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www.ctmad.pt Director: Jorge Valadares Director-ADJUNTO: António armando da costa

ano XVI N.º 128

Março 2012

notícias

Trás Montes &Alto Douro -os-

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106ºaniversário

publicação regionalista propriedade da casa de trás-os-montes e alto douro

O Auto da Criação do Mundo: Um Grande Momento Histórico © Leonel Brito

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representação do Auto da Criação do Mundo na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa a 14 de Janeiro, constitui um momento histórico de raro significado. Na verdade, a descida à Capital dum grupo de cidadãs e cidadãos de Mogadouro determinados a dar notícia dos seus hábitos culturais é motivo de regozijo para todos os transmontanos e alto durienses. Esta organização da Reitoria e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dos Centros de Tradições Populares Manuel Viegas Guerreiro, e de Estudos de Teatro da mesma Faculdade, com o apoio da Câmara Municipal de Mogadouro, e da nossa Casa, permitiu que a Universidade de Lisboa cumprisse o pensamento de Pedro Homem de Melo, e promovendo uma manifestação cultural popular, se elevasse ao nível do Povo, projectando-a na universalidade da Cultura.

© Luis Carlos Meleiro

1.ª Sessão das I Jornadas de Reflexão/Acção:

Assembleia Geral Ordinária:

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Um começo auspicioso

I sessão das Jornadas de Reflexão-Acção deu início a esta importante actividade de avaliação e questionamento da actividade da nossa Casa, fazendo o ponto da actividade passada, e procurando encontrar motivações para a projectar no futuro. Contámos com a colaboração preciosa do Professor Adriano Moreira, que nos falou abertamente do tema proposto, o Regionalismo, e das suas implicações conexas. Uma sessão verdadeiramente magistral que muito nos enriqueceu.

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Mais uma etapa vencida ntes de terminar Janeiro, a Sede foi palco legítimo de mais uma actuação consagrada pelas normas legais em vigor. Realizou-se a Assembleia Geral Ordinária. Foi a prestação de provas escrita e oral, para avaliação de mais uma etapa do percurso em que os Órgãos Sociais se empenharam por cumprir e superar. Não foi isenta de obstáculos. Uns venceram-se apenas em alegres salticos de boa vontade; outros foram e continuam a ser compromissos exigentes. A requererem, além do balanço à distância para o salto em altura, também a paciente e esforçada peleia para ganhar o passo em comprimento… Aprovados que foram os pontos em Agenda do dia 27, ficou a pairar no espírito dos que estiveram presentes (mas porquê só umas três dezenas?) um pouco de cor verde ainda esbatida por dúvidas justificadas pela falta de ‘velocidade’ de quem empata só para adiar, sabe-se lá por que razão…, a partida para almejada meta … Mas, reforçar a esperança, com maior vigor, foi e é a conclusão que se pode e deve tirar de quanto se passou ao consagrar os atletas da etapa.

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Próximas actividades ctmad 24 de Março: Dia de Montalegre na nossa Sede(ver programa página 08) (inscrições para o almoço até 21 de Março) 1 de Abril: Festa do folar e do azeite (inscrições para o almoço até 28 de Março) no Campo Pequeno 11 de Abril: Visita à Fundação Champalimaud (ver notícia página 02), limitada às primeiras 15 inscrições recebidas na sede 12 de Abril: Visita ao artesão Albano Silva (inscrições na sede até 9 de Abril) 20 de Abril: Jantar comemorativo do 25 de Abril (inscrições até 17 de Abril) 19 de Maio: Dia de Mirandela (2ª edição) Ver programa detalhado na próxima edição do NTMAD Reuniões de Direcção: 12 de Março e depois de 2 em 2 semanas às 2.as Feiras

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro é a mais antiga Associação Regionalista de Lisboa (alvará de 23 de Setembro de 1905) – Condecorações: Membro Honorário da Ordem do Infante Dom Henrique (21 de Abril de 2005); Ordem de Benemerência (5 de Outubro de 1931); Medalha de Honra da Cidade de Lisboa (20 de Julho de 2005) Pessoa Colectiva de Utilidade Pública (D.R. n.° 117, 11 Série de 22-05-1990) Campo Pequeno, 50 3.0 Esq. – Tel. e Fax 21 793 93 11 – 1000-081 Lisboa – E-mail: geral@ctmad.pt


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A atividade da CTMAD Visita à Fundação Champalimaud continua a ser intensa D

editorial

jorge valadares

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estes primeiros dois meses do ano de 2012 a Direção da nossa instituição prosseguiu a sua intensa atividade. Primeiro houve a necessidade de preparar a Assembleia-Geral ordinária, com a finalização do Relatório e Contas e do Plano de atividades para este ano. Enquanto tal sucedia organizámos como é da tradição o jantar de Reis que decorreu bem, embora contássemos com uma maior participação de associados. Estes estão sempre no nosso pensamento e, como tal, não nos sentimos completamente satisfeitos quando não os vemos comparecer em elevado número nos eventos que vamos organizando. No dia e hora amplamente anunciados decorreu a AG atrás referida e nela os associados presentes tiveram a oportunidade de apreciar o elevado número de iniciativas em que a CTMAD esteve envolvida, na Sede ou no exterior e como de um ano anterior com saldo de gerência negativo se passou a um ano com o referido saldo positivo, contrariando factualmente as vozes pessimistas que se levantaram na Assembleia Geral do ano passado. Puderam também constatar (passe o galicismo) que a Direção tem estado em negociações com a Câmara Municipal de Lisboa para resolver o intrincado problema da Nova Sede e que tem a fundada esperança de o resolver a muito breve prazo (quando comparado com aquele que decorreu desde o início do processo), sem alienar o património que constitui a nossa atual Sede, como alguns defenderam para comprar um outro espaço para assim resolver o bloqueio que ela tem constituído ao progresso da nossa instituição. Depois da Assembleia Geral começámos a cumprir mais uma das nossas promessas, as Jornadas de Reflexão – Ação sobre a nossa instituição. E que excelente forma de as inaugurar com a magistral con-

ferência do nosso prezado e brilhante associado Professor Adriano Moreira! A lição que nos deu sobre o regionalismo constitui um rationale precioso para o que se irá seguir e mostrou à evidência que num mundo cada vez mais global e desumanizado o regionalismo e a regionalização bem conduzida se tornam cada vez mais necessários. A CTMAD continua e continuará cada vez mais a ter uma razão de existir, mas terá obviamente que se ir adaptando ao mundo de hoje. E se a juventude não vem ao nosso encontro, teremos nós de ir ao encontro da juventude. E esta afirmação leva-me a referir o terceiro importante evento já deste ano em que participámos: a Mostra de Cultura Popular, na Escola Secundária José Gomes Ferreira em Benfica. Assim, foi com muita alegria que estive presente, juntamente com outros membros da direção, numa das escolas maiores e de maior sucesso educativo no país, colaborando para a valorização cultural dos seus jovens alunos. A CTMAD, acompanhada por produtores e artesãos transmontanos e alto durienses por ela convidados, estiveram presentes com espaços de exposição e venda de livros, filmes e produtos provenientes da nossa região natural, ao lado de espaços de exposição e venda de produtos de outras regiões da metrópole e ilhas por grupos de jovens estudantes dessa Escola. Que interessante e verdadeiramente significativo este convívio com jovens que permitiu assistir a danças regionais por alunas e alunos da Escola e logo a seguir ouvir um grupo de concertinas de transmontanos e seus amigos e um grupo de cordofones da PT interpretar peças regionais também. Só não entendo como casas regionais que alguns associados nossos dizem viver melhor do que nós não comparecem a iniciativas como esta, quando convidados como nós fomos. Será que vivem mesmo melhor?

ESTIMADO ASSOCIADO VENHA FAZER O SEU JANTAR DE CONVÍVIO NA NOSSA SEDE. EMENTAS TRANSMONTANAS

CARO ASSOCIADO COMERCIANTE/INDUSTRIAL

divulgue a sua actividade a todos os nossos leitores ANUNCIE NO NOSSO JORNAL

Deposite as suas quotas e os seus donativos na conta da CGD com o NIB

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Precisamos de quotas pagas. Envie o talão de transferência para a CTMAD. Apoie a Nossa Casa

e acordo com o plano de actividades para o corrente ano, a CTMAD contactou a Fundação Champalimaud no sentido de ser proporcionada uma visita guiada àquele prestigiado organismo de carácter científico. Após algumas diligências conseguiu-se uma visita para um grupo de apenas 15 pessoas, já que as visitas estão muito restritivas, depois de ter sido aberto o centro clínico daquela instituição. Mas esse grupo terá oportunidade de, entre outros aspectos, saber o que se faz de mais avançado no mundo sobre a investigação da cura do cancro, de visitar os laboratórios de neurociências, etc, para além de ver o belíssimo edifício sobre o Tejo, apreciar os seus jardins e tomar uma bebida no bar Darwin. Para essa visita deverá obrigatoriamente inscrever-se na CTMAD por telefone, pessoalmente ou email. As inscrições serão por ordem de chegada, limitadas a 15 sócios com as quotas em dia (2012). Não podemos aceitar acompanhantes de sócios, a menos que (caso improvável) não haja 15 interessados. Atingido aquele número, far-se-á uma lista de espera. Pede-se por isso aos sócios que estejam

inscritos para a visita e que, por qualquer motivo, desistam o favor de o comunicar à secretaria da CTMAD, a fim de a sua vaga poder ser preenchida. A Fundação Champalimaud fica na Av. Brasília s/n.º (a Belém) e a melhor maneira de lá chegar é de automóvel, se bem que haja um autocarro da Carris (n.º 98) que parte de Algés de meia em meia hora. O ponto de encontro será na entrada da Fundação às 15:15 h. Caro consócio não deixe perder esta oportunidade única desta visita! Carlos Cordeiro

A presença da CTMAD numa Mostra de produtos e de tradições das várias regiões do país

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ecorreu na Escola Secundára José Gomes Ferreira, em Benfica, no dia 17, sexta-feira, com início às 09:30 horas, uma Mostra de produtos e de tradições das várias regiões do país. A CTMAD foi a única CASA representante de uma grande região natural que marcou presença nesse evento, prestando uma colaboração muito apreciada e agradecida à organização do evento. Para além da CTMAD, participaram também a Casa da Comarca de Arganil e a Associação dos Artesãos da Região de Lisboa. À nossa instituição foi destinado um espaço, logo à entrada para o evento, onde expusemos e vendemos livros, compotas, vinhos e outros produtos. Propusemo-nos e criámos as condições para se poder assistir à exibição dos filmes “Um Reino Maravilhoso”, “Douro nos caminhos da literatura – “Miguel Torga” e “Douro nos caminhos da literatura – “Guerra Junqueiro”, mas as condições sonoras do espaço não permitiram que tais filmes fossem vistos e apreciados, sendo este um dos dois aspetos menos conseguidos pela organização, na minha perspetiva. Mas, além do que expôs e vendeu, a CTMAD proporcionou à Escola a presença do Mestre Albano Silva, natural de Vila Pouca de Aguiar, cujos modelos etnográficos em escala reduzida (da velha sala de aulas, do carro de bois com a dorna de uvas, etc.) foram muito apreciados. E proporcionou também as presenças de um fabricante/expositor de fumeiro de Vinhais, um outro de folares de Valpaços e um terceiro com folares e pastéis de Chaves, estes preparados na hora em forno trifásico. Foi ainda por nosso intermédio que se tornou possível a presença de

um grupo de concertinas de uma escola dedicada a esse instrumento dirigida por um transmontano e do Grupo de Cordofones Portugueses do Clube da Portugal Telecom, com cujas atuações se encerrou o evento. Ao longo de todo o dia houve um desfilar de trajes regonais nos corpos de alunas e alunos da Escola, que os usaram não só para os dar a conhecer melhor aos colegas citadinos, mas também para darem maior realismo a danças diversas que exibiram, tais como o Regadinho, do Norte do País, o Saraquité, da Estremadura, a Erva Cidreira, do Ribatejo e o Tacão e Bico do Alentejo. Estava também previsto no programa que uma turma exibisse uma dança de Pauliteiros de Miranda, mas possivelmente porque não é fácil ensaiar uma tal dança de modo a não correr riscos... os presentes não tiveram o prazer de apreciar tal dança espetacular. Apreciei a dedicação e entusiasmo com que os jovens expuseram e venderam diverso artesanato desde o Minho aos Açores, bem como deram a provar e venderam produtos gastronómicos de várias regiões do país, uns oferecidos por fabricantes das respetivas regiões e outros produzidos pelos próprios ou seus progenitores naturais de vários distritos do país. Se hoje em termos educacionais se defende que as escolas não se devem limitar aos conteúdos programátcos e seu ensino académico, como outrora, mas a abrir o espírito dos alunos à cultura nas suas mais diversas formas, este evento foi um contributo para esse objetivo formador numa das melhores escolas públicas portuguesas. Jorge Valadares


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Festa dos Reis na CTMAD A

Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa existe há 106 anos para promover o convívio e encontros permanentes com as pessoas das nossas terras. É um facto que todas as Direções têm levado muito a peito, desde que há cerca de 40 anos ali me filiei como sócio e à qual tenho dedicado todo o meu empenho e muito do meu esforço. Anteriormente também acontecia a mesma coisa. Foi exatamente no dia seis de Janeiro que celebramos os REIS na casa, à semelhança do que tem acontecido em todos os anos. Na consoada, para celebrarmos em conjunto o Natal, junta-se sempre muita gente, mas nos Reis aparece na maior parte das vezes relativamente pouca gente e isto faz-me alguma pena, porque há um esforço muito grande de todos, para bem receber e afinal poucos aproveitam. Não quero discutir, nem enumerar as razões porque tal acontece, mas factos são factos e contra isso não há argumentos. Desta vez sucedeu festa rija, como sempre, com todos os que compareceram e fizeram um esforço por dar o seu melhor. Estiveram os mais persistentes, corajosos e amigos. Já nem me lembro do menu, mas o mais importante é o convívio e o estarmos em família uns com os outros. Nesse ponto não se ficou nada por meias tintas. Desta vez registei com muito prazer e agrado a cooperação da Sra. D. Maria de Lurdes Amaro, que trazia um reportório de letras de Reis, cantados em diversos lugares, de fazer inveja a qualquer artista. Depois o Serafim foi ajudando dentro daquilo que foi possível e

das músicas que também conhecia e fez-se festa até às 23 da noite e ainda um pouco mais esticada. Lamento só a ausência de tantos amigos de Vila Marim e arredores de Vila Real ou mesmo de Chaves e Valdanta, as minhas duas terras de eleição. Deveríamos aparecer ao menos para dizer que ainda estamos vivos e nos recomendamos. É altura de nos cumprimentarmos e de falarmos uns com os outros do que é nosso e dos nossos projetos e até reformas. É claro que se gasta algum dinheiro, nada se faz sem ele, mas, quando partirmos para o além, não levaremos nada conosco a não ser as nossas boas obras e momentos de alegria. Com as nossas idades todos temos alguns problemas, alguns achaques, mas o dinheiro só serve como moeda de troca de outras coisas mais valiosas e reconfortantes. Mesmo do pouco, com boa vontade, podemos fazer render o peixe. Vá lá não sejam forretas, a vida é bela e temos de a saber valorizar cada vez mais e não darmos tanta importância ao que é secundário e passageiro. Onde estão os setecentos e cinquenta mil transmontanodurienses que estão pelas redondezas de Lisboa? Venham às festas, convivam e mostrem que têm raízes de transmontanos que ainda não apodreceram. Todos juntos formamos um povo, uma nação e um estilo à nossa maneira. Viva Trás-os-Montes! Há tanto tempo que não vejo muitos dos meus bons amigos e tenho mesmo saudades, podem crer. Vocês não têm? Pois eu gosto muito de os ver a todos. Serafim Sousa

I Jornadas de Reflexão/Acção:

A Conferência do Professor Adriano Moreira sobre Regionalismo

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propósito de ter ido ouvir o Professor Adriano Moreira à Casa de Trás-os-Montes, de Lisboa, no passado dia 6 de Fevereiro, sempre pensei que Regionalismo é simplesmente a defesa dos interesses de uma região. O Presidente da CTMAD, Prof. Jorge Valadares, anunciou esta iniciativa como um ciclo de sessões de reflexão/acção sobre o papel das Casas Regionais na sociedade e de tentar perceber se se mantêm as razões que justificaram a sua fundação ou se nestes novos tempos há que procurar reorientar a sua estratégia e as suas actividades. O Prof. Adriano Moreira, na sua intervenção, partiu do geral para o particular, abordando a temática da Globalização e dos perigos que a espreitam, por não haver liderança. Debruçou-se sobre a crise europeia e do comportamento do actual directório Merkel-Sarkozy, sem visão de longo prazo e sem entendimento da História, dizendo que os povos do Sul (mediterrânicos) nunca destruíram a Europa, enquanto os do Norte a destruíram duas vezes, e criticou ainda a acção de outros directórios como o G7 dizendo que as grandes decisões deviam ser do foro do G194 (leia-se ONU). Na abordagem da situação nacional criticou as políticas que conduzem ao abandono do interior, à desertificação e, bem assim, as políticas de empobrecimento e de perda de direitos indiscutíveis, afirmando que “a fome não é um dever constitucional”, para concluir que esta situação de grande carência da população “pode desencadear turbulência”. Relativamente à desertificação do interior lembrou a Lei das Sesmarias, de D. Fernando, que foi uma intervenção no sentido de atenuar as graves consequências da crise do séc. XIV na agricultura portuguesa. Com esta legislação procurou o rei tabelar os salários e fixar os camponeses à terra, combater a mendicidade e penalizar fortemente os proprietários que abandonaram as terras. Aqui deixou cair uma afirmação forte dizendo: “se eu não pisar a terra, a terra não é minha”. Mas foi reconfortante ouvir o sábio afirmar: “A crise do Estado não implica que seja acompanhada da crise de identidade nacional”. Ou seja, o Estado pode falir e a Nação continuar. Ora é aqui que se deve colher a lição para uma conclusão reflexiva sobre o tema proposto nestas jornadas. A identidade da Nação

preserva-se cultivando as suas raízes, a sua língua e o respeito pelos seus diversos falares, as tradições, os usos e costumes, a literatura, o cancioneiro, as artes e a música. Então os fundamentos justificativos das Casas Regionais mantêm-se intactos. O desafio que se coloca é então o de promover actividades motivando uma participação mais alargada e não só dos mais velhos, mas também, e principalmente, dos mais jovens. Independentemente de algumas tristes figuras públicas que mancham as nossas marcas identitárias, temos razões para continuar a orgulharmo-nos da nossa condição de transmontanos, como povo que cultiva a honestidade, a hospitalidade e a solidariedade. Relativamente ao “desvio” que, durante a fase de debate, aconteceu com a introdução, talvez extemporânea, da Regionalização, vale a pena precisar estes dois conceitos. Regionalismo é um conceito sociológico e histórico, que tem a ver com a identidade de uma comunidade. Regionalização é um conceito político, administrativo e económico, que tem a ver com a gestão da cousa pública. A Regionalização divide-nos, enquanto o Regionalismo nos une. Mas também neste tema o Professor afirmou que, quando os políticos introduziram esta questão na praça pública, ele esteve contra, como aliás a maioria do povo português, pelo receio de que os vícios do Estado se propagassem ao interior do País, opinião que agora pode ter mudado porque as circunstâncias são outras. Uma das vantagens desta crise é que a prática do poder político está a tornar-se mais transparente e a corrupção pode estar a ser encarada com mais veemência. Também o desenho inicial do país numa multiplicidade de regiões parece hoje abandonada e a prática de uma região-piloto, durante alguns anos, antes de uma decisão definitiva, podem ganhar os portugueses para esta causa. Vale a pena recordar que o poder local foi uma das conquistas mais importantes do 25 de Abril. E que um euro gasto localmente tem um efeito multiplicador relativamente ao mesmo euro gasto pelo poder central. Jorge Sales Golias (Nota: esta é uma versão reduzida deste artigo. A versão completa pode ser vista em www.ctmad.pt)

Assembleia Geral de 27 de Janeiro

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Mudar a ‘modalidade’ do salto em comprimento por um salto em altura é uma opção de ‘especialistas’. Não é que se pode ser campeão de uma e de outra destas modalidades? (Leiam-se Vivenda nos Paços da Rainha e Prédio de vários pisos no Ferragial, a Santos). O voto de confiança que a Assembleia outorgou a quem vai continuar as diligências para a negociação definitiva do tão ambicionado espaço para a nova Sede, é bem a manifestação do mais que ardente e quase desesperado desejo, à mistura com algum desencanto, por tardar a ver-se luz ao fundo do túnel. Mas também ficou clara a intenção e aceite o desafio de serem apresentadas as remodelações que, a curto prazo, actualizarão os Estatutos, para serem instrumento dinâmico e dinamizador da nossa centenária e modelar Instituição. Da apresentação do Plano das Actividades, para o ano já em curso, ficou a listagem e a agenda estimulante que a todos deve envolver. Todos. Mesmo TODOS: Associados pagantes das quotas, seus familiares, jovens deslocados das suas/nossas terras, estudantes universitários ou não, todos os transmontanos e altodurienses ainda não associados que amam as suas raízes e delas queiram preservar, desenvolver e dar testemunho de imperecíveis valores… e, sobretudo, disponíveis entusiastas, liderando, apoiando as iniciativas, protagonizando-as, em espírito de equipa. Já verificaram, amigos leitores, que uma corda é tanto mais forte, quantos maior for o número de fios que a compõem? Vamos ‘enrolar’ mais cordéis, dar à ‘guita’ a força que faz mover vontades. Vamos dar as mãos, formar corda humana de mente e coração por um transmontanismo sadio e activamente ‘operativo’, mesmo que incómodo, na Capital… Há outras etapas para vencer. Só unidos e organizados se chega à meta. AGP (Zé de Murça)

Sabia que… 10% de bónus

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e o caro associado tem idade igual ou superior a 65 anos e é cliente particular da TMN, então usufrua (caso desconheça esta facilidade ou ainda não a tenha requisitado), de 10% de bónus em carregamentos ou em desconto na mensalidade da factura daquele operador. Como fazer? Vá a www.tmn.pt, preencha o formulário, anexe fotocópia do seu BI e envie para a morada lá indicada. Ou então dirija-se a uma loja TMN munido do seu BI e o resto será tratado pelo recepcionista. A adesão é gratuita. No prazo máximo de 72 horas receberá um SMS a confirmar o bónus. Aproveite, nestes tempos de crise! Carlos Cordeiro


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Retalhos... de Burel e Ouro Armando Jorge e Silva

Vilar de Maçada/Alijó

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o domingo, dia 5 de Fevereiro, ao sol da tarde, na presença de autarcas e populares foi lançada a primeira pedra do Lar de Idosos, um equipamento social há muito necessário e, seguramente, muito desejado. O Presidente da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo, cimentou a primeira pedra e afirmou que aquele gesto culminava o projeto de uma década. O Lar de Idosos ocupará uma área de 1.800 m2, terá 20 camas, custará um pouco mais de um milhão de euros, a pagar pelo POPH, Câmara, Junta de Freguesia, CSRC local. Em 2013, receberá os primeiros utentes. Em Dezembro do ano findo, na C. M. de Alijó, foi lançado o livro “Vilar de Maçada. Passado e Presente”. É seu autor um natural da terra, Arq. Pinto de Sousa, pai do Eng. José Sócrates. Desse livro respigámos: Em 1220, a terra já era paróquia com o nome de “Santa Maria de Vilar de Mazada” pertencendo a Panóias. O recenseamento de 1530 indica o número de 127 habitantes. Entre 1840 e 1853 foi sede de concelho, função que perdeu com a reforma administrativa liberal. Sob proposta assinada pelos deputados socialistas José Sócrates, Eurico de Figueiredo e António Marinho recuperou, em 1993, na Assembleia da República, o estatuto de vila. Entre as pessoas nascidas nesta terra, duas foram Presidentes do Governo da Nação, o Barão da Ribeira de Sabrosa, Rodrigo Carvalhaes, no tempo de D. Maria II e, mais recentemente, o Eng. José Sócrates. De V. de M. era Martim Gonçalves de Macedo, herói nacional, a quem o rei D. João I concedeu o privilégio de ser sepultado no Mosteiro da Batalha com uma lápide onde pode ler-se “Aqui jaz Martim Gonçalves de Maçada que salvou a vida do Snr. D. João I na batalha De Aljubarrota”. Alguns edifícios de interesse histórico, ruas típicas, excelentes paisagens vinhateiras e apenas a 10 quilómetros do IP4, (A4), Vilar de Maçada bem merece uma visita. Amigo leitor, vá. Em aparte, marcado com o selo da curiosidade, se informa que o escrevinhador destes Retalhos de Burel e Ouro nasceu em Vilar de Maçada no edifício escolar que a fotografia mostra.

Padaria

Tresminas – Museu Arqueológico

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esde o dia 6 de Fevereiro que a freguesia de Tresminas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, tem oficialmente o primeiro Museu Arqueológico ao Ar Livre, em Portugal. Nesse dia, o presidente da EXARC (Organização Europeia de Museus ao Ar Livre e Arqueologia Experimental) o holandês Jack Veldman visitou o local, que classificou de “único”, e oficializou a entrada de Tresminas na organização composta por vinte e cinco países e se destina a prestar apoio mútuo às iniciativas do género. Tresminas fica situada no planalto aurífero da serra da Padrela. O ouro foi neste local extraído, a céu aberto, desde os tempos protohistóricos, mas foram os romanos que durante alguns séculos (desde meados do séc I, a.C. até finais do séc.II,d.C.) o exploraram mais intensamente. Nestas minas trabalharam milhares de escravos de muitas gerações que abriram poços, galerias, túneis e levadas. Esses trabalhos chegaram até nós. Agora, depois de recuperadas as casas da povoação e abertos os acessos, podem esses trabalhos e empreendimentos ser visitados e recordados. A autarquia de Vila Pouca de Aguiar, terminada a primeira fase de recuperação e oficialização, pretende dar, a seu tempo, novo passo em frente e candidatar o Museu Mineiro de Tresminas a Património Histórico da Humanidade.

Acontecimento inesperado

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a Régua, capital do Douro Vinhateiro, o inesperado aconteceu. A cidade pasmou. A notícia foi veiculada pelos media para o país inteiro. Uma criança de dois anos apenas, a brincar na marquise da casa, caiu do 9º andar do prédio mais alto da cidade e não morreu. Diz o bombeiro que a recolheu que uma “inesperada” rabanada de vento a desviou durante a queda fazendo com que caísse, não no cimento do chão, mas em cima de um montão de areia coberto com plástico. Transportada no helicóptero do INEM

Pastelaria

Fundada em 1942 Fazemos entregas Rua Guilhermina Suggia, 19 - C-D • 1700-225 - Lisboa Tel.: 218 482 113 | Fax: 218 471 425 | Telm.: 963 038 830 e-mail: geral@panificadoraareeiro.pt

para o hospital, no Porto, o Diogo, assim se chama a criança, apresentava leve traumatismo craniano e pequenas fraturas nos membros inferiores. No dia em que escrevemos, o Diogo continua internado com vida e a “situação é estável” Diz o povo na sua sabedoria milenar: “ao menino e ao borracho, põe-lhe Deus a mão por baixo”. Será que a mão de Deus estaria mesmo escondida naquela areia para proteger o pequeno Diogo?

Parques de Ciência e Tecnologia

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o ano passado, em Julho, foi assinado um contrato de financiamento no valor de 19 milhões de euros para a criação do Parque da Ciência e Tecnologia, em Trás-os-Montes e Alto Douro. Tudo faz crer que o projeto vai entrar em fase de construção dentro de algumas semanas. O PC&T terá dois pólos, um Régia-Douro Park, localizado em Vila Real, sob a orientação da UTAD e outro, Brigantia EcoPark associado ao IPB. Os parceiros envolvidos no projeto, entre os quais a associação PortusPark, autarquias e agentes do ensino superior, acreditam que o projeto vai criar mais de mil empregos diretos e, o que é mais importante, irá concorrer de forma decisiva para o desenvolvimento da região. Todos nós desejamos que assim seja, embora sejam legítimas as reservas daqueles que causticados por tristes exemplos passados preferem esperar para ver.

Envelhecimento ativo e solidariedade entre gerações

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ste foi o lema escolhido para o Ano Europeu de 2012. O envelhecimento da população europeia é um acto adquirido. Os idosos aumentam, os jovens diminuem. Para atenuar os efeitos desta demografia desastrosa, as instituições internacionais propõem políticas tendentes a envolver os idosos em ocupações válidas e estabelecer laços mais solidários entre as várias gerações. Foi no âmbito desta política social que nasceram as Universidades da Terceira Idade. O objetivo a conseguir é o enriquecimento cultural do

idoso, o aumento da estima pessoal, o combate à solidão. Existem no distrito de Vila Real cinco Universidades Seniores em funcionamento: Vila Real, Valpaços, Peso da Régua, Vila Pouca de Aguiar e Sabrosa (que envolve também Alijó e Murça) por ordem de antiguidade. Estas universidades são frequentadas atualmente por 300 alunos. A Universidade Sénior de Valpaços tem presentemente matriculados 160 alunos empenhados num programa cheio de atividades. Nos primeiros dias de Março, a Universidade Sénior Valpacense vai organizar o Encontro das Universidades da Terceira Idade de toda a Região Norte. No País estão ativas 170 destas escolas. No distrito de Bragança, as primeiras e previsíveis universidades de Mirandela e Macedo de Cavaleiros encontram-se ainda na fase da sensibilização.

Tabuaço: Conferências sobre o Douro

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o âmbito das comemorações dos 10 anos do Douro como Património Mundial, a Câmara promoveu conferências sobre a Região subordinadas ao tema: “Que Douro na Próxima Década – Paisagens e Cultura”. No dia 27 de Janeiro, na Qta do Seixo. Foram conferencistas as arquitetas Teresa Andersen, da Universidade do Porto, Paula Silva, da Direção Regional do Norte e o arquiteto Álvaro Siza Vieira. Ficou claro que o Património Duriense é património único, que as suas paisagens geográficas e humanas são fonte inesgotável de inspiração e desafio para grandes realizações. Mas, apesar dos avanços conseguidos, reina a convicção de que se tem andado devagar e nem sempre bem. Na altura foi apresentado e distribuído aos presentes o primeiro Guia Turístico do Douro que cobre os 19 concelhos abrangidos pelo Turismo do Douro. O Guia apresenta ampla componente fotográfica, itinerários, informações e mapas. Escrito em versão portuguesa e inglesa. Está disponível, a partir de agora, nos postos turísticos durienses.


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Retalhos... de Burel e Ouro Fumeiros TMAD

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XXI Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso, em Montalegre, deste ano, “foi a melhor de sempre” no dizer de Fernando Rodrigues, Presidente da Autarquia. Os números são elucidativos: cerca de 50.000 visitantes, 90 produtores presentes, mais de 620 presuntos vendidos, 26,5 toneladas de fumeiro e milhares de quilos de outras carnes transacionadas, cerca de dois milhões de euros faturados. Um êxito que obriga a preparar, desde já, a XXII Feira. Em Chaves, a Mostra de Sabores e Saberes, que vai na 7.ªedição, apresentou e comercializou produtos regionais cujo volume de negócios esteve dentro das expetativas da organização. Ao pastel de carne, ao folar, à batata, couve penca e presunto, produtos de Chaves, juntou-se o artesanato regional e nacional representado por 39 artesãos. Do setor agroalimentar contabilizaram-se 39 expositores. Daniel Campelo, Secretário de Estado, visitou a Mostra. Desde o início da realização da sua Feira que Vinhais se autotitulou como “a capital do fumeiro”. Ao longo dos anos, seguindo um programa estratégico sólido e mantendo-se firme nas ações apostou na qualidade e higiene dos produtos cofecionados, criou novas estruturas, respondeu com eficácia às necessidades emergentes, bateu a concorrência, garantindo mesmo o direito ao título de Capital do Fumeiro. A 32.ª Feira do Fumeiro, realizada entre 9 e 12 de Fevereiro, saldou-se pelo sucesso costumeiro que já não surpreende. No dizer dos responsáveis, as 40 toneladas normalmente vendidas em tempo da feira representam apenas dois a três por cento do comércio efetuado ao longo do ano. Criou-se na região uma cadeia certificada do produto carne de porco que é hoje um fator de dinamismo económico e de riqueza para a terra. Existem 150 unidades de criação de suínos bísaros, a matéria prima, 20 pequenas fábricas devidamente equipadas, apoiadas e fiscalizadas, 80 produtores licenciados, 70 unidades de transformação que garantem a quantidade e a qualidade do fumeiro. O salpicão foi coroado há muitos anos como o Rei do fumeiro de Vinhais. Viva EL Rei! Milhares de visitantes estiveram no local de exposição que ocupa uma área de 25.000 m2 e nele expuseram os seus produtos 83 produtores de fumeiro e 45 expositores de outros produtos regionais como vinho, mel, queijo, azeite, frutos secos e doces. Entre os visitantes é habitual encontrar algumas figuras públicas e este ano lá estiveram a Ministra da Agricultura Dr.ª Assunção Cristas, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas e o Secretário Geral do Bloco de Esquerda, Dr. Louçã. Recheado programa de diversão e lazer tornou estes quatro dias de sol numa verdadeira romaria em honra do Santo Fumeiro de Vinhais.. Nos dois últimos fins de semana de Fevereiro e no primeiro fim de semana de Março, a Alheira de Mirandela, que já é uma das Sete Maravilhas Gastronómicas do País, terá em Mirandela honras de Rainha, com a organização da Feira da Alheira. O certame vai contar com a presença de 100 expositores que além das alheiras apresentarão para venda outros produtos da terra, mel, vinho, azeite, doçaria, caça … Já na raiana e alcandorada cidade de Miranda do Douro, nos dias 17 a 20 de Fevereiro, os pro-

dutos regionais derivados do porco e, com igual destaque a carne da vitela mirandesa e do cordeiro mirandês estiveram em destaque na festa dos Sabores Mirandeses. Entre os sabores que deliciaram a alma gulosa por doçaria figuraram os roscos, sodos, dormidos, a bola. Como se confirma pelo exposto, o Fumeiro é na nossa terra verdadeira fonte de riqueza.

Três novas travessias rodoviárias no Sabor

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m tempo curto, serão lançadas as obras da travessia do rio Sabor com três novas pontes. Duas, no concelho de Mogadouro, ligando as estradas nacionais 216 e 217, substituirão a ponte de Remondes que vai ficar submersa pela albufeira da barragem e uma terceira, no concelho de Alfândega da Fé, com a extensão de 177 metros, sobre a Ribeira de Zacarias. As obras com a construção das plataformas já começaram e, segundo os cálculos feitos, estarão prontas antes dos fins de 2013, quando se iniciar o enchimendo barragem. A EDP, responsável pela obra, avalia os custos das três pontes em 18 milhões de euros

Amendoeiras em flor

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stamos na época em que as zonas do Douro Superior e Terra Quente Transmontana são mimoseadas pela natureza com o manto branco e róseo das amendoeiras em flor. Cartaz turístico de beleza rara que atrai milhares de pessoas sedentas por colher na natureza o belo que lhes garanta felicidade. Atentas a essa necessidade e na esperança de recolherem vantagens para as suas terras, as autarquias da região têm, cada vez mais nos últimos anos, conjugado esforços para proporcionarem aos visitantes agradável visita que desejam prolongada. Este ano as condições climatéricas retardaram a floração das amendoeiras. Algumas autarquias, como Vila Nova de Foz, apesar da crise continuam a abrilhantar as festas com iniciativas novas, e já outras, como Mogadouro e Freixo, se mostram indisponíveis para se envolverem em novas despesas cujo retorno seja incerto. Em qualquer dos casos, as amendoeiras em flor serão sempre uma encantadora prenda da natureza anunciando a Primavera e um cartaz turístico da região transmotanoduriense.

Carnaval Transmontano

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edijo esta nota precisamente em dia de Domingo Gordo. Isso faz-me recuar aos tempos de minha infância em Ervões/Valpaços, quando o Carnaval começava ao almoço com uma feijoada de feijão graúdo ou peludo e as orelhas do porco reservadas para este dia. Pela tarde, havia sempre alguém que se mascarava, normalmente eles de mulher, elas de homem, que percorria as ruas com a pequenada atrás, em correrias, a fazer de mafarricos. Rapazes e raparigas aproveitavam as liberdades do dia enfarinhando-se mutuamente. O diabo indesejado aparecia quase sempre na figura do “cinzeiro” vestido com serapilheira, cuidadosamente mascarado, que transportava consigo uma saca com cinza e atirava às pessoas e para

dentro das casas. Por vezes, os cinzeiros refinavam a diabrura misturando formigas à cinza. A figura central, mais barulhenta e temida era o careto. Estes caretos vestiam blusão (se possível) de pele, usavam botas e polainas, calças justas, tinham máscara de papelão pintado a vermelho vivo no rosto e boina galega na cabeça. Na extremidade de um pau com cerca de dois metros (a mangueira) prendiam um odre de cabra utilizado para o transporte de vinho ou azeite que enchiam de ar e, assim equipados e mascarados, percorriam as ruas perseguindo com odradas no chão, nas escadas, nas varandas, a rapaziada que fugia amedrontada. Terminada a folia carnavalesca entrava-se em “rigoroso” período quaresmal até chegar a festividade da Páscoa. Feita esta evocação “histórica”, regressemos ao presente. Tenho conhecimento de que os “diabos carnavalescos”, com ou sem tolerância de ponto, vão continuar a andar à solta um pouco por toda a região. Hoje, predominam os cortejos, os mascarados, os bailes, almoços e jantares. Assim, por exemplo, a vila de Vilarandelo, vizinha de Ervões, sob a responsabilidade de uma Comissão amestrada, chamada “Os Maltezes”, apresenta um programa para os três dias que mete vários grupos de bombos, grupos de música pop, morteiradas para despertar, bailes de máscaras, vistoso, divertido e monumental Desfile, acabando com o Enterro de Entrudo. Um pouco mais para leste, nas terras de Macedo de Cavaleiros continua a jogar-se o “mais genuíno Carnaval português”, o Entrudo Chocalheiro. Os Caretos de Podence são as figuras principais do Entrudo Chocalheiro que levam à região milhares de visitantes. Escondidos nas suas coloridas indumentárias, mascarados com máscaras de lata, prendendo à cintura vários chocalhos vão, como demónios, pelas ruas tentando e chocalhando as raparigas novas, e também as menos novas, que em tempo de Carnaval “todo les é perdonado”. que envolve praticamente toda a comunidade Espera-se que o desfile na vila de Macedo de Cavaleiros venha a ser um sucesso de alegria e boa disposição.. Aguardemos para saber. Do Carnaval em Torre do Moncorvo, gozado com grande animação por pequenada e gente crescida, dão testemunho as fotos publicadas. Carnaval para todos os gostos.

Retalhinhos Um jornalista americano andou pelo Douro, viu o que quis, admirou paisagens, falou com as gentes, bebeu dos vinhos, saboreou a gastronomia, inteirou-se das realizações e projetos. Em Janeiro, publicou um abonatório artigo no jornal The New York Times onde resume a sua admiração escrevendo: “A Região do Douro, tanta coisa em seu favor…” Decorreu em Justes, no concelho de Vila Real, por iniciativa de uma associação local, um concurso de espantalhos. Foram apresentados 80 curiosos espantalhos feitos com material velho e reciclado. Para o efeito a aldeia foi dividida em quatro zonas e cada zona apresentou 20 espan-

talhos. Uma bela e divertida ideia que pode ser utilizada com sucesso para outros fins. Por exemplo. Por que não cobrir Portugal, de norte a sul, de leste a oeste, com espantalhos, muitos espantalhos, fazer de Portugal um espantalho? Talvez fosse possível afugentar de nossas hortas e searas certos passarões que “comem tudo, comem tudo e não deixam nada” . No dia 26 de Janeiro, nas obras da Barragem do Tua, o deslizamento de terras e pedras provocou um grave acidente de trabalho arrastando três operários que perderam a vida. Na semana seguinte, uma explosão efetuada na margem esquerda do rio feriu com estilhaços de pedra dois operários que trabalhavam na margem direita, um dos quais com gravidade que foi levado para o hospital de Vila Real onde se mantém internado. O caso obrigou à suspensão das obras e mereceu uma visita de deputados do Parlamento. O Teatro de Vila Real nos 273 espetáculos que apresentou durante o passado ano de 2011 recebeu 57.436 espetadores o que representa uma assistência média de 89% de ocupação das salas. A Academia da UTAD vai festejar a Semana Académica entre 19 e 25 de Abril. No dia 19 do mês de Fevereiro foi a vez da “Mostra do Caloiro”, a seguir veio a “Festa do Carnaval” no dia 20 e depois de tanta festa, entre 12 e 16 de Março haverá lugar para a “Semana da Cultura” O canal televisivo da UTAD vai reiniciar as suas emissões regulares às 16 horas de quartas feiras. Transmite através de um canal do MEO Com fundos europeus, integrado no Projeto Fluvial da EU foi possível requalificar cinco moinhos antigos existentes no Parque Urbano do rio Fresno, em Miranda do Douro. A freguesia de Urrós/Mogadouro prepara museu etnográfico. A Junta adquiriu uma velha casa arruinada, recuperou-a e nela armazenou o material já existente. As gentes da terra vão doar outros objetos. Depois de recolhidos e reparados serão museologicamente expostos para servirem às gerações futuras de testemunhos de vida das gerações passadas criando entre elas um elo histórico ininterrupto de memórias e afetos. Em Torre do Moncorvo, numa iniciativa da Câmara, realizam-se os Jogos Desportivos Concelhios entre os dias 01 e 25 de Abril. Futsal, ténis de mesa, sueca, dominó, pesca desportiva, são as modalidades em disputa. As inscrições abriram. A diocese de Lamego tem novo bispo. No dia 5 de Fevereiro, na Sé Catedral da cidade, tomou posse D. António Couto. Tem 59 anos e veio de Braga, onde, desde 2007, era bispo auxiliar. A diocese de Lamego conta com 140.000 católicos e é a única diocese territorial do país cujo nome não corresponde ao nome da capital de distrito. No dias 25 e 26 de Fevereiro e 03, 04 de Março, com grande variedade de atividades, aproveitando as riquezas culturais da região duriense, celebrou-se a Festa dos Saberes e Sabores do Douro, em S. João da Pesqueira.


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O Canto do Editor

Os “Dias D” na CTMAD

António Armando da Costa

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apresentação do portal da Casa na Assembleia-Geral Ordinária de 27 de Janeiro constituiu um acontecimento histórico. Na verdade hoje é voz corrente que quem não pertence à Internet não existe, e embora a Casa já estivesse no FACEBOOK, faltava-lhe um portal. Ele aí está: www.ctmad.pt. Agora só falta que os sócios da Casa se registem no portal, para terem acesso a todas as suas funcionalidades, que embora não estejam ainda todas implementadas, esperamos que o estejam no futuro próximo. O nascimento do Portal da Casa acompanha um momento de rara actividade externa. É hoje claro que a Casa é solicitada a participar em acontecimentos diversos, sendo-lhe atribuído o estatuto de promotor, a que a Direcção se esforça por dar apoio. Um exemplo foi a nossa participação na difusão desse grande acontecimento para o conhecimento da nossa Região, O Auto da Criação do Mundo, que foi muito apreciado. De tudo isto é dado conhecimento no Jornal, nesta e em outras edições. Esperamos uma maior participação dos Sócios, pois que havendo maior colaboração, maior será a possibilidade de satisfazermos estas honrosas solicitações e participarmos. Também esperamos maior colaboração dos sócios em nos declararem os seus e-mails, condição aliás indispensável para poderem aceder com registo ao portal e receberem o Jornal electrónico. E esperamos também que tendo e-mail prescindam da edição de papel, pois recebem o Jornal electrónico, que deverá ser feito de forma explicita através de e-mail, e que ajuda a reduzir custos. Seria útil que nos fizessem chegar notícias de acontecimentos passados e futuros dos vossos Concelhos, pois só assim enriqueceremos a visão da nossa Região que o Portal pretende transmitir. Aguardamos as vossas notícias. Agradecimento: Excepcionalmente foi decidido publicar a página 7 a cores, devido ao seu óbvio conteúdo histórico. A CTMAD agradece à TEXTYPE, Artes Gráficas Lda, a generosa oferta de suportar os respectivos custos adicionais, incluindo a página 2 a cores.

Vila Real acolhe XXIIas Jornadas Luso-Espanholas de Gestão Científica Tiveram lugar na UTAD, em Vila Real, entre 1 e 3 de Fevereiro de 2012, as XXII Jornadas Luso-Espanholas de Gestão, realização conjunta das Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Beira Interior (UBI) e de Sevilha (Espanha). Foram organizadas pelo Departamento de Economia, Sociologia e Gestão (DESG) da UTAD e pelo seu Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD). O tema proposto foi “Sociedade, Territórios e Organizações: Inclusões e Competitividade”, visando tratar problemas actuais do nosso tempo, buscando respostas e procurando construir novos modelos de gestão e governação, mais participados, responsáveis e inclusivos, para organizações, dos diferentes sectores e áreas. Os especialistas da área da gestão, profissionais e académicos, envolvidos na administração pública e nas organizações empresariais e do 3º sector, foram convidados a participar neste grande encontro, partilhando as suas pesquisas empíricas, desenvolvimentos teóricos e casos práticos. Procurou-se criar o ambiente propicio à criação

de múltiplas oportunidades de intercâmbio e de florescimento de redes e parcerias. www.xxiijornadaslusoespanholasgestao.org

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ano passado, após troca de impressões com o meu conterrâneo Jorge Golias no sentido de dinamizar a CASA, nasceu a ideia daquilo a que se chamou “Dia D” (Dia De cidade/vila /aldeia) de Trás-os- Montes na CTMAD por forma a dar a conhecer a cultura, a história, a gastronomia das diversas comunidades da nossa região. Estávamos, no entanto, longe do sucesso alcançado quando se concretizou o Dia de Mirandela, no dia 14 de Maio de 2011. Com efeito, não se tratou apenas de uma almoço de amigos, mas sim uma jornada que começou com prova de azeites por técnicos qualificados vindos propositadamente de Mirandela, seguindo-se várias actividades ao longo do dia (projecção de filmes, almoço, música, poesia, dissertação sobre a História de Mirandela, apresentação de livros, etc.). A vereadora da cultura, Dra. Maria Gentil, em representação da Câmara Municipal de Mirandela, honrou-nos com a sua presença e obsequiou a CTMAD e os convivas com várias ofertas. Enfim, um dia em cheio para a CTMAD e para quem nele participou. Seguiu-se, no mês seguinte, mais precisamente a 18 de Junho, o Dia de Chaves. Sem me querer alongar em pormenores, direi apenas que foi mais um êxito retumbante para a CTMAD. E a partir daí não houve mais nenhum sócio que quisesse tomar a iniciativa de organizar um “Dia D”, para proporcionar a todos o conhecimento mais aprofundado da sua terra, apesar de esse apelo ter saído no jornal NTMAD dessa altura e, posteriormente, nós próprios termos insistido, junto de alguns colegas.

Então gentes de Bragança, Vila Real, Mogadouro, Moncorvo, Alfândega da Fé, etc, etc não nos querem mostrar com mais pormenor as vossas lindas terras e até aspectos desconhecidos de alguns, como por exemplo o santuário de Cerejais de Alfândega, o Museu do Ferro e a lenda da figueira na igreja matriz de Moncorvo, as cristas de galo de Vila Real, o museu dos caretos em Bragança, ou a história do castelo de Mogadouro? Também alguém que nos diga algo sobre o Douro. Por exemplo, onde fica exactamente Cinfães do Douro? O que podemos lá visitar? O papel de Lamego e de Ribadouro na criação de D. Afonso Henriques? Puxem do vosso bairrismo e passem do pensamento à acção! Alimentem esta ideia do “Dia D”, pois a CTMAD dará todo o apoio necessário à sua concretização. Aqui fica, de novo, o apelo. E, para darmos o exemplo (e não tendo em mente qualquer tipo de monopolização) está já na forja o dia de Mirandela (2ª edição) que terá lugar no próximo dia 19 de Maio (sábado). Temos já garantida a presença do Dr. Jorge Lage, escritor e cronista, autor da bela monografia sobre a Castanha: vamos todos aprender muito sobre castanheiros e castanhas (e não faltarão deliciosas receitas com base neste produto). E, claro, esta é apenas a 1ª acha para a fogueira, outros aspectos serão contemplados para termos novo êxito, nesse dia. Nota: após termos elaborado esta crónica, soubemos que Montalegre, vai realizar o seu Dia na CTMAD a 24 de Março, o que nos apraz registar: que seja este mais um exemplo para as outras terras. Carlos Cordeiro

Novos Associados Nome

Augusto Ribeiro Teixeira de Magalhães Maria Isabel Batista Lopes

Concelho

Lamego (mãe) Chaves

Carlos Marcelino Vaz Lamego Manuel José Monteiro Guerra

Mogadouro

Tal como a escolha de lentes requer a intervenção de um médico oftalmologista, a escolha de uns óculos requer a técnica e os cuidados de um bom oculista. Nesta casa, são concedidos descontos de 20% sobre os produtos em venda, aos sócios da CTMAD. VISITE­- NOS! Av. João XXI, 23­-B, Lisboa

Tel. 21 8401436


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Auto da Criação do Mundo

© Luis Carlos Meleiro

tória. Da esquerda para a direita: Paraíso, Anjo, Caim, Saul e Abel, Diabo, Pastores, Igreja, Oratório, S. José, Rei Herodes e a cabana da Natividade. O auto foi muito bem sucedido, os actores convincentes, destacando-se o Sr. Fernando Alves, que fez de Adão e depois de Caim, dotado de uma grande memória, de uma boa projecção de voz e, sobretudo, com aquela entoação bem característica deste tipo de eventos. O actor que representou o Diabo foi espectacular, bem como a cena do nascimento do menino, que era um lindo bebé. O Dr. David Casimiro também participou, no papel de Sumo-sacerdote, elevando assim a trinta e um o número de actores em palco. Na Assistência, viu-se o actor Luís Miguel Cintra, que assistiu com grande atenção e envolvimento a todo o espectáculo; e o Dr. Amadeu José Ferreira, o mais ilustre representante da língua mirandesa. A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa, representada pelo seu presidente, Dr. Jorge Valadares, e vários outros membros dos seus Corpos Sociais e sócios, teve um papel fundamental na divulgação do espectáculo. Os Transmontanos da diáspora lisboeta viveram, assim, uma bela tarde de Inverno, orgulhosos das suas tradições, que os de Urrós tão bem souberam recordar e a quem todos estamos agradecidos. Bem hajam, conterrâneos. E que viva Trás-os-Montes! Jorge Sales Golias (Nota: esta é uma versão reduzida deste artigo. A versão completa pode ser vista em www.ctmad.pt)

© Luis Carlos Meleiro

© Luis Carlos Meleiro

© Elsa Bidarra

© Luis Carlos Meleiro

douro e as comemorações do centenário da morte de Trindade Coelho, salientando a recuperação do espólio do poeta, que estava no Museu Abade de Baçal. E mesmo com a crise continuará a fazer cultura, recuperando tradições que fazem parte do nosso imaginário regional, pois, afirmou, “foi grande o teatro popular transmontano!” Falou depois o Prof. David Casimiro, a quem se deve a recolha dos versos do Auto, feita em muitas aldeias transmontanas, não apenas do concelho de Mogadouro, mas também, de outros como de Mirandela, em S. Pedro Velho. Falou da representação havida em 19 de Agosto de 2011, em Urrós, onde foi possível reunir 43 pessoas, algumas das quais de fora do país, aliás como hoje aqui em Lisboa. Disse ignorar-se a origem deste auto que foi representado nos anos de 1924-35-44 e 49. Referiu-se com especial relevo ao Sr. Fernando Alves, de 76 anos, o actor mais velho ali presente, que tinha participado no auto em jovem, e cuja memória foi preciosa para este enorme e nobre esforço de recuperação cultural. Com as novas tecnologias que a Aula Magna proporciona, abriu-se a parede falsa do fundo do palco, mostrando a escadaria monumental, por onde desceram os trinta actores nas suas vestimentas temporais, numa entrada em palco, que deslumbrou a assistência. E assim se começou a contar em verso a história mais conhecida do mundo ocidental, desde Adão e Eva no Paraíso e da sua expulsão, até ao Nascimento do Menino. No palco, tendinhas simbólicas marcavam as personagens ou entidades intervenientes na his-

© Luis Carlos Meleiro

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festa começou na Sexta-Feira, 13, quando os Gaiteiros de Urrós invadiram as ruas da capital, o Metro e acabaram parando em frente à Ginjinha do Rossio. No dia seguinte, na soalheira tarde de Sábado de 14 de Janeiro, mais de mil pessoas, na maioria transmontanas, assistiram à representação do Auto da Criação do Mundo, na magnífica sala da Aula Magna, da Cidade Universitária, em Lisboa. Os actores, amadores, de Urrós (Mogadouro), em número de trinta, desceram à capital e, num dos melhores palcos do país, representaram soberbamente este auto popular transmontano do Ciclo do Natal. Na noite de 24 de Dezembro, o nascimento do Menino era celebrado em algumas terras com a Missa do Galo e em outras com a representação deste Auto, também conhecido pela “Tradição do Ramo”. O espectáculo foi precedido de uma exibição de Pauliteiros de Urrós que, no átrio da Aula Magna, presentearam o público com algumas das suas danças guerreiras, uma delas a famosa Guerra do Mirandum. Oito pauliteiros, um bombo, uma caixa e duas gaitas-de-foles, tudo gente de Urrós, Palaçoulo e outras terras limítrofes. O Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, Dr. Sá Machado, dirigiu-se aos presentes, num improviso emotivo, falando do seu concelho, isolado, esquecido, como quase toda a região transmontana, com problemas de vária ordem, sobretudo o desemprego. O ponto alto da sua intervenção foi a “Cultura como forma de promoção do concelho”. Referiu as infra-estruturas de Moga-

L Auto de La Criaçon de l Mundo N

ada you tenie a ber cula representaçon mas algua ansiedade nun me faltou. Bá!, çpachai bos que you quedei de star alhá a las dues horas. Esso nun era berdade mas nun querie perder nien un mirar de todo l que se iba a passar. Apuis, la çculpa de tener guardado quaije quarenta belhetes benie mesmo a calhar. L’ antrada de la Aula Magna. L rebolhiço ampeça i ye grande. Muitas pessonas a cumprar belhetes, seinha de que la sala se haberie de componer. Muitas caras coincidas i outras nó. Cumprimenta-se todo l mundo que se conhece. L porteiro mira-me i cula mano: faç fabor. Reconhece-me de l die atrás i deixa-me antrar. La mie Tie guarda ls belhetes para quando antrarmos todos. Dabid Casemiro passa por mi i diç: «Caralcho, la cousa parece que se stá a componer. Muita gente para antrar. Bamos a tener ua sala bien cumposta.» Bai a correr todo bien. Aprontan-se ls Dançadores. Faç-se un córrio bien ancho. L ansaiador splica la dança. L de la gaita ampeça a tocar. La caixa i l bombo acumpánhan i ls dançadores sóltan ls palos que strálhan uns acontra ls outros. Muitos míran de riba de las scaleiras i de l spácio de l purmeiro piso. Uns sácan retratos i outros fázen filmes. Las pessonas stan animadas i cuntentas. Acabada l’actuaçon, ye hora d’ antrar. Çcurso de l Senhor Persidente de la Cámara Munecipal de Mogadouro, Dr. Morais Machado. Apuis de saludar ls persentes i de nomear ls ausentes, manda alguns recados al poder central. Parece que nien un repersentante oufecial de l Menesterio de la Cul-

tura se dignou star nesta manifestaçon de cultura stramuntana. Son uns gentius, la giente que manda! Lamenta-se que assi seia. Mas las gientes de Ruolos, de Mogadouro, de todo l Praino i todos ls stramuntanos son pessonas trabalhadoras i hounestas. Tamien ténen cultura i sáben fazer acuntecer cultura. Son pessonas simples mas merécen algua cunsideraçon. Acrecenta l senhor persidente que la Cámara nada debe i ten buonas cundiçones para ls que alhá stan i tamien para ls que quérgan ir: pecina, casa de la cultura, biblioteca, grupo de triato, acordos cun la orquestra metropolitana de la cidade do Porto...i muitas mais cousas buonas. Hai necidade de ambestidores para criar ampregos i fixar jobes qualificados. Ye tiempo de spetaclo. David Casemiro anuncia-lo sticando la mano: abre-se la curtina. Ressona al punta de riba de anchas scaleiras sonido fuorte. Harmonioso. A poner piel de pita. Todo mundo queda mudo de spanto. Ls atores abáixan las scaleiras cun passo sereno. Spálhan-se a todo l palco. Fai-se silénço abseluto . Amadeu Ferreira diç: “parece ua ambaixada rial: benírun a Lisboua i deixórun sua mensage: hai bida alhá de Lisboua, hai cultura alhá de l São Calros i de l D. Marie...”. Cumo las cousas simples mos eimociónan. Apuis l’antrada, todo puode acuntecer. L sfergante lhargo a naide le scapa. L registro queda bien andrento de cada un. Hai quien diga que l spetaclo poderie acabar eilhi. Staba salba la atuaçon. Baliu la pena.

Atores a seus lhugares. L anjo anúncia la feitura de l mundo: Dius fizo l mundo i al sétimo die fizo l home. Adan sentie-se mui solico. Dius saca-le ua costilha i faç sue cumpanha: la mulhier. L paraíso. De todo puoden çfruitar. Proibido, proibio, solo l fruito daqueilha arble. Manhosa, la serpiente todo fai pa que la mulhier caia an tentaçon. Eba nun rejiste, come la maçana. A Adan queda se le antresgantada na gorja. Ah mulhier l que faziste! Maldiçon! Cumo Dius bos botou al mundo habéis de quedar mas de uolhos çpiertos i cun ganas de amar. La decendéncia nun bai a faltar. Diabro, esse tentador d’ almas. Siempre a zucrinar la cabeça al home. Apuis, essa ambeija, tinhosa que nun se çpega de las almas houmanas. Mas hai siempre almas caridosas i simpres que le gusta la paç i harmonie. L defícele ye aceitar l outro. Mais deficele inda, se l outro ye ua rapaza guapa que solo an suonhos se arrima a Eilha. Jesé, acontra l preconceito muito tube que lhuitar. L nino bai a nacer i rei sien reino bai a ser. Casa algua se le abriu i la gruta le serbiu . Las palhas los calcírun i mais la calor de animales. Pastores, probes, l pouco que teníen debidírun. Jesé, Marie i Jasus fame nun passórun. Magos reis benírun i ouro, ansénsio i mirra le oufrecírun. Nino de berdade, al cuolho de “Marie” se cunfortou mas mai de berdade nun yera i choro l nino soltou. Cunsolo de mai tubo que tener i miedos atamou. Assi se acaba l Auto i todo l mundo muitas palmas botou. António Cangueiro


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O Dia de MontalegreHomenagem a Cabrilho

João Rodrigues Cabrilho. Conheço João Rodrigues Cabrilho há vários anos. Meu companheiro de longas horas em arquivos e bibliotecas do Mundo e dos homens. Nasceu uma admiração por esse homem que foi aumentando à medida que o conhecia melhor. Quem já realizou uma pesquisa exaustiva nos meandros obscuros da História sobre uma personalidade do nível de Cabrilho, compreenderá o que pretendo dizer. A naturalidade de Cabrilho já não vagueia ao sabor das marés em consonância com interesses geográficos do momento. Ele é indubitavelmente um transmontano natural de Lapela, freguesia de Cabril do concelho de Montalegre. Trás-os-Montes e em particular Montalegre poderiam fazer mais para honrar João Rodrigues Cabrilho. A sua terra natal ainda não o homenageou com a dignidade que ele merece.

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De tempos a tempos, vislumbram-se algumas boas intenções na Câmara de Montalegre. Mas… não passam disso. São apenas lampejos sem continuidade. Na generalidade as Entidades de Montalegre escolhem a visibilidade primária, os eventos mais mediáticos e, secundarizam o navegador barrosão. Quem é afinal Cabrilho? Cabrilho começou por ser um simples emigrante (um dos primeiros emigrantes barrosões) que no século XVI partiu para o Novo Mundo (América) à procura de melhores condições de vida. Inicialmente soldado do exército espanhol foi subindo a pulso até adquirir a fidalguia sendo reconhecido pelos seus contemporâneos como um homem notável a vários níveis. Alcançou feitos que ficaram registados na História. Foi comandante de uma companhia de besteiros, conquistador, navegador, Almirante de esquadra, descobridor de novos mundos – descobriu a Costa da Califórnia – primeiro autor publicado na América e, muito mais… A Espanha não valoriza Cabrilho por ser português. Cabrilho não é suficientemente reconhecido em Portugal porque se notabilizou ao serviço de Espanha. João Soares Tavares (Investigador)

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ai-se realizar a 24 de Março o Dia de Montalegre na nossa Sede. Nele será feita uma homenagem a João Rodrigues Cabrilho. Para esse efeito será orador João Soares Tavares que escreveu texto que a seguir publicamos de introdução a essa homenagem:

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Ao mudar para instalações mais funcionais, a Textype passou a oferecer:

Aumento da qualidade de impressão e acabamento, através da instalação de novas máquinas e equipamentos tecnologicamente avançados; Rapidez de entrega das encomendas, com prazos mais curtos que se ajustam à urgência do cliente; Preços muito mais competitivos que permitem dar resposta às necessidades dos diferentes mercados.

Novas actividades na CTMAD Oficina de escrita e workshop de escrita Oficina de Escrita de Ficção Duração: 3 semanas Periodicidade: semanal (180 min.) Sexta-Feira 18:30/21:30 Datas: 16/23/30 Março. Preços: 80 € associados da Ctmad 85 € não associados da Ctmad Workshop de Escrita Duração: 1 tarde Periodicidade: s emanal (180 min.) Sábado 16:00/19:00 Datas: 17 Março Preços: 25€ associados da Ctmad 30€ não associados da Ctmad Aceitam-se inscrições até 2 dias anteriores à data do inicio do curso. Descrição A escrita não é inerente ao Homem. Aprende-se. Aprende-se a desenhar as letras; a formar frases; a escrever textos. O sonho de muitos fica pelo caminho por desconhecerem as técnicas, por esbarrarem na morosidade do auto-didactismo. É pouco frutuoso inventar o que já está inventado. Na Oficina de Escrita, o escritor Carlos Machado, explana as melhores práticas para escrever textos em prosa: crónica, crónica de viagens, conto, romance. Fala de blogues, de concursos literários, livros de vampiros e de fantasia, publicação digital. As sessões contarão com inúmeros exercícios práticos. No Workshop de Escrita, o mote é: Lemos melhor se escrevermos melhor e escrevemos melhor se lermos melhor. O escritor Carlos Machado, alia a interactividade entre a leitura e a escrita para iniciar o gosto pela escrita. Exercícios práticos para descobrir a imaginação e perder o medo da escrever. Estas são actividades que devem ser aproveitadas por candidatos a escreventes, mas também por formadores - pais e professores - para um melhor acompanhamento dos seus filhos e alunos. O escritor Carlos Machado, formador nas citadas actividades, aos cinquenta anos, escreveu o seu primeiro romance, “O Homem Que Viveu Duas Vezes”, com o qual venceu o Prémio Alves Redol. Se tivesse frequentado uma Oficina de Escrita, teria demorado tanto tempo a iniciar-se na actividade literária? Tem ainda dois romances publicados, bloguer, dedica-se exclusivamente à actividade literária.”

Cursos a decorrer de Pintura em tela e Pintura em Azulejo e Faiança Houve uma alteração no horário do curso de Pintura em Azulejo e Faiança passando para as 2ªs feiras no mesmo horário. Assim:

Horário: Segundas-feiras das 17,30h às 19,30h Custo: 30,00€ para não associados 25,00€ para associados da CTMAD Orientação: Prof.ª Guida Portela Curso de Pintura em Tela Local: C  asa de Trás-os-Montes e Alto Douro, Campo Pequeno nº50 - 3ºEsq. Horário: Segundas-feiras das 14,30h às 17,00h Custo: 60,00€ para não associados 50,00€ para associados da CTMAD Orientação: Prof.ª Salomé

Grupo de Teatro O grupo de teatro está actualmente a ensaiar a peça de Miguel Torga, Terra Firme, e conta com um elenco - ainda incompleto - de 9 pessoas. Aceitam-se colaboradores para o grupo.

Grupo de Cantares da CTMAD O grupo de cantares foi formado e necessita de mais elementos nomeadamente a orientação de um maestro.

Curso de Lhéngua i Cultura Mirandesas 2012 Data: 15 de febreiro (ua beç por sumana, to las quartas) Local: C  asa de Trás ls Montes i Alto Douro an Lisboua Hora: 20:30 -- 22:30 Bai a ampeçar l 15 de febreiro que ben mais un curso de lhéngua i cultura mirandesas, ourganizado pula ALM – Associaçon de Lhéngua Mirandesa. Ls porsores de l curso seran, cumo an anhos atrasados Amadeu Ferreira i Francisco Domingues. L sítio de l curso será la Casa de Trás ls Montes i Alto Douro an Lisboua, na Praça de l Campo Pequeinho, n.º 50 – 3.º esquerdo. Muitos anhos apuis, ls cursos tórnan al sítio adonde ampeçórun, an 2001-2002. Eiqui se le agradece a la sue direçon este amportante apoio logístico, sperando que eiqui puodan tener cundiçones para cuntinar por muitos anhos. Las aulas ampéçan a las 20:30 i acában a las 22:00, ua beç por sumana, to las quartas [a nun ser que outro die seia decedido antre porsores i alunos]. L curso stá abierto a las pessonas que se quérgan anscrebir pa la caixa de correio cursomirandes2@ gmail.com, debendo ende çclarar l sou nome, eidade, sítio de nacimiento, morada, correio eiletrónico i telemoble i se sáben ou nó falar mirandés. Por prencípio, i cumo sempre, ls cursos son de grácia, mas bai se le a pedir als alunos: algue partecipaçon para pagar gastos culas anstalaçones i la sue la anscriçon na ALM – Associaçon de Lhéngua Mirandesa, cun pagamento de jóias i cotas. L’ourganizaçon de l curso i l sou nible poderan depender de l nible de coincimientos de las pessonas anscritas, podendo haber mais que ua classe. Lisboua, 6 de Febreiro de 2012

Curso de Pintura em Azulejo e Faiança Local: C  asa de Trás-os-Montes e Alto Douro, Campo Pequeno nº50 - 3ºEsq.

Amadeu Ferreira Franscisco Domingues

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Director: Jorge Valadares // Director-adjunto: António Armando da Costa // Colaboram nesta Edição: Armando Jorge e Silva, António da Costa, António Cangueiro, AGP, Carlos Cordeiro, João Soares Tavares, Jorge Sales Golias, Jorge Valadares e Serafim de Sousa // Coordenação Gráfica: António Armando da Costa // Paginação: Nuno Leite // Projecto Gráfico e Consulturia de Design: Nuno Leite // Revisão de Textos: António Armando da Costa e Serafim de Sousa // Impressão: Textype, Artes Gráficas, Lda // Tiragem desta edição: 2000 exemplares // Depósito legal: 178581/02


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