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2014 Ministério da Educação Leonídia Marinho

Do Manual Filosofia 10 de Luís Rodrigues

[ OS VALORES E A AÇÃO: A QUESTÃO DA OBJETIVIDADE E VERDADE DAS NORMAS E DOS JUÍZOS MORAIS

]

A RESPOSTA DO RELATIVISMO CULTURAL


OS VALORES E A AÇÃO: A QUESTÃO DA OBJETIVIDADE E VERDADE DAS NORMAS E DOS JUÍZOS MORAIS A RESPOSTA DO RELATIVISMO MORAL CULTURAL (O problema da verdade ou falsidade dos juízos morais)

«Matar é errado», «Roubar é incorrecto» e «Mentir é imoral». Será que estes juízos são verdadeiros?

O relativismo moral cultural afirma que aqueles juízos são verdadeiros mas não em todo o lado e para todas as pessoas. A verdade dos juízos morais depende do que cada sociedade aprova. Moralmente verdadeiro é o que cada sociedade - ou a maioria dos seus membros - acredita ser verdadeiro. Moralmente verdadeiro é igual a socialmente aprovado e moralmente errado é igual a socialmente desaprovado.

O problema da objetividade dos juízos morais «Matar é errado», «Roubar é incorrecto» e «Mentir é imoral» Será que estes juízos são objectivos e universais? Não

O que é moralmente correcto ou incorrecto depende do que cada sociedade acredita ser moralmente correcto ou incorrecto. Se duas sociedades têm diferentes crenças acerca de uma questão moral, o relativista conclui que então ambas as crenças são verdadeiras. Não existe nenhum critério objectivo e universal para determinar quem tem razão no caso de haver discórdia.


CRÍTICAS AO RELATIVISMO MORAL CULTURAL 1. O facto de diversas culturas responderem de modo diferente às mesmas questões morais não implica que não há nenhuma resposta objetivamente verdadeira a essas questões - não significa que não há verdades morais universais. Diversas culturas discordaram quanto à forma da Terra (umas pensaram que era esférica, outras plana, outras esférica mas um pouco achatada) mas há uma verdade objectiva acerca da forma da Terra.

2. Se duas sociedades têm diferentes crenças acerca de uma questão moral, o relativista conclui que então ambas as crenças são verdadeiras. Contudo, a discórdia pode ser sinal de que há pessoas e sociedades que estão erradas e não de que ninguém está errado.

3. O Relativismo Moral cultural reduz a verdade ao que a maioria julga ser verdadeiro. Questão: O que a maioria pensa é verdadeiro e moralmente aceitável? É óbvio que não. Ex:Os nazis acreditavam e fizeram com que a maioria dos alemães acreditassem que os judeus eram sub- humanos e que exterminá- los era um favor que faziam à humanidade. Isso é claramente falso.

4. O Relativismo Moral Cultural parece convidar-nos ao conformismo moral, a seguir, em nome da coesão social, as crenças dominantes. Ao afirmar que que o código moral de cada indivíduo se deve subordinar ao código moral da sociedade em que vive e foi educado, convida ao conformismo moral. Os juízos morais de cada indivíduo são verdadeiros se estiverem em conformidade com o que a sociedade a que pertence considera verdadeiro.


5. O relativismo moral torna incompreensível o progresso moral. A humanidade tem realizado progressos no plano moral. A abolição da escravatura, o reconhecimento dos direitos das mulheres, a condenação e a luta contra a discriminação racial são exemplos de progresso moral. Falar de progresso moral implica que haja um padrão objectivo com o qual confrontamos as nossas acções. Se esse padrão objectivo não existir não temos fundamento para dizer que em termos morais estamos melhor agora do que antes. No passado, muitas sociedades praticaram a escravatura mas actualmente quase nenhuma a considera moralmente admissível. Esta mudança de comportamento e de atitude é um sinal de progresso moral. Mas se para o Relativismo Moral Cultural nenhuma sociedade esteve ou está errada nas suas crenças e práticas morais torna-se difícil compreender a ideia de progresso moral.

Do Manual Filosofia 10 de Luís Rodrigues

Relativismo cultural  

OS VALORES E A AÇÃO: A QUESTÃO DA OBJETIVIDADE E VERDADE DAS NORMAS E DOS JUÍZOS MORAIS A RESPOSTA DO RELATIVISMO MORAL CULTURAL

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