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O caminho para o melhor da vida!

Boa vida tem preço

JUNHO/2010 ANO 1 • N 1 R$12,90

editora

MATZ I

Para viver mais e melhor, cuide do corpo e do bolso

Super Salada

Nem muito leve, nem muito calórica

Turbine sua Memória

O caminho para você afiar o ar o raciocínio e preservar as lembranças

Primeiros Passos

A caminhada como porta de saída do sedentarismo

MELHOR IDADE • moda • relacionamento • beleza • dicas • em pauta • cultura


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SUMÁ

RIO

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nESTE MÊS

CAPA

Como viver mais e melhor e ainda dicas comprovadas de como preparar o seu bolso para uma longevidade financeira

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Os primeiros passos para uma caminhada perfeita e o fim do sedentarismo

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O que dispara a devastação da memória e o que fazer para preservá-la por mais tempo

10 Como preparar uma super salada e sem armadilhas


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SEMPRE COM VOCÊ

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REFLETINDO Rosely Sayão é psicóloga e conta a historia de uma mãe preocupada com o namoro da filha que está começando a esquentar

MELHOR IDADE A melhor fase da vida aos 70 anos

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BEM COMUM Encontro de gerações em projeto paulistano

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PASSATEMPO Quadrinhos, cruzadas e frases especiais

relacionamento Por que sempre ir aos mesmos lugares com o seu parceiro? Como saber a hora de mudar de programação

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CULTURA A voz do coração, por Dr. João Martins

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dicas

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Como atingir um sono melhor e o peso ideal

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beleza Um, dois... Como evitar rugas e flacidez com exercícios faciais

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44 MODA Salto, saltinho e saltão, por Daniele Cavalcante

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DECORAÇÃO Seu lar em alto-astral, demonstração em 3D

estresse Mantenha a calma, 10 dicas para controlar a ansiedade

Perfil A atriz Maria Paula fala tudo sobre sua vida, admite que envelhecer é cruel e o que faz para ficar bem

Em pauta Por uma infância feliz, proteja seu filho do bullying


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DIREÇÃO GERAL, PRODUÇÃO E ARTE Eliane Mônica, Leandro Ribeiro Erika de Carvalho, Regina Elisabeth

ATENDIMENTO AO LEITOR

Críticas, dúvidas ou sugestões para a revista, é só falar com a gente: matiz@editoramatiz.com.br www.editoramatiz.com.br Telefax (11) 3893-5347 Rua da Prudência, 04 São Paulo – SP

Foto Marina Miguel

REPORTAGENS Algumas das matérias e imagens apresentadas nesta publicação foram extraídas de outras revistas e/ou jornais e editadas para fins acadêmicos, sendo respeitados os devidos direitos autorais e de imagem. Fica proibido tal edição (texto ou imagem) sem autorização dos respectivos autores, conforme a lei vigente no Brasil: Elas &Lucros, Saúde, Runner, Revista Saúde, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Mulher de 30 COLUNISTAS João Martins (convidado), Daniele Cavalcante INFOGRAFIA 3D Erika de Carvalho PROJETO GRÁFICO Regina Elisabeth DIAGRAMAÇÃO Eliane Mônica, Regina Elisabeth FOTOGRAFIA Erika de Carvalho, Luiz Carlos Leite, Marina Miguel, Ricardo Montero PESQUISAS DE PUBLICIDADE, REPORTAGENS E FOTOS Eliane Mônica, Erika de Carvalho, Regina Elisabeth MARCA Regina Elisabeth e Leandro Ribeiro IMAGEM DA CAPA Rômulo Fialdini COLABORADORES Elton Sousa, Guilherme Godoy e Raquel Silva Queiroz ANUNCIANTES Molico, Yoga Center, Temperos do Mundo, Kellness, Cinemark 3D, Costantini, Lacta, Havaianas, Seda, L'Absoluta, Via Uno, 3 Corações

AO LEITOR

Em sentido horário: Erika, Leandro, Eliane e Beth - momentos de alegria depois de muita tensão!

Virtuosa nasceu da necessidade de resgatar as virtudes escondidas em cada mulher. Valores que foram sendo enfraquecidos nas últimas décadas. Tiramos de cena a mulher objeto... trazemos à tona a mulher do século XXI, que faz bom uso de todos esses valores! Não estamos ditando nenhuma regra, moda e ou sacrifício à você, e sim queremos lhe passar informações precisas e que lhe beneficiem de alguma forma. Nesta primeira edição, estamos dispostos a tirar suas dúvidas sobre o que fazer para adquirir hábitos para obter um sono tranquilo, ter ou

chegar ao peso ideal com uma aparência mais bela. Também estamos preocupados com seus relacionamentos, seja com seu esposo/namorado ou filhos, e, muito mais que isso, preocupados com você. Temos aqui resultados de pesquisas sobre a prevenção do alzheimer e dicas para manter nossas lembranças guardadas na memória. E ainda, muita caminhada, saladas equilibradas e a dica especial de capa: como se preparar hoje para uma proveitosa e vitalícia aposentadoria. Bom, preparamos tudo isto pensando, claro, no seu bem-estar! Boa leitura!


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MELHOR IDADE

Essa é a minha melhor

fase da vida

Melhor idade para muitos é olhar para trás e ver o que não foi feito e tentar realizar esse sonho antigo

Por Regina Elisabeth Foto Arquivo pessoal

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Terezinha recém chegada à Bragança, começa a sentir que sua vida mudou

erezinha da Silva não revela a idade, mas calculo que tenha seus 70 anos. Mas não se acanha em dizer que essa é a ‘melhor idade’ de sua vida. Após a morte de seu marido, Jair Antonio da Silva, em 1990, Terezinha ainda viveu por algum tempo em São Paulo com seus três filhos: Jean Paulo, Rosemary Aparecida e Regina Elisabeth. Passados dois anos, dois deles se casaram. Com ela ficou apenas o terceiro, na época com 12 anos. Mulher de fibra, Terezinha sempre trabalhou para ajudar o marido. Foi de uma das empresas em que trabalhou que veio o convite para chefiar um departamento em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Com a vida estabilizada – apartamento pago, fi-lhos encaminhados na vida – sentiu a necessidade de encarar novos desafios. Não hesitou em aceitar o convite. Foi embora para Bragança, levando consigo apenas o filho mais novo. A primeira vez que saiu de uma cidade foi para se casar, em 1960. Portanto, era a segunda vez na vida que iria para outra cidade, um lugar que não conhecia e onde não conhecia absolutamente ninguém. E assim Tetê – como foi adotada pelos bragantinos – começou uma nova vida. Percebeu o quanto ainda tinha para fazer e viver. Começou a traçar

seus planos, exatamente como faz um adolescente aos 18 anos. Até namorado ela arrumou! Entrou na autoescola e, aos 60 anos, aprendeu a dirigir e comprou seu primeiro carro, um fusca. Há quem diga: “ah, se meu fusca falasse”. O carro lhe trouxe mais autonomia. Assim, entrou para um grupo da terceira idade e lá, com seu carisma, fez grandes amizades. Esse grupo possui um bloco de carnaval próprio e tem um braço na principal escola da cidade. Tetê desfilou na bateria. Foi um dos destaques da escola. Ela não perde um evento sequer, a não ser que tenha programado algum passeio com seu namorado e parceiro nos bailes que frequenta. Pergunto a ela o que a torna tão feliz? E ela me responde com um sorriso bem maroto: “Sinto-me feliz porque participo de várias atividades, como ginástica, caminhada, alongamento. Tenho energia de viver e quero viver”. E ela deixa seu recado: “Aos jovens, pensem muito no seu dia-a-dia e não deixem de lado o que faz bem. Gostaria que percebessem que a vida nos oferece muitas oportunidades, basta escolher um caminho e segui-lo”. E finaliza sua entrevista com um trecho da música de Gonzaguinha que é a sua bandeira de vida: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”.


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Carnaval 2010: destaque em uma das principais escolas de Braganรงa Paulistaa


Super salada P

or trás da aparência saudável, escondidos sob as folhas de alface, podem estar montes de gordura e punhados exagerados de sal — que, de forma sorrateira, fazem aquela bela salada se tornar quase uma vilã da dieta. Outras receitas pecam pelo oposto: são tão magras de calorias quanto esquálidas de nutrientes. “Escolhas erradas levam a combinações gordas ou pobres demais”, diz a nutricionista Raquel Botelho, da Universidade de Brasília. Ouvimos Raquel e outras experts para aprender o que não pode faltar nem sobrar na salada ideal. “Ela deve ter densidade energética baixa”, avisa Mariana Del Bosco, nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Ou seja, apesar do volume considerável, soma poucas calorias. Aliás, o que diferencia a entrada de uma salada que substitui o prato principal não é o tamanho, mas o mix de ingredientes. Fontes de proteínas e carboidratos só devem entrar na verdinha que vale por uma refeição. Cá entre nós. Especialistas em gastronomia e nutrição compartilham seus segredos para uma salada equilibrada...

Para quem aprecia o sabor mais intenso dos queijos calóricos, caso do gorgonzola, a sugestão é misturar uns poucos pedacinhos deles a queijos magros, como o cottage e a ricota”, ensina a nutricionista e chef Maria Cecília Corsi, da Essencial Light, em São Paulo. Assim, você fica com o gosto, mas dispensa o excesso indesejável de gordura e calorias. Outra dica de Cecília é substituir os croûtons, que costumam vir encharcados de óleo, por pedacinhos de torrada integral, boa fornecedora de fibras. A nutricionista Andréa Esquivel dá, ainda, o seguinte conselho: varie os cortes dos vegetais. Se a cenoura está em rodelas, faça cubos de tomate para combinar. Isso cria novas sensações de textura para o paladar. Daí, a tendência será você mastigar mais e ficar mais saciado.


O hábito de comer um prato de folhas todo dia faz proezas pelo corpo. Mas essa receita de sucesso não para por aí. Há alguns ajustes e truques culinários para transformá-la em uma fórmula realmente campeã para a saúde

Tome cuidado!

O vilão, na hora de encher o prato — ainda que predominem os vegetais —, é sempre o excesso. Pois é, até mesmo uma salada precisa ser consumida na medida certa. “Exagerar na quantidade de folhas pode exceder a recomendação de fibras e interferir com o aproveitamento de alguns minerais”, exemplifica a nutricionista Karla Silva Ferreira, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Também não estrague seu prato de salada abusando de ingredientes nefastos, como a batata palha e o bacon, muito oferecidos em bufês. E olho vivo ainda com o insuspeito tomate seco. Saiba que ele esconde gordura e calorias aos montes. “Tente substituí-lo por tomatinhos-cereja”, recomenda a nutricionista Maria Cecília Corsi. A mesma atenção vale para os queijos ralados. “Eles são mais apropriados para fazer dupla com uma bela macarronada”, opina a nutricionista Mariana Del Bosco. E, finalmente, redobre o cuidado com os molhos industrializados para não derramá-los demais sobre a salada. Eles podem estar lotados de sal, entre outras substâncias nocivas.

Foto Ilustrativa

Por Regina Célia Pereira Fotos Alex Silva

Ao montar sua salada, preste atenção para não cair em armadilhas.


Segredos de SPA

Como preparar uma Super Salada FOLHAS SEMPRE! Agrião, rúcula, espinafre, escarola, couve, acelga, repolho... Alterne os tipos para não cair na monotonia. “É possível variar até a alface, que pode ser encontrada nas versões lisa, americana, crespa e mimosa”, ensina a nutricionista Andréa Esquivel, de São Paulo. As folhas contêm fibras e por isso são guardiãs da saúde intestinal e, por garantir maior saciedade, ajudam a afastar os quilos extras. MAIS COR! Tomate, pimentão, cenoura, pepino, beterraba, berinjela, abóbora, abobrinha — não faltam opções para colorir sua salada. E, quanto mais diversificada a paleta de cores, mais substâncias protetoras seu corpo vai receber. O pimentão vermelho, por exemplo, está cheio de licopeno, pigmento que funciona como um escudo celular, blindando contra o câncer.

PORÇÃO DE PROTEINA! Ela, obviamente, não pode ficar de fora nas situações em que a salada ocupa todo o espaço do almoço ou do jantar. Além de ser a substância que repara os tecidos do nosso corpo, trata-se uma grande aliada contra a obesidade, espantando a fome e brecando os ataques de gula. Frango, ovo, queijo, peixe e leguminosas — ou seja, o grão-de-bico, os feijões e a lentilha — são boas escolhas.

BOCADO DE ENERGIA! Quando a salada é prato principal, ela deve conter um alimento rico em carboidrato, como macarrão, batata, mandioquinha, crouton, pão, trigo integral e até frutas. Acrescentar apenas uma fonte do nutriente é a medida certa para espantar o desânimo.

O MELHOR ÓLEO!

Prefira o azeite de oliva. Além de ser campeão em ácidos graxos monoinsaturados, gordura amiga das artérias, o extravirgem concentra substâncias antioxidantes. Só não vale abusar. Regue o prato com um discreto fio desse óleo ou com o molho à base dele. “O azeite é saudável, sim, mas bem calórico”, diz a nutricionista Samantha Macedo, da Equilibrium Consultoria em Nutrição, na capital paulista.

Salada verde com tomate ao molho de manjericão mantém a cabeça no maior sossego. É o que garante a nutricionista Tereza Cristina Braga Ferreira, do Praia do Forte EcoResort e Thalasso Spa, no litoral baiano. Na receita que ela sugere entram folhas como a alface, conhecida por suas propriedades calmantes. Sem falar no tomate, cheio de vitaminas B6 e C — substâncias que ajudam a aplacar a irritação. Tome nota:

Foto J.F.Diorio

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Ingredientes:

1 pé de alface crespa Meio maço de espinafre 2 tomates cortados em quadradinhos 2 colheres de sopa de azeite 2 colheres de sopa de água 1 colher de sopa de vinagre branco ou suco de limão Folhas de manjericão trituradas Sal a gosto

Modo de preparo:

Lave bem as folhas de alface e espinafre. Arrume-as em um prato próprio para servir. Divida com as mãos as folhas de alface. Decore com o tomate. Misture o azeite, o vinagre, a água, o sal e o manjericão em um tigela à parte e regue a salada. Rende 4 porções


Por Rodrigo Gerhardt Fotos Erika de Carvalho Infogrรกfico Regina Elisabeth

Primeiros Flรกvio de Carvalho, personal trainer, numa caminhada com a aluna Nathรกlia Rodrigues

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A caminhada nĂŁo serve apenas para um bom passeio. Ela ĂŠ a porta de saĂ­da do sedentarismo. E, se bem planejada, vira um Ăłtima ferramenta


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DEVAGAR E SEMPRE

Caminhada no Parque do Ibirapuera

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trajetória do corredor mostra que, assim como na corrida, a caminhada tem diferentes estágios e muitos benefícios, embora ainda seja pouco valorizada. “Se a caminhada fosse mais respeitada, teríamos muito menos corredores lesionados”, diz Marcos Paulo Reis, colunista de RUNNER’S WORLD. Há alguns anos, o treinador Mickey Ferrari, consultor da academia Rebook, em São Paulo, participou de um grupo de estudos que elaborou um programa de caminhada levando em consideração esses diferentes estágios, baseados no nível de intensidade – leve, moderado e forte. A seguir, adotamos essa mesma divisão para mostrar como é possível explorar a caminhada, seja para abandonar o sedentarismo, seja para simplesmente aprimorar sua corrida.

Uma caminhada leve costuma ser encarada como um passeio, e acaba sendo desprezada como atividade física, quando deveria ser estimulada como tal. Esse é o ritmo que normalmente adotamos para ir à padaria ou nas atividades de lazer. “É o tipo de caminhada apropriado para quem sofre de obesidade, artrose ou problemas cardíacos ou nunca praticou atividade física. Leva-se em média de 10 a 20 minutos para percorrer 1 km”, diz Mickey Ferrari. “Mesmo assim, é suficiente para reduzir o risco de doenças cardíacas, osteoporose e promover uma sensação de bemestar, além de ser o primeiro estágio de adaptação aeróbica e neuromuscular em indivíduos fora de forma.” Tanto isso é verdade que o acúmulo de passos, por meio do uso de pendômetros, é uma das estratégias de combate ao sedentarismo, um problema que atinge quase 2 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. “Temos como parâmetro a marca de 10000 passos por dia para o indivíduo ativo, ou 3800 a 4000 feitos de forma ininterrupta, por 30 minutos. É uma forma simples de implantar a atividade física na rotina”, diz o pesquisador Timóteo Araújo, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de S. C. do Sul (Celafiscs). APERTE O PASSO Uma caminhada moderada é ideal para indivíduos saudáveis que querem emagrecer e manter afastado o risco de doenças como diabetes, hipertensão e até câncer de colo de mama. “Um ritmo de 8 ou 9 minutos por quilômetro [6,4 a 7,2 km/h] estimula o gasto calórico e o sistema cardiorespiratório . Uma pessoa de 68kg pode queimar em uma hora cerca de 300 calorias”, diz Mickey Ferrari. Há duas formas de perceber o esforço: pela conversação e pelo suor. Em ritmo leve, conversamos normalmente e o suor fica restrito ao rosto e à cabeça; no moderado, precisamos tomar ar para completar uma frase e o suor aparece no tronco; em uma caminhada em ritmo forte, só conseguimos soltar uma ou outra palavra, e o suor passa também para as pernas. Se seu objetivo é começar a correr, a caminhada é fundamental para a adaptação e o fortalecimento muscular. “Na caminhada, não há fase de “vôo”, a passada é mais curta, o pé mantém um contato maior e mais freqüente como solo do que na corrida, além de flexionarmos mais o tornozelo. Embora o impacto seja menor, o tempo de contração muscular é maior, além de musculatura da perna o tibial anterior, na canela”, diz Marcos Paulo Reis.


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ANDAR RÁPIDO OU CORRER LEVE? Um ritmo de atividade mais forte é importante não só para promover um gasto calórico mais intenso como para fortalecer o sistema cardiorespiratório, principalmente em quem quer buscar desafios físicos maiores, como a corrida. Nosso coração e o condicionamento aeróbico ficam mais eficientes para aproveitar o oxigênio como energia. Essa intensidade pode ser atingida explorando-se a inclinação do piso, em subidas, ou a velocidade da passada. “A caminhada acelerada exige mudanças na postura. Andar a 8 km/h [ritmo de 7-30min/km] exige maior domínio técnico e bom condicionamento”, diz Mickey Ferrari. Esse costuma ser o momento de transição da caminhada para a corrida, quando muitas pessoas ainda ficam perdidas: afinal, é melhor andar rápido ou trotar? Resposta: as duas coisas.“É um erro comum iniciantes serem orientados a caminhar rápido até o máximo que conseguirem, para então começar a trotar. Existe um ponto de transição que, se ultrapassado, começa a tornar a caminhada mais desgastante que a corrida, afirma Walace Monteiro, professor do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde da Universidade Estadual do RJ. O recomendável é usar a percepção de esforço e se manter em uma faixa 0,5 km/h acima e abaixo, alternando a caminhada rápida com os trotes. Quando o indivíduo conseguir fazer essa alternância pelo menos quatro vezes, mantendo cada atividade por 5 minutos pode se considerar apto a correr.

reduzir a chance de contusão, fazendo com que possa correr distâncias maiores se sentindo bem. O tema, obviamente, divide opiniões. “Quem precisa caminhar é porque não está bem treinado. Para uma pessoa com bom condicionamento, a caminhada só serve como descanso ativo”, diz Mário Mello, diretor técnico da Mario’s Team e diretor de marketing da Associação de Treinadores de São Paulo (ATC). Ele admite que, em alguns momentos, a caminhada pode ser vantajosa, como numa ladeira forte para que o corredor se recupere e possa ter melhor desempenho no plano, depois. “Mas adotar isso como estratégia de prova seria um artifício para dar uma ‘roubadinha’, acho que me sentiria enganado”, diz Mello. Adauto Domingues, treinador de Marilson Gomes dos Santos, corrobora. “É apenas uma pausa ativa, útil nos treinos intervalados, mas que nos longões não influi no condicionamento. Acho que tira a especificidade do treino. Você se prepara para o que deve fazer”, afirma.

A caminhada como estratégia Andar no meio da prova: sinal de quebra ou inteligência?

Considerada pelos corredores apenas como forma de adaptação de iniciantes, a caminhada acaba sendo vista como “quebra” por aqueles que já estão muito além dos trotes, como os maratonistas. Mas há quem defenda que ela possa ser uma ótima estratégia de prova, ao ser inserida em curtos intervalos desde o início da corrida e não quando o indivíduo chega à exaustão. Entre os benefícios, os intervalos de caminhada eliminam a fadiga acumulada, restauram a flexibilidade dos principais músculos e reduzem a tensão dos tendões do joelho. Isso mediria ampliar a capacidade muscular no fim da corrida e

Pausa para hidratação: caminhar um pouco nesse momento da prova não é vergonha


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A caminhada perfeita

Abdome

Mantenha levemente contraído Ombros

Devem ficar abaixados e levemente para trás, mas de forma relaxada e não caídos.Ombros elevados ou tensionados por muito tempo causam dor no pescoço e podem prejudicar o movimento dos braços Braços

Seu balanço deve ser natural e está relacionado à freqüência da passada. À medida que se torna mais rápida, os cotovelos se flexionam até um ângulo de 90 graus e os braços perdem o movimento pendular. Quando os braços vão para a frente, não devem passar o centro do corpo nem ir além do esterno (osso central logo abaixo do pescoço)

Inclinação para a frente

Essa inclinação tende a aumentar a partir de uma intensidade moderada (6,4 km/h ou ritmo de 9min20/km), com o objetivo de obter maior impulso. Essa inclinação deve ser a partir do tornozelo, levando todo o corpo à frente e não apenas o tronco. Uma flexão prolongada e excessiva a partir do quadril pode provocar dor ou desconforto na região lombar

Cabeça

Deve permanecer alinhada à coluna e equilibrada. Evite a tentação de ficar olhando muito para baixo para não tencionar a musculatura do pescoço. Mantenha o olhar alguns metros à frente e o queixo paralelo ao chão

Quadril

A pélvis deve ficar em uma posição neutra para que o quadril realize uma rotação leve e natural, que aumenta com a maior freqüência da passada. Em uma caminhada rápida, ele se move em rotação para a frente e para trás com o mínimo de jogo lateral

Pernas

O comprimento da passada varia em relação ao comprimento da perna, à rigidez do tendão do joelho e à rotação da pélvis. No início, dê passos firmes, mas confortáveis. Ao aumentar a intensidade, as pernas precisam ser impulsionadas para a frente com maior rapidez para aumentar a frequência e não o tamanho da passada. Quando a perna direita vai para a frente, a esquerda ou de apoio deve ficar esticada

Foto Marina Miguel

Um dos aspectos que devem ser observados ao caminhar é a postura, que se modifica com a intensidade do exercício. Ande da forma mais natural e confortável possível. No entanto, pode ser necessário se alinhar. “A má postura pode ser causada por níveis inadequados de flexibilidade e força muscular. Uma correção pode ajudar o caminhante a ter maior eficiência funcional e melhor desempenho”, afirma o técnico Mickey Ferrari. Veja como se endireitar.


A memória em

Jogo

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ovas descobertas revolucionaram o jeito de entender o Alzheimer – mal em ascensão, terrível por apagar as lembranças – e trazem lições preciosas sobre o que está ao nosso alcance para resguardar o cérebro. Sim, os hábitos podem pesar tanto quanto os genes na equação que dá origem à doença. Guardar o passado, decifrar o presente e esboçar o futuro – é graças a uma função cognitiva denominada memória que construímos nossa história. Sem essa precursora do raciocínio, o leitor jamais compreenderia as palavras deste texto, nem eu o escreveria. A memória é valiosa a cada minuto e conservá-la por anos a fio parece ser um dos maiores segredos de uma existência saudável. Mas, se o próprio envelhecimento pode sabotá-la, uma ameaça em especial é capaz de corroê-la, provocando um apagão que faz o ser humano perder a identidade. É a doença de Alzheimer. Infelizmente, com o aumento

da expectativa de vida, cresce também o número de suas vítimas. Por isso, os cientistas queimam neurônios para desvendar seus mistérios e encontrar uma maneira eficiente de enfrentá-la. Há algum tempo, a culpa era lançada quase que exclusivamente sobre a herança genética. Mas agora esta provado: o estilo de vida não é tão importante quanto o DNA na hora de dar as cartas para o Alzheimer. É o que revela um trabalho da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, que avaliou a incidência do problema em 1880 idosos ao longo de 14 anos. “A dieta e a atividade física modificam o risco de demência”, afirma o líder do estudo, Nikalaos Scarmeas. Os participantes que se exercita-

vam e conservavam um menu rico em peixes, azeite e vegetais apresentaram uma probabilidade 60% menor de sofrer o colapso neuronal. “Esses hábitos podem reduzir inflamações e a formação de radicais livres, moléculas danosas às células, além de melhorar a ação da insulina e interferir no papel de genes no cérebro”, enumera Scarmeas. “São mecanismos que afastariam o Alzheimer.”


neorônio

sinapse

Novas descobertas revolucionam o jeito de entender o Alzheimer - mal em ascensão, terrível por apagar as lembranças - e trazem lições preciosas sobre o que está ao nosso alcance para resgardar o cérebro. Sim, os hábitos podem pesar tanto quanto os genes na equação que dá origem à doença

placa amiloide

hipocampo

A erosão da memória Normalmente, uma proteína, a precursora de amiloide, é quebrada e suas partículas se perdem na massa cinzenta. Mas, na doença, essa proteína é desmembrada de forma equivocada, gerando fragmentos tóxicos nos neurônios. Eles se depositam formando as placas amiloides, que danifi cam a sinapse, a comunicação entre as células. O apagão se inicia no hipocampo, que armazena as memórias recentes.

lobo frontal

lobo parietal

Por Diogo Sponchiato Ilustrações Bruno Algarve e Leandro Ribeiro

morte dos neurônios cortex temporal

No Brasil,

800 mil a 1,2 milhão de pessoas sofrem de mal de Alzheimer no Brasil

A expansão da treva Com a evolução da doença, as placas amiloides se acumulam e afl igem outras partes do cérebro. Daí destroem mais sinapses, embargando diversas atividades cognitivas. Nessas condições, neurônios do hipocampo e de vários cantos da massa cinzenta morrem. Então, a memória recente não é mais a única afetada. As lembranças do passado e a noção de identidade começam a desaparecer.


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“Estamos na busca do que provoca a doença. A deposição das placas amilóides, que antes era uma das únicas explicações para o mal, é mais a sua conseqüência do que a sua causa”, diz a neurologista Márcia Chaves, da Academia Brasileira de Neurologia. Essas placas bloqueiam as conexões entre os neurônios. Em meio à caçada dos motivos da doença, uma equipe da Universidade de Southampton, na Inglaterra, lança nova luz sobre a treva que se apodera da massa cinzenta. Os pesquisadores notaram, após rastrear 300 portadores do problema, um elo entre o Alzheimer e a exposição do corpo a inflamações recorrentes, traduzidas por altos níveis de uma substância no sangue, o fator de necrose tumoral (TNF). “Acreditamos que, na sua presença, há um sinal da periferia para o cérebro, que produz agentes inflamatórios nocivos aos neurônios” conta o pai da hipótese, Clive Holmes. Inflamação é uma forma de o organismo se defender naturalmente. Mas, ao fugir do controle e perpetuarse, a liberação contínua de moléculas incendiárias como o TNF não é nada bem-vinda - inclusive para a cachola. “Problemas marcados por processos inflamatórios crônicos, caso de obesidade, do diabete, da artrite e da doença cardiovascular, poderiam contribuir com o Alzheimer”, especula Holmes. Em outro trabalho, o neurocientista demonstrou que infecções em geral aceleram o declínio cognitivo em pessoas que já têm a demência. E por que o ataque de um micróbio

em qualquer canto do corpo pode ser tão cruel para a massa cinzenta? Porque invariavelmente desperta inflamações. Ninguém sabe ao certo se está aí, nas inflamações, a origem do mal, mas, no mínimo, o fenômeno amplifica a falência do cérebro. “Estamos numa fase e juntas as peças do quebra-cabeça”, analisa o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. O que conforta é o fato de a meH dicina ter nos ensinado recentemente que uma dieta balanceada, E R aliada à atividade física, ajuda a aplacar o incêndio e preserM O var as artérias, minimizando o risco de o Alzheimer aparecer. Pululam pesquisas que reN S lacionam o mal neurodegenerativo a condições influenciadas pelo estilo de vida. No Brasil, estudiosos mostraram uma associação entre a ruína da memória e a resistência à insulina – quando o hormônio que carrega o açúcar para as M O células não trabalha direito. Daí porque já se pensou que o Alzheimer seria uma espécie A travestida de diabete, Na Suécia, um trabalho atesta que a obesidade conspira a favor do declínio mental. E o colesterol alto estimularia a progressão das placas amilóides. “Assim, os hábitos que reduzem os risco H cardiovascular também protegeriam contra o Alzheimer”, diz o psiquiatra O Cássio Bottino, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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Mas o que dispara a devastação Confira as evidências científicas sobre alguns hábitos que zelam por um cérebro afiado durante anos e anos

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O cardápio que salvaguarda essa função cognitiva preconiza peixes, ovos, frutas e hortaliças, além de moderação nas carnes vermelhas. Eis as provas. Pescados como o salmão são recheados de ômega-3, gordura que estimula o surgimento de neurônios e preserva os que estão na labuta. Já o ovo é fonte de colina, substância que serve de ingrediente para um neurotransmissor caro à formação da memória. Os vegetais, por sua vez, oferecem antioxidantes. A “Eles combatem o estresse oxidativo, fenômeno que antecede as placas amiloides no Alzheimer”, explica o neurocientista George Perry, da Q Universidade do Texas, nos Estados Unidos. E as carnes? Bem, expostas a altas temperaturas, viram um berço de moléculas tóxicas aos C C neurônios. Por isso, diminua a porção delas. Mexer o corpo é tão imprescindível para o cérebro quanto maX X lhar a mente. “Há indícios de que a atividade física estimule o brotamento de neurônios no hipocampo, a região onde são arquivadas as B B memórias recentes”, diz a neurologista Sonia Brucki, da Universidade de São Paulo. Uma pesquisa da Universidade de British Columbia, no Canadá, assinala que exercícios aeróbicos — como caminhar, corC O rer, nadar ou andar de bicicleta — melhoram a elasticidade das artérias. Elas, então, conseguem prover o cérebro de oxigênio e nutrientes L sem empecilhos. Esse fluxo livre aumenta a blindagem contra derrames e também passa a rasteira na perda de memória. A Noites bem-dormidas não são apenas cruciais para processarmos os eventos do dia e consolidarmos as memórias. Elas também previnem o declínio cognitivo. Experiências com animais recém-concluídas na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, sugerem que quem foge da cama na juventude e na vida adulta corre um risco maior de padecer de Alzheimer lá na frente. “Observamos que a privação de sono aumenta o acúmulo de placas amiloides no cérebro”, conta David Holtzman, neurologista que chefia as investigações. “Também é importante tratar qualquer distúrbio que atrapalhe o repouso, como a insônia e a apneia.” Ao escovar os dentes você está prestando um serviço à sua memória. É o que constata um trabalho da Universidade de West Virginia, também em terra americana, após submeter mais de 200 pessoas acima de 70 anos a avaliações da cavidade bucal e testes de memória. Resultado: os voluntários que ostentavam um sorriso bonito eram os mesmos que guardavam melhor as lembranças. “Isso pode ser explicado pelas inflamações típicas das doenças que afetam os dentes e a gengiva. Ao que tudo indica, elas repercutem nas funções cognitivas”, diz o autor da pesquisa, Richard Crout. Quanto mais


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A recomendação é fazer o que a gente gosta, diz Bottino.

se usa a cabeça, mais fortes se tornam os laços entre os neurônios. No último congresso sobre o Alzheimer, sediado em Viena, na Áustria, ficou evidente que exercitar o cérebro é um antídoto contra os males que corrompem a memória e o raciocínio. Para espantar as teias de aranha da mente, invista em algo que trabalhe a atenção e também lhe dê prazer: leia, faça palavras cruzadas, jogue baralho ou xadrez, navegue na internet ou se aventure em um videogame.“Essas atividades favorecem a formação de novas conexões entre as células nervosas e reforçam as redes neuronais”, explica o psiquiatra Cássio Bottino. Para os especialistas, não restam dúvidas: um dos principais conselhos para preservar a memória é jamais aposentar o cérebro. Nada de torturá-lo.

“Leia se você tem vontade de ler”, exemplifica Cammarota. Ou, se for o caso, faça cálculos ou se empenhe nos jogos que ilustram esta reportagem. O convívio social também estimula e protege a massa cinzenta. “Estamos finalizando um estudo que insinua que pessoas com um parceiro têm uma melhor saúde cognitiva”, conta Caramelli. E mesmo o alto-astral, ao subjugar o estresse, reforça a defesa dos neurônios. A felicidade de hoje, veja só, ajuda a recuperar os bons momentos de ontem. Enquanto ficamos antenados no que fazer para turbinar o cérebro, saiba que pesquisadores decifram, aos poucos, o complexo funcionamento da memória humana. E as revelações devem repercutir, em breve, diretamente em nossa cabeça. Por que nos lembramos de um episódio e nos esquecemos de outros, por exemplo? As respostas começam a ser delineadas e já ambicionam aplicações terapêuticas. Na ausência dessas pílulas pró-memória, fica o convite para que, indepen-

dentemente da idade, você registre as lições citadas por aqui e adote os hábitos que evitam a evaporação das lembranças. Ninguém precisa ser como Funes, o memorioso, personagem do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) que recordava, insuportavelmente, cada detalhe do universo ao seu redor. Mas não é exagero sentenciar que a vitalidade tam-

Podemos, um dia, interferir no controle da memória, apagando as recordações dos traumas e aprimorando a recuperação de alguns eventos, vislumbra Cammarota.

bém depende de que guardemos, nos meandros da mente, cada capítulo da nossa história.


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BEM

COMUM

Encontro de

Gerações Projeto paulistano reúne crianças e idosos em atividades que estimulam o desenvolvimento cognitivo, físico e social

Por Mariana Versolato Foto Luiz Carlos Leite

D

e um lado, crianças que não convivem com seus avós. Do outro, pessoas que moram em um residencial para a terceira idade e pouco têm contato com crianças. Um projeto resolveu unir as duas pontas e promover um encontro entre as duas gerações. Quinzenalmente, cerca de dez crianças de cinco a sete anos visitam os 56 idosos que moram no Recanto Monte Alegre, no Butantã, em São Paulo. No projeto Vovó-Criança, que existe desde 2002, eles se encontram por algumas horas para desenvolver atividades que visam estimular o desenvolvimento cognitivo, físico e social dos dois grupos etários. Juntos, eles desenham, pintam e fazem colagens. Dividem lápis de cor e a mesma folha de sulfite num trabalho colaborativo, no qual o traço de um completa o outro. A troca de experiências é o principal objetivo. “A convivência favorece a coordenação motora dos idosos e resgata sua autoestima ao passar a experiência adiante”, diz Roberta Rolim Credidio, terapeuta ocupacional do residencial. É o caso de Ruth Siqueira Gonçalves, 98. Professora aposentada, ela diz ter uma sa-

Francisca Bueno de Souza Leite, Luiza Silva Leite e Gabriela Silva Leite


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tisfação de “200%” ao ver o progresso das crianças. “Eu tento passar conhecimento, mas elas já são muito inteligentes. A gente não sabia tanto na idade delas”, conta, ao mesmo tempo em que ajuda os pequenos a escrever os próprios nomes. A maior parte das crianças que participam do projeto vem de classes sociais mais baixas, é de regiões de alta vulnerabilidade social e não tem uma estrutura familiar sólida. “Esse encontro é uma oportunidade

para as crianças preencherem a lacuna de seus próprios avós, que, na maioria das vezes, não estão por perto”, afirma Nancy Coutinho, coordenadora-geral dos centros. No final, pedagogas respondem às dúvidas que surgiram do encontro. “As crianças têm várias perguntas, como: ‘Por que eles estão na cadeira de rodas?’. O contato as ajuda a entender os idosos e, principalmente, a respeitar as diferenças”, diz Coutinho.

Eu tento passar conhecimento, mas elas já são muito inteligentes. A gente não sabia tanto na idade delas, diz Ruth Lacerda, professora aposentada.


Spa Cidade Jardim Foto R么mulo Fialdini

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Para viver mais e melhor, além de cuidar bem de seu capital genético, é preciso, também, preparar o bolso para ter longevidade financeira


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anos, pois a longevidade média vem aumentando graças aos progressos da medicina e aos cuidados com o corpo. Portanto, além da “poupança” genética, você precisa também ter uma poupança financeira sólida para agüentar o tranco. Pelos cálculos do economista Roberto Tamião, da MacroHead Consultoria Financeira, você vai precisar acumular pouco mais de 600 mil reais até os 60 anos para ser aposentar com uma renda vitalícia de 5 mil reais. Se qui ser uma renda maior, 7 mil reais, por exemplo, prepare-se para juntar cerca de 870 mil reais.

Foto Rivaldo Gomes

Por Marta Pinheiro

P

ara viver mais e melhor, além de cuidar bem de seu capital genético, é preciso, também, preparar o bolso para ter longevidade financeira. A maneira mais eficaz de saber se você investe bem em sua saúde é comparecer à festa de 20 anos da turma da escola. Você pode voltar para casa se sentindo a melhor ou a pior das mulheres. É lá, entre beijinhos e abraços saudosos, que você vai fazer um balanço de sua capacidade de investir e poupar saúde ao longo dos anos. De um lado, estarão aquelas (e aqueles) que não mudaram quase nada, elegantes, sorridentes, de bem com a vida. Do outro, estará um grupo de gordinhas, devorando um prato de salgadinhos, com um chope na mão, entre baforadas de cigarro. Afinal, de que lado você quer estar? Assim como acontece com seu patrimônio, que pode crescer ou diminuir, dependendo das decisões que você toma ao longo da vida, com a sua existência é a mesma coisa. O investimento em saúde aos 60 anos é menos rentável do que aos 25 anos. Porém, não deixa de ser rentável, pois pode garantir alguns anos a mais de vida. Pesquisas internacionais mostram que, aos 60 anos, uma pessoa que gaste 2.000 calorias com atividades físicas pode viver, pelo menos, seis meses a mais por ano de atividades do que uma pessoa sedentária. “O importante não é só viver muito, é viver feliz. Agora, se der para juntar as duas coisas, fica perfeito”, afirma Guimarães. Aos 56 anos, o médico caminha cerca de 5 quilômetros nas proximidades de sua casa, em Brasília. Mas, fique esperta, pois viver mais tem seu preço e viver bem custa caro. Pense bem: se você se cuidar, poderá chegar aos 80, 90 ou – quem sabe – 100

A aposentada Fusae Nishida Uramoto pratica Surf na praia Jose Menino, em Santos

De acordo com o médico Renato Maia Guimarães, presidente da International Association of Gerontology and Geriatrics e autor do livro Decida Você Como e Quanto Viver, todos nós somos iguais, mas morremos completamente

O importante não é só viver muito, é viver feliz. Agora, se der para juntar as duas coisas, fica perfeito, afirma Guimarães.

diferentes. “Cada um envelhece de um jeito, e a estrada que a pessoa segue depende dos acontecimentos da vida”, diz ele. Em seu livro, Guimarães compara o envelhecimento a um processo de inflação lenta que atua sobre o capital: “É como se as pessoas nascessem com uma poupança genética responsável pela construção e pela manutenção do corpo, que pode ser aumentada ao longo dos anos por medidas favoráveis à saúde (investimentos), ou ainda ser parcialmente preservada se não forem feitos ‘gastos’ exagerados”. Assim como acontece com seu patrimônio, que pode crescer ou diminuir, dependendo das decisões que você toma ao longo da vida, com a sua existência é a mesma coisa. O investimento em saúde aos 60 anos é menos rentável do que aos 25 anos. Porém, não deixa de ser rentável, pois pode garantir alguns anos a mais de vida. Pesquisas internacionais mostram que, aos 60 anos, uma pessoa que gaste 2.000 calorias com atividades físicas pode viver, pelo menos, seis meses a mais por ano de atividades do que umapessoa sedentária


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Foto retirada da internet sem nome do autor

Os estudos comprovam: 30% da longevidade é determinada pela herança genética; 20% estão relacionados a condições socioeconômicas e 50% aos hábitos cotidianos. Isso significa que a forma como você vai investir seu capital de saúde poderá fazer toda a diferença, já que o modo de vida responde pela metade do impacto do processo de velhecimento. E as opções de investimento para que isso ocorra já são velhas conhecidas: fazer exercícios físicos, ter uma dieta balanceada, não fumar, manter o bom humor e, como dizia aquele famoso refrão da música de Walter Franco, “manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”.

É exatamente essa a busca de Sandra Degenszajn

A arquiteta de 44 anos é uma monja zen-budista noviça. Foi ordenada há pouco mais de um ano. De lá para cá, ela conta que passou a perceber melhor quais são seus limites. “Não penso na vida longa. Penso no presente, em como posso viver o melhor agora através de uma boa alimentação, de exercícios e da meditação”, diz ela. A vida longa, porém, é, sim, uma (feliz) conseqüência.

A meditação, além do estresse, reduz também a pressão arterial e, segundo vários especialistas do mundo todo, já pode ser considerada uma atividade que retarda o envelhecimento. A prática oriental secular, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, contribui até para evitar o acúmulo de gordura nas artérias.


Praticantes de diversas modalidades de Yoga participam de encontro no Parque Ibirapuera chamado de Yoga Pela Paz

A doutora Elisa Harumi Kozasa é uma das autoras do primeiro estudo publicado internacionalmente com a utilização de técnicas de neuroimagem para verificar a atividade cerebral de voluntários, antes e depois de um retiro de meditação. Os exames foram realizados por meio de ressonância magnética funcional. Dados preliminares de um estudo piloto mostraram que, após o retiro de uma semana de meditação, áreas cerebrais relacionadas à atenção parecem estar mais ativadas do que antes desse treinamento. Esse resultado corrobora estudos anterio-

O investimento em saúde aos 60 anos é menos rentável do que aos 25 anos

Começando cedo, você poderá ter uma vida assim

Foto Ilustrativa

res que mostravam que a prática da meditação pode auxiliar na melhora da atenção. “Ainda não existem muitos estudos sobre os efeitos da meditação no funcionamento cerebral, mas a literatura existente até o momento aponta, por exemplo, para alterações do padrão de ondas cerebrais compatíveis com um estado de alerta relaxado, e para a ativação de áreas cerebrais que parecem exercer um efeito positivo na atenção e na concentração”, diz a doutora Elisa. No momento, uma nova etapa do estudo terá início e um novo grupo de voluntários passará pelo mesmo exame. A doutora Elisa é co-orientadora e pós-doutoranda do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora colaboradora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. Sua pesquisa está sendo realizada numa parceria entre a universidade e o ins-

Foto retirada da internet sem nome do autor

Foto Keiny Andrade

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tituto. Uma das maiores especialistas brasileiras nos efeitos da prática da meditação, ela participou em 2006 de uma mesa-redonda com o Dalai Lama, promovida pela Associação Palas Athena e pela Unifesp. Se você já está estressada porque nunca meditou, passa do outro lado da rua de uma academia de ginástica e comeu feito uma louca na festas de fim de ano, relaxe. Investir no capital da saúde é algo feito dia após dia, portanto, a qualquer momento você pode começar a poupar seu corpo e sua mente. Quanto mais adiar essa “poupança”, tenha certeza de que a fatura será cobrada lá na frente. Tudo bem, não é fácil promover mudanças radicais. Então vá aos poucos. Que tal começar pela alimentação? No livro Em Defesa da Comida – Um Manifesto, o autor Michael Pollan diz para não comermos nada que nossa avó não reconheceria como comida. De acordo com ele, uma das razões para evitar produtos industrializados, de nomes complexos e cheios de aditivos, é que eles “mentem para o seu corpo; as cores e os sabores artificiais, os adoçantes sintéticos e as novas gorduras confundem os sentidos em que nos fiamos para avaliar novos alimentos e preparar o corpo para lidar com eles”.


Foto retirada da internet sem nome do autor

Agora, comer bem, fazer exercícios, manter a mente tranqüila entre outras tantas atitudes importantes para garantir muitos e bons anos de vida, de nada vão adiantar se você não souber aproveitar todo esse investimento na hora em que for “fazer o resgate” desse patrimônio. O carioca José Issa, fanático torcedor do Flamengo, caminha uma hora por dia e já escalou quase todas as montanhas do Brasil. Nos últimos tempos, decidiu chegar mais rápido lá em cima. Trocou a escalada pela asa-delta. Aventureiro incansável, há três anos ficou cinco dias em Mendoza, na Argentina, esperando o tempo melhorar para saltar de asa-delta dos Andes. “Seria uma beleza, um vôo de uma hora sobre os Andes”, diz ele. O tempo não ajudou, e Issa teve de deixar a façanha “para a próxima vez”. Ele tem três pontes de safena, 80 anos de idade e acha a vida preciosa demais para ser desperdiçada.

Foto retirada da internet sem nome do autor

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O carioca José Issa trocou a escalada pela asa-delta

A arquiteta Adriana Barbosa de Almeida Miller é vegetariana desde 2004. Mãe de Diogo, de 2 anos, e grávida de sete meses, ela esbanja disposição.

A “Meu médico disse que o nível de ferro no meu sangue está melhor do que o dele”, diz ela. O elogio PE comemorado, pois muitas mulheres têm deficiência de ferro durante a gravidez. Na despensa da casa de Adriana não há lugar para biscoitos recheados, balas ou salgadinhos empacotados. “É importante estabelecer desde cedo uma boa dieta, rica em frutas e verdura, pois assim os filhos vão criar hábitos alimentares saudáveis, que provavelmente ficarão para o resto da vida”, diz Adriana.


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CentenĂĄria, sim; pobre, jamais

S

e os cuidados com a saĂşde podem esticar sua vida atĂŠ os 100 anos, prepare-se para nĂŁo chegar lĂĄ pobre e dependendo dos parentes. O economista Roberto TamiĂŁo calcula que uma mulher de 30 anos que ganhe 5.000 reais por mĂŞs e consiga poupar cerca de 300 reais mensalmente chegarĂĄ aos 60 anos com um patrimĂ´nio de 627.026 reais (veja o quadro). “Com esse dinheiro, ela poderĂĄ viver indefinidamente com uma renda mensal de 5 mil reais depois de se aposentarâ€?, diz TamiĂŁo. Nessa simulação, ele considerou que os recursos continuariam aplicados a uma taxa de 0,80% ao mĂŞs, apĂłs a aposentadoria, permitindo que essa mulher tenha uma renda vitalĂ­cia sacando apenas os juros que seu capital renderĂĄ. Mas, se ela começar a investir sĂł

aos 40 anos e quiser ter uma renda vitalĂ­cia de 5 mil reais mensais depois de se aposentar, aos 60 anos, terĂĄ de aplicar todos os meses 866 reais atĂŠ a aposentadoria, ou seja, quanto mais esperar para começar a preparar sua longevidade financeira, mais cara ela ficarĂĄ. Assim, para viver atĂŠ 80, 90 ou 100 anos com conforto e independĂŞncia financeira, vocĂŞ terĂĄ de abrir mĂŁo de parte de seu consumo atual para formar sua reserva estratĂŠgica para o futuro. “NĂŁo adianta chegar lĂĄ e morar debaixo da ponteâ€?, diz Carreta. Ele cita um estudo americano que mostra que, nos Ăşltimos dois anos de vida, as pessoas gastam com mĂŠdicos e remĂŠdios 40% de tudo o que gastaram durante a vida inteira com esses itens. “As pessoas precisam criar consciĂŞncia de fazer investimentos de longo prazo, pois estĂŁo cada vez mais atraĂ­das pelo

Como formar patrimĂ´nio para ter uma renda vitalĂ­cia apĂłs a aposentadoria

consumo agora, jå. Mas Ê preciso guardar uma parte do que ganham�, acrescenta Carreta. A mesma disciplina que a faz encarar a academia de ginåstica e manter uma alimentação saudåvel, você deve ter com o dinheiro. A soma desse esforço poderå fazer você viver mais e melhor.

 

CASOS

IDADE DA APOSENTADORIA

TEMPO DE CONTRIBUIĂ‡ĂƒO

RENDA MENSAL VITALĂ?CIA ALMEJADA

30 anos

























60 anos

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VALOR ACUMULADO PARA GERAR RENDA VITALĂ?CIA


RELACIONAMENTO

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Por que sempre ir aos mesmos lugares ou optar por aqueles programas a dois pra lá de habituais?

sem fim, sofre ao trabalhar em ritmo acelerado, a pressão arterial dispara e os quilos extras muitas vezes passam a se acumular em constância cotidiana. Daí, o coração, em vez de se comprazer com beijinhos e abraços sem fim, sofre ao trabalhar em ritmo acelerado, a pressão arterial dispara e os quilos extras muitas vezes passam a se acumular em uma velocidade impressionante. E a pólvora do nervosismo nem precisa de pavio para explodir. Dessa forma, não é de espantar que muita gente fique à mercê de um piripaque, na saúde e nos relacionamentos. É certo que fugir dos encontros rotineiros a dois pode ser uma boa. No entanto, nem todo mundo é adepto das mudanças — trocar o samba pelo tango? Jamais. “Existem pessoas que gostam de se sentir em ambientes familiares”, diz a psicóloga Ana Canosa, de São Paulo. Sua colega Ana Maria Rossi completa: “Muitas ficam ansiosas caso não saibam exatamente o que as aguarda”. Para esses indivíduos, é preciso ir com calma. “Eles se sentirão mais realizados com pequenos desvios na rotina, nada que modifique drasticamente o cotidiano, Além disso, o casal precisa exercitar outra arte: a de conciliar seus prazeres. “Quando estamos solteiros, só precisamos pensar nas nossas vontades”, diz Monezi.”, aconselha Monezi. Em outras palavras,

se o companheiro ou a companheira só curtem um sambão, que tal começar a variar com uma noitada de samba-rock? Evite encarar o planejamento de um momento prazeroso como algo que vá exigir muito trabalho. Isso pode ser um balde de água gelada em qualquer tentativa de esquentar o relacionamento. uma velocidade impressionante. E a pólvora do nervosismo nem precisa de pavio para explodir.

Por Fabio de Oliveira Foto Ricardo Montero

A

mar é... fugir da rotina — sobretudo naquelas horas reservadas para curtir a cara-metade com exclusividade. O conselho não está em nenhum manual de autoajuda destinado a aquecer um relacionamento que, embora sólido, se tornou refém de uma monotonia siberiana, especialmente quando os amantes têm um tempo só, e somente só, para eles. Esse recado vem dos resultados de uma série de pesquisas conduzidas na Universidade do Estado de Nova York em Stony Brook, nos EUA. É que desfrutar de algo inabitual e prazeroso, como viajar para um destino fora do roteiro- padrão de férias ou provar os pratos de um chef promissor, ativa no cérebro uma área que os especialistas resolveram chamar de sistema de recompensa. A novidade faz a massa cinzenta liberar dopamina, endorfina e norepinefrina, substâncias intimamente envolvidas no nosso estado de humor — estado de bom humor, é claro. São elas também que deságuam na corrente sanguínea quando a gente, logo após engatar uma relação, passa por aquela fase de paixão total: basta a razão do nosso afeto tomar de assalto os pensamentos para sentirmos uma embriaguez de bem-estar. Todo o corpo é contagiado pela satisfação emocional. “Sem contar que conseguimos tomar decisões e pensar com mais clareza, tirando de letra as solicitações da vida. Mas, se não damos espaço na agenda aos intervalos de deleite, aquele duo hormonal passa a ficar em alta numa constância cotidiana. Daí, o coração, em vez de se comprazer com beijinhos e abraços


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PERF

IL

Muito prazer,

Maria Paula

Admite que envelhecer é cruel, que casamento é difícil e que ela ainda quer interpretar um personagem 'barra pesada'

A apresentadora Maria Paula, no Leblon, na zona sul do RJ

Por Aryane Cararo Foto Wilton Junior

E

sta é Maria Paula Fidalgo dando bronca em seu filho de um ano e meio. E esta também é Maria Paula, a “dona Casseta”, não dando bronca em Felipe. Porque Maria Paula ri ou põe acentos de empolgação nas sílabas o tempo todo. É alto astral. Quando briga, não grita. Logo pede um beijo. E, mesmo por telefone, você consegue ir imaginando os pontos de exclamação que ela vai colocando na vida. Assim como você a vê na televisão, a atriz está sempre de bom-humor. E, se não for pela falta de sono ou pela fome, você a verá estampando um sorrisão. Ainda mais que ela está numa fase muito feliz. Com 39 anos, a mãe de Felipe e Maria Luísa, 5, volta com a turnê de Decameron no teatro, acaba de filmar Sex Delícia e continua a parceria que já dura 15 anos com os Cassetas. Tudo isso sem perder a empolgação, sem deixar de participar do crescimento dos filhos e ainda ostentando um corpão, com 62 kg bem distribuídos em 1,77 m. Quando a entrevistada é Maria Paula, é bom saber que ficar bem significa misturar a felicidade na carreira e na família com uma dieta saudável, malhação (de preferência ao ar livre) e cuidados com a mente e o corpo. “Se eu sei de uma coisa que me deixa com serotonina a mais rodando nas veias, eu vou fazer.” E aí coloque na lista desde o livro que ela acabou de ler – a biografia do Bussunda, escrita por Guilherme Fiúza e ainda não lançada – a terapias e práticas tão alternativas como o chi kong e o xamanismo.


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Qual é seu segredo para ficar bem? Tento, na medida do possível, conciliar tudo. Eu não fico sem ver meus filhos. Levo eles para o set porque, se não levar, vou ficar preocupada e vai ser difícil ter aquele brilho no olho. Porque não pode só não estar com olheira, tem que ter alegria. O seu bem-estar transparece na tela. E filho, quanto mais perto, mais MOVIMENTOS ORIENTAIS Maria Paula pratica chi kong, técnica chinesa que alia alongamento com respiração

brilho no olho dá. A gente fica mais segura sabendo que o bichinho tá ali. Como você recarrega a energia depois de um trabalho exaustivo? Praia deserta, com água limpa. Eu vim para Trancoso me refugiar na natureza. Não estou naquela rotina da internet, vendo e-mails, lendo o que tem hoje no Estadão e no Globo. Eu acordo cedo, vou para a praia um pouquinho, nado no mar, faço uma massagem enquanto meu filho dorme e cuido do corpo, né? Fiz uma massagem de shiatsu e estou querendo fazer a de pedras quentes. Sempre faço isso. Quando acabou a temporada de teatro, fui para Miami com meus filhos e fiquei num hotel que tinha um super spa, com terapia, saunas, banhos, lamas e essas coisas que fazem bem pra caramba (risos). E de malhação, o que tem feito? Eu corro. E sempre faço uns alongamentos, que podem ser mais para a ioga ou para o chi kong. Isso além do aeróbico, que faz parte da rotina. Um dia vai correr na praia, ou nadar, andar de bicicleta, subir trilhas para chegar a cachoeiras. É um momento de liberdade, de estar sozinha, fazendo alguma coisa pra você. Claro que quando não dá eu tenho que correr parada na esteira, olhando as notícias na academia (risos). Mas mesmo isso vale a pena, porque tem uma descarga de hormônios do prazer que faz me sentir muito mais disposta depois. Isso me anima, porque eu não sou aquela que adora malhar.

Como é sua relação com a alimentação? Na minha casa, mantenho uma rotina de comida orgânica, integral, muita salada, fruta. Mas quando a gente sai, entra no clima e se diverte. Adoro comer de vez em quando um hambúrguer

Para uma atriz, envelhecer é cruel, não? Envelhecer é sempre cruel para todo mundo. Você acha que eu queria? Não. Queria ficar sempre linda e jovem. Envelhecer é foda, mas é a realidade. E a gente tem que encarar isso bem. Eu faço tudo o que posso para conter naturalmente o máximo que puder. O que não vou é começar a intervir cirurgicamente. Aí já é probleminha mental que a gente tem que cuidar e se livrar dele. Tem que ser feliz.

Falando em felicidade, como manter um casamento feliz? (Inspira) Ufa! É muito difícil. E com o passar dos anos vai se tornando cada vez mais um desafio. E uma conquista também, porque tem o prazer da coisa que dá certo e da intimidade que vai se aprofundando. Mas são altos e baixos. E a gente tem que estar com muito equilíbrio interno para não jogar no outro nossas pirações. Tem que deixar o outro viver, feliz, sem pirar, porque o modelo de casamento da nossa sociedade é muito restritivo. As pessoas se anulam com esse modelo católico, cheio de culpa, mas que tem até uma coisa romântica do amor exclusivista e eterno. Seduz. Mas o negócio do controle do outro é uma coisa assustadora e horrorosa, né? Tem que ter liberdade interna, para ter vida própria mesmo. E acho que o segredo é o amor. Se tiver um sentimento forte, você sobrevive aos altos e baixos naturais do caminho.


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EM P AUTA

Por uma

infância feliz Especialista em bullying lança livro para ajudar pais a lidarem com problema

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rofessor de crianças com deficiências, Allan Beane perdeu o filho de 23 anos consequência indireta do bullying. Intimidado e isolado por colegas na escola, o jovem entrou em depressão e começou a usar drogas, até morrer de overdose. Mais de dez anos após a morte do jovem, Beane lança no Brasil “Proteja seu Filho do Bullying” (Ed. Best Seller, R$ 35, 238 págs.). “Sempre conto a história do meu filho. Faço isso desde 1999 e até hoje minhas lágrimas correm quando falo. A ferida e a dor nunca passam.”

TRAGÉDIA PESSOAL Nosso filho Curtis foi vítima de bullying e isso contribuiu para sua depressão e sua necessidade de recorrer a uma droga ilegal aos 23 anos. Ele tomou metanfetamina para aliviar-se da dor

causada pelo bullying e isso o matou. Prevenir e acabar com o bullying, especialmente em escolas, tornou-se nossa missão e nossa paixão. O QUE É O BULLYING É um comportamento agressivo intencionalmente doloroso, física ou psicologi-camente, e repetido. Como envolve um desequilíbrio de poder, normalmente é ameaçador. CONSEQUÊNCIAS O bullying priva a criança de um direito básico, que é uma infância feliz. Pode criar uma série de problemas de saúde, como depressão, ansiedade, fobia, distúrbios alimentares e estresse pós-traumático. Muitos alunos faltam à escola para fugir do bullying. E podem buscar aceitação aderindo a gangues ou mergulhar no álcool.

COMO SE DEFENDER As crianças podem se defender evitando o agressor ao máximo e não andando sozinhas, por exemplo. Também não devem mostrar ao agressor que se sentem magoadas, mas confiantes.

Retaliação física ou verbal piora o problema. O importante é que elas não devem pensar que têm que resolver o caso sozinhas. ATAQUES INVISÍVEIS A maioria do bullying acontece em segredo, longe dos professores. Para se ajudar, as crianças devem conversar com um adulto de confiança.

VIGIAR É PROTEGER Quando se trata da segurança de suas crianças, pais não devem se preocupar em violar sua privacidade. Muitas crianças têm problemas justamente porque seus pais não os supervisionam apropriadamente. Eles são responsáveis pela segurança dos filhos, têm a responsabilidade de saber o que se passa na vida deles. E não precisam ser traiçoeiros, devem abrir o jogo. Quando se conversa com amor, as crianças são mais suscetíveis à supervisão.


Por Tarso Araújo Foto Vagner Campos

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Adolescente trocou de colégio abalado pelo bullying. O medo já não paralisa como antes, mas o adolescente de 15 anos que trocou de colégio para escapar das agressões teme caminhar sozinho pelas ruas de Ijuí, no noroeste do Estado. Depois de ser espancado e ver a surra gravada em vídeo, decidiu abandonar o colégio


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ESTRE

SSE

Mantenha a calma Pare de roer as unhas

Foto retirada da internet sem nome do autor

e veja dez dicas para controlar a ansiedade

Quando a pessoa desenvolve os transtornos como síndrome do pânico, estresse, ansiedade generalizada, que é o individuo ansioso o tempo todo, é hora de buscar tratamento, alerta Mariângela.

Tolerância zero!

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aquicardia, suor excessivo, falta de ar ou respiração agitada. Pouco sono, coração disparado, paralisia, vigilância extrema. Se você já sentiu uma dessas características, possivelmente foi quando a ansiedade te pegou. Na ficção pode ser engraçado ou angustiante, como nos filmes O Diário de Bridget Jones (2001) ou Melhor é Impossível (1997), mas na realidade é preciso diferenciar quando o perigo está longe ou quando controle e ansiedade não cabem mais na mesma frase. “É um estado de alerta, nos faz ficar vigilantes e atentos. Situações positivas e negativas podem causá-la”,

explica Mariângela Gentil Savoia, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo. “São situações de mudanças, novidades que podem provocar o sentimento. Pode ser uma prova, o encontro com um amor, ou um desafio”, completa o psiquiatra Antonio Leandro Nascimento, consultor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Mas e quando a situação passa dos limites e aquele leve frio na barriga começa a virar sofrimento? Um dos indícios de que é hora de buscar ajuda médica é a paralisia social, quando fica comum deixar de fazer algo por medo ou insegurança.”


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1 T erapia

Parece óbvio, mas nem sempre as pessoas se lembram que desabafar alivia. “Falar dos problemas acalma as emoções, além disso, a terapia funciona para o paciente escutar a opinião de quem tem uma outra visão, bem mais positiva, dos problemas. O especialista ainda receita técnicas de relaxamento”, afirma a psicóloga Mariângela.

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DESPLUGUE-SE

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MUDANÇA DE FOCO

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EXERCÍCIOS

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PLANEJAMENTO

Tente se concentrar em outra coisa que não no problema que está lhe atormentando. Se trabalhar em um local estressante, tente mudar de ambiente sempre que puder. “O importante é não pensar no problema para não exagerá-lo ainda mais. Se a situação é de ansiedade no metrô, por exemplo, conte quantas pessoas de camisa branca entram no vagão. Essa é uma técnica de distração eficaz”, diz Mariângela.

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SOCIABILIDADE

Fazer atividades em grupo e com regularidade pode ser uma boa. Vale curso, passeio com os amigos, trabalho voluntário e até algum esporte que estimule o convívio em equipe. O contato com outras pessoas, além de distrair, possibilita o desabafo sobre as próprias aflições que tanto incomodam. “Compartilhar inseguranças é importante para não acumular preocupações”, diz a psicóloga Mariângela Gentil Savóia.

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COMA MELHOR

Descontar o estresse num pote de sorvete pode até ajudar, mas corre-se o sério risco de o problema desembocar na balança. A nutricionista Tânia Rodrigues, da RG Nutri, de São Paulo, aconselha: “Os alimentos muito calóricos devem ser evitados durante as crises - quando estamos mais propensos a estocar energia sob forma de gordura- e também as substâncias estimulantes”. Aposte em maracujá, camomila, erva doce, leite, milho ou banana.

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HOBBY Atividades que proporcionam prazer são a melhor solução para trazer bem-estar e alívio. Se você ainda não encontrou nenhuma habilidade, nenhum interesse específico, tente algo novo. Se gosta de dançar, pratique. Se gosta de trabalhos manuais, produza. Escrever também é uma fonte de relaxamento.

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YOGA

Que a pratica é relaxante todo mundo acha. Agora, pode ter certeza. Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovou que o yoga tem mesmo efeito contra transtornos de ansiedade.

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"A ciência já provou que a respiração ansiedade e a agitação”, afirma a pesquisadora da Unifesp Thais Godoy Bobbio, que também é professora de Yoga. Segundo ela, a única maneira de pedirmos para o organismo se acalmar é através da respiração. A dica é: inspire (pelo nariz) profundamente e conte até 3; expire (pelo nariz) devagar, contando até 5. Faça o exercício por pelo menos 10 minutos.

Foto retirada da internet sem nome do autor

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RESPIRAÇÃO

O excesso de ferramentas para receber informações online, sejam notícias gerais ou pessoais, também gera uma expectativa em excesso. É informação pela internet, televisão, rádio, celular. Checar e-mail também já virou vício. Se possível, tente estipular um tempo para verificar estas informações, como a cada meia hora

“Se não houver contra-indicações, o melhor tipo de exercício é o aeróbico em uma intensidade um pouco mais alta. Estimula a produção de endorfinas, responsáveis pela sensação de relaxamento”, diz José Kawazoe Lazzoli, especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte.

Liste na agenda suas atividades e divida o tempo para cada uma delas. É excelente para não ter mil coisas para fazer na mesma hora.


46

DECO

RAÇÃO

Seu lar

alto-astral RELACIONAMENTOS/ CRIATIVIDADE/

CASAMENTO

FUTURO SUCESSO/FAMA

PROSPERIDADE/ ABUNDÂNCIA

AMIGOS/VIAGENS/ RELAÇÕES EXTERIORES

TRABALHO/ FAMÍLIA/SAÚDE

CARREIRA

ESPIRITUALIDADE/

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possível harmonizar a casa com medidas simples, sem deixá-la com cara de loja de produto exotéricos. Praticidade, conforto e bom senso é o lema de MonLiu, professora de feng shui do Senac, decoradora e paisagista. Com dicas práticas, ela ensina como aplicar essa ciência milenar chinesa. “Compara-se a uma ‘acupuntura da casa’ e se propõe a fazer a interação do ambiente com a pessoa.” No feng shui, harmonizar o ambiente está diretamente ligado a realizações pessoais,

como trabalho, espiritualidade, família/saúde, prosperidade, sucesso, relacionamento, criatividade e amigos. Esses itens fazem parte do bá-guá, uma espécie de bússola que serve para identificar os cantos da casa (veja ao lado). Descubra os espaços da casa correspondentes às áreas da vida do bá-guá e “trabalhe” os pontos de carência pessoal. “É fundamental que se escolha até três áreas da vida dentro da casa e uma em cada ambiente. Isso ajuda a concentrar a energia e a atingir o objetivo mais rapidamente”, destaca Mon. Cada espaço pode ser “trabalhado” usando-se cores e objetos correspondentes à área do bá-guá.

Por Ciça Vallerio Infográfico Erika de Carvalho

AUTOCONHECIMENTO


47 Trabalho/Carreira Cores: preto, azul profundo ou cor que lembre a profissão da pessoa; elemento: água (ou metal); objetos, imagens ou símbolos que representem a profissão ou cargo pretendido; plantas ascendentes (que crescem para cima); luminária; fonte; pedra ágata azul.

Espiritualidade/ Autoconhecimento Cores: azul, verde ou lilás; elemento: terra (ou fogo); livros; canto de meditação; santinhos; foto do cosmo; velas; pedra ametista; incensos; capela.

Família/Saúde Cores: verde; elemento: madeira (e água); forma: cilíndrica; fotos de família; plantas; móveis de madeira maciça, quadros com paisagem de natureza; pedra quartzo verde.

Prosperidade/ Abundância Cores: púrpura, amarelo, dourado; elemento: madeira (e água); fonte; girassol; quadro de sol; planta ascendente; pedras pirita, mica ou citrino.

Relacionamentos/ Casamento Cores: rosa, vermelho, branco; elemento: terra (e fogo); objetos em pares; foto ou quadro de casal; objeto em forma de coração; duas velas rosas; flores; pedra quartzo rosa.

Criatividade/Futuro Cores: branco, metálicas, colorido; elemento: metal (ou terra); forma: circular; quadro colorido; porta-retrato com moldura prateada; fotos dos filhos; objetos de arte; pedra amazonita.

Amigos/Viagens/ Relações Exteriores Cores: cinza, branco, preto; elemento: metal (ou terra); fotos dos lugares que deseja conhecer; presentes de amigos; fotos de amigos; ágata roxa.

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TRABALHO

Sucesso/Fama Cores: vermelho, dourado, laranja; elemento: fogo (e madeira); diplomas; prêmios; velas; bromélias; antúrios; bico-de-papagaio.

SAÚDE

Aplique o ba guá sobre a planta da casa, posicionando a área trabalho na entrada principal ou de maior movimento.


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MOD

A

Salto, saltinho,

saltĂŁo!

Estamos vivendo uma ĂŠpoca de Evolução e Revolução de ideias “verdesâ€?, um tempo de conscientização do nosso meio e do nosso ser. Em 2011, o bem-estar ĂŠ chique e ĂŠ tendĂŞncia! equilĂ­brio do centro de gravidade do seu corpo, principalmente se vocĂŞ ĂŠ daquelas que passa o dia em pĂŠ (ou boa parte dele) ou anda alguns poucos metros (que mais parecem quilĂ´metros) durante parte do dia. Mas, se vocĂŞ ĂŠ “cocotaâ€? e sĂł anda de carro, entĂŁo atente para as outras dicas! Abuse das peep toes, alĂŠm de serem peças atemporais, estĂŁo super na moda! Elas podem ter o salto alto e grosso, um pouco mais baixo, porĂŠm fininho e delicado, ser fechado atrĂĄs ou com tiras. Parece confuso? Confira a tabela. E se vocĂŞ ĂŠ uma “cocotaâ€? ousada, ainda pode se arriscar com calças bem mais estilosas, como boyfriend, cenoura e saruel, que mescla os estilos despojado e sofisticados. Ou ainda, arrase numa meia-calça (no inverno pessoal!) fio 40 ou 80, sua peep toe preferida e bermudas alfaiataria, saias curtas ou shorts. Boa moda conforto pra vocĂŞ!

Daniele Cavalcante, apesar de apaixonada por moda e design, Ê EletrotÊcnica e paga suas contas com um emprego de geração de energia

Foto Ilustrativa

Peep toe: atemporal e na moda











  

    





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Por Daniele Cavalcante Foto Marina Miguel

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uando se une: pĂŠ + moda + calçados, vocĂŞ pensa em quĂŞ? Naquele seu MA-RA-VI-LHO-SO salto que te acompanha todo dia, certo? Bem-estar e salto alto sĂŁo duas palavrinhas que nĂŁo andavam juntas, pelo menos atĂŠ vocĂŞ ler este artigo, pois, do contrĂĄrio do que muitas mulheres pensam, ĂŠ possĂ­vel, sim, andar bonita com um salto e sentir-se bem o dia inteiro, sem sofrer com aqueles terrĂ­veis calos e dores nas pernas. JĂĄ dizia o ratinho do Castelo RĂĄ-tim-bum, na minha infância: “Meu pĂŠ, meu querido pĂŠ! Que me aguenta o dia inteiro(...)â€? E, pensando nisso, a moda em cal-çados vem buscando conforto alĂŠm de um bom design. As regras sĂŁo bĂĄsicas: 1. nada de saltos sem plataformas; 2. nada de sapato apertado - nem pense em comprar um nĂşmero menor sĂł porque era o Ăşltimo da promoção! e 3. antes de comprar, ande muito pela loja! O calçado, quando usado incorre-tamente, pode prejudicar o seu sistema circulatĂłrio e o


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BELE

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Um, dois:

abre a boca, franze a testa... Exercícios faciais ajudam a evitar rugas e flacidez

Por Marcela Rodrigues Silva Foto Felipe Rau

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hora da malhação. Não precisa colocar o tênis, nem se preocupar com distenções e cãibras. Você também não vai carregar pesos nem usar aparelhos. Vai precisar apenas de um espelho. Sem cirurgias nem intervenções radicais, a ginástica facial pode ajudar a prevenir rugas precoces e a combater a flacidez facial. Sem contar que pode ser feita a qualquer hora do dia (mas, por favor, evite praticá-la em reuniões profissionais, por exemplo). Porém, como em qualquer atividade física, exige disciplina. A técnica de movimentos, que vale para homens e mulheres a partir dos 25 anos, trabalha e tonifica a musculatura tanto do rosto quanto do pescoço e colo. Só não vale fazer qualquer careta. A terapeuta facial Bartira Bravo, de São Paulo, alerta que exercícios feitos de maneira inadequada podem trazer prejuízos. Por isso, no início, o ideal é se exercitar seguindo à risca as indicações, e sempre diante do espelho. “Após dois meses já é possível notar mudanças fisionômicas e um aspecto mais saudável”, explica Bartira.

RECORTE E COLE Abaixo, quatro movimentos básicos da ginástica facial para você recortar e colar onde quiser. É necessário uma repetição de cinco vezes cada exercício, e a série completa dura em média de oito a dez minutos EXERCÍCIO 1 Aperte bem forte os olhos e mantenha o esforço contando até dez

EXERCÍCIO 2 Levante bem as sobrancelhas com os olhos fechados e conte até dez. Volte devagar contando até seis EXERCÍCIO 3 Faça uma espécie de boca de peixe aberta e segure contando até 12. Volte devagar contando até dez EXERCÍCIO 4 Sorria forte para os lados. Segurando o sorriso com o pescoço, coloque a língua no céu da boca, e conta até dez


DICAS

sono melhor Acupuntura e massagem terapĂŞutica ajudam mulheres nessa fase da vida a refazer as pazes com o travesseiro. Ondas de calor, perda do desejo sexual e, ainda, noites em claro. NĂŁo ĂŠ incomum que o climatĂŠrio, perĂ­odo marcado pela queda do hormĂ´nio estrogĂŞnio, atrapalhe inclusive o repouso do sexo feminino. Para recuperar a calmaria noturna, o AmbulatĂłrio de DistĂşrbios do Sono na Menopausa, da Universidade Federal de SĂŁo Paulo, tem investido, com sucesso, no poder das agulhas, da massagem e de outras tĂŠcnicas complementares. “Ao reduzir o estresse e a ansiedade, elas promovem relaxamento e melhoram nĂŁo sĂł a qualidade do sono mas tambĂŠm outros sintomas dessa faseâ€?, conta a ginecologista Helena Hachul, coordenadora dos estudos. MENOS HORMĂ”NIO, MAIS OLHEIRAS     

VocĂŞ estĂĄ no

peso ideal?

Ilustração Farrell

Foto Ilustrativa

Por um

Uma investigação americana coloca o espelho em xeque. Pesquisadores da Universidade do Texas perguntaram a 2056 obesos como eles viam o prĂłprio corpo. A resposta surpreendeu: 8 % desses indivĂ­duos (praticamente um em cada dez) disseram exibir uma sillueta em plena forma. E, deles, 35 % apresentam pressĂŁo alta, 15 % colesterol elevado e 14 % diabete. “A crença na cintura esbelta leva ao descaso com as complicaçþes do sobrepesoâ€?, considera a nutricionista Lara Natacci Cunha, da Universidade de SĂŁo Paulo. Consulte a fĂłrmula abaixo e verifique se ĂŠ o seu caso.   

   





  











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ApnĂŠia

SĂ­ndrome das pernas inquietas

  





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‚ƒ„„ Consulte um endocrinologista para traçar uma estratĂŠgia de emagrecimento Um nutricionista para adequar sua dieta – comece trocando itens industrializados por naturais Caminhe por 20 minutos, trĂŞs vezes por semana.


CULT

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A voz do

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em sempre percebemos que o ser humano nasce com a Música dentro se si. Tão preocupados vivemos com o mundo que nos rodeia e em nossa interação com ele que com o passar dos anos esquecemos de exercitar aquele hábito saudável que tínhamos na infância de ficar quieto ouvindo apenas os sons das batidas de nosso coração, ou seja, mesmo nascendo com a Música em nós, insistimos em abafar, pouco a pouco, essa graça divina que temos. Deus nos deu dois instrumentos maravilhosos: um percussivo, que está no centro de nós, que determina o ritmo para nossa vida, e outro melodioso, que está em nossa garganta. Em meio a tantas aflições, angústias, exigências da contemporaneidade, talvez seja o momento oportuno para refletirmos quanto aos nossos exageros habituais, que tendem a gerar conflitos e medos em nossas almas e consequentes danos à saúde. É importante voltarmos a praticar coisas simples, belas e especiais, que fazem parte da essência humana. Que tal experimentarmos voltar a cantar durante o banho, a assobiar pela rua, no trabalho, ou no carro, e, melhor ainda, dormir ouvindo o tum, tum, tum do coração vibrando no centro de nosso ser? Atitudes assim possibilitam a melhoria da qualidade de vida ao nos fazerem reativar conceitos como ritmo e harmonia no cotidiano. Cantemos seguindo a velocidade natural das coisas: é simples e fácil ser feliz quando se deixa o coração de fato ser o pulso da vida.

Prof. Dr. e Consultor na Área Cultural e Educacional, João Martins acredita que sua vocação para a área educacional e pesquisas acadêmicas esteja relacionada a família

Por Prof. Dr. João Matins Foto Arquivo pessoal Ilustração Carlinhos Müller

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Palavras Cruzadas

Quadrinhos Mulher de 30

       

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MarquĂŞs de MaricĂĄ

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MoisĂŠs MaimĂ´nides

"A virtude ĂŠ comunicĂĄvel, mas o vĂ­cio, contagioso."

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"O bem-estar na vida obtÊm-se com o aperfeiçoamento da convivência entre os homens."

LĂŠon Tolstoi

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"A alegria de fazer o bem ĂŠ a Ăşnica felicidade verdadeira."

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A resposta você confere na próxima edição.

Por Cibele Santos

   


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mãe de uma menina de 11 anos está preocupada com o namoro da filha, que já dura meses. É que a garota contou a ela que o relacionamento com o namorado, de 15 anos, está “esquentando”. Essa mãe não sabe mais o que fazer porque já conversou com o casal, aconselhou, falou de todos os riscos de uma gravidez fora de hora. Mesmo assim, parece que eles não se dão conta da gravidade da situação, já que responderam a ela que “o que tiver que acontecer acontecerá”. Em outra ponta, a mãe de um jovem de 21 anos encontra-se em uma situação parecida. O filho é financeiramente autônomo e decidiu casar-se com sua namorada, que é a primeira garota com

quem se relacionou. Essa mãe é contra a decisão do rapaz porque acha que ele deveria ter outras experiências amorosas e sexuais antes de se comprometer. Por causa desse conflito, mãe e filho estão com a relação bem desgastada. Essas situações nos mostram que muitos pais estão confusos na relação que estabelecem com os filhos. Por isso pode ser bem interessante pensar sobre esse vínculo tão especial. Os filhos não vêm ao mundo por vontade própria. Os pais – ou um deles – quiseram isso, mesmo que esse querer tenha sido repleto de contradições. Uma vez aqui, cabe aos pais, por causa do amor que a ele dedicam, formar o filho para que ele possa andar com suas próprias pernas, ser autônomo.

A questão fundamental no mundo contemporâneo talvez seja a de que o amor de muitos pais pelos filhos tornou-se a única coisa (ou pelo menos a mais importante) que conta nessa relação. E isso muda tudo na formação dos mais novos. Quando uma criança pequena, à mercê de seus caprichos, quer ou não quer qualquer coisa, os pais cedem, mesmo sabendo em tese que não deveriam, porque o amor que sentem pelo filho não permite vê-lo sofrer. Mais crescido, mas criança ainda, ele quer se comportar como adulto, como a filha de nosso primeiro exemplo. Os pais cedem porque se sensibilizam com a situação e acabam por acreditar que as coisas são assim mesmo hoje em dia. Já com o filho crescido e amadurecido, prestes a colocar o pé na vida adulta e pronto para assumir todos os ônus e bônus desse caminho, alguns pais hesitam em sair de cena porque isso significa ter de suportar o afastamento. O amor imenso que sentem acaba por aprisionar todos nesse laço. Dessa maneira, o amor desses pais pelos filhos, como se configura e se materializa na atualidade, acaba impedindo que estes reconheçam sua intimidade já que os pais imiscuem-se nela, atrapalha o processo de construção de autonomia deles porque os pais ofertam conforto, em todos os sentidos, em troca de sua proximidade, permite às crianças que se comportem como adultos que vivam como crianças porque os pais não suportam a ideia de que seus filhos vivam fora dos contextos sociais do momento. Será que o amor dos pais pelos filhos está fora de controle justamente porque as relações afetivas entre adultos se tornaram descartáveis e frágeis?

Por Rosely Sayão, psicóloga e autora do livro de "Como educar meu filho?" Ilustração Eduardo Baptistão

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Virtuosa  

Virtuosa nasceu da necessidade de resgatar as virtudes escondidas em cada mulher. Valores que foram sendo enfraquecidos nas últimas décadas....

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