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Aceitação e Validação da Dosimetria Portal Varian com Detector aS 1000 A. Pereira1,2,3, A. Martins1,2,3, M. Barreiros1,2,3, S. Nunes 1 – Hospital Do Espírito Santo, E.P.E.; 2 – Lenicare, Lda..; 3 – Dosrad, Lda.

Introdução: Numa altura de generalização dos tratamentos com radioterapia com intensidade modulada (IMRT), e devido às grandes exigências ao nível do controlo de qualidade especifico por doente, novas ferramentas têm vindo a ser desenvolvidas pelos diferentes fabricantes de equipamentos. Apesar de a dosimetria fotográfica permanecer como o “Gold Standard” para a verificação deste tipo de tratamentos, a logística envolvida e o tempo necessário a todo o processo, tem levado a um investimento no desenvolvimento de novos métodos que permitam um controlo de qualidade rigoroso e de confiança. É neste contexto que surgem os já vários detectores 2D comercializados, de entre os quais se destaca a dosimetria portal desenvolvida pela Varian Medical Systems formando parte integrante do equipamento usado para tratamentos com IMRT. Assim sendo é objectivo deste trabalho, descrever os procedimentos usados e os resultados obtidos na aceitação e validação deste método de controlo de qualidade.

Materiais e Métodos: O processo de aceitação e validação deste método de controlo de qualidade dividiu-se em três grandes fases. Na primeira o objectivo passou pela verificação da reprodutibilidade do posicionamento do detector Varian aS 1000 instalado num braço robótico Varian Exact Arm (fig. 1). A segunda passou por validar a calibração feita ao detector bem como a configuração do algoritmo de predição de imagem portal (PDIP), enquanto que a terceira passou pela comparação dos resultados obtidos para uma validação de casos clínicos simulados, com uma matriz PTW seven29 e com dosimetria fotográfica.

Para a primeira fase, alinhou-se o fantoma Varian Isocenter Cube Assy com a gantry posicionada a 0º. Efectuou-se um conjunto de imagens com e sem retracção do detector procurando avaliar se a sua resposta seria ou não reprodutível a nível de posicionamento e suas implicações ao nível das imagens adquiridas. Uma vez que, a avaliação anterior foi realizada apenas para a posição de gantry 0º, o passo seguinte consistiu na avaliação da mesma reprodutibilidade em diferentes ângulos de gantry (45º,90º,135º,180º,225º,270º e 315º) mas sempre com retracção do detector entre as diferentes aquisições, procurando avaliar a precisão de posicionamento do detector em condições não óptimas. O resultados foram analisados com recurso ao programa Varian Offline Review v8.6 e Microsoft Excel 2007.

fig. 1 – Detector Varian aS 1000 incorporado num acelerador linear Varian 2100 DHX com Exact Arm

A segunda fase iniciou-se com a calibração do algoritmo PDIP de acordo com as instruções do fabricante. Concluído este passo, importa saber se o seu comportamento está de acordo com o esperado e quais as condições ideais para o seu uso em rotina clínica. Assim, e fazendo uso de uma matriz de fluências conhecida (fig. 2), solicitou-se ao algoritmo PDIP que gerasse uma imagem de verificação a diferentes distâncias do isocentro. Para concluir esta segunda fase verificou-se o comportamento do detector, mais concretamente ao nível da sua calibração, ao longo do tempo, de modo a possibilitar uma intervenção precoce caso esta se afaste do ideal (fig. 3). A análise dos resultados foi realizada através software Varian Portal Dosimetry v8.6 com recurso à analise gamma com critérios recomendados pelo fabricante (4%/4mm).

fig. 2 – Matriz de fluência conhecida usada na configuração e validação do algoritmo de predição de dose portal (PDIP).

fig. 3 – Exemplo da verificação da calibração do detector

Para concluir o processo simulou-se um caso clínico no sistema de planeamento Eclipse procedendo-se à sua validação com recurso à dosimetria portal. Esta validação foi também realizada com recurso a uma matriz de câmara de ionização PTW seven29 (fig. 4) incorporada num fantoma de material de densidade equivalente à água e a dosimetria fotográfica com películas Gafchromic EBT2 (fig. 5) também incorporadas no mesmo fantoma PTW. A análise dos resultados foi feita com recurso aos programas PTW Verisoft v4.0 (fig. 6) e RIT 113 v5.3 através da análise gamma com critérios 3%/3mm.

fig. 4 – Matriz de câmaras de ionização PTW seven29

fig. 5 – Película Gafchromic EBT2 impressionada

fig. 6 – Análise gamma efectuada no programa PTW Verisoft

Resultados e Discussão: Na avaliação dos resultados obtidos na primeira fase, constata-se que para o mesmo ângulo de gantry e para a mesma posição vertical do detector, o desvio máximo observado entre diferentes aquisições é de 1mm com ou sem retracção do detector. Verifica-se também, que os desvios observados para diferentes posições verticais do detector se mantêm semelhantes. Comparando os resultados obtidos com os diferentes ângulos de gantry face à posição 0º verifica-se que o desvio máximo observado é de 2mm na posição de gantry 225º com o detector na posição 80cm, sendo a média total dos desvios obtidos inferior a 0.5mm. Na segunda fase verificou-se que a concordância entre a imagem prevista e a medida se verifica para os critérios gamma já mencionados, embora com diferentes resultados em função da posição vertical do detector. Verifica-se que na posição 5cm se obtém a melhor concordância γ>1 (%) = 0.32, γ médio = 0.17 e γ Max = 1.47, verificando-se a pior na posição 40cm com γ>1 (%) = 1.05, γ médio = 0.24 e γ Max = 1.36. Quanto à calibração, verificou-se estável dentro de 5% num intervalo de 1 mês. Na terceira fase, verificou-se para o índice γ>1 (%), γ médio e γ Max uma boa concordância entre os três métodos, apresentando algumas diferenças atribuíveis às diferentes resoluções.

Conclusões: Da avaliação da reprodutibilidade do braço Exact Arm conclui-se que é reprodutível dentro de 0.5mm podendo em algumas situações (ângulos de gantry oblíquos e maiores distancias do isocentro) o desvio ser de 2mm face à posição 0º, sendo recomendável, para uma maior precisão, o alinhamento das imagens por aqui adquiridas. De acordo com o fabricante é também recomendável a retracção do detector sempre que se movimenta a gantry. O algoritmo PDIP revela-se capaz de produzir imagens para posterior validação com este método, tendo-se limitado o seu uso a distâncias face ao isocentro inferiores a 20cm. Quanto à verificação da calibração é recomendável a sua verificação regular já que apresenta alguma variação ao longo do tempo.

Considera-se, através dos resultados obtidos na comparação com outros 2 métodos, que a dosimetria portal se encontra em condições de ser implementada clinicamente, sendo uma ferramenta valiosa no controlo de qualidade especifico da cada doente. Contacto: hese@dosrad.pt

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