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Pedro da Silva

LE COURRIER PORTUGAIS

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Dit le Portugais le premier Messager en Nouvelle-France

Ano I nº 2

26 de Janeiro de 2012 www.lecourrierportugais.com Fondé 01/12/2011 Gracieuseté de nos annonceurs et distribué le dernier jeudi de chaque mois La version portugaise de Romeo et Juliette

Bom S. Valentim Bonne St. Valentin

Inês de Castro - la reine morte

Entre nós a devoção ao santo é muito limitada, no entanto em certas zonas do país, festeja-se no 14 de Fevereiro o Dia dos Namorados, celebrando o amor e a paixão dos amantes com ofertas de chocolates, envio de postais e oferta de flores, aproveitando-se a data para jantares românticos ou até, embebidos pelo espírito do dia, pedidos de casamento. As origens remontam às festividades que se realizavam na Roma Imperial dedicadas à deusa Juno que, ela, estava associada ao casamento e à fertilidade. Há duas versões de São Valentim. Uma, é a do bispo de Terni, que desafiou as ordens do Imperador romano Cláudio II, continuando a celebrar casamentos contra a vontade deste, que considerava que os rapazes solteiros eram melhores soldados. Decapitado a 14 de Fevereiro de 279 dc, foi depois canonizado pelo Papa Gelásio I que instituiu a data como o Dia dos Namorados em 498. Outra versão diz que um outro padre católico, também de nome Valentim, foi preso e martirizado por ter recusado converter-se à religião de Cláudio II. Teria assim conhecido e amado a filha do carcereiro por quem se apaixonou e a ela deixado uma romântica carta de amor, antes de ser executado. Festejado numa grande maioria de países, a data foi aproveitada a partir de 1840, na Inglaterra, aonde uma comerciante começou a produzir lembranças alusivas ao dia, ideia que se estendeu pelo mundo fora RM

Inês, la “reine morte” de Coimbra. A quoi ressemblait-elle, Inès de Castro? Belle, sans doute, et dotée d’un “col de cygne” ; ardente, à coup sûr, et issue d’une grande famille castillane ; mais encore ? L’histoire n’a pas gardé d’image de la maîtresse du futur roi Pedro Ier du Portugal, assassinée en 1355 à Coimbra. C’est donc la légende, toujours flamboyante, qui s’est emparée de cet amour illégitime, violent, trempé dans la trahison, le sang et, finalement, la vengeance. La légende qui, comme chacun sait, se nourrit du désir de ceux qui l’écoutent, mais aussi des lieux où déambulèrent ses protagonistes, pour peu qu’ils aient résisté au passage du temps. A Coimbra, où vécut la belle qui inspira sa Reine morte à Henry de Montherlant, c’est sur la rive gauche du Mondego, face à l’université baroque dont s’enorgueillit la cité, que l’on peut apercevoir les reliefs de cette liaison tumultueuse. Et qu’importent les emballements de la mémoire collective! Dans cette ville où l’on ne compte pas les snacks et boulangeries affublés du nom des amants mythiques, la promenade dans les pas d’Inès et de Pedro garde un mystère et un romantisme incomparables. Elle commence, cette balade, dans le jardin d’un palais du XVIIIe siècle devenu hôtel, la Quinta das Lágrimas. En portugais, le mot lágrima signifie “larme”, les pleurs d’Inès ayant donné leur nom à l’endroit. Tout au fond du parc, non loin d’une source pieusement recouverte d’un drôle de petit édifice, façon sanctuaire, jaillit la “fontaine des

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TRIBUNA

A Chuva e o Bom Tempo

Sonhos e incongruências Chantal Hébert, uma das melhores colunistas políticas postadas em Otava, escreve na edição da Actualité deste Janeiro, um excelente comentário sobre as dramáticas consequências que nos poderiam ter atingido se, pela inocência e irresponsabilidade de certa parte do eleitorado, o NPD tivesse obtido mais alguns pontos percentuais nas últimas eleições de 2 de Maio, de modo a poder aspirar formar um governo minoritário, de coligação com os liberais federais. Desastre maior não poderia acontecer. Foi graças à inteligência e, de certo modo, à justificada desconfiança da população inglesa, que nos salvámos de tal calamidade. De tal descalabro. Já tive ocasião há tempos de me pronunciar sobre esse risco, felizmente afastado pelas razões acima indicadas. Porque, quer queiram quer não, o NPD afirmouse desoladoramente no Québec, apenas pelo carisma de um chefe doente, que nunca confessou a sua verdadeira situação medical, e a esquizofrenia colectiva duma população que continua à espera do seu D. Sebastião… E sonha, em leitos cor-de-rosa. Nem mesmo casos que se tornaram célebres, como o da candidata saída de um bar em Otava ou de um estudante que não sabia onde se situava a “sua” circunscrição…, conseguiram alertar os simpatizantes da cultura de telenovela, para as incongruências dessas candidaturas. O resultado é conhecido e o tempo se encarregou de trazer à luz uma realidade que os mais atentos receavam. Passada a euforia e os elogios fáceis de circunstância, o NPD, que me desculpem os seus simpatizantes, não passa — pelo menos por enquanto — de um fogo de palha. Imaginem o que teria sido colocar na direcção do país tanta improvisação e incompetência! Deus terá ouvido as nossas preces. Mas predomina, mesmo assim, a volubilidade da população. Reparem nas sondagens saídas no dia seguinte ao “casamento” de razão, no Québec, entre os partidos CAQ e ADQ. Segundo os especialistas, se houvesse uma eleição nesse dia, o novo agrupamento chefiado por François Legault, teria feito eleger uma centena de deputados à Assembleia Nacional da província… Apesar da forte onda de descrédito da liderança de Jean Charest e do Partido Liberal do Québec, será que esta tendência se manterá? Não creio. Há uma diferença abissal entre os humores de um momento de glória e a consagração duma campanha eleitoral. As forças em presença são arregimentadas e, nos próximos tempos, o novo chefe de partido vai sofrer virulentos ataques e todo o tipo de rumores com a intenção de o fragilizar, ler, desmobilizar. Eliminar. É o jogo da política, e da sujidade verbal que a acompanha. Já nos apercebermos desta realidade e as tendências multiplicar-se-ão. Entretanto, em Portugal… Noutros azimutes, na terra dos tugas, sabemos que a coisa não vai bem. Um dos grandes males é a mentalidade da nossa gente. E, sabemos também, que as mentalidades não se mudam como quem muda de camisa. Sobretudo, quando já não há camisa. Durante anos a fio usufruímos das benesses do consumo e do porta-moedas europeu. Fizeram-se estradas, criaram-se empresas fantasmas para justificar os milhões que se recebiam, centros comerciais para desnaturar ainda mais a Língua Pátria com anglicismos e tornámo-nos “europeus”, a ponto de nas ondas radiofónicas — entre outros disparates — se ouvirem emissoras de todo o continente e muito raramente a música portuguesa. Era novidade. Éramos “europeus”. Pouco a pouco, fomos caminhando para o precipício, esbanjando o dinheiro destinado à educação e à formação, em construções de pavilhões e autoestradas, esquecendo a produtividade nacional. Muitos foram os que utilizaram as volumosas verbas destinadas à revalorização de fábricas ou reestruturação da agricultura, em compras de palacetes e carros de alta gama. Em viagens sem conta nem medida. E continuámos de mão estendida à Europa. A pressão europeia fez-nos “descobrir” o estado das contas públicas e exigiu o equilíbrio das mesmas com ameaças de bancarrota. Desde então, após o deboche, todos os dias surgem novos compromissos, novos sacrifícios, exigidos pela troika — a um governo que desola pela serviçal beatitude do bom aluno, — a uma população que atingiu já o último buraco do cinto. Que resta então? O horizonte é negro. A desilusão é grande. Nuvens pesadas assolam o país e como no fundo somos um povo ensimesmado, vamos existindo entre a depressão e a euforia. Através dos séculos tivemos períodos de ouro e de infinita tristeza. Estamos portanto habituados à cepa torta. Esperemos apenas que consigam guardar alguns restos de dignidade para preservar a nossa identidade. A nossa independência e nacionalidade. Porque, como numa canção ouvida: no peito vai-me um país! Raul Mesquita

JANEIRO

de 2012

Escrito a 21 de Dezembro passado, por Bruno Proença, Director Executivo do conceituado jornal Económico, em Lisboa, este texto explica com simplicidade e clareza as coacções a que estamos submetidos pela imiscuidade da troika nos assuntos nacionais e as dificuldades para se ultrapassar a embaraçosa situação a que se está fazendo face. Considerando o valor da análise que certamente ajudará o leitor a melhor compreender o que por Portugal se vai passando, publicamos na íntegra e com a devida vénia, este trabalho do distinto profissional da informação.

A receita do FMI Há divergências nas visões do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu sobre a forma de atacar a crise financeira e económica em Portugal. A ‘troika’ não é um corpo único, pelo contrário tem três cabeças com ideias definidas. E o FMI até reúne as melhores propostas. Desde logo, porque é a única instituição que tem experiência na montagem de programas de resgate a países com dificuldades financeiras. Aprendeu com os erros cometidos no passado. Depois, desde o início das negociações do memorando, foi o único que se preocupou minimamente com o crescimento económico. Comissão Europeia e BCE ficaram-se pelas questões financeiras e pela garantia de que haverá condições para pagar aos credores. A ideia da redução da Taxa Social Única sempre teve o alto patrocínio do FMI e acabou por morrer devido aos receios dos impactos na execução orçamental que foram sublinhados pela Comissão Europeia. O Fundo sabe que este tipo de programas de resgate só tem possibilidades de sucesso com o relançamento do crescimento económico e isso é impossível de garantir sem aumentos de competitividade. Daqui deriva a fixação do FMI na necessidade de flexibilizar o mercado de trabalho, nomeadamente os despedimentos. No caso português, esta ideia é curta. Os obstáculos só estão nos despedimentos individuais, já os despedimentos colectivos acontecem com relativa facilidade. Mais importante do que esta questão, é fundamental flexibilizar os horários de trabalho e a mobilidade dos colaboradores. Resolvendo estas questões, os empresários tinham mais facilidade em gerir os trabalhadores e adaptá-los às necessidades de produção, conseguindo os tais ganhos de produtividade e competitividade. A receita do FMI para o caso nacional tem um bloqueio estrutural que é difícil de ultrapassar dentro do euro. Para relançar o crescimento económico rapidamente, é necessário uma desvalorização forte da moeda. Ou seja, é precisa uma política cambial altamente expansionista para compensar as políticas monetárias e orçamentais restritivas. Porém, Portugal está dentro do sistema da moeda única e, assim, não há forma de desvalorizar a moeda. A eventual descida da TSU ou a meia-hora adicional de trabalho são tentativas de simular este efeito, mas sem os mesmos resultados. Neste momento, temos todos os instrumentos a empurrar a economia para a recessão e, assim, não há condições para fazer as mudanças difíceis e pagar aos credores. Como é que se fura este bloqueio? Mais cortes nos salários no privado? Bruno Proença, Director Executivo

Sumário Sommaire A Chuva e o Bom Tempo Temas de actualidade O mundo em que vivemos Legendas do Desporto Redescobrindo o Canadá Entre Nós -FR-PT Terres du Portugal - FR Saveurs du Portugal-FR Santé et Dicas -FR Um herói luso-americano Événements -FR Espaço Jovem - BD Sugestion -FR

Senhor comerciante

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Correio Português / Le Courrier Portugais. Le magazine de Pedro da Silva, dit le Portugais, premier Messager en Nouvelle-France • Le mensuel franco-portugais d’information. Éditeur/administrateur: Henrique Laranjo - www.lecourrierportugais.com - 4134 boul. St-Laurent, Montréal, Qc. H2W 1Y8 • Tél: 514-826-0681 Design graphique: Editions Astrolabe enr. • Directeur de l’information : Raoul Mesquita. • Traductrice: Marta Raposo Impression:Hebdo Litho, Montréal, Qc, • Distribué par: DifuMag, dans la grande région montrealaise.(Centre-Ville et banlieue nord et sud) Distribution gratuite. • 10.000 exemplaires. • Dépôt légal: novembre 2011 • Bibliothèque nationale du Québec • Bibliothèque nationale du Canada Articles d’opinion:Le Courrier portugais accorde priorité aux lettres qui font suite à des articles publiés dans ses pages et se réserve le droit de les abrèger ou refuser. Les auteurs sont responsables des ses écrits qui doivent étre clairs et concis, signés, avec nom complet, adresse et numéro de téléphone. info@lecourrierportugais.com


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Inês, la “reine morte” de Coimbra

DE ACTUALIDADE Crónica Financeira:

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larmes”, près de laquelle se rencontraient les amants. Et si l’eau qui s’écoule prend là des teintes rougeâtres, n’allez pas croire que la couleur naturelle des pierres y est pour quelque chose. Car c’est de sang qu’il s’agit, raconte-t-on, et quoi de plus logique ? Tout, dans cette histoire, n’est-il pas baigné de sang et de larmes ? A l’origine, pourtant, l’amour est la composante principale de cet épisode qui mobilise l’imagination des poètes : la passion folle de l’infant Pedro, fils du roi Alphonse IV, pour une très jeune cousine de sa femme. Inês de Castro, venue au Portugal dans la suite de la future reine, deviendra la maîtresse de Pedro, en dépit de l’opprobre et des tentatives de l’épouse légitime pour les séparer. Pour communiquer, dit-on, les amants utilisaient le cours d’un petit canal (devenu le “canal des amours”), qui reliait la “source des larmes” au couvent voisin. Sur les eaux ténues de cette rigole, qui se perd entre les buis et les fougères, l’infant faisait naviguer des bateaux de bois chargés de billets doux. A l’époque, le canal approvisionnait en eau potable le couvent voisin de Santa Clara, où Inès avait trouvé refuge. Un ensemble monumental, édifié au début du XIVe siècle par une autre figure tutélaire de Coimbra, la reine sainte Isabelle (qu’on fête une fois tous les deux ans, dans un tourbillon de musique et de déguisements), et dont il ne reste aujourd’hui que l’église.

Compreender e aproveitar os REER O Regime Registado Poupança Reforma, geralmente chamado pelo seu abreviativo REER, foi criado pelo Governo a fim de ajudar os cidadãos a poupar para a sua reforma. Estes regimes dão direito a créditos de impostos que servem para reduzir a taxação sobre o rendimento. Este regime pode servir para realizar uma multidão de projectos. Quando as somas investidas no REER são levantadas, o titular deve inclui-lo como rendimento tributável no ano da retirada. É preferível planificar as retiradas com o seu conselheiro financeiro a fim de minimizar o impacto fiscal. Os REER podem ser utilizados como rendimento auxiliar ou de substituição. É preferível fazer as retiradas do seu REER no ano em que o rendimento passível de imposto é inferior. Isto evita facturas fiscais volumosas. Por exemplo, no caso de uma licença de maternidade e se o cônjuge pretender prolongar a sua licença, o rendimento REER serviria para substituir o ordenado regular. No caso de arranque duma empresa, os novos empresários podem servir-se das somas colocadas num REER como fundo de operação. Também pode ser uma solução para as pessoas que desejam usufruir um ano sabático, portanto, as somas retiradas dos REER servirão para concretizar os seus projectos. Os REER servem igualmente para compartilhar os rendimentos de reforma e equilibrar a imposição fiscal num casal. Naturalmente, pode somente retirá-los na sua reforma; tendo em conta que os rendimentos são geralmente mais baixos, os REER permitem conservar o seu nível de vida e realizar os seus sonhos. Pouco importa como utilizará os seus REER, mas, aos 71 anos de idade, será obrigado a fazer retiradas.

Or ce beau bâtiment, qui combine les styles gothique et roman, est une sorte de miraculé de l’histoire : jusqu’en 1996, date à laquelle elle fut sauvée de la noyade par une formidable entreprise archéologique, l’église de Santa Clara n’était visible que de loin. Car l’eau n’a pas tardé à menacer ce couvent de clarisses, qui abritait le tombeau de la fondatrice. Dès la fin du XIV e siècle, les flots du Mondego s’infiltraient dans les soubassements, chassant progressivement les religieuses. Les sédiments ont conservé les ossements, mais aussi mille objets que les archéologues ont exhumés : bijoux, vaisselle, couronne dentaire, semelles... L’église, dans laquelle on ne pouvait entrer qu’en barque jusqu’en 1996, se visite désormais à pied sec. C’est dans un palais situé en bordure de ce couvent qu’Inès de Castro fut décapitée sur ordre du père de son amant. Une muraille percée de deux fenêtres en ogive, quelques colonnes fracturées, des arbres qui poussent en travers des pierres, voilà tout ce qui reste. Et il faut, là encore, imaginer les derniers instants de cette femme de 34 ans, tuée en l’absence de son amant. Exaspéré par l’influence de la famille castillane d’Inês sur son fils, Alphonse IV avait réuni des séides au château de Montemor-o-Velho, dont les donjons austères se dressent encore, à quelques kilomètres de Coimbra. De là partirent les assassins, dont le geste suscita la fureur de l’infant. Ivre de rage, il entra en guerre contre son père et se vengea cruellement des meurtriers. Quant à la femme de son coeur, il lui offrit une sépulture à la hauteur de son amour... et de sa fureur. Devenu roi, il fit transporter sa dépouille dans le monastère d’Alcobaça, au centre du Portugal, où un gisant splendide fut installé sous les voûtes. Mieux: dans un délire vengeur, celui qu’on appela par la suite “le Cruel” obligea sa cour à se déplacer pour baiser la main d’un cadavre vieux de plusieurs années. Aujourd’hui, plus de six siècles après, la belle Inès repose toujours dans son cercueil ouvragé, soutenu par des griffons de pierre. Certains, dit-on, possèdent un visage humain qui serait celui de ses assassins. Raphaëlle Rérolle - Le Monde (NDR com a devida vénia )

Existem dois programas que foram concebidos pelo governo a fim de permitir às pessoas de retirar os seus REER, sem pagar imposto no momento da retirada. O Regime de acessão à propriedade, frequentemente chamado RAP e o Regime de incentivo à educação permanente. As contribuições máximas permitidas são calculadas sobre os rendimentos admissíveis declarados. Em cada ano, 18% do vosso rendimento declarado (até um máximo da 22 450$ em 2011) é acrescentado às vossas contribuições totais permitidas. Este montante é indicado sobre o vosso último parecer de contribuição federal. Uma multidão de colocações é elegível como investimento REER. Além disso, todos os lucros em capital e interesses que são gerados dentro do vosso REER permanecem ao abrigo de imposto. Planifiquem encontros com o vosso conselheiro cedo porque, o fim do prazo para a obtenção de um REER, que servirá para deduzir o vosso rendimento tributável de 2011, é o 29 de Fevereiro de 2012! Bons e rentáveis encontros! Katy Ramos Borges

Pensamentos Se procuras uma mão disposta a judar-te...encontrá-la-ás na extremidade do teu braço. A vida só pode ser compreendida se olharmos para trás. Mas só pode ser vivida se olharmos para a frente.

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TEMAS DE ACTUALIDADE

responsáveis que provem ser este um meio eficaz de o conseguir, mas compreendo a tentação em aumentar tempo de trabalho.

Contudo, e tal como afirmei nas celebrações do Dia 1 de Dezembro em Mirandela, é um mau caminho apagar as datas nacionais que a História consagrou.

Comunicado de S.A.R. Dom Duarte de Bragança As propostas do nosso Governo para a abolição de Feriados civis e religiosos são uma tentativa para aumentar a produtividade nacional, com o custo de apagar datas evocativas que reconhecem a dignidade, identidade, e individualidade de Portugal. Pelas suas repercussões no futuro, não são conhecidas contas de organismos

Oficial

Garantia de depósitos até 100 mil euros já é “permanente” Económico Diploma que torna definitivo o limite legal de 100 mil euros para o reembolso de depósitos foi publicado no Diário da República. A medida, que torna permanente o

O Dia 1 de Dezembro é o mais antigo feriado cívico português, que une toda a Nação Portuguesa, em torno da sua Bandeira, do seu Hino, da sua História e cuja Instituição Histórica evoca a Restauração da Independência contra a subjugação do nosso país a exigências externas. O 10 de Junho começou por ser Dia de Camões, e afirmação da nossa Língua e Cultura e tornou-se em afirmação de Portugal e das Comunidades Portuguesas e celebração dos Encontros Nacionais de Combatentes, de cuja Comissão de Honra me orgulho de fazer parte. limite legal de 100 mil euros para o reembolso de depósitos constituídos nas instituições de crédito participantes no fundo de garantia de depósitos e do fundo de garantia do crédito agrícola mútuo, já tinha sido aprovada pelo Conselho de Ministros que teve lugar no passado dia 15 de Dezembro. A garantia de reembolso dos depósitos já era de 100 mil euros em Portugal por depositante, mas num regime transitório, depois de em Novembro 2008 um decreto-lei ter aumentado o valor dos então 25 mil euros para 100 mil até 31 de Dezembro de 2011. O reforço deste valor aconteceu depois

Os sapatos da diva Com 70 anos, Cesária Évora, “uma das vozes mais expressivas e originais da música” na opinião do Secretário de Estado da Cultura, faleceu uma semana antes do Natal, vítima de insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada, no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde. “Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva”, disse Alcides Gonçalves, director clínico do hospital. “Diva de pés descalços” como era conhecida em todo o mundo, Cesária, para quem cantar descalça era o modo como se sentia mais confortável, afirmou numa das suas últimas entrevistas: “Tudo o que o cabo-verdiano vive e sente na pele, tento passar para o meu trabalho.” Condecorada com a Legião de Honra pelo Presidente Francês Jacques Chirac e receptora de várias distinções nacionais e estrangeiras, o seu falecimento consternou muita gente da qual destacamos os sentimentos expressos por alguns dirigentes portugueses. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lamentou a morte de Cesária Évora, que considerou ser um “símbolo eloquente da música e da alma de Cabo Verde”. Sublinhando que Cesária Évora foi uma “artista singular, que tão bem soube exprimir a cultura e a tradição musical da sua terra, muito para além das fronteiras da Língua Portuguesa”. O Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que “não é apenas Cabo Verde que chora o desaparecimento de Cesária Évora, Portugal chora também com Cabo Verde”. “Presto hoje homenagem a esta grande artista que levou a morna e Cabo Verde aos mais recônditos lugares do planeta”, disse Passos. Chegou assim o momento da “diva” calçar os sapatos para a sua última caminhada. Que descanse em Paz. RM

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Num cenário de não poder respeitar as duas datas, opto por manter o 1º. de Dezembro, porque para além do seu próprio significado, haveria oportunidade para honrar os Combatentes que ao longo dos séculos o tornaram possível, invocar a Cultura que Portugal soube, por isso, edificar e homenagear as Comunidades que nos continuam no mundo. Difícil seria apelo de igual abrangência no 10 de Junho. Os feriados não pertencem aos Governos mas sim aos Povos e no grave transe que o nosso país atravessa, com acentuada crise de princípios, não se afigura útil eliminar datas que são de reconhecimento da nossa História e dos nossos valores quase milenares, afirmados por gerações sucessivas de Portugueses desde o 5 de Outubro de 1143. Dom Duarte de Bragança Sintra, 21/12/2011 de, em Setembro de 2008, no auge da crise financeira, a Irlanda ter decidido reforçar as garantias aos depositantes para 100 mil euros com o objectivo de proteger os seus bancos dos efeitos da crise. “Atendendo a que, nos termos do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 211 -A/2008, de 3 de Novembro, o actual limite da garantia de 100 000 euros caduca a 31 de Dezembro de 2011, estabelece -se, de forma permanente, este limite”, pode ler-se no diploma, que resulta da transposição de uma directiva comunitária.

Mensagens Recebemos do Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Cesário e dos Senhores Dr. Pedro Moitinho de Almeida e Dr. Fernando Demée de Brito, respectivamente Embaixador de Portugal no Canadá e CônsulGeral de Portugal no Québec e Este do Canadá, simpáticas mensagens de Natal e Ano Novo que, devido à data antecipada da nossa edição, não permitiu a sua publicação. Ao agradecermos os ilustres signatários, retribuímos os mesmos Votos de Paz e Prosperidade para 2012. O Editor

A Porta do Cerco

Fernando Sobral

A Porta do Cerco foi, em Macau, o ponto de acesso de Portugal à China. Portugal vai agora ser a porta de acesso da China à Europa e às Américas. A história não se repete como farsa. Transforma-se consoante o poder e a vontade dos protagonistas. Mas a compra de uma posição determinante da EDP pela Three Gorges representa o grande salto da panda gigante para atravessar a porta de fronteira que o separava do mundo que quer descobrir. É um bom negócio para Portugal, que precisa do capital que a Europa se esquiva a dar-lhe. Por isso quaisquer que sejam as lágrimas de crocodilo da Alemanha, elas não merecem um lenço. Portugal coloca-se num centro de batalha onde a Europa é cada vez mais irrelevante. E é por isso que a decisão se torna estratégica. Para a China e para Portugal. Para os chineses porque encontram em Portugal uma base de operações ideal, com janelas para os EUA, para a Europa, para o Brasil e mesmo para África. Portugal porque se liberta da canga de ser um pobre do sul da Europa que só sabe pedir dinheiro a Bruxelas. Portugal vai ser um Macau maior. Ao contrário. Mas isso poderá dar-lhe fôlego para organizar uma nova estratégia para um futuro em que não fique apenas refém do que pensa Bruxelas. As portas que a China abriu podem ser determinantes para que Portugal perceba por onde passa o seu futuro: pela África, pelo Brasil e, curiosamente, por um regresso inteligente à Ásia que tanto desprezámos e esquecemos depois do ciclo da pimenta. A China inventou a pólvora mas também criou o papel. Sun Tzu ensinou a arte da estratégia. Portugal, aparentemente, aprendeu a lição.


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O MUNDO EM QUE VIVEMOS

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Que não é prémio vil ser conhecido, por um pregão do ninho meu paterno (Camões) Nota introdutória: o Tenente-Coronel piloto-aviador J. Brandão Ferreira destacase da mediocridade intelectual e cívica que grassa no nosso país, demonstrando com excepcional clarividência em todos os seus escritos, um portuguesismo digno do maior relevo, que os nossos dirigentes fariam bem em seguir. Ele denuncia com elegância as zonas cinzentas espalhadas pelo país, pondo o dedo nas feridas abertas na sociedade portuguesa actual. Porque comungamos com o distinto oficial reformado os mesmos pontos de vista, permitimo-nos apresentar com a devida vénia, este seu excelente trabalho. RM

O EURO, O ESCUDO E OS ROMANOV A 1 de Janeiro de 1999 onze países [1] da União Europeia, mais a Grécia, em 2001, adoptaram o “Euro”, unicamente para as suas transacções comerciais e financeiras. Moedas e notas foram introduzidas, mais tarde, em 1 de Janeiro de 2002. Foram postos a circular 80 mil milhões de moedas e notas, numa operação de grande complexidade. As notas são todas idênticas e as moedas possuem uma face comum, com indicação do seu valor e, na outra face, um símbolo nacional do respectivo Estado membro. A circulação do euro passou a ser livre. Aquando do desenho da moeda ocorreu um pequeno incidente: na face comum mostram-se os países separados pela respectiva fronteira; pois na altura apareciam todos menos Portugal, que não estava individualizado na Península Ibérica. Feito o reparo (para o que muito contribuiu o protesto e alerta feito por uma associação patriótica existente na altura – o Movimento 10 de Junho), a fronteira lá apareceu. Não deixa, todavia, de ser curioso notar que o responsável pela “cunhassem” da moeda fosse um…… espanhol. Portugal pôs-se em bicos dos pés para estar no pelotão da frente para entrar no euro. Preparámo-nos, com algum afinco, para cumprirmos os chamados “critérios de convergência”- quase como se de uma corrida de vida ou de morte se tratasse – mas sempre estivemos longe de ter uma economia ou finanças que sequer justificasse ou aconselhasse, tal entrada. Parece que hoje em dia já ninguém tem dúvidas disto. As elites dos países “ricos” – isto é, aqueles que conseguiram emprestar mais dinheiro – estavam fartinhas de saber que não estávamos preparados para entrar mas, por razões políticas que interessavam ao núcleo duro do euro, e menos por “solidariedade”comunitária, não se opuseram. É claro que, depois de entrados, embandeirou-se em arco e logo se baixaram as guardas e se enviou a disciplina orçamental às malvas. E, desta maneira, foi a Nação Portuguesa expurgada de um dos seus instrumentos maiores de soberania, que nos acompanhava há 500 anos e que chegou a ser moeda franca em todo o Oriente, no século XVI, e a sexta moeda mais forte do mundo, no século XX, toda ela escorada em reservas de ouro e equivalente à riqueza (real) produzida. Tudo se passou sem uma discussão pública digna desse nome ou referendo sobre tão momentoso passo, tudo enrolado e servido numa cortina de propaganda mediática. Fumos da Índia, que nem sequer eram nossos… Nem durante os tempos da “Coroa Dual” filipina, houve Conde Duque de Olivares ou Cristóvão de Moura que a tanto se atrevessem. Porém, alguma antiga sabedoria Lusitana sobrepôs-se ao deslumbre de muitos pacóvios indígenas e ignorou uma directiva ou sugestão comunitária, que mandava destruir as, até então, moedas nacionais. Os zelotas de Bruxelas foram ao ponto de disponibilizarem máquinas (a 5500 contos cada), para todos os países executarem rapidamente tal desiderato. A Portugal estava destinado uma dúzia delas. Ninguém as levantou (comprou). Os alemães, por ex., sempre muito obedientes a um qualquer líder (fuhrer, na linguagem própria), que se instale, até montaram máquinas nos carros eléctricos

que assim destruíam, de imediato, as moedas captadas e trocavam-nas por euros. Uma eficiência a toda a prova! Ainda nos ofereceram umas seis máquinas, mas recusámos. Ao invés colocámos todos os escudos em contendores e guardámo-los nos paióis do Campo de Tiro de Alcochete. Nunca se sabe o dia de amanhã… Quem assim decidiu merece louvor e condecoração. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e surge a notícia de que, há cerca de um mês, “alguém”deu ordem para que funcionários da Casa da Moeda trabalhem, afanosamente, a triturarem os vetustos escudos. Convém saber quem deu a ordem e porquê. É preciso colocar-lhe (s) umas orelhas de burro e alçá-lo (s) ao panteão dos “cretinos esféricos”. Seguramente virão dizer que a moeda dentro dos contentores não servia para nada e, assim, sempre se ganham uns euros com algum sucateiro que queira aproveitar o metal. Aguardamos, ansiosos, as futuras trocas de robalos por alheiras. A mim, todavia, não me parece nada que a razão seja esta, ou outra qualquer parecida. Penso sim, que algum sátrapa (internacionalista, federalista, comunitário), devidamente avençado, quis dar ao escudo (única moeda dos países aderentes ao euro, não destruída!), o mesmo destino que os sovietes vitoriosos da Revolução Bolchevique quiseram dar aos Romanov[2] : eliminá-los até ao último. Isto tinha (e ainda tem), um significado inequívoco: não há retorno, não se volta para trás. Este é, estamos em crer, o verdadeiro significado de mais esta infâmia miserável, que duvidamos prevaleça, do mesmo modo que dos Romanov houve quem sobrevivesse e hoje só há russos, já não há soviéticos. Os portugueses que amam o seu país têm que começar a reagir, duramente, à destruição de Portugal. Indo na onda, a mais alta figura do Estado veio, na sua loquacidade de marfim, mostrar-nos uma nova faceta, ao declarar “Urbi et Orbi” que “daqui a 50 anos o euro ainda estará por cá”. Caros concidadãos não sei se perdemos um presidente mas ganhámos, seguramente, um profeta e um vidente. [1] Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda e Portugal. Ficaram de fora o Reino Unido, a Suécia e a Dinamarca, que não quiseram aderir. [2] Dinastia então reinante na Rússia J.Brandão Ferreira

O Adamastor


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CORREIO

PORTUGUÊS

LEGENDAS NACIONAIS

JANEIRO

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JESUS CORREIA - o mágico Componente da célebre linha avançada leonina que se imortalizou — na segunda metade dos anos 40 — sob o nome “dos 5 violinos”, António Jesus Correia foi homem grande no desporto nacional. Tanto no futebol como, e simultaneamente, no hóquei em patins, seu primeiro amor, iniciado no ringue do Paço de Arcos, sua terra natal, foi um desportista de eleição. Praticava os dois desportos com alto nível e, em ambos, alcançou honras e troféus. Pelo Sporting, nos 315 jogos que efectuou marcou 254 golos e conquistou 5 campeonatos e 3 Taças de Portugal. Com a camisola do Paço de Arcos, no hóquei, foi oito vezes campeão nacional, entre 1942 e 1955, tendo igualmente adicionado seis títulos mundiais. Nesta modalidade ficou famoso pela espectacular forma de avançar em direcção da baliza adversária, transportando a bola na ponta do “stick”, para culminar com remate forte e preciso na obtenção de mais um golo. Desportista versátil, jogava a extremo-direito na linha avançada do Sporting, ao lado dos não menos famosos Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, — talvez o maior fenómeno colectivo do futebol português, — no qual tinha um papel preponderante a desempenhar, imprimindo maior acutilância, amplitude e profundidade nas pautas daquele compêndio sinfónico nunca igualado, nos campos de futebol. No Sporting actuou sob a direcção de Szabo após ter sido confirmado no plantel do clube, ao mesmo tempo que brilhava no hóquei em patins. Esteve 10 épocas no clube de Alvalade (entre 1943 e 1953) e serviu, muito particularmente, a veia goleadora de Fernando Peyroteo e esta importância iria, fatalmente, reflectir-se na selecção nacional, cuja camisola vestiu em 13 ocasiões, tendo marcado 3 golos nessas competições. O maior momento da sua carreira terá sido o jogo no Estádio Metropolitano, em Madrid, na inauguração de melhoramentos importantes ali realizados e para a qual a equipa-maravilha, bicampeã nacional foi convidada, defrontando o Atlético de Madrid a 5 de Setembro de 1948, onde marcou os 6 golos que deram a vitória aos leões. Como o próprio recordou algum tempo antes de falecer, no momento de dar o pontapé de saída no jogo que inaugurou o Estádio José Alvalade: ”Penso que fui o único jogador que marcou seis golos ao Atlético de Madrid. Foi um jogo muito bom, em que tive a ajuda de todos os companheiros para conseguir essa marca. A seguir defrontámos o Barcelona e perdemos 3 a 1. Como os jornais tinham descrito o que se passara em Madrid, nem toquei na bola em Barcelona, sempre com dois jogadores em cima de mim”… Corria a época de 1952/53 quando o Sporting quis obter a exclusividade do desportista. Impondo-lhe a decisão de se decidir pelo futebol ou pelo hóquei, a direcção do clube, pensava que a pressão que se faria sentir jogaria a seu favor. Tal porém não aconteceu. O “Necas” achou mais honesto e acertado optar pelo seu primeiro amor — o hóquei —, que lhe permitia mais tempo para acompanhar a família, tendo aceitado a ajuda do Clube de Paço de Arcos para a compra do apartamento onde sempre viveu e abandonou definitivamente os relvados, quando, com 28 anos apenas, muito se poderia esperar das suas proezas. E Jesus Correia, uma lenda, um mágico, nas duas modalidades em que tão briosamente se destacou, sabendo utilizar à perfeição a velocidade das pernas nas execuções que o celebrizaram, foi, em ambas, um quebra-cabeças para as defesas adversárias e sobretudo, um marco no desporto nacional, não deixando ainda hoje de inspirar as novas gerações de desportistas. Nascido a 3 de Abril de 1924, em Paço de Arcos, o último dos mágicos Cinco Violinos faleceu a 30 de Novembro de 2003. Raul Mesquita

Jesus Correia


Tadoussac

CORREIO PORTUGUÊS

REDESCOBRINDO O CANADÁ

Situada na confluência do S. Lourenço e do Saguenay e fazendo parte da divisão administrativa da Costa Norte, a vila de Tadoussac conta presentemente cerca de 900 habitantes. Porta de entrada na zona da Alta Costa Norte e estendendose ao longo da rota das baleias na região turística de Manicouagan, este pequeno lugarejo transborda de actividades e de vida, graças a reconhecidos eventos e à riqueza do seu património. Quando em 1535 navegava no S. Lourenço, Jacques Cartier ficou deslumbrado com tanta beleza e, sem hesitação, lançou âncora para poder visitar o lugar. Anos mais tarde, em 1599, Pierre de Chauvin, Senhor de Tonnetuit, seguelhe as pisadas, fazendo erigir o primeiro posto de troca e depois deste, Samuel de Champlain, desembarcou ali em 1603. Entretanto Tadoussac desenvolveu-se graças ao comércio da troca de peles, à indústria das madeiras e desde 1864 ao turismo, ano em que foi construído o primeiro hotel. Oficialmente constituída em 1899, a municipalidade festejou no ano 2000 os seus 400 anos de história. Os seus habitantes têm orgulho da beleza que os cerca e que souberam transformar numa destinação turística muito procurada e internacionalmente reconhecida. Na verdade, Tadoussac, faz parte integrante das Mais Bonitas Baías do Mundo e da Associação das mais belas vilas do Québec. Tadoussac é uma vila onde nunca se é assomado pelo tédio. Verão como Inverno as actividades são assim diversas como o meio-ambiente: lagos, rios, montanhas estão lá à espera dos amadores do ecoturismo, do mesmo modo que a profusão de lazeres, oferece uma gama diversificada para desportistas, amadores de história, de música, ou simplesmente, da Natureza. Não se devem perder as possibilidades duma saída em Kayak de mar, de passeios pedestres, de excursões às baleias ou ao majestoso Fiorde do Saguenay, visitas aos centros de interpretação, ao lugar histórico ou aos “ateliers – boutiques” de arte, à observação das aves, passeatas nas dunas ou num hidroavião, golfe, espectáculos da canção ou de teatro, uma passeata em moto neve, raquete, esqui pedestre, “glissade”, patinagem no gelo e muitas outras actividades a descobrir pelo visitante. O extraordinário meio-ambiente de Tadoussac, permitiu a criação de dois parques nacionais, sendo um federalprovincial e o outro apenas provincial. Ambos, porém, têm a vocação de proteger o meio-ambiente terrestre e marítimo para as gerações vindouras. Percorrendo estes parques tem-se acesso a vários refúgios ao longo dos trilhos bem identificados e protegidos, para o que se deve obter previamente, o direito de acesso. Área protegida, o território do Parque marinho do Saguenay-S.Lourenço é exclusivamente aquático. Com uma superfície de 1245 km² as suas águas frias e salgadas do oceano Atlântico, criam um meio rico em camarões e pequenos peixes, que são a guloseima das baleias. Os responsáveis do Parque têm como objectivo proteger este ecossistema tão complexo com frágil para herança da geração actual e futura. Paisagem majestosa, dos seus diversos pontos de observação, seja à Pointe de l’Islet, à Pointe Rouge ou em qualquer vilória nas montanhas das redondezas,

43 Anos 8 de Janeiro de 1969 8 de Janeiro de 2012

JANEIRO DE 2012

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podem ver-se, com ou sem binóculos, os cetáceos emergindo das águas ou panorâmicas de rara beleza da região. As excursões às baleias podem ser feitas em diverso tipo de barcos, grandes e pequenos e duram cerca de três horas. É conveniente agasalharse convenientemente para se poder aproveitar da incomparável vista que se desfruta do exterior do barco. Bastião rico em património histórico, Tadoussac soube sempre valorizar o vocábulo de encruzamento histórico-cultural. Ao longo dos séculos e por razões económicas e sociais o mosaico cultural transformou-se. Porém, apoiando-se sobre a sua riqueza histórica, Tadoussac desenvolveu-se sobre o plano artístico

e cultural, dando ocasião a vários sucessos em Festivais da Canção ou de pintura, que lhe conferem um lugar de realce na paisagem cultural da região. Adaptação Assinalamos com prazer o 43º aniversário desta instituição criada em 1969 por um pequeno grupo de visionários, preocupados com o desenvolvimento e o bem-estar da gente lusa, no limiar da estruturação da comunidade. Ao longo destes anos a vida do organismo sofreu alguns desaires, rapidamente saneados pela dedicação e desinteressado benevolato de quantos sempre acreditaram nas suas possibilidades, mesmo se ainda não totalmente atingidas. Queremos todavia acreditar que a por vezes indolência, tão tradicional nos portugueses finirá por se esboroar, dando lugar a uma maior participação — a todos os títulos— com o organismo que é, ainda, o de maior representação da lusitanidade, garantindo assim a sua justa e indispensável perenidade. Apresentamos aos dirigentes actuais, assim como ao dedicado pessoal, as nossas felicitações pelo evento há escassas semanas ultrapassado.


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ENTRE NÓS La Guitare Portugaise

CORREIO PORTUGUÊS

JANEIRO

DE

2012

La guitare portugaise se compose de deux parties principales : le bras et la caisse harmonique. Dans la partie supérieure du bras, il y a une plaque de métal perforée de douze ouvertures longitudinales dans lesquelles se logent les crochets des douze clefs placées au-dessus en éventail. Les clefs permettent d’accorder la guitare. À la base de cette plaque se trouve un support en os ou en ivoire, dont les rainures sont égales au nombre de cordes et forment leur premier point d’appui. Le manche de la guitare va de ce support en os, jusqu’à l’ouverture circulaire de la table de la caisse harmonique. Il est divisé en dix-sept espaces, constituant le diapason. Chacun de ces espaces, se nomme case; il est réduit proportionnellement et divisé par un filet de métal nommé barré. L’ordre numérique des cases, s’impose en partant du support supérieur des cordes qui est le numéro un et ainsi de suite, en continuant dans l’ordre. À l’extrémité opposée, dans la partie inférieure de la caisse harmonique est fixée une autre pièce métallique qui est garnie de crampons, auxquels se fixe l’autre bout des cordes. Elles sont terminées en forme de ganse, travail qui s’opère manuellement à l’aide d’un outil spécial. Dans l’espace compris entre cette plaque et l’ouverture circulaire de la table, se trouve placé le chevalet. Pour déterminer sa position, on mesure avec un compas la distance de la première à la douzième case. Cette distance trouvée, il est possible de déterminer avec exactitude la situation en plaçant une des pointes du compas dans la douzième case, tandis que l’autre reportant la mesure réduite par la première opération, devra s’appuyer sur le sommet du chevalet. Violão, viola et guitarra ? On appelle au Portugal «violão» ou «viola francesa» l’instrument qu’en France on se plait à nommer «guitare ou guitare espagnole». Quoique ces deux premier termes portugais veuillent dire « grande guitare et viole d’amour » on réserve au Portugal le nom proprement dit de ‘’guitare’’ à un instrument de douze cordes passablement inconnu ailleurs.. En effet , la caisse arrondie en forme de cœur renversé ( pour citer les vers d’Hilário qui fut un grand chanteur de Coimbra du XXe siècle) , le bras court et étroit, la merveilleuse tête sculptée qui surmonte la mécanique de cette guitare, ne laissent pas d’étonner plus d’une personne : cet instrument si répandu au Portugal et si cher au cœur des Lusitains , ne peut guère évoquer par sa structure que le cistre , pour un esprit non prévenu. Selon Jean Witold, qui fut un grand musicologue, l’instrument à cordes qui devait aboutir au travers de nombreuses mutations à la guitare portugaise, fut introduit en Europe par les Maures, lors des grandes invasions du Moyen Âge. Les troubadours portugais adoptaient cet instrument qui fit rapidement partie des divertissements musicaux de la court portugaise installé à Coimbra. Les luthiers n’eurent de cesse de perfectionner la ‘’ Guitarra Portuguesa’’ et l’histoire même devait leur donner raison de tant d’amour, puisqu’elle devait faire fureur en Angleterre au XVIIe siècle, au point de détrôner le cistre anglais jusque dans les «barber’s shop». La guitare portugaise franchit les frontières du Portugal, lorsque les habitudes de la cour Lusitaine furent transportées en Angleterre à l’occasion du mariage de la Princesse Catarina de Bragança , fille de Don João IV du Portugal , avec Charles II. Cet engouement se répandit si fort que les luthiers londoniens fabriquèrent de ces guitares étrangères au point de les exporter. Toutefois ce furent les portugais qui continuèrent à perfectionner cet instrument et le XVIIIe siècle le dota de des attributs définitifs que nous lui voyons maintenant. Sa structure demeure inchangée depuis lors, ayant atteint le sommet de la perfection dans le développement qui lui fut imposé au travers les siècles. Germano Rocha Recebemos do estimado e distinto Prof. Dr. Luís de Moura Sobral este simpático cartão de Boas Festas que publicamos para relembrar que a Cátedra sobre a Cultura Portuguesa é,— senão o mais representativo, — o órgão de maior relevância cultural e artística que possuímos. Sempre que possível publicaremos o calendário das actividades da Cátedra pedindo para elas, desde já, uma forte participação, por quantos encontrem nelas uma significativa manifestação da identidade portuguesa.

Chaire sur la culture portugaise État indépendant constitué au milieu du XIIe siècle, le Portugal a développé au fil du temps des formes de culture originales. Langue, littérature, architecture et arts visuels ont joué et continuent de jouer un rôle déterminant dans la construction de l’identité portugaise. Transplantées sur d’autres continents, transformées ou adaptées aux conditions locales, ces manifestations ont contribué à l’émergence ou à l’affirmation d’autres identités, d’autres phénomènes culturels. Forte d’une communauté d’origine portugaise de quelque 50 000 personnes, Montréal abrite la première chaire vouée spécifiquement à l’étude de la dimension visuelle de cet héritage culturel et artistique, vaste et diversifié. Par là, la Chaire sur la culture portugaise de l’Université de Montréal se distingue des autres chaires de recherche qui, un peu partout au monde, sont consacrées à divers aspects des cultures lusophones, mais principalement à la langue, à la littérature ou à l’histoire.

L’équipe de la  Chaire sur la culture portugaise vous souhaite une agréable période des Fêtes et une excellente année 2012  Luís de Moura Sobral


CORREIO PORTUGUÊS

ENTRE NÓS

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O estrume era leve e a bateira estava perto, pelo que o serviço até ia correndo bem! Mas… - Quando uma das vezes me dirigia para o local onde ia fazer o próximo feixe, vejo o meu pai atrapalhado, a correr atraz de qualquer coisa, com a gadanha em riste. Aproximo-me e o que vejo eu! Uma cobra cortada ao meio pela gadanha do meu pai! Fiquei com medo! - Esta já não faz mal a ninguém diz o meu pai… - Esta não. E se aparece outra que tu não vês, e vai no feixe, apanha-me um dedo e morde-me? Fiquei aterrorizado! - Já não vai haver mais outra cobra e isto são cobras de água, não fazem mal a ninguém! - Já não levo mais feixe nenhum, digo eu apavorado… - Ai levas, levas! Senão queres levar o feixe à cabeça, levas com o cabo da gadanha pelas costas que é para aprenderes! E o cabo da gadanha convenceu o Toino… Ângelo Ribau

Outono Foi feita a colheita do milho e do feijão. Agora havia que preparar as terras para a sementeira das ervas que durante o Inverno iriam alimentar o gado. Os terrenos teriam de estar devidamente preparados, para que, com as primeiras chuvas, as sementes serem lançadas à terra. Foram limpas as leiras, das felgas, e de todas as ervas daninhas. As milhãs eram apanhadas à foicinha, e iam servindo para a alimentação dos animais. Havia sempre qualquer coisa para fazer. Agora que as terras estavam prontas a semear, tínhamos que esperar pela chuva, para as podermos semear. Entretanto, o pai do Toino diz: - Enquanto não chove e há pouco que fazer, amanhã pegamos na bateira e vamos à marinha apanhar uma bateirada de estrume, que servirá para as camas do gado, quando chegar o Inverno! E o Toino que pensava que iria chegar um período de acalmia no trabalho, que lhe daria a possibilidade de ler uns livros da biblioteca existente lá em casa e que tinha sido dos seus tios… Puro engano! O Toino era novo. Tinha ainda pouca força para puxar a bateira à cirga, pelo que o pai saltou para terra e o Toino tomou o lugar de timoneiro, tentando governar a bateira, o que dada a falta de prática não foi nada fácil. A bateira ora batia contra as estacas de cimento, ora se afastava para o outro lado do esteiro, o que tornava difícil a sua progressão pelo esteiro adiante! E lá vinham as ameaças: - Ó tu governas a bateira como deve ser, ó quando chegarmos ao fim do esteiro e eu saltar para bordo, levas com a vara pelas orelhas, que até te consolas, que é para aprenderes… Chegámos ao fim do esteiro, ele entrou para a bateira, pegou na vara, e lá veio o castigo… Enxugando as lágrimas à manga da camisa o Toino ia pensando: - Isto não pode ser vida para mim. Tenho de me desenrascar. Isto não pode ser… Chegados à marinha a maré estava baixa. Encalhámos a bateira que ficou em seco, facilitando o transporte do estrume para bordo. À medida que o pai ia gadanhando o estrume, o Toino ia-o enfeixando, depois apertava o feixe com uma corda e transportava-o à cabeça para a bateira.

Joe Puga lança “Viva”.

Viva Joe Puga! O melhor espectáculo de fim de ano, foi sem dúvida, o do Joe Puga. Le Centre Leonard da Vinci, está de parabéns, por apresentar um dos melhores artistas da comunidade Portuguesa de Montreal. No timbre de voz, na apresentação, música, talento e, no visual, tudo foi excelente! O Joe, exprime-se muito bem em palco; tem orgulho de divulgar, cantando, a língua de Camões. É possuidor de uma bela educação, e isso, aconchega o público. O seu novo CD,`Viva`, resume 25 anos da vida de artista e de consequente sucesso. As canções são lindas! Alegres, cheias de vida. Foi a nossa música preferida, na época natalícia e na passagem do Ano. Em primeiro, os meus agradecimentos, a Henrique Laranjo, pela graciosidade de acesso ao espectáculo já que ele, por motivos profissionais, não pôde estar presente. Adorei felicitar os pais do artista que estavam maravilhados, envolvidos por uma plateia repleta a `craquer`, deslumbrada e participante. Do Joe Puga, não sei o que dizer...É, creio, o maior! Está de parabéns! E, de parabéns, ficamos todos nós por termos no nosso meio gente como o Joe, capaz de içar a altos cumes a arte do espectáculo. Os meus agradecimentos para este novo jornal, seus editores e a si leitor, por me permitirem expressar esta opinião. Felicidades! Lúcia Ramos Borges


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LE COURRIER PORTUGAIS

TERRES DU PORTUGAL

SINTRA - O Glorioso Eden

JANVIER 2012

Le Centre Historique

Sintra est l’un de ces paradis terrestres où la main de Dieu s’est appliquée à sculpter la nature de façon sublime, comme si elle voulait nous laisser émerveillé et ébloui devant la beauté de l’œuvre. Sintra est un site qui doit toucher au cœur. II ne suffit pas d’en parler, de conter son histoire où de décrire son paysage. C’est un lieu où souffle l’esprit, un lieu qui nous interpelle. Le mystère qui enveloppe la Serra, la Montagne de la Lune; la densité chromatique du paysage qui nous touche comme si c’était une grande toile collective; la mer de son littoral, source d’inspiration et de rêve; ses légendes et ses traditions ancestrales; ses gens dont l’hospitalité et la sympathie sont bien reconnues; tout cela, et bien plus encore qu’on ne saurait exprimer dans des mots, fait de Sintra le Glorieux Eden chanté par Byron. Motifs bien sûr suffisants pour une visite à ce site idyllique. Et le visiteur, s’il prend conscience de la transcendance de cette terre sacrée, pourra alors sentir et pénétrer véritablement Sintra.

La Montagne de Ia Lune Dénommée dans l’Antiquité classique Montagne de Ia Lune ou Promontorium Lunae, en raison de la forte tradition de cultes astraux dont la trace est encore visible dans nombre de monuments et objets archéologiques, la Serra de Sintra est un massif granitique d’environ 10 km de long qui, entre une vaste plaine au nord et l’estuaire du Tage au sud, émerge abruptement en une chaine sinueuse qui pénètre dans l’Océan Atlantique pour former le Cap da Roca, la pointe la plus occidentale du continent européen. Aimée et vénérée par l’homme tout au long de l’Histoire, la Serra de Sintra présente aujourd’hui un fabuleux ensemble de monuments des époques les plus variées, de la préhistoire à nos jours, signe d’un respect exceptionnel et d’une immense tolérance culturelle, ce qui est peut-être la raison principale pour laquelle Sintra a été inscrite au Patrimoine de l’Humanité. Ailée à la diversité de ses monuments, on doit souligner aussi la richesse de l’environnement naturel. Grace a son microclimat la Serra présente, a côté d’une végétation autochtone dense et touffue, quelques-uns des plus beaux parcs du Portugal, plantes dans le gout romantique, qui la couvrent d’un manteau majestueux dans la gamme chromatique des vents. Ainsi le visiteur peut remonter au Néolithique au Tholos do Monge , admirer les vastes horizons depuis les murailles du Castelo dos Mouros, forteresse arabe du VIIIe siècle, sentir Ia profonde austérité des moines franciscains au Convento dos Capuchos, déambuler au milieu des mystères du Palácio da Pena, édifice aussi mythique que magique, qui semble être le prolongement de la montagne elle-même, et s’imprégner de l’atmosphère des recoins évocateurs d’amour et d’exotisme du Parc da Pena d’où émane paix et sérénité.

Le noyau urbain qui constitue Ia Vieille Ville offre, par son ancienneté et son hétérogénéité, un passionnant itinéraire à travers le passé de l’homme dans lequel on peut sentir et admirer les diverses époques qui ont régi le cours de l’histoire. Le tissu urbain de caractère médiéval qu’elle a conservé, aux ruelles étroites et labyrinthiques entrecoupées de volées d’escalier et d’arches, donne un air mystérieux à la Vieille Ville dominée par le Palais National, son principal ensemble architectural et l’édifice de résidence du roi et de Ia cour le plus fascinant qui subsiste au Portugal. Le palais ne fut pas conçu d’un seul coup, ni à une seule époque. C’est un assemblage, harmonieux et séduisant, de parties distinctes, construites par phases successives et au gré de styles variés. Et c’est cet ensemble, reflet de goûts et de mentalités multiples, qui contribue extraordinairement à l’étrange beauté de ce palais. Cependant, il existe encore d’autres monuments de grande noblesse et de vif intérêt historique qui peuvent être admirés dans le périmètre du centre ville: la Tour do Relógio, l’Eglise São Martinho, le Palais dos Ribafrias, le Couvent da Trindade, l’Église Santa Maria, un remarquable ensemble de fontaines séculaires comme celles da Pipa et da Sabuga, sans oublier la Judiaria, un ensemble de maisons où habitaient les juifs.

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LE COURRIER PORTUGAIS

SAVEURS DU PORTUGAL

JANVIER 2012

Oublie ton passé, qu'il soit simple ou composé, et participe à ton présent pour qu'ensuite ton futur soit plus-que-parfait ! authentique.

Morue séchée

La taille de la morue authentique doit être grande ou très grande, et très large. Un poisson étroit n’est donc pas de la morue authentique.

Les portugais ont la réputation d’être fanatiques de plats de morue cuisinée. En fait il faut nuancer cela, car dans leur ensemble ils en consomment à peu près régulièrement avec une prédominance dans certaines régions, mais pas d’avantage que d’autres poissons, du bœuf, du porc, du chevreau, ou encore de la volaille. Au même titre que les Français sont connus à l’étranger en tant qu’amateurs de camembert, les Portugais le sont pour la morue. Il faut bien évidemment relativiser les perceptions et les images exagérées ou déformées. La réputation d’attachement excessif à la morue que l’on a collé, surtout en France aux Portugais, est une image certes humoristique, mais exagérée et d’ailleurs un peu caricaturale. Ceci dit, elle n’est en soi nullement dégradante, car ce poisson est non seulement un des meilleurs aliments qui existe au niveau de ses qualités nutritives, mais aussi un aliment encore sain car non touché par les maux de notre époque. Ce poisson est en effet essentiellement pêché le long des côtes froides norvégiennes, dans des eaux claires, limpides et non polluées. On trouve, au menu des restaurants portugais, de la morue, au même titre que d’autres poissons, du bœuf, du gibier, du poulet, du veau, du chevreau, des sardines etc. C’est simplement un élément supplémentaire, s’offrant à leur panoplie culinaire, ce qui augmente le choix. Le Saviez-vous ? Non pas 365, mais 600 ! Au même titre qu’il existe des centaines de façons de préparer les viandes, il existe aussi une multitude de façons de préparer la morue. À ce propos, on colporte souvent une idée reçue, stipulant qu’il existe 365 façons d’accommoder la morue au Portugal. Or ce chiffre est bien en dessous de la réalité, tellement les portugais ont été inventifs dans ce domaine. En effet, l’ensemble des guides gastronomiques portugais en recensent plus de 600 différentes ! Il existe donc plus de 600 façons différentes de cuisiner la morue au Portugal ! BACALHAU BACALHAU. La morue a des vertus nutritives quasi exceptionnelles. Ce poisson est un des meilleurs aliments qui existe du point de vue nutritionnel, car riche en protéines et pauvre en lipides et glucides. Elle est de plus riche en vitamine B et en calcium. Sur un tableau nutritionnel comparatif,

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après le blanc d’œuf, la morue arrive en tête, comme aliment offrant le meilleur rapport et le dosage le plus équilibré en nutriments (protides, lipides, glucides). De plus, elle apporte du bon cholestérol, nécessaire à l’équilibre de notre métabolisme. La morue salée (bacalhau), est connue depuis le XVe siècle. Les navigateurs portugais furent les premiers à aller chercher ce poisson près du pôle nord, à Terre Neuve, ainsi que sur des côtes africaines. Il était impératif pour eux de trouver un aliment non périssable qui pourrait supporter des mois de voyage, leur servant ainsi d’aliment de base lors de leurs périples marins. Ils eurent l’idée de la saler, puis de la faire sécher au soleil, sur les bateaux. Grâce à la morue, les expéditions se passèrent alors dans de meilleures conditions. Cette façon de faire, leur permettait d’avoir ainsi toujours à disposition, un aliment de choix, bien conservé. En fait, ils inventèrent une technique de conservation. De là à dire que les grandes expéditions purent en fait avoir lieu grâce à la morue... Aujourd’hui, la morue provient en grande partie du nord de l’Europe, essentiellement des eaux norvégiennes. Les portugais l’importent donc en grande partie déjà préparée et salée, mais des importations du poisson non préparé ont encore lieu. Certaines entreprises portugaises sont donc spécialisées dans la préparation et le conditionnement. Saviez-vous sur la morue Du foie de morue, on extrait une huile bien connue sous le nom d’huile de foie de morue, dont les propriétés nutritives sont d’une richesse fabuleuse. Cette huile est notamment riche en vitamine B.

Le nom scientifique de la morue est Gadus Morhua. Une morue atteint plus de 50 kg et mesure plus d’un mètre à l’âge de vingt ans, et elle peut vivre 30 ans. La morue est un poisson extrêmement fertile. Une femelle pond en moyenne chaque année environ 5 millions d’œufs, mais beaucoup d’entre eux sont engloutis par d’autres poissons.

Sur le plan de la préparation, une morue dont le séchage a été fait dans de bonnes conditions, ne doit pas avoir d’humidité. Pour en être sûr, il suffit de la prendre par sa partie la plus large, et d’essayer de la faire tenir à l’horizontale. Si la morue s’affaisse, c’est qu’elle n’a pas été séchée dans de bonnes conditions, car elle conserve de l’humidité. Elle doit donc bien tenir pratiquement à l’horizontale. (Un léger fléchissement est permis). Elle ne doit en outre pas présenter des taches de couleur marron foncé, car dans ce cas, c’est que la morue n’a pas été bien nettoyée avant son conditionnement.

Une morue qui n’a pas été bien dessalée, peut être laissée dans un récipient, et couverte de lait chaud pendant une demi-heure. Une bonne partie du goût résiduel salé disparaîtra alors. D’autres poissons sont utilisés afin d’être séchés par le même procédé, et être commercialisés en tant que morue séchée. Mais la vraie morue, dont la saveur et la texture moelleuse sont incomparables, se reconnaît à quelques détails. La vraie morue ne doit pas avoir une couleur globale trop blanche. Elle est d’une teinte penchant vers un jaune très pâle. Elle doit avoir une queue coupée droite, ou éventuellement légèrement arrondie vers l’intérieur. L’extrémité de la queue ne doit pas avoir de traces blanchâtres. La peau doit s’ôter très facilement. Il suffit de tirer légèrement sur la peau pour qu’elle s’enlève. Dans le cas contraire, il ne s’agit pas de morue

Conseils pour reconnaitre la vraie morue La morue ne doit pas être congelée, quand elle est encore sèche et salée. Ce n’est qu’après l’avoir dessalée qu’il est possible de la congeler. La morue se dessale en moyenne en 24 heures, mais ce délai peut varier en plus ou en moins, en fonction de son épaisseur. Il convient de dessaler les morceaux de morue, dans un récipient pour éviter l’odeur pouvant être produite par la salaison.


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LE COURRIER PORTUGAIS

O descolamento da retina

VOTRE SANTÉ +

O descolamento de retina é uma urgência oftalmológica, que requer rápida intervenção cirúrgica para preservação da visão. A retina é a camada fotossensível que reveste a superfície interna do globo ocular, onde são focadas as imagens que vemos, funcionando como a película numa máquina fotográfica. Quando se descola, a retina afasta-se da camada subjacente, a coroideia, que lhe fornece nutrientes e oxigénio, ocorrendo perda celular. Quanto mais prolongado for esse afastamento, maior o risco de perda permanente de visão. Felizmente, o descolamento de retina tem com frequência sintomas de alarme claros, que devem motivar o rápido recurso ao médico oftalmologista, de modo a permitir a atempada intervenção terapêutica. Os sintomas visuais característicos do descolamento de retina incluem: aumento gradual ou salto de moscas volantes (pontos escuros, de formas diversas, móveis, que parecem flutuar no campo de visão), flashes luminosos (como relâmpagos ou flashes fotográficos), aparecimento de uma sombra ou cortina sobre uma determinada área do campo de visão e/ou turvação da visão. Existem essencialmente três tipos de descolamento de retina: regmatógeno (ocorre uma solução de continuidade (buraco ou rasgadura) na retina, através da qual se acumula líquido subretiniano afastando-a das camadas subjacentes; o tipo mais comum); traccional (caracteriza-se pela ocorrência de tecido fibrovascular na superfície retiniana que tracciona a retina, afastando-a das restantes estruturas); e exsudativo (resulta da acumulação de líquido subretiniano, sem buraco ou rasgadura, relacionado com doenças inflamatórias e vasculares da retina).

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O risco de descolamento de retina é de 5 para 100000 por ano, e é maior em indivíduos com mais de 40 anos de idade. Estão em maior risco: altos míopes (mais de 6 dioptrias), indivíduos com antecedentes de descolamento de retina no olho contralateral ou história familiar, após cirurgia de catarata, associado a outras doenças oculares (como retinopatia diabética) e após traumatismo ocular. O tratamento do descolamento de retina é cirúrgico. Os buracos e rasgaduras retinianas, quando detectados antes do desenvolvimento do descolamento de retina, podem ser tratados por fotocoagulação laser ou criopexia. A fotocoagulação laser consiste na aplicação de múltiplas pequenas “queimaduras” em redor das soluções de continuidade retinianas, de modo a “soldar” a retina às estruturas subjacentes. Na criopexia aplica-se frio intenso de modo a “congelar” a retina na zona dos buracos e rasgaduras, levando a formação de uma cicatriz que vai levar a sua fixação às restantes estruturas. No descolamento de retina, a escolha da técnica cirúrgica depende do tipo, tamanho e localização do descolamento. As técnicas actualmente disponíveis incluem: retinopexia penumática (injecção de um gás expansível na cavidade vítrea, que vai empurrar a retina para a sua posição natural), indentação escleral (aplicação na esclera de peças de silicone na zona de retina descolada, ou ao longo da circunferência do globo ocular, de modo a reduzir a tracção sobre a retina) e vitrectomia (extracção do conteúdo vítreo através de pequenas incisões esclerais, que pode ser substituído por solução salina, gás expansível ou óleo de silicone com o objectivo de manter aplicada a retina). Muitas vezes recorrem-se a múltiplas combinações das diferentes técnicas. A cirurgia nem sempre é bem sucedida na reaplicação da retina, assim como a retina reaplicada não significa recuperação visual. O prognóstico visual depende essencialmente do tempo de evolução do descolamento de retina, e do envolvimento eventual da área de visão central, a mácula. Deste modo, é importante divulgar os sintomas e sinais de alarme de modo a permitir o seu rápido reconhecimento e atempado recurso ao médico oftalmologista. Dra. Ana Fonseca Publicado no JE

Bienfaits du citron.

On lui attribue plusieurs vertus mais la plus intéressante est l’effet qu’elle produit sur les kystes et les tumeurs. Cette plante est un remède prouvé contre les cancers de tous types. Certains affirment qu’elle est de grande utilité dans toutes les variantes de cancer.

Le citron (citrus) est un produit miraculeux pour tuer les cellules cancéreuses. Il est 10.000 fois plus puissant que la chimiothérapie.

On la considère aussi comme un agent anti microbien à large spectre contre les infections bactériennes et les champignons, efficace contre les parasites internes et les vers, elle régule la tension artérielle trop haute et est antidépressive, combat la tension et les désordres nerveux.

Pourquoi ne sommes-nous pas au courant de cela? Parce qu’il existe des laboratoires intéressés par la fabrication d’une version synthétique qui leur rapportera d’énormes bénéfices. Vous pouvez désormais aider un ami qui en a besoin en lui faisant savoir que le jus de citron lui est bénéfique pour prévenir la maladie.

La source de cette information est fascinante: elle provient d’un des plus grands fabricants de médicaments au monde, qui affirme qu’après plus de 20 essais effectués en laboratoire depuis 1970, les extraits ont révélé que: Il détruit les cellules malignes dans 12 types de cancer, y compris celui du côlon, du sein, de la prostate, du poumon et du pancréas..

Son goût est agréable et il ne produit pas les horribles effets de la chimiothérapie. Si vous en avez la possibilité, plantez un citronnier dans votre patio ou votre jardin. Combien de personnes meurent pendant que ce secret est jalousement gardé pour ne pas porter atteinte aux bénéfices multimillionnaires de grandes corporations ? Comme vous le savez, le citronnier est bas, n’occupe pas beaucoup d’espace et est connu pour ses variétés de citrons et de limes. Vous pouvez consommer le fruit de manières différentes: vous pouvez manger la pulpe, la presser en jus, élaborer des boissons, sorbets, pâtisseries, ...

. Les composés de cet arbre ont démontré agir 10.000 fois mieux que le produit Adriamycin, une drogue chimiothérapeute normalement utilisée dans le monde, en ralentissant la croissance des cellules du cancer. Et ce qui est encore plus étonnant: ce type de thérapie avec l’extrait de citron détruit non seulement les cellules malignes du cancer et n’affecte pas les cellules saines.

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RÉGIÕES AUTÓNOMAS Pedro Francisco – herói americano CORREIO

PORTUGUÊS

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Pedro Francisco (Porto Judeu, 1760 - Richmond, 16 de Janeiro de 1831), referido como Peter Francisco nos EUA, foi um açoriano, herói da Guerra da Independência dos Estados Unidos da América. Conhecido como “O Gigante da Virgínia”, o “Gigante da Revolução” e, ocasionalmente, como o “Hércules da Virgínia”, é homenageado pela comunidade portuguesa em New Bedford (Virginia) a 15 de Março. Lutou ao lado de George Washington e do marquês de Lafayette, tendo sofrido numerosos ferimentos em combate, na defesa da independência de sua pátria de adopção.

Biografia A sua biografia está cercada de uma aura de lenda, sendo-lhe atribuídos feitos extraordinários. As suas origens são relativamente obscuras. Foi encontrado com tenra idade (presumivelmente cinco anos), uma tarde em 23 de Junho de 1765, a chorar, nas docas de City Point, na Virgínia. Quando se acalmou o suficiente para falar, percebeu-se que não falava o inglês e sim uma língua parecida com o Castelhano. Embora nada possuísse que o identificasse, as suas roupas eram de boa qualidade e, na fivela do cinto, liam-se as iniciais “P.F.”. Terá sido raptado quando brincava com a irmã, por dois homens que o levaram para um grande navio que atracou a City Point. Sobre as suas origens, o investigador John E. Manahan identificou que, nos registos de nascimentos da ilha Terceira, nos Açores, existe um Pedro Francisco nascido em Porto Judeu, a 9 de Julho de 1760. A criança foi acolhida pelo juiz Anthony Winston, de Buckingham County na Virgínia, um tio de Patrick Henry. Quando atingiu idade suficiente para trabalhar, foi instruído como ferreiro, devido ao seu enorme tamanho e força (ultrapassou os 1,98 metros e pesava cerca de 120 kg). O escritor Samuel Shepard, que observou o jovem no seu trabalho, registou: “Os seus ombros são como os de uma antiga estátua, como uma figura da imaginação de Miguel Ângelo, como o seu Moisés mas não como David. A sua queixada é longa, forte, o nariz imponente, a inclinação da testa parcialmente ocultada pelo seu cabelo negro de aspecto desgrenhado. A sua voz era suave, surpreendendo-me, como que se um touro mugisse.”

Com Washington na Guerra da Independência Com os rumores de guerra que alastravam por entre a população da Virgínia, Francisco alistou-se, aos 16 anos, no 10º Regimento da Virgínia. Estava presente, junto à igreja de St. John em Richmond, quando Patrick Henry fez o seu famoso discurso “Liberdade ou Morte”. Em Setembro de 1777, serviu sob o comando do general George Washington em Brandywine Creek na Pensilvânia, onde as forças dos colonos tentaram deter o avanço de 12.500 soldados britânicos, que avançavam em direcção à Filadélfia. Não está claro se foi nesse momento que o jovem Francisco salvou a vida a Washington, apesar de se reconhecer que o jovem foi aqui alvejado. Alguns relatos afirmam que ele se tornou guarda-costas pessoal do general, enquanto outros dão conta de que ele era apenas um soldado agressivo e vigoroso, que lutou ao seu lado. Foi Washington quem determinou que uma espada especial, adequada ao seu tamanho, fosse confeccionada para Francisco. Foi esta espada, com 6 pés de comprimento, que aterrorizou os britânicos. Washington terá eventual e posteriormente se referido a Francisco nestes termos: “Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, provavelmente a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um Exército de um Homem Só.” Após servir nesta comissão por três anos, Francisco realistou-se e combateu numa das maiores derrotas sofridas pelas forças dos colonos no conflito. Na batalha de Camden (16 de Agosto de 1780, terá realizado um dos seus mais famosos feitos, quando, após os colonos se terem retirado diante dos britânicos, deixando no terreno uma imensa peça de artilharia com aproximadamente 1.000 libras, afirma-se que Francisco a colocou às costas e a transportou para que não caísse nas mãos do inimigo. Em homenagem a esse feito, os correios estado-unidenses emitiram, em 1974, um selo comemorativo. Em pouco tempo, as histórias a respeito de Francisco espalharam-se e os seus actos de bravura e vigor foram divulgados em muitos jornais e romances da época, inspirando ânimo e incentivando a resistência entre as forças dos colonos. Embora a maior parte dessas histórias careça de fontes documentais, Frances Pollard, da Virgínia Historical Society, que apresentou uma exposição sobre o conflito e que incluiu uma secção sobre Francisco com o colete gigante que costumava usar, afirmou: “Uma das coisas que tive dificuldade em documentar foi a sua participação em muitas das batalhas onde terá realizado feitos históricos. Nunca consegui separar a lenda dos factos, nem encontrar provas da sua participação em algumas destas batalhas. Acho que existe alguma mitologia associada a alguém com aquele tamanho tão fora do vulgar.” Posteriormente, em 1850, o historiador Benson Lossing registou no “Pictorial Field Book of the Revolution” que “um bravo virginiano, abateu 11 homens de uma só vez com a sua espada. Um dos soldados prendeu a perna de Francisco ao seu cavalo com uma baioneta. E enquanto puxava pela lâmina, com uma força terrível, Francisco puxou da sua espada e fez uma racha até aos ombros na cabeça do pobre coitado!”

Amigo de Lafayette Mais tarde, enquanto se recuperava, Francisco tornou-se amigo de Lafayette. Sofreu mais seis ferimentos ao serviço do seu país, tendo morto um número incerto de britânicos e sido condecorado no final do conflito por generais estadounidenses que se certificaram de que ele estava presente na rendição do general Charles Cornwallis e dos britânicos, em Yorktown, a 19 de Outubro de 1781. De acordo com a tradição popular, após o conflito, devido às lendas criadas em torno de si, muitos aventureiros o procuraram para testarem a sua força. Neste período foi apelidado de “O homem mais forte da América”, enquanto as crianças aprendiam sobre a sua força e bravura nas escolas primárias do novo país. Eventualmente tornou-se um homem abastado, sendo nomeado beleguim da Câmara dos Representantes da Virgínia, mantendo-se uma figura lendária até à sua morte. Foi sepultado com honras militares no Cemitério Shockoe Hill em Richmond, na Virgínia. A 18 de Janeiro de 1831, o periódico “Richmond Enquirer”, anunciou a sua morte: “Exmo. Sr. Peter Francisco, beleguim da Câmara de Representantes e soldado na Guerra da Revolução Americana, enaltecido pela sua intrépida coragem e pelos seus feitos brilhantes.” Uma capa duma edição de 2006 da “Military History” levantou uma questão de retórica que sugeria que ele poderia ter sido o maior soldado da história americana. A seu respeito, Joseph Gustaitis, na American History Magazine, referiu: “Um Hércules de 6 pés e meio de altura que empunhava um sabre de seis pés de comprimento, Peter Francisco, foi provavelmente o soldado mais extraordinário da Guerra da Revolução Americana”. Em sua homenagem existe um parque em New Bedford e um monumento em Greensboro, na Carolina do Norte. (adaptação)


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LE COURRIER PORTUGAIS

ÉVÉNEMENTS

Alexandre Da Costa 11-12-13-14-15 Février 2012 Récitals à Montréal, Québec, Canada (Conservatoire de Musique de Montréal; Chapelle Historique du BonPasteur; Les Lundis d’Edgar; Maison de la Culture de Cartierville; Maison de la Culture Rosemont-Petite-Patrie) Pianiste : Wonny Song Brahms Sonatas 3 Février 2012 Orchestre Symphonique de Malte Malte Soliste invité Chef : Brian Schembri Beethoven Concerto Coproduction MNM / Purform en collaboration avec l’ACREQ du 23 au 26 février

Dimanche 19 février - Place des Arts Une fillette, sortie directement d’un conte pour enfants, s’apprête à piqueniquer. Elle s’installe, tente de cueillir une fleur, chasse un maringouin...C’est alors qu’un raton laveur passant par là dévore son goûter. La fillette pour calmer sa faim tentera d’attraper une pomme qui lui pend au bout du nez… Un numéro aérien, époustouflant

Artistes Alain Thibault et Yan Breuleux de Purform nous vous invitons à les rejoindre pour la première fois à l’intérieur de leur White_Box, un triptyque écran HD où ils diffusent des images et des sons générés en temps réel. Vous pourrez profiter du spectacle et de regarder les créateurs à l’œuvre. Ce sera une expérience unique où, confrontés et associés, le son et l’image finalement réussi à fusionner en une seule entité perceptive.

JANVIER 2012

Une «Nuit Blanche» dans un «transformé» la Place des Arts! Cette année, la Place des Arts a une nouvelle fois concocté un programme pour la Nuit Blanche de Montréal qui est sûr de se r é c h a u ff e r les milliers de noctam bules qui viendront par ses portes le 27 février. Comme pour la Nuit Blanche cette année, la programmation inclut le retour de certains paris sûr (Fantasia, Improvisez la nuit au Duceppe), et quelques nouvelles activités comme Opera Karaoke l’Opéra de Montréal et de l’énigmatique du corps dansant ABC ... Improvisez la nuit Inventer la nuit!! Encore plus d’improvisation au DUCEPPE Après leur succès des quatre dernières années, Stéphane Bellavance et ses complices d’avoir un impact encore plus grand pour cette nouvelle édition de la Nuit Blanche, avec trois spectacles d’improvisation: à minuit, 2 et 4 heures Quelle meilleure façon de passer la nuit?! Amenez vos amis à DUCEPPE! Théâtre Jean-Duceppe Minuit, 2 heures et 4 heures

F a n t a s i a International Film Festival Une sélection des meilleurs courts-métrages montré à Fantasia 2009. Razzle DJ XL5’S Dazzle Parti Zappin ‘offre des shorts ludique, les films d’animation et d’autres divertissant micro-short. Le meilleur de Fantasia 2009 présente une sélection choisie par Mitch Davis, alors Vive le Libre Court 2009 présente des films québécois les mieux culte court. Piano Nobile, Salle Wilfrid-Pelletier 27 février de 23 heures-5 heures Programmation » Concerts » chefsd’œuvre russes

Février 23 & 24 Février, 2011 Salle Wilfrid-Pelletier - Place des Arts Orchestre symphonique de Montréal (OSM) en partenariat avec le festival pour souligner le 50e anniversaire de Québec le premier événement musical majeur contemporaine: La Semaine internationale de musique actuelle (1961). L’orchestre sera sur scène d’une œuvre écrite spécialement pour elle (1963-1964) par Pierre Mercure.

A História Alegre de Portugal, da autoria de Artur Correia, e a adaptação a banda desenhada da obra homónima de Manuel Pinheiro Chagas, brilhante homem de letras e distinto politico do século XIX. Utilizando um modelo narrativo muito em voga na sua época, Pinheiro Chagas inventa um narrador, João Agualva, mestre-escola aposentado, que, cansado de repetir “histórias da carochinha”, decide, ao longo de dez serões, dar a conhecer, em termos didácticos e acessíveis, a História de Portugal a um grupo de saloios da sua terra, situada entre Betas e o Cacém. A narrativa, que provoca nos conterrâneos de João Agualva reacções de grande patriotismo, tem início antes da independência de Portugal e conclui no reinado de D. Luís, que coincide com a parte final da vida do escritor. A extraordinária capacidade que o narrador tem de fazer reviver tempos mais remotos ou mais próximos mantém os seus ouvintes — a tia Margarida, o Francisco Artilheiro, o velho Bartolomeu, o Manuel da Idanha, o Zé Caneira na permanente expectativa do serão seguinte, que lhes permitirá ficarem a saber o desenrolar de inúmeras e impressionantes peripécias históricas. Artur Correia, em cuja longa carreira de desenhador sobressai a colaboração no saudoso Cavaleiro Andante, segue, grosso modo, essa divisão em serões e, com um traço ágil em que ironia e candura se aliam de forma perfeita, visualiza um discurso histórico-literário já bastante marcado pela presença de imagens muito nítidas e sugestivas. Digna de registo é ainda a solução narrativa que apresenta as situações de “discurso directo” (a representação do narrador e dos seus “alunos”) a preto-e-branco e as de “discurso indirecto” (a representação dos factos/históricos) a cores. De leitura extremamente agradável, História Alegre de Portugal (em qualquer das versões) é um livro que possibilita, sem pôr em causa o rigor histórico sempre exigível em textos desta índole, um fácil e divertido contacto com muitas das mais notáveis figuras e situações da nossa História. O Editor


ESPAÇO JOVEM JANEIRO DE 2012

A partir deste número, apresentamos para os mais pequenos, a História Alegre de Portugal, uma forma divertida de contar a História Pátria revalorizando Valores Portgueses aparentemente tão arredados da juventude, numa excelente publicação da Bertrand Editora, para quem vão os nossos mais cordiais agradecimentos, lembrando que qualquer encomenda poderá ser dirigida a: FNAC PORTUGAL - ACDLDMPT, Lda | Sede Fiscal: Edificio Amoreiras Plaza Rua Professor Carlos Albearto Mota Pinto, nr 9 - 6 B, 1070 - 374 Lisboa, Portugal

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CORREIO PORTUGUÊS LE COURRIER PORTUGAIS JANVIER / JANEIRO DE 2012

Publicação: Ano I N° 2  

Correio Português / Le Courrier Portugais Publicação: Ano I N° 2 26 de Janeiro de 2012

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