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ARGUMENTAÇÃO E LÓGICA FORMAL


A LÓGICA

Fundada por Aristóteles ( 384-322 A.C) na Grécia Nos séculos XIX e XX a lógica conheceu desenvolvimentos revolucionários, tornando-se a mais exacta das disciplinas do conhecimento.

Alguns dos mais importantes criadores da lógica formal contemporânea :

Frege (1848-1925)

Bertrand Russell ( 1872-1970)

Alfred Whitehead (1861-1947)


O QUE É A LÓGICA ? Derivada do termo grego logos, a palavra lógica tem dois significados:

Razão ou pensamento

Linguagem ou Discurso

Assim, a ciência do logos, ou Lógica, poderá ser definida como : Ciência da razão ou do pensamento

Ciência do discurso racional

Lógica: Análise do pensamento e do discurso com o objectivo de distinguir os raciocínios ou argumentos válidos daqueles que o não são.


PENSAMENTO

LINGUAGEM (expressão do pensamento )

CONCEITO

TERMO

JUÍZO

PROPOSIÇÃO

RACIOCÍNIO

ARGUMENTO


O CONCEITO E O TERMO

O conceito é a unidade básica da Lógica de Aristóteles. É a partir do conceito que se constrói todo o restante edifício da lógica. O conceito é o primeiro tijolo deste edifício.

O QUE É O CONCEITO ?  É uma representação intelectual, abstracta e geral que abarca as características comuns aos membros de uma mesma espécie e que os distingue dos membros de outra espécie diferente.  Os conceitos permitem-nos representar a realidade, tornar presente à nossa consciência aquilo que está ausente materialmente. Pelo conceito o objecto ganha uma nova existência, ao ser “re-apresentado” numa esfera noológica, isto é, ideal, formal ou conceptual.


O CONCEITO E O TERMO

Plano do Pensamento Plano da Linguagem CONCEITO

TERMO

O conceito, enquanto representação intelectual, exprime-se na linguagem com a ajuda do termo. O termo é a expressão verbal do conceito Um conceito pode ser expresso por vários termos : EX: Conceito Rei – majestade, King, Roi …

Um termo pode expressar vários conceitos : EX: Termo Canto: do pássaro, da casa, falta no futebol…


AS PROPRIEDADES LÓGICAS DOS CONCEITOS : Extensão (denotação ) e Compreensão (intensão ) dos Conceitos

EXTENSÃO

COMPREENSÃO

•É o conjunto de seres a que o conceito se aplica •Ex: Réptil: cobra , lagarto, rã, crocodilo..

• É o conjunto das qualidades específicas que definem esses seres • Ex: Réptil: Animal rastejante, de pele escamosa, de sangue frio, respiração pulmonar, etc.

O conceito ou termo com maior extensão que existe, o mais geral, é o de “ ser “, dado que se aplica a todos os seres , mas é o de menor comprensão porque dele apenas podemos dizer que é ou existe.


RELAÇÃO ENTRE EXTENSÃO E COMPREENSÃO DE UM CONCEITO

EXTENSÃO SER SER VIVO

ANIMAL ANIMAL AQUÁTICO BALEIA COMPREENSÃO

SER : MAIOR EXTENSÃO – MENOR COMPREENSÃO BALEIA : MAIOR COMPREENSÃO – MENOR EXTENSÃO

Compreendi ! E vou fazer os exercicíos da página 19 do livro.


Considerações gerais Os homens inventaram os conceitos para descrever o mundo que os rodeia. Os conceitos vão desde ideias sobre coisas muito simples até às abstracções de alto nível, bastante distanciadas do nível dos objectos concretos. O pensamento, o progresso e o desenvolvimento em todos os domínios da actividade humana dependem da exactidão dos nossos conceitos. Não podemos pensar bem em qualquer campo de conhecimento sem conhecermos os conceitos sistemáticos em que esse campo assenta. Os níveis avançados em qualquer disciplina baseiam-se em conceitos complexos, especializados e muitas vezes difíceis de compreender.


O JUÍZO E A PROPOSIÇÃO O Conceito é a unidade mínima da lógica. Considerado em si mesmo, isoladamenteo conceito ou o termo não é verdadeiro nem falso. Os conceitos admitem relações entre si.

O QUE É O JUÍZO ? O Juízo é :

Uma relação entre conceitos ou termos O acto do pensamento que consiste na atribuição afirmativa ou negativa de um atributo ( Predicado) , a um conceito (Sujeito), através de um elemento de ligação (Cópula). • A operação mental que permite estebelecer uma relação de afirmação ou de negação entre conceitos, podendo tal relação ser verdadeira ou falsa Estrutura triádica do juízo + Sujeito Alguns homens

Cópula são

+

Predicado europeus

Quando pensamos relacionamos conceitos e relacionar conceitos é o mesmo que julgar ou formar juízos


O JUÍZO E A PROPOSIÇÃO

A relação entre os termos de um juízo permite estabelecer três grandes famílias de juízos: 1. Juízos categóri cos SéP 2. Juízos condicionais Se S então P 3. Juízos disjuntivos Ou S , ou P

PLANO DO PENSAMENTO

PLANO DA LINGUAGEM

JUÍZO

PROPOSIÇÃO

O juízo categórico é o juízo em que a relação entre conceitos se estabelece de modo bem definido, não dando margem a qualquer ambiguidade relativamente àquilo que referem. O Homem é mortal S

é

P

A proposição é a expressão verbal do juízo


O JUÍZO E A PROPOSIÇÃO •

As proposições são enunciados que podemos considerar como verdadeiros ou falsos. • As proposições são sempre frases declarativas – Frases interrogativas, imperativas ou exclamativas não podem ser consideradas proposições ou juízos porque não podem ser considerados verdadeiros ou falsos Não exprimem uma relação, verdadeira ou falsa , entre conceitos. • Uma proposição é composta por um quantificador (alguns, todos, nenhum), um Sujeito (S), um elemento de ligação (verbo ser), e um atributo ou predicado (P).

• ACTIVIDADES:

1. Indique quais dos seguintes enunciados podem ser considerados juízos ou proposições e quais os que não podem ser. Justifique. A ) – Fecha a porta! B ) – Prometo devolver-te o livro antes do exame. C ) – O Francisco cão Alentejo ontem. D ) – Quero percorrer o mundo. E ) – Há vida em Marte.


JUÍZOS E DAS PROPOSIÇÕES QUANTO Á QUANTIDADE E QUANTO À QUALIDADE Quanto à quantidade os juízos/proposições podem ser particulares, quando o termo-sujeito é particular (alguns,uns,certos), e universais, quando o termo-sujeito é universal (todos, os,nenhum). Quanto à qualidade, os juízos/proposições podem ser afirmativos, quando a relação entre o sujeito e o predicado é afirmativa (inclusiva), e negativos, quando a relação entre o sujeito e o predicado é negativa (exclusiva).

DIVERSOS TIPOS DE JUÍZO/PROPOSIÇÃO TIPO DE PROPOSIÇÃO

ESTRUTURA FORMAL: FORMA PADRÃO/FORMA CANÓNICA

A – Universal Afirmativa

“ Todo o S é P” Ex: Todos os seres humanos são sábios”

E – Universal Negativa

“Nenhum S é P” Ex:Nenhum ser humano é sábio

I – Particular Afirmativa

“ Algum S é P” “Alguns seres humanos são sábios”

O – Particular Negativa

“ Algum S não é P” Alguns seres humanos não são sábios


ACTIVIDADES 1- Indique o tipo de proposição presente em cada um dos seguintes enunciados. 2 – Nos casos em que isso se justifique, reduza os enunciados abaixo indicados à sua forma padrão ou canónica. TIPO DE PROPOSIÇÃO 1-Nem todos os homens são racionais. 2-Quase todas as mulheres detestam futebol

3-Ser brinquedo não significa ser livro 4-Apenas os metais são bons condutores de calor. 5-Praticamente todos os alunos gostam de matemática

6-Só há homens mortais 7- Nem tudo o que brilha é ouro. 8-Não há um único homem que seja mortal

FORMA CANÓNICA


DISTRIBUIÇÃO DOS TERMOS Qualquer juízo ou proposiçao categórica é constituído por dois termos : Um que exerce a função de sujeito e outro a de predicado.

• O que significa a distribuição dos termos ?  Um termo está distribuído quando refere todos os membros da classe a que pertence , isto é, quando é considerado em toda a sua extensão.  Exemplo: Todos os homens são mortais

 Um termo não está distribuído quando refere alguns dos membros da classe a que pertence, isto é, quando é tomado em alguma ou em parte da sua extensão.  Exemplo : Alguns homens não são mortais


DISTRIBUIÇÃO DO TERMO SUJEITO

Distribuição dos termos 1- Os termos sujeito das proposições universais (A,E) 2- Os termos sujeito das proposições particulares (I , O )

1 - Os termos sujeitos das proposições universais estão distribuídos ( Toda a extensão) Exs: Todo o Homem é mortal ( Proposição Tipo A) Nenhum homem é mortal (Proposição tipo E )

2 – Os termos sujeitos das proposições particulares não estão distribuídos (alguma extensão) Exs : Alguns homens são mortais (Proposição Tipo I ) Alguns homens não são mortais (Proposição Tipo O )


DISTRIBUIÇÃO DO TERMO PREDICADO 3 – Os termos predicado das proposições negativas (E,O) 4 – Os termos predicado das proposições afirmativas (A, I )

• Os termos predicado das proposições negativas estão distribuídos ( Toda a extensão) Exs: Nenhum Homem é mortal (Proposição Tipo E) Alguns homens não são mortais ( Proposição Tipo O) 

Os termos predicado das proposições afirmativas não estão distribuídos ( Alguma extensão )

Exs : Todos os homens são mortais ( Proposição Tipo A ) Alguns homens são mortais ( Proposição Tipo I )


QUADRO DA DISTRIBUIÇÃO DOS TERMOS TIPOS DE PROPOSIÇÃO

SUJEITO

A

Distribuído

Não Distribuído

E

Distribuído

Distribuído

I

Não Distribuído

Não Distribuído

O

Não Distribuído

Distribuído

1. 2.

PREDICADO

O sujeito está distribuído nas proposições universais e não nas particulares. O predicado está distribuído nas proposições negativas e não nas afirmativas.


ACTIVIDADES 1 – Diga qual é a extensão/distribuição dos termos sujeito e predicado nas proposições que se seguem : Extensão do Sujeito Os homens são felizes Nenhum rio é despoluído Nem todos os pássaros cantam bem As trovoadas nunca são benéficas Não há crianças antipáticas Nem todas as frases são estudadas na lógica Há textos difíceis de compreender

Extensão do Predicado


O RACIOCÍNIO E O ARGUMENTO AS INFERÊNCIAS Ao processo que permite a passagem de uma proposição para outra dá-se o nome de inferência. A Inferência é o acto do pensamento que tem um ponto de partida ( a Premissa ou Premissas) e um ponto de chegada ( a Conclusão). A ligação da premissa ou das premissas à conclusão deve estabelecer-se de acordo com regras ou princípios formais.

TIPOS DE INFERÊNCIA ´ INFERÊNCIAS IMEDIATAS

As mais simples. Consistem em extrair directamente uma nova proposição de outra dada anteriormente. Premissa e conclusão Alguns portugueses são poetas Logo, alguns poetas são portugueses.

INFERÊNCIAS MEDIATAS

As mais complexas. Consistem em extrair uma nova proposição (a conclusão) de duas ou mais proposições (as premissas). Premissas + Conclusão Todos os hipócritas são desprezíveis. O ministro X é hipócrita. O ministro X é desprezível.


O RACIOCÍNIO E O ARGUMENTO A Inferência Mediata é PLANO também designada de DO PENSAMENTO Raciocínio ou Argumento RACIOCÍNIO

PLANO DA LINGUAGEM

ARGUMENTO

O que é um raciocínio? Um raciocínio é uma operação lógica que consiste em encadear um ou mais juízos ou proposições ( premissas) segundo uma estrutura tal que uma, e só uma, é a conclusão. A expressão verbal do raciocínio é o argumento Premissa 1: Se não houvesse vida para além da morte, então a a vida não faria sentido . Premissa 2: Mas a vida faz sentido. Conclusão: Logo, há vida para além da morte


TIPOS DE RACIOCÍNIOS

DEDUTIVOS Slide 23

INDUTIVOS Slide 24

ANALÓGICOS

Slide 25


RACIOCÍNIO DEDUTIVO

Parte do mais geral para o particular ou para o menos geral.  Parte de uma ou mais premissas para uma conclusão que, pelo menos implicitamente, já está contida nas premissas.  A conclusão é menos extensa do que as premissas e é necessária: Quem aceita as premissas de um raciocínio/argumento dedutivo tem de aceitar a conclusão – a menos que seja incoerente.

Todos os mamíferos são dotados de coração. Todos os cavalos são mamíferos. Logo, todos os cavalos são dotados de coração.


Parte do particular para o geral (generalização) ou do particular para o particular (previsão). Consiste em extrair uma conclusão a partir da observação de um número particular de casos.  A conclusão, ao generalizar, contém mais informação do que as premissas e é, por isso, apenas provável: Quem aceita o que dizem as premissas não tem necessariamente de aceitar a conclusão. O facto de a conclusão se estender a casos não verificados faz do argumento indutivo um precioso instrumento de generalização e previsão mas, por outro lado, a conclusão é apenas provável. Logo, aceitar as premissas e negar a conclusão não implica contradição.

RACIOCÍNIO INDUTIVO

Ex: Todos os corvos observados até hoje são pretos. Logo, todos os corvos são pretos.

Generalização ( Para que a generalização seja válida , os casos em que se baseia têm de ser representativos e não pode haver contraexemplos ) Ex: Todos os corvos observados até hoje são pretos. Logo, o próximo corvo que observarmos será preto.

Previsão (As premissas baseiam-se no passado e a conclusão é um caso particular não observado)


RACIOCÍNIO ANALÓGICO

Parte do particular para o particular Exemplo : Parte-se da semelhança entre duas coisas, para se concluir que a propriedade de uma é a mesma que podemos encontrar na outra. As diferenças especificas são ignoradas

Marte é um astro como a Terra.

A Terra é habitada. Logo, Marte é também habitado.

A conclusão é particular e apenas

provável


ACTIVIDADE Estabeleça a correspondência entre as colunas A e B A - RACIOCÍNIOS

1 - Todos os banhistas observados até hoje estavam queimados pelo sol. Logo, o próximo banhista que for observado estará queimado pelo sol. 2 - Se é verdade que todos os governos dos países que adoptaram o Euro estão satisfeitos, então será verdade que o governo português está contente com a adopção do Euro. 3 - O Luís tem febre, arrepios de frio e dói-lhe o corpo todo, e o médico disse-lhe que era gripe. Eu tenho os mesmos sintomas do Luís. Eu tenho gripe.

B – TIPOS DE RACIOCÍNIOS

A – A DEDUTIVO Raciocínio nº ______

B –ANALÓGICO Raciocínio nº ______

C –INDUTIVO Raciocínio nº ______


A DISTINÇÃO VERDADE - VALIDADE VERDADE A verdade ou falsidade é o acordo ou desacordo do juízo/proposição com a realidade. Refere-se ao conteúdo, isto é, ao significado dos juízos/proposições que constituem o argumento.

VALIDADE

A validade é a coerência interna de um raciocínio/argumento.

Refere-se à forma, isto é, ao encadeamento das proposições independentemente do conteúdo que exprimem.

Só os juízos/proposições são Verdadeiras (V) ou Falsas (F).

Só os argumentos são Válidos ou Inválidos.

Não é à lógica formal que compete avaliar a verdade ou falsidade dos raciocínios/argumentos mas o conhecimento que temos ou não temos sobre a realidade.

Compete à lógica formal avaliar as condições em que um argumento é válido ou não válido.


A INDEPENDÊNCIA DA VERDADE E DA VALIDADE

A verdade não implica validade

A validade não implica verdade

• Todos os cientistas se dedicam arduamente ao trabalho. • Einstein dedicou-se arduamente ao trabalho. • Logo: Einsten foi um cientista.

• Todos os esquiadores são loiros. • Todos os estudantes são esquiadores. • Logo: Todos os estudantes são loiros.

1º - Os juízos /proposições do 1º raciocínio/argumento são verdadeiros mas o raciocínio/argumento é inválido porque a conclusão não pode ser legitimamente extraída das premissas: Do facto de”os cientistas se dedicarem arduamente ao trabalho” e de “Einstein se dedicar também arduamente ao trabalho” não se segue que”Einstein seja cientista”. Há muitos indivíduos que se dedicam arduamente ao trabalho e não são cientistas. A verdade das proposições não garante a validade de um argumento. 2º - Os juízos/proposições do 2º raciocínio/argumento são falsos mas este é válido porque apresenta uma estrutura formal coerente. A falsidade das proposições não garante a invalidade de um argumento.


A VALIDADE DEDUTIVA Em que condições podemos afirmar que um raciocínio dedutivo é válido ? Para um raciocínio ser válido, não basta que as premissas e a conclusão sejam verdadeiras. Diz-se que um raciocínio dedutivo é válido quando é impossível que as suas premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Consideremos os seguintes Raciocínios/argumentos:

Premissa 1 : Alguns treinadores de futebol ganham mais de 100000 por mês. Premissa 2 : O Mourinho é um treinador de futebol. Conclusão : Logo, o Mourinho ganha mais de 100000 euros por mês.

Premissa 1: Todos os planetas do nosso sistema solar são vermelhos. Premisa 2: Radu é um planeta. Conclusão : Logo, Radu é vermelho.

Argumento com premissas e conclusão verdadeiras Será um argumento válido ? Não. Não é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Bastaria que Mourinho fosse treinador do Paços de Ferreira e conclusão já seria falsa. Logo o argumento é inválido.

Argumento com premissas e conclusão falsas Será um argumento válido? Sim A validade de um argumento dedutivo depende da conexão lógica entre as premissas e a conclusão do argumento e não do valor de verdade das proposições que o constituem.


A VALIDADE DEDUTIVA

Para concluir e consolidar a relação entre validade e verdade, noções centrais da lógica, examinemos o quadro seguinte: O QUE PODE ACONTECER : ARGUMENTO

PREMISSAS

CONCLUSÃO

INVÁLIDO

VERDADEIRAS

VERDADEIRA

INVÁLIDO

VERDADEIRAS

FALSA

INVÁLIDO

FALSAS

FALSA

INVÁLIDO

FALSAS

VERDADEIRA

VÁLIDO

VERDADEIRAS

VERDADEIRA

VÁLIDO

FALSAS

FALSA

VÁLIDO

FALSAS

VERDADEIRA

O QUE NÃO PODE ACONTECER :PREMISSAS VERDADEIRAS E CONCLUSÃO FALSA - IM POSSÍVEL :

ARGUMENTO

PREMISSAS

CONCLUSÃO

VÁLIDO

VERDADEIRAS

FALSA


Argumentos Sólidos e Argumentos Bons Em filosofia não é suficiente termos argumentos válidos pois, podemos ter argumentos válidos com conclusão falsa (se pelo menos uma das premissas for falsa). Em filosofia pretendemos chegar a conclusões verdadeiras. Por isso, precisamos de argumentos sólidos.

Um argumento sólido é um argumento válido com premissas e conclusão verdadeiras. Exemplo de argumento sólido: Sócrates era grego. Logo, Sócrates era grego.

Se não se aumentarem os níveis de exigência de estudo e de trabalho dos alunos no ensino básico, então os alunos continuarão a enfrentar dificuldades quando chegarem ao ensino secundário. Ora, não se aumentaram os níveis de exigência de estudo e de trabalho dos alunos no ensino básico. Logo, os alunos continuarão a enfrentar dificuldades quando chegarem ao ensino secundário

Este argumento é sólido, porque tem premissa verdadeira e é impossível que, sendo a premissa verdadeira, a conclusão seja falsa. É sólido, mas não é um bom argumento, porque a conclusão se limita a repetir a premissa. Um argumento bom (ou forte) é um argumento válido persuasivo (persuasivo, do ponto de vista racional)


INFERÊNCIAS COMPLEXAS OU MEDIATAS : O SILOGISMO CATEGÓRICO

O silogismo categórico é uma inferência de carácter dedutivo, composta por três proposições categóricas - duas premissas e a conclusão – construídas com base em três termos e só três termos. Dois dos termos- o termo maior e o termo menor – ocorrem nas premissas e na conclusão. O terceiro termo – o termo médio (M) – ocorre em ambas as premissas, mas nunca aparece na conclusão. O termo maior (P) é o predicado da conclusão. O termo menor (S) é o sujeito da conclusão. À premissa onde ocorre o termo maior, chama-se premissa maior. À premissa onde ocorre o termo menor, chama-se premissa menor. A conclusão é a proposição que articula o termo menor com o termo maior.

Todo o homem é mortal Premissa Maior Como Sócrates é homem Premissa Menor

Antecedentes

Então, Sócrates é mortal

Consequente

Mortal – termo maior (P)

Conclusão

Homem – termo médio ( M)

Sócrates – termo menor (S)


REGRAS DE VALIDADE SILOGÍSTICA

REGRAS

REGRAS DE VALIDADE DE UM SILOGISMO 1

O silogismo tem três termos e só três termosSlide 34

2

O termo médio tem que estar distribuído pelo menos uma vezSlide 34

3

Nenhum termo pode estar distribuído na conclusão sem o estar nas premissasSlide 35

4

O termo médio não pode ocorrer na conclusão Slide 36

5

De duas premissas afirmativas não se pode tirar uma conclusão negativa Slide 36

6

De duas premissas negativas nada se pode concluir Slide 37

7

De duas premissas particulares nada se pode concluir Slide 37

8

A conclusão segue sempre a parte mais fraca: se uma das premissas é particular, a conclusão tem que ser particular; se uma das premissas é negativa, a conclusão tem que ser negativaSlide 38

PARA OS TERMOS

REGRAS PARA AS PROPOSIÇÕES


FALÁCIAS DO SILOGISMO CATEGÓRICO

Uma Falácia é um raciocínio aparentemente válido, mas na realidade incorrecto por não respeitar as regras do silogismo

Violação

Falácia dos quatro termos

da

Exemplo: O poder tende a corromper. O conhecimento é poder. Portanto, o conhecimento tende a corromper.

1ª regra

Violação

Falácia do termo médio não distribuído.

da

2ª regra

Exemplo: Todos os russos foram revolucionários. Os anarquistas foram revolucionários. Portanto, todos os anarquistas foram russos

Este silogismo tem quatro e não três termos. O termo “poder” é equívoco, isto é, tem dois sentidos e, por isso vale por dois termos. Slide 33 O termo médio “revolucionários” não está distribuído nem na 1ª nem na 2ª premissas. Deveria estar distribuído pelo menos numa delas. Logo, o raciocínio não é válido. Slide 33


FALÁCIAS DO SILOGISMO CATEGÓRICO Falácia da ilícita maior (do termo maior) Exemplo:

Violação Da

Todos os filósofos são racionais. Nenhum habitante de Águas santas é filósofo. Logo, nenhum habitante de Águas Santas é racional.

O termo maior “racional” está distribuído na conclusão e não o está nas premissas. A conclusão faz uma afirmação acerca de todos os racionais e a premissa não o faz acerca de todos.

3ª regra Falácia da ilícita menor ( do termo menor) Exemplo: Todos os ditadores são homens. Todos os ditadores criticam a democracia. Todos os que criticam a Democracia são homens

O termo menor “ os que criticam a Democracia” está distribuído na conclusão e não está nas premissas. O raciocínio é inválido. Slide 33


FALÁCIAS DO SILOGISMO CATEGÓRICO Violação

Falácia que ocorre quando o termo médio aparece na conclusão

Da 4ª Regra

Violação Da 5ª regra

Exemplo: Alexandre era pequeno Alexandre era general Logo, Alexandre era um pequeno general.

O termo médio sendo o termo de ligação entre os termos maior e menor não pode aparecer na conclusão. Slide 33

Falácia que ocorre quando de duas premissas afirmativas é tirada uma conclusão negativa Exemplo: Os que se aplicam merecem boas classificações. Alguns estudantes são aplicados. Logo, alguns estudantes não merecem boas classificações

De duas premissas afirmativas não podemos inferir uma conclusão negativa. Slide 33


FALÁCIAS DO SILOGISMO CATEGÓRICO

Violação Da 6ª regra

Violação Da 7ª regra

Falácia que ocorre quando temos duas premissas negativas Exemplo: Os frangos não são animais domésticos. Nenhum homem é frango Logo, nenhum homem é animal doméstico

Não se pode tirar uma conclusão válida de duas premissas negativas Slide 33

Falácia que ocorre quando temos duas premissas particulares Não se pode tirar uma conclusão válida de duas premissas particulares

Exemplo: Alguns mamíferos são aquáticos Alguns animais não são mamíferos. Logo, alguns animais não são aquáticos. Slide 33


FALÁCIAS DO SILOGISMO CATEGÓRICO

Falácia que ocorre quando a conclusão não segue a parte mais fraca ( a particular ou a negativa) Violação

Da 8ª

Regra

Exemplos: Todos os lagartos são répteis. Alguns animais não são répteis. Logo, Todos os lagartos são animais

Se uma premissa é particular a conclusão será particular. É que o carácter particular da premissa não me permite a chegada a uma conclusão universal. Se uma permissa é negativa a conclusão será negativa. Caso contrário, o raciocínio é inválido.


ACTIVIDADES Responda às seguintes afirmações e justifique recorrendo às regras do silogismo:

1 - Se as premissas de um silogismo forem dos tipos II – OO pode-se extrair alguma conclusão ? Sim / Não 2 - Se as premissas de um silogismo forem dos tipos EE – EO, pode-se extrair alguma conclusão ? Sim /Não 3 - Se as premissas de um silogismo forem do tipo OO há mais do que uma razão para não se extrair nenhuma conclusão. Sim/Não 4 – Se as premissas de um silogismo forem dos tipos EI – AI – AO, a conclusão só pode ser particular. Sim /Não 5 – Se as premissas de um silogismo forem dos tipos AE – EI – AO, a conclusão só pode ser negativa. Sim/Não


Acorda…Só mais um pouco de ginástica mental e depois descansas !!!!


E que tal se construíssemos uns argumentos ? É muito fácil se consultares a tabela de indicadores de premissas e de conclusão.


INDICADORES DE PREMISSAS E INDICADORES DE CONCLUSÃO Um indicador é um articulador do discurso, é uma palavra ou expressão que utilizamos para introduzir uma razão (uma premissa) ou uma conclusão. O quadro seguinte apresenta alguns indicadores de premissa e de conclusão: INDICADORES DE PREMISSAS

INDICADORES DE CONCLUSÃO

Pois Porque Dado que Como foi dito Visto que Devido a A razão é que Sabendo-se que Admitindo que Assumindo que Outras

Por isso Por conseguinte Implica que Logo Portanto Então Daí que Segue-se que Pode-se inferir que Consequentemente Outras

Nem sempre as premissas e a conclusão são precedidas de indicadores


Estão preparados ?

Mãos à obra…


LINGUAGEM CORRENTE Considero que as pessoas invejosas não são fiáveis; ora como tenho alguns colegas invejosos, parece-me mais prudente não confiar neles. Alguns cientistas não são verdadeiros sábios porque os verdadeiros sábios não são vaidosos e alguns cientistas são mesmo muito vaidosos. Os dias chuvosos são muito frios; dado que hoje está muito frio, espero que não chova. Alguns gatos são perigosos. Não esqueçamos que alguns dos felinos são gatos e todos sabemos que os felinos são perigososos.

FORMA PADRÃO OU SILOGÍSTICA

. As pessoas invejosas não são fiáveis. . Alguns colegas são pessoas invejosas. .Alguns colegas não são fiáveis .Nenhum verdadeiro sábio é vaidoso. .Alguns cientistas são vaidosos. .Alguns cientistas não são veradeiros sábios. .Nenhum dia chuvoso é muito frio. .O dia de hoje está muito frio. .O dia de hoje não é um dia chuvoso. .Todos os felinos são perigosos .Alguns felinos são gatos .Alguns felinos são perigosos


A Professora de Filosofia : LeonĂ­dia Marinho


Lógica