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Os objetos da fotografia pertenceram a personagem do livro (...) e foram usados atÊ momentos antes do acontecimento qual afetaria o restante de sua narrativa. a composição obturou esse plot >


catĂĄlogo do trabalho em processo >

a mecânica do l leonardo MAthias Ricardo Escudeiro


temporadas | piloto, segundo movimento e desmonte.

livro no espaรงo


o que mais interessa na arte ĂŠ a


indecisĂŁo

| marcel duchamp


esta sombra parece fal


lsa ainda que pareรงa sombra do mesmo modo em que a


sombra que aqui se mostra ĂŠ real, tanto a prop o vidro da casa da palavra.


positadamente projetada quanto aquela que atravess


quando as mãos tocam a estática, o filtro de luz que se apresenta adiciona uma nova camada de informação luminosa, deformando a dinâmica de leitura do livro no espaço. propõe-se assim uma nova sintonia ao leitor (o contexto exige reposicionamento entre corpos) uma codificação outra: podemos afirmar a implantação de um trauma.


assumindo-se esse novo prisma, a perc ganha novos contornos >


cepção do que é o leitor, via luz,


o leitor torna-se frag


gmento, enquanto lĂŞ de forma fragmentĂĄria >


> ao passo que pode j


justapor as etapas de um percurso contĂ­nuo.


a obra original agora pode entrar em cena > seu delicado corpo contém o mesmo conteúdo > > um todo pode ser observado pode ser entendido de outra forma > a forma de fora é também seu corpo, O DEFORMA, tornando-se um novo paramêtro >


> um livro-espaรงo.


piloto <


segundo movimento

status 1 >


manchas mínimas desfolham no asfalto. o vento enseja a importânci


de que se saiba, nesta mesma mecânica, sempre:


AR e plástico se contém mÚtuos, conduzem, pelos ouvidos toda a sua expectativa: do bólide à perda:


então se chega:

– o silêncio nasce –

exatamente pelo mesmo m otivo ou força motriz de nossa narrativa:


m

status 2 > (o mesmo lugar,

algum tempo depois) >

o vento agora atua sob a laminação >


barulho: aqui é narrativa > contra-vento-estúpido-corta os passos seguem > percurso-oco-silêncio mediando a leitura do espaço >


participação especial

Gabriel Felipe Jacomel


ssssssxxxxxxxxx vvvvvvvvvvvvvvvv ftftftftftft ffffkkkkkkkkk vvvrrrrr ffffhhhhh rrrvvvvvvfffffff


vvv

o lugar em que se chega agora possui novas ferramentas > adiciona-se timbres, os mesmos de sempre > embora sob a tutela de novos movimentos >


lรก fora algo desenrola > um jardim esquรกlido > ainda que lindo > uma escultura feita por leรณn ferrari > para a marginal > antes mesmo que fosse essa marginal > qual carros expulsam esculturas >


participação especial

rafel Limongelli


quando o objeto é sólido a sombra é líquida posto que o objeto é sólido a sombra é líquida é liquida a sombra do objeto sólido sólido, o objeto líquida, a sombra a liquidez que a sombra é do objeto a solidez a liquidez que a sombra é do objeto a solidez a liquidez que a sombra é do objeto a solidez sólido o objeto > sólido > de sombra > líquida > sombra > líquida > de objeto > sólido > sólido > objeto > de líquida > sombra ••• quantos cilindros tem a primeira instalação? > quantos > cilindros > existem > na primeira > instalação? > se X é a base > e X é maior que Y > se X é a base > e Y a altura > e quando X é maior que Y > ainda


a ĂŠ um cilindro? > o vaso de jardim > o conteĂşdo de um vaso de jardim


quando transformado em formato de vaso de jardim > é um se a base é maior do que a altura > continua sendo um cilin o que é > um bólide > meia esfera > é um bólide? > nove > nov na primeira instalação > um > dois > três > quatro > cinco > s um cilindro > pedra > tinta > preta > sombra> pedra > sombr tinta > pedra > pedra > onix > preta > tinta > preta > sombra > pedra > sombra > sombra > pedratintasombra > pedrapretas pretapedratinta > sombra.

participação especial

Leandro Rafael Perez


m cilintro? > quantos cilindros tem a primeira instalação? > ndro? > eu quero chamar > semicírculo > de bólide > e cilindros > na primeira instalação > nove cilindros > seis > sete > oito > e nove > um vaso > de jardim> não é> a >preta > tinta > ônix > tinta > preta >ônix > sombra > preta > > preta > ônix > pedra > onix > preta > sombra > sombra > pedra > sombra > pedratintasombra > pedrasombratinta >


< nesse momento a quebra < narrativa-som-fragmento < estica-se líquida < retrogradativamente < < à semântica luminosa esta qual íntimamente intenta < saber as coisas < deslizando campos nulos e suas erosões negativas < suas várias chuvas < as gretas milimétricas < topografia de ocultar segrdos < os olhos dilatados pelo tempo de espera > há sempre a possibilidade da espera > e todos merecem um lugar > debaixo de sua saia negra <


restaurar um lugar pode consistir apenas em revisitá-lo > chocar o corpo contra cantos > pouco ouvidos > desenhar divisas instauradas pelo odor > cohabitar e > como a lebre > auto-soterrar-se > fundir > como mesmos > apropriando ritmos-exôdos > ler > como quem não sabe o que é um livro ou > como aquele que sabe e, ainda assim > penetra a poeira láctea em suspenso > dentro do espaço-livre.


o estado das coisas > seu estado > as coisas > tente sentir pelas > mãos do outro > tente sentir as mãos do outro > sentir a morte do outro > eu > tente > passar pelo que estou > passando > tente usar a roupa > que estou usando > tente perceber o > estado de excesso o > seu > outro > estado de quem transcende dinâmica amálgama > como ou com o livro > o mal é o bom e é espasmo > adentre sem >


gravetรกrio e o salto no vazio


participação especial

Marcio Olimpio Stachowski


a ciência do silêncio > > assemelha-se > a fusão das sombras < correm intervalos reles > ralos > inconstantes > duram a distãncia > entre única dissonância > e o impulso do encontro < em atender ao seu aceno > < gravetos ainda gravitam > suas ausências graves > talham todo o espectro > dos outros elementos >


cabe ao abismo > o mesmo corte > vertigem-cinema-cinza > seus olhos ocultos > habitam um ciclo oco <

Ash participação especial

Vivan Chachamovitz


DESMONTE consistiu no último ciclo de uma pesquisa sobre a corporeidade do livro no espaço. Foram apresentadas outras duas temporadas do work in progress, assim nomeado pois não é uma mostra imóvel, ao passo que houveram transformações práticas durante seus períodos de exposição. Na primeira apresentação (piloto), sediada na Casa da Palavra, em 2016, o intuito era descobrir: “como tridimensionalizar um livro?”. Partiu-se então da tridimensionalização de um livro já publicado, “(...) ou reticênciasentreparenteses” (2015, Ed. Patuá) e, simultaneamente, do movimento inverso: a construção tridimensional de um universo criativo autoral como ponto de partida para a confecção de um livro: “A implantação de um trauma e seu sucesso” (por Ricardo Escudeiro).

desmo


A segunda temporada (segundo movimento), apresentada no início de 2017, na biblioteca Alceu Amoroso Lima, já abstraía totalmente dos dois processos anteriores. Visando, por meio das instalações, emular recursos do livro tradicional no espaço (como narrativa, abordagem, linguagem, composição etc.). Procurou-se que a interatividade efetivada pelo leitor pudesse determinar o rumo das transformações promovidas nesse ciclo expositivo. Mapeou-se três vertentes da interatividade almejada: ativação inusual do espaço habitado; interação com o público; atravessamento de processos artísticos, por artistas convidados. Neste último ciclo as perguntas presentes no experimento foram: “como finalizar um ciclo experimental, se algo experimental não possui objetivos/fins?” e “como lidar com o material residual de um empreendimento artístico uma vez que realizado?”.

onte >


um campo em branco pode ser uma porta > pode > ser > uma > porta > qual ao ser pintada demarca seu espectro > negativo > sobre o piso > o piso em que as pessoas se apóiam > esse mesmo piso pode ser agora objeto subjetivo > > (lembre-se da lebre) > um negativo que > jamais poderá ser tocado > não sofrerá a erosão imposta > pelo sol exausto > não será atingida > por intermitentes tempestades > o vandalismo > interferências > apropriações > daqueles que postam seus > pesos > sobre as coisas >


através > um viés : a projeção < de quem se apóia na porta > sem porta > do chão > repousando ante a outra > porta > a da frente < > presa na parede > passível da indiferença > ou de interferência > no momento desse mesmo > possível choque > o espectro presente no piso pode > guadrar essa mesma possível ação > executada na outra > > posterior > em seu espelho opaco de buraco negro > sendo superfície de esquecimento do processo de fação > f e i to o e s g o ta me nt o d e um l iv ro n o espaç o .


um objeto pode > aguçar um espaço pode > aguçar outro > objeto. um espaço pode > ter seu olhar renovado > uma pessoa > pode olhar para o espaço via > alguns pontos de referência esses > localizados onde o olhar sempre. quando um objeto tensiona um espaço o > olhar estranha todo o seu conteudo > estranha o que > até então > não lhe era estranho > o que mais me interressa >


na arte é a dúvida > R. Mutt > Madame > Rrose Sélavy > duchamp, M <


objetos de

aguรงament o do espaรงo > < s/ tit. < s/ tit. | ripa >


o problema material dos objetos de arte ĂŠ > o que fazer com o que sobra? > legitimar e vender? < estocar? < doar? > quem quer? < e se nĂŁo valer $? > e se estragar? > e se dividirmos > o problema material dos objetos de arte > com o espectador? > com outro autor > e se escrever? >


texto

André Mellagi

Ao retirar a máscara, percebo meu rosto estilhaçado no reflexo da poeira cósmica de um globo de luz. Desperto mais uma vez à ilusão do dia que me entorpece no seu caleidoscópio de fantasias. A lucidez ainda desfocada sobre tudo que se afasta e se aproxima continuamente, perto demais para distinguir, longe demais para encontrar. O anteparo do sistema operacional que filtra o espanto em linguagem binária. O sonho se desfaz como as revelações divinas transmitidas a cada profeta numa brincadeira de telefone sem fio. O cego Tirésias viu tudo mas ficou mudo.


texto

André Mellagi

Depois de 31 de dezembro de 2020, não houve a catalogação de um novo coleóptero no Suriname. Não previu a cura do lúpus nem o surgimento de outra doença tropical. Não se sabe quando Rebeca passará por uma formatação e baixará em seu implante todas as músicas do século 20. Deixará de marcar o acontecimento de um país que se forma, outro que se condena. A efeméride de uma revolução efêmera. Outro ciclone no Caribe. Outra criança africana que nasceu. Um asteroide em 2029. O evento que futuros ídolos se erguerão sobre os destroços dos antigos, moldados nas mesmas ilusões. Perderá o momento em que tudo recomeçará. Como sempre.


texto

Chris Ritchie

mostrador 12. o tempo passa 11. deixar o mundo 10. amar cada segundo 9.caça ao tesouro da paz 8. mentira abranda 7. preocupações mortais 6.o mundo é meu 5. tudo é demais 4. cabelo descbela 3. poderes do não 2. sorriso banguela 1. covinha na mão


texto

Gabriel Felipe Jacomel

Escutei passos a algumas prateleiras. Tenho certeza, eles me descobriram. Sinto sua aproximação. Aquelas patinhas em um barulhinho suave, quase inaudível. Não, não é coisa da minha cabeça. Há muito não vejo pessoas, estou aqui trancado e esquecido. É pro seu bem, alguém poderia ter dito, mas ninguém disse nada. Minha única visita agora são eles. Ou elas, se ficar cenicamente bom que apenas um exército de baratas venha ao meu encalço. Temo mesmo que sejam todos eles, afinal, isso não foi um zunido? Hein?! Não me diga que você não ouviu? Silêncio. Oh... Acho que eles também sabem quando a gente tá prestando atenção, devem parar, né?! A não ser que não dependam mais de mim, que já estejam aqui. Zumbido é uma enfermidade relativamente comum, não?! Oh!!! Não disse? Foi só eu falar e começou. Tá formigando minha cabeça. É meio comum que baratas entrem em nossos orifícios no meio do sono. Você está acordado? Eu sinto cócegas por dentro. Espirro ranhento ectoplasmia em catarata, sai uma nuvem imensa de insetos, uma praga do Egito. O puro creme das Revelações de João.


texto e intervenção

Fabio Riggi


um campo em branco pode ser uma sala > pode > ser > uma > sala > yves klein uma vez chamou de > antessala à criatividade > de um extremo ao outro > da casa > o patuscada > dois > campos em branco: a porta e seu duplo > na fachada > e no > dark room > que já foi > almoxarifado > que já foi > lounge > sala de tv > e que hoje é > depósito de livros > o vazio encontrou seu espaço < por curto período Anunciava-se a exposição > desmonte > anunciava-se e quando se chegava > ao quarto escuro > um par luzes > incandescentes > luz sobre o participante < um negatoscópio retroiluminado > um vidro com marcas de spray preto > um acordo tácito > o esvaziamento > a presença o > leitor o > livro-espaço < > que mais nada é se não algo passível de ser lido > um esboço-espaço-livro nunca e sempre terminiciado


> ler expande o espaço > ler o espaço expande o livro ao espaço > o livro-espaço flutua como a < > pirineus island > > há aqui uma tela > há uma pintura qual não se enxerga > ainda está escuro > a presença da pintura > ainda assim > é captada < há as retinas > as que percorrem coisas > há sobras das aparas-bólides > cimento arruinando o espaço > há crise e criação > a ruína pode ser o começo de tudo > o leitor pode ser o início do livro < > um vidro horizontal corta a parede > antes expunha desenhos < a ausência dos desenhos antes expostos a < exposição da ausência a > pedra baldia ensejava algo afim do desconhecido a > tênue mancha do livro no lapso > a selvagem rocha do livro no tempo a > sublimação alheia de forças dentro > um retorno ao suporte tradicional > um catálogo que > enfim > nada cataloga > não seria um belo epílogo? <


Profile for leonardo MAthias

cat mecanica teste  

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