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A DIRETORIA DE ENSINO REGIÃO SUL 3 NA

APRESENTAÇÃO O leitor tem diante de si textos pelos quais a Diretoria de Ensino Região (DER) Sul 3 participou da Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP) – 5ª edição – 2016. Parabenizamos e agradecemos aos alunos, familiares, professores, coordenadores, vice-diretores, diretores e a todos aqueles que contribuíram para que fossem escritos e chegassem até nós. Por que publicamos essas produções? Para responder essa pergunta, recorremos ao fôlder* que contém as “Orientações para a comissão julgadora escolar”: “Textos escritos precisam de leitores. Por isso, é fundamental que as produções de todos os alunos sejam lidas e apreciadas”. O incentivo à participação na OLP 2016 resultou em diversos comunicados, no site da Sul 3: aos 29-2, abertura das inscrições; aos 115, prorrogação do prazo para as inscrições; e, aos 19-8, incentivo para o professor turbinar as aulas usando o material da OLP. Aos 5-10, no banner e no “Acesso restrito”, comunicado nº 348P/2016, publicamos o “Boletim Sul 3”, com a relação das 26 escolas desta Diretoria que se inscreveram, e emendamos: “Pedimos aos professores/escolas que participaram da OLP deste ano que enviem os textos ao e-mail ana.lessio.sul3@gmail.com até 14-10”. Esgotado esse prazo e ainda com

poucos textos, telefonamos, na tarde de 19-10, para todas as 26 escolas reforçando o pedido. Recebemos, enfim, os textos desta publicação. Cada texto desta coletânea foi identificado conforme os dados enviados pela escola. Em respeito ao texto do aluno, não fizemos uma revisão propriamente dita, restringimo-nos a pequenas correções e acomodações aqui e ali. Propomos que, em 2017, a escola retome essas produções, em alguma iniciativa ou evento, para valorizar os autores e estimular novas participações. O citado fôlder sugere: “Divulgue-as na escola e para a comunidade (...). Murais, coletâneas, blogs na internet e saraus literários com a participação das famílias, dos colegas e dos amigos são algumas estratégias”. Há de se ampliar a participação nessa Olimpíada, em que todos ganham: “A experiência de produção de textos possibilita aos alunos a ampliação de suas competências na linguagem oral, na leitura e na escrita, além de aprofundar o olhar sobre o lugar em que vivem, aproximando a comunidade da escola”**. Léssio Cardoso e Ana Silva PCNPs Língua Portuguesa

* Disponível em https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/5901/folder-cjescolar-web-2016.pdf ** Visite o site da OLP em https://www.escrevendoofuturo.org.br/concurso


SUMÁRIO Poema.................................................................2 Crônica...............................................................5

Memórias literárias............................................8 Artigo de opinião.............................................11

Meu bairro Ellen Montanhini Macedo 6º ano B do Ensino Fundamental II Professora: Elmira Souza de Araújo Professora coordenadora: Andréa A. A. M. Carmo E. E. Parque Tamari Meu bairro é o Santa Fé onde vivo feliz e posso andar onde quiser!

onde dá para ver pessoas boas e pessoas ruins, coisas lindas e feias, felizes e tristes.

Tem árvores de montão e comércio bem pouquinho, não deixo de ser feliz no meu bairro mais ou menos pequenininho.

Mas o que será que existe neste bairro tão simples, que fica no meio de árvores e plantas?

O sol nasce, o dia brilha, o sol rodeia um bairro chamado Santa Fé

Mas aqui não deixo de ter lembranças do meu bairro desde criança!

A DIRETORIA DE ENSINO REGIÃO SUL 3 NA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2016 Secretaria de Estado da Educação – Governo de São Paulo Eonice Domingos da Silva – Dirigente Regional de Ensino 22-12-2016 Cristiane Bomfim – Supervisora do Núcleo Pedagógico Pág. 2 de 11 Léssio Lima Cardoso: edição e diagramação


Minha casa Hanny Gabrielly Ferreira Costa 6º ano B do Ensino Fundamental II Professora Leila dos Santos Oliveira Professora Coordenadora dos Ens. Fund. II e Médio Ana Molisani E. E. Profª Maria Amélia Braz Minha casa é muito legal minha família é sensacional

Meu quarto é bonito e esquisito não é escrito mas está sempre no ritmo

O jardim é gigante minha vó adora que fica até elegante

Adoro brincar mas tenho que parar para estudar senão não passo no vestibular

O lugar onde vivo Karine Gabrielly Lisboa da Silva 6º ano A do Ensino Fundamental II Professora: Rosimery de Jesus Costa E. E. Levi Carneiro O lugar onde vivo É muito diverso Várias formas de vida Na imensidão do universo.

O lugar onde vivo É uma cidade bem marcante Tenho orgulho de viver aqui Nessa cidade assim tão grande.

O lugar onde vivo Há coisas assim tão belas É tão lindo este planeta Que é chamado de Terra.

O lugar onde vivo É um bairro bem distante Sinceramente daqui não gosto Pois não tem nada interessante.

O lugar onde vivo Neste mundo tão azul Entre vários continentes Moro na América do Sul.

O lugar onde vivo Só há pessoas queridas Não sei muito que dizer Só que amo a minha família.

O lugar onde vivo É um país de guerreiros Onde a luta é por paz Somos todos brasileiros!

O lugar onde vivo Cheguei a essa conclusão O lugar que Deus criou Amor de alma e coração.

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A minha cidade Dyllan Rosa e Silva 6º ano A do Ensino Fundamental II Professora de L. Port. dos 6º anos A, B, C e D do Ens. Fund. II: Edilian Arrais Professora Coordenadora do Ensino Fundamental II: Dagmar Monteiro Vice-diretora: Elisabeth Feraresi Diretora: Rosana Gagnotto E. E. Prof. Carlos de Moraes Andrade A minha cidade é grande Grande como um elefante Na minha cidade ninguém é igual E isso a torna especial

Um lugar importante Que alegra o visitante Eu moro no Grajaú Extremo sul da cidade Parece brincadeira... Mas há muita diversidade

Somos todos diferentes Brancos, negros e pardos Várias pessoas imigrantes E pessoas de outros estados Os lugares turísticos são bem interessantes Dentre eles a Av. Paulista

Centros culturais Saraus à vontade Somos todos importantes Perante a sociedade

Minha cidade bela Isabelly de Souza Nascimento 6º ano A do Ensino Fundamental II Professora de L. Port. dos 6º anos A, B, C e D do Ens. Fund. II: Edilian Arrais Professora Coordenadora do Ensino Fundamental II: Dagmar Monteiro Vice-diretora: Elisabeth Feraresi Diretora: Rosana Gagnotto E. E. Prof. Carlos de Moraes Andrade Na cidade onde vivo há beleza Como nos castelos da realeza Aqui vivem migrantes E imigrantes Todos são viajantes Às vezes o clima é quente Igual à água fervente Nessa cidade há todo tipo de gente Também há dificuldades Mas seguimos em frente

Nessa cidade, a igualdade é difícil de se encontrar Pois os direitos iguais são coisas a decifrar Mesmo assim tem gente Que vem de todo lugar São Paulo é encanto De tão bela, Causa espanto

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O lugar onde vivo Gabriel Soares Santos 9º ano D do Ensino Fundamental II Professor: Clayton da Silva Santos E. E. Clarice Seiko Ikeda Chagas O lugar onde vivo? São Paulo, apelidada por mim de Terra da Poluição, Pesadelo de Quem Tem Problemas Respiratórios, Céu Tóxico, ou simplesmente Vazio Cinza, uma infinidade de poluição, nuvens e tudo que partilha a cor cinza. Honestamente, eu diria que parece uma metrópole genérica para um filme de superheróis. Mas, felizmente ou infelizmente, ela existe. Quero dizer, se eu não estivesse minha vida inteira nesse lugar, eu adoraria a ideia de um lugar assim. Mesmo com a luz incansável da cidade, acho que a descreveria como “linda”. Sei que estou sendo hipócrita, mas, exceto pelo inacabável barulho dos carros, é perfeitamente tranquilo ou mesmo calmo, para mim, estar nesse lugar.

Mas quase não existem estrelas, quase não vejo pessoas fora do ciclo: trabalhar > ir para casa > trabalhar > ir para casa... As pessoas daqui se esquecem de viver, de ser pequenos seres que fazem sempre a mesma coisa. Eu sou uma dessas pessoas e isso é deprimente. Mas é assim que as coisas são e é assim que as coisas eram antes... É difícil mudar os costumes, as tradições, coisas que fazemos sem mesmo ter um porquê. Mesmo não gostando disso, se tornou uma repetição, algo que não tenho como parar, como um robô que só obedece a ordens. Não me leve a mal, não tenho nem como imaginar uma solução para isso, mas talvez, algum dia, cheguemos ao ponto de quebrar esse paradigma.

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O lugar onde vivo Adrielly Mendes Santos 9º ano A do Ensino Fundamental II Professora de L. Portuguesa: Regina Cely Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental II: Dagmar Monteiro Vice-Diretora: Elisabeth Feraresi Diretora: Rosana Gagnotto E. E. Prof. Carlos de Moraes Andrade

Vivo em um bairro humilde, onde muitas pessoas moram. Na maioria das vezes, as pessoas são gentis, mas em compensação outras vezes sentem vontade de “te dar uma voadora” só porque você come a coxinha dela, por exemplo, ou nem isso fez, mas só querem te estrangular para liberar a raiva. Na rua onde moro, quase todos os vizinhos se conhecem. A maioria é gente boa. Um exemplo é meu pai: lá em casa, temos uma garagem, mas não temos carro, ou seja, é inútil para nós. Mas, como meu pai além de gentil é inteligente, teve a brilhante ideia de alugar para dois vizinhos, já que na garagem cabem dois carros. Então você pode imaginar: é um entra e sai carro feito louco, mas fazer o quê? Estão pagando pra isso mesmo. Meu pai foi tão gentil ao ponto que teve a ideia de também dividir a internet com o vizinho do lado. Vamos ser francos: há duas coisas que não se dividem: comida e internet. Deve ser por isso que a net fica lenta às vezes, mas vale a pena já que eles pagam a metade da conta. Bem, quando o Brasil entra em campo na Copa do Mundo ou Olimpíada, é uma bagunça que não tem mais fim. Quando o Brasil ganhava, o povo aplaudia, cantava, pulava e gritava de felicidade a semana toda até ficar sem voz. Se perdesse, o mais lógico é que ficasse triste e pensasse mais ou menos assim: “O

Brasil perdeu, mas ele se esforçou ao máximo para ganhar; obrigado, time”. Mas na verdade é assim: “Que time lixo, até minha vó joga mais que todos juntos, é tudo perna de pau! E aquele goleiro parece um frango, mão de alface, não defende uma”. No meu bairro há muitas lojas de roupas, farmácias, mercados e lojas de um real; sim, isso mesmo que você entendeu: lojas de um real, onde nem tudo é um real. Eu sei: isso é propaganda enganosa, o nome “loja de um real” é fachada. Como diz meu pai, “é pra enganar formiguinha”. Uma coisa desse bairro e qualquer outro são os acidentes, pessoas envolvidas em drogas e roubos. Eu acho que minha escola foi roubada umas quatro vezes. E você acha que roubaram livros? Roubaram nada! Roubaram foram os computadores que valem mais. É tudo “cabra esperto”, como diriam meus tios. Me disseram que roubaram até a comida da cozinha. Com o tanto de comida que tinha guardado, não vão precisar ir ao mercado por um bom tempo. E quanto aos livros? Todo mundo sabe que nos livros está escrito: “Distribuição gratuita” ou “Proibida a venda”. Se por acaso roubassem e não vendessem, isso não adiantaria nada. Mas, enfim, é um bairro legal de se viver. Todo bairro tem seus defeitos e qualidades. O mesmo ocorre com o meu bairro, ou melhor, nosso bairro.

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É bom saber que não estou sozinho Ana Carolina Aragão da Cunha 8º ano G do Ensino Fundamental II Professora: Rosemari de Paula S. Silva E. E. Mademoiselle Perillier Eu acabei de chegar na rodoviária, meu coração bate forte, estou esperando um grande amigo. Fomos separados há 15 anos, quando ele foi para Minas Gerais se formar em Medicina e acabou ficando por lá. Lembro-me, como se fosse hoje, quando disseram que quando fôssemos maiores lutaríamos pelo nosso país. Olho no relógio, os anos passaram, mas as horas não passam nunca. Pensei que ele tivesse esquecido a nossa amizade e, de repente, ele diz que vem me visitar e ainda vamos para um protesto em defesa do meio ambiente e contra as ações humanas. Vejo duas crianças e viajo nas memórias do passado. Lembro-me do Sr. Jorge, o dono da padaria. Eu e o Roberto quando tínhamos uns 12 anos, uma vez fomos lá comprar pães e a padaria estava toda limpinha, apesar de nossas ruas não serem asfaltadas ainda, e sujamos todo o chão de barro com nosso “Conga” imundo. O Sr. Jorge ficou muito bravo! Nossa! Lembrei também de uma vez que estava chovendo e eu joguei o Roberto no chão. Ele se sujou todo e saiu correndo atrás de mim. Então, eu entrei na escola que existe até hoje. A escola! Nossa escola, nessa época, era tão diferente, os alunos tinham que ficar enfileirados e cantávamos o Hino Nacional antes de iniciarem as aulas. Não era como hoje que os alunos destroem móveis e picham paredes. Antes, os alunos sabiam que a escola era deles, os pais eram rígidos e os filhos mais obedientes. A vida era meio dura, morávamos em casas muito simples em loteamentos temporários. A mãe do Roberto estava sempre

doente e o sonho dela era ver o filho com “diploma de doutor” da faculdade do bairro que hoje é uma Universidade. Os bairros aqui do entorno eram desprovidos de saneamento, luz, esgoto e muitos outros recursos. Chovia e a água com terra lavava as casas. Agora melhorou muito. Não chamamos aqui de “favela”, mas sim de “comunidade”. Meus pais trabalhavam em bairros bem afastados e o ônibus só passava de manhã e no final da tarde. Às vezes eles perdiam o transporte e tinham que dormir no serviço, e o Roberto, para me assustar, dizia que existiam muitos fantasmas. Eu morria de medo! Aos poucos, o comércio veio chegando na região. Por um lado isso foi bom, pois gerou empregos e por outro foi ruim, porque vieram muitas pessoas e a região ficou aglomerada e mais violenta e outros problemas surgiram, não só aqui, mas por toda São Paulo. Então meus pensamentos voltam para a rodoviária: – Nossa! O que o homem fez com a minha cidade? Com o meu país? Que vergonha de tudo isso! Um mundo pedindo socorro, gritando por justiça a cada lixo jogado na rua, em cada canto pichado, pela violência e corrupção. Esse é nosso país, essa é nossa luta e nossa verdade. Sinto uma mão no meu ombro, é Roberto. Então nos abraçamos e somos duas crianças novamente, aí vi que estamos rodeados de fantasmas. É bom saber que não estou sozinho nessa luta!

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Infância pobre Larissa Santos Oliveira 7º ano D do Ensino Fundamental II Professora: Silvana Aparecida Paulino Graziani Professora coordenadora: Andréa A. A. M. Carmo E. E. Parque Tamari Na minha infância, eu morava na Bahia em uma cidade muito pequena que se chama “Cinzenta”. Lá vivi toda minha infância e adolescência. Meus pais eram pobres, então eu e meus irmãos tivemos que começar a trabalhar muito cedo. Lá em casa viviam meus pais e meus oito irmãos: três mulheres contando comigo e cinco homens. Os homens iam trabalhar e as

mulheres ficavam em casa para ajudar nos trabalhos domésticos. Todo o dinheiro que eu e os meus irmãos conseguíamos dávamos para o meu pai comprar comida para o mês todo. Naquele tempo, meus pais tinham muitas terras, nós plantávamos milho, café, cana, frutas... para sobrevivermos. Mesmo sendo pobre, a felicidade, a união e o amor nunca faltavam em nosso lar.

Férias nostálgicas Lyvia Nathalia Ferreira Borges 7º ano D do Ensino Fundamental II Professor: Gilson Malta de Lima E. E. Engenheiro Argeo Pinto Dias Parte de minha infância foi marcada pelas férias passadas no sítio de minha avó. Naquela época, não tínhamos celular, videogame, muito menos internet. Nosso tempo era ocupado em brincar com coisas simples, mas que nos faziam as crianças mais felizes do mundo. No sítio, os pés de manga no fundo do quintal serviam como palco de competições para descobrir quem pegava o melhor galho.

Perto de lá havia um balanço feito por nosso avô, que era motivo de briga, por ser muito cobiçado. Nossa avó fazia questão de que todos nós fizéssemos todas as refeições juntos, sem exceção... Ainda me lembro de sermos interrompidos de nossas brincadeiras por um grito vindo da janela da cozinha: “A comida tá pronta”.

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Sempre dormíamos cedo, acompanhados pelo pôr do sol incrível que acontecia entre os campos, com o barulho de grilos cantando ao fundo e o inconfundível cheiro de óleo diesel, que exalava da única fonte de luz àquela hora, o candeeiro.

Com certeza nunca vou me esquecer daquela época, de meus avós, de nossa rotina... É uma pena não terem inventado uma máquina do tempo ainda.

Querida família, como estão vocês? Michelle Francis Santos 8º ano A do Ensino Fundamental II Professora de L. Portuguesa: Alexandra Damasceno Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental II: Dagmar Monteiro Vice-Diretora: Elisabeth Feraresi Diretora: Rosana Gagnotto E. E. Prof. Carlos de Moraes Andrade Aqui em Ibitiara está um caos. A vida por aqui está bastante difícil. A tia de vocês está desempregada e o preço do aluguel aumentou, então pretendemos voltar a São Paulo. Irei alugar uma casa aí no Grajaú, pelo menos as condições são melhores e estarei perto de meus parentes. Nossa! Lembro muito desse bairro. Na época em que eu morei aí o cotidiano era difícil, porém era uma delícia viver ao lado de minha família e amigos. Me lembro que as ruas eram todas de barro, só a Avenida Belmira Marin era asfaltada. Como a gente morava no Jardim Reimberg, descíamos uma ladeira cheia de lama todo dia para comprar pão ou trabalhar. As linhas de ônibus só tinham destino para a Praça da Sé, Jabaquara e Santo Amaro.

Embarcávamos na porta traseira do coletivo e desembarcávamos na dianteira. Muitas pessoas não tinham dinheiro para pagar a passagem e arriscavam suas vidas se pendurando atrás dos veículos ou subiam em cima deles. As únicas escolas da região era o Teodomiro e o João Goulart. Eram poucas moradias e as mais próximas ficavam a 100 metros de distância. As casas não tinham água encanada e, por isso, pegávamos do poço. Ah, e a iluminação era com lampião de querosene. Para assistirmos televisão, íamos à casa de minha comadre, pois não tínhamos condições de comprar uma. Apesar de tudo isso, a segurança era bem melhor naquela época do que nos dias de hoje. Bem, espero reencontrar vocês novamente. Estou superansiosa!

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Cheiro de terra molhada Guilherme Gomes da Silva 8º ano B do Ensino Fundamental II Professora: Rosemari de Paula S. Silva E. E. Mademoiselle Perillier Foi há uma semana que recebi o telefonema que informava que ele estava vindo me visitar. Com essa notícia muitas lembranças também passaram a ocupar minha mente e meus sentidos. De repente podia sentir aquele cheiro de terra molhada tão presente em nossa história, nossas vidas e no lugar em que vivemos. Agora estou aqui no aeroporto a esperar meu grande amigo e me pego pensando em quando brincávamos de bolinha de gude, jogávamos futebol no campo atrás da escola, a brincadeira de polícia e ladrão e de quando corríamos de carrinho de rolimã numa enorme descida que ligava um bairro ao outro. Que tempo bom! Lá está meu amigo de infância, Luiz Fernando... Depois de tanto tempo, agora posso vê-lo e falar com ele. – Quanto tempo, Luiz! A maturidade te fez bem. Está ótimo! – Grande satisfação em vê-lo, meu amigo! – Venha, vamos nos sentar e tomar um café até que o calor desse encontro passe e refresque nossos corações. Neste momento a emoção já quase me levava às lágrimas, o que não ficaria bem para um barbado como eu. Assim, seguimos ao café mais próximo no aeroporto. – Então? Fez boa viagem? – O melhor que a ansiedade me permitiu. Só conseguia pensar na nossa infância e em tudo que vivemos. Me lembrei dos tempos de escola, quando nós pulávamos a janela da sala de aula para ir jogar bola na quadra, tão inocentes... Não havia inspetor de alunos e o portão era aberto nos permitindo entrar e sair livremente. E todos cumpriam o horário determinado.

Sorri mais aliviado por ver que ele estava mexido também e acabei falando das minhas recordações: – Também me lembro que não havia água encanada. Tínhamos que retirar do poço com um balde e uma corda. Não tinha luz... emprestávamos dos vizinhos. Coisas simples de hoje como o coletor de lixo e o caminhão de gás não eram rotina. – Também não havia supermercado – Diz o Luiz. – Verdade. Nós levávamos a caderneta na venda para anotar as compras e, ao final do mês, o pagamento era em dinheiro. Luiz é o caçula de cinco irmãos e sua mãe trabalhava duro para não deixar faltar nada aos filhos. Mas tudo era alegria, não sentíamos essas dificuldades dos mais velhos. Olhei para o meu amigo quase sem acreditar que estava ali, senti novamente o cheiro da terra molhada que me acompanhou nos últimos dias. – Era tudo tão simples, não era? – Perguntei. – As ruas eram de terra e quando chovia só havia lama. Para tomarmos o ônibus, caminhávamos com botinas até o ponto de ônibus carregando os sapatos na sacola para trocar no ônibus. – Luiz ria enquanto falava. Sem perceber entramos numa empolgante conversa sobre o passado. – Você se lembra de como era uma abordagem policial? – Perguntei. – Claro. A Carteira Profissional era o documento que dizia quem era decente. Quem não apresentasse era conduzido até a delegacia. E quando uma criança era parada por policiais, após as 20h, levava uns cascudos na cabeça.

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– Bicicleta era coisa de rico e era subindo nas janelas dos vizinhos que assistíamos TV. Nos levantamos em direção ao caixa e eu disse:

– Meu amigo, tudo mudou muito no bairro onde crescemos. Quero te mostrar tudo e saber mais de você. Vamos acrescentar novos cheiros, sabores e sensações nessa nossa amizade.

Olimpíada 2016 em tempos de crise no Brasil Ygor Ferreira Tenório 3ª série A do Ensino Médio Professora: Leila dos Santos Oliveira Professora Coordenadora dos Ens. Fund. II e Médio: Ana Molisani E. E. Profª Maria Amélia Braz Em 2016 os jogos olímpicos foram realizados no Rio de Janeiro, onde vários países se reuniram para competir em diversos jogos e modalidades. Os atletas e suas delegações foram muito bem recebidos, com uma abertura incrível, que descrevia um país com uma beleza exuberante, mas a realidade é um país que passa por uma grave crise econômica e política. A organização da Olimpíada custou muito caro e o país passa por grandes dificuldades, geradas por má gestão, corrupção, isso sem contar com a crise política que trava todos os setores da economia. E o que facilita esta crise é a impunidade, gerada por leis fracas,

pelo Legislativo e Judiciário que de certa forma protegem os que executam o poder. Tantos gastos, como o povo vai se beneficiar desse evento? Se não há incentivo ao esporte para a população, muitos atletas são custeados pela família e esse evento pode servir para desviar a atenção do que está acontecendo no país. Infelizmente vivemos no país que promove um evento mundial, mas que não faz a lição de casa e quando nós, brasileiros, vamos mudar esta triste realidade? Acredito que teremos que ter consciência política para que, nas próximas eleições, mudemos esse cenário que ainda se perpetuará por alguns [anos].

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