.

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FOTO DIVULGAÇÃO KOLLER AUKTIONEN

Loop Loop Chair O preço da exclusividade: cadeira de malha de aço e curvas sinuosas é parte de um lote de apenas cinco peças, criado por Arad em 1994. Durante um leilão, em 2009, foi arrematada por um colecionador suíço por 88.600 euros (R$ 225 mil, em cotação atual).

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ZAHA HADID: Topografia Visionária Com suas linhas fluidas e formas dinâmicas, a iraquiana Zaha Hadid, 62 anos, conquistou respeito mundial por seu trabalho tanto em arquitetura quanto em design. Para entender o porquê desse sucesso, basta ver a mesa Glacial Liquid ou o projeto do Centro Aquático de Londres, onde foram realizadas as provas de natação e outras modalidades aquáticas nas Olimpíadas deste ano. “Difícil falar desta arquiteta que, pelo menos na nossa cultura, parece não estar neste tempo”, diz a coordenadora do curso de Design de Produto da UFPR, Dulce Albach. “Zaha é do futuro, nos leva a pensar: ‘Isso é ficção ou realidade?’” Zaha trabalha a interação entre paisagem, geologia e arquitetura utilizando tecnologia de ponta, o que leva a resultados por vezes inesperados. “É genial ter sempre uma sensação de surpresa e admiração pelas novas possibilidades que ela apresenta, para além do óbvio, pela inquietação que me provoca quanto à relação tempo e espaço”, opina Dulce. Premiada internacionalmente, também tem sua obra exposta com destaque em museus do mundo todo. Em 2010 recebeu da Unesco a condecoração Artista da Paz, e neste ano o título de Dame Commander da Ordem do Império Britânico.

Arquiteta ganhou renome no meio do design com o estilo futurista e elegante que confere a suas criações.

Roca Gallery

Liquid Glacial Table O efeito da obra é surpreendente – parece mesmo uma escultura de gelo suspensa. Toda feita em acrílico, a mesa foi desenvolvida neste ano e se propõe, a despeito da aparência, a ser uma peça funcional e ergonômica.

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FOTO DIVULGAÇÃO ROCA

FOTO JACOPO SPILIMBERGO

O projeto desta galeria situada em Londres, mantida pela empresa de acessórios para banheiros Roca, é todo baseado no movimento da água, com formas fluidas e curvas. O prédio foi inaugurado no ano passado e tem na arquitetura de Zaha uma de suas atrações.

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OKI SATO: Oriente Cosmopolita Canadense de origem japonesa, Oki Sato, 35 anos, emprega muito das raízes nipônicas em seus trabalhos. Mas sem cair no caricato e com um toque bem- -humorado – como na Cabbage Chair, cadeira repolho, em tradução livre –, uma de suas criações mais conhecidas: um grande rolo de papel que, desfolhado, transforma-se numa cadeira. Apontado pelo New York Times como designer superstar, também figura na lista dos 100 Japoneses Mais Respeitados da revista Newsweek. Formou-se em arquitetura pela Universidade Waseda, de Tóquio, em 2002. No mesmo ano, abriu seu próprio estúdio na cidade, o Nendo. Três anos depois, inaugurava uma filial em Milão. Tem suas coleções exibidas em museus do mundo todo e somente neste ano já recebeu dois prêmios como designer do ano, pelas revistas especializadas Elle Décor e Wallpaper. Na relação de clientes, quase uma centena de marcas, uma rica amostra da diversidade do trabalho da Nendo. Estão lá desde a tradicional rede de móveis italiana De Padova às maisons de luxo Louis Vuitton e Hermès. Também estão nesse rol o chá inglês Lipton e produtos de beleza da japonesa Shu Uemura.

Thin Black Lines A cadeira de metal, que compõe a série Thin Black Lines, foi exibida em diversos museus pelo mundo a partir de 2010. O desenho é todo inspirado na caligrafia japonesa e cria um efeito bidimensional, dependendo do ângulo em que a peça é vista.

Soma de juventude, trabalho duro e humor resultaram em reconhecimento e produtos com sua assinatura comercializados em diversos países.

Cabbage Chair Peça criada em 2008 a pedido do estilista japonês Issey Miyake, que buscava uma forma de reaproveitar as sobras resultantes da fabricação de papel plissado. O material recebeu resina, foi enrolado e só: nem pregos nem nada. Para sentar, basta cortar o rolo e desfolhar.

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ANTONIO CITTERIO: Design Italiano Dono de um estilo que mescla o luxo a formas limpas e simples, o italiano Antonio Citterio, 62 anos, começou a trabalhar com projetos de arquitetura e design mesmo antes de se formar: iniciou o próprio negócio em 1972 e não parou mais. Desde 1999 é parceiro da arquiteta italiana Patricia Viel em um estúdio de criação de nível internacional. Nele trabalha desde desenvolvimento de móveis e produtos de decoração (algumas linhas são fabricadas na filial brasileira da Axor-Hansgrohe) até grandes construções, como o hotel da marca de luxo Bulgari, em Londres, e a igreja de Áquila, cidade italiana que há três anos foi devastada por um terremoto. Essa obra, aliás, é finalista do prêmio Medaglia d’Oro all’Architettura Italiana, que será anunciado em outubro. O arquiteto também é professor na Academia de Arquitetura da Universidade da Suíça Italiana. “Citterio reflete o que entendemos comumente por ‘design italiano’, ou seja, a perfeita combinação entre os objetos e o espaço, entre forma e função, somando e tensionando formas simples, planos e sólidos, com cores e sombras”, explica Ken Fonseca, professor do curso de Design da UFPR. “É simples e elegante.”

Ele tem um estilo puramente italiano, marcado por peças de linhas simples e sofisticadas, tanto em mobiliário quanto em projetos de arquitetura.

Mart A poltrona em couro reclinável também faz parte da coleção da B&B. Nesse material, o trabalho de artesanato tradicional italiano do couro modelado foi somado a um processo tecnológico moderno. A peça prima pela qualidade e pelo conforto.

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Série de cadeiras e poltronas de couro e tecido criada por Citterioem 2003 para a rede de móveis italiana B&B. Reúne os traços que marcam o trabalho do designer, com linhas puras. Aqui, versão em tecido para poltrona pequena.

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WALTEL BRANCO

O Homem

Músico

Ele já ensinou Baden Powell, trabalhou com os expoentes da Bossa Nossa, e compôs, entre tantas trilhas famosas, a do filme A Pantera Cor de Rosa. É assim, nos bastidores, que esse paranaense de temperamento tranquilo prefere agir. “Nunca quis ser famoso. O que me importa é a música” Músico O HOMEM Do erudito ao popular, Waltel compôs mais de cinco mil peças. 42 , Novembro 2012 43. por Paula Melech

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WALTEL BRANCO

Talvez seja mera coincidência, ou, quem sabe, predestinação divina. Fato é que no dia 22 de novembro – dia do músico – nascia Waltel Branco. O homem- músico que está completando 83 anos pode ser descrito como um dos precursores do jazz fusion e da bossa nova. O maestro, compositor, violonista e arranjador foi professor de Baden Powell, arranjou discos de João Gilberto e criou trilhas sonoras de novelas e filmes – a mais conhecida, sem dúvida, é a famosa música de A Pantera Cor de Rosa. A lista de feitos é grande: do erudito ao popular, compôs mais de 5 mil peças. Fez arranjos e direções musicais para Dorival Caymmi, Nana Caymmi, João Gilberto, Roberto Carlos Carlos, Cazuza, Tim Maia, Djavan, Cartola, Gal Costa, Maria Creuza, Vanuza, Mercedes Sosa, Astor Piazzola, Zé Keti, Peri Ribeiro, Sérgio Ricardo, Tom Jobim e muitos outros. Produziu até um arranjo do Hino Nacional Brasileiro para a Orquestra de Viena executar.

DO ERUDITO AO POPULAR, O MAESTRO COMPÔS MAIS DE CINCO MIL PEÇAS

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FOTO DANIEL KATZ

Diante de tamanha importância, é até curioso que o seu nome não seja proferido aos quatro ventos. Talvez seja apenas reflexo de uma personalidade tranquila ou simplesmente um desinteresse pela fama. “Nunca quis ser famoso. O que me importa é a música”, comenta Waltel. A fala baixa e pausada sugere que se trata de um sujeito atento ao que diz. A conversa é olho no olho e, quando é o interlocutor que fala, ele ouve sem pressa. Mas, por trás do semblante calmo, há uma mente inquieta capaz de memorizar a primeira música que aprendeu a tocar, ainda criança. Mal termino de perguntar se ele se lembra da canção, rapidamente saca o violão e começa a dedilhar os acordes. É assim, musicalmente, que Waltel se comunica: recorda da música, mas não do nome dela.

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Waltel escolheu o violão, contrariando a preferência do pai.

NO RITMO LATINO Na trajetória do mestre Waltel, um dos momentos mais decisivos aconteceu a partir do contato com a cantora cubana Lia Farrel, no final de 1940. Os caminhos da vida tomaram um rumo definitivo para a sua carreira. Durante a temporada de shows no Rio, ocupou o cargo de violonista do conjunto que a acompanhava e passou a assinar a direção musical e os arranjos da intérprete. Após a última apresentação, seguiu com Lia para Montevidéu, no Uruguai, e depois para Cuba. Os dias eram agitados e a música estava por todas as partes. Morando em Havana, conheceu artistas de renome da música cubana como o pianista, compositor e maestro Perez Prado, o percussionista Mongo Santamaría e Chico O’Farrell. Profundamente envolvido com o som latino, Waltel começa a se interessar por jazz e segue para os Estados Unidos. Lá, busca o guitarrista San Salvador – integrante do trio de Nat King Cole – para tomar aulas. Em Nova Iorque, tocou com Laurindo de Almeida e gravou trabalhos com Franco Rosolino, Charles Mariano, Sam Noto, Mel Lewis e Max Bennett. Definitivamente, a música ocupava tamanho espaço na vida do maestro que influenciou até sua vida afetiva. Nos Estados Unidos, Waltel conheceu a cantora Peggy Lee, que era casada com o maestro Quincy Jones. Waltel teve um affair com a irmã de Peggy, Lede Saint-Clair, tornando- -se assim, próximo de Jones. Juntos, tocaram muito jazz e música clássica. Foi quando conheceu o maestro Henry Mancini, que na época abria um escritório para atender à demanda por trilhas sonoras para TV e cinema. Waltel foi contratado e tornou-se o arranjador de uma das músicas mais famosas da história do cinema, a do filme A Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards. , MAIO 2013

PREDESTINADO Waltel teve dois nascimentos. Sem maior alarde, veio ao mundo em uma tarde de novembro de 1929 na cidade de Paranaguá, surpreendendo os pais. A previsão era que o menino nasceria somente dois meses depois. Os pais moravam em Curitiba e estavam no litoral a passeio. Com a chegada surpresa do filho, subiram a serra e foram direto para o Hospital São Vicente, onde o pequeno foi registrado em uma data que se tornaria emblemática na sua carreira. A música fazia parte da família. Seu primeiro professor foi o pai Ismael Helmuth Scholtz Branco, saxofonista, clarinetista e maestro. Crescendo nesse meio, os filhos sempre foram incentivados a tocar algo e Waltel escolheu o violão – meio a contragosto, já que o pai achava que era um instrumento de menor importância. Teve alguns mestres ao longo do aprendizado, como o maestro Bento Mossurunga e Jorge Koshag. Em Curitiba, as atividades profissionais começam na rádio com Janguito do Rosário (cavaquinista), Arlindo (violão sete cordas), Efigênio Goulart (acordeonista), além de outros que atuam no cenário musical. Durante a gravação de um disco com o acordeonista italiano Cláudio Todisco nos estúdios da Odeon, no Rio de Janeiro, conheceu o maestro Radamés Gnattali. Waltel lembra que estava tocando a Tocata e Fuga em Ré Menor (de Bach) quando o maestro perguntou se ele estava lendo a partitura. “Respondi que sim, pensando que estava errando alguma nota. Então ele me convidou para trabalhar com ele”, conta. Esse primeiro contato evoluiu para uma amizade que duraria até o fim da vida de Gnatalli. Juntos, participaram de gravações de discos e apresentações de recitais. A partir daí, passou a ter aulas de regência com outros mestres, como Alceu Bocchino e Mário Tavares, e ensaiou a orquestra nos concertos de Stravinsky na capital carioca. Na Escola de Música, no Rio, também teve aulas com nomes de peso como o violoncelista Iberê Gomes Grosso e com o violonista Othon Salleiro .

EU NUNCA PARO, GOSTO DE ESTAR EM MOVIMENTO.” WALTEL BRANCO

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PERSONAGENS

WALTEL BRANCO

A BOSSA BRASILEIRA Depois da temporada no exterior, Waltel sentiu um chamado interior para regressar à terra natal. Quando aterrissou por aqui, no final dos anos 50, a Bossa Nova já estava no ar e o maestro entrou no movimento de cabeça. Tornou-se amigo de ninguém menos que João Gilberto, com quem inclusive dividiu um apartamento. “Somos amigos até hoje”, conta. A amizade e parceria musical resultaram no álbum Chega de Saudade, lançado em 1959, coarranjado pelo paranaense. A Bossa Nova foi fundamental para trazer à tona a importância de Waltel como um dos mais talentosos músicos brasileiros. Era muito requisitado para tocar e respeitado como arranjador. Sempre trabalhando – “Eu nunca paro, gosto de estar em movimento” –, o maestro dava aulas para Baden Powell e tocava com vários músicos, quando recebeu um convite para trabalhar na Rede Globo. Roberto Marinho procurava alguém para comandar a equipe musical da emissora. Sob os seus cuidados foram compostas trilhas de novelas famosas até hoje, como a de Roque Santeiro, A Gata Comeu, A Moreninha e A Escrava Isaura. O grupo de trabalho era formado por ninguém mais ninguém menos que Radamés Gnatalli, Guerra- Peixe e Guido de Moraes. Foram 20 anos de trabalho na televisão. Mas não quis ser conhecido por este tipo de atuação, por isso assinava com pseudônimos. Hoje, a sua vida em Curitiba é tranquila. Mora no bairro Batel e gosta de sair de casa para caminhar ou ir a alguns shows e eventos em que é homenageado. Recentemente foi lançado o seu primeiro livro de partituras, que reúne grande parte da extensa obra para violão. O projeto, capitaneado pelo produtor Alvaro Collaço, ganhou tanta repercussão que, dois anos depois, 20 violonistas populares e eruditos da cidade começaram a gravar algumas das mais de 200 composições suas para violão. O resultado foi a gravação do disco O Violão Plural de Waltel Branco. Muito procurado por músicos que querem a sua opinião sobre alguma composição, o maestro recebe a todos com muito carinho. Não tem mágoa de não ter ficado famoso como a turma da Bossa Nova, mas diz que Curitiba precisa se orgulhar mais dos seus artistas. “Não sei direito por que isso acontece, mas o meu trabalho foi mais reconhecido fora da cidade.”

NÃO SEI PORQUE, MAS O MEU TRABALHO FOI MAIS RECONHECIDOFORA DA CIDADE” WALTEL BRANCO

Em 1955, Waltel tocando com o cantor Paulo Sérgio, acompanhados dos músicos Raul Brodman, Wilson Branco e Delirio de Souza.

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FOTO GILSON CAMARGO

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1. Tocando com João Gilberto, de quem é parceiro musical e amigo há muitos anos. 2. Aos 83 anos, o maestro é muito procurado por músicos que querem a sua opinião sobre trabalhos 3. O livro de partitura A Obra para Violão de Waltel Branco é o primeiro publicado de suas composições. 4. Octávio Camargo, Paulo Belinatti, Baden Powell e Waltel em momento de descontração.

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ESTILOS

MODA

O frio vai ser

Quente

As principais tendências para a próxima estação sugerem looks carregados de sensualidade e elegância – elementos perfeitos para aquecer os dias mais gelados do ano.

por Greyci Casagrande

FOTOS AGÊNCIA FOTOSSITES E DIVULGAÇÃO

FH

Ausländer

Samuel Cirnansck

Nas ruas Cuidado para não cair no vulgar. Equilibre os itens transparentes com outras peças mais comportadas e deixe à mostra as partes que deseja valorizar.

Transparência No outono/inverno 2013, as transparências – em evidência na temporada passada – voltam com detalhes mais elaborados e menos vulgares. Sobrepondo com outras peças e brincando comtexturas e recortes, essa tendência esteve presente nas passarelas das grandes marcas ano passado; e segueem alta. “O jogo de esconde e reveladeve aparecer muito em camisaria, peças com recortes e alguns looks mesclados com a renda”, afirma Junior Gabardo, professor e consultor de moda. Para compor um look mais leve no inverno, a blogueira Tatiana Klimovicz, maisconhecida como Tati Kli, recomenda o uso da transparência com peças de tecidos como couro e veludo. “Assim, essa tendência foge dos comuns looks invernais, geralmente pesados devido às cores e tecidos.” , MAIO 2013

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ESTILOS

MODA

Couro Outro que está sempre aparecendo nas coleções outono/inverno, volta em uma releitura mais sexy e trabalhada. “Couro que parece renda, cortado a laser, grafitado, desgastado... Ele está cada vez mais presente nas coleções, principalmente nas brasileiras, e ganha destaque nesta temporada com suas variações”, explica Tati. Em versões femme fatale e produzido com couro de porco, de vaca, com pelo e sem pelo, nas passarelas o material esteve em saias, vestidos, jaquetas mangas de suéteres e até na trama trabalhada da Tufi Duek. “O couro praticamente nunca sai da moda. Podemos usá-lo em jaquetas, calças, compondo looks com jeans e camiseta para o dia-a-dia e uma minissaia para a noite”, orienta Gabardo.

Ausländer

Sacada

Ausländer

Patachou

Nas ruas

Maria Garcia

Todos podem usá-lo, mas é preciso evitar um look total só no couro. Isso funciona apenas nas passarelas.

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FOTOS AGÊNCIA FOTOSSITES E DIVULGAÇÃO

FOTOS AGÊNCIA FOTOSSITES E DIVULGAÇÃO FOTOS AGÊNCIA FOTOSSITES E DIVULGAÇÃO

Ausländer


Alfaiataria Maria Garcia

Triton

Com toque masculino e extremamente elegante, a alfaiataria foi vista em desfiles de grandes marcas nas passarelas da SPFW e Fashion Rio e é uma forte aposta de Gabardo, que também é diretor criativo da Semana de Moda de Curitiba. “A alfaiataria foi apresentada em terninhos nobres, trazendo uma referência masculina com toque de delicadeza.” Essa linha tênue entre o que é para homem e para mulher é a grande sacada dessa tendênciapara o inverno. “As peças com valorização de cortes e tecidos estão com tudo. Não só no óbvio terno e smoking, mas na silhueta com coletes e calças amplas”, garante Tati. A blogueira de moda, porém, dá uma dica importante: “A alfaiataria só se apresenta de forma forte se usada em um look todo, mas isso funciona para uma pequena parcela das pessoas.”

Nas ruas Para quebrar a severidade do terno tradicional, misture a alfaiataria com peças mais despojadas e modernas.

Ellus

Colcci

Andrea Marques

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ESTILOS

MODA

Triton

Herchcovitch

Teca

Nas ruas O vestido de modelagem “A”, com formas arredondadas (Herchcovitch), é o coringa desta tendência e veste bem quase todos os biotipos.

Formas arrendondadas Presente nos ombros e nas cinturas das modelos nos desfiles do ano passado, a forma arredondada reaparece, dando a pitada delicada e romântica da próxima estação. “Provavelmente, iremos encontrar essa tendência em looks inspirados nos anos 60, estilo Twiggy Lawson”, aposta Junior Gabardo. Já Tati Kli acha que essa tendência ainda não caiu totalmente no gosto popular. “Acredito que ela seja mais para a passarela. Não é um estilo que favorece a maioria das mulheres.” O modelo estruturado no ombro, porém, combina com as brasileiras de quadris largos, pois dá postura e equilibra o corpo. 53

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Militar Inspirada em uniformes, roupas de guerra, camuflados e utilitários, essa tendência desperta autoridade e heroísmo. Surgiu nas passarelas há algum tempo e está sempre se transformando. Ela segue com tudo na estação mais fria deste ano e, segundo Tati Kli, surgirá em formas menos óbvias, com cores fortes e tecidos inusitados, como os casacos de pele. Gabardo acredita que peças como a calça cropped, estampada em verde militar, casacos trench coat, parca e peças com abotoamento duplo estarão em evidência.

Ellus

Triton

Nas ruas Para usar o militarismo e fugir da supremacia do verde oliva, invista em cortes e estilos em tons mais suaves.

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Colcci

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SABORES

BISTRÔ EM PARIS

Bistronomique:

Bom & Barato! Restaurantes parisienses com alma de bistrô em relação aos preços, mas que têm a criatividade de chefs premiados na hora de definir e apresentar os pratos. São os bistronomiques, que atendem as expectativas de quem quer comer bem e pagar pouco

FOTO FRED DERWAL / GETTY IMAGES

por Jussara Voss, de Paris

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Poucas e boas opções de pratos, vinhos regionais, ambiente informal, equipe reduzida no salão e na cozinha, e, claro, bom preço. Com essa equação muito simples ficaram famosos os bistronomiques, expressão da moda em Paris para designar os bistrôs econômicos com pretensões de alta gastronomia. Desta forma, sem toda aquela pompa dos restaurantes estrelados, esses novos bistrôs souberam exatamente como atrair e fidelizar uma fatia de consumidores muito exigentes, que almeja nada mais nada menos que o nirvana gastronômico sem ter que abalar seus orçamentos.

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Evidente que, às vezes, o barato não é exatamente o que imaginamos. Um jantar custando 120 euros por casal, incluindo serviço e vinho, pode não ser considerado exatamente uma pechincha, porém se levarmos em conta a qualidade, os produtos frescos e da estação, além da criatividade do chef, esse valor passa a valer muito a pena. Mas calma, existem cardápios cujos preços são bem menos proibitivos – é possível encontrar menus degustação que não passam de 40 euros.

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SABORES

FOTO ROMILDO VOSS JR

BISTRÔ EM PARIS

Muitas vezes os bistrôs estão em bairros afastados, mas a boa comida compensa a distância.

MELHOR COMIDA, MENOR PREÇO Há aproximadamente 20 anos, o chef francês Yves Camdeborde apresentou no seu Le Comptoir a proposta de oferecer alta gastronomia em ambientes pequenos, despojados e geralmente com apenas um garçom – tudo isso compensado pelos preços convidativos. A partir daí, outras casas foram se adaptando e conquistando clientes ávidos por comida saborosa, bem apresentada, outrora com preços proibitivos. Os chefs que aderiram ao movimento podem ser chamados de reis da alta gastronomia de cifras atraentes, sem medo de exagerar. O badalado Le Dauphin é um dos endereços mais quentes da cidade. O minirrestaurante é inteiro de mármore branco – um projeto do arquiteto - estrela Rem Koolhaas. Na cozinha, outra estrela, o jovem Iñaki Aizpitarte toca as panelas ao som de

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rock e divide seu tempo com outro espaço quase ao lado, o Le Chateaubrian, que também merece uma visita.

A

COMIDA CONSEGUE A SINTONIA ENTRE PRODUTOS FESCOS E A TÉCNICA Em pouco tempo, os dois lugares já têm uma legião de fãs – esta que vos escreve entre eles. Um amigo gourmet conheceu os dois e elegeu o Le Dauphin como o melhor restaurante da sua última viagem. Três porções bastam e a conta: 30 euros. Voltou em outra ocasião ao Chateaubriand, experimentou o novo cardápio e não achou tão bom quanto na primeira vez. A surpresa da primeira visita nem sempre se repete.

Outra referência de alguém de paladar afinado, o gourmand Jacques Trefois, no qual confio totalmente no quesito boa comida, foi categórico: “Se fosse para escolher apenas um, eu iria no Le Chateaubriand, caso não achasse lugar no Le Baratin. Le Troquet ou Chez Michel são também ótimos.” Consegui um lugar no Le Chateaubriand, sem reserva, uma chance na segunda rodada da noite que começa às 21h30. Nem a noite fria me fez desistir. Deixar Paris sem conhecer a comida desse francês criativo, filho de bascos, não estava nos meus planos. O lugar é como um simples restaurante de bairro: pequeno, barulhento, quase sem decoração, e você ainda fica colado no vizinho. O menu degustação de cinco pratos é no escuro, não há outra alternativa.

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FOTO ROMILDO VOSS JR

Terrine de foie gras: especialidade francesa preparada “comme il faut”, como deve ser.

A opção a prix-fixe, que muda diariamente, é a única opção e garante o preço baixo para esse tipo de restaurante: 60 euros. Le Chateaubriand subiu na primeira colocação como um foguete na lista dos 50 melhores restaurantes da revista Restaurant, depois desceu seis casas, entretanto, ainda brilha na 15ª posição. Ao final do jantar, veio o veredito: a comida consegue uma perfeita sintonia entre produtos frescos e técnica, é extremamente delicada e saborosa, tão apetitosa a ponto de seduzir até quem tem medo de combinações ousadas. O lombo de porco ibérico feito à baixa temperatura, servido com alcaparras crocantes, que eu nunca tinha comido; os queijos excepcionais; um sorvete de leite com maçã; e uma sobremesa de chocolate, deixaram-me completamente feliz. Com outra listinha feita pelo gourmand Trefois de e quatro bistronomiques imperdíveis na

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mão - Le Ribouldingue, Les Papilles, L’Entredgeu e Le Repaire de Cartouche - consegui conhecer os três primeiros e posso seguramente recomendá-los. Destaco o Le Ribouldingue. “Vamos fazer a festa!”, é assim que o restaurante se apresenta, numa tradução livre do seu nome. Na entrada, entreguei-me de corpo e alma à terrine da casa feita de bochecha e de nariz de porco. Depois, faltou coragem para pedir a sugestão do dia: tripas e cérebro – talvez em pequenas porções, mas um prato inteiro, não sei não. “Eles adoram o abate”, avisam no cardápio. Eu vou com calma. Dos franceses na mesa ao lado só escutei: “Hum, hum.” Encerrei com um inesquecível sorbet châtaignes aux marrons confits. Tudo isso por 32 euros. Na saída, como avisou Trefois, foi só olhar à esquerda e assim ver a beleza que possui a Catedral de Notre Dame iluminada.

Leitura obrigatória Além desta relação, o leitor poderá encontrar dicas gastronômicas no caderno trimestral Paris Chique, um guia editado pelo jornal Le Figaro – o de maior circulação na França – todo em português. O novo caderno será vendido nas bancas e distribuído gratuitamente nos locais frequentados por turistas de luxo e nas agências de viagem de alto padrão de São Paulo e Rio. Mas eu não poderia deixar de citar também o Paris by Mouth (parisbymouth.com), que, além de dicas fantásticas, promove os passeios temáticos: só chocolates, só queijos, só doces, que eu, juro, ainda farei um dia.

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BISTRÔ EM PARIS

FOTO ROMILDO VOSS JR

SABORES

Toque especial: os doces ao final da refeição garantem a satisfação do comensal. No detalhe, Les Ambassadeurs, dentro do requintado Hotel Grillon, também oferece uma versão bistronomique.

Também fui bem sucedida na missão de encontrar um restaurante da minha lista numa sexta-feira à noite em Paris, sem reserva: La Gazzetta! Um encaixe e, pronto, rumo à Bastille. Na descrição das indicações, apenas “um italiano com aspirações gourmet.” Nem pense que vai encontrar um prato de massa leve, o chef quer mesmo é mostrar que sabe ousar. Ele sabe o que faz. Receitas clássicas executadas com perfeição. Há duas opções de cardápio. É um italiano gourmet em terras francesas para se recomendar. Quase todos os grandes hotéis oferecem em seus restaurantes opções de entrada, prato e sobremesa por preços camaradas para os padrões da cidade. Vale a pena. Eu escolhi o do hotel Crillon para um almoço no Les Ambassadeurs. Todo o luxo, o serviço impecável e a qualidade na refeição num endereço clássico por 68 euros no almoço é algo a ser considerado, já o jantar é para poucos. Não esqueço a terrine de foie gras – a melhor que já experimentei. O La Cusine, do renovado

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hotel Royal Monceau, que no verão serve as refeições no terraço, é outra indicação especial. Apesar de mais caro, é para ser visitado sempre que possível. Algumas horas para comer bem também devem ser reservadas à Place de la Madeleine. No Café Prunier peça o caviar francês, acompanhado por blinis, creme azedo e batata. Sim, caviar fica uma delícia com o tubérculo. Eu achei mais suave do que o caviar russo. Quanto mais velho, mais acentuado o sabor, contaram-me. O salmão defumado nos Alpes Suíços “usando receita milenar” também é recomendado. Além das compras nas redondezas, como na Fauchon, que tem até escargots preparados para ir direto ao forno, pães, chocolates e doces, pode-se encontrar uma variedade de produtos de qualidade na Hediard, que tem seus famosos crepes dentelle, entre as atrações. As melhores trufas negras da França estão em La Maison de la Truffe, tudo isso com a Madeleine ao fundo. Programa para deixar qualquer um satisfeito.

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FOTO ROMILDO VOSS JR

Le Chateaubriand ainda brilha na 15a posição na lista dos melhores da revista Restaurant.

Onde comer Se estiver andando pelo charmoso bairro do Marais vá almoçar naquela que é considerada a melhor creperie de Paris, o Breizh Café, que lota nos fins de semana. Um toque japonês no lugar e uma lojinha para levar produtos especiais para casa são atrativos, além dos crepes, claro. É um lugar para se passar horas agradáveis. E se a temporada na cidade for mais longa, eu arriscaria um chinês, que não aceita reserva, tem bom preço e é mais do que recomendável. Falo do Délices de Shandong, descoberto por acaso. Voltando às compras, outro endereço para um momento caseiro, principalmente se um hotel não foi a hospedagem escolhida, é visitar a La Grande Épicerie de Paris, aliás, uma passada por lá é obrigação de qualquer gourmet. É impossível resistir ao “melhor mercado de comida do mundo”. E antes de deixar a cidade, é aconselhável visitar alguns endereços obrigatórios como a Pâtisserie des Rêves. Também visitei o Hugo et Victor e sai carregada de chocolates porque não conseguia mais comer na hora da visita. Sem arrependimentos. Endereço imperdível, assim como o Jacques Genin se o desejo for comer um mil folhas. E depois de fazer tantas indicações, foi inevitável lembrar de uma pessoa adorável, apreciadora de boas comidas e bebidas e frequentadora de bons lugares, parente distante, que foi enfática quando lhe disse, há alguns anos, que eu iria começar a escrever sobre gastronomia: “Nunca indique um restaurante para ninguém, cada um tem um gosto.” Agora é tarde.

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Comida boa, bonita e barata em Paris Le Comptoir_33 1 4427-0797 5 Carrefour de l’Odéon, 75006 Le Dauphin_33 1 5528-7888 131 Avenue Parmentier, 75011 Le Chateaubriand 33 1 43 57 45 95 129 Avenue Parmentier, 75011 Le Ribouldingue 33 1 4633-9880 10 Rue Saint-Julien le Pauvre, 75005 Les Papilles_33 1 4325-2079 30 Rue Gay Lussac, 75005 L’Entredgeu_33 1 4054-9724 83 Rue Laugier, 75011 La Gazzetta_33 1 4347-4705 29 Rue de Cotte, 75012 Breizh Café_33 1 4272-1377 109 Rue Vieille du Temple, 75003 Hôtel Crillon - Les Ambassadeurs 33 1 4471-1616 10 Place de la Concorde, 75008 Hotel Royal Monceau - La Cuisine 33 1 4299-8800 37 Avenue Hoche, 75008

Fauchon_33 1 7039-3800 26 Place de La Madeleine, 75008 Hediard_33 1 4312-8888 21 Place de la Madeleine, 75008 Caviar Kaspia 33 1 42 65 33 32 17 Place de la Madeleine, 75008 La Grande Épicerie de Paris 33 1 4439-8100 38 Rue de Sèvres, 75007 Pâtisserie des Rêves 33 1 4284-0082 93 Rue du Bac, 75007 Hugo et Victor 33 01 4439-9773 40 Boulevard Raspail, 75007 Jacques Genin_33 4577-2901 133 Rue de Turenne, 75003 Délices de Shandong 33 1 4587-2337 88 Boulevard Hôpital, 75013 Café Boutique Prunier 331 4742-9898 15, Place de la Madeleine, 75008

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ESPAÇOS

ADEGA PARTICULAR

Paixão Exclusiva

Ter uma adega em casa e colecionar rótulos raros e especiais é um sonho possível. Aprenda com os especialistas e aventure-se nesse universo. por Paula Melech | fotos Fernando Aguiar

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Tá certo que para ter uma adega em casa é preciso um bom caixa para investir na estrutura adequada e em rótulos de qualidade. Mas, com calma, persistência para encontrar as melhores garrafas e, claro, muita paixão, é possível montar uma coleção de peso e valor. E alguns segredinhos são muito bem-vindos para aqueles que querem se dedicar a essa arte. “Fui conhecendo o mundo das bebidas e criando gosto pela coisa”, conta o empresário do setor de bebidas Waldomiro Fávero. Depois de 18 anos de envolvimento nesse universo encantador, hoje ele tem em sua casa duas adegas: uma subterrânea, destinada principalmente para os vinhos, e outra para o dia a dia, onde ficam os destilados. O primeiro passo para quem quer montar uma adega em casa, aconselha o empresário, é escolher uma categoria de produtos. “Ter garrafas de todas as idades, por exemplo, é uma boa escolha.” Outro detalhe importante é sempre estar atento aos movimentos do mercado. Como investimento, uma boa opção são as edições limitadas, lançadas sempre no final do ano ou em alguma data especial. Uma das principais raridades da adega de Fávero é o uísque Royal Salute Diamond Jubilee, lançado em homenagem aos 60 anos de reinado da rainha a Inglaterra. Outro destaque é a bela garrafa de Johnnie Walker, embalada em uma luxuosa caixa de madeira com detalhes em ouro, que ocupa um lugar imponente da estante. O empresário destaca que, no longo prazo, esses itens. Encontrar esses rótulos raros exige certa determinação e um conhecimento razoável do mercado. Como nem sempre chegam ao Brasil, é interessante visitar adegas e vinícolas que oferecem novidades exclusivas. Foi em uma empreitada dessas que Fávero encontrou o uísque Cardhu, principal single malt que compõe o Johnnie Walker. “Esse eu não abro. A não ser em uma ocasião muito especial”, diz. Essa, inclusive, é uma questão importante que envolve a adega: é sempre bom garantir a compra de duas garrafas do mesmo rótulo. Uma fica guardada, enquanto a outra é degustada. valorizam a adega.

Jack Daniel’s: garrafa comemorativaaos 160 anos do nascimento do fundador da destilaria..

Para o dia a dia, essa adega guarda os destilados e alguns vinhos para serem consumidos em ocasiões mais informais.

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ESPAÇOS

ADEGA PARTICULAR

Vinho Bebida mais encontrada em adegas e uma das mais consumidas do mundo, o vinho tem necessidades diferentes dos destilados no armazenamento. O ideal é que a adega ocupe uma zona mais fresca da casa e sem luz, para não alterar as características da bebida. “Essas seriam as regras mais básicas. Mas, se for para fazer uma adega de grandes proporções, devemos ter um espaço com a temperatura e umidade controladas e pouca luz”, diz Ana Urbano, enóloga da vinícola portuguesa Caves Messias. Portanto, vale a pena investir num ambiente climatizado, já que não é raro o preço de uma única garrafa ser bem maior do que o da adega que o armazena. Além disso, ela diz que é necessário verificar de vez em quando a integridade das rolhas e, se for necessário, trocá-las. Para quem não é tão familiarizado com esse universo, tudo pode parecer um pouco complicado no início. Uma boa ideia para começar uma adega sem se perder entre tantos detalhes e decisões é contar com a ajuda de um personal wine. Este é um dos serviços oferecidos pelo maître sommelier da Adega Brasil, Washington Uchôa. Além de assessoria no assunto, ele ainda dá uma mãozinha na harmonização dos pratos. Na hora de comprar, por exemplo, ele diz que existem duas possibilidades que precisam ser levadas em conta: vinhos mais simples, para ocasiões informais, e os grandes vinhos, para momentos especiais.

COM OS AMIGOS São momentos para bater um papo e muitas vezes não são acompanhados por jantar, mas sim couvert ou aperitivos. Por isso é recomendável vinhos prontos para beber (que não necessitam de decantação). Sugestão: Cactus Reserva Carmenere (Valle Central – Chile) R$ 34,90

ALMOÇO OU JANTA Para valorizar a ocasião, o vinho certo faz toda a diferença. Se a base do prato é carne, devemos harmonizar com vinhos mais tânicos. Se o prato é mais leve, o vinho precisa sermais leve. A dica são os vinhos mais gastronômicos (adequados para serem harmonizados). Sugestão: Haras de Pirque Character Syrah (Maipo – Chile) R$ 79,90

FESTAS O Espumante Moscatel (ou Asti) é ideal para festas como formaturas, casamentos, aniversários e confraternizações. O Brasil se destaca pelos espumantes de grande qualidade com ótimos preços. Sugestão: Monte Paschoal Moscatel ((Farroupilha –Brasil) R$ 16,90

ESCOLHA CERTA Já que cada ocasião pede um vinho especial, contamos com a ajuda do sommelier da Grappolo e Vino, Fábio Cardoso, para dar algumas dicas de como impressionar em um encontro de amigos, festas, almo��o ou jantar.

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ESPAÇOS

ADEGA PARTICULAR

Bons Rótulos

Para quem busca vinhos como investimento, a enóloga Ana Urbano define pelo menos três estilos que atingem valores bem elevados no mercado: Porto Vintage, Pinot Noir da Borgonha e Sauternes. Mas o que vai determinar a qualidade da adega também é a variedade de bons vinhos. Ana diz que, se possível, é bom ter espumantes, brancos frescos, brancos com madeira, tintos leves, tintos bem estruturados, colheitas tardias e licorosos como o vinho do Porto e o vinho da Madeira. Comprar duas garrafas, uma para beber e outra para guardar, é importante caso o vinho tenha potencial de guarda. Como o vinho é uma bebida viva, conta Uchôa, durante o armazenamento ele irá desenvolver aromas mais intensos. Isso acontece com vinhos elaborados para ter uma longevidade de 30 anos, por exemplo. “Vai envelhecer sem perder suas qualidades”, salienta o maître sommelier. Quando entra em contato com o oxigênio, “desperta” e deixa transparecer as nuances e qualidades da bebida

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A adega sdestinada principalmente aos vinhos, é também um espaço de confraternização.

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l a i c e p s E

E D I T O R E S

E D I T O R E S

OS DEZ MAIS NOTÁVEIS DESIGNERS E ARQUITETOS

LOOKS ELEGANTES E SENSUAIS PARA O INVERNO

E MUITO MAIS...


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