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O RODÃO www.sintraturb.com.br

ANO 16 Florianópolis, junho de 2013 >> número 219

Hora de preparar a grande greve!

>> Grande assembleia no domingo, 9 de junho, vai preparar a mobilização dos trabalhadores para avançar em nossas conquistas. Encontro será às 22 horas na Praça de Luta [pág. 3]

Avançam as negociações no Turismo/Fretamento >> Paralisações no mês de abril ajudaram a “abrir o diálogo [pg. 2]

Intransigência patronal emperra negociações do Rodoviário >> Patrões insistem em medidas draconianas como o banco de horas. Sindicato não assinará acordo nessas condições [pg. 4]


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O RODÃO Florianópolis, junho de 2013

Negociações avançam no Turismo/Fretamento >> Paralisações ocorridas em abril ajudaram a “abrir caminhos” para negociação Florianópolis As mesas de negociação com o setor de Turismo e Fretamento finalmente começaram a acontecer, após as paralisações realizadas pela categoria nas empresas Reunidas e Alexandre Turismo. A manifestação, ocorrida em abril, tinha por objetivo “abrir o diálogo”, já que não havia um acordo coletivo no setor há mais de três anos. Um elemento importante das negociações é que agora, o setor de Turismo e Fretamento criou o seu sindicato patronal. Em outras palavras, não será mais necessário negociar acordos com cada empresa. Poderemos firmar uma Convenção Coletiva com o sindicato patronal, que valha para todas as empresas do setor. O que já avançou

Até o momento, já foram três rodadas de negociação, onde conseguimos avançar consideravelmente na proposta patronal. O maior problema do setor de turismo/fretamento é que tudo se tornou uma verdadeira bagunça. Cada empresa paga os trabalhadores do jeito que quer. Algumas não pagam vale alimentação, não pagam diárias por viagem, ou ainda, não fazem o controle da jor-

Paralisações na Reunidas ocorreram em abril deste ano nada. Isso mesmo, nem ao menos existe cartão ponto em algumas empresas. Todos esses problemas foram combatidos na mesa de negociação. Até agora, conseguimos avançar nos seguintes pontos: Salários: A nossa proposta é de reajuste pela inflação (INPC) mais 5% de ganho real. Voltaremos a debater os salários na próxima reunião. Banco de horas: já avançamos para o fim do banco de horas no setor, mantendo-se apenas a compensação de horas semanal, que é prevista em lei. Va l e - a l i m e n t a ç ã o : Nosso pedido inicial é de R$ 340 para toda a categoria. Os patrões chegaram na proposta de R$ 280 para todos, inclusive nas férias. Lembrando

que em várias empresas do setor nem existe valealimentação. Jornada de trabalho: a proposta patronal é de manter a jornada de 7 h 2 0 , c o m i n te r va l o s entre uma e duas horas. Diárias: avançou-se nos valores pagos atualmente (algumas não pagam nada). Até 12 horas fora da base da empresa, a diária ficará estabelecida em R$ 20. Após esse tempo, são R$ 40 a cada 24 horas e ainda, R$ 80 para viagens internacionais. Adicional por tempo de serviço: a proposta do Sintraturb é de conquistar o anuênio (1% a mais no salário a cada ano de empresa). Os patrões propuseram o triênio (3% a cada três anos). É um importante avanço, pois antes, eles nem aceitavam discutir

essa questão. Outros itens: os demais itens da pauta de reivindicações estão sendo discutidos com calma. Ficou acordado ainda que, após o fechamento da negociação, todas as cláusulas terão validade retroativa a primeiro de maio. É preciso ter paciência, pois com certeza, chegaremos a um acordo muito melhor do que as atuais condições de trabalho. Já conquistamos avanços importantes, e temos mais itens para melhorar até o final das negociações. É um processo trabalhoso, pois, como ainda não há convenção com o setor de turismo/ fretamento, estamos discutindo tudo praticamente do zero. Agora, a próxima negociação com os patrões está marcada

para o dia 21 de junho, onde voltaremos a debater os salários e os demais pontos. Importante a companheirada se manter mobilizada, ingressar no sindicato e fortalecer a luta da categoria!

O RODÃO Ano 16. Edição 219

Expediente O RODÃO é uma publicação do Sindicato dos Trabalhadores em transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar da região metropolitana de Florianópolis (Sintraturb). Jornalista Responsável Leonel Camasão (MtB 3414) ENDEREÇO: Avenida Mauro Ramos, 398, Centro. Florianópolis/SC Fone/Fax: (48) 3286-5300 sintraturb@terra.com.br www.sintraturb.com.br TIRAGEM: 3.000 exemplares IMPRESSÃO: Diário Catarinense


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Uma assembleia de casa cheia para preparar a maior greve >> Categoria rejeitou proposta patronal e greve poderá iniciar à zero hora do dia 10 de junho Florianópolis Uma das horas mais decisivas da campanha salarial de 2013 está chegando. No próximo domingo, às 22 horas, realizaremos uma grande assembleia para encaminhar a nossa greve no setor urbano. A decisão de realizar a greve foi tomada por unanimidade, na última segundafeira, quando cerca de 1 mil companheiros do urbano participaram da assembleia para debater os encaminhamentos de nossa campanha. A nossa decisão soberana a de rejeitar a proposta patronal, enviada por email no último fim de semana. Até domingo, a direção do Sindicato fica à disposição para receber novas propostas dos patrões que garantam os nossos direitos e reivindicações. Tudo o que acontecer até domingo será levado e debatido na assembleia. A possibilidade de greve já foi comunicada aos patrões e à Prefeitura Mu-

Cerca de mil trabalhadores participaram dos três turnos da assembleia, realizada na última segunda-feira nicipal de Florianópolis, conforme determina a lei, por meio de ofício assinado pelo coordenador da campanha salarial e Secretário de imprensa do Sintrarub, Deonísio Línder. A proposta dos patrões é menor que a inflação

A proposta patronal, rejeitada por unanimidade nos três turnos da assembleia, pretende manter as três jornadas de trabalho já existentes (3 horas, 6 horas e 6h20), assim como dar reajustes diferenciados menores que a inflação. Na tabela

ao lado, é posível perceber o “pulo do gato”. Com a redução de mais 10 minutos na jornada de trabalho a partir de 1º de maio, motoristas e cobradores já terão um aumento no valor da hora na ordem de 2,69 e 2,65%, respectivamente. Só que os patrões estão somando estes índices como se fizessem parte da proposta desse ano, o que não é verdade, esse

VALOR DA HORA

ATÉ 30 DE ABRIL MOTORISTA R$ 8,16 COBRADOR R$ 4,90

percentual é ainda o pagamento do acordo do ano passado. Portanto, para o acordo desse ano, o que eles estão propondo é menor do que a inflação: 6,08% para motoristsas e 6,95% para cobradores. Queremos o reajuste pela inflação e com aumento real, mas sobre o valor da hora já acordado no ano passado! Para os setores de gara-

gem, manutenção, limpeza, escritório, agentes de terminais, a proposta é de apenas a inflação. Não podemos tolerar essa sacanagem! Todos devem ganhar reajustes iguais, com a reposição da inflação e com aumento real! Por isso é importante que estes companheiros venham também para a assembleia do dia 9.

PROPOSTA DOS PATRÕES PERCENTUAL

A PARTIR DE RETROATIVO A PARTIR DE 1º DE MAIO A MAIO AGOSTO R$ 8,38 R$ 8,75 R$ 8,95 R$ 5,03 R$ 5,25 R$ 5,38

6,08% 6,95%

Prepare a sua bolsa de luta e venha para a assembleia Nosso movimento precisa demonstrar força e unidade neste momento tão difícil que é a entrada em uma greve. Por isso, precisamos lotar a assembleia do dia 9, às 22 horas, na praça de luta. Precisamos colocar pelo menos 3 mil companheiros e companheiras na assembleia. Só assim, poderemos conquistar a tão sonhada

vitória, com reajustes decentes, um bom vale alimentação e a redução da jornada de trabalho para 6 horas. Portanto, companheirada, prepare a sua bolsa de luta, já deixe a família de sobreaviso e venha para a assembleia! Vamos juntos construir mais essa vitória da classe trabalhadora!


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Florianópolis, junho de 2013

Banco de horas trava negociações no Rodoviário

Reunião com os trabalhadores da Catarinense dentro da empresa

>> Intransigência patronal quer manter alta exploração Florianópolis As negociações no setor rodoviário mal começaram e já foram suspensas pela intransigência dos patrões em dois pontos específicos. O primeito motivo é a intransigência patronal quanto ao tema do banco de horas. Eles não aceitam acabar com essa medida, mesmo que ilegal (o banco de horas só pode funcionar com autorização do sindicato). Para nós, o banco de horas é um péssimo negócio, pois são horas extras (que valem mais dinheiro) sendo trocadas por horas normais. Isso sem falar que o excesso de trabalho provoca estresse, mau humor, piora nossa saúde e prejudica a qualidade do trabalho.

O segundo motivo é a vale alimentação para insistência em manter todos. Parte dos trabadescontos no vale ali- lhadores recebe o benementação. Nas empresas fício, mas outros não. A que pagam o vale (algu- empresa é contrária ao mas nem a isso se pres- vale para motoristas. tam) o valor chega a R$ Atualmente, os com275. Para “amenizar os panheiros do volante na custos”, os patrões des- empresa são obrigados contam 10% (R$ 27,50) a c o m e r n a s p a ra d a s do salário dos trabalha- de ônibus previstas nas dores. viagens, e o valor que Somos contra esse des- podem gastar é irrisório: conto, pois entendemos pouco mais de sete reais, que o vale alimentação o famoso “vale coxinha”. é um direito dos traba- Ninguém consegue fazer lhadores, que uma refeição precisam se decente na esalimentar com Pessoal das trada com esse dignidade. valor ridículo. Ve j a o q u e agências da Na Cataricada empresa Catarinense nense, depois defendeu nas já está livre d e a l g u m a s negociações. do Banco de mobilizações, conseguimos P r i n c i p a i s Horas arrancar as problemas reuniões dentro da empreOutros itens da pauta sa. de reivindicações tem Fo i u m a v i tó r i a te r emperrado as conversas conseguido essas reunicom a classe patronal. ões, pois pudemos deNa Reunidas, a empre- monstrar a importância sa se nega a implantar do trabalho sindical, con-

vidar os companheiros para se sindicalizarem e impedir a perseguição dos patrões. Tivemos uma boa presença do povo de manutenção e escritório, mas não apareceu nenhum motorista. Isso é realmente vergonhoso! Estamos há muito tempo brigando pelos trabalhadores da Catarinense, muitos reclamando da perseguição, que não poderiam se sindicalizar, etc. Agora, quando o sindicato consegue abrir uma porta para a participação, para iniciar a jornada contra a exploraçaõ, os motoristas não aparecem. Depois vocês reclamam! Avançamos em alguns pontos na Catarinense. Não haverá mais banco de horas para o pessoal das agências. A empresa também vai pagar os feriados nacionais com 100%. Já na Santo Anjo, des-

de que o acordo do ano passado foi fechado, a empresa não procurou mais o Sintraturb. O representante da empresa nem se pronunciou nas negociações que participou. Por isso, os companheiros da empresa precisam se mobilizar novamente. Só assim, os patrões deixam a intransigência de lado. Justiça proíbe Catarinense de realizar banco de horas

A Justiça do Trabalho acatou um pedido do Ministério Público contra a Autoviação Catarinense, proibindo a empresa de realizar o banco de horas sem autorização do Sintraturb. A decisão ainda tem caráter liminar (não é definitiva), mas já é uma vitória dos trabalhadores sobre a exploração patronal.

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Edição 219 do Rodão, jornal dos trabalhadores do transporte da Grande Florianópois

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