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REVISTA

SINDLOC SP Ano XVII – Edição 147 - julho 2013

O PONTO FRACO DA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA BRASILEIRA Anfavea e Sindipeças avaliam a realidade do setor e o que se pode esperar para o futuro

Rastreamento automotivo ganha espaço como tecnologia que defende o patrimônio das locadoras Prospectar é sobreviver. Saiba o que fazer para ampliar sua carteira de clientes

Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo


Job: 20645-002 -- Empresa: Neogama -- Arquivo: 20645-002-Renault-Varejo-AnRv-Sindloc-210x280_pag001.pdf


EDITORIAL

O tempo passa, mas o governo parou no tempo O ano teve início cercado de expectativas, a começar pela da presidente Dilma Rousseff, que esperava um “pibão” para 2013. Mas ao fazer um balanço do primeiro semestre, constatei que o tempo passou, mas nada mudou. Enquanto o governo parou no tempo, nós brasileiros, que pagamos a conta da maior carga tributária do planeta, seguimos ajudando o país a manter seus níveis de crescimento. Engajado nessa atitude proativa e atento aos anseios das locadoras de automóveis, o Sindloc-SP continua sua tarefa construtiva. Em janeiro, o baixo nível de investimento estrutural do poder público expunha as deficiências da política econômica nacional. No mesmo mês, o Sindloc-SP lançava sua revista mensal para abrir mais um canal de interação com os associados e o setor. Chegávamos a fevereiro, com aumento de 14,2% na inadimplência e queda de 8% do crédito para compra de veículos. Por aqui, após várias reuniões e um minucioso planejamento, o Sindloc-SP implantava um serviço de busca de ressarcimentos e constituía um Núcleo Jurídico exclusivo para atender as locadoras. Março começava com o anúncio pouco otimista do Banco Central, sobre a queda de 29,4% na concessão de crédito para pessoas jurídicas. E terminava com mais uma prorrogação do IPI reduzido, sem nenhum planejamento. Enquanto isso, o Sindloc-SP lançava sua Plataforma de Seguros, um canal de informações e produtos 24 horas. No mesmo período, Oscar Schmidt dava lições espetaculares de motivação. Nada mudou em abril. A despeito do maior desempenho da história das montadoras na venda de carros zero, os usados registravam 8,16% de desvalorização. Já o Sindloc-SP realizava um curso completo sobre leasing e atraía a atenção de locadoras de todos os cantos do país. Ao darmos as boas-vindas a maio, adivinha o que mudou? O crédito para pessoas jurídicas mantinha sua tendência de queda. No Sindloc-SP, cerca de 100 empresários de diversas partes do Brasil reuniram-se para discutir a inconstitucionalidade do IPVA e planejar ações corretivas. Junho? O brasileiro, que cansou de esperar ações efetivas do governo, foi às ruas para clamar por mudanças. E não parece que o governo tenha se sensibilizado. A oferta de crédito permanece escassa, uma nova política tributária continua no limbo e nada de atitudes benéficas para todos os setores da cadeia automotiva. E o Sindloc-SP segue sua jornada: apresentou o projeto de leilões diferenciados com baixas rápidas do gravame e trouxe Amyr Klink para expôr seus anos de aprendizado em alto-mar. Mas sejamos otimistas. Apesar de todas as dificuldades, nada mudou para o Sindloc-SP. Mantemos nosso esforço por trazer conhecimento, informação e novas oportunidades de negócios a todos as locadoras. E a certeza de que, organizados e unidos, seremos capazes de mudar o Brasi Alberto de Camargo Vidigal Presidente do Sindloc-SP

EXPEDIENTE A Revista Sindloc SP é uma publicação do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo, distribuída gratuitamente a empresas do setor, indústria automobilística, indústria do turismo, executivos financeiros e jornalistas.

Presidente: Alberto de Camargo Vidigal Vice-Presidente: Eladio Paniagua Junior Diretor Financeiro: Luiz Carlos de Carvalho Pinto Lang Diretor Secretário: Paulo Miguel Jr. Consultor de Gestão: Luiz Antonio Cabral Conselho Fiscal: Eliane Baida, Paulo Gaba Jr. e Paulo Hermas Bonilha Junior Produção Editorial: Scritta – www.scritta.com.br Coordenação: Leandro Luize Redação: Dalton L. C. de Almeida Revisão: Leandro Luize e Júlio Yamamoto

Diagramação: Eco Soluções em Conteúdo www.ecoeditorial.com.br Jornalista Responsável: Paulo Piratininga - MTPS 17.095 piratininga@scritta.com.br Impressão: Gráfica Revelação Tiragem: 5 mil exemplares Circulação: distribuição eletrônica para 7 mil leitores cadastrados Endereço: Praça Ramos de Azevedo, 209 – cj. 22 e 23 Telefone: (11) 3123-3131 E-mail: secretaria@sindlocsp.com.br É permitida a reprodução total ou parcial das reportagens, desde que citada a fonte.

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sumÁRIO

08 MERCADO Anfavea e Sindipeças projetam o futuro do setor de autopeças nacional, um tema importante para os negócios da locação

14 LIDER SETORIAL A força econômica de Minas Gerais e seu setor de locação na análise de Saulo Fróes, presidente de honra do Sindloc-MG

16 TECNOLOGIA Atenção é indispensável ao volante. Atentas a isso, montadoras e empresas de acessórios desenvolvem opções que evitam distrair o motorista.

18 GESTÃO Prospecção de novos clientes é uma questão de sobrevivência. Especialistas em marketing dão orientações valiosas para conseguir ótimos resultados.

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SEGURANÇA Rastreadores automotivos estão no centro da disputa entre ladrões, polícia e proprietário e são fortes aliados no combate ao furto de veículos.

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MUNDO O fim do tanquinho de gasolina. Saiba mais sobre o avanço tecnológico que faltava para os Flex serem verdadeiramente 100% etanol.


informações úteis

SEGURANÇA Novo cinto obrigatório

COMBUSTÍVEL Novos podem gastar mais gasolina

O governo decidiu tornar obrigatório que todos os cintos dos carros sejam de três pontos e os lugares tenham apoio de cabeça. A data para entrada em vigor ainda não está definida e depende do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A mudança é bem-vinda, visto que, atualmente, muitos carros nacionais e importados ainda dispõem apenas de cinto central subabdominal e não contam com apoio central para cabeça. Tal configuração expõe o passageiro central a potenciais lesões graves ou fatais em casos de colisão, já que sob o efeito chicote comum em impactos, o peso de um ser humano pode ser multiplicado em até 50 vezes.

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Não é lenda não! Carros novos podem sim gastar mais gasolina do que um modelo usado. Essa “sede” extra decorre da necessidade de amaciamento do motor e está presente, geralmente, até os primeiros 3 mil quilômetros de rodagem, embora haja diferenças entre modelos e montadoras. A variação de consumo é mínima e nasce do maior atrito entre as peças do motor, em geral não sendo superior a 20%. Em caso de gasto excessivo, a dica é procurar uma oficina ou a concessionária em busca de outros defeitos.

LEGISLAÇÃO

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Documentação com condutor A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou, no último dia 25 de junho, a inclusão do nome do condutor principal no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). O projeto de Lei 6376/09 agora segue para análise do Senado. O novo texto permitirá ao proprietário indicar o nome do principal condutor de um veículo, desde que ele aceite, e isso o tornará o responsável, mesmo quando não estiver em trânsito. Com isso, um novo documento será emitido.

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coluna JURÍDICA

A base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS das concessionárias de veículos A Constituição Federal de 1988 conferiu à União o direito de instituir a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e a contribuição sobre o faturamento das empresas (COFINS), delimitando a base de cálculo de ambas contribuições ao total das faturas emitidas no desenvolvimento regular das atividades. Em desrespeito aos limites constitucionais, a União definiu que a base de cálculo de ambos tributos seria o total de receitas auferidas pelas empresas, o que foi objeto de decisões judiciais, inclusive do Supremo Tribunal Federal, favoráveis aos contribuintes, onde ficou definido que as receitas que não compõem o faturamento das empresas, como as decorrentes de investimentos financeiros, venda de ativo imobilizado, dentre outras, não podem sofrer a incidência das referidas contribuições. Dentre as várias discussões acerca da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, as concessionárias de veículos automotores ingressaram em juízo para ver reconhecido o direito de efetuar o recolhimento das contribuições apenas sobre a margem de lucro obtida com a venda dos mesmos, sustentando que, na venda ao consumidor final, o principal papel das concessionárias é o de intermediar a operação. A tese das concessionárias é fundada não só no conceito jurídico de faturamento e de receita bruta admitido pela Constituição Federal, mas também na antiga redação do inciso III, do parágrafo 2º, da lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que determinava que normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo deveriam excluir da base de cálculo das contribuições os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Contudo, em recente decisão proferida nos autos do Recurso Especial nº 1339767, com previsão de publicação para o dia 02 de agosto de 2013, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de recurso especial representativo de controvérsia, definiu que a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS por concessionária de veículos é o produto da venda ao consumidor e não apenas a margem de revenda da empresa. Note-se que, apesar de a matéria poder ser revista pelo Supremo Tribunal Federal, que possui legitimidade para definir se a co-

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brança das contribuições sobre o valor total da venda respeita os limites constitucionais, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça o acórdão foi proferido sob o rito dos recursos repetitivos e deverá orientar a solução dos processos idênticos que tiveram a tramitação suspensa até esse julgamento, dificultando a reversão de decisões contrárias aos contribuintes no âmbito da Corte Superior. Com efeito, de acordo com a notícia divulgada no site do Superior Tribunal de Justiça “o relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou em seu voto que a caracterização da relação entre concedente e concessionárias, como de compra e venda mercantil, é dada pela Lei 6.729/79”. Segundo os Ministros responsáveis pelo julgamento, se a concessionária, de um lado, adquire os veículos das empresas concedentes, de outro, realiza operação de compra e venda com os consumidores dos veículos automotores, de maneira que devem recolher as contribuições ao PIS e COFINS sobre a integralidade do valor pago pelos mesmos e não apenas sobre a diferença entre o custo de aquisição e o valor de venda. Portanto, a discussão sobre essa matéria no âmbito do Superior Tribunal de Justiça tem a tendência de ser desfavorável às concessionárias de veículos, sendo que uma eventual reversão do entendimento firmado pela Corte Superior apenas poderá ser obtida sob o enfoque constitucional no Supremo Tribunal Federal.

Marcelo Botelho Pupo é especialista e mestre em direito tributário pela PUC-SP e coordenador da área tributária do escritório Queiroz e Lautenschläger Advogados


TRÂNSITO

Infrações de trânsito: mudanças de procedimentos para locadoras Em 1º de julho de 2013, a Resolução 404 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que dispõe sobre a padronização dos procedimentos administrativos na redação do auto de infração, a expedição de sua notificação e o aviso da penalidade de multa e de advertência, tanto para o condutor como para o proprietário de veículo, entre outros pontos, passou a vigorar em substituição à Resolução 149. Similar, mas menos ampla. A mudança levanta questões que demandam orientações. A primeira é a atualização dos contratos, cuidado para que as relações se mantenham em condições legais. Para isso, tanto nos contratos já impressos como nos novos, deve-se substituir nas cláusulas toda menção à Resolução 149/03 do Contran pela Resolução 404/12, com especial ênfase aos itens relacionados com a indicação do condutor. Faço um alerta: cada vez mais empresas buscam orientações baseadas na Resolução 363/10, que abarca os tópicos da Resolução 404, mas com foco no proprietário. Ela tem sido indicada por alguns órgãos de trânsito inadvertidamente. Esse erro deve ser evitado, pois ela nunca chegou a vigorar e não deve ser utilizada. Quanto à identificação do condutor, a Resolução 404/12 não apresenta inovação. Reproduzo o dispositivo que especifica a documentação a ser reunida em substituição à assinatura do locatário: “cópia de documento onde conste cláusula de responsabilidade por infrações cometidas pelo condutor e comprove a posse do veículo no momento do cometimento da infração, para veículos registrados em nome das demais pessoas jurídicas”. Outro aspecto: a nova resolução permite que o órgão de trânsito, no momento em que receber a indicação de um condutor e identificar alguma irregularidade na CNH do locatário, faça uma autuação por essa irregularidade contra o condutor e outra contra o proprietário, ou seja, a locadora. Esta última uma punição à empresa pela entrega do veículo a um responsável irregular. Alguns exemplos de irregularidades são a carteira vencida, a categoria diferente do veículo locado em relação à determinada na CNH, a carteira suspensa etc. Minha análise é que a regra é ilegal, uma vez que a autuação se dá posteriormente a uma suposta irregularidade passada. Mas como a resolução está em vigor tomar todas as cautelas é a melhor escolha para o empresário. Outro gerador de atrito entre locadoras e locatários é a aplicação da advertência por escrito – que não é algo automático para infrações leves ou médias e não é passível de, simplesmente, ser exigida da locadora pelo locatário. Assim, é necessário observar que, para obter o benefí-

cio, caberá a ele fazer sua defesa provando que possui um prontuário merecedor do benefício, uma decisão exclusiva da autoridade. Nisso, a locadora não apresenta poder de decisão, inclusive não pode interferir ou analisar os argumentos do locatário para isentá-lo ou não da multa. É uma questão ação do órgão de trânsito. Neste ponto, cabe ressaltar que o pedido para converter a multa em advertência se dá na defesa prévia, ou seja, no prazo de indicação do condutor - o primeiro momento de contato com a notificação. Portanto, a locadora deve agir com rapidez e informar o locatário tão logo tome conhecimento da notificação da autuação. Assim, impede que o locatário alegue não ter tido oportunidade de pleitear o direito à advertência devido a alguma morosidade da empresa de locação. Ainda mais quando se tem em vista que a resolução só permite a conversão de multa para advertência na primeira fase do processo (defesa prévia), e não nas instâncias seguintes (recurso à Jari e ao Cetran). Também saiba que uma pessoa pode recorrer até a última instância sem pagar a multa. Por ser uma relação contratual, a locadora pode estabelecer cobrança imediatamente e não deve aceitar alegações de que não é possível pagar espontaneamente uma multa antes da aplicação da penalidade ou da desistência do recurso. Para combater isso, tenha em mãos o Artigo 21 da Resolução 404: “Art. 21: É facultado ao cidadão antecipar o pagamento do valor correspondente à multa, junto ao órgão ou entidade de trânsito responsável pela aplicação dessa penalidade, em qualquer fase do processo administrativo, sem prejuízo da continuidade dos procedimentos previstos nesta Resolução para expedição das notificações, apresentação da defesa da autuação e dos respectivos recursos.”

Marcelo José Araújo Advogado e Consultor de Trânsito, Professor de Direito de Trânsito e membro da Comissão de Trânsito da OAB/PR

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mERcADO

Autopeças: o calcanhar de aquiles da cadeia automotiva Nem tudo é um mar de rosas no mercado automotivo brasileiro. Apesar de alguns indicadores positivos, em especial os relacionados às vendas de carros zero-quilômetro, o setor enfrenta um grande gargalo que toma corpo e impacta o negócio do aluguel de veículos. Trata-se da crescente dificuldade em suprir as demandas das montadoras e do setor de reparação por autopeças. Uma condição que deve ser revertida quanto antes, na visão de Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Não existe indústria automotiva forte sem uma cadeia de fornecedores fortes. E, hoje, falta produtividade e competitividade para a indústria nacional de autopeças”, explica. Embora a relação entre a demanda por peças e o negócio da locação possa não parecer direta, e como o setor é um dos maiores clientes das montadoras e também administra substancial parcela da frota de automóveis em circulação no país, qualquer tipo de desequilíbrio nesse ecossistema tende a afetar empreendedores de todos os portes.

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dor de CABeçA PArA LoCAção Para o negócio de aluguel automotivo, carro parado é sinônimo de prejuízo. Ainda mais porque a depreciação dos automóveis tem como fator predominante o tempo de serviço, que, no segmento, não costuma ultrapassar 2 anos. Assim, um veículo parado por semanas ou meses à espera de uma peça de reposição, seja por dificuldades de importação, seja por término dos estoques locais, acarreta uma redução na margem de lucro do negócio. Uma perda que não poderá ser reposta, já que o tempo não volta. E essa é uma situação cada vez mais corriqueira, uma vez que parcela cada vez maior das autopeças vendidas no país está sendo importada e, assim, exposta aos problemas logísticos inerentes a essa modalidade. Esse movimento, inclusive, é comprovado por dados recentes do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), que indicam que as importações subiram 20% neste primeiro semestre. “Desde 2007, o mercado nacional de autopeças enfrenta déficits crescentes na balança comercial, e o ponto mais baixo dessa trajetória, até o momento, se deu neste primeiro semestre, quando as importações superaram as exportações em US$ 4,72 bilhões”, explica Paulo Butori, presidente do Sindipeças. O resultado acompanha a invasão do mercado brasileiro por montadoras coreanas e chinesas, que ainda mantêm o grosso de seus fornecedores em países de origem. E, juntamente com as marcas já estabelecidas no país, acabam por importar componentes com maior tecnologia embarcada e que a indústria local não é capaz de oferecer, por despreparo técnico ou por baixa competitividade comercial. Naturalmente, os trâmites de importação tendem a ser mais lentos em responder a flutuações da demanda, e isso cria situa-

ção de alta e baixa dos estoques. Uma questão que teria resolução mais célere se o atendimento não tivesse de partir de outro continente, mas, sim, de uma indústria local próxima. Para contornar essa situação, a Anfavea e o Sindipeças declaram unir forças e apostar em projetos como o Inovar-Auto, voltado para a modernização e a dinamização da indústria automotiva brasileira. As duas entidades também já propõem ao governo o Inovar-Peças, com foco específico nesse setor fragilizado da cadeia industrial. “A Anfavea trabalha intensamente para buscar competitividade, e já fizemos reuniões com o Sindipeças. Há um consenso entre ambas as entidades quanto ao Inovar-Peças e já entregamos algumas sugestões ao governo federal”, pontua Moan. Mas não são só os problemas na substituição de peças em reparação que atingem o setor. Como grandes compradores de veículos, os frotistas da locação também estão expostos a atrasos na entrega de encomendas de automóveis novos, situação que pode surgir quando a falta de peças acontece ainda no processo de montagem. Nesse caso, como consumidores comuns, eles são obrigados a entrar em filas de espera e, ao contrário destes últimos, arcar com danosas mudanças em seus cronogramas de substituição de frotas. Aqui, novamente, o tempo se mostra como a raiz do problema. Afinal, os atrasos na entrega obrigam o locatário a estender a operação dos veículos em uso. A decisão, que pode até parecer simples, na verdade é um “ovo da serpente”, pois leva à elevação de gastos com manutenção corretiva, à queda na qualidade do serviço prestado e, ainda, potencialmente, ao aumento da desvalorização dos automóveis, quando eles, enfim, são redirecionados à revenda. Afora isso, dificuldades ou atrasos na renovação de frotas podem causar perda de contratos, pois muitos comerciantes podem tê-la como

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Luiz Moan presidente da Anfavea

Paulo Butori presidente do Sindipeças

kurhan/Shutterstock

resoLução A resolução da questão, na opinião das duas entidades, passa obrigatoriamente pela ampliação do percentual de peças nacionais nos automóveis vendidos e/ou montados no território brasileiro. O tema já foi tratado pelo governo federal por meio de incentivos, mas, na opinião do Sindipeças, não surtiu efeito. “Como o governo não definiu como vai rastrear a origem das peças, o cálculo para o uso do benefício se mantém livre, leve e solto, e, hoje, não há medição de nada”, afirma Butori. Por sua vez, a Anfavea declara que os investimentos médios anuais de US$ 3 bilhões, que até 2017 já somarão cerca de US$ 17 bi, aliados a uma nova política de rastreamento eficiente, serão importantes para a renovação do setor e para afastar a desindustrialização aventada pelo Sindipeças. “Esses valores serão utilizados na adequação das unidades para atender à indústria automobilística. E temos a absoluta convicção de que, como no passado, a indústria responderá à altura e superará essa questão. Além disso, o rastreamento do

conteúdo importado pelos fornecedores de autopeças já foi motivo de algumas reuniões com o Sindipeças”, finaliza Moan. Claramente, não há milagre para solucionar a questão, mas há efetivos movimentos de entidades de peso do segmento para que a indústria nacional retorne a sua condição de ampla e diversificada fornecedora. Portanto, aos empreendedores da locação cabe manter atenção à questão e, sempre que possível, optar por automóveis de montadoras que consigam lidar melhor com essa falta de componentes. Dessa forma, driblam surpresas em momento de reposição e compra de novos carros em seus negócios.

Fotos: João Luiz Oliveira/ Tecnifoto

exigência para a manutenção de uma relação de negócios. Ou seja, os problemas provocados com as dificuldades na compra de peças de substituição ou com a aquisição das mesmas para a montagem de produtos novos – ainda nas fábricas – propiciam uma sequência de prejuízos, colaterais ou diretos, realmente substanciais aos empreendedores.

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sEguRAnçA

Rastreadores: tecnologia na preservação de ativos O embate entre mocinhos e bandidos, entre o bem e o mal, está na gênese da sociedade. E o setor automobilístico não escapa dessa disputa antiga. De um lado, ladrões de carros tentando burlar sistemas de segurança. De outro, seguradoras, polícias e proprietários utilizando a tecnologia à disposição para coibir a criminalidade. Nesse contexto, os rastreadores automotivos podem fazer a diferença e tornar-se um item indispensável para frotistas e locadores. Só no primeiro trimestre de 2013, São Paulo, que responde por 47% de todos os casos de roubos de carro do país, registrou 50 mil veículos subtraídos de seus

proprietários, conforme dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Entretanto, o índice de recuperação na capital foi de apenas 42%. Em 2008, quando os rastreadores começaram a se popularizar, a perspectiva era que os roubos de carros estariam com os dias contados. Com índices de recuperação entre 80% e 95%, o futuro parecia ser tão brilhante que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu que, em alguns anos, todos os carros já sairiam da fábrica com rastreador. Um amplo plano que contaria com duas ferramentas. Uma delas seria o Sistema Nacional de

Identificação Automática de Veículos (Siniav), que consistiria na instalação de um chip de identificação nos automóveis e também de antenas nas estradas. Estas seriam capazes de ler informações como placa, ano e modelo, permitindo à polícia efetuar bloqueios na rodovia e interceptar infratores. Outra medida seria a criação do Sistema Integrado de Monitoramento e Registro Automático de Veículos (Simrav), que contemplaria funções de bloqueio e localização de veículos furtados via monitoramento e rastreamento por tecnologia GPS e GPRS. Mas o sonho não durou muito e, contra essa tecnologia, passaram a ser utilizados

PAnorAMA Hoje existem cerca de 300 empresas de rastreamento veicular no Brasil Apenas seis companhias brasileiras de rastreamento podem ser consideradas de grande porte Apenas duas (Ituran e Tracker) trabalham com a tecnologia de radiofrequência Atualmente, há mais de 2 milhões de veículos rastreados no país, sendo que: 15% por satélite 15% por radiofrequência 70 % por GPS/GPRS Tudo isso PorQue... • Em média, 23 carros são roubados por hora só no Estado de São Paulo, de acordo com levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado • Nos primeiros meses de 2013, mais de 85 mil automóveis já foram roubados ou furtados no Estado • São Paulo é o Estado com o maior número de veículos roubados ou furtados no país. Foram mais de 17 mil carros • O Estado de São Paulo registra quase metade de todos os registros de roubo de carros no Brasil • Dados da SSP indicam que, do total de automóveis levados, 46% foram recuperados

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os jammers, que bloqueiam os sinais GPS e GPRS dos rastreadores. E esse impasse é um dos motivos pelos quais o Detran vem postergando a aplicação da legislação, que, se seguisse o cronograma original, deveria ter entrado em vigor em janeiro deste ano. Para o setor, inclusive, a questão não é simples. Os carros mais visados pelos ladrões são os modelos populares, com acessórios que os valorizam e nas cores prata, branca ou preta. Um recorte que inclui grande parte dos carros de locação pelo país, a maioria deles ainda sob contrato de leasing, o que, em caso de roubo, representará um buraco no ativo das empresas. E ainda há um complicador: por serem alvos prediletos dos criminosos, esses veículos têm valores de seguro mais altos. Além disso, a percepção de que um locatário não é dono e, portanto, não vai se preocupar tanto com a segurança do veículo

como um proprietário piora a situação, na visão de uma seguradora. E assim aumentam os custos do empreendedor. Que VençA o MeLHor Da mesma forma que os espertinhos não se deixam vencer, os projetistas e desenvolvedores de rastreadores também não jogam a toalha. Com destaque, começam a surgir no mercado tecnologias de rastreamento baseadas em rádio, imunes aos jammers e à sua capacidade de bloqueio de sinal, o que possibilita encontrar automóveis em locais ermos, como túneis, em edifícios e até em outros países. São elas as tecnologias antijammer por dispersão e por triangulação, sendo consideradas, atualmente, as mais confiáveis do mercado. Elas somam-se às tecnologias GPRS, GSM e Satélite. A aliança dessas novas tecnologias com

sistemas 24 horas de monitoramento, troca de informações em tempo real entre veículos, centrais e motoristas, além de uma rápida ativação da polícia e de equipes de segurança, é muito bem-vinda nessa disputa histórica. Ainda mais quando se leva em conta a substancial queda nos custos desses serviços, que já foram de R$ 3 mil ao mês em 2008 e, hoje, são encontrados por até R$ 50. Com valores acessíveis e tecnologia de ponta, os rastreadores são cada vez mais indicados para locadoras de todos os portes, mas, conforme defendem os especialistas, não são mais do que soluções paliativas. O que é preciso é, efetivamente, terminar com a disputa. O que só pode ser feito dando um fim ao mercado de peças de desmanche, por meio do reforço do policiamento e também do estrangulamento da demanda.

9 diCAs soBre rAsTreAMenTo Confira dicas de Luiz Carlos Lang, diretor financeiro do Sindloc-SP, sobre o que levar em conta na hora de contratar um serviço de rastreamento:

1) 2) 3) 4)

Opte por comprar o equipamento e apenas assinar um contrato para utilização de software e envio de dados. Isso evita multas por recisão contratual junto ao prestador do serviço Avalie a área de cobertura e o tipo de tecnologia de rastreamento oferecida, em vista das necessidades do negócio

O índice de recuperação de carros roubados subirá para até 75%, com uma redução de sinistros entre 30% e 35%

Seu uso favorece um menor gasto de combustível e reduz significativamente o aumento de quilometragem nos veículos, já que o cliente evitará usá-los para atividades que não estejam previstas em contrato

5) 6)

Contrate apenas serviços de rastreamento que ofereçam bons e flexíveis softwares de gestão de frota.Trata-se de um produto que pode ser revendido ao cliente com custo zero para a locadora

O controle de entrada e saída de carros, rota, documentação para recorrer a multas indevidas e/ou declarações falsas de clientes, além de identificar uso indevido da frota, são benefícios do uso de serviços e softwares de rastreamento

7)

Há equipamentos com chips que trabalham com até quatro operadoras de telefonia. Opte por estes, é uma segurança maior para evitar “ares de sombra”, ou seja, locais em que determinada operadora não tem cobertura de sinal

8)

Rastreadores não são infalíveis, o índice médio de pane calculado por empresas de seguro é de 5%. Portanto, tenha em vista que periodicamente alguns sofrerão manutenção ou serão substituídos

9)

Opte sempre por rastreadores que contenham acelerômetro. Por meio dele é possível saber em que condições de via um veículo trafega e, em caso de acidente, receber informações para entender o ocorrido e, também, avisar equipes de resgate os 5 CArros MAis rouBAdos nos ÚLTiMos Anos 1º 2º 3º 4º 5º

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LÍDER SETORIAL

Falta investimento, mas sobra cobrança do poder público O presidente de honra do Sindloc-MG espera do governo menos peso para o bolso do empresariado e investimento maciço em infraestrutura “O mercado corporativo, com a ascensão do país, descobriu as vantagens de alugar um veículo. Aliás, não só ele, como também o turismo de negócios, que ao aderir à locação encontrou benesses, facilidades e confortos”

Não é possível falar de Brasil sem levar em conta Minas Gerais, a quarta maior extensão territorial da nação, a segunda maior população, a terceira maior capital em concentração urbana e o terceiro PIB do país. Essas conquistas põem Minas Gerais lado a lado com São Paulo e Rio de Janeiro na dianteira da economia nacional. O cenário se repete no setor automotivo: o estado detém 25% da produção nacional em 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Esses importantes indicadores também refletem o potencial do mercado mineiro de locação. Mas, para Saulo Fróes, presidente de honra do Sindloc-MG, o setor, embora forte e altamente competitivo, está doente. E qual é a enfermidade? : “Um governo administrativamente inapto, sem pudor na criação de impostos e, ainda, incompetente no desenvolvimento e na aplicação de políticas de incentivo abrangentes ou que tragam benefícios para o aluguel automotivo”, critica o dirigente. De acordo com Fróes, Minas Gerais conta com mais de 300 locadoras e duas das maiores redes do país – que, juntas, somam mais de 130 mil veículos –, sendo um exemplo de mercado capaz de responder à sua demanda com qualidade e preço justo. Em suma, um setor dinâmico, como muitos outros no Brasil, e que só encontra uma pedra no caminho: o Estado. “O governo tem de cumprir seu papel de executor de ações com lisura e transparência, apresentar uma política de juros plausível, olhar os mercados como um todo e não só em partes, como no emblemático caso das reduções de IPVA. Além disso, é preciso deixar de favorecer injustamente alguns grupos, promover as reformas política e

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fiscal e reduzir a carga tributária. Desse modo, a economia há de girar normalmente e o crescimento será inevitável”, defende Fróes. Para o mineiro, seu estado é um polo de negócios atípico, porque, ao concentrar muitas mineradoras, acaba dependente de seus movimentos no que diz respeito à terceirização de frota. Em contrapartida, essa condição o torna um bom termômetro, pois a elevação da demanda por serviços de locação acaba diretamente atrelada à saúde das mineradoras. “Nosso mercado local foi bastante afetado com a redução de negócios do setor de mineração, inclusive com aumento da inadimplência”, explica Fróes, mostrando como a alta do dólar, o aumento das taxas de juro e o cenário de incerteza da economia estão conformando, colateralmente, uma situação de preocupação e estagnação do setor locatário. Uma situação de triste retrocesso, uma vez que o período de relativa bonança econômica e estabilização, pelo qual o Brasil atravessou nas últimas décadas, desde a vitória sobre a hiperinflação, garantiu um crescimento substancial no setor de aluguel automotivo. Um movimento que, no caso mineiro, foi claramente puxado pelo setor privado. “O mercado corporativo, com a ascensão do país, descobriu as vantagens de alugar um veículo. Aliás, não só ele, como também o turismo de negócios, que ao aderir à locação encontrou benesses, facilidades e confortos”, pontua. Vale destacar ainda que este é um momento delicado. E para que o setor ajude com as demandas do país, como a da mobilidade urbana, o governo precisa priorizar e investir em infraestrutura básica, além de propor incentivos. “Com o risco da inflação, os locadores ainda têm sofrido com a alta dos juros e a diminuição da venda de seminovos, produtos que, tradicionalmente, não contam com o apoio e a preocupação que o governo dispensa aos veículos zero- quilômetro”, argumenta. Em suma, temos um panorama de falta de atitude governamental que põe a atividade de locação sob o risco de perder uma série de conquistas na qualidade de serviço, abrangência, diversidade e acessibilidade. “Todas essas conquistas comprovam o potencial do aluguel de automóveis, inclusive sua contribuição a outras esferas da sociedade e da economia brasileiras”, conclui.


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tecnologia

Simplicidade em prol da segurança Atenção é a regra de ouro para dirigir com segurança. Mas em tempos de novos gadgets tecnológicos, a concorrência pela concentração dos motoristas é tal que a incidência de acidentes por desatenção aumentou consideravelmente nos últimos anos. Motivo de alerta para as autoridades de trânsito e também para empresas e montadoras, que desenvolvem novos sistemas como GPS projetados no retrovisor, centros de mídias simplificados e acesso a e-mails por voz. Opções que garantem acessibilidade com simplicidade, objetividade e segurança. Adversários conhecidos, os celulares e smartphones são considerados os inimigos “número um” da concentração dos motoristas. E as legislações de trânsito em todo o mundo correm na direção de um rigor maior no combate a seu uso. Mas eles não são as únicas distrações possíveis. Centrais de mídias e entretenimento – graças a suas telas sensíveis ao toque, conexão com aparelhos móveis, acesso à internet e muitos botões – passaram também a representar focos de desvio de atenção. A questão não é simples. Dados do Departamento de Polícia Rodoviária Federal registraram mais de 191 mil acidentes nas rodovias federais brasileiras em 2012, dos quais 46,34% motivados por falta de

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atenção. Já entre 2007 e 2011, os 70 mil quilômetros de rodovias nacionais protagonizaram 53 mil acidentes pelo mesmo motivo! Mais do que uma questão de conforto, soluções voltadas a manter a atenção de um motorista contribuem para preservar vidas e patrimônios. Ainda mais quando os índices apontam que falta de atenção ao volante mata 15 vezes mais do que ultrapassagens indevidas. Soluções para hoje e para o futuro próximo Dormir no ponto é exatamente o que os engenheiros da indústria automotiva não fazem e algumas boas ideias já saíram das pranchetas para o mundo – algumas já disponíveis para compra imediata, outras prestes a chegar. São interessantes alternativas para o setor da locação, por garantirem automóveis mais seguros, em benefício do cliente e da conservação do veículo. Veja a seguir: No para-brisa Chamado de HUD (heads up display), um novo modelo de GPS criado pela Garmin promete estampar informações como direção, velocidade do veículo, velocidade limite da via, hora e previsão do tempo diretamente no para-brisa por meio de projeção. Funcionando por meio da tecnologia Bluetooth, conecta-se com tablets ou smartphones, alerta para a localização de câmeras de velocidade, condições do trânsito e evita que o motorista desvie os olhos do que se passa à frente do veículo. O nível de claridade do dia, inclusive, não é dificuldade, pois o ajuste da iluminação da projeção é automático. A empresa vai colocá-lo à venda ainda nesse terceiro trimestre por US$ 130.


fala Que eu te eSCuto Grande ajuda para evitar o manuseio de celulares e smartphones durante a direção, muitas marcas oferecem a sincronização do celular com o sistema interno do carro, entre elas Citröen, GM e Fiat. Mas a Ford foi além e, desde 2011, oferece no Brasil o sistema Sync, que mais do que redirecionar ligações para as caixas de som, responde a solicitações feitas por voz pelo motorista. Basta solicitar, em português, uma ligação para o dispositivo encontrar o número em sua agenda de celular e cuidar da discagem, ler seus SMSs, transferir fotos para o painel no console e, ainda, permitir a busca de músicas, sintonização de rádios, ajuste da temperatura, entre outras facilidades. Tudo apenas com comandos de voz. O equipamento pode ser encontrado nos modelos Edge, Fusion, New Fiesta, Novo EcoSport e Novo Fusion. MENos boTÕEs E Mais VELoCiDaDE Os painéis de comando nos automóveis multiplicam-se e ganham cada vez mais funções, botões, telas de touchscreen e fazem a alegria dos amantes por tecnologia. O problema é que tantas opções e complexidade tornam o uso complicado, menos intuitivo e o mais importante: lento. O que é um imenso perigo com um carro em movimento, já que um segundo de distração a 100 km/h significa 27 metros de direção cega. Por isso, marcas como a Honda, estão desenvolvendo novos painéis como o MDX, marcantes por sua simplicidade e redução de botões ao mínimo – somente funções cruciais como temperatura –, permitindo que o resto seja feito por comando de voz. Ainda presente apenas em modelos de luxo, é questão de tempo até chegar aos modelos populares.

pEsQUisa iNTErNaCioNaL CoMproVa os risCos Da DEsaTENÇÃo À DirEÇÃo Uma pesquisa da consultoria National Highway Traffic Safety Administration (NTHSA), dos Estados Unidos, calculou que um motorista utilizando um aparelho portátil e olhando para uma tela multimídia tem três vezes mais chances de se envolver em um acidente do que a média. Além disso, condutores com menos de 25 anos apresentam de duas a três vezes mais chances de enviar SMS ou e-mails enquanto dirigem. E embora 90% dos entrevistados considerassem muito perigoso andar como passageiro de um veículo conduzido por alguém distraído no celular, 75% deles admitiram que atenderiam o seu aparelho enquanto estivessem na direção. Trafegando a 100 km/h, cada segundo de distração representa cerca de 27 metros de desatenção

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cOmunIcADO

NoViDaDEs Da CoNVENÇÃo CoLETiVa DE TrabaLHo No início de julho, o Sindloc-SP finalizou negociações com o Sindicato dos Empregados e Trabalhadores em Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo (Sindeelocadesp) a respeito da Convenção Coletiva de Trabalho de 2013-2014, um importante alinhamento para as relações entre colaboradores e empregadores do setor de locação. “As negociações foram intensas, mas conseguimos concluí-las em curto espaço de tempo. Acredito que avançamos positivamente, sempre pautados na realidade atual das locadoras”, ressalta Eladio Paniagua, membro da comissão de negociação, que também contou com a participação de Paulo Miguel Jr. e Luiz Cabral, todos diretores do Sindloc-SP. O reajuste salarial foi fixado em 9%, o vale-refeição passa a ser de R$ 13,65, e foi incluída uma cláusula que autoriza o desconto em folha de pagamento de multas de trânsito, quando elas forem de responsabilidade de colaboradores que utilizam veículos da empresa. “Um estímulo extra para o uso responsável do patrimônio das locadoras por seus funcionários”, pontua Paniagua. É importante destacar que o site do Sindloc-SP disponibiliza para download a íntegra da convenção. Como se trata de um documento de conteúdo bastante amplo, o sindicato orienta os responsáveis pelas áreas de RH que tomem conhecimento de todas as cláusulas, cuidado necessário para garantir uma administração adequada das relações trabalhistas com os seus colaboradores. revista sindloc

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GestÃo

Como manejar a arte de prospectar A eficiência na prospecção de novos clientes, tanto para ampliar uma base já existente como para substituir os perdidos, deixou de ser uma vantagem competitiva e tornou-se condição crucial para a sobrevivência de um negócio. A realidade do setor de locação automotiva não é diferente, punindo exemplarmente os amadores que subestimam a concorrência. Para complicar, os atuais e potenciais clientes estão cada vez mais difíceis de agradar, por serem bem informados, inteligentes, conscientes sobre preços e por estarem com menor disposição para perdoar e expostos a constantes abordagens de concorrentes, com produtos e serviços equivalentes e/ou melhores. Para enfrentar essa batalha, especialistas apresentam conceitos e ferramentas indispensáveis. Para Ricardo Teixeira, coordenador acadêmico do curso Analista de Marketing da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma das premissas para um processo de prospecção é “definir claramente um mercado prioritário e, dentro dele, um público-alvo que se consiga atender muito

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bem”. Ou seja, trata-se de definir o maior diferencial possível de um negócio – a excelência no que faz – e segmentar o público em grupos com características e necessidades semelhantes. Naturalmente, a delimitação de quem se quer atingir e com quais atributos se destacar é apenas um dos passos. “É mais produtivo, eficiente e eficaz que a prospecção sempre conte com um volume prévio de informações, para que não se desperdicem recursos”, avalia Maria Carolina, coordenadora do curso de extensão de Marketing Organizacional da Unicamp. Para ela, entretanto, a segmentação não deve ser executada em excesso, sob o risco de o empreendedor ter prejuízos. “E nem se deve atirar para todos os lados, uma decisão custosa e que apresenta poucos resultados positivos”, explica a especialista. Prospecção por indicação Na opinião de Teixeira, a proximidade entre o proprietário de um negócio e o cliente final, corriqueira em pequenas e

médias empresas do setor de locação, é uma condição que pode ser utilizada de forma favorável em prospecções. “Por meio dela, não só é possível entender melhor as necessidades daquele que é atendido, como também conquistar a satisfação e confiança necessárias para pedir sua indicação”, justifica. Essa interação poderia começar pela simples solicitação de telefones e nomes, avançando para uma autorização de citar o indicante nos contatos de aproximação, até colher um testemunho escrito dele. E o mais alto nível de confiança é alcançado quando o próprio cliente intercede pela empresa e a apresenta a terceiros. Em complemento, ambos os especialistas defendem a prospecção como uma atividade contínua e que não deve ser utilizada como último recurso. Tanto que, para Teixeira, a prospecção é uma atividade diuturna em que o empreendedor deve procurar crescer acima do seu mercado. “Trata-se de uma atividade que não gera resultados imediatos, sendo inadequada como ferramenta emergencial”, pontua Maria Carolina. Ou seja, para sobreviver, crescer e florescer, prospectar não é opção, é missão.

Ricardo Teixeira • FGV

Maria Carolina • Unicamp


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l i g h t p o e t/Shutterstock

MUNDO

Tanquinho? Isso é coisa do passado

Adeus surpresas desagradáveis Pode parecer bobagem, mas são muito comuns as histórias de quem se esqueceu de encher o “tanquinho” e acabou, em um dia frio, com um carro flex teimosamente empacado no lugar. O motivo é que, ao contrário da gasolina, o etanol tende ao gotejamento e espessamento quando está sob baixas temperaturas, dificultando assim a vida dos bicos injetores. Para contornar esse problema entra a gasolina, mais resistente a baixas temperaturas, usada para ligar o motor e aquecê-lo para lidar com o álcool resfriado. Presente com pioneirismo no modelo Polo E-Flex, da Volkswagen, o sistema Flex Start, da Bosch, promete aquecer o etanol ainda na rampa injetora – por meio de quatro resistências – e, assim, aposentar o tanquinho, melhorar a velocidade de partida e, de quebra, reduzir 40% das emissões de poluentes. Também presente em modelos da Citroën, Honda e Peugeot, só é acionado em dias com temperaturas inferiores a 15 ºC e permite que o motor funcione perfeitamente com temperatu-

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ras de até -5 ºC, sendo que abaixo de 0 ºC precisa de apenas 10 segundos para levar o álcool à faixa ideal de trabalho, entre 80 ºC e 120 ºC. Já o sistema da Delphi, presente no Delphi J3 Sport, aquece diretamente o bico injetor com uma resistência, o que amplia a pressão de vapor do combustível e resolve a questão da queima em dias frios. No entanto, foi preciso o desenvolvimento de injetores maiores. Para a companhia, o aquecimento prévio do etanol não se mostra igualmente eficiente. Já a Magneti Marelli criou a tecnologia ECS® – Ethanol Cold System –, cujo lançamento está programado para 2014, provavelmente em um Fiat, e tem como princípio o aquecimento controlado de uma parte do combustível. Feito isso, o combustível é injetado na câmara de combustão, o que garante a partida do motor com 100% de etanol, mesmo sob temperaturas de -5 ºC. Nos três casos, os modelos perdem o tanquinho, mas ganham um módulo eletrônico a mais. Para as empresas de locação, é uma troca interessante, pois garante automóveis mais práticos, eficientes e flexíveis a seus clientes, retira uma preocupação dos usuários e, ainda, reduz as emissões de poluentes, uma conquista que colabora com o planeta e é útil ao marketing do negócio.

Flex Start - conjunto galeria e elemento aquecedor

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O Brasil saiu na frente quando, na década de 70, investiu no programa Pró-Álcool para trazer à realidade comercial automóveis movidos a etanol. E, mesmo com as idas e vindas da tecnologia, exposta aos altos e baixos do preço da gasolina, em 2003, as montadoras nacionais acertaram a mão e lançaram os carros flex, um sucesso que hoje conta com mais de 60 modelos à venda no país. E, embora oferecessem a proprietários e frotistas um poder de economia significativo ao usar álcool ou gasolina, os flex também herdaram uma incomoda característica: o “tanquinho” de gasolina. Uma exigência que está para entrar em extinção, uma vez que três novas tecnologias de grandes fabricantes de autopeças estão chegando ao mercado.


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SINDLOC-SP Apoio total às locadoras associadas O SINDLOC SP oferece às locadoras de automóveis suas associadas todo o assessoramento de gestão sobre o negócio e disponibiliza inúmeros outros benefícios: assessoria jurídica sobre todas as questões que envolvem a atividade, canal exclusivo de venda de veículos, plataforma de seguros com orientações e produtos diferenciados, e serviços de ressarcimento em acidentes que envolvem terceiros são alguns exemplos. Além disso, mantém parcerias com fornecedores de produtos e serviços necessários ao negócio em condições diferenciadas, bem como realiza treinamentos, palestras e eventos de integração entre os empresários. Ao mesmo tempo, o SINDLOC-SP interage com as autoridades constituídas e, quando necessário, promove ações que visam a preservar o interesse geral da atividade de locação de automóveis. Como resultado deste trabalho, a entidade amplia a cada dia o número de locadoras associadas. São empresas que enxergam o valor das ações do SINDLOC-SP, se utilizam dos benefícios dis-

ponibilizados e acreditam que a união é fundamental para o desenvolvimento do setor. Atualmente, o SINDLOC-SP representa cerca de 900 locadoras de automóveis, que juntas disponibilizam frota de mais de 150 mil automóveis para locação no Estado de São Paulo. A entidade tem exercido sua missão de criar facilitadores e contribuir com a eliminação de entraves que prejudicam o desenvolvimento da atividade dessas locadoras. O SINDLOC-SP tem consolidado seu compromisso com a ética e o respeito, e fortalece sempre os conceitos de qualidade e profissionalismo entre as empresas, os parceiros, o mercado e a sociedade. Ao liderar este importante segmento da economia brasileira, o objetivo do SINDLOC-SP é que essas empresas se profissionalizem cada vez mais e prestem um serviço de qualidade, além de difundir a cultura da locação de automóveis e ampliar o mercado.

Venha participar do SINDLOC SP Contate-nos pelo telefone 11-3123-3131 ou pelo e-mail sindloc@sindlocsp.com.br

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ARTIgO

MOTIVAÇÃO OU MORTE! A célebre frase dita por dom Pedro I para proclamar a libertação do Brasil do reino de Portugal - “independência ou morte” - bem que poderia ser atualizada para o título deste artigo: “motivação ou morte”. Em primeiro lugar, porque a motivação do imperador foi o principal elemento que o levou a se voltar contra seu país, em favor de uma causa ousada. Depois, porque, se aplicada ao mundo empresarial, consegue representar muito bem o que acontece com funcionários quando estão motivados e engajados em um objetivo desafiador. Pesquisa recente do Instituto Gallup comprovou que as empresas que têm funcionários engajados apresentam crescimento nos lucros quase três vezes maior que o de outras que não possuem um bom clima interno. Pagar um salário garante apenas que o empregado cumpra as atividades que estão descritas em seu contrato. O pensamento comum, nesses casos, induz a uma armadilha que aprisiona grande parte das empresas e seus gestores: “pelo que recebe, o funcionário deveria se esforçar ao máximo e superar os seus limites”. Ninguém faz isso. Nem mesmo donos de empresas, que chegam a mudar de ramo quando perdem a motivação. Casais trocam de parceiros, clientes mudam seus fornecedores, e funcionários buscam outro emprego. O que existe de comum entre eles é que perderam os motivos para seguir adiante na relação. Por isso partem rumo a novos desafios e objetivos mais motivadores. Acontece que a motivação está no interior da pessoa. Como as empresas não podem sobreviver na dependência do que pensa cada um dos seus colaboradores, a melhor alternativa é desenvolver ações que estimulem o engajamento e despertem entusiasmo para a busca de uma conquista coletiva. Para motivar alguém, é preciso cumprir algumas etapas. A primeira é desafiar. É indispensável estabelecer um objetivo desafiador para as pessoas, não apenas para a empresa. Fazer o convencional não estimula ninguém. Em seguida, devem ser informados o modo de chegar até o alvo, quais as condições para isso e os valores que devem ser seguidos. A co-

municação acompanha todo o processo, no sentido de compartilhar as melhores práticas e mostrar aos funcionários que é possível chegar lá. Depois de aprender e ver como se faz, as vivências completam a aprendizagem, porque colocar a mão na massa com orientação e de forma constante cria hábitos que, por consequência, produzem os comportamentos desejados. Muitas vezes falta uma parte fundamental nos estímulos, ou seja, os exemplos fornecidos pelos gestores. A melhor maneira de motivar é oferecer um modelo positivo que desenvolva automaticamente o desejo de repeti-lo. Um gestor desmotivado, que não pratica a comunicação face a face com sua equipe e

“Para motivar alguém, é preciso cumprir algumas etapas. A primeira é desafiar”

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age de forma desrespeitosa, é um convite para um clima interno ruim, de baixa produtividade e sem foco no cliente. Para fechar o ciclo motivacional, deve existir o reconhecimento que todo ser humano espera. Pode ser um feedback positivo, a eleição do funcionário do mês, um agradecimento do gestor ou informativos nos murais internos. Sua principal vantagem é que não custa nada para a empresa. Em alguns casos, atribuem-se ainda recompensas pagas em prêmios, vantagens ou dinheiro. Elas não são obrigatórias e, em hipótese alguma, não devem substituir o reconhecimento. Mas temos de admitir que todos nós gostamos de ganhar alguma coisa, que pode ser um dia de folga no aniversário, o uso de uma vaga de estacionamento privilegiada, produtos, viagens ou percentuais sobre incrementos de venda. Motivação é o impulso básico da vida, que, por isso mesmo, também deve ser utilizada para conquistar clientes, fornecedores e outros públicos da empresa. renato Avanzi Consultor, jornalista, professor, músico e escritor. É autor do livro Marketing Motivacional.


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Revista do Sindloc-SP - edição 147, julho/2013