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O papel do design instrucional na produção de conhecimentos e metodologias tecnológicas educacionais. Ilka Letícia de Sousa Almeida Universidade Federal do Pará Curso Gestão de Tecnologia da Informação(GTI) kinhaleticia@gmail.com

Abstract. The Instructional Design is a professional rather unknown. Whether its formation is predominant technological knowledge and pedagogical skills that involve consists of knowledge and educational methodologies. All this implies the need for new professionals with profiles, roles, courses, requirements and duties defined. Resumo. O Design Instrucional é um profissional um pouco desconhecido. Saber se sua formação é predominante dos conhecimentos tecnológicos ou pedagógicos consiste em competências que envolvem conhecimentos e metodologias educacionais. Tudo isso implica a necessidade de novos profissionais competentes com perfis, papéis, formações, requisitos e atribuições definidas.

1. Introdução Compreender e apresentar o papel do profissional do design instrucional na produção de conhecimentos e metodologias tecnológicas educacionais é algo que ainda está em processo de investigação. Essa inquietação de estudo surgiu da seguinte dúvida: até que ponto o profissional do design instrucional contribui com produção de conhecimentos tecnológicos e metodológicos educativos? Nas regiões sul e sudeste do país, o cargo de design instrucional faz parte do quadro funcional de muitos entes. Existem empresas de consultoria e treinamento especializadas na área, como a IBDIN (Instituto Brasileiro de Desenho Instrucional), que formam e qualificam muitos profissionais de design instrucional. Por outro lado, nas regiões norte e nordeste do país, devido à escassez desse profissional, há um inexpressivo número de entidades e órgãos públicos que alocam em seu quadro funcional um profissional como o design instrucional. Por isso, existe um desconhecimento desse cargo por parte da sociedade. Diante desse quadro, a presente pesquisa é relevante para apresentar aos profissionais e estudiosos das áreas tecnológicas e educacionais quem é esse profissional, sua formação, atuação e os principais conhecimentos e metodologias tecnológicas produzidos por ele. A sociedade necessita ampliar seus conhecimentos acerca do novo cenário profissional decorrente das rápidas transformações e mudanças tecnológicas. Daí surge o motivo dessa pesquisa em contribuir na divulgação desses novos perfis profissionais.


2. Trabalhos Correlatos Quem é o design instrucional? Quais as atuações desempenhadas? Que importância possui esse profissional na produção de conhecimentos e metodologias tecnológicas? Essas indagações se fazem presentes quando são estendidas ao pensamento sobre a relação educação–tecnologia em contextos cada vez mais significativos. Como as transformações tecnológicas são inevitáveis e se espalham rapidamente, permeiam-se situações novas de produção de conhecimentos. Desse modo, profissionais que produzam conhecimentos e tecnologias são necessários porque há uma exigência do mercado. Assim, o design instrucional se enquadra no contexto binômio entre educação e tecnologia. França e Silva (2009, p. 6) afirmam que hoje, podemos observar que os processos tecnológicos devem ser relacionados principalmente às práticas pedagógicas e não a meros sistemas. Sendo assim, (...) embora a tecnologia tenha um papel de peso, necessário e importante para os sistemas de EaD(Educação `a distancia), torna-se indispensável e evidente a busca por didáticas e metodologias de ensino que valorizem o potencial criativo e afetivo entre seus agentes. A tecnologia por si só não resolve todos os problemas, por mais que tarefas e avaliações sejam realizadas on-line. É preciso que profissionais, como o design instrucional, estejam interagidos com novas tecnologias. Com relação à definição profissional do design instrucional, Filatro (2008) afirma que é uma ação intencional e sistemática de ensino que envolve planejamento, desenvolvimento, aplicação de técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas, a fim de promover a aprendizagem humana. Filatro (2004, p. 29), autora da obra Design Instrucional contextualizado, aborda o design instrucional como profissional de gestão em educação à distância que realiza desde o planejamento das metodologias de aprendizagem até a gestão da modalidade EaD. Levando em consideração tal concepção, muitas vezes o design é confundido como um tutor de cursos à distância, ministrados em plataformas virtuais de aprendizagem. Para Santos e Costa (2012), quando o design instrucional desenvolve o projeto de um curso a distância, é preciso considerar uma série de fatores, mas talvez o mais importante deles seja a percepção de que a estratégia de aprendizado on-line é, em sua própria essência, diferente do presencial. A prática de estudar e arquitetar soluções para o problema de instrução educacional ocorre em diferentes níveis de concepção. De acordo com Santos e Costa (2012), Design Instrucional é definido como um processo de identificação de problemas de aprendizagem que consiste em etapas como desenho, implementação e acompanhamento das soluções arquitetadas para este problema. Outra procedência a respeito do design instrucional consiste em definições voltadas ora à instrução, recursos de apoio e incentivo à aprendizagem, ora como guias e ferramentas tecnológicas. Mas, independente de ser instrução ou ferramenta, Neto (2009, p. 64) afirma que o design instrucional deveria se basear em sólidos fundamentos científicos e teorias bem testadas em situações reais de aprendizagem.


Diante dessas definições, a preocupação desta pesquisa consiste em investigar o papel deste profissional, e se sua formação procede dos conhecimentos tecnológicos ou pedagógicos, pois tanto abordagens tecnológicas quanto pedagógicas envolvem experimentação, invenção e descoberta.

3. Referencial teórico A disseminação das mudanças tecnológicas que ocorrem no contexto do trabalho abre precedentes para novos perfis profissionais. A cada transformação, novas ideias e paradigmas se descortinam, modificando ou retificando relações de conhecimento, metodologias tecnológicas e educacionais. Desse modo, é importante conhecer alguns conceitos contidos neste cenário. Assim, Filatro (2008, p. 40) afirma que inovação tecnológica é um corpo de conhecimentos que usa o método científico para manipular o ambiente realizando uma fusão entre a ciência e a tecnologia. Desse conceito, depreende-se, segundo Neto (2009), o entendimento de produção de conhecimento como processo de criação de um saber envolvendo o pensamento criativo, a pesquisa, a descoberta e a inovação. Esse processo de criação tem uma metodologia. Conforme França e Silva (2009, p. 8), embora a tecnologia tenha um papel de peso, necessário e importante para os sistemas (...), torna-se indispensável e evidente a busca por didáticas e metodologias de ensino que valorizem o potencial criativo e afetivo entre seus agentes. Trazendo essa abordagem para o universo do Design Instrucional, Caldeira (2008), ao citar Franciosi e Santos (2006, p. 4), descreve algumas etapas, ditas metodológicas, para atingir seus objetivos didáticos. “Essas etapas consistem em responder três questões: Aonde vamos? (os objetivos da instrução); Como chegaremos lá? (as estratégias e mídias instrucionais); Como saberemos quando chegarmos? (avaliação). Assim, o Design Instrucional pode nortear, por exemplo, o planejamento de Ambientes Virtuais de Aprendizagem a fim de esclarecer a real intenção da metodologia e ações experienciadas no processo de ensino e de aprendizagem, tendo a clareza dos objetivos para que o desenvolvimento e a sua implementação sejam realizados o mais objetivamente possível”. De acordo com Ramos e Santos (2006, p. 6), o entendimento da expressão Design Instrucional consiste em tratarmos algumas questões importantes. “A palavra Design no vocabulário do inglês antigo (1588) significa propósito, intenção. O design é visto como um tipo de construção que envolve complexidade e síntese, podendo ser compreendido como a ação de estabelecer objetivos futuros e de encontrar meios e recursos para cumpri-los”. Por outro lado, o termo instrucional vem de instrução, não como treinamento, mas como atividade de ensino que facilita a compreensão do que é verdadeiro. Portanto, a construção da instrução se dá, segundo Filatro (2008), ao citar Fernández, em ambiente de ensino-aprendizagem, que é uma integração dialética entre o instrutivo e o educativo que tem como propósito essencial contribuir para a formação integral da personalidade.


4. Método de pesquisa A presente pesquisa teve seu caminho metodológico iniciado com a escolha do tema. A motivação inicial surgiu da seguinte dúvida: até que ponto o profissional do design instrucional contribui com produção de conhecimentos tecnológicos e metodológicos educativos? Após a escolha do tema, o desenvolvimento metodológico, a princípio, buscou os referenciais bibliográficos e, a partir daí, foram realizadas as fundamentações teóricas que identificam os principais conceitos, fatos e experiências em torno da temática proposta. Para sintetizá-los, foram elaborados fichamentos e resumos dos pontos mais relevantes dos artigos acadêmicos e livros publicados na área. Em seguida foi elaborado o projeto de pesquisa a fim de estruturar a temática em questão e conforme critério avaliativo do módulo/disciplina Metodologia Científica. No momento, a pesquisa está em fase de identificação de conceitos, que parcialmente nos encoraja a compreender este profissional - Design Instrucional. Recentemente, esta pesquisadora recebeu convite do formador do Núcleo de Tecnologia Educacional de Ananindeua (NTE Ananin), Denis Machado, para participar do grupo de sistematização de ensino à distância da UEPA, que está em processo de implantação. O convite foi aceito, uma vez que a proposta metodológica da pesquisa também vislumbra estipular contatos com instituições e entidades referências na área em estudo e ampliar possibilidades de investigação do tema.

5. Coleta de dados Os resultados obtidos nesta pesquisa ainda são parciais. Através de fundamentações teóricas, chegou-se a alguns conceitos e contextos em torno do Design Instrucional. Desse modo, conceitos como inovação tecnológica, conhecimento, educação/aprendizagem, metodologia e o próprio conceito de design instrucional permitiram pressupor que esse profissional, antes e depois do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, passou a ser entendido de uma forma mais abrangente. Vejamos o quadro comparativo, conforme Filatro(2004).

Quadro 1. Concepções do design instrucional Design instrucional desde o surgimento como ciência da instrução

Design instrucional como o advento das tecnologias


Tradicionalmente vinculado à produção Entendido como planejamento, de materiais didáticos impressos. desenvolvimento e utilização sistemática de métodos, técnicas e atividades de ensino para projetos educacionais apoiados por tecnologias. Além disso, as transformações tecnológicas vêm acompanhadas de forte interesse pela EaD e as perspectivas em torno dessa modalidade indicam a importância e o status do design. Por isso, todas as abordagens pesquisadas e lidas indicam o campo de pesquisa e atuação desse profissional nesse tipo de modalidade de ensino, de acordo com o quadro abaixo: Quadro 2. Modalidade educacional de EaD desenvolvida para diferentes demandas Modalidade educacional de EaD Cursos on-line/ Cursos virtuais Plataformas corporativas ( e-learning) Ambientes hipermidiáticos de aprendizagem- AVA Desta maneira, as demandas ressaltadas anteriormente estão atreladas ao aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem. Nossa investigação ainda está em processo. Busca-se conhecer o perfil de formação do design. No entanto, existe uma escassa abordagem a esse respeito, o que nos motiva ainda mais a essa pesquisa. Espera-se alcançar também no decorrer da pesquisa o objeto proposto com relação ao levantamento das principais metodologias e tecnologias produzidas na área desse profissional.

6. Considerações Finais A presente pesquisa é relevante para apresentar aos profissionais e estudiosos das áreas tecnológicas e educacionais quem é esse profissional, sua formação e atuação. Assim, essa pesquisa, gradativamente, ressalta as expectativas que as tecnologias da informação e comunicação (TIC) possuem ao serem incorporadas aos processos educativos. Entretanto, as dificuldades encontradas, mesmo que preliminares, dizem respeito às teorias e abordagens do design quanto ao seu perfil de formação, e quais produções de conhecimentos tecnológicos e metodológicos educativos são esses, apesar de haver um consenso de que as ferramentas e os suportes midiáticos já fazem parte da realidade profissional de pessoas que se ocupam com atividades de tecnologia. Foi percebido nas investigações que há o desejo de ampliar os estudos do Design Instrucional e as relações que o acompanham, principalmente aquelas de cunho metodológico o que auxiliam no processo de ensino-aprendizagem. Existe também a necessidade de compartilhar com a comunidade acadêmica e científica as descobertas que aprofundam os conhecimentos da área do profissional Design Instrucional, pois


envolvem conceitos cujos argumentos perpassam por muitas dimensões ainda não unificadas. Espera-se que esta investigação dê sua contribuição à comunidade acadêmica na divulgação do perfil deste profissional. 7. Referências bibliográficas CALDEIRA, Luana Matheus. Desenho instrucional: a construção do diálogo na Educação à distância.(2008). In: Revista Udesc Virtual. Disponível em: http://200.19.105.203/index.php/udescvirtual/article/view/1925/1483. Acesso em: 28 de agosto de 2013. FILATRO, Andrea Cristina. Design instrucional contextualizado: educação e tecnologia. São Paulo: Editora Senac. São Paulo, 2004. FILATRO, Andrea. Design instrucional na prática. São Paulo: Editora Pearson Education do Brasil, 2008. FRANCA, George; SILVA, Liliam Maria da; SANTOS, Luciana Aparecida; VASCONCELO, Paulo A. C. de ( 2009 ) . Design Instrucional: Metodologias, Comunicação, Afetividade e Aprendizagem. Disponível em: http://www.interscienceplace.org/interscienceplace/article/view/16/21.pdf. Acesso em: 01 de setembro de 2013. NETO, Antonio Simão / HESKETH, Camilo Gonçalves. Didática e design instrucional. Curitiba, PR: IESDE, 2009. RAMOS, Andréia Ferreira; SANTOS, Pricila Kohls dos (2006). A contribuição do Design Instrucional e das Dimensões da Educação para o desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem. Anais do XXVI Congresso da SBC. Campo Grande, Minas Grosso do Sul. Disponível em: http://www.br-ie.org/pub/index.php/wie/article/view/876.pdf. Acesso em: 03 de setembro de 2013. SANTO, Ester Lúcia Pantoja do Espírito; COSTA, Rosemarie de Almeida (2012). Design Instrucional: aplicado aos cursos de graduação e pós- graduação do IESAM( Instituto de Estudos Superiores da Amazônia) usando a plataforma Moodle. Belém, Pará. SOUZA, Fábio Paiva de. Elementos de design instrucional para projetos de cursos à distância. São Paulo: Clube de Autores, 2013.


Quem é o design instrucional ?  

Trabalho de pesquisa sobre o papel, perfil e formação deste profissional.

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