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Torres do Ariaú gerador de emoçþes, sugestivo, direcionado e comprometido com o sentimento regional Textos de Francisco Ritta Bernardino Fotografias de Leonide Principe

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Texto de Francisco Ritta Bernardino Fotografias de Leonide Principe Banco de Imagens da Amazônia Manaus, Amazonas, Brasil — 2010

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Torres do Ariaú gerador de emoções, sugestivo, direcionado e comprometido com o sentimento regional do povo amazônico

Pôr do sol no Ariaú. Boto-vermelho (Inia geoffrensis) nas águas escuras do rio Negro. Imagem produzida por software, a partir da fusão de duas fotografias

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O Encantado …Mítico, misterioso, entre o animal e o humano… mágico! O boto-vermelho é um ser que todo visitante da Amazônia deveria conhecer mais, pois ele é parte integrante do mundo cultural e da paisagem, capaz de abrir um portal de compreensão que vai além da mera percepção sensorial… Ler sobre o “Encantado” e ver suas imagens são apenas chamados para viver a experiência do contato. Viver a experiência não é apenas ver o boto. Viver a experiência é enxergar, perceber e sentir… o contato.

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Copyright © 2010 Todos os Direitos Reservados Autor: Francisco Ritta Bernardino Francisco Ritta Bernardino é idealizador e proprietário do renomado hotel de selva Ariaú, inspirado por Jacques-Yves Cousteau e visitado por celebridades internacionais. http://www.rittabernardino.com/ Email: ritta@rittabernardino.com Fotografias, Projeto Gráfico e Publicação: Leonide Principe Leonide Principe é fotógrafo. As fotografias contidas nesta obra são parte do Banco de Imagens da Amazônia (Amazon Stock Photography), um arquivo profissional que vem sendo construído desde 1990. http://www.leonideprincipe.com/ As fotografias analógicas identificadas como tais são de autoria do fotógrafo Leonide Principe, mas pertencem ao arquivo fotográfico do CCPA — Centro Cultural dos Povos da Amazônia. O Índice das Fotografias, no final do livro, fornece informações e detalhes técnicos sobre as tomadas. Os códigos das fotografias identificam os arquivos digitais dentro do Banco de Imagens do fotógrafo. 2010 Banco de Imagens da Amazônia Manaus/AM — Brasil Contato: info@leonideprincipe.com

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O Arquipélago de Anavilhanas, mesmo sendo considerado o maior arquipélago fluvial do planeta, é superado em quantidade de ilhas pelo Arquipélago de Mariuá, situado no mesmo rio Negro, a jusante, no município de Barcelos


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Sumário O Encantado O Jeito Amazônico

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Arte Cabocla

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Ribeirinho66

Convite17

Fenômeno68

O Autor

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Potência Ambiental

O Fotógrafo

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Respiração88

A Origem

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Floreada92

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Homenagem29

Floresta Florida

Introdução30

Emoção98

A regiåo

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Encontro102

Casa Cabocla

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Protesto104

Vista panorâmica do paraná do Ariaú durante a floreada dos taxizeiros (Triplares surinamensis)

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Escalada110

Horizonte186

Filho do Boto

Nevado Mismi

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Contato138

Busca do Gigante

194

Viva!141

Mãe da Floresta

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Re-introdução145

Fonte da Juventude

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Casa de Tarzan

Epílogo204

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Passarinho157

Amigos do Coração

210

Alimento Vivo

168

Índice das Figuras

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Guia de Selva

172

Obras do Autor

256

Amazônia Absoluta

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Ariaú — Gerador de Emoções constitui um painel vibrante da vida amazônica, uma proclamação protetora de seus valores fundamentais, desde o destino das sementes aos cantares das copas. Estão aqui os dons dos rios e as oferendas da floresta, o homem cercado por um cenário do Gênesis, por realidades de vez em quando espreitadas por contingências e perdições do Apocalipse. Nestas páginas, crepitam as chamas das fogueiras ancestrais, sonhos de pajé, feitiços de boto, a canoa ancorada no horizonte e o macaco beijando a flor. A palavra e a foto se uniram neste repositório que vigia, reivindica e contempla, cumprindo com o propósito das torres. Em meio a celebrações emocionadas, saltam as informações, a temática transborda, ouvem-se as revelações, os apelos à consciência universal para que se escute a angústia planetária tão evidente no mundo das águas. Há, neste livro, a mediação competente entre instâncias culturais e reclamos do chamado progresso. Assim, mais uma vez, Ritta Bernardino se esmera no perfil de empresário indispensável a este tempo da nossa história: ele ama primeiramente a terra e suas vocações, promove-a, fica junto dela como companheiro do seu destino. E o faz com tanto respeito, fervor e constância, que tudo isso só pode ser considerado uma espécie de devoção que purifica e norteia os ímpetos do capital e do trabalho, das formulações políticas, servindo de exemplo aos nossos empreendedores, às nossas instituições. Tenho a impressão de que não está muito longe o dia em que a atuação desse empresário acabará trazendo para o Amazonas a criação de um parque nacional. Já imagino a sigla e o nome: PANATRI — PARQUE NACIONAL ARIAÚ TORRES DO RITTA. Que assim seja.

Max Carphentier

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O Jeito Amazônico É na Floresta Amazônica, tão viva e verde A mais linda floração que você já viu Incrível, essa Amazônia, essas muitas paisagens para ver Um esplendor de pássaros e macacos escondidos nas árvores “Aquele Encantado” espera calmamente no rio Os maravilhosos botos delicadamente nadam ao redor Tem a “Casa do Tarzan”, a maravilha de tudo isso Segure-se nas cordas, reze para a chuva da natureza cair É na Floresta Amazônica, tão viva e verde A mais linda floração que você já viu Desfrute da sua estadia e volte muito em breve Desejamos boas vindas a todos vocês para nosso jeito simples O ribeirinho vai cuidar de você com carinho As muitas essências de flores vão encher o ar Nade no rio, vá e explore um pouco mais Tem peixe e boa comida em abundância É na Floresta Amazônica, que vista Linda Uma floresta para se admirar, dia e noite Desfaça as malas e tenha um ótimo dia Você se divertirá muito, “Do Jeito Amazônico” Escrito por Mona Marie Sala 17.4.11 Dedicado à Dr. Ritta Bernardino, Leonide Principe e “Ariau Amazon Tower” Fotografia: Mãe-da-Lua (Nyctibius grandis)

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Dedicamos este livro a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, amam a Amazônia. Dedicamos a todos aqueles que sonham com um planeta cada vez melhor para nossos filhos e netos. Dedicamos também a todos aqueles que estão oferecendo seu tempo para a preservação das florestas, dos rios e dos preciosos ecossistemas amazônicos. Nós somos os responsáveis pelo futuro da humanidade!

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“Hoje, depois de mais de vinte anos, sob o olhar de Cacha pendurado na parede do meu escritório parisiense, Celso e eu, com o entusiasmo de dois garotos, alimentamos um sonho que pode parecer um pouco louco. Um pouco louco, mas apaixonante. E realizável também. É por isso que nós nos fizemos seriamente a pergunta: — E se nós organizássemos uma nova expedição na Amazônia? Apenas para ver como as pessoas e as paisagens mudaram. É tentador…“ Jean-Michel Cousteau, Meu Pai o comandante, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 2006.

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“Protejam (e vocês o fazem!) a Amazônia, e vocês estarão protegendo a si mesmos”! Jean-Michel Cousteau

Convite Acompanhando as reflexões do nosso amigo Jean-Michel sobre o “entusiasmo de dois garotos” e sobre uma “nova expedição”, queremos reforçar e manter viva essa chama dos desbravadores. Esses são aqueles que superam os limites do conforto cotidiano, aventurando-se pelas situações especiais com o puro intuito de conhecer. Assim como Jean-Michel, sentimos essa força irresistível do desconhecido e, também, lançamos o nosso convite para mais expedições. Mais expedições certamente significa evidenciar o que tem valor. A Amazônia é uma região privilegiada para isso. O mundo precisa saber o que está em jogo.

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O Autor

Quando decidimos produzir este livro, pelo menos uma coisa estava bem clara: não queríamos produzir mais uma peça publicitária. Ariaú — Gerador de Emoções nasceu para ser uma reportagem, um documento de memória, um balanço interno e, ao mesmo tempo, um relato que fixa aquilo que já é considerado como um fenômeno cultural da Amazônia. A observação mais óbvia seria: como o proprietário de um empreendimento poderia falar sobre o mesmo com um nível aceitável de imparcialidade? Verdade. Isso seria uma empreitada duvidosa se todo o peso da produção fosse concentrado nas mãos da direção, e se a mesma conduzisse o trabalho sem consultar todas as partes envolvidas, principalmente o turista.

Amanhecer no Ariaú. Panorâmica a partir da fusão de três tomadas

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Ele, o nosso hóspede, é o ator e o herói da aventura. Para a confecção desta obra, abrimos mãos de nossas certezas e levamos em conta as considerações de nosso hóspede. Afinal, é ele quem chega ao destino com expectativas e leva para seu país o resultado das emoções vividas aqui. Expectativas e resultados representam os dois parâmetros essenciais da nossa equação, variáveis caprichosas e imprevisíveis como a Natureza humana. Com elas, devemos lidar assim como um equilibrista o faria se as tivesse numa mão e na outra, de braços abertos, na corda-bamba. Com base nesse reconhecimento, estabelecemos que a nossa parte seria condicionada a um responsável compromisso de sinceridade, consulta e entrevistas. Isso sig-

Francisco Ritta Bernardino

Ariaú — Gerador de Emoções nasceu para ser uma reportagem, um documento de memória, um balanço interno e, ao mesmo tempo, um relato que fixa aquilo que já é considerado como um fenômeno cultural da Amazônia.

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Casa de Tarzan Jacques Cousteau, em homenagem ao ilustre comandante da Calypso

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nifica que todos os envolvidos, responsáveis pelo sucesso do Ariaú, seriam chamados para participar da produção, incluindo desde os mais simples funcionários até os guias de selva e o quadro de gerência do hotel. Desde o primeiro ilustre personagem, Roman Polansky e outros como Bill Gate, Jimmy Carter, o rei Juan Carlos da Espanha, Susan Sarandon, Isabel Allende, o ex-presidente Lula e tantos outros, o fenômeno cultural Ariaú vem escrevendo algumas páginas na história do ecoturismo mundial. Os estudantes de turismo do nosso país se interessam e estudam o assunto. Isso não aumenta nosso ego, e sim nossa responsabilidade crescente no caminho de uma atividade realmente sustentável, em todos os sentidos, em todos os detalhes.

Francisco Ritta Bernardino

Dr. Francisco Ritta Bernardino com a filha Ellen nas passarelas do Ariaú, durante uma entrevista para o canal Globo News

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O Fotógrafo Eu posso dizer que vi o Ariaú nascer e crescer. Desde o início, durante longas estadias, excursão após excursão. Foi nessa área que comecei a produzir uma grande quantidade de fotografias, expandindo e enriquecendo o Banco de Imagens da Amazônia. Nessas imagens, está incluída a mais conhecida delas: o beijo apaixonado das araras-vermelhas.

Leonide Principe

Discretamente embosqueirado na passarela mais próxima à copa das árvores, tive os dois amantes na mira da minha 300 mm por mais de uma hora, acompanhando um namoro “surpreendentemente humano”. Essa foi minha maior maravilha: observar sentimentos e emoções, características dadas, no geral, como humanas. Mudei de opinião? Com toda certeza posso dizer que sim. E vou além: essa percepção ousa incluir até o reino vegetal e, por que não, o reino mineral. Outra imagem memorável, capturada no sub-bosque, dessa vez debaixo das passarelas, foi a sequência do macaco-prego cheirando a flor do maracujá selvagem. Isso, pelo menos, é o que parece… Eu estava fotografando uma flor vermelha que se destacava na penumbra do chão da floresta. Estava tudo pronto, o flash montado e a câmera apontada, quando, do movimento suave da folhagem, apareceu a cara esperta do malandrim. Foi um momento mágico que transformou a surpresa em ação: de um lado, o macaco colheu, levando-a até a boca, de outro, o meu dedo disparou uma sequência de flashes que gravaram o gesto natural de comer. Sim, ele comeu a flor, esse era o propósito.

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O beijo apaixonado das araras-vermelhas (Ara macao), de olhos fechados e penas arrepiadas.

Discretamente embosqueirado na passarela mais próxima à copa das árvores, tive os dois amantes na mira da minha 300 mm por mais de uma hora, acompanhando um namoro ‘surpreendentemente humano’.

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Macaco-prego (Cebus apella) com flor de maracujá do mato (Passiflora sp)

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Foi um momento mágico que transformou a surpresa em ação: de um lado, o macaco colheu a flor, levando-a até a boca, de outro, o meu dedo disparou uma sequência de flashes que gravaram o gesto natural de comer. Sim, ele comeu a flor, esse era o propósito.


Assim, guardo a lição das duas imagens como as de duas atitudes básicas na observação do comportamento animal. 1) O ser humano racional, o homem científico, tem uma tendência interesseira em se colocar como detentor exclusivo das qualidades espirituais, situando-se acima até da própria Natureza. Esse é o engano trágico que ignora a ‘alma’, um engano do qual estamos percebendo as consequências em nosso relacionamento com o meio ambiente. 2) A fotografia cria uma representação teatral. Através dela, o comportamento animal projeta uma atitude tipicamente humana. O sorriso que brota da comparação aproxima dois seres diferentes. “Parece que está cheirando…” Há muitas outras imagens que, como essas, querem ilustrar a essência do lugar encantado que é o Ariaú. Elas serão apresentadas ao longo deste livro como registro de uma experiência sensorial transferível… Talvez isso seja ousado, mas é um desejo que manteve sua presença marcada durante todo o processo de produção.

Leonide Principe

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A Origem

Aqui está o herói de várias gerações. Certamente as primeiras gerações que tiveram a coragem de olhar para algo que não era conveniente olhar. O primeiro ecologista do planeta levantou sua voz num deserto. Logo depois, muitos chegaram àquele lugar isolado. Jacques-Yves Cousteau foi o herói da nossa juventude. As aventuras do Calypso estão guardadas em nossos corações como o início de uma grande conquista da humanidade: uma percepção mais atenta e consciente da Natureza. Enfim, percebemos que havia algo vivo em nossa volta, algo que não estava ali apenas para ser usado e consumido à vontade. Esse era o homem das nossas melhores lembranças quando, por nossa sorte, de maneira inesperada, apareceu no nosso caminho. Naquela Manaus monótona que ainda tentava se recuperar de uma Belle Époque esvanecida, ele apareceu como um vento renovador. Por aquilo que consideramos um grande privilégio do destino, o comandante Jacques-Yves Cousteau não somente chegou a Manaus como também se hospedou em nosso hotel no centro da cidade. O nome do hotel era Hotel Mônaco. Terá sido por conta do nome, igual ao do Principado que o abrigava?

Encontro das Águas: o rio Negro, na cor azul, encontra o rio Solimões, barrento e dominador. Desse encontro nasce o rio Amazonas

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Seja como for, ele, o Comandante, conversou conosco várias vezes. Algumas dessas conversas ficaram gravadas em nossa mente, mudando o rumo de nossa vida…: — Hoje estamos derrubando milhares e milhares de árvores na Amazônia… Se não houver um basta, num futuro não muito distante, a floresta será destruída. E isso causará uma repercussão enorme na sobrevivência do planeta. — A Amazônia, em breve, será um lugar que muita gente irá querer visitar. A atenção voltada para as questões ambientais cresce mais a cada dia. A Amazônia é, sem dúvida,


uma dessas questões. Vocês, como moradores da Amazônia, também precisam compartilhar dessa atenção, mudar o rumo das coisas. O turismo é a nova e nobre fronteira da Amazônia, de modo que, investindo nessa área desde já, vocês estarão prontos para receber muitos e muitos turistas ávidos de conhecer, ver e vivenciar algo que é superlativo em todos os aspectos. Esses turistas passarão a formar uma consciência universal em defesa da Amazônia. As opiniões do ilustre oceanógrafo sobre a Amazônia eram bem marcadas e marcantes: “Um universo de possibilidades maravilhosas e de incertezas encantadoras.” “Não se trata simplesmente do rio mais imponente da Terra. É um mar de água doce em movimento, que esmaga em tamanho qualquer outro rio. […] Uma rede colossal de enseadas, canais, afluentes, pântanos, florestas inundadas, lagos e bancos de areia… os superlativos se aplicam à selva também. […] No coração do entrelaçamento vegetal se desenvolve a vida animal mais extravagante do globo: aranhas tão grandes que caçam pássaros… quase a metade do total das espécies de aves do mundo inteiro… os maiores roedores, as maiores formigas, as serpentes mais compridas, o maior número de espécies de morcegos e macacos…” Jacques-Yves Cousteau e Mose Richards, L’ expedition do commandant Cousteau en Amazonie, Robert Laffont, Paris, 1985.

Pôster da Calypso autografado pelo oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau, um presente para o doutor Francisco Ritta Bernardino durante a Expedição Amazônia, em 1982. (Arquivo fotográfico Ariaú)

As opiniões do ilustre oceanógrafo sobre a Amazônia eram bem marcadas e marcantes: “Um universo de possibilidades maravilhosas e de incertezas encantadoras.” 27


Kinan, o menino que nasceu e vive na floresta

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Artigo 1 As futuras gerações tem o direito a uma Terra livre da contaminação e da devastação; elas têm o direito de desfrutar desta Terra, que é o suporte da história da humanidade, da cultura e dos laços sociais que fazem de cada geração e indivíduo um membro da família humana. Artigo 2 Cada geração, recebendo como herança parcial o domínio da Terra, tem um dever como administradora perante as futuras gerações: ela deve evitar qualquer dano irreversível à vida na Terra, assim como à liberdade e dignidade humana.

Homenagem Nesta página, como sinal de profunda admiração e respeito pelo nosso amigo Comandante Jacques-Yves Cousteau, renovamos a lembrança da Carta dos Direitos das Futuras Gerações. Esse documento, que muitos já esqueceram e muitos já copiaram, foi um marco memorável na consciência coletiva planetária.

Artigo 3 Cada geração tem, portanto, por responsabilidade essencial, manter uma vigilância atenta e constante sobre as consequências do progresso tecnológico que possam prejudicar a vida na Terra, o equilíbrio natural e a evolução da Humanidade, a fim de proteger os direitos das futuras gerações. Artigo 4 Serão tomadas todas as medidas apropriadas, em todos os setores, incluindo educação, pesquisa e legislação, para garantir esses direitos e assegurar que não sejam sacrificados por imperativos de facilidade ou de conveniência imediata. Artigo 5 Os governos, as organizações não-governamentais e os indivíduos são, portanto, convocados a aplicar esses princípios, dando prova de imaginação, como se estivessem na presença dessas futuras gerações, cujos direitos queremos definir e defender.

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Introdução

Em certa ocasião, estávamos escalando uma árvore no Ariaú. Era uma majestosa Sumaúma de quase 50 metros, um monumento tão impressionante e valioso quanto a torre Eiffel. Porém, diferentemente dos monumentos construídos pelo homem, os da Amazônia são vivos e numerosos, cada um com sua extraordinária beleza e peculiaridade. Durante essa escalada, lá no topo da floresta, estávamos cercados por animais curiosos que tentavam identificar essa nova espécie que invadia o ambiente a eles reservado. Na copa emergente da Sumaúma, no teto da floresta, lugar privilegiado, nós percebemos a grande quantidade de emoções ali estocadas, esperando por mais visitantes… Se esse imenso potencial de emoções pudesse ser avaliado como o PIB (Produto Interno Bruto), certamente contribuiria para um crescimento fantástico da economia de qualquer país. Sim! Se esse valor, assim como o PIB, fosse considerado um indicador de progresso, a Felicidade Interna Bruta geraria uma revolução no bem-estar da nossa sociedade. Pode parecer uma brincadeira… Mas não é! Dentro desse raciocínio, algumas notícias divulgadas nos meios de comunicação indicam uma nova e interessante tendência do nosso planeta. O Butão, um pequeno e remoto país localizado entre a Índia e a China, tornou-se um modelo na medição do progresso de uma nação. O rei, um monarca iluminado, criou a Felicidade Interna Bruta. Esse novo índice econômico inclui: bem-estar psicológico, boa saúde, otimização do tempo (relação trabalho/lazer), vitalidade comunitária, educação, preservação cultural, proteção do meio ambiente, governo justo e segurança financeira. O Butão não é o único lugar onde os políticos conversam sobre a felicidade. Com o intuito de reexaminar como

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a França mede o progresso, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, organizou uma comissão liderada pelos economistas e ganhadores do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz e Amartya Sen. A comissão apontou como indicadores: saúde, coesão familiar e tempo dedicado ao lazer. Sarkozy abraçou as recomendações e foi além, propondo que elas fossem adotadas pela Comunidade Européia. Nós acreditamos que a Felicidade Interna Bruta deveria ser adotada por empresas também: não apenas o faturamento determinaria o sucesso de um empreendimento, mas também a quantidade de bem-estar produzida em seus clientes.

Turistas contemplando pôr-do-sol sobre o rio Negro

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Por uma série de fatores, o Ariaú possui esse poder de gerar emoções, algo até então indefinido, apenas intuído. A redação desse livro nos permitiu refletir sobre esse importante valor, fazendo-o emergir e firmar-se como um índice de cálculo que precisa ser incluído em nossas planilhas de desenvolvimento. O lucro gerado encontra sua expansão natural, multiplicando-se na emoção que se manifesta nas passarelas e nos igapós do entorno do Ariaú, no mergulho com o boto, na copa emergente da Sumaúma. O livro Ariaú — Gerador de Emoções tem tudo a ver com o que falamos até agora. Embora ele não tenha fins publicitários, pode servir a esse propósito — certamente, o livro incentivará muitas novas reservas, de modo que muitos visitantes poderão dizer: “Eu estive no Ariaú! Eu estive na Amazônia!”. O objetivo original de produzir um livro sobre o Ariaú foi a reflexão e o registro permanente de um fenômeno que consegue juntar várias personalidades de destaque mundial e vários visitantes de todos os cantos do planeta. Confessamos que, para nós, isso também sempre foi um grande motivo de surpresa. Quando o Ariaú era apenas uma torre onde nós costumávamos curtir prazerosos finais de semana, a região amazônica já era manchete internacional. Porém, as manchetes consistiam em uma música de poucas notas, repetidas infinitamente: Amazônia em chamas, irremediavelmente destruída; povos indígenas acuados e doentes; garimpeiros famintos por ouro, revirando leitos de rios e espalhando mercúrio; destruição e perdas; um Brasil que não cuida de sua maior riqueza. Isso teve sua inegável importância, mas poucos conheciam a realidade da qual falavam com tanta propriedade. Mitos sensacionalistas foram criados, tão prejudiciais quanto seus autores. Em certa medida, isso ainda ocorre: doutores, professores, políticos e artistas continuam a produzir notas de uma orquestra que não nasceu nem toca aqui.

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O Ariaú — podemos dizer isso com base em evidências — nasceu na Amazônia, inspirado pelo ilustre pesquisador Jacques-Yves Cousteau, que fez questão de vir até aqui para conhecê-lo. O Ariaú é da terra! O Ariaú é como uma peça musical composta e tocada localmente. Muitas pessoas apreciam a música, já outros não. Mas é inegável que as notas nascidas da orquestra amazônica ecoam pelo mundo. E o mais importante: são tocadas em tons e ritmos diversos, não apenas naqueles da destruição. A beleza do rio Negro, o igapó misterioso, a simplicidade do ribeirinho, a pureza do jeito regional, a fauna, a flora, as paisagens… O Ariaú materializa tudo isso diante dos olhos encantados dos turistas — e é isso que procuramos transmitir através do livro das Torres, além de alertarmos sobre o que precisa ser mudado. O Ariaú não é simplesmente um hotel, mas principalmente um fenômeno cultural, um provedor de emoções intensas. Por meio dele, o hóspede pode respirar a Amazônia, viver o ambiente ribeirinho do caboclo, sentir a presença de grandes personalidades que por aqui passaram e passam, perceber a razão que leva milhões de pessoas a lutar pela preservação da maior floresta do mundo. O Ariaú é um gerador de emoções, sugestivo, direcionado e comprometido com o sentimento regional amazônico. Assim como fazem outros colegas e personagens da região, ele toca nossa música, fazendo-a ecoar pelos quatro cantos do mundo e, quiçá, além dele… Lembrem-se de que temos um ovniporto no Ariaú!

Página ao lado: Eugene Shepp, 84 anos, veio dos Estados Unidos para escalar uma Sumaúma de 60 metros… ficou marcado com a experiência. À direita: Macaco cairara (Cebus albifrons) alimenta-se do fruto de uma palmeira.

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Nesta primeira etapa de edição, deixamos nossa ousadia fluir e estamos apresentando a obra em nove idiomas: português, inglês, francês, italiano, espanhol, árabe, russo, chinês e japonês. Estamos trabalhando para que, na próxima etapa, alcancemos a marca de trinta idiomas. Toda essa gigantesca operação editorial foi possível graças ao poder de alcance global da internet. As mais atuais técnicas de formação de equipe on-line estão sendo utilizadas, criando uma rede de colaboradores que providenciam a entrega de revisões, traduções, programações, etc. São cerca de cinquenta prestadores de serviço espalhados pelos quatro cantos do planeta, colaboradores desconhecidos que nos auxiliam na construção de uma obra direcionada à humanidade. A obra Ariaú foi concebida como uma mensagem regional, um recado da Amazônia que surge no coração da maior floresta e ecoa pelo mundo. A humanidade precisa construir uma relação de paz com as florestas e com a Mãe de Todos. Nosso contato contemplativo com a Natureza e a emoção que nasce desse contato proporcionam bem-estar e felicidade.

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O livro foi desenvolvido para ficar bem à vontade nas prateleiras de uma livraria, bem como nos meios de comunicação mais contemporâneos: pode ser adquirido pela internet, em formato eletrônico ou impresso. Eletronicamente, ele pode ser lido em qualquer computador ou aparelho móvel (iPhone, iPad, Galaxy, entre outros). Para aqueles que gostam de folhear um livro, o mesmo poderá ser encomendado através da internet, em qualquer um dos nove idiomas. O livro existe em duas versões: versão luxo, com capa dura e papel especial, e versão econômica, que possibilita um maior acesso ao público. Nascido na rede mundial de computadores, Ariaú — Gerador de Emoções pode ser encomendado em qualquer lugar onde haja conexão de internet. Para a impressão de exemplares, adotamos o sistema print-on-demand, ou seja, impressão sob demanda. Os parâmetros da Emissão Zero de Carbono são aplicados na maior parte do processo produtivo. Para adquirir o livro no formato desejado e acompanhar atualizações e novidades, acesse nosso site: www.rittabernardino.com

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Muitos dizem que os nossos resultados de divulgação estão além do que as próprias instituições competentes deveriam fazer. É claro que nós seríamos muito mais felizes se essas mesmas instituições competentes agissem como os reais incentivadores da imagem da nossa região no exterior… Enquanto isso não acontece, continuamos nosso esforço de divulgação, esperando um apoio mais consistente. Para concluir, queremos evidenciar um assunto que pode ser comparado com uma pequena pedrinha no sapato do nosso desempenho turístico. Após trinta anos de atividade constante nos labirintos e meandros do empreendedorismo brasileiro e amazônico, acreditamos ter em nossas mãos a incrível oportunidade de mostrar ao mundo o sentimento de liberdade do povo brasileiro, visível em nosso espírito de cordialidade, amabilidade e receptividade com os povos de nosso planeta. Por isso, acreditamos que liberar o visto de entrada para qualquer pessoa do mundo — independentemente de religião ou credo, origem étnica ou geográfica — fará com que o mundo testemunhe o jeito de ser brasileiro, em especial o do amazonense, que sabe viver a vida de forma respeitosa. Além disso, o reconhecimento da importância de nossa região ajudará na preservação da floresta amazônica e na geração de mais empregos, renda e qualidade de vida para nosso querido povo.

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A obra Ariaú foi concebida como uma mensagem regional, um recado da Amazônia que surge no coração da maior floresta e ecoa pelo mundo. A humanidade precisa construir uma relação de paz com as florestas e com a Mãe de Todos. Nosso contato contemplativo com a Natureza e a emoção que nasce desse contato proporcionam bem-estar e felicidade.

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Torres do Ariaú (sample)  

Fonte di emozioni, evocativo, coinvolto e impegnato al sentimento regionale

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