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Anos 60, a década das revoluções: a moda era ser revolucionário. Chic era ser rebelde. Anos 70, a década da curtição: a moda era ser liberado. Chic era ser experimental. Anos 80, a década do poder: a moda era ser poderoso, o que já não era tão chic… Anos 90, a década da individualidade: a moda era ser único. O que poderia ser chic.

GLORIA Chic[érrimo] KALIL

Anos 2000, a década das celebridades: a moda é ser celebridade, o que pode dar em vulgaridade. Nada chic.

Em resumo, ninguém é chic se não for civilizado.

Chic[érrimo]

O substancial aumento do interesse de um público cada vez mais amplo pelo trabalho de Gloria Kalil justifica agora a reedição atualizada, compactada e graficamente reformulada deste Chic[érrimo], uma obra que, como todas as outras da autora, vem recheada de dicas e sugestões úteis para pequenos e grandes problemas do dia-adia das pessoas preocupadas em viver adequadamente a contemporaneidade. Ou, se preferirem, serem verdadeiramente chiquérrimas!!!

Anos 50, a década do clássico: a moda era ser bem-comportado. Chic era ser “elegante”.

GLORIA KALIL

Com Chic[érrimo] ela havia iniciado uma trajetória mais direcionada às questões de comportamento emergentes do novo milênio. Essa tendência se acentuou em Alô, Chics!, um verdadeiro manual de etiqueta contemporânea, consagrado pela venda de mais de 200 mil exemplares em um ano. Esse livro foi lançado também, mais recentemente, na forma de audiobook.

Este livro parte de uma indagação básica – “É possível ser chiquérrimo no século XXI?” – e de um interessante retrospecto da evolução do conceito de “chic” nos últimos 50 anos, numa tentativa de “entender como viemos parar neste momento de supervalorização das imagens, do hedonismo e do narcisismo”. A conclusão a que a reflexão proposta pela autora conduz, e que passa por uma ácida e bemhumorada crítica do culto à “celebridade”, é de que “ninguém é chic se não for civilizado”. Não por coincidência, idéia-força do livro seguinte da Gloria Kalil, Alô, Chics!, seu maior best-seller. Entre o lançamento original deste Chic[érrimo], seu terceiro livro (2003), e Alô, Chics!, o mais recente (2007), Gloria Kalil teve seu público significativamente ampliado, inclusive por conta da participação regular em programas de rádio e televisão.

Edição atualizada


Vale para homens, mulheres e celebridades – esta terceira categoria de gente, tão moderna e tão presente na vida de todos. Um manual de moda e etiqueta pensado para o novo século.

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GLORIA KALIL Chic[ĂŠrrimo] Moda e etiqueta em novo regime

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SUMÁRIO

I – É POSSÍVEL SER CHIQUÉRRIMO NO SÉCULO XXI? 10 SER CHIC: CONTINUA VALENDO? 12 Chic através das décadas 18

II – O OUTRO 25 MUITO PRAZER, O OUTRO EXISTE 26

Facilite as apresentações e as comunicações 28 Atitudes que revelam o seu comportamento 33 Etiqueta da plástica [para ela] 37 Etiqueta da dieta 37 CELEBRIDADES 39

Invasão de privacidade 39 Etiqueta da celebridade 44 Etiqueta do fã 48 RELACIONAMENTOS 51

O primeiro encontro 51 Desencontros 61 Etiqueta do ex 63 Etiqueta do adeus 64

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III – RITUAIS 67 COMER, BEBER, DANÇAR, APLAUDIR, COMEMORAR 68

O tom da ocasião 69 Você convida e é convidado 71 O traje nos convites 75 GUARDA-ROUPA DE FESTA 82 RESTAURANTES 93

Modos à mesa ao longo dos séculos 94 A quem dar gorjetas [I] 104 COQUETÉIS 106 SAIR PARA DANÇAR 109 QUANDO A FESTA É NA SUA CASA 110

A comida da festa 114 Check-list para a cozinha dos solteiros 115 Etiqueta do dono da festa 120 Etiqueta do convidado 121 CASAMENTO 123 A ROUPA E O HORÁRIO 130

IV – ROUPAS DIZEM COISAS 136 UM UPGRADE NO GUARDA-ROUPA 138 O CÉU E O INFERNO DA MODA 144

Truques da moda 154 MODA E FORA DE MODA ATRAVÉS DAS IDADES 160 SEU ESTILO PROFISSIONAL 167

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QUEM TEM MEDO DA DASLU? 176 NA HORA DE COMPRAR PRESENTES 182

V – TURISTA CHIC 188 UM TURISTA APRENDIZ 190

Dicas para arrumar uma mala chic e inteligente 195 O que vestir para não parecer que é um deportado 199 Quando vestir sáris, toucas de lã, saiões e sarongues coloridos 199 Momento Duty-free 202 Na Ilha da Fantasia [para celebridade] 204 A quem dar gorjetas [II] 206 UM TURISTA NA SUA CASA 208 TURISTA NA CASA DOS OUTROS 210 DE MALAS PRONTAS [PARA ELA] 215 DE MALAS PRONTAS [PARA ELE] 223 Os regimes históricos da etiqueta 232

VI – CHIQUÉRRIMO 235 COMO IDENTIFICAR UM CHIQUÉRRIMO? 236

Bibliografia 238 Agradecimentos 239

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I – É POSSÍVEL SER CHIQUÉRRIMO NO SÉCULO XXI?

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SER CHIC: CONTINUA VALENDO?

Meu pai era amigo de Marcelino de Carvalho, um homem de sociedade que escrevia sobre estilo e boas maneiras nos anos 1950. Era um homem encantador, pequeno, de voz rouca, sempre vestido de terno príncipede-gales, chapéu e flor na lapela. Um dia, ele liga para nossa casa e pede para falar com meu pai com urgência. “Mario”, disse ele aflitíssimo, “fui informado de que vou sair na lista dos homens mais bem vestidos do país. Eles não sabem que só tenho dois ternos!” Deus do céu! Eram outros os tempos em que um homem com apenas dois ternos no armário podia ser considerado um ícone de elegância. É claro que o mundo ainda não havia sido invadido pela mídia, não havia ainda revistas e jornais fotografando as pessoas a cada passo, mostrando detalhes de suas roupas, a grife dos modelos, o preço das joias e a procedência dos sapatos como se faz em nossos dias. Naquele tempo, o mundo dos chics era fechado, restrito, exclusivo e íntimo. E hoje? Como é ser chic num mundo totalmente ligado à imagem e à exterioridade? Dá para ser chic nestes tempos narcisistas em que uma foto na imprensa funciona como um documento de identidade, um verdadeiro atestado de existência no mundo? Dá. É modernérrimo ser chic. Sempre foi e sempre será. Dá para prestar atenção na vida, ver como se comportam as pessoas que a gente acha o máximo da elegância e do bom gosto; dá para ir atrás de informações para se tornar mais culto ou um profissional melhor; dá para aprender a usar a moda a seu favor; e sempre dá para ser uma pessoa mais sábia, mais charmosa, mais refinada. Uma pessoa Chic.

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NOVOS TEMPOS, NOVOS CÓDIGOS Cada vez que o mundo passa por grandes transformações, ele tem que se adaptar e fazer uma revisão dos antigos códigos. Os comportamentos entram em novos regimes. Em 1530, o manual de etiqueta do Erasmo de Rotterdam, o primeiro best-seller do mundo, ensinava que não se devia palitar os dentes com a faca com que se cortam os alimentos, matam porcos ou inimigos. Dá para imaginar o cenário daquele momento? Hoje estamos diante de um mundo cheio de novas possibilidades, de tecnologias que nos permitem trocas de experiências e informações que deveriam nos aproximar, refinar nossas relações e nosso cotidiano. Está mais do que na hora de dar uma parada e de reorganizar e dar sentido aos códigos e valores que andam por aí. Um pouco mais de abertura, curiosidade e civilidade não faria mal a ninguém.

CÓDIGOS: SEJA LIVRE… COM ELES Conhecer os códigos da etiqueta e da moda dará a você mais liberdade para se situar num mundo cheio de sinais contraditórios. 1. Se o convite é para uma festa que pede traje social e você vai com um lindo vestido preto com pérolas, ou um terno escuro – está sinalizando que está entre iguais, e que compartilha com eles os mesmos valores. 2. Se você dá uma quebrada no traje estipulado no convite, com uma mistura inesperada – como uma jaqueta esportiva em cima do seu lindo vestido preto, ou o terno escuro usado com um sapato bem moderno – é porque já faz questão de dizer que compartilha valores dos presentes, mas… nem tanto. Seu depoimento é de adesão ao grupo, mas com algumas diferenças e reservas. 3. Você está careca de saber que é para ir com uma roupa formal e, ainda assim, resolve encarar a ocasião com o seu jeans mais detonado. Você sabe que está transgredindo, e resolveu ir assim mesmo, na boa – então não vai se sentir incomodado com os olhares dos outros. Ao contrário, está sinalizando – conscientemente – que não compartilha em

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nada os valores das pessoas que estão lá. Seu depoimento pessoal afirma que você é bem diferente deles. Moral da história: se você conhece os códigos, pode até transgredi-los. Se você foi com seu jeans rasgado a um jantar formal porque quis, faz sentido. Agora, se foi de jeans porque não sabia o que queria dizer “traje social”, vai se sentir mal e fora do tom. Seu jeans não foi um depoimento de independência. Foi um erro. Também não é preciso entrar em paranoia e imaginar que tem de conhecer todas as maneiras de se comportar, de se vestir, e pensar o tempo todo na aparência e na imagem que quer projetar. O bom é transitar pelos códigos da moda e da etiqueta com naturalidade, sem parecer que está num campo minado. Não é um vexame usar o talher errado para comer um molusco raro que você nunca viu mais gordo; ou não ter uma panela de fondue em casa para ser usada numa única noite de inverno. Bom humor e simplicidade resolvem qualquer situação; pergunte como comer aquele bicho esquisito, e improvise uma panela para o fondue. Vexame é se atrapalhar por tão pouco. O sucesso de uma festa, por exemplo, não se garante só porque os anfitriões estão bem vestidos, porque há lindos castiçais na mesa, ou porque a casa está bem decorada. O que mede realmente o sucesso de uma festa é se ela está animada, se você encontra gente interessante, se a conversa está boa, se você dança à vontade, se as pessoas saem de lá com a sensação de que se divertiram ou aprenderam alguma coisa. Querer dar conta de todas as expectativas, sentir-se na obrigação de ter todos os utensílios do mundo é uma missão impossível, uma obsessão sem fim. Em vez de chic, você cai no excesso, na caricatura de chic. Fui uma vez com amigos passar um final de semana na casa de praia de uma pessoa tão preocupada em ser perfeita que nos deixou sem jeito e incomodados. Deveríamos avisar o horário em que queríamos ser acordados para que o sistema de telefonia entrasse em ação; deveríamos, pela manhã, especificar o vinho que íamos tomar com o peixe do almoço para que ele fosse retirado da adega a tempo; teríamos também

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que saber onde íamos querer passear de lancha para que o marinheiro preparasse as geladeiras do barco, e assim por diante. Como se não bastasse, nos armários dos banheiros havia remédios para todas as possíveis doenças e produtos de beleza para cobrir qualquer esquecimento. A cada momento, empregados munidos de walkie-talkies nos perseguiam para saber se estávamos sentindo falta de alguma coisa ou se tínhamos alguma reclamação a fazer. Passamos o final de semana nos divertindo em marcar encontros secretos nos cantos do jardim e no final da praia para fugir do assédio e relaxar! Ser bem educado, capaz de receber os outros e tornar o ambiente agradável é chic. Não basta ter a panela de fondue, uma supercasa de praia, ou saber manejar a aterrorizante pinça do escargot.

ETIQUETA, BATATA FRITA E SALTO ALTO Uma travessa de batatas fritas, douradas e sequinhas, atiça o que tem de pior no ser humano. A vontade que dá é de avançar, empurrar as crianças, dar cotoveladas em quem estiver do lado, agarrar o prato e comê-lo inteiro com as mãos, até a última lasca salgada e crocante. Quem não passou pela agonia de ter que se controlar e esperar com dignidade a hora de se servir, enquanto vê as batatas desaparecendo rapidamente da travessa, sinal de que sobrariam muito poucas ou nenhuma na sua vez? É. Não é nada fácil ser civilizado. Mas, sem civilização, sem códigos de convivência, seria a barbárie, a lei do mais forte, do salve-se-quem-puder, e a vida nas cidades ou em qualquer agrupamento se tornaria impossível. Por isso as leis, por isso a etiqueta. Funcionou a partir das cavernas, funciona até hoje. Do mesmo modo que a etiqueta, a moda também tem suas perversidades. Por que usar salto alto ou gravata? Deus do céu, não é muito mais gostoso ficar de pijama? Não foi o que aconteceu. O homem sempre inventou uma coisinha para se diferenciar, para mostrar sua posição no mundo: um osso no nariz, uma pele rara, uma renda, uma cor, um jeito assim ou assado de se vestir. A moda, em vez de orientar, anda deixando as pessoas ainda mais desamparadas e sem saber como lidar com ela. Ninguém mais tem cer-

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teza do que está ou não na moda. A lista dos elegantes traz nomes que, para você, deveriam estar na lista dos malucos ou em alguma ala de escola de samba. São tantas as informações, são tantas as possibilidades, que às vezes a impressão que se tem é de que vale tudo. No entanto… nem pense nisto. Gostemos ou não, viver em grupo exige regras. Estamos sempre sendo avaliados − seja pela nossa aparência ou pelo modo como nos comportamos. Por isso, o conhecimento dos códigos pode facilitar muito a vida. O problema é: onde estão esses códigos? Quem ensina? Antigamente era em volta da mesa que se aprendia a comer de boca fechada, a usar os talheres, a tomar sopa sem fazer barulho (e não avançar na batata frita). Era também o lugar onde se discutiam os problemas da escola, as brigas com os colegas, as cenas vistas nas ruas, nos escritórios, a roupa certa para um casamento, para uma festa, e todos os dilemas éticos que surgiam nos relacionamentos. Com a correria dos dias de hoje, esse ritual tão comum foi praticamente abandonado. As famílias ficaram pequenas, todo mundo trabalha até tarde; os fornos de micro-ondas permitem esquentar pratinhos individuais que serão comidos em frente da tevê ou do computador. Não tem mais mesa, não tem mais muita conversa – e, apesar do afeto e impressão de proximidade, a verdade é que quase não há mais trocas de valores e de experiências. Sem mencionar os pais modernos, que não educam, com medo de reprimir. O caso é que, um dia, para grande surpresa de todos, as regras começam a fazer falta; descobrimos, em pânico, que não sabemos o que vestir e como nos portar num jantar de lugar marcado, quando somos obrigados a comer e conversar com gente que não se conhece, diante de pratos com nomes impossíveis de decifrar. Calma. É justamente nessas horas que é preciso parar para reavaliar os parâmetros de comportamento, manter os que ainda fazem sentido e assimilar os novos. É tempo de recuperar o prazer da civilidade – ao menos para os que teimam em acreditar que a civilização é uma necessidade e um prazer sofisticado. É tempo de um novo regime.

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Chic[errrimo]