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SENAC SANTO AMARO Nome: Letícia de Oliveira Alves Curso: Docência do Ensino Superior Cultura Digital “Quando eu estava na escola, o computador era uma coisa muito assustadora. As pessoas falavam em desafiar aquela máquina do mal que estava sempre fazendo contas que não pareciam corretas. E ninguém pensou naquilo como uma ferramenta poderosa”. (Bill Gates em palestra na Universidade de Illuinois, nos Estados Unidos, em 2004)

Atualmente, não há como se imaginar um mundo sem a interação proporcionada pela tecnologia, ela está em toda parte, influenciando formas de pensar, ser e agir... Sem dúvida esta “máquina” tornou-se uma ferramenta poderosa. Através das conecções de rede, diariamente se produz e se reformula o conhecimento, desmistificando verdades ultrapassadas e se propagando valores, modificando até mesmo a forma de interação com o outro. O uso da tecnologia tornou-se vital nas relações sociais, tanto que o governo lançou diferentes projetos para a democratização da cultura digital, tais como: “Cultura Viva” e


“Mais cultura”1, além da ampliação de escolas e postos com acesso a internet; nesse ultimo caso podemos mencionar o programa “Acessa SP”, que disponibliza gratuitamente o acesso a rede de informações, visando a democratização da tecnologia. A difusão da cultura digital é tão ampla que segundo Juca Ferreira (2009, p.20) “Os meninos não sabem ler direito ainda, mas já entram na internet e já têm acesso, e isto em uma colônia de pescador com um grau de conexão muito pequena”. Obviamente, os incentivos do governo ainda não são suficientes para atender a demanda, muitas vezes as salas de informáticas das escolas, quando existem, estão trancadas as sete chaves para a dita “preservação do patrimônio”, sem esquecer de mencionar que muitos professores são “analfabetos” em relação ao uso da tecnologia, por incrível que pareça nos dias de hoje... ainda existem pessoas que conseguem ver a “máquina” como algo realmente assustador. Contudo, enquanto alguns profissionais da educação não aderiram ao uso da tecnologia na sala de aula, essa geração demonstra-se encantada com a possiblidade de interação e dinâmismo de informações proporcionados pelo uso da rede, fato esse que torna-se evidente na afirmação de FERREIRA (2009, p.20): O Brasil não está preparado nem está disponibilizando uma infraestrutura para que se desenvolva esta linguagem, se desenvolva esses programas que são

atualmente imprescindíveis para a cultura. Eu diria mais, é um meio de

comunicação que a escola não deveria ignorar como uma parte de uma possibilidade enorme de educação. Primeiro porque é prazeroso, os meninos tem um sentimento de autonomia, e se você usar aquilo como um mecanismo de fortalecimento da relação com o mundo, da curiosidade, por ali pode fortalecer a leitura, a escrita, a curiosidade com o mundo, a conexão com temas.

Ainda segundo FERREIRA (2009, p.23) a rede tem um papel muito importante, pois é impossivel controlar a informação, ela circula em tempo real. Entretanto, os meninos citados pelo autor, ainda não tem maturidade para refletir e selecionar as informações vínculadas na internet. Nesse ponto, Fernando Haddad (2009, p.27) destaca que o país pode se beneficiar caso faça o bom uso da tecnologia, porém, temos que antes nos preparar para utilizá-la de forma produtiva. O autor ressalta que trabalhar com a tecnologia relacionando forma e conteúdo é algo complexo, contudo, vê essa complexidade como um desafio apaixonante. Todavia, esse olhar apaixonante deve ser, ao meu ver, estimulado nos professores, pois não basta colocar laboratórios na escola, tem que se capacitar os profissionais para saber usá-los como mais um instrumento 1 http://www.cultura.gov.br/culturaviva/category/cultura-e-cidadania/cultura-digital/ Acesso em 06/12/2011


didático. Enquanto isso não ocorre com maior dimensão a cultura digital se propaga; infelizmente nem sempre a educação, no caso a escola, acompanha essa transformação politica, histórica e social. De acordo com MANEVY (2009, p. 35) a cultura digital não é simplemente uma tecnologia, mas “um sistema de valores, de símbolos, de práticas e de atitudes” , não é basicamente um suporte, mas sim, um processo vivo de articulação de conhecimentos produzidos no coletivo e compartilhados, influenciando desta forma o modo de vida. Graças a propagação da cultura digital, segundo MANEVY (p.40) aqueles que muitas vezes eram excluídos do acesso aos bens culturais, começam a ter contato a estes, inicialmente através da televisão e agora com o uso do computador; obviamente esse acesso virtual não “põe fim” ao acesso físico, contudo, ameniza a exclusão cultural enraizada em nosso país pela desigualdade social, encurtando as distâncias e permitindo a criação de rizomas virtuais. Lendo o livro “Ctrl+Art+Del: Distúrbios em Arte e Tecnologia”, me deparei com um trecho que muito assemelha-se ao conjunto de entrevistas da publicação: Cultura Digital, segue para reflexão: “A emergência de novas técnicas como a internet e a multimidia indica um desejo coletivo de criar novos espaços de sociabilidade e de intaurar novos tipos de transações diante do objeto cultural” NUNES (2010, p.152)

Exemplos... temos muitos... não precisamos ir a Paris para visitar o Louvre; podemos participar de uma obra artística sentados na frente do computador; criamos manifestos, abaixo assinado e organizamos protestos via internet; buscamos informações sem a necessidade de memorização mecanica, afinal temos o google para isso, o tempo que era gasto para memorizar, agora deve ser gasto para refletir e articular o conhecimento; conhecemos pessoas, lugares e culturas distantes. Tudo isso graças a tecnologia que reformula e amplia nossa concepção de cultura.


Cultura digital