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  RELATÓRIO TÉCNICO PARCIAL DE PRATICABILIDADE E EFICIÊNCIA AGRONÔMICA DO NOCTOVI NO MANEJO DE LEPDOPTERA NA CULTURA DA SOJA

Projeto AGRO 05 006 - ISCA Tecnologias. 1 - TÍTULO:

Aplicações sucessivas de NOCTOVI para controle adultos de lepidópteros em soja – Safra 2013/14, Rio Verde - GO.

2 - TÉCNICOS/AUTORES RESPONSÁVEIS Dr. MÁRCIO FERNANDES PEIXOTO, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Entomologia - CREA –GO: 15865/D Prof Classe Especial do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano, Campus Rio Verde, GO. Rod. Sulgoiana km 01. Fone/Fax (64) 9648 7146 – e-mail: marciofpeixoto@gmail.com

3 - INSTITUIÇÕES

EXECUTORA: Instituto Federal Goiano, Campus rio Verde, Rod. Sul Goiana Km 01, Zona Rural, Rio Verde – GO CEP 75.901-970, Caixa Postal 66. Tel 64 3620-5600, Fax 3620-5640

SOLICITANTE: ISCA – Ferramentas e Soluções para Manejo de Pragas Endereço: Rua, Bortolo Ferro, 500A – Bairro Poço Fundo CEP: 13.148-050 - Paulínia, SP Telefone: (19) 3833.5995 Rio Verde, GO, 10 fevereiro de 2013    

 


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4 - INTRODUÇÃO Os insetos pertencentes à família Noctuidae, são responsáveis pelos maiores danos globais em cultivos extensivos como algodão, soja e milho. Atualmente os ataques de Helicoverpa armigera têm exigido ações conjuntas de Ministérios, Secretarias Estaduais, instituições de pesquisa e produtores para estabelecer estratégias eficientes para controle da espécie. Merece destaque também, especialmente nas safras 2012/2013 e 2013/2014, os intensos ataques de Chrysodeixis includens, praga comum a cultura da soja, mas que pelos níveis de resistência observados vem aumentando de importância. Com relação a H. armigera, há grande preocupação em disponibilizar ferramentas para controle de adultos, pois a maioria dos produtos são efetivos para controle de lagartas, como é o caso dos inseticidas do grupo diamidas. Esta estratégia de manejo, apesar de eficiente, apresenta uma importante lacuna a ser respondida: de que forma os adultos são controlados? Esta questão é pertinente por serem os adultos a fonte das novas gerações da praga (ovos e lagartas), tornando seu controle uma necessidade premente nas estratégias de manejo. O uso de um sistema atrai-mata contendo atrativos para noctuideos adultos permite a integração de uma nova estratégia de manejo às práticas atuais, possibilitando o uso de inseticidas menos tóxicos com modo de ação diferenciado – ingestão – o que favorece a mitigação dos riscos de resistência dos insetos e de contaminação ambiental e de alimentos, bem como os casos de intoxicação dos trabalhadores envolvidos no controle das pragas. A ISCA Tecnologias tem identificado uma mistura precisa de voláteis atrativos importantes para diferentes espécies de insetos-praga que não sejam atraentes para insetos benéficos como abelhas e himenópteros. Deste modo a ISCA Tecnologias criou uma formulação de voláteis atrativa a adultos de Helicoverpa armigera, H. zea, C. includens, Heliothis spp., Spodoptera spp., Trichoplusia ni bem como outros noctuideos. O produto NOCTOVI é formulado com esses voláteis junto com fagoestimulantes que promovem o consumo da formulação. Ao NOCTOVI deve ser    

 


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acrescentado um inseticida previamente escolhido, para que as mariposas consumindo a mistura morram. A mistura de NOCTOVI com o inseticida é aplicada em faixas isoladas nas lavouras, atraindo e matando adultos de noctuideos. Esta pesquisa tem a finalidade de avaliar o efeito de aplicações de NOCTOVI sobre as populações de H. armigera e C. includens em plantios de soja.

5 - MATERIAL E MÉTODOS. O experimento visando conhecer a eficiência do produto NOCTOVI foi conduzido em lavoura de soja da região de Rio Verde – GO, localizadas nas coordenadas S 17° 35’ 29,1'', W0 51° 03' 37,4'' e altitude 847 m de elevação. No dia 18/12/2013, antes da aplicação do produto foram marcadas as parcelas experimentais, cada uma contendo quatro hectares, sendo instaladas duas armadilhas de monitoramento de Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens em cada parcela, conforme descrito na figura 01 (Fig. 01). Antes da primeira aplicação de NOCTOVI, no dia 23/12/2013, foram marcados os pontos de amostragem em cada parcela experimental, cada ponto com dimensão de 3 m x 3 m (9 m2), no total de quatro pontos amostrais por parcela, dois localizados no centro e dois na periferia das parcelas (Fig. 01). Posteriormente, foram pulverizados os inseticidas Belt e Dipel em todas as parcelas do experimento. Em todos os tratamentos foram mantidas as aplicações de inseticidas programadas pelo produtor (tratamento 03), o único diferencial dos tratamentos foram as aplicações de NOCTOVI. Três tratamentos foram instalados, repetidos em cinco parcelas experimentais, a descrição dos tratamentos segue:

   

 


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  QUADRO 1. Descrição dos tratamentos utilizados no experimento

Tratamento

Descrição

Observação

1

NOCTOVI a cada 10 dias

3 aplicações

2

NOCTOVI – aplicação conforme flutuação populacional

Aplicações sempre que forem capturadas mais de 5 mariposas por armadilha por semana. Num total de 2 aplicações.

3

Manejo produtor

As aplicações do NOCTOVI foram feita sem adição de água, misturando inseticida Metomil (2%). A mistura NOCTOVI + Metomil (2%) foi depositada em um tanque de 50 litros acoplado a uma bomba elétrica (SHURFLO 8000-443-136) de 12V. Ao ligar a bomba, a mistura foi impulsionada através de uma mangueira de ½ polegada a uma ponteira de pulverização JA 1,5 sem difusor, com pressão de 60 psi. A aplicação formou assim um jato único que foi depositado sobre as folhas da parte superior das plantas numa faixa continua de 1,0 a 1,5 m de largura. O equipamento de aplicação manteve-se acoplado a um trator que durante a aplicação manteve a velocidade de 8,5 km/h, as faixas de 1 a 1,5 m de largura da aplicação foram distribuídas a cada 100 metros da lavoura em uma vazão final de 10 mL por metro, ou seja, 1.000 mL por hectare. Ao final da aplicação foi feito reforço no perímetro da área tratada aplicando uma faixa da mistura ao redor da área tratada. O tempo de amostragem foi de 37 dias, sendo avaliados os seguintes parâmetros de eficiência:

   


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1 – Amostragem de armadilhas feromônicas de monitoramento: após a primeira aplicação, foram avaliadas duas vezes por semana, com a contagem dos insetos capturados. Estas armadilhas tem eficiência restrita, capturando somente os machos da espécie alvo, o que é definido pela isca de feromônio sexual especifica usada na armadilha. 2 – Contagem de mariposas mortas nas entrelinhas das áreas amostrais e de lagartas nos panos de batida*: a avaliação de adultos mortos, machos e fêmeas, foi realizada duas vezes por semana nas quatro áreas amostrais (3 x 3 metros) presentes em cada parcela (ver croqui, Figura 1), após a coleta das mariposas foi feita a contagem e identificação dos insetos. A amostragem de lagartas através do pano de batida foi realizada a cada 10 dias em quatro pontos por parcela, foram contadas as lagartas vivas sem considerar o tamanho ou a espécie a que pertenciam. 3 – Avaliação de desfolha e peso de vagens: Foram realizados dois tipos de amostragens; no primeiro foram amostrados 10 pontos escolhidos aleatoriamente em cada parcela, em cada ponto foram coletadas 10 vagens contendo três grãos, localizadas no terço médio das plantas, posteriormente as 100 vagens de cada parcela foram pesadas; a segunda amostragem foi feita em dois pontos por parcela, escolhidos aleatoriamente, em cada ponto foram coletadas todas as plantas de 1 (um) metro, retiradas todas as vagens as quais foram pesadas.

Pano de batida*: amostragem de insetos realizada com um pano, preferencialmente de cor branca, preso em duas varas, com 1 m de comprimento, o qual é estendido entre duas fileiras de soja. As plantas da área compreendida pelo pano são sacudidas vigorosamente sobre ele havendo, assim, a queda das pragas que deverão ser contadas. No caso de lavouras com espaçamento reduzido entre as linhas, usar o pano batendo apenas as plantas de uma fileira.

   

 


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  Borda  

200  m  

Trat.  01  

200  m  

Trat.  02  

200  m  

Produtor  

200  m  

200  m  

200  m  

200  m  

200  m  

Armadilha  delta   Área  amostragem  (3x3  m)  

Figura 1. Croqui da area experimental, formulação NOCTOVI mais methomil 2% aplicado na cultura da soja, Rio Verde – GO. IFGO (2014).

   


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6 - RESULTADOS E DISCUSSÃO.

6.1 - Amostragem nas armadilhas de monitoramento: Os dados de capturas de machos nas armadilhas de monitoramento, nas três amostragens anteriores a aplicação dos tratamentos, indicaram menor nível populacional de Helicoverpa armigera no tratamento 3 (Fig. 2). As aplicações de NOCTOVI tiveram efeito na redução de insetos machos de H. armigera e Chrysodeixis includens (Fig. 3) nas armadilhas de monitoramento – sistema de monitoramento exclusivo para machos, as fêmeas foram amostradas através da coleta de adultos mortos nas áreas amostrais.

Figura 2. Médias de capturas de machos de Helicoverpa armigera nos tratamentos, por data de amostragem. Data de aplicação de NOCTOVI tratamento 01 (28/12/13, 11/01/14 e 26/01/14), indicada pelas setas azuis. Data de aplicação de NOCTOVI tratamento 02 (03/01/14 e 26/01/14), indicada pelas setas vermelhas, Rio Verde – GO. IFGO (2014).

   

 


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Figura 3. Médias de capturas de machos de Chrysodeixis includens nos tratamentos, por data de amostragem. Data de aplicação de NOCTOVI tratamento 01 (28/12/13, 11/01/14 e 26/01/14), indicada pelas setas azuis. Data de aplicação de NOCTOVI tratamento 02 (03/01/14 e 26/01/14), indicada pelas setas vermelhas, Rio Verde – GO. IFGO (2014).

6.2 - Contagem de mariposas mortas nas entrelinhas das áreas amostrais e de lagartas nos panos de batida: A amostragem de adultos mortos coletados nas áreas amostrais indicou maior incidência de Chrysodeixis includens que Helicoverpa armigera em todos os tratamentos. No total foram coletadas em média, 16,87 mariposas / m2 no período de 37 dias no tratamento 1 e 5,22 mariposas /m2 no tratamento 2, no tratamento 3 não foi observado mortalidade de adultos no período (Fig. 4).

   

 


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A - Helicoverpa armigera

B - Chrysodeixis includens

Figura 4. Média de mariposas mortas de Helicoverpa armigera e Chrysodeixis includens coletadas em 37 dias nas areas amostrais (3 x 3m), por tratamento, Rio Verde – GO. IFGO (2014). A amostragem de lagartas vivas no pano de batida indicou aumento progressivo no número de lagartas em todos os tratamentos entre a primeira e a segunda amostragem (Fig. 05). Entre a segunda e terceira amostragem houve decréscimo de 1,4% no número de lagartas no tratamento 1, aumento de 3,4% no tratamento 2 e no tratamento 3 observou-se aumento de 21,8%.

   


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Figura 5. Média de lagartas vivas coletadas em pano de batida, por tratamento, por data de amostragem. Não foram identificadas as espécies tão pouco o estádio de desenvolvimento das lagartas. Datas de cada amostragem - 11/01/14, 20/01/14 e 30/01/14, Rio Verde – GO. IFGO (2014).

6.3 - Avaliação de desfolha. Seguindo a mesma tendência observada na amostragem de lagartas no pano de batida e mortalidade de insetos adultos nas áreas amostrais, a média do índice de desfolha no tratamento 1 foi o menor de todos, com 5,3% (Fig. 6), no tratamento 2 o índice foi de 9,5% (Fig. 7) e no tratamento 3 de 34,1% (Fig. 8), esses valores foram estabelecidos considerando a planta inteira e não apenas as folhas mais altas do dossel.

   

 


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Figura 6. Desfolha das plantas no tratamento 1, amostragem dia 30/01/2014. Rio Verde – GO. IFGO (2014).

Figura 7. Desfolha das plantas no tratamento 2, amostragem dia 30/01/2014. Rio Verde – GO. IFGO (2014).

   

 


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Figura 8. Desfolha das plantas no tratamento 3, amostragem dia 30/01/2014. Rio Verde – GO. IFGO (2014). 6.4 - Avaliação de peso de vagens. Foi observado no tratamento 01 que o peso das 100 vagens coletadas nas parcelas foi, em média, 17% superior ao tratamento 02 e 21% ao tratamento 03 (Fig. 9).

   

 


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Figura 9. Média do peso de 100 vagens por tratamento, data de amostragem (30/01/2014), Rio Verde – GO. IFGO (2014).

Quanto ao peso total de vagens por metro linear, foi observado a mesma tendência, sem que houvesse diferença significativa entre os tratamentos 2 e 3. O total de vagens coletadas por metro linear no tratamento 1 apresentou peso médio 24% superior aos demais tratamentos, como indica a figura 10.

   

 


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Figura 10. Média do peso de vagens colatadas por metro linear em cada tratamento, data de amostragem (30/01/2014), Rio Verde – GO. IFGO (2014). Os dados indicaram que a metodologia proposta de amostragem populacional através de armadilhas feromônicas foi eficiente para determinar a dinâmica de H. armigera e C. includens nas áreas, porém o nível de controle proposto para o tratamento 2 não foi adequado por não resultar em mitigação de danos relevantes na produção das plantas de soja. Sugerimos que nos próximos trabalhos sejam estabelecidos valores de nível de controle, em armadilhas feromônicas, para ambas as espécies, bem como a revisão dos valores atuais que estabelecem o nível de controle utilizando NOCTOVI. A aplicação de NOCTOVI em faixas de 100 metros, na dose de 1 litro por hectare a cada dez dias causou a redução dos níveis populacionais de adultos e lagartas de H. armigera e C. Includens em cultivos comerciais de soja em Rio Verde - GO. Áreas que receberam este tratamento demonstraram menores índices de desfolha. Na nossa projeção de colheita, as parcelas tratadas com NOCTOVI a cada 10 dias demonstraram peso substancialmente maior das vagens, e maior produção por metro linear. Isso sugere que a produção de grãos, seguindo a mesma tendência observada até aqui, nas áreas tratadas com NOCTOVI a cada 10 dias tendem a apresentar produtividade de até dez sacas a mais por hectare. Ou seja, NOCTOVI a cada 10 dias resultou no aumento de estruturas de produção de 21% em relação aos demais tratamentos avaliados.

   

 


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7 - CONCLUSÕES.

NOCTOVI + Methomil (2%) provocou mortalidade de adultos de H. armigera e C. includens, bem como redução no número de lagartas presentes nas áreas de soja.

NOCTOVI + Methomil (2%) reduziu em pelo menos 24,6% o índice de desfolha de plantas de soja.

A aplicação de NOCTOVI + Methomil (2%) a cada 10 dias teve efeito positivo no aumento do peso de vagens de soja em pelo menos 21%, em relação aos demais tratamentos avaliados. A hipótese para isso foi o maior índice de área foliar observado neste tratamento, resultado do controle mais eficiente da incidência de mariposas e consequentemente de lagartas sobre as plantas.

Rio Verde, GO, 10 fevereiro de 2013

_________________________________ Márcio Fernandes Peixoto

   

 


Relatório parcial projeto agro 05 006 noctovi