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MASSACRE DE IPATINGA O EPISÓDIO *Por Marilene Tuller

O episódio conhecido como Massacre de Ipatinga teve início no dia 6 de outubro. Naquele dia, pela manhã, trabalhadores aprovaram a proposta de aumento salarial apresentada pela Usiminas. Muitos estavam descontentes. À noite, quando da troca de turnos, ocorreram atritos na portaria da empresa. Por volta das 2 horas da manhã, violências foram cometidas por membros da PMMG nos alojamentos do bairro Santa Mônica. No dia 7 de outubro, revoltados com os acontecimentos no Santa Mônica, operários deram início a uma paralisação, reivindicando, dentre outras coisas, que os trabalhadores presos na noite anterior (cerca de 300 operários) fossem liberados. Diante da Portaria da usina juntaram cerca de 5 mil pessoas. Um caminhão transportando militares foi enviando para o local. Enquanto os trabalhadores manifestavamse, gritando palavras de ordem, ocorria uma reunião no Escritório Central, com a presença de representantes da empresa, da Polícia Militar e dos operários. Perdeu-se o controle da situação! Por volta das 9 horas da manhã, teve início o tiroteio. A PMMG atirou nos operários. Oito pessoas foram mortas e centenas foram feridas. O tiroteio ocorreu a partir da Portaria (próximo onde hoje está o Shopping) até a estação ferroviária. Quando sou questionada sobre o número de mortos, sempre afirmo que foram oito, pois são aqueles que existem provas – atestados de óbitos, que confirmam este número. Mesmo considerando-se este número, vale ressaltar que o Massacre de Ipatinga foi o episódio envolvendo operários, no estado de Minas Gerais, com maior número de mortos que se tem notícia.

Soldado minutos antes de disparar rajadas de metralhadora contra trabalhadores

Operários observam colega morto após confronto com militares

Eliane Martins, de três meses, vítima do massacre

No dia seguinte, o caminhão que havia transportado os policiais, foi totalmente queimado pelos operários, no bairro Horto. A cadeia no centro de Ipatinga foi destruída e os presos que lá se encontravam foram soltos. O prédio do “Forró do Juá”, estabelecimento localizado na zona boêmia da cidade foi destruído. Jornais do Brasil inteiro noticiaram os fatos, denominando-os de Operação Vingança. No dia 8 de outubro, nova reunião foi realizada, desta vez no bairro Castelo, tendo sido assinado o Acordo entre a Usiminas, a PMMG e os representantes dos operários. * Marilene Tuller é historiadora e autorora do livro “O Massacre de Ipatinga”


50 anos - Massacre de Ipatinga