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ELIFAS ANDREATO é artista gráfico e jornalista. Idealizador e diretor editorial da revista Almanaque Brasil, nasceu em Rolândia, Paraná, em 1946. Foi um dos criadores da revista Placar e da coleção História da Música Popular Brasileira, além dos semanários Opinião, Movimento e da revista Argumento, fundamentais no combate à ditadura militar. Nos anos 1970, iniciou o trabalho de programação visual para peças teatrais e passou a criar capas para os discos dos mais importantes nomes da MPB, tornando-se rapidamente o mais respeitado profissional da área. Foi também cenógrafo e diretor artístico de diversos espetáculos musicais; diretor e cenógrafo de programas televisivos e criador de inúmeros projetos culturais nas mais variadas áreas. Desde 1979 está à frente da Andreato Comunicação e Cultura, desenvolvendo projetos especiais ligados a educação, artes, infância e cultura. JOÃO ROCHA RODRIGUES é jornalista. Nasceu em São Paulo em 1979, tendo se formado em Comunicação Social pela PUC de São Paulo, com passagem pela Universidad Autónoma de Barcelona, na Espanha. É editor do Almanaque Brasil e responsável pela criação de diversos projetos culturais realizados pela Andreato Comunicação e Cultura, como o programa televisivo Almanaque Brasil, veiculado na TV Cultura; o documentário Elifas Andreato, Um Artista Brasileiro; e a edição de livros como O Sonho de Voar e Álbum de Família. Visite o site oficial do Almanaque Brasil em www.almanaquebrasil.com.br Site do livro: www.tododiaedia.com.br

“E hão de chover almanaques. O Tempo os imprime, Esperança os edita; é toda a oficina da vida.” Machado de Assis Você sabe como surgiu a expressão “a cobra vai fumar”? E por que os cariocas ficaram um dia sem receber jornal impresso? Será que você acreditaria que um bebê diabo assombrou a cidade de São Paulo? Ou então que, como um país muito festeiro, o Brasil já teve um ano com dois carnavais? E que, assim como o país do futebol, o povo é tão apaixonado por novela que conseguiu lotar um estádio de futebol só para assistir ao último capítulo? Como em todo bom almanaque, além de fatos curiosos e divertidos, aqui você também vai encontrar o que se comemora em cada dia do ano; o que se colhe no Brasil a cada mês; os signos; o significado das expressões mais tradicionais; os santos de cada dia do mês; as festas e os costumes populares. Um almanaque que vai descobrir o Brasil aos brasileiros!

“Sou fã do Almanaque como leitor e como publicitário. Gosto de suas matérias, seu requinte gráfico e, particularmente, seu sobrenome. Palavra de quem tem uma agência chamada W/Brasil.” Washington Olivetto, publicitário

“O Almanaque representa uma possibilidade de novos olhares para a sociedade e a cultura brasileiras.” Gilberto Gil, músico

“O Almanaque não é simplesmente uma revista. É um serviço de utilidade pública.” Mauro Salles, publicitário

“O Almanaque é uma publicação criativa, objeto de desejo de todo passageiro da TAM.” Milú Villela, presidente do Instituto Itaú Cultural

“Almanaques me levam para a infância na roça, casa de pau a pique, fogão de lenha, casinha do lado de fora. Dizem que o povo não gosta de ler. O Almanaque contesta.” Rubem Alves, escritor e educador

“É um prazer redescobrir nossa boa história nas páginas do Almanaque Brasil. Surpresas em cada página.” Antônio Fagundes, ator


Elifas Andreato Jo達o Rocha Rodrigues Organizadores


apresentação O Elifas e eu temos várias coisas em comum.

do sexto. Com um detalhe arrasador: ainda

A principal delas é que nós dois temos cara

faltam quatorze anos pro viadim chegar à

de turco. Explica-se: ele se chama Elifas e

minha provecta idade, o que vai acabar me

eu Alves Pinto, tudo mouro. Outra coisa

jogando lá pra depois do décimo, décimo

que nos identifica: fomos meninos pobres,

primeiro lugar desta lista de dois.

os pais dele, segundo eu sei, mais pobres do

Este almanaque do Elifas vai chegar às

que os meus, todos com muitos filhos, com pouco luxo mas com mesa farta. Desenhar compulsivamente foi uma atividade que ocupou nossa infância inteira.

mãos de todos os brasileiros que admiram, conhecem e respeitam seu trabalho, por essa razão não vai ser preciso que eu mencione o que ele já produziu no campo

Eu achei, durante muito tempo, que era, na

das artes gráficas, da música, da televisão

área, o cara mais trabalhador do Brasil. Só

e, principalmente, do teatro, pintando,

que, relendo a biografia do Elifas, descobri

cenografando, escrevendo, dirigindo, etc.

que ele, sozinho, neste ranking, ocupa o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto lugar, acredito que só entro lá depois


etc. e etc. O bicho é dono de uma inventiva

onde nasceu, esse país e esse povo que ele

e de uma criatividade, digamos, irritante (no

quer com o chamado acendrado amor –

que me concerne).

como sua vida prova – e que são o centro de

Tudo que o Elifas faz é, no mínimo, bonito.

todas as suas preocupações e o motivo de

Ele consegue colocar no que pinta e

sua incontrolável criatividade.

borda um componente de emoção que é,

Agora chega de puxar – com todo carinho

imediatamente, perceptível, como se fosse

e respeito – o saco do rapaz e tratar de

possível – e, no seu caso é – um desenho ter

convidar você para esse passeio pela coleção

cheiro, respiração e a capacidade de ficar

de seu almanaque, resultado de toda a

olhando pra você, o desenho, esclareço.

sua inquietação.

E o cara não sossega. Inventa de fazer uma publicação chamada Almanaque Brasil, onde eles – juro que saiu eles na minha Olivetti, sem que eu percebesse – ele ainda acha que precisa dizer ao seu público que tudo o que fez e faz tem a ver com a terra

Ziraldo


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quanta hist贸ria de almanaque

14 16

como se inventaram os almanaques

janeiro

72 90 110 128 1 abril

maio

junho

julho

1


34 52 fevereiro

mar莽o

8 146 166 agosto

setembro

186 206 226 246 outubro

novembro

dezembro

brasili么metro


QUANTA HISTÓRIA DE ALMANAQUE

INFORMAÇÃO E DIVERSÃO, DOS CAMELOS DO DESERTO AOS CÉUS DO BRASIL Passando pelas mãos mais diversas ao longo dos séculos, o almanaque deixou sua marca na história. Faraó ou profeta, revolucionário ou abolicionista, não houve quem tenha passado incólume a seus efeitos. Divertir e informar, eis a vocação desse formato tão saboroso. Para enfrentar tanto tempo, não havia como não se transformar. E ele não negou fogo. O Almanaque Brasil, por exemplo, desde 1999 atravessa, dia após dia, os céus do País. Haja fôlego.

Na aurora da civilização, saber a lua certa para o plantio e a estação própria da colheita era fundamental para a vida. Observando a natureza e as estrelas, o homem pôde imortalizar essas informações e transmiti-las na forma de calendário. Logo, o objeto tornou-se imprescindível para diferentes civilizações. Já no século 13 antes de Cristo, no túmulo do faraó Ramsés IV, há um calendário cronológico entalhado. No Oriente antigo, os astrólogos presenteavam os soberanos com calendários a cada início de ano. Não podia faltar.

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Com o passar do tempo, o calendário ganha nova roupagem. Páginas são acrescidas, com ilustrações e imagens de signos. Ao longo dos séculos, recebe diversos nomes: reportório, folhinha, endimião, camião, lunário, prognóstico, sarrabal. Daí para o surgimento de um formato universal, capaz de conquistar qualquer um até hoje, foi uma questão de tempo. Almanak, almenachus, almenaque, almanaque. Não se sabe ao certo a origem da palavra: pode ter vindo tanto do grego como do latim. Ou quem sabe do siríaco, saxão ou celta.


A tese mais corrente é de que a palavra teria surgido do árabe al-manakh – lugar onde os camelos se ajoelham para beber água em meio a uma viagem. É, portanto, um ponto-de-encontro, um local onde viajantes se reuniam e podiam relatar o que encontraram ou souberam nas paragens por que passaram. Não será mesmo isso o almanaque, uma reunião de informações diversas, não muito aprofundadas, divertidas, curiosas? Documentos históricos convivem com causos; literatura, com dados astronômicos. Conselhos morais e práticos se acomodam em meio a festas religiosas, datas comemorativas, provérbios, anedotas. Para caber tudo isso, só mesmo num almanaque.

E hão de chover almanaques. O Tempo os imprime, Esperança os edita; é toda a oficina da vida. Machado de Assis

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

PROFETAS TAMBÉM SE ESPARRAMARAM EM SUAS PÁGINAS A invenção da tipografia por Gutenberg na primeira metade do século 15 ampliou a difusão de livros entre a população. O almanaque foi no embalo. O primeiro a ser impresso foi o alemão Praklic, de 1454. Ainda que em forma embrionária, o livrinho de apenas cinco páginas era disputado. O interesse se reflete também na produção. Multiplicam-se os autores. Um deles, procuradíssimo, fazia sucesso até entre reis e rainhas. Dominava astrologia e astronomia. Falava francês, latim, grego e hebraico. Sabia tudo de medicina, alquimia e teologia. E certamente mais um pouco. Seu nome, Nostradamus – responsável por um concorrido almanaque anual que circulou pela Europa durante uma década, entre 1550 e 1560. Nele, junto com sua vasta erudição, o francês desfilava seus intrigantes e singulares “poderes”. Além do presente e do passado, o tal almanaque trazia previsões do futuro.

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PROVAR PODE, FAZER NÃO

A ESCASSEZ NÃO IMPEDE A PROLIFERAÇÃO Foi por mãos lusitanas que os almanaques chegaram às terras tupiniquins. Como as indústrias eram proibidas – entre elas, a tipografia –, não podiam ser confeccionados por aqui. Os únicos escritos lidos em praça pública eram ordens régias, sob o rufar de tambores milicianos. Assim, só chegava almanaque importado ou clandestino, e não muitos. O Almanaque do Rio de Janeiro, de 1792, e o Almanack das Musas, offerecido ao Gênio Portuguez, de 1793, eram alguns deles, e até hoje podem ser consultados na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Mas, mesmo diante da escassez, o formato não negou vigor. Pouco a pouco, torna-se mania popular, seja no campo ou na cidade. Em 1812 é impresso o Almanaque da Bahia, o primeiro genuinamente brasileiro de que se tem notícia.

PRESENÇA HISTÓRICA A importância dos almanaques no curso dos acontecimentos do mundo é inconteste. Para que não pareça megalomania, note: • Durante a Revolução Francesa (1789-1799), debates ideológicos eram travados nas páginas do Almanach Républicain (Almanaque Republicano), uma das únicas publicações que conseguiam ser mascateadas em meio ao caos da França revolucionária. • Nos Estados Unidos, o Anti-Slaveric Almanac (Almanaque Antiescravidão), de 1838, era usado como meio difusor das ideias abolicionistas. • Descobertas e invenções da Revolução Industrial foram divulgadas por meio dos almanaques.

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ELIFAS ANDREATO é artista gráfico e jornalista. Idealizador e diretor editorial da revista Almanaque Brasil, nasceu em Rolândia, Paraná, em 1946. Foi um dos criadores da revista Placar e da coleção História da Música Popular Brasileira, além dos semanários Opinião, Movimento e da revista Argumento, fundamentais no combate à ditadura militar. Nos anos 1970, iniciou o trabalho de programação visual para peças teatrais e passou a criar capas para os discos dos mais importantes nomes da MPB, tornando-se rapidamente o mais respeitado profissional da área. Foi também cenógrafo e diretor artístico de diversos espetáculos musicais; diretor e cenógrafo de programas televisivos e criador de inúmeros projetos culturais nas mais variadas áreas. Desde 1979 está à frente da Andreato Comunicação e Cultura, desenvolvendo projetos especiais ligados a educação, artes, infância e cultura. JOÃO ROCHA RODRIGUES é jornalista. Nasceu em São Paulo em 1979, tendo se formado em Comunicação Social pela PUC de São Paulo, com passagem pela Universidad Autónoma de Barcelona, na Espanha. É editor do Almanaque Brasil e responsável pela criação de diversos projetos culturais realizados pela Andreato Comunicação e Cultura, como o programa televisivo Almanaque Brasil, veiculado na TV Cultura; o documentário Elifas Andreato, Um Artista Brasileiro; e a edição de livros como O Sonho de Voar e Álbum de Família. Visite o site oficial do Almanaque Brasil em www.almanaquebrasil.com.br Site do livro: www.tododiaedia.com.br

“E hão de chover almanaques. O Tempo os imprime, Esperança os edita; é toda a oficina da vida.” Machado de Assis Você sabe como surgiu a expressão “a cobra vai fumar”? E por que os cariocas ficaram um dia sem receber jornal impresso? Será que você acreditaria que um bebê diabo assombrou a cidade de São Paulo? Ou então que, como um país muito festeiro, o Brasil já teve um ano com dois carnavais? E que, assim como o país do futebol, o povo é tão apaixonado por novela que conseguiu lotar um estádio de futebol só para assistir ao último capítulo? Como em todo bom almanaque, além de fatos curiosos e divertidos, aqui você também vai encontrar o que se comemora em cada dia do ano; o que se colhe no Brasil a cada mês; os signos; o significado das expressões mais tradicionais; os santos de cada dia do mês; as festas e os costumes populares. Um almanaque que vai descobrir o Brasil aos brasileiros!

“Sou fã do Almanaque como leitor e como publicitário. Gosto de suas matérias, seu requinte gráfico e, particularmente, seu sobrenome. Palavra de quem tem uma agência chamada W/Brasil.” Washington Olivetto, publicitário

“O Almanaque representa uma possibilidade de novos olhares para a sociedade e a cultura brasileiras.” Gilberto Gil, músico

“O Almanaque não é simplesmente uma revista. É um serviço de utilidade pública.” Mauro Salles, publicitário

“O Almanaque é uma publicação criativa, objeto de desejo de todo passageiro da TAM.” Milú Villela, presidente do Instituto Itaú Cultural

“Almanaques me levam para a infância na roça, casa de pau a pique, fogão de lenha, casinha do lado de fora. Dizem que o povo não gosta de ler. O Almanaque contesta.” Rubem Alves, escritor e educador

“É um prazer redescobrir nossa boa história nas páginas do Almanaque Brasil. Surpresas em cada página.” Antônio Fagundes, ator

Almanaque de cultura - Brasil  

De Elifas Andreato

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