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Educação

Melhoria da educação básica em Juazeiro reflete políticas públicas para o setor

Foto: Carlos Laerte

Valorização do professor, incentivo aos projetos de leitura e práticas lúdicas incentivam a aprendizagem escolar

Escolas intensificam projetos didáticos que estimulam a Literatura.

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m 2007, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de Juazeiro era 3,4 – abaixo da média estipulada pelo Ministério da Educação ao avaliar as unidades de ensino em todo o país. Onze anos depois, a Escola Municipal Professora Maria de Lourdes, situada no Jardim Universitário, conseguiu a nota 6,5, tornando-se destaque. Nas séries iniciais dos demais 134 colégios que compõem a Rede, também houve aumento, e agora o índice do município chega a 4.9, segundo dados do último Censo Escolar, em 2015. Para atingir esse patamar, estão sendo desenvolvidas ações, na sede e no interior, de planejamento

pela prática de bons projetos destinados a alunos e professores. Criada pela SEDUC, a Escola de Formação de Professores desenvolve atividades mensais e bimensais com gestores e coordenadores pedagógicos que, por sua vez, atuam no acompanhamento sistemático dos professores em sala de aula. A superintendente pedagógica da pasta, Rosilda Carvalho dos Santos, acompanha os trabalhos que são desenvolvidos em parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Ela acredita que a colaboração interinstitucional pode ajudar na compreensão da nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC), ampliando, portanto, os resultados Formações continuadas obtidos com os cursos direcionados O sucesso no ensino passa a gestores e coordenadores. “Temos

pedagógico, melhoria na infraestrutura com as salas climatizadas, adequação dos espaços escolares à idade dos educandos, fornecimento de materiais didáticos e equipamentos, incentivo à formação continuada dos professores e valorização salarial. De acordo com a secretária de Educação e Juventude (SEDUC), Lucinete Alves, a política municipal de Educação visa incentivar a aprendizagem de forma continuada. “É necessário o fortalecimento a partir das unidades de Educação Infantil, bem como ações sistemáticas que permitam consolidar as habilidades de leituras e escrita dos alunos até o final do ensino fundamental I”, diz.

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Educação desenvolvido formações visando ao incentivo de competências socioemocionais na proposta pedagógica do município”, destaca. Estimulo às vivências Localizada no bairro do Tabuleiro, a Escola Municipal Maria Suely Medrado comprova que a vivência escolar deve ser contextualizada se uma instituição de ensino pretende ter êxito na promoção à aprendizagem. A escola tem 159 alunos matriculados, os quais variam a faixa etária entre dois e cinco anos. É dela que surgem alguns exemplos de projetos com sequência didática que estimulam a interação com o universo da literatura.

Brinquedoteca Espaço privilegiado para que as crianças recuperem o prazer de brincar, a brinquedoteca é um instrumento cada vez mais utilizado nas escolas do município, fruto das parcerias universitárias. “A cultura brasileira não tem o entendimento de que brincar faz parte do cotidiano escolar. Nós, enquanto educadores, somos responsáveis por fazer isso uma realidade”, salienta Edilane Teles, professora da Uneb. E continua. “A brincadeira é uma linguagem, é uma forma de comunicação da criança com o mundo. Estimula o desenvolvimento cognitivo e intelectual delas”.

Bibliotecas Multimídias A Escola Municipal Mandacaru, localizada no bairro Jardim Primavera, em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI) e a Agrovale, mantém uma biblioteca escolar com uma estrutura agradável para aproximar as crianças do universo da leitura. Lá elas encontram livros, gibis e um espaço multimídia, com televisão, aparelho de DVD e computadores para assistir documentários ou mesmo fazer pesquisas. Mestre em Educação, Cultura e Territórios do Semiárido, a bibliotecária Tatiane Alves, verificou que a implantação da biblioteca já consegui alguns êxitos. “Identificamos que houve um aumento na procura de livros e visitas à biblioteca”, diz Tatiane. “Esse é um exemplo de como recursos, estímulos e mão de obra podem ajudar a reconstruir o imaginário das crianças sobre a Literatura e melhorar a educação do município”, concluiu.

Foto: Ilanna Barbosa

A gestora Tânia Rosa da Paixão explica que as crianças desenvolvem a leitura e o raciocínio lógico a partir das práticas lúdicas. Todas as atividades são promovidas seguindo as diretrizes para educação infantil, através de jogos e brincadeiras, como

as ‘Receitas de culinária da Tia Nastácia’. “Eles aprendem noções de matemática aplicadas ao cotidiano a partir de quantidade dos alimentos necessários para fazer a receita e ainda fazem gráficos dos personagens que mais se identificaram na contação das estórias”, explica.

Bibliotecas multimídias incentivam entre os alunos o pensamento criativo.

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Educação Privada

Com polo educacional e crescente demanda, Juazeiro atrai cada vez mais cursos de referência

Foto: Ilanna Barbosa

Saúde é a área mais procurada; já os colégios se adaptaram ao mundo competitivo

Em 2019, novos cursos de graduação e pós- graduação serão implantados

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sonho de cursar uma universidade só pôde se concretizar no final da década de 1960, quando estudantes e comunidade batalharam para criar a antiga Faculdade do Médio São Francisco (Famesf), atual Departamento de Tecnologias e Ciências Sociais da UNEB. Cinquenta e oito anos depois, Juazeiro e a vizinha cidade de Petrolina (PE) são o polo educacional mais concorrido do Vale do São Francisco. A oferta de serviços educacionais foi ampliada com a chegada de universidades públicas, escolas de ensino médio, institutos e faculdades privadas. Apesar disso, ainda é grande a demanda por ensino superior presencial e na modalidade de educação à distância em todos os períodos. Uma das instituições que investiu em Juazeiro é a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), que oferta cursos de graduação na área de saúde como Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição e Odontologia. Em 2019, será implantado Medicina Ve-

terinária, como conta o diretor André Portinolli, que atua há 16 anos na entidade e é referência de ensino privado na Bahia. “Trazer o curso para a região se torna importante porque o segmento de caprinos e ovinos está crescendo bastante”, explica. Com cerca de 300 alunos, a FTC implantou a unidade em Petrolina há dois anos, e, mais recentemente, na cidade baiana. A área de saúde foi considerada estratégica por existir um grande público nas duas cidades. A previsão é de que seja ampliada a estrutura física, construído o Hospital Veterinário e criado novos cursos de graduação e pós-graduação. Os profissionais que demandam cursos de pós-graduação buscam conhecimentos específicos, como marketing digital, publicidade e propaganda, educação do campo, ciência e tecnologia ambiental, educação física, saúde e biológicas, dentre outros. Para tanto, ocorreram investimentos na atração de mestres professores e em metodologias diferenciadas, interativas e adaptadas ao contexto das novas

tecnologias de informação.

É referência Além das universidades, o crescimento do ensino privado foi estimulado pela qualidade das escolas de ensino médio, que adotaram metodologias modernas e contextualizadas ao mundo competitivo. Na cidade, uma das referências é o Colégio Geo, cuja proposta pedagógica alia conteúdos previstos na Base Nacional Curricular Comum a atividades que estimulem o desenvolvimento cognitivo. Os resultados são o bom aproveitamento escolar e ótimo desempenho nos processos seletivos como Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e vestibulares da região. Além de uma boa estrutura, a escola implantou um laboratório de robótica e tem aulas de xadrez como incentivo ao raciocínio lógico. “A escola acompanha e sabe quem é o aluno, os seus problemas e como lidam com diversas situações, sejam acadêmicas e, inclusive, emocionais”, comenta a diretora Neide Azevedo.

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EXPEDIENTE Revista Juazeiro – Cidade inteligente, futuro sustentável Juazeiro – BA, julho de 2018. Editor e Jornalista responsável Carlos Laerte (DRT/PE: 1781) Reportagens: Carlos Laerte Jacó Viana (DRT/PE: 6513) Ilanna Barbosa Colaboradores Andréa Santos (DRT 1988) Raphael Leal (SRTE/RJ 35.707) Débora Souza Esther Santana Mônica Santos Silvia Borges Daniel Alves Maurício Dias (Mauriçola) Capa Foto: Anderson Clayton (ACP Vídeo) Diagramação Paulo Junior (amanai.pro) Revisão Brenda Mércia Lima Impressão Gráfica Halley Tiragem 5.000 exemplares A Revista Juazeiro – Cidade inteligente, futuro sustentável é uma edição da empresa CLAS Comunicação & Marketing Ltda. CNPJ: 02.705.287/000-80

Av. Souza Filho, 997 – Centro CEP: 56.304-000 Petrolina-PE (87) 9 8804-0134 clascomunicacaoemarketing@gmail.com

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EDITORIAL

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ico acervo cultural, gastronomia surpreendente, belas paisagens naturais e uma economia em crescente desenvolvimento com base na agricultura irrigada e de notoriedade internacional. Num recorte das potencialidades e desafios da cidade de Juazeiro da Bahia, há que se destacar o seu maior patrimônio: o povo acolhedor que faz desse chão a Terra da Alegria. São mais de 221 mil habitantes e uma determinação: revisitar a História e projetar um futuro inteligente e sustentável para a ‘Capital Nacional da Irrigação’, a ‘Terra das Carrancas’. E foi com esse propósito que resolvemos elaborar uma revista que dê conta de apresentar as projeções, transformações e desafios da cidade mais importante do norte baiano, que no ano passado bateu o recorde estadual de geração de empregos formais, segundo dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged). Em 2018, Juazeiro comemora seu 140º aniversário. Esta edição se baseia no conceito de cidade do futuro – calcado em cinco pilares: educação, trabalho, sustentabilidade, tecnologia e cidadania – para trazer grandes reportagens, enquete, artigos e entrevista, numa linguem simples, objetiva e aprofundada. Como fazer de Juazeiro cidade inteligente com futuro sustentável, onde cidadãos, empresas e o governo colaborem para o bem-estar geral? Parafraseando o norte-americano Lewis Mumford no livro A Cidade na História, “O melhor investimento de uma cidade é cuidar e educar o ser humano”. Seja bem-vindo e aproveite a leitura.

Índice 3 | Educação 5 | Educação privada 8 | Saneamento básico 10 | Saúde 12 | Saúde privada 14 | Entrevista com o prefeito Paulo Bomfim

17 | Comércio 28 | Cultura 41 | Arraial do Joazeiro 18 | Fruticultura 30 | Esporte e Lazer 42 | Turismo 20 | Artigo Maurício Dias 32 | Economia 44 | Indústria – Mauriçola 34 | Crescimento urbano 46 | Crônica de Carlos 22 | Povo fala 37 | Artigo de Daniel Alves Laerte 24 | Segurança Pública 38 | Interior 47 | Homenagem à 25 | Meio Ambiente 39 | Mobilidade urbana Nossa Senhora das 26 | Ciência e Tecnologia 40 | Caprinovinocultura Grotas


Foto: Ilanna Barbosa

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Saneamento

Plano de Saneamento Básico é aprovado

Fotos: Ivan Cruz

Lei norteia as ações ambientais para o esgotamento sanitário e prevê revitalização das lagoas e riachos

Em todo o país, apenas 30% das cidades implementaram a política de saneamento ambiental.

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arceria entre a comunidade e o poder público garantiu uma conquista histórica para que Juazeiro se torne uma cidade ambientalmente sustentável. Em janeiro deste ano, o Diário Oficial do município publicou a Lei 2.732/2017, que institui o Plano Municipal de Saneamento Básico e norteia as ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e o manejo das águas pluviais, revitalizando os riachos que cortam a cidade e desaguam no Rio São Francisco. Em todo o país, apenas 30% das cidades implementaram a legislação, atendendo a política da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, 8

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que destina recursos federais para municípios com mais de 50 mil habitantes. O professor da Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF) e Superintendente de Planejamento Urbano da Secretaria de Obras e Desenvolvimento Urbano (SEDUR), João Pedro da Silva Neto, atuou junto com a população para aprovar a lei na Câmara de Vereadores. Ele destaca que o plano direciona a gestão pública a aplicar os investimentos necessários em saneamento ambiental, independente de quem esteja à frente da gestão municipal. O Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE) segue as diretrizes do plano. Atualmente, cerca de 72% do município é abastecido pelos serviços de saneamento e es-

gotamento sanitário. “Até o final do ano, a cobertura será de 95%, com a construção de estações elevatórias em toda a cidade e a reforma da principal estação de tratamento localizada no São Geraldo, que terá a capacidade ampliada em três vezes para atender a demanda do município”, declara Jadson Pereira de Barros, gestor técnico operacional do SAAE. O recolhimento dos resíduos sólidos é essencial na nova legislação e, desde o ano passado, o SAAE se tornou responsável por executar as ações de coleta e tratamento. A partir de 2014, Juazeiro passou a ser a única cidade do norte da Bahia a ter um aterro controlado com tecnologias que permitem a impermeabilização dos materiais poluentes (como


Saneamento o chorume) para não contaminar o solo. Jadson destaca como preocupante a quantidade de dejetos, entulhos e materiais da construção civil, que muitas vezes são descartados em locais públicos. São retirados cerca de 100 toneladas de dejetos por dia, o que exige ações de educação ambiental para inibir o descarte em travessas e ruas. “Existem profissionais que coletam os resíduos e distribuímos lixeiras em locais públicos para recolher pequenos materiais. São ações para otimizar os gastos públicos com o recolhimento e é ecologicamente correto”, afirma Jadson Pereira. Um aspecto importante que tem impacto no saneamento básico é o manejo das águas pluviais, evitando a proliferação de doenças e pragas

urbanas. A pesquisadora Luzineide Dourado, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, realizou diagnóstico ambiental em lagoas situadas nos bairros Antônio Guilhermino, Dom José Rodrigues, Jardim Primavera e Antônio Conselheiro e verificou que algumas foram desativadas e outras recebem resíduos sólidos. “Foram identificados nível de poluição, degradação, corpos d´ águas e alterações nas águas”, esclarece a pesquisadora. A Lagoa do Calu é a que apresenta melhor condição socioambiental, por ter ações de paisagismo e ser uma área de convivência e de lazer para a população. Para cumprir as ações de revitalização, as lagoas não podem mais receber dejetos da rede de es-

gotamento sanitário. O superintendente da SEDUR, João Pedro, destaca que a legislação também não prevê mais a cobertura dos canais, como a da Avenida Luis Lula Inácio da Silva, mas a revitalização dessas áreas. Luzineide Dourado recomenda que “nas áreas de lagoa devem ser plantadas árvores nativas da mata ciliar e construídos espaços de lazer para caminhadas”. Com isso, essas áreas passam a ser ambientes salubres assumidos tanto pela população como pelo poder público. A lagoa do Calu é um exemplo de como a cidade pode conviver com os recursos naturais das lagoas e riachos de forma sustentável.

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Saúde pública

Garantir assistência à saúde é desafio para sistema público

Fotos: Ilanna Barbosa

Em Juazeiro, a meta tem sido o acesso à atenção básica, promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce e o monitoramento regular dos serviços.

Para o atendimento de saúde, o município dispõe de 56 unidades básicas e 63 equipes médicas.

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professora Irady Gonçalves dos Santos costuma ir periodicamente ao posto do Centro Social Urbano (CSU), do bairro Lomanto Júnior, para atividades rotineiras como tomar vacinas, aferir a pressão e ser atendida pelos profissionais de saúde. Sempre bem assistida pela equipe profissional, Irady tem 63 anos e é uma paciente com um perfil diferenciado, o de quem está consciente da importância do autocuidado e de prevenção à saúde. Pensando em melhorar o atendimento, a Secretaria de Saúde de Juazeiro aumentou o número de Unidades Básicas de Saúde. São 56 prédios em funcionamento na cidade 10 Revista Juazeiro

para suprir a demanda da população com 63 equipes, formadas por médicos, dentistas, enfermeiras, técnicos de enfermagem e agentes Comunitários de Saúde que prestam atendimento à população, na sede e nos distritos do município. Além das unidades básicas,  Juazeiro possuí a única maternidade pública em atendimento de baixa e média complexidade da região para prover o auxílio à gestante de 53 municípios pertencentes à rede de atendimento público entre os municípios pertencentes aos estados de Pernambuco e Bahia (Rede PE-BA). Mensalmente, são realizados 527 partos, considerado um número significativo mas com taxa de mortalidade

de 2,65/1000 partos. O índice é cerca de 5 vezes menor do que os atuais indicadores de natimortos (12,5/1000 partos), divulgados pela Organização Mundial da Saúde. A demanda por serviços de saúde à gestante demonstra a necessidade dos municípios do norte baiano conseguir recursos para construir maternidade de excelência e garantir a assistência à criança e a mãe. Lidar com a saúde pública deve prever monitoramento constante. A Comissão de Co-gestão Interestadual de Saúde do Vale do Médio São Francisco – Pernambuco e Bahia (Crie PE/BA) se reúne bimensalmente para avaliar as necessidades e encaminhar deliberações ao Governo do Estado.   Na maternidade, a enfermeira especialista em obstetrícia e par-


Saúde pública to humanizado, Waldirene Cunha, acompanha as gestantes no momento do parto. Ela é defensora de um parto humanizado e com respeito à gestante. “Avaliamos, internamos e acompanhamos pacientes de risco habitual conforme as normas do Ministério da Saúde, respaldados na legislação. Apesar de muitos não terem a perspectiva do parto humanizado, já estamos transformando a maneira de nascer no nosso sertão e fazendo um trabalho com qualidade e profissionalismo”, afirma.   A formação continuada na área da saúde pública requer investimentos para qualificar os serviços. Waldirene Cunha tem especialidade na área de obstetrícia e sempre busca a qualificação profissional para melhor atender às pacientes na maternidade e avalia que os profissionais que atuam com parto humanizado na região têm tido a formação adequada.   “Em todos os congressos de obstetrícia que vou inclusive congres-

sos internacionais o que observamos é que estamos trabalhando com uma boa equipe de enfermeiras obstetras especializadas em humanização do parto, estamos à frente de vários hospitais inclusive da capital que o enfermeiro ainda não tem essa autonomia e toda essa experiência profissional”. Os procedimentos através da rede PE-BA também acontecem na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que beneficia dez municípios da região e tem uma média de 1192 atendimentos mensais. Desde 2016, o município implantou a caravana da saúde com o objetivo de realizar atendimentos médicos especializados conforme a necessidade de cada unidade e realizações de exames laboratoriais para agilizar o processo de atendimento à população. Em cada unidade, são realizadas em média 40 coletas sanguíneas e analisadas no Laboratório Central do Município, com registro de

mais de 30 mil atendimentos. A caravana da saúde é rotativa e atende semanalmente em unidades de todo o município, como estratégia de ofertar serviços públicos de saúde de forma concentrada. A secretária de Saúde do município, a médica Fabíola Ribeiro, avalia que os atendimentos prestados à população têm avançado, com o aumento do número de unidades de saúde, equipes da saúde da família, investimento na qualificação do profissional e maior frota de ambulâncias para atendimento à população. “Diariamente, estamos atentos às demandas das pessoas, sabemos que muito ainda tem que ser feito, saúde é o bem-estar de cada indivíduo e temos conhecimento deste, estamos trabalhando para melhorar a cada dia”, expôs a Secretária.

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Saúde Privada

Saúde privada registra crescimento em Juazeiro Equipamentos médico-hospitalares e profissionais contribuíram para maior oferta

Médico Sílvio Perrotta

A participação do segmento privado na oferta de serviços de saúde em Juazeiro teve um aumento significativo nos últimos anos, seguindo uma tendência nacional de crescimento. Segundo pesquisas da entidade que representa o setor, de dezembro de 2016 a dezembro de 2017 cresceu 5,1% o número de clínicas de terapia e hospitais particulares no país. No município baiano, a ampliação dos serviços foi acompanhada pela chegada de equipamentos médico-hospitalares e profissionais especializados em média e alta complexidade. No último dia 14 de junho, Juazeiro foi contemplado com um equipamento médico que vai duplicar a capacidade de atendimento aos pacientes portadores de patologias renais. As novas instalações da Clinefro – Clínica de Nefrologia de Juazeiro, foram entregues à população na rua do Paraíso (bairro Santo Antônio). Empreendimento do grupo CSB, o maior do segmento na Bahia e um dos que mais crescem no Brasil, a nova Clinefro vai oferecer atendimento ambulatorial e tratamento dialítico

nas áreas de Hemodiálise, CAPD – Dialise Peritoneal Ambulatorial Continua e DPA – Dialise Peritoneal Automática, além de encaminhamento para centrais de transplante renal da Bahia e de Pernambuco.

te de mais moderno em tecnologias para saúde da visão, inclusive transplantes de córnea, vitrectomias e todas as outras cirurgias de alta complexidade. Unimed VSF

De acordo com um dos quatro sócios diretores do grupo, o médico nefrologista, Sílvio Perrotta, a clínica ampliada passa a atender até 600 pacientes, entre tratamentos do SUS (Sistema Único de Saúde) e ao público que possui planos e convênios de saúde. “Há 16 anos, quando construímos a Clinefro, procuramos obedecer aos mais rigorosos padrões tecnológicos com aquisição do que há de mais moderno em equipamentos na Medicina. Hoje, ampliamos o atendimento humanizado, seguro e de excelência com uma equipe multidisciplinar liderada por oito médicos especialistas”, pontuou. Uma clínica certificada pela ONA – Organização Nacional de Acreditação, entidade não governamental e sem fins lucrativos que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil.

Referência regional em urgência adulto e pediátrica 24 horas, o Hospital da Unimed em Juazeiro vem se destacando atualmente na implementação do projeto do parto adequado. Segundo o presidente da Unimed Vale do São Francisco, o ginecologista obstetra, Francisco Otaviano, as ações do projeto se dão através de mudanças no cuidado, a partir de práticas baseadas em evidências científicas e na conscientização das gestantes e de toda a rede de atenção obstétrica sobre os benefícios do parto normal.

Instituto de Olhos Vale do São Francisco

“Estamos trabalhando em parceria com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), O objetivo é identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto, reduzindo assim o número de cesarianas desnecessárias”, concluiu o presidente.

Programando inauguração para o próximo mês de agosto, também na mesma rua do Paraíso, o Hospital Dia do Instituto de Olhos Vale do São Francisco promete iniciar uma nova fase na história da oftalmologia na cidade de Juazeiro. Com modernos equipamentos de diagnóstico e um centro cirúrgico com 3 salas, o Hospital Dia vai oferecer o que exis

Médico Francisco Otaviano

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Foto: Ivan Cruz

Entrevista | Paulo Bonfim

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e folhas pequenas e fruto amarelado, o Juazeiro é um símbolo da Caatinga. Sua grande copa com vistosa folhagem, que não cai nem mesmo na seca, é alívio durante o calor nordestino, isto desde a criação da cidade, quando tropeiros aproveitavam a sua sombra para descansar e atravessar o rio com a boiada. Assim como a árvore que lhe doou o nome, a cidade baiana – banhada pelo Rio São Francisco – não perde o vigor, a força e a crença no progresso. Elevado à categoria da cidade desde 15 de julho de 1878, o município é hoje um importante centro demográfico, estratégico, político e econômico do Nordeste, quiçá do Brasil. Cidade das carrancas, da agricultura irrigada e portal do enoturismo, Juazeiro carrega ainda o título de a mais importante cidade do Norte da Bahia. Graduado em Gestão Pública, o prefeito Paulo Bomfim tem o desafio de lidar com as demandas de 221.773 habitantes, segundo último censo do IBGE. Ao viajar pelo Brasil representando a cidade, ele diz que se orgulha de apresentar a todos a ampla infraestrutura urbana, a gastronomia, ofertas de serviços, rede hoteleira e, claro, o grande pólo médico-hospitalar e educacional, sobretudo as instituições de ensino superior federal, estadual e privadas. Veja a seguir a entrevista com o prefeito de Juazeiro, Paulo Bomfim. 14 Revista Juazeiro

Quais as medidas que a Prefeitura Municipal tem em vistas a fomentar o empreendedorismo inteligente e sustentável em Juazeiro? Nós temos criado alternativas. O Juazeiro empreendedor é um programa de Governo, que criou a Sala do Empreendedor. Na área da educação, empreendedorismo é disciplina escolar. Temos uma parceria com o Sebrae. Também criamos a Agência de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária, dando um caráter de agência de fomento. Em todas as secretarias há um direcionamento a se pensar nestes novos modos de gestão pública. Somos uma das poucas cidades do país que já tem um Plano Municipal de Saneamento; temos obras como a do Parque fluvial; as grandes avenidas já estão sendo feitas com ciclofaixas. Então há uma série de ações neste sentido. As transformações tecnológicas têm feito governos repensarem seus modelos educacionais. Como a Rede de Ensino de Juazeiro tem se preparado para atender as novas demandas educacionais da chamada "Geração C", a geração conectada? Juazeiro tem 130 escolas na rede de ensino. Destas, desde a primeira gestão do ex-prefeito Isaac Carvalho, iniciada em 2009, 105 foram reformadas, ampliadas e climatizadas. Em todas elas, há laboratórios de


Entrevista | Paulo Bonfim informática. Os professores são capacitados em formação continuada no Núcleo Tecnológico Municipal para orientar os estudantes e integrá-los a este novo modo de se comportar no mundo. Criamos o cargo de Articulador Tecnológico. Entregamos tablets a alunos e alunas para que acompanhem esse processo. O atendimento humanizado e de qualidade é uma demanda constante na Saúde Pública. O que a Rede Municipal está fazendo para ampliar e modernizar esse acesso? Esta é uma das minhas preocupações: atender e servir bem. Criamos na Secretaria da Saúde uma superintendência de Humanização, criando métodos para que os servidores compreendam melhor esta missão do serviço público, numa área tão sensível. Também criamos o programa Atender Melhor, pensando na Atenção Básica, naquele primeiro atendimento, nas Unidades Básicas de Saúde. Quem sente dor, não quer ser maltratado. Então, nosso foco é melhorar a vida das pessoas. E um bom atendimento é o princípio básico. Juazeiro aparece no ranking como a cidade baiana que mais empregou em 2017 e continua dando sinais de crescimento desses números. Segundo a pesquisa, a prefeitura foi preponderante para o alcance dessa posição. Quais medidas o senhor tomou para diminuir os níveis de desemprego na sede e zona rural? Na verdade, nós já víamos numa toada de destaque em relação a geração de oportunidades de emprego. Por isto falamos na importância da implantação da política de

atração de novos investimentos, iniciada na gestão do ex-prefeito Isaac Carvalho. A Prefeitura oferece condições às empresas, elas reconhecem o nosso potencial econômico e aqui fixam seu empreendimento. Juazeiro atraiu grandes redes de atacarejo, do comércio, indústria e também fortalecemos a nossa base econômica, que mesmo em período pouca vazão do Rio São Francisco, mantém e até mesmo amplia a sua comercialização para mercados internos e externos. Também criamos a Sala do Empreendedor,em parceria com o Sebrae, facilitando a vida do investidor que deseja empreender em nossa cidade. Estes são alguns exemplos de nossa exitosa experiência.

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Criamos o programa Atender Melhor, pensando na Atenção Básica, naquele primeiro atendimento, nas Unidades Básicas de Saúde

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Atualmente, mais da metade das pessoas já vivem nas cidades e a expectativa é de que esse aglomerado deve aumentar para sete em cada dez, nos próximos 30 anos. Juazeiro é um dos 4 maiores municípios da Bahia e consequentemente tem problemas de mobilidade urbana. Como sua Gestão tem se preparado para lidar com isso? Estamos ampliando o programa de pavimentação, o Pavimenta Mais, interligando ruas, avenidas e sempre que possível implantando ciclofaixas. Temos o zona azul, que já melhorou consideravelmente a

questão de estacionamentos no centro. Temos levado o desenvolvimento para outras áreas, melhorando a circulação das pessoas. O projeto da Travessia será de grande colaboração para isto. Além da paisagem, ela possibilita alternativas de mobilidade, integrando centro e bairros. Então, é uma preocupação diária. O juazeirense pode ter certeza de que estamos na luta para melhorar as suas vidas. Apesar de a Segurança Pública não ser uma responsabilidade municipal as pessoas sempre cobram a Prefeitura. Quais ações o senhor está desenvolvendo para dar a elas uma resposta mais assertiva? Nós somos parceiros das forças de segurança. Implantamos o videomonitoramento e temos um gabinete integrado. A nossa Guarda Municipal ampliou a sua atuação e também temos equipes de abordagens. Sempre que somos solicitados, oferecemos infraestrutura às polícias Civil e Militar. Segurança Pública é uma área sensível e cara. Os municípios brasileiros não têm condições em instituir política pública. Além disso, investimos em educação, em capacitação para jovens e adultos, como os Programas Inova Jovem e Qualifica Mais. Além de ações transversais em todas as sceretarias. Inovações e pesquisas tecnológicas têm o poder de transformar e dar autonomia a uma sociedade. A Prefeitura tem programas de fomento às potencialidades de Juazeiro, a exemplo da fruticultura, energias renováveis e prospecção de plantas da Caatinga com potencial frutífero e medicinal? Hoje nós temos uma política pública de fortalecimento da cadeia Revista Juazeiro 15


Entrevista | Paulo Bonfim produtiva dos rebanhos de caprinos e ovinos. A gente implanta sistemas simplificados de abstecimentos, poços, e outras aguadas, em comunidades rurais. A partir daí, eles podem fazer uso da água para plantio e criação dos animais. Em parceria com Associação de criadores, temos obtido melhoramento genético dos animais e valorizando o rebanho de criadores de todos os 9 distritos. Somos hoje referência nesta área econômica. As Feiras de Caprinos e Ovinos geram investimentos consideráveis, sendo exemplo para outros municípios, até mesmo Estados. Além disso temos escola de tempo integral rural, instalada no Distrito de Itamotinga, com um currículo específico para atividades rurais. Acredito que estamos no rumo certo. Uma dificuldade que os em-

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preendedores denunciam como barreira para os investimentos no Brasil é a burocracia. Há hoje na cidade uma preocupação para desburocratizar e sistematizar os serviços públicos? A Sala do Empreendedor é uma parceria com o Sebrae. Todo investidor precisa de licenças, autorizações municipais. Reunimos isso tudo num só ambiente, próximo à Junta Comercial, integrando vários atores necessários para iniciar um empreendimento. O investidor não terá dor de cabeça para implantar a sua empresa aqui em Juazeiro.

Na visão do senhor, quais desafios Juazeiro ainda deve superar para seguir crescendo com igualdade de oportunidades e melhoria de renda das famílias?

Estamos vivendo uma crise criada por questões políticas e econômicas. Para enfrentar esta crise, estamos buscando fazer mais com menos. O nosso programa de inaugurar obras toda semana, O “Toda Sexta Tem Obra”, inaugurou 65 obras em 2017, entre pavimentações, escolas, postos de saúde, sistemas de abastecimento. Tudo isso só possível por conta de planejamento, confiança da população e o apoio da nossa qualificada equipe. Estamos buscando mais obras, mais investimentos para saúde e educação, infraestrutura, habitação, social, cultura, esporte. Temos também o desafio do ordenamento urbano. São desafios que , acredito, vamos superá-los e manter a cidade seguindo em frente, com uma visão moderna de desenvolvimento e sempre pensando no bem estar da população.


Comércio

Centro Comercial revitalizado

Foto: Ilanna Barbosa

Novo modelo estimula o desenvolvimento de campanhas super produzidas para o Dia das Mães, Liquida Bahia e Natal

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á três anos, andar pelas ruas do centro de Juazeiro era transtorno para quem desejava comprar no comércio. Desde então, o centro comercial passou por um processo de requalificação, implantando calçadões com piso adaptado, vias destinadas apenas ao comprador, sem esquecer do paisagismo. Na Travessa Benjamim Constant, é possível apreciar a variedade de lojas e, com tranquilidade, escolher um produto sem receio do fluxo de carros. Para a funcionária Renata Ferreira, que trabalha em uma loja de artigos de moda masculina, na Rua Conselheiro Saraiva, os clientes

Revitalização contribui para ampliação da oferta de serviços no centro da cidade.

têm aprovado as mudanças, pois consideram que trazem conforto e calma na hora da compra. “Facilitou muito o acesso. Antes não tínhamos espaço suficiente para os clientes passarem, uma vez que o tráfego era muito intenso”, conta. Para a CDL - Câmara de Dirigentes Lojistas, a restruturação do centro atraiu consumidor e provocou mudanças no perfil das lojas, que passaram a investir mais na modernização de seu espaço físico, investindo em planejamento e orientação visual, aparência e foco no atendimento. Segundo a entidade, isso tem estimulado o comércio a desenvolver campanhas como o Dia das Mães,

Liquida Bahia e Campanha de Natal, cada vez mais elaboradas, gerando atratividade e impacto nas vendas. Além de novas lojas, a revitalização também contribuiu para a ampliação da oferta de serviços no centro da cidade. Como é o caso do dentista Francisco Antônio Campelo, que abriu uma clínica odontológica na área. “O calçadão na [Rua] Barão do Cotegipe só veio a somar. Hoje conseguimos chegar com facilidade ao Estádio Adauto Moraes, por exemplo, que antes era quase intransitável, em função das pessoas e carros disputando um mesmo trajeto”, diz o profissional.

Revista Juazeiro 17


Fruticultura

Inovação Tecnológica no setor da fruticultura irrigada

Fotos: Carlos Laerte

Para competir no mercado externo, produtores de Juazeiro investem alto em novas práticas e tecnologias

Produção de manga e uva é responsável pela geração de 240 mil empregos no campo.

U

va de mesa, pera, manga, cacau, melão, caqui, maracujá e melancia, frutas produzidas no Vale do São Francisco que conquistaram os mercados interno e externo e geram uma balança comercial de R$ 5 bilhões. São cerca de 120 mil hectares de terras cultivadas no norte da Bahia e Pernambuco. Em Juazeiro, os perímetros irrigados de Mandacaru, Maniçoba, Projeto Curaçá (NH1 e NH2), Tourão e Salitre, na área de atuação da 6ª Superintendência da Codevasf, se destacam na produção de manga, seguido da uva e coco, que em 2012 movimentou R$ 313,8 milhões. O presidente do Instituto da Fruta do Vale do São Francisco, Ivan Pinto, conta que a produção agrícola vem se mostrando estável, apesar 18 Revista Juazeiro

do cenário de retração econômica que ainda passa o país. A uva, principal produto de exportação, mantém os 12 mil hectares de área plantada e a manga os 52 mil hectares, criando em média 240 mil empregos no campo, seja no plantio, manejo, serviços, maquinário, embalagens ou implementos agrícolas. Contudo, a fruticultura irrigada exige altos investimentos em inovação tecnológica na busca por atender as demandas de um mercado competitivo. Para Ivan, instituições de pesquisa e as universidades da região têm um papel importante na inovação e resolução de gargalos como a otimização do uso de água e demandas na fase do plantio, manejo e pós-colheita. “Na academia, os

pesquisadores produzem conhecimento, mas é necessário difundir as soluções”, diz. No Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) campus Juazeiro, um programa de Pós-Graduação Mestrado em Horticultura Irrigada já produz resultados favoráveis às pesquisas que visam atender o setor produtivo. Com Doutorado em Fitotecnia e na área de fertilidade das gemas de uva, o professor Valtemir Gonçalves Ribeiro estuda procedimentos que conserva a fertilidade da planta. A meta é superar as duas safras anuais com a produção de ramos mais férteis para o próximo ciclo.


Fruticultura Exemplo disso, o estudo desenvolvido em uma fazenda no Projeto Curaçá, sob a coordenação de Valtermir Ribeiro, atendeu à demanda do produtor de manga da variedade Kent, que buscava soluções para promover o florescimento, sem que houvesse resíduos nas safras seguintes. Como a espécie é de difícil floração, foram realizadas técnicas de manejo, elaboradas durante a pesquisa, para garantir a qualidade do fruto.

Solução para a uva

desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, do Rio Grande do Sul. A uva sem semente apresenta bom equilíbrio entre açúcar e acidez, tendo como resultado a conquista do mercado europeu. Ela também é tolerante ao amídio, principal doença que ataca as videiras. Através dos estudos com o porta-enxertos será possível encontrar melhores soluções para a cultura de uva conforme as condições da planta na nossa região”, prevê Valtemir.

Outras soluções encontradas pelos pesquisadores são os porta-enxertos com a Uva BRS Vitória,

Fenagri 2018 Já na 27ª edição, a Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) acontece de 11 a 14 Julho no Juá Garden Shopping e no Centro de Excelência em Fruticultura do Senar, em Juazeiro. Com o tema ‘Cultivando Sabores e Valores do Vale’, o evento incentiva o intercâmbio de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e oportunidades econômicas para produtores da região. A feira é promovida pela Prefeitura Municipal de Juazeiro e a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Juazeiro – ACIAJ. Seminários, minicursos, feira da Agricultura Familiar, visitas técnicas, rodada de negócios e exposição de produtos e serviços serão atrações.

Produtividade de cana-de-açúcar O desenvolvimento de técnicas modernas de irrigação associado às pesquisas com recursos genéticos e seleção de variedades também vem fazendo de Juazeiro uma das referências mundiais em produtividade de cana-de-açúcar. Instalada no município há 46 anos, a Agrovale colhe por mês cerca de 10 toneladas por hectare e, atendendo a 100% da demanda hídrica, o canavial rende até 220 toneladas, como é o caso do projeto Salitre, onde pre-

valece o sistema de gotejamento. Os avanços tecnológicos também podem ser observados no refino do açúcar, com clareamento através do Ozônio e retirada de elementos químicos, resultando num adoçante natural, constituído de carboidratos na forma cristalizada e com no mínimo 99,3% de sacarose. A Agrovale desenvolve ainda pesquisas para o aprimoramento

do programa do etanol, combustível limpo e renovável que é considerado em todo o mundo uma das experiências brasileiras mais bem sucedidas. E com o bagaço da cana, extraído a partir da produção de açúcar e etanol, a empresa produz energia elétrica com capacidade correspondente a 80.000 MWh/ano (Megawatts Hora por Ano), o que pode suprir a necessidade, por exemplo, de uma cidade com uma população de 214 mil habitantes. Revista Juazeiro 19


Artigo

João, a bossa e Juazeiro * Maurício Dias (Mauriçola) Não vou escrever sobre o João Gilberto planetário, se você digitar o nome dele no “google” aparecem mais de 18 milhões de resultados. Nem sobre a hermética harmonia da sua “bossa nova”, digite também no “google”, tem 37 milhões de citações. João Gilberto aos 87 anos, junto com o “maestro soberano” Antonio Carlos Jobim, são os dois músicos, artistas brasileiros mais admirados e respeitados no mundo até hoje. Tenho centenas de histórias, vividas, e ao vento lançadas, além de inúmeras outras que contaram pra mim. João Gilberto da Juazeiro mágica, que durou até 1955, ano em que nasci, é o cara que vou dissecar, decifrar em duas noites impossíveis daquelas madrugadas desertas de 1976(ou 77). Minhas testemunhas vivas são Nelito Costeleta, Ermi Júnior “junolão”, Fernando Oliveira (Fernando do salão, 91 anos). Os outros companheiros mágicos: Euvaldo Macedo Filho (Euvaldão) Edésio Santos, Dr. Dewilson Oliveira, Humberto Falcão, João Duarte, Sandoval Duarte(Dovinha), já se foram. Eu continuo andando de banda. Já contei que foi o Dr. Dewilson que nos convidou para conhecer João em sua casa..... Depois da casa do Dr. Dewilson, saímos em cortejo direto para a boite”shangrilá” em Piranga e aí começou o impossível... só posso contar ao vivo, com um violão nas mãos. O dia amanheceu!! Galos ainda anunciavam manhãs.. - Lá vem “Vadú corta passe”, pare o carro, foi ele quem inventou a bossa nova tocando samba na caixa de fósforo “fiat lux”, determinou João ao “chofer” Euvaldão. 20 Revista Juazeiro

- Oxi, João Gilberto? Tá fazendo o que aqui? Sumiu! Nunca mais lhe vi, disse seu “Vadú”, mais de 30 anos sem ver João. - “Vadú” cadê o samba? Pediu João Gilberto aflito!! E seu Vadú pediu uma caixa de fósforo e uma escola de samba inteira, feito a “cacumbú” ,desfilou na esquina da Adolfo Vianna com a Antonio Pedro, seu “Vadú” esqueceu o pão quentinho da padaria “progresso”. - E a pobre “mariposa” que se queimava nas luzes mortiças daquela Juazeiro, se foi pra nunca mais. Tenho muitas histórias assim, muitas, levaria uma eternidade contando, acho mesmo que sou um compositor contador de histórias, sobrinho de Pedro China, 85 anos, amigo comtemporâneo de João. Aqui não caberia. O “mocotó” e a manga 3 da manhã em Pedro Pirulito na Piranga. Os 3 copos cheios de “Claudionor” que João Duarte virou no bar Lider de Costeleta na rua da apolo, João e Edésio fecharam os olhos.. A linda “morena do shangrilá” A Casa de dona “Duvirgem” nas populas.. O Guarda noturno seu Alexandre.. O encontro com Marta Luz e Oswaldo Benevides.. Dovinha de “cueca samba canção” de madrugada, procurando João Gilberto que se escondeu atrás de uma árvore na praça de misericórdia.. “ Juazeiro, flor e lixo não se casam”. Nunca mais falei com João Gilberto, nossa última conversa foi em 2011, ele ficou chateado comigo por causa da homenagem dos 80 anos. Ele só me alertou: Mauricinho, deixe tudo quieto, você sabe que eu gosto de tudo quieto. Ainda em um dos úl-

timos telefonemas, ele me confessou sua admiração por Geraldo Azevedo.. “chame aquele rapaz de Petrolina, toca bonito, canta bonito, tem uma humildade.. não gosta de ficar se exibindo.. Tomara que o nosso amigo Carlos Laerte me convide para um “sarau”, com um violão e cantando eu destilo em profusão de melodias e harmonias desconcertantes, João Gilberto e a bossa nova, sem os “fuxicos” daquela Juazeiro mágica e antiga e a desinformação raivosa do presente. Deixo um poeminha de João Gilberto publicado na revista “velha poesia nova” que musiquei: Os pingos molhados Olhe, tá chuviscando. Virou aguaceiro e os pingos vão se molhar, ouviu?. ...preste atenção... ....os pingos estão se lamentando Ou será ilusão? Se verdade fosse e a linguagem deles falasse Chamava os pingos pra dentro de casa Até que a chuva passasse. *Maurício Dias (Mauriçola) é músico e compositor


Foto/ Divulgação

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“Juazeiro precisa de políticas públicas concisas e do cumprimento do seu Plano Diretor.” Geraldo José Radialista e blogueiro

Fotos: Carlos Laerte

“Uso estratégico de infraestrutura empreendedora para ampliação de empregos e utilização de novas tecnologias nas áreas de saúde, educação, produzindo mão de obra qualificada, e espaços verdes para o lazer da população.” Décio Alves Barreto Empresário

“Necessitamos dar uma maior atenção ao jovem, melhorar a educação, o acesso ao esporte, à cultura e criação de mecanismos para evitar o uso de álcool e drogas.” José Carlos Rodrigues do Nascimento Juiz da Vara da Infância e Juventude Aqueduto de Juazeiro – BA (1907)

"Sei que o futuro de Juazeiro somos nós e vou fazer de tudo para ela ser uma cidade melhor.” Iuri Michael Bernardino da Silva Estudante (Escola Municipal Mandacaru)

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"Uma cidade rica em tradições e cultura que merece uma maior atenção, carinho e valorização dos seus artistas." Maria Isabel Figueiredo (Bebela) Escritora e folclorista


"Concordo com o arquiteto Oscar Niemeyer, uma cidade que quer um futuro sustentável deve promover para os cidadãos saúde, educação e trabalho. E no caso da nossa Juazeiro, zelo e cuidado para com o Rio São Francisco." Maria José Lima da Rocha Professora e religiosa

Para ter um futuro sustentável, Juazeiro precisa...

“Melhorar a assistência de saúde às camadas menos favorecidas, tanto nos postos como nos hospitais públicos.” Roza M. Agra Médica ginecologista

“Nossa agricultura precisa de financiamento para produção com juros justos e melhores condições na hora de comercializar.” Pedro Gaudêncio Produtor rural

"Não se descuidar de uma melhor gestão, planejamento e políticas públicas mais eficazes. Uma Juazeiro com mais harmonia entre as relações econômicas, sociais e ambientais." Rivadávio Espínola Professor é ex-prefeito de Juazeiro

“Realizar as ações políticas e sociais que estejam de acordo com a viabilidade ambiental e o cuidado com as pessoas” Targino Gondim Sanfoneiro, cantor e compositor

Revista Juazeiro 23


Segurança pública

Forças de segurança pública montam estrutura contra criminalidade

Foto/Divulgação

Ações coordenadas, acompanhamentos, ouvidoria e prevenção são apontados como ferramentas para melhoria nos índices de violência em Juazeiro

Instituições apontam cooperação, capacitação e uso de tecnologias como fatores para resultados positivos.

A

parceria entre a Polícia Civil, Militar, Ministério Público, sistema judiciário e Guarda Municipal está conseguindo resultados favoráveis à inibição da criminalidade, reduzindo índices de crimes contra a vida e lesão corporal. Dados comparados a 2017, revelam uma redução dos assassinatos em torno de 30%. O indicador mais significativo é percebido no distrito de Maniçoba. Há mais de quatro meses, o distrito não registra homicídios, segundo o Comando de Policiamento Regional Norte.

Segundo a coordenadora regional da Polícia Civil, Ligia Nunes, a melhoria da infraestrutura, com mais viatura, efetivo capacitado e o trabalho técnico no encaminhamento dos inquéritos também contribuíram para os índices. Ano passado, foram desarticulados organizações criminosas que atuavam com ações de extermínio. “Temos feito um trabalho de investigação constante para que a situação se mantenha sob controle. Todas essas instituições estão unidas com a finalidade de combater o crime”, enfatiza.

Para obter os bons resultados, as estratégias usadas têm sido a cooperação entre as instituições públicas, a capacitação, o uso de tecnologias para monitorar os índices de criminalidade e maior aproximação com as comunidades.

O comandante da Companhia de Policiamento, coronel Anselmo Bispo, diz que é preciso pensar a segurança pública de forma que os direitos sejam assegurados. “A maioria dos números é positivo. Mas a expectativa futura é investir em medidas preventivas e no diálogo com

24 Revista Juazeiro

toda a comunidade”, considera. Para o PM, as forças de segurança pública prestam um serviço e devem ser acompanhadas, inclusive para receber reclamações da comunidade. “Embora tenha havido um aumento do trabalho ostensivo nas ruas, capacitação técnica do policial, integração entre as forças, é preciso seguir ouvindo a comunidade. É ela que faz a real medição da segurança”. Outro resultado satisfatório tem sido a Ronda Maria da Penha, que faz acompanhamento de mulheres agredidas por seus companheiros. A ação conjunta com a Delegacia da Mulher e o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM) também promove assistência social e psicológica. “O que almejamos é patrocinar a cultura de não violência, criando ambiente de paz”, conclui a delegada da Polícia Civil.


Meio Ambiente

Parcerias e educação ambiental estão mudando o visual da cidade

Foto: Illanna Barbosa

Projeto desenvolvido pela prefeitura visa arborização de Juazeiro por meio de plantas nativas da Caatinga

Viveiro que produz espécimes da mata ciliar visa revitalização do Velho Chico.

D

ados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que Juazeiro tem uma área de 6.721,198km², sendo 74% dela arborizada. A Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (SERMAUB) implementou políticas públicas para conservação do ecossistema no município. Uma dessas iniciativas foi o projeto "a minha cidade mais verde", que visa arborizar a cidade com plantas nativas da Caatinga. No bairro do Cajueiro, o bosque com 44 árvores de porte médio e grande, das espécies ipê, baraúna, caraibeira e catingueira, tornou-se uma ilha de sombra em meio aos pré-

dios e casas. As mudas foram plantadas em parceria com o Instituto Mari, Coelba e a Agrovale, que mantém um viveiro com espécimes da mata ciliar objetivando a revitalização do Velho Chico. Além do bosque, o projeto plantou 3,5 mil plantas em toda a cidade. Mas para que as ações deem resultados positivos, o governo tem investido em educação ambiental. Escolas municipais e as universidades da região estão desenvolvendo projetos que disseminem a cultura de preservação ambiental. Inovador na região, o Programa Escola Verde assumiu a tarefa. Coordenado pelo professor Paulo Ramos, da Universi-

dade do Vale do São Francisco (Univasf), o PEV promove atividade junto a estudantes e educadores dos ensinos Fundamental e Médio e que fomentam reflexões sobre os cuidados ambientais. Segundo Ramos, são desenvolvidas ações como produção de material didático, cursos de formação e visitas às escolas para auxiliar na sua arborização, criação de hortas ecológicas e adequação estrutural para o uso da água. “Essas parcerias entre a prefeitura, universidades e outras instituições públicas e privadas vem se revelando muito importantes para os avanços na sensibilização ambiental que temos alcançado no município, principalmente entre as crianças”, analisa. Revista Juazeiro 25


Ciência e tecnologia

Vale do São Francisco se adapta às mudanças de mercado investindo em tecnologia e inovação

Fotos: Carlos Laerte

A meta é melhorar o desempenho na oferta de bens e serviços, estabelecer novos procedimentos, reduzir impactos ambientais e inovar para crescer

Nos últimos três anos, pesquisadores têm avançado na análise rápida e de qualidade dos frutos.

E

ncontrar soluções para melhorar a produtividade e garantir a produção intelectual dos produtos e serviços são desafios que levam instituições públicas de pesquisa e empresas a investir em uma cultura de inovação. Para a pesquisadora Vivianni Marques Leite dos Santos, do Núcleo de Tecnologia e Inovação, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), as indústrias, empresas de serviços e instituições precisam, cada vez mais, investir na tecnologia e na inovação para conseguir diminuir os impactos ambien26 Revista Juazeiro

tais, reduzir custos na produção e conquistar novos clientes. “É possível fazer inovação em processo, produto, serviço para garantir a produção intelectual. Devemos monitorar o desenvolvimento econômico com base na inovação. Empresas da região do Vale do São Francisco têm alta taxa de mortalidade porque não conseguem se adaptar as mudanças do mercado e não criam algo novo”, declara. Junto com agentes locais de inovação do Sebrae, Vivianni desenvolveu pesquisa com empresas da região e identificou que muitas não

preservam à identidade visual como propriedade intelectual. No setor de serviços e segmento de moda, apenas duas empresas de 40 tinham marcas. “Esse valor é intangível e as empresas não estão lembrando de se proteger por não terem uma identidade visual e precisam mudar de nome quando uma outra concorrente garantiu a propriedade intelectual da marca”. Com um trabalho junto a essas empresas, foi feito levantamento dos aspectos a serem aperfeiçoados no sentido de obter melhor desempenho, seja na gestão das empresas como em processo de marketing.


Ciência e tecnologia Para os estudantes e professores que atuam nas universidades a possibilidade de inovar é também atender a uma demanda da sociedade para criar novos dispositivos, seja por meio da implantação de placas de energia solar em uma fábrica de cachaça que reduz o impacto ambiental e reduz custos como criar novos sistemas tecnológicos. A pesquisadora da Univasf, Cristiane Xavier Galhardo, desenvolveu um módulo de análise que gerencia programas por monitoramento remoto sejam viabilizando soluções para reagentes químicos ou monitorando análise de água. Um exemplo do impacto do módulo de análise pode ser aplicado na análise da água do rio São Francisco nas obras da transposição. O pesquisador que estiver na área da transposição pode enviar os dados da análise por smartphone para qualquer laboratório, com isso a instantaneidade da informação pode levar a resultados mais imediatos da análise.

Na Embrapa Semiárido, pes-

quisadores procuram trazer soluções e estimular a transferência de tecnologia para auxiliar o consumidor. Um exemplo é o uso de smartophone para ler em frações de segundo e exibir em tempo real os percentuais de compostos que indicam a qualidade das frutas. Para o pesquisador da Embrapa Semiárido, Sérgio Tonneto de Freitas,“os artifícios de encerar os frutos, deixá-los brilhosos com as cores vivas e acondicioná-los numa embalagem ‘bacana’ não bastarão para garantir a preferência dos consumidores”, explica. Nos últimos três anos, o pesquisador investiga o uso dessa tecnologia - infravermelho próximo para caracterizar de forma mais completa e rápida a qualidade dos frutos de manga. Um exemplo é a quantidade de matéria seca, que representa os carboidratos e nutrientes acumulados nos frutos até o momento da colheita. Quanto mais carboidratos, principalmente na forma de amido na colheita, maior será a quantidade de açúcares

no momento do consumo. Os níveis de matéria seca no momento da colheita acima de 15% a 17% indicam que os frutos terão uma boa aceitação pelos consumidores quando maduro. “Consumidor satisfeito garante a compra do fruto mais vezes e estimula o consumo”, afirma Sérgio. Ainda na área agrícola, os pesquisadores da Embrapa desenvolvem dois agroecossistemas que garantem a produção sustentável de frutas e hortaliças a partir do uso de coquetéis  vegetais e o plantio direto. O resultado é um significativo incremento na qualidade e fertilidade do solo, com o aumento da retenção de carbono, evitando a emissão do elemento para a atmosfera na forma de gases poluentes. Para a pesquisadora Vanderlise Giongo Petrere, os estudos apontam para o desenvolvimento de uma agricultura comercial em bases competitivas sem degradar o meio ambiente e a salinização do solo. O resultado é a preservação do bioma Caatinga.  

Pesquisadores estimulam a transferência de tecnologias para auxiliar os consumidores

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Cultura

Juazeiro - BA, arte e autoria

Foto: Ricardo Carvalho

Singularidade e beleza fizeram dos artistas de Juazeiro referência para a cultura nacional

Poeta Manuca Almeida. Mais de 500 músicas gravadas por grandes nomes, a exemplo de Gilberto Gil, Dominguinhos, Arnaldo Antunes e Ivete Sangalo.

Andréa Santos

N

o final do século XIX, o geógrafo Teodoro Fernandes Sampaio aportava no cais da cidade de Juazeiro para mapear a riqueza do Rio São Francisco. Admirado pela riqueza econômica da zona comercial, denominou a cidade como o “grande empório do sertão”. O geógrafo também se encantou com os costumes locais, como os folguedos, pescarias e os jantares na Ilha do Fogo, as frutas e os bailes. Desde essa visita, a cidade de Juazeiro desponta com a sua singularidade na cultura nacional. Por aqui, nessa terra, artistas juazeirenses se destacam por manter viva uma 28 Revista Juazeiro

tradição cultural em que arte e autoria estão entrelaçados. Do cantor João Gilberto, referência cultural no mundo por causa dos acordes dissonantes da Bossa Nova; a irreverência e ousadia musical do poeta Manuca Almeida, artista inventivo com acervo de mais de 500 músicas, poeta e ganhador do Grammy Latino de Melhor Música com o ‘Esperando na Janela’; a arte fotodocumental do poeta Euvaldo Macedo Filho e o traço de Miécio Caffé, figura uma geração de artistas que tornam o município um lugar de referência para a cultura nacional. Dessa coleção de artistas, poucas pessoas na cidade tiveram conhecimento de Miécio Caffé, artista plástico e chargista, fez ilustrações de fil-

mes e caricaturas de personalidades brasileiras, como Gilberto Gil, que ganharam fama nacional. Nascido na década de 1920, mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1940, para estudar na Escola de Belas Artes. A vida do artista juazeirense que conquistou a fama nas artes gráficas é retratada pelo diretor Carlos Adriano, no documentário “Um Caffé com o Miécio” (2003). Miécio, assim como o cantor João Gilberto, conviveu em uma Juazeiro que respirava cultura, seja nas exibições de filmes nos cinemas da cidade, como o Cine Teatro São Francisco, na produção cultural de compositores de marchinhas e de jornais como José Diamantino de Assis, mais conhecido como Zezito Assis, e Dario Ferreira,


Cultura Zeca Viana, e os sons das ruas, desde a carnavalesca Rua da Alegria, onde aconteciam os carnavais até as sonoridades das músicas do rádio, transmitidos pelo alto falante na rua do centro, na década de 1940. Essa terra “onde nasci passa um rio e o tempo voa como um passarinho”, como se referiu Euvaldo Macedo Filho, não é apenas musical. Ela também é feita de luz e muitas cores. Para conhecer a riqueza cultural desse artista juazeirense, o professor e historiador da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Elson de Assis Rabelo, executa um projeto de organização e catalogação do acervo do fotógrafo Euvaldo Macedo Filho, considerado o fotodocumentarista mais representativo do Norte da Bahia. Ao todo, são mais de 700 imagens que documentam as principais transformações sociais e culturais da

região desde a década de 1970. Euvaldo costumava dizer que “gostaria de ser o fotógrafo do céu da minha terra, de algumas composições e do balé dos urubus nos céus do sertão”. Ele foi mais do que um fotógrafo. Euvaldo documentou desde manifestações culturais, como Penitentes, Candomblé, folguedos e festas, o cotidiano das lavadeiras do Angary, as feiras populares, imagens do Rio São Francisco e até os projetos de irrigação. A partir deste ano, as imagens estarão disponíveis num site, idealizado por Elson com projeto aprovado pelo Itaú Cultural. A plataforma digital será protegida por sistema de respeito ao direito da imagem. “Euvaldo tinha uma preocupação com autoria e queremos que esse site sirva para a consulta, mas que seja respeitado o direito a imagem. Então, toda a imagem terá o nome de Euvaldo”.

Toda essa cultura também se torna vida a partir de experiências de novos artistas, que produzem e retratam a realidade e as vivências de quem mora nos diversos bairros da cidade. Na nova cena cultural, destaca-se o trabalho de Euri Mania, artista do P1Rapers, que se dedica a produzir arte falando das diversas realidades da cidade, principalmente da periferia, e usando as plataformas digitais. Seu mais novo trabalho, o clip Mainha, foi lançado no Youtube. É arte juazeirense se disseminando para todo o país, sem fronteiras, sem limites. E tem mais poesia nos versos de Pedro Raimundo e Luiz Galvão.No palco teatral de Hertz Felix, Lucien Paulo, Elder Ferrari, EdvaldoFranciolli. Na música de Mauriçola, Edy Star e Alan Cleber. Nos passos e movimentos de Geraldo Pontes e Vitória Almeida. Entre o claro, o escuro e pelos traços de Coelhão,Ruy Carvalho, Gérson Guerreiro, Ledo Ivo e Parlim.

Juazeiro por exemplo... É poesia

É música

É pintura

É teatro

João Gilberto Guimarães Sobrinho é criador da Editora CLAE, organização independente responsável pela edição da revista literária “As flores do Mal” e pela produção ou viabilização de 35 livros de autores da região e de outras partes do país. Autor dos livros de poemas ‘Quebranto’, ‘O Anjo dos Outros’, ‘Estigma’ e ‘Todos contra quase nada’, este juazeirense também é produtor cultural e arte-educador. Em parceria com o músico Mariano Carvalho, venceu em 2017 o prêmio de Melhor música local no Festival Edésio Santos da Canção com a música Perfume do passado.

Uma animada roda comemora o Dia Nacional do Chorinho no pátio do Museu Regional do São Francisco. O acordeonista Silas França de Souza chama o flautista Celso Carvalho e vários outros músicos da região para tocar e cantar clássicos como “Rosa”, “Tico-tico no Fubá”, “Carinhoso”, entre tantas outras obras que encantaram e encantam várias gerações.

O artista plástico Kekê de Bela adora retratar gente de todo tipo do fazer humano. Suas telas decoram paredes de cantores como Saulo Fernandes, Tomate e Maria Gadú. Mas é na identidade juazeirense, nos contornos e brincadeiras da Terra da Alegria, que ele delineia seus traços mais marcantes.

Uma montagem cheia de surpresas poéticas e tecnológicas que vai tomando cada um dos nossos sentidos a cada pulsar da obra de Aloisio Villar em consonância com a música de Chico Buarque de Holanda. O espetáculo ‘Cabra Cega’, com direção artística de Hertz Félix e direção geral de Alan Cleber, é uma encenação de múltiplas linguagens que conquista o público com vigorosa dramaturgia e atuações impecáveis de um elenco formado por Elder Ferrari, Joyce Guirra, Ivan Leão, Elisangela Moura, Rodrigo Leal e Carlinhos Tapioca, sob a produção executiva de Kátia Gonçalves.

Revista Juazeiro 29


Esporte

Jovens juazeirenses são promessas no esporte

Foto: Ilanna Barbosa

Incentivos como Bolsa Atleta e realização de eventos estimulam a prática esportiva

Ilanna Barbosa

S

er jogador de futebol é um sonho da maioria dos jovens brasileiros. O estudante do Colégio Estadual Dom Avelar e morador do bairro João Paulo II, em Juazeiro, Romário Medeiros, começou a jogar futebol nos campos de várzea do bairro, mas foi despertado por outra paixão esportiva: o atletismo. Este ano, ele conquistou o segundo lugar na Meia Maratona Tiradentes, na categoria de 18 a 24 anos. O atleta deseja alçar novos voos. “Sonho em conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos”, comenta. 30 Revista Juazeiro

Projeto de incentivo ao esporte em Juazeiro visa investir em atletas talentosos.

Assim como Romário, uma geração de jovens juazeirenses deseja o reconhecimento da população e o incentivo do poder público para estimular a prática de esporte. Romário é um jovem apto a concorrer ao Projeto de Lei 3.117/2014 – Programa Bolsa Atleta, da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, que concede auxílio financeiro de R$ 1 mil por mês ao desportista com melhor colocação nas suas federações. “O benefício é para os atletas com bom desempenho e visa investir nos talentos esportivos”, explica o superintendente de esporte, Gilberto Pacheco. Criado há

quatro anos, o programa possibilita o custeio durante 12 meses para que os bolsistas possam participar das competições, pagar inscrições e seus equipamentos. Judoca da Academia Samuraikam, Rafael Vieira é destaque na sua modalidade e foi selecionado pelo Bolsa Atleta. Aos 20 anos, conquistou o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro SUB-18, promovendo o nome de Juazeiro na cena esportiva do judô, considerado pela Unesco como a melhor atividade esportiva para jovens e crianças.


Esporte lidade na academia e reconhece que é preciso investimento público e privado, pois a maioria dos alunos é de baixa renda. O esporte também exige investimento em dieta apropriada e participação em disputas nacionais. “Temos dificuldades de encontrar patrocinadores que possam ajudar com os custos de viagens”, revela. Para garantir que o município invista em espaços esportivos, foram construídas as ciclofaixas de até 2km no Parque Fluvial na orla da cidade, e a Praça da Juventude, complexo esportivo para a prática de artes marciais, pista para caminhadas, quadra de vôlei de areia, campo de

futebol de areia e quadra de futsal no bairro Malhada de Areia. A Secretaria de Esporte já obteve a aprovação para construir o Centro de Iniciação ao Esporte, no âmbito da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), para a construção de galpão esportivo e pistas de atletismo. Além disso, o município tenta garantir investimentos para a realização da Meia Maratona Tiradentes, Circuito Juazeirense de Natação e Circuito de Vôlei de Areia. “São competições que buscam incentivar a prática democrática do esporte para outras modalidades além do futebol”, destaca Pacheco.

Foto: Ilanna Barbosa

O atleta se interessou pelo esporte quando estudava no Colégio Helena Celestino, no bairro Castelo Branco, há cinco anos. Em 2015, começou a participar de competições oficiais, sagrando-se campeão baiano de iniciantes. Ano passado, obteve o melhor desempenho na categoria até 76 kg em competições nacionais. “O Judô me chamou a atenção pela desportividade e disciplina. A gente acaba aprendendo mais que um esporte”, considera o judoca, que recebe patrocínio de uma empresa da família. Para o técnico Rafael Alves, a maioria dos atletas custeia a mensa-

Revista Juazeiro 31


Economia

Modernização da economia levou empresas a se instalarem em Juazeiro

Foto/Divulgação

Estímulo a novos empreendimentos, convênios com a iniciativa privada e potencialidades econômicas atraíram olhares de investidores

Empreendimentos ajudaram a cidade figurar no 1º lugar das que mais empregam na Bahia.

I

ndústrias, fazendas agrícolas, comércios atacadistas, centro distribuidor de frutas, empresas de médio porte e uma extensa rede de comércio e serviços são responsáveis por um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 14 milhões favoráveis a Juazeiro. Essa é a constatação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que ainda destacou os ramos de confecções, serralheira, panificação e preparação de alimentos. Os números ascendentes refletem uma política estratégica do governo local baseada no estímulo a novos empreendimentos, criação de convênios com a iniciativa privada e a 32 Revista Juazeiro

identificação das potencialidades econômicas do município. Ações que atraíram olhares e levaram empresas a investirem em Juazeiro. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Tiano Félix, cita duas delas: o Juá Garden Shopping, atualmente com 74 lojas; e a América Import, que ano passado inaugurou a primeira Out Let do Vale, expandindo sua atuação nos segmentos de decoração, presentes, artigos de casa e brinquedos. “Somadas às medidas de estímulo, estamos fazendo investimentos em logística para atrair empresas dos setores mais diversificados, desde a fruticultura, passando pela construção civil até chegar a instituições de

pesquisa e tecnologia”, disse o secretário que aproveitou para apresentar as estatísticas de emprego. Em 2017, Juazeiro foi a cidade baiana que mais gerou postos de trabalho com carteira assinada. O saldo é de 900 novas pessoas empregadas. “Com certeza isso parte dos investimentos da prefeitura e das empresas que chegaram ou ampliaram seus investimentos aqui”, comenta. Para estimular a modernização da economia, a prefeitura também tem adotado uma política de incentivos fiscais para empresas que aperfeiçoem a infraestrutura de Juazeiro. É o exemplo do Juá Garden, que, de acordo com Tiano Félix, “ajudou a mudar


Economia toda a infraestrutura urbana do cidade”. Em torno da região do shopping, surgiram empreendimentos imobiliários, lojas e postos de combustíveis.

Demandas Dentro da política de estímulo do município, também deve haver espaço para o Mercado do Produtor, o quinto maior entreposto comercial do Norte e Nordeste, em movimento de volume e de negócios no país. Reinvindicação que vem sendo feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), liderada em Juazeiro por Paulo Henrique Barreto. O diretor regional acredita que a estrutura pode aumentar seu peso na economia se forem feitos investimentos de modernização e expansão. “O

Mercado do Produto poderia seguir a linha adotada nos centros distribuidores localizados em cidades como Santo Antônio de Jesus e Salvador, onde a parceria público e privado modernizou os galpões e adequou toda a infraestrutura para receber o fluxo de mercadorias”, diz Paulo Barreto.

os setores produtivos do município vem impulsionando o crescimento da cidade. Aagricultura tem ainda o maior peso no PIB, mas agora outros segmentos mostram força no cenário econômico local. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tiano Félix, essa participação tende a aumentar.

O desafio, no entanto, é encontrar soluções para melhorar tal logística, aperfeiçoando as vias de escoamento da economia sem provocar um desarranjo fiscal. Um exemplo positivo foi a duplicação da BA-210, entre o Mercado do Produtor e os bairros Itaberaba e o Tabuleiro, que conseguiu melhorar o fluxo da rodovia observando a atual realidade da economia.

“Na gestão do prefeito Paulo Bonfim, foi criada a Sala do Empreendedor, que tem como foco a regularização e desburocratização para o registro de grandes e pequenos empreendimentos. Em apenas seis meses, foram feitos mais de 5 mil atendimentos, dos quais 3,5 mil presenciais e 1,7 mil serviços virtuais. E com certeza isso se converterá em mais empregos e investimentos para Juazeiro”, conclui o gestor.

De forma integrada, todos

Senar Juazeiro Um centro de excelência para difusão de conhecimento científico e tecnológico Uma infraestrutura moderna associada ao uso de recursos renováveis sustentáveis e econômicos para formar profissionais de acordo com as boas práticas, normas técnicas, legislações e necessidades do segmento agrícola. Este é o Centro de Excelência em Fruticultura do Senar, que vem consolidando Juazeiro – BA, no Vale do São Francisco, como um polo irradiador de conhecimento científico e tecnológico. Com a oferta gratuita de cursos técnicos de nível médio e superior de tecnologia, presenciais e a distância, e de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), o Centro, que é o primeiro no gênero em todo

país, demandou recursos da ordem de R$ 8 milhões e começou a funcionar em outubro do ano passado no Distrito Industrial do município. Um dos cursos em andamento, ‘Técnico em Fruticultura’ já é um benefício que vem sendo estendido para pessoas de várias regiões, inclusive os produtores de cidades vizinhas na Bahia, Pernambuco e Piauí.

tura do Brasil. Possui 120 mil hectares irrigados onde são produzidos mais de um milhão de toneladas de frutas, com destaque para exportação de uva de mesa e manga. Outras culturas também são desenvolvidas na região, como a goiaba, coco verde, melancia, maracujá e banana, gerando um faturamento anual que alcança cerca de R$ 2 bilhões. A atividade gera 240 mil empregos diretos no campo.

O Vale do São Francisco é considerado o maior polo de fruticulRevista Juazeiro 33


Crescimento urbano

Expansão do setor imobiliário amplia horizontes em Juazeiro

Foto: Ilanna Barbosa

Construção de casas populares e condôminos fechados foi acompanhada pela instalação de novas lojas e faculdade

Segmento de loteamentos residências em expansão

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partir de 2009, o município de Juazeiro desenvolveu o maior projeto de habitação popular em cidades de médio porte no país. Foram 11 mil moradias pelo projeto ‘Minha Casa, Minha Vida’, ação desenvolvida em parceria pelos governos federal e municipal. O cenário econômico favorável à construção da casa própria estimulou a expansão do setor imobiliário em todas as faixas de renda, como os condôminos fechados e populares. Atualmente, continua em expansão o segmento de lotea34 Revista Juazeiro

mentos residenciais. As perspectivas apontam para o vetor de crescimento imobiliário em áreas como a BR407, em direção ao distrito Carnaíba do Sertão; BR235, em direção à Uauá, e a BA210, de Sobradinho em direção à Curaçá. Implantados em 2017 através do Minha Casa, Minha Vida, os residenciais São Francisco, Praia do Rodeadouro, Morada do Salitre, Juazeiro 1, 2 e 3, Mairi, Brisa da Serra e Doutor Humberto Pereira beneficiaram 50 mil famílias, segundo dados

da prefeitura. O programa também incentivou o surgimento de empreendimentos privados, como o projeto Delta Park, residencial com cerca de 8.600 lotes, situado na BR 407. No local, já foram construídas as instalações da Faculdade Estácio, destinada ao curso de Medicina. Para o consultor e empresário, João Leal Neto, Juazeiro tem boa perspectiva de crescimento, com índices de desemprego menor comparado a outras cidades. “O agronegócio e a prestação de serviços estimulam o crescimento da cidade e do setor imobiliário”, estima.


Crescimento urbano Para que a demanda por imóveis seja atendida, esses empreendimentos incentivam a compra de lotes por meio de programas de financiamento mantidos pelas empresas, e linhas de créditos do sistema bancário para a construção das casas. “Acreditamos que tanto nas casas prontas, financiadas pelo sistema bancário, como nos loteamentos, as pessoas poderão pagar no prazo razoável de 15 anos”, diz Leal Neto. Uma das preocupações do poder público na nova expansão imobiliária é o cumprimento da legislação ambiental e o ordenamento do solo conforme o Plano Diretor de

Desenvolvimento Urbano (PDDU), em aprovação na Câmara Municipal. Para a aprovação de novos projetos imobiliários, a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (SEMAURB) determina que eles sejam criados atendendo a legislação ambiental e contemplando o acesso à água potável, energia elétrica, esgotamento, pavimentação, iluminação pública, drenagem e saneamento básico, além da previsão de áreas públicas para praças, escolas, creches, posto de saúde e parques. Credenciado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), Francisco Arthur de Jesus

avalia como positivo o crescimento do setor imobiliário nas áreas rurais, como os projetos na região do Salitre e em direção à Curaçá, em função da oferta de preços atraentes para a compra dos lotes. Já no centro urbano, o corretor aponta o crescimento do segmento de aluguel de residências para atender a demanda das famílias de estudantes universitários, que decidem morar na cidade para concluir os estudos. “O cliente pode escolher o tipo de imóvel que ele deseja e na localidade mais próxima dos centros educacionais”, conta Arthur. Bairros como Cajueiro, Santo Antônio, Maringá e Country Club apresentam a maior procura neste segmento.

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Artigo

Meu Juazeiro *Daniel Alves

Nesta data em que Juazeiro completa 140 anos, quero parabenizar cada cidadão e cidadã juazeirense por fazer do município um lugar de sonhos alcançáveis, uma terra de gente forte. Tenho orgulho de minhas origens e de poder dizer que foi desta cidade de onde saí. Hoje, aos 35 anos e com 38 títulos conquistados, sinto que sou o mesmo menino que acordava às 5h da manhã para ajudar meu pai, Domingos Silva, na fazenda, antes de ir para a escola. Num tempo em que disputava com o irmão quem trabalhava com mais afinco para conseguir junto ao meu pai o direito ao uso da nossa única bicicleta. O povoado do Umbuzeiro, o time do Palmeiras do Salitre, o campinho de terra batida, meus quatro irmãos e o cheiro de terra molhada. Essas recordações me fazem o que sou. E quando chega o dia de domingo uma outra lembrança me visita entre a alegria e o sorriso. Quando aqui em minha casa revejo as imagens de partidas marcantes por equipes de várias partes do mundo, quase sempre me vejo de novo à sombra do Juazeiro, assistindo aos jogos de futebol na TV em preto e branco com um bombril amarrado na antena para pegar o sinal. Tudo isso me faz driblar as adversidades desta vida ensinando a jogar com força, emoção e memória. Sou mais do que grato porque represento não apenas o Brasil e o Nordeste, mas, também, meu Juazeiro, perante o mundo.

*Daniel Alves, jogador com mais títulos oficiais na história do futebol

Como um filho da terra, eu não poderia deixar de parabenizar essa que é uma das cidades mais importantes da Bahia. Me somo a várias pessoas, que, como eu, saíram desta terra, mas Juazeiro não saiu delas. Esta também é uma oportunidade para mandar um beijo e oferecer um grande abraço a todos aqueles que represento, o povo juazeirense. Quando saí daí não sabia sequer o que vinha a ser a palavra Sevilha. Agora sei onde fica Barcelona, Paris, e Juazeiro quando não pulsa no meu peito escorre pelo olhar.

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Interior

Os nove distritos de Juazeiro que formam o maior contingente rural do norte baiano

Foto:Lizandra Martins

Feiras, campeonatos e manifestações culturais são partes da identidade

Samba de Veio do Rodeadouro, um exemplo da tradição que reforça o sentimento de pertencimento das comunidades rurais.

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município de Juazeiro tem nove distritos que despontam para suas singularidades econômicas e culturais. Juntos, Abóbora, Pinhões, Maniçoba, Itamotinga, Massaroca, Juremal, Junco, Carnaíba do Sertão e Mandacaru têm uma população rural que soma mais de 60 mil habitantes. Em cada lugar, há uma especificidade, o Samba de Véio do Rodeadouro, no Junco, o doce de leite de Juremal, a festa do Colono de Mandacaru e a festa do Vaqueiro de Pinhões. Maniçoba, Itamotinga e Mandacaru são também perímetros irrigados e têm forte influência na economia local, pois são grandes produtores de hortifrútis e comercializam para o Brasil e diversas partes do mundo. Massaroca, Juremal e 38 Revista Juazeiro

Carnaíba são os chamados “distritos da BR-407”, e têm força econômica na criação de caprinos e ovinos. Abóbora está localizada às margens da BA-314, que liga à comunidade de Pilar, distrito do vizinha cidade de Jaguarari. Enquanto Junco é composto por todas as comunidades da região do Rio Salitre. Além da importância econômica, nos distritos também se mantêm vivas as manifestações culturais, como as Rodas de São Gonçalo, Reis de Boi, Missas dos Vaqueiros, Corridas de Argolinhas e um circuito anual de vaquejadas. Retomado em 2009, o Campeonato Interdistrital é uma das grandes atrações nos distritos e que procura reforçar o pertencimento

cultural. “É um evento esportivo que envolve toda a comunidade. Além do futebol, trazemos também outras modalidades, para diversificar o esporte e integrar as pessoas”, diz o superintendente de Esportes, Gilberto Pachêco. Outra recente atração é a Feira de Caprinos e Ovinos. Além de toda a movimentação econômica da cadeia produtiva da caprinovinocultura, há toda a mobilização da comunidade, sendo o evento esperado anualmente. Para Uilson Chaves, que acompanha e organiza o evento, as feiras promovem a “valorização da cultura local, a autoestima dos moradores e o reencontro dos filhos que moram em outras cidades”, afirma.


Mobilidade urbana

Obras em Juazeiro buscam remodelar mobilidade urbana

Foto: Ivan Cruz

Construção da Travessia Urbana, viadutos e grandes avenidas fazem parte de projeto; alguns trechos já estão executados

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té pouco tempo, Juazeiro não se preocupava com a criação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), o que levou o município a ter áreas urbanas sem uma engenharia que pensasse a mobilidade. O jornalista José Diamantino de Assis, na década de 1960, escreveu nas páginas do jornal Tribuna do Povo, que a cidade nasceu torta e desalinhada, não priorizava o ordenamento das ruas e calçadas e o traçado era como bem entendesse o mestre de obras. A construção da Ponte Presidente Dutra, em 1950, foi considerada a principal intervenção urbanística da cidade. Tudo parecia resolvido, mas Juazeiro se expandiu e com ela a necessidade de repensar a mobilidade urbana.

A partir de 2010, a administração municipal passou a pleitear junto à União uma grande obra que deve mudar a paisagem de toda a extensão urbana da cidade. Antes chamada de Anel Viário, a já iniciada Tra-

Sob responsabilidade do Dnit, obras e viadutos devem ficar prontos até fim de 2018.

vessia Urbana, da BR 407, se estende a pouco mais de 4km, passando por quatro bairros, com oito viadutos e uma série de benefícios de mobilidade, como a duplicação das BR-235 e 407, que cortam o município. A primeira etapa da obra já foi concluída, mas ainda restam dois trechos a serem executados. Sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), os dois trechos da obra e os viadutos devem ficar prontos até fim de 2018. “Esta é a nossa grande obra. Vai mudar e melhorar a mobilidade urbana para juazeirenses e também para viajantes. Estamos em contato frequente com o Ministério dos Transportes para que tão logo estes recursos sejam liberados e os cidadãos de Juazeiro beneficiados”, ressalta o prefeito Paulo Bomfim. Ao mesmo tempo, outras melhorias estão sendo feitas na pavimentação de diferentes pontos da

cidade. A prefeitura, através de recursos do PAC2, realizou o projeto da Poligonal Urbana, que beneficia13 comunidades na região do bairro Piranga, com pavimentação e saneamento de ruas e avenidas e construção de equipamentos. Foram criadas as avenidas Irmã Dulce 2 e Cristalina, interligando outras avenidas, inclusive a Rodovia Salitre, que liga ao balneário do Rodeadouro e o município de Sobradinho. Foram construídas ainda outras avenidas, como a Novo Juazeiro, no bairro Novo Encontro, e a Propriá, que passa pelos bairros Alto do Cruzeiro, Alto do Alencar, Monte Castelo, Dom Tomaz e Castelo Branco, áreas com um alto percentual populacional. Com a construção do Juá Garden Shopping, uma nova rota de mobilidade se apresenta, promovendo um fluxo de pessoas para outros bairros e criando novas oportunidades de negócios.

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Caprinovinocultura

Caprinovinocultura aumenta participação na economia juazeirense

Foto/Divulgação

Receita de R$ 228 milhões animou setor, que já investe em qualificação e diversificação no mercado

Em todo o país o rebanho baiano representa 45% da produção, com destaque para Juazeiro.

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cadeia produtiva do setor de caprinos e ovinos tem aumentado a sua participação na economia dos municípios do norte baiano. Em todo o país, o rebanho baiano representa 45% da produção e são 36 mil produtores localizados nas cidades de Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Remanso e Uauá. Juazeiro concentra cerca de 7.900 produtores, a maioria unidades familiares. O segmento econômico gera uma receita de R$ 228 milhões, que abrange a cadeia de negócios que vai do produtor, va-

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rejo de insumos, frigorífico, açougue, curtume, atravessador até a rede de restaurantes e mercados, segundo dados do Censo Pecuário realizado pelo Sebrae em 2010 com as unidades rurais nos cinco municípios. A importância do segmento econômico estimula a diversificação da produção e a inovação tecnológica. A perspectiva não é mais o extrativismo com a dependência dos recursos naturais da Caatinga para a alimentação dos caprinos e ovinos. Atualmente, o setor busca a qualifica-

ção técnica visando o crescimento de unidades intensivas e semi-intensivas, para que os produtores invistam na provisão de alimentação. O objetivo é que o plantel perca a dependência dos recursos naturais da Caatinga, combinando o sistema misto de alimentação com plantas forrageiras. Há oito anos, o produtor do distrito de Juremal, José Lindomar Nunes, se dedica à criação de cabras e ovelhas e a produção de leite. Ele investiu na qualidade do seu rebanho e adquiriu matrizes genéticas


Caprinovinocultura apropriadas, elevando o preço da matriz de um filhote para a comercialização. “Antes eu tinha 75 animais, hoje tenho 35. Antes, criava animais mestiços e vendia com preços baixos. Hoje, a matriz de um filhote que passou por melhoramento genético é mais valorizada”.

Melhoramento genético Produtora no projeto Maniçoba, Simone Vieira trabalha com rebanho selecionado, como o carneiro Doper e a ovelha Boer. Um dos investimentos é o melhoramento genético a partir da inseminação artificial e a reprodução de embriões, com a finalidade de aumentar a produção e a qualidade do corte de carne. “Quem atua no segmento com animal de corte, é preciso investir em melhoramento genético para que o abate seja feito em até três meses”, afirma.

Responsável pelo setor de caprino e ovinos na Agência de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária (ADEAP), o engenheiro agrônomo, Uilson Chaves – mais conhecido como Chaveco –, lembra a importância das feiras realizadas nos distritos pela prefeitura e as demais políticas de fomento ao setor. “As feiras ajudam a popularizar soluções tecnológicas para entraves como a comercialização. Em conjunto, temos ações como a perfuração de poços artesianos com estímulo à produção compartilhada com o uso da água coletiva e produção de forragens como a palma e o milho para silagem, recursos que ajudam os produtores a enfrentar o período de estiagem”, conclui Chaveco.

Foto/reprodução: Alexandre Justino

É essa a nova tendência do produtor de caprinos e ovinos em comunidades e distritos de Juazeiro. Para o analista técnico do Sebrae, Robério Araújo, esse novo cenário pode significar a modernização e a qualificação do segmento de caprinos e ovinos, com tendência da adesão à inovação tecnológica, surgimento de novos negócios, com a venda de cortes selecionados da carne, a dinamização do setor e atendimento as demandas do público consumidor,

que aprecia a culinária e deseja um produto de qualidade. Atualmente, o Sebrae desenvolve um trabalho com 30 estabelecimentos para venda de produtos derivados da caprinovinocultura, a partir de sua origem.

Arraial do Joazeiro - 1819

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o dia 30 de março de 1819, essa foi a visão que tiveram os cientistas alemães Spix e Martius do “Joazeiro no rio S. Francisco”, desenhado da margem fronteira, na então província de Pernambuco.

No primeiro plano, vê-se uma visão aproximada da vegetação nativa, a ilha do Fogo e, no fundo, as serras da Batateira e do Salitre. O desenho, segundo o padre e historiador, Francisco Cavalcante, faz parte de uma obra produzida pela expedição e impressa em alemão em 1854. Em artigo inédito, Pe. Francisco convida para as comemorações dos 200 anos da passagem dos alemães pela região, que vão acontecer em 2019. À frente da Missão Austríaca ao Vale do São Francisco, os alemães chegaram ao Brasil enviados pelos governos da Áustria e da Baviera, por ocasião do casamento da Arquiduquesa Leopoldina da Áustria, princesa do Brasil, com Dom Pedro I. Johann Baptist von Spix (1781-1826), foi o primeiro zoólogo a trabalhar na região amazônica e responsável por parte fundamental do conhecimento sobre a fauna e a flora do continente e Karl Friedrich Philipp von Martius (17941868), médico, botânico, antropólogo e um dos mais importantes pesquisadores alemães que estudaram o Brasil. Revista Juazeiro 41


Turismo

Rota do enoturismo é opção para aproveitar a paisagem e fugir do estresse

Fotos: Carlos Laerte

Degustação de vinhos, música ao vivo e banho em ilha são indispensáveis para curtir o passeio ecológico

Jacó Viana

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uem escolher um passeio pelo Rio São Francisco como seu próximo destino de viagem poderá desfrutar de um turismo cultural, gastronômico e ecológico diferenciado. O Vapor do Vinho, que sai do Lago de Sobradinho, há 49 km de Juazeiro, é uma boa opção para turistas que desejam aproveitar seus finais de semana ou feriados nacionais.

O roteiro é, no mínimo, sedutor. Começa nos hotéis de Juazeiro, de onde os visitantes são levados à Vinícola Miolo, que abre as portas para recebê-los com vinhos finos e espumantes e uma visita aos parreirais. Enquanto é feito o trajeto até a barragem de Sobradinho, profissionais explicam como uma região tão árida do Sertão nordestino se tornou destino turístico para cariocas, paulistas, gaúchos e soteropolitanos, e um oásis capaz de produzir 2,5 safras de uvas por ano com vinhos leves, 42 Revista Juazeiro

Os visitantes conhecem a Vinícola Miolo e fazem a eclusagem na barragem de Sobradinho.

jovens, aromáticos, frutados e de acidez acentuada. Uma das sugestões do passeio é curtir o horizonte ensolarado no que já foi o maior espelho d’água do mundo. Nesta época do ano, chove e faz calor na região do Lago de Sobradinho, o que deixa o roteiro ainda mais gostoso e as paisagens coloridas.

nosso objetivo agora é tornar nosso roteiro mais conhecido entre as pessoas de Juazeiro, Petrolina e do Vale em geral”, explica o diretor do Vapor do Vinho, Rogério Rocha. O trajeto, que vai das 8h às 17h, tem investimento de RS 160 por pessoa; crianças menos de cinco anos não pagam.

A música ao vivo, o almoço a bordo e o banho na ilha da Fantasia também encantam os turistas. O Vapor do Vinho, que dispõe desses serviços, opera há sete anos no local, inaugurando no ano passado um catamarã com capacidade para 332 passageiros, 400 coletes salva-vidas, oito banheiros, um elevador para cadeirantes e idosos, uma jacuzzi, um tobogã e um parquinho para crianças. “Recebemos muita gente de todas as grandes capitais do Brasil,

Outra dica para quem está de passeio por Juazeiro é visitar o tradicional Centro de Cultura João Gilberto, o famoso Varporzinho, a Ilha do Rodeadouro, a Cachoeira do Salitre, o Museu do São Francisco e o Juazeiro Velho. Os roteiros fazem uma viagem pela história, exploram a diversidade do ecossistema do município e apresentam as grandes personalidades do mundo da música, esporte e das artes, respeitando, claro, todos os bolsos.


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Indústria

Juazeiro estima crescimento com novo modelo de administração do Distrito Industrial do São Francisco

Foto/divulgação

O desenvolvimento via industrialização passa por uma maior participação do empresário local

O segmento alimentício é a principal vocação do DISF, um dos maiores distritos industriais da Bahia.

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m distrito industrial que cresceu nos últimos três anos de 38 para 75 empresas, mas que tem problemas graves de administração e de atração de novas unidades. Esta é a situação atual do distrito que passou às mãos da Associação das Empresas do Distrito Industrial do São Francisco (Aedisf) no início do mês de junho passado. Fruto de um acordo de cooperação assinado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), o novo modelo de administração do distrito, segundo o presidente da Aedisf, Nilton Sampaio, vai modernizar e descentralizar a gestão possibilitando um maior desenvolvimento e ge44 Revista Juazeiro

ração de empregos para o município. De acordo com Sampaio, o formato de condomínio adotado com sucesso em outras regiões brasileiras faz parte das prioridades do Governo da Bahia para acelerar a interiorização industrial. “Os empresários de Juazeiro decidiram se unir em torno de questões que vão trazer resultados efetivos para os investidores, a exemplo de segurança, transporte público, destinação do lixo e infraestrutura deste que é um dos maiores distritos em quantidade de empresas do estado”, pontuou. O presidente lembrou ainda que o DISF tem como principal vocação o ramo alimentício (packing house de frutas e empacotamento de cereais). A Icofort, por exemplo, que

já fabricava o óleo Caçarola, anuncia agora as marcas Flor de Algodão e Flor de Palma em linha “foods”, além da linha Megachef de margarinas. Outra novidade do distrito é o abatedouro e frigorífico Frigolar, com capacidade de abate diário de 300 caprinos e ovinos e 100 suínos e geração de 80 empregos diretos, inaugurado pelo governador Rui Costa em abril último. Outras atividades importantes na região são a fabricação de premoldados, indústria têxtil, distribuição de bebidas e componentes eólicos, a exemplo da multinacional alemã ‘Wobben’. Localizado ao sul da cidade de Juazeiro, cortado pela BR407 e BR-210, o distrito ocupa uma área de cerca de 3 milhões de metros quadrados.


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Crônica

Juazeiro, Juazeiro *Carlos Laerte Juazeiro, a gente vê só de pedacinho. Não adianta querer comer tão somente um acarajé ao lado dos antigos Correios. Há que beber também toda uma paisagem de ponte, pernas e rios, que sensualmente passam pra lá e pra cá quando é de tardezinha. Juazeiro, a gente nunca ouve de pouquinho. Em qualquer silêncio, sobrevive um grito de esperança. O cais cheira à música antiga e o poeta, às mulheres que estiveram com ele. A vida assim, tecida em prosa, agulha, verso, linhas, retalhos e rendas. Em fios de luz, 140 anos trespassados. Juazeiro, a gente nunca sabe com que roupa. Irreverente e indomável, a cidade não sai da moda; despida de frescura e arrodeios. Quando ainda menino imberbe, Juazeiro já via longe, muito mais além da copa, muitos mais adiante da “Passagem”. Quando ainda menina, pois Juazeiro é menino e menina, homens e mulheres acordaram de um sonho barrento e saíram pelos campos a semear melões, uvas, melancias, cebolas e mangas. Irrigantes telúricos fecundaram o chão a apontaram o caminho de um novo tempo de perseverança e oportunidades para todos. De promissão, desde Itamotinga até o salitre, feito projeto. Juazeiro, a gente nunca sente todo. Mesmo o artista mais cuidadoso atenta para que as pinceladas últimas sejam invariavelmente as primeiras de um imutável painel sem fim. E, pode crer, o quadro que se pinta pela manhã nas ilhas, nem sempre é o que se viu ao amanhecer no Rodeadouro. Porque, ao entardecer, Juazeiro, em sua geometria caprichosa, é puro som e surpresas. Há quem jure ter visto um luar prateado da cor de Ivete no fundo da bacia das lavadeiras do Angari. E não é de hoje esse negócio de visão. Pela esquina e encruzilhadas do Quidé, saltitam, à luz do dia, acordes dissonantes de um Edilberto Trigueiros em Edésio Santos. Ou vice-versa. Nos becos e arruados todos desta terra joãogilbertiana é certo que repousem suavemente, entre os quatros cantos e outros tantos, pontos, virgulas, e as aspas do *Carlos Laerte é poeta, jornalista e poeta Pedro Raymundo. Aquele do pássaro que criou raízes. Gal-vão, Be-be-la, publicitáriio Mau-ri-ço-la, Co-e-lhão, Ma-nu-ca, Lu-ci-en, Si-be-le, Tar-gi-no, Lu-peu, Pin-zó. Juazeiro, a gente nunca pronuncia de uma vez só. É um canto, espaço e lugar que traz em si todos os nomes, tempos, temperos e emoções. E quando é Carnaval então, Juazeiro também dança num mágico jogo de fantasia e alegria pós-tudo. Na quaresma, penitência ao repicar das matracas, fé e tradição ao pé do madeiro. Cadeiras na calçada e novena no mês de maio. Miudezas de um tempo onde a rua Sete de Setembro se chamava da Alegria e a Francisco Martins Duarte era tão somente das Flores. Tempero de um povo meio terra, meio água que vive sob a proteção de Nossa Senhora Rainha das Grotas e as bênçãos de São Surubim. Gente que acredita em Nego D’água e em Carrancas que gemem três vezes nas curvas do rio. Contam as mesmas lendas da Mãe D’água que um certo barqueiro Ermi tinha certeza que havia nascido no dia em que viu o rio. O mesmo afluente interno onde os homens banham-se de dia para de noite, adormecerem sob o manto da mulher amada. Juazeiro, a gente ama por inteiro. 46 Revista Juazeiro


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