Issuu on Google+

REVISTA

Sindloc sp Ano XVIII – Edição 156 - abril 2014

cenário

desfavorável Custo-Brasil penaliza toda a economia e cria dificuldades ao setor de locação automotiva Crédito para PMEs: uma oportunidade para financiar a expansão de sua empresa A telemetria chegou para ficar. Serviços permitem a gestão de frotas com eficiência

Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo


Job: 20645-002 -- Empresa: Neogama -- Arquivo: 20645-002-Renault-Varejo-AnRv-Sindloc-210x280_pag001.pdf


EDITORIAL

Cadê a inspeção veicular? Onde está a Prefeitura? Descontrolar. Ironias à parte, esse tem sido o verbo conjugado pela Prefeitura quando o assunto é a inspeção veicular. Um tema de extrema relevância para a mobilidade urbana e para a saúde humana, menos para o poder público municipal, que se esforça apenas em demonstrar sua insensibilidade à população e aos empresários que sustentam a economia paulista. No dia 12 de abril de 2013, o governo de Fernando Haddad sancionava a lei que trazia importantes modificações no projeto de inspeção veicular. As medidas incluíam a devolução do valor pago aos aprovados na vistoria, a restrição da inspeção anual para veículos com dez anos ou mais de uso, e a cada biênio para carros de quatro a nove anos. Abrir mão da sanha arrecadatória para trabalhar em prol da redução da emissão de poluentes soava como uma atitude inteligente e louvável. Mas um ano depois, tudo virou discurso, calcado no improviso e na absoluta falta de planejamento. Suspensão unilateral de contrato sem edital alternativo preparado, sem um debate técnico e econômico para viabilizar medidas consensuais, o que levou a disputas jurídicas sem fim com a Controlar S/A. Mas o veredicto já foi definido desde 31 de janeiro de 2014, último dia em que as inspeções foram realizadas. E a população recebeu condenação sumária. Percebendo o impacto negativo de suas decisões intempestivas, a Prefeitura teve a façanha de lançar uma licitação tardia repleta de deficiências. Caso o cronograma do edital seja cumprido à risca, estima-se que a implementação do serviço de inspeção veicular seja reiniciada somente em outubro. Enquanto isso, passaremos pelo período de inverno sujeitos à exposição elevada da poluição do ar. Milhares de veículos antigos continuarão a circular pelas ruas e avenidas despejando más notícias, enquanto segmentos como o de locação seguirão sua trilha empreendedora, sempre prejudicada por uma política desgovernada. A inspeção veicular faz parte de um conjunto de regulamentações do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), com a finalidade de controlar a emissão de poluentes, estimular a cultura da manutenção preventiva e manter a frota de veículos em condições minimamente razoáveis, de maneira a não colocar em risco o bem-estar e a saúde das pessoas. O que falta para o poder público entender essa realidade? Aliás, onde está o poder público para entender essa realidade? Provavelmente esteja ensaiando outro discurso para mascarar seu despreparo e desmazelo. A nós, do Sindloc-SP, empreendedores, contribuintes e batalhadores, resta ficar de olho e cobrar insistentemente essa gestão para trabalhar em favor de São Paulo, e não apenas de quem a elegeu. Agora, se a preocupação estiver realmente centrada na sucessão presidencial e governamental daqui a menos de seis meses, esse show de medidas descabidas está longe de ser o melhor cabo eleitoral. Alberto de Camargo Vidigal Presidente do Sindloc-SP

EXPEDIENTE A Revista Sindloc SP é uma publicação do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo, distribuída gratuitamente a empresas do setor, indústria automobilística, indústria do turismo, executivos financeiros e jornalistas.

Presidente: Alberto de Camargo Vidigal Vice-Presidente: Eladio Paniagua Junior Diretor Financeiro: Luiz Carlos de Carvalho Pinto Lang Diretor Secretário: Paulo Miguel Jr. Consultor de Gestão: Luiz Antonio Cabral Conselho Fiscal: Eliane Baida, Paulo Gaba Jr. e Paulo Hermas Bonilha Júnior Produção Editorial: Scritta – www.scritta.com.br Coordenação: Leandro Luize Redação: Dalton L. C. de Almeida e Kátia Simões Revisão: Leandro Luize e Inês Arbex

Diagramação: Eco Soluções em Conteúdo www.ecoeditorial.com.br Jornalista Responsável: Paulo Piratininga - MTPS 17.095 piratininga@scritta.com.br Impressão: Gráfica Revelação Tiragem: 5 mil exemplares Circulação: distribuição eletrônica para 7 mil leitores cadastrados Endereço: Praça Ramos de Azevedo, 209 – cj. 22 e 23 Telefone: (11) 3123-3131 E-mail: secretaria@sindlocsp.com.br É permitida a reprodução total ou parcial das reportagens, desde que citada a fonte.

revista sindloc

3


sumário

08 mERCADO O manto nacional pesa muito mais do que o necessário graças ao CustoBrasil. Ele também é sentido na locação. Conheça mais sobre essa luta.

12 ESPECIAL Sua frota não precisa andar por aí sozinha. Acompanhe na segunda parte do especial sobre terceirização como a telemetria vem para ajudar.

14 LÍDER SETORIAL Mato Grosso do Sul tem locação dinâmica e que cresce em busca de sindicalização. Empresário local contextualiza o setor.

16 GESTÃO Ser pequeno ou médio não é impedimento para conseguir crédito financeiro para seu negócio. Confira as oportunidades.

18

4

TECNOLOGIA Em um país quente, o ar-condicionado é essencial para o conforto térmico. Uma nova tecnologia promete funcionar mesmo com o start-stop.

revista sindloc

20

MUNDO Sensores tornam-se companheiros de direção e estão sempre a postos para ajudar o condutor. Saiba mais.


informações úteis

TRABALHISMO

MONTADORAS O foco agora está na precificação Em recente pesquisa conduzida pela consultoria Roland Berger em parceria com a Automotive Business, foram constatadas consistentes mudanças de prioridades de atuação entre os fabricantes de veículos. Temas como investimentos em novas fábricas e expansões, assuntos recorrentes nos últimos dois anos tornaram-se agora, secundários. O foco atual das companhias está na manutenção de suas atuais posições no ranking de montadoras e a defesa da rentabilidade dos negócios. Foram entrevistados 258 executivos do setor, dos quais 51% preveem desenvolver neste ano atividades relacionadas à guerra de preços, como descontos e campanhas promocionais, e 47% preparam-se para contra-atacar os concorrentes. Já os temas “novos projetos de fábrica” e “linha de produção” estão na lanterna da lista.

Dispensar sem justa causa no período de 30 dias antes da data-base da categoria - 1º de maio – obriga a empresa a indenizar o empregado no valor equivalente a um salário mensal, conforme previsto no art. 9º das leis 6708/79 e 7238/84. Para início da contagem do prazo que antecede a data-base, deverá se considerar a data final de desligamento, que inclui o tempo integral do aviso prévio cumprido. No caso deste ter sido indenizado, a data final deverá ser projetada para quando ele terminaria, independentemente de ter sido concedido pelo prazo mínimo de 30 dias ou superior. Para melhor entendimento sobre a aplicabilidade da multa, veja exemplo para a data base de 1º de maio, se a data final de desligamento do empregado estiver compreendida: 1) até 31 de março: não existe multa; 2) entre os dias 1º e 30 de abril: a multa será devida; 3) a partir de 1º de maio: não existe multa, mas o pagamento das verbas rescisórias será feito com base no que for negociado na data –base. Caso ainda não concluída, fica ressalva para complementação posterior;

SEGURANÇA Cinto de três pontos e Isofix podem ser obrigatórios As diferenças em segurança entre os modelos de automóveis fabricados no Brasil frente aos de outros países estão cada vez menores. Em um novo movimento com a intenção de aperfeiçoar esse aspecto, a Anfavea enviou ao governo uma lista de itens a serem incluídos nos veículos. O projeto visa a exigir de todos os fabricantes o uso do cinto de três pontos e tornar padrão o sistema Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis, entre vários pontos. No início do ano, a presença de freios ABS e Airbags passou a ser obrigatória nos carros montados no país, uma conquista igualmente capitaneada pela entidade. A perspectiva é de que, em três ou quatro anos, o mesmo venha a acontecer com estes elementos de segurança.

Piskota76/Thinkstock

robuart/Thinkstock

Pode-se dispensar o colaborador um mês antes da data-base?

revista sindloc

5


coluna Jurídica

A escrituração contábil fiscal, o LALUR e a DIPJ No dia 19 de dezembro de 2013, foi publicada pela Receita Federal a (vii) aos registros, lançamentos e ajustes que forem necessários Instrução Normativa nº 1.422, a qual dispõe sobre a escrituração fiscal para a observância de preceitos da lei tributária relativos à determicontábil. A norma revogou a Instrução Normativa n° 1.353, de 30 de nação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando não deabril de 2013, que estabelecia a escrituração fiscal digital do Imposto vam, por sua natureza exclusivamente fiscal, constar da escrituração de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). comercial, ou sejam diferentes dos lançamentos dessa escrituração. Ambas as normativas representam um novo passo na direção de uma maior informatização dos procedimen“A Instrução nº 1.422 dispôs que, a partir do tos fiscalizatórios da Receita Federal e são parte de um caminho trilhado desde a instituição do Sistema Públiinício de 2014, todas as pessoas jurídicas co de Escrituração Digital (SPED), por meio do Decreto deverão apresentar a escrituração contábil 6.022 de 22 de janeiro de 2007. A Instrução nº 1.422 dispôs que, a partir do início do fiscal de forma centralizada pela matriz” ano-calendário 2014, todas as pessoas jurídicas deverão apresentar a escrituração contábil fiscal de forma centralizada pela matriz, salvo caso de empresas que fazem parte do Em virtude desta prestação de contas por meio digital, as empreSimples ou apresentam a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica. sas ficam dispensadas, no tocante aos fatos ocorridos a partir de 1º Ademais, deverão ser informadas nesta escrituração todas as ope- de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro rações que influenciem a composição da base de cálculo e o valor Real (LALUR) e da entrega da Declaração de Informações Econômidevido a título de IRPJ e CSLL, especialmente com relação: co-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (i) à recuperação do plano de contas contábil e saldos das contas, O contribuinte está obrigado a transmitir esta escrituração conpara pessoas jurídicas obrigadas a entregar a Escrituração Contábil tábil fiscal anualmente, até o último dia útil do mês de julho do ano Digital (ECD) relativa ao mesmo período da ECF; seguinte ao ano-calendário a que ela se refira. É importante que o (ii) à recuperação de saldos finais da ECF do período imediata- contribuinte cumpra com este prazo, visto que a não entrega ou a mente anterior, quando aplicável; entrega desta escrituração com incorreções ou omissões ensejará a (iii) à associação das contas do plano de contas contábil recupe- aplicação de multa. rado da ECD com plano de contas referencial, definido pela Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis), por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE); (iv) ao detalhamento dos ajustes do lucro líquido na apuração do Lucro Real, mediante tabela de adições e exclusões definida pela Cofis, por meio de Ato Declaratório Executivo; Fernando Souza de Man (v) ao detalhamento dos ajustes da base de cálculo da CSLL, meDoutor em Direito Tributário diante tabela de adições e exclusões definida pela Cofis, por meio de pela Universidade de Maastricht, Ato Declaratório Executivo; Holanda - Coordenador da Área Tributária do Escritório Queiroz e (vi) aos registros de controle de todos os valores a excluir, adiLautenschläger Advogados cionar ou compensar em exercícios subsequentes, inclusive prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL; e

6

revista sindloc


revista sindloc

7


MERCADO

O peso do manto

nacional

Erik Snyder/Thinkstock

Desafios e empecilhos ao desenvolvimento econômico punem a locação automotiva brasileira

8

revista sindloc


O chamado Custo-Brasil é parte da realidade nacional, um obstáculo tão formidável quanto onipresente, repleto de injustiças, abusos estatais e ineficiências que atrasam o desenvolvimento econômico nacional. Um adversário tão gigante quanto o próprio país e que impacta diretamente o setor da locação. Por sua causa, a nação ostenta a vergonhosa 130ª posição, entre 185, no Doing Business Ranking do Banco Mundial, que lista países por sua “facilidade em se fazer negócios”. Em contrapartida, a posição de sétima economia mundial mostra como a máxima “o filho teu não foge à luta” é real e que aos empresários e trabalhadores brasileiros não faltam empenho e dedicação. Por isso, é mais do que hora de cobrar do poder público o complemento: “dos filhos deste solo és mãe gentil”. Conheça as principais frentes de combate ao Custo-Brasil na locação: Infraestrutura Buracos, pedágios, sinalização deficiente, asfalto em péssimo estado e rodovias subdimensionadas são apenas alguns dos gargalos estruturais que impactam a operação de automóveis locados. A situação é tal que recente pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que 46,9% da pavimentação brasileira é inadequada, enquanto o aumento nos custos, no Sudeste, chega a 21,5% devido à má qualidade das rodovias. “Más condições em infraestrutura geram custos extras com manutenção - alinhamentos, balanceamentos, trocas de pneus e reparos de suspensões-, além de perdas financeiras com os carros parados em oficina. A falta de vias adequadas implica também em elevação do consumo de combustíveis e consequentemente em aumento de poluição e maiores índices de sinistralidade”, explica Paulo H. Bonilha Jr., diretor da Locatruck e conselheiro Fiscal do SINDLOC-SP. Legislação de trânsito Sob uma legislação de trânsito inescrupulosa, os locadores são mantidos em constante tensão. Na prática, cada aluguel pode ter como desfecho uma condenação por “responsabilidade solidária”, na forma do pagamento de indenizações por eventuais ilegalidades e acidentes cometidos com os automotores locados. Há ainda o impacto causado pela cobrança de multas, cobradas do proprietário do veículo autuado. Ou seja, o estado exime-se de identificar o motorista, função que acaba terceirizada às locadoras e encarece os custos da atividade. “O governo não quer arcar com as despesas no lugar de um motorista sem condições financeiras, o que o faz manter a responsabilidade solidária. Injustiça que não tem paralelo quando uma pessoa física, de boa fé, empresta o carro a um terceiro”, lamenta Marcelo Araújo, advogado especializado em legislação de trânsito, que complementa. “Já no caso das multas, o motorista não tem a obrigação de pagá-las até perder em todas as instâncias. Mas e o locador que

precisa desmobilizar o bem e não pode esperar até dois anos pela liberação de pendências junto ao Detran? O que ele faz? Simples. Acaba pagando o que não deve!”, explica. Segurança O Brasil, segundo ranking divulgado, em 2013, pela Ituran, é TOP 1 quando o assunto é roubo de carros. Com índices ascendentes desde 2009, o crescimento de casos alcançou 10% só nos primeiros nove meses do ano passado. Incapaz de garantir segurança, sua obrigação mais primordial, o estado acaba levando os empresários a securitizar suas frotas, uma medida que encarece os preços ao cliente final e reduz a demanda do mercado pelos serviços. “Aumentaram os furtos de automóveis de locadoras e as apropriações indébitas. Essas, inclusive, saltaram 100% desde 2013, e já envolvem quadrilhas especializadas. Para o primeiro caso existem muitas opções de cobertura e, ao contrário do que muitos pensam, é um serviço onipresente entre os grandes frotistas. Mas para o segundo, tradicionalmente, não existe. É por isso que lançaremos em breve uma cobertura, adicional e de baixíssimo valor, específica para este tipo de golpe e que não obrigará a empresa a aumentar suas diárias para compensar financeiramente o prejuízo”, adianta, com exclusividade, Carlos Figueiredo, sócio-diretor do grupo Segplus. Impostos De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os impostos recaem sobre 36,3% do PIB no Brasil. Um índice escandinavo, que segura, como a segunda maior carga tributária de toda a América Latina, mas que resulta em serviços de nação subdesenvolvida. Não bastasse, ainda submete o contribuinte a interpretações questionáveis e/ou enviesadas da legislação. “A atividade produtiva está sujeita a um emaranhado de impostos, e a carga tributária é ampliada em virtude de interpretações extensivas da lei. Como exemplo, tem-se a questão da venda de veículos por locadoras. Na teoria, a venda dos automotores, que são contabilizados no ativo imobilizado das locadoras, não está sujeita à tributação, visto que a atividade fim das empresas é a locação deles. Contudo, as Fazendas Estaduais tem reiteradamente apontado que caso a venda seja realizada em prazo inferior a um ano da compra, o imposto é devido. Com base neste entendimento, tributa-se até mesmo o recebimento do seguro em virtude da perda total do automóvel em um acidente, ou seja, considera-se que esta situação equivale à venda do veículo”, detalha Fernando Souza de Man, coordenador tributário do Queiroz e Lautenschläger Advogados. O advogado também ressalta o considerável passivo tributário gerado pela cobrança do IPVA em um estado diferente do qual o automotor está licenciado. “De maneira absurda, presume-se a má-fé do contribuinte em razão de um carro da sua frota estar sendo utilizado em unidade federativa diversa da qual o veículo foi registrado”, destaca Man. revista sindloc

9


MERCADO

Trabalho Se já dói no bolso do empregado a mordida do imposto de renda, que dirá o empregador que, para gerar empregos, é punido com vários outros tributos e custos – previdência, férias, aviso prévio, extras de insalubridade, seguro de vida etc. Valores que, somados, são iguais ou maiores do que o próprio salário do colaborador e se quer contabilizam os gastos com exigências como a de cotas obrigatórias para deficientes e jovens aprendizes, que não recebem quaisquer qualificações por parte do estado. Ou seja, mais uma transferência de obrigação para o setor privado. “Fora os tributos, multas e outras exigências, há ainda uma imensa insegurança jurídica. Previnindo-se para o caso de um acidente, o empregador paga taxas para o governo a fim de garantir indenizações, arca com um seguro para o empregado e, quando acontece o sinistro, a vítima recebe o valor de indenização do estado, da seguradora. E, pasme, ao entrar na justiça com um processo contra o patrão, ainda consegue danos morais. É a justiça penali-

10

revista sindloc

zando o empregador uma terceira vez!”, exemplifica Ana Amélia Mascarenhas Camargos, professora Doutora da PUC-SP e sóciacoordenadora da Área Trabalhista da Felsberg e Associados. A advogada também explica que o Tribunal Superior do Trabalho não reconhece a legitimidade da maioria dos sindicatos e dificulta negociações entre empresário e categorias. “Uma vez que não poderão contar com respaldo judicial, isso tira a força dos sindicatos e prejudica a todos. O país precisa reformar as regras da área, sem contar a CLT, que funciona como uma camisa de força e não reflete mais a realidade do país e suas necessidades. Hoje, o que existe é uma indústria na justiça trabalhista que serve apenas para auferir divisas para o estado via encarecimento das relações empregatícias”, finaliza. Uma carga a ser aliviada Cenários como o enfrentado pela locação escancaram o tamanho paquidérmico do estado brasileiro e sua inegável ineficiência em promover um ambiente competitivo, dinâmico e favorável ao crescimento dos negócios, geração de riqueza e promoção de emprego e renda. Tais reflexos expressam-se em indicadores como o da queda nos licenciamentos de autoveículos, que despencaram 15,2% entre janeiro e março deste ano, frente a igual período de 2013, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O impacto também se estendeu à oferta de crédito, que está ainda mais rigorosa, com o aumento da taxa de juros para compra de veículos de 1,25% para 1,33% em 2014, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Quer queira, quer não o governo, a economia é uma roda que funciona quando bem lubrificada e cuidada, mas que range assustadoramente e ameaça parar quando exposta a uma manutenção deficiente ou temerária. O setor de locação faz sua parte, mas é hora do Estado fazer a dele ou pelo menos não impor obstáculos desnecessários.

Nastco/Thinkstock

Burocracia O excesso de burocracia estatal encarece o negócio de locação de automóveis e leva as empresas do setor a gastarem excedentes de horas de seus funcionários para responder a essa demanda. Uma companhia consome em média cerca de 150 horas/mês apenas para atender esta exigência do Estado. Por isso, o empresário precisa estar muito atento para não se prejudicar quanto aos créditos a que tem direito - PIS e COFINS -, e aos cálculos relacionados à depreciação, pois além da legislação não ser suficientemente clara, difere muito de local para local. Mais um agravante é que ele não terá direito a créditos de ICMS. “Com uma carga tributária abusiva, superior a 40% e recolhida antecipadamente por força da substituição tributária, situações em que um carro é vendido ao consumidor final com desconto tornam-se desfavoráveis ao locador, visto que o imposto recolhido a maior não é devolvido. Isso onera ainda mais o preço e as margens de lucro”, ilustra Luiz Carlos Lang, diretor da locadora Caiena e responsável pela área de Finanças do SINDLOC-SP. Outro claro exemplo ocorre nas vendas de carros. O empresário é obrigado a ir pessoalmente ao cartório e assinar o documento, reconhecer firma, e depois levar o comprovante de venda até o Detran, quando a “indústria da taxa” entra em ação para fazer mais arrecadações. Taxas à parte, isto poderia ser simplificado com a utilização da certificação digital. “A variação de regras entre estados e legislações inconstitucionais, como a relacionada a emplacamentos e pagamento de IPVA, dificultam uma operação rentável para as companhias. Embora o SINDLOC-SP tenha conseguido reduzir o IPVA de 4% para 2% em 2008, o estado de São Paulo ainda tem uma das maiores alíquotas do país”, finaliza Lang.


setor

Sua frota sempre acompanhada Com o avanço das tecnologias, serviços em telemetria automotiva despontam como opção de terceirização indispensável para uma gestão profissional na locação

Gestão de frotas O ditado “o olho do dono engorda o gado” está repleto de uma sabedoria que pode ser aplicada facilmente ao setor da locação. A máxima, que ressalta a importância de sempre se manter o controle de cada aspecto de um negócio, hoje não demanda de um gestor que ele necessariamente esteja à frente de cada detalhe operacional. Diversificadas e plenamente capacitadas, várias empresas já prestam serviços terceirizados e favorecem o locador em manter seu foco no que realmente importa, a atividade-fim. Nesta segunda e última parte do especial (leia a primeira na edição 155/março da Revista do Sindloc-SP), o foco é na terceirização da telemetria automotiva.

Norlito/Thinkstock

Onipresença com quase onisciência Sem dúvida, estar em toda a parte para fiscalizar e aperfeiçoar os serviços de locação, e ainda saber de tudo ou quase tudo no que se refere a uma frota rodando, é um dos maiores sonhos de consumo do setor. O motivo é simples: informação é ouro. “Trata-se de um valor agregado de altíssima utilidade, crucial para redução de custos e aumento nas margens de lucro”, destaca Joel Alves da Silva Jr., diretor da PV Inova, que acrescenta. “Os clientes estão cada vez mais exigentes, atrás de mais qualidade, menor custo e maior segurança. Uma empresa, sozinha, não tem como alcançar todas essa exigências e ser efetiva no acompanhamento das demais atividades. Assim, delegar para especialistas é a estratégia mais inteligente.” Ainda muito confundido como mero opcional voltado ao rastreamento de veículos roubados, a telemetria é um setor em rápida expansão e que possibilita aos locadores agregar valor aos serviços ao mesmo tempo em que reduzem custos operacionais. “Hoje, o locador tem um conceito de rastreamento baseado na recuperação de veículos roubados, mas nos Estados Unidos e na Europa, o rastreador já é usado para a gestão de frota e melhora de indicadores”, explica Flávio Tavares, diretor comercial da GolSat. Geralmente customizáveis, os serviços de telemetria tornamse, dia a dia, indispensáveis. Como segundo maior custo do setor, apenas atrás da folha de pagamento, a administração racional das atividades de monitoramento ganha importância estratégica. “Por meio das informações geradas e cruzadas em softwares especializados, é possível avaliar aspectos como a média de consumo de combustíveis, se a utilização do automóvel é adequada, quais são as rotas utilizadas, se o cartão de combustível é utilizado efetivamente

12

revista sindloc


Hoje morrem mais de 60 mil pessoas ao ano no trânsito brasileiro. É como se um avião cheio, com 168 passageiros, caísse todos os dias. É preciso reduzir este indicador Flávio Tavares, da GolSat

para o carro indicado, entre vários outros pontos”, enumera Tavares. Da mesma forma, é possível analisar o comportamento do motorista (ele é agressivo ao volante? Possui vícios de direção que impactam no carro e na eficiência do mesmo? Usa o veículo fora do horário de trabalho?) e, dependendo do sistema, comparar os dados com o de outras unidades semelhantes para identificar como alcançar o máximo de eficiência, gerar relatórios etc. “Nós, por exemplo, desenvolvemos um firmware exclusivo, praticamente uma inteligência artificial, que permite ao contratante emitir relatórios em tempo real sobre quaisquer automóveis ou frotas. São 15 tipos de relatórios, descrições detalhada de rotas, velocidades, aceleração e frenagem”, descreve Silva, da PV Inova. Um exemplo de monitoramento possível é o de velocidade em tempo real. “Imagine uma cláusula contratual com multa a cada vez que um usuário superar determinada velocidade definida em contrato como faixa segura de operação? Isso é plenamente possível com a tecnologia de telemetria que dispomos atualmente. Um grande reforço para a segurança”, reforça Silva.

Facetas sociais e econômicas No entanto, nem só da redução de gastos e aumento de lucros se trata a telemetria de frotas. Para executivos do setor, a área também não pode deixar de levar em conta a questão da sustentabilidade social. “Mais de 60 mil pessoas morrem ao ano no trânsito brasileiro e todas as empresas do segmento automotivo devem assumir um compromisso com a redução desses indicadores. É dedicar-se em fazer o melhor para que o condutor, ao fim do dia, volte para casa, para sua família. Por isso, a gestão de frotas, em todas as suas facetas, é de grande importância”, defende o diretor da GolSat. Com cerca de 7 milhões de carros corporativos, dos quais quase 6 milhões não são terceirizados e não passam por nenhum tipo de gestão, o Brasil é um mercado em forte expansão para o setor. “Não basta, naturalmente, apenas seguir e recolher informações sobre um carro. Elas precisam ser geridas com eficiência. Mas uma vez feito isso, os ganhos são rápidos e o investimento se paga várias vezes”, finaliza o diretor da PV Inova.

Ajudar empresas a operar, diminuindo custos e aumentando eficiência é a motivação e combustível por trás da terceirização de serviços em nosso segmento

Joel Alves da Silva Jr., da PV Inova

Conscientização

Com o aquecimento do mercado de telemetria e gestão de frotas a redução de custos e a profissionalização são metas a serem alcançadas por todos os empreendedores. Neste sentido a Golsat criou o fórum PARAR, em associação a Global Fleet – entidade formada por gestores de frota europeus. O objetivo é pensar em alternativas responsáveis para administrar frotas com resultados. A proposta, que vem atraindo diversas empresas do segmento e propiciando discussões sobre desafios, é um exemplo do potencial do setor. revista sindloc

13


LÍDER SETORIAL

Centro-Oeste reforça foco na eficiência e na união empresarial Mato Grosso do Sul, para além do deslumbrante Pantanal, vê setor de locação se aprimorando e em processo de organização sindical Ambiente dinâmico e desafiador é a marca do Mato Grosso do Sul, cuja economia mantém ritmo acelerado a despeito da instabilidade nacional. Marco Antônio de Almeida Lemos, sócio-diretor da K & L Multi Empresarial, franqueado da YES e há 14 anos no mercado, é um exemplo de quem reconheceu as potencialidades regionais para a locação e despontou no setor. Com atuação principalmente no segmento de rent a car, ele defende a busca pela eficiência, dedicação ao cliente e investimento em mão de obra como estratégias primordiais para o sucesso. Com um Produto Interno Bruto de mais de R$ 49 bilhões, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE), o estado está entre as unidades federativas com maior e mais rápido crescimento. “Quem pensa no Mato Grosso do Sul muitas vezes não imagina a diversidade de nossa economia e como isso impacta positivamente no setor de locação”, explica o executivo, que concedeu entrevista exclusiva para a Revista do Sindloc-SP: O PIB do Mato Grosso do Sul em 2013 o colocou na 17ª posição entre os estados e no sexto lugar entre os maiores valores per capita do país. É um ambiente favorável à locação? Sim, apesar da sazonalidade, ainda é favorável. Nossa matriz produtiva é diversificada e há grande peso do ecoturismo e do turismo de negócios. Embora nossa população esteja na casa dos 2 milhões, o que é um fator limitante, isso vem sendo compensado pela presença de grandes empresas em diferentes setores. Entre os segmentos está o sucroalcooleiro, distribuído em vários pontos do estado; a indústria de celulose, em cidades como Três Lagoas; sem contar as demandas de executivos que viajam para cá. No geral, é um ambiente favorável à locação frotista e do rent a car. Quais experiências de sucesso acredita que o estado tem para ensinar ao resto do país? Uma das maiores lições está na mudança da base produtiva. Nosso governo investiu nisso e conseguiu uma positiva diversificação econômica. Tanto que nosso PIB está dividido em 63,14% no setor terciário (comércio e serviços), 22,82% no secundário (atividades industriais) e 14,04% no primário (agropecuária). Essa distribuição fornece boas condições aos frotistas. Por outro lado, casos como a cidade de Bonito, que possui selo autossustentável e une ecoturismo com o maior e mais ativo centro de convenções do estado, fortalecem o rent a car. São centenas de milhares de visitantes todos os anos e, com eles, muitas diárias. E na operação? Quais elementos considera de indispensável destaque? Na operação de balcão, especificamente, minha experiência mostra que o investimento em qualificação e preparação da equipe, por meio de workshops e cursos, é fundamental. Fidelizar o cliente é indispensável e isso só se torna possível por meio de um atendimento

14

revista sindloc

de qualidade do início ao fim. Para tanto, são cruciais a eficiência e o respeito ao tempo do locador. Ou seja, utilizar o mínimo possível da agenda dele. Uma metodologia bem sucedida, que é uma quebra de paradigma, está em aumentar o número de colaboradores e investir em profissionais preparados. Ajustar o tamanho da frota também pode ampliar a rotatividade e reduzir o prejuízo de carros parados à espera de locação. Como se desenvolve o turismo de negócios e o ecoturismo no que se refere à locação automotiva? São atividades complementares. Com 67% do Pantanal em nosso estado, os turistas aquecem a demanda do rent a car, mas há uma perigosa sazonalidade. A solução? A construção de um Centro de Convenções em Bonito. Assim, passada a temporada de ecoturistas, começa a de visitantes de negócios que utilizam veículos locados para ir e vir para o centro, aeroportos (um em Bonito e outro em Campo Grande), hotéis e plantas industriais. Temos movimento quase o ano todo e teremos um incremento a partir da inauguração, em 2014, de um dos maiores aquários de água doce do mundo em Campo Grande. Em breve a capital abrigará a rica biodiversidade aquática da região. E a união setorial? Qual é o status dela no Mato Grosso do Sul? O estado ainda não possui uma cultura forte de cooperação setorial eficiente como existe em São Paulo, capitaneada pelo Sindloc-SP. Essa é uma questão em processo de resolução, mas acredito que, ainda neste semestre, no mais tardar no próximo, um Sindloc-MS deve ser anunciado. Será um importante passo para pleitearmos uma série de questões junto ao governo estadual, avançarmos em questões macro e garantirmos o constante aperfeiçoamento de nosso setor. Nosso estado cresce forte e iremos acompanhá-lo!


Sergey_P/Thinkstock

GESTÃO

Crédito ao alcance das

locadoras Bancos públicos mantêm linhas especiais para as PMEs, embora dobrem as exigências por conta da inadimplência registrada no ano passado 16

revista sindloc

O ano de 2013 não foi de grande crescimento para empréstimos direcionados às pequenas e médias empresas, como vinha acontecendo nos anos anteriores. As razões são simples – a retração da demanda, o endividamento e o aumento das taxas de juros. Todavia, instituições públicas e privadas não desviaram seu foco deste universo. Pelo contrário, prepararam linhas especiais e treinaram suas equipes para contemplar este perfil de cliente com mais propriedade, a fim de indicar as melhores alternativas de crédito, além de criar produtos sob medida e agências especializadas.


Com 2,3 milhões de micro e pequenas na carteira, com faturamento de até R$ 25 milhões por ano, a carteira de crédito do Banco do Brasil somou no ano passado R$ 99,8 bilhões, um incremento de 12,3% em relação a 2012. Deste valor, 41,4% foram solicitados por empresas do comércio, 30,3% da indústria e 28,3% pelo setor de serviços. Para atender a este público, o banco conta com 3,8 mil gerentes de relacionamento e, em 2012, inaugurou a primeira agência especializada no segmento, em Campo Grande (MS). Segundo o superintendente estadual Gerôncio Luna, o Banco do Brasil possui linhas de crédito para capital de giro e investimento definidas de acordo com a necessidade de cada empresa. Uma flexibilidade adequada para as locadoras investirem em reformas, ampliação de frotas, expansão de serviços entre outros. Já nas linhas de longo prazo, há opções com repasses de recursos próprios, do BNDES ou do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com até 20 meses para pagar e taxas de juros a partir de 4% ao ano. “Nas linhas de capital de giro o prazo pode chegar a 60 meses, com juros a partir de 0,89% ao ano, enquanto nas linhas de antecipação de recebíveis, as taxas começam a 1,4% ao mês”, pontua. Luna observa que o crédito serve, na maioria das vezes, para viabilizar os projetos das empresas. Para compra de maquinário, por exemplo, há linhas de longo prazo, algumas com carência, de forma que o próprio investimento possa se pagar com o aumento de produtividade que foi projetado. E esta realidade aplica-se

também ao setor de aluguel automotivo que encontra no automóvel seu bem de capital. Por outro lado, caso a necessidade da empresa seja ajuste em seu fluxo de caixa, como pagamento de salários e tributos, são indicadas linhas de capital de giro. “Para pleitear as linhas, contudo, as empresas devem ter conta corrente aberta e o banco fará uma análise de crédito que leva em consideração fatores como tempo de constituição, histórico no Sistema Financeiro Nacional da companhia e dos sócios, além do histórico dos órgãos de proteção ao crédito”, adianta. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, trabalha com a proposta de oferecer agilidade ao cliente, com aumento da rede de agências, de correspondentes bancários e pontos de atendimento, além de uma maior automatização das linhas de crédito. A instituição tem pelo menos 25 produtos para as micro, pequenas e médias empresas. Em 2012, a carteira de crédito chegou a R$ 59,6 bilhões para empresas com faturamento de até R$ 15 milhões, uma faixa que abarca com facilidade grande fatia dos frotistas de pequeno e médio porte. Já em 2013, os valores giraram em torno de R$ 70 bilhões. Entre as ofertas para o segmento automotivo está a criação do Salão Auto Caixa, em parceria com o Banco Pan. O evento está na terceira edição, com participação de 1.486 concessionárias em 363 municípios e a presença de 34 marcas. Na oportunidade, a instituição oferece taxas a partir de 0,93% ao mês, e prazo para pagamento de até 60 meses na compra de carros ou motos, novos ou usados.

Cartão BNDES O BNDES nasceu com a proposta de financiar grandes projetos, mas aos poucos foi abrindo espaço para as pequenas empresas e, mais recentemente, até para os microempreendedores individuais. Entre as linhas destinadas a esse perfil está a PME Investimento, com TJLP (5% a.a), spread do BNDES (1% a.a), taxa de intermediação do BNDES (0,1%) e spread de risco do agente financeiro credenciado (3% a 4% a.a). “Como o financiamento do banco é público, a empresa deverá estar regular perante os órgãos de fiscalização tributária, nas áreas fiscal, ambiental e trabalhista”, observa Vitor Hugo Ribeiro, gerente do Cartão BNDES. Em média, os financiamentos via Cartão BNDES têm dois anos de carência e outros quatro para pagamento do volume principal. Esses prazos casam adequadamente com os períodos de utilização de frotas, permitindo inclusive que, sem um investimento inicial do próprio bolso, o locador possa pagar o custo da mobilização com os dividendos da desmobilização da mesma frota financiada. Tal financiamento consiste em uma linha de crédito rotativo e pré-aprovada, exclusiva para corporações com receita bruta anual de R$ 90 milhões, com limite de até R$ 1 milhão por banco emissor (Banco do Brasil, Banrisul, BRDE, Caixa Econômica Federal), taxas de 0,99% ao mês e pagamento em até 48 prestações mensais fixas, sem cobrança de IOF. Até março deste ano foram emitidos 630 mil cartões em todo o Brasil, somando R$ 38 bilhões em limite de crédito pré-aprovado para investimento. O tíquete médio é de R$ 14,5 mil. Ribeiro destaca também que o uso do Cartão BNDES destina-se à aquisição de itens necessários às atividades das MPEs, que tenham fabricação nacional ou índice mínimo de nacionalização de 60%, e que estejam cadastrados no Portal de Operações do Cartão BNDES. São mais de 240 itens cadastrados, sendo os mais comercializados as máquinas e equipamentos, materiais de construção civil, computadores, softwares, móveis, veículos utilitários e motos. revista sindloc

17


TECNOLOGIA

Parar o ar-condicionado? Nem pensar!

Start-Stop x conforto Em rápida popularização, o sistema start-stop (leia mais na seção Mundo da Revista do Sindloc-SP, ed. 148/2013) é uma tecnologia desenvolvida para interromper o funcionamento do motor de forma controlada quando o carro fica parado – como em semáforos e engarrafamentos. Com índices de economia de combustível em congestionamentos na faixa de 8% a 12%, ele já equipa mais de 5 milhões de veículos no mundo e deve chegar a 40 milhões ao ano até 2020. Eficiente, a solução reduz custos e emissões de CO2, mas preocupa os motoristas de regiões mais quentes – como no Brasil - que gostariam de aliar o uso da tecnologia às suas necessidades de contínua refrigeração. A resposta, hoje, seria desligar o sistema (geralmente por um botão no painel) e aceitar o gasto extra de combustível. Felizmente para eles, os engenheiros automotivos não dormem no ponto e criaram uma saída.

18

revista sindloc

Fotos: divulgação

Os recordes de temperatura enfrentados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, no primeiro trimestre deste ano, fizeram do ar-condicionado, inventado pelo engenheiro norte-americano Willis Carrier em idos de 1902, o mais desejado e imprescindível equipamento dentro e fora de lares e ambientes de trabalho. Que dirá então nos automotores, que, sem refrigeração, rapidamente “evoluem” para verdadeiras estufas. O problema é que, em tempos de popularização de sistemas que ampliam a eficiência no uso de combustíveis, como o start-stop, surge uma grande dúvida. Como impedir que refrigeração seja prejudicada com o carro parado e com o mecanismo de economia funcionando.

PCM A solução da Delphi foi o desenvolvimento de um novo evaporador, responsável pelo processo de resfriamento do ar, com reservatório à parte e que é fabricado em material de fase mutável (PCM, em inglês). Uma opção mais barata e menos complexa do que o uso de um motor elétrico à parte (para o compressor de ar), como ocorre em diversos modelos europeus de minivans. Na prática, quando o compressor do ar-condicionado para de funcionar (com o desligamento do motor), o PCM derrete e liquefaz no evaporador, retirando calor das tubulações e mantendo a temperatura interna previamente ajustada. O processo, em si, dura de um a dois minutos e é revertido quando o motor do veículo volta a funcionar e religa o compressor. Sob pressão, o PCM solidifica-se e fica pronto para um novo ciclo de derretimento. O grande destaque da tecnologia é ser economicamente acessível. Por exigir a adição de poucos componentes aos evaporadores atuais, utilizar a termofusão com o gás refrigerante já em circulação no sistema, não conter partes móveis e ser de simples instalação, é uma possibilidade que não encareceria significativamente um automotor. Complementa a lista ainda um bom desempenho na economia de combustível, capaz de reduzir os gastos do ar-condicionado em 50%. Sem dúvidas, Willis Carrier aprovaria o aperfeiçoamento de sua tão querida criação.


Sensores deixam automóveis mais confortáveis e seguros Carros 100% autônomos estão próximos. Gigantes como Google, Ford, Volvo e BMW, além de instituições de ensino como a Universidade de São Paulo (USP), já testam modelos com o objetivo de tornar o motorista um simples passageiro. Já há várias tecnologias com base em sensores no mercado. Muitas delas, inclusive, substituem os motoristas em diversas ações. Olha a chuva! Com chuva, a velocidade em ruas e estradas cai, exigindo dos motoristas atenção redobrada. Um novo sensor instalado estrategicamente na parte superior do para-brisas dianteiro, na base de fixação do retrovisor interno, é capaz de perceber mudanças climáticas e garantir uma melhor limpeza do vidro. Autônomo, basta chover para que ligue os limpadores e controle a velocidade deles, garantindo a melhor visão possível em meio à precipitação. Hora de descansar Todos conhecem casos de indivíduos que, de tão exaustos após um dia cansativo ou uma longa viagem, acabaram envolvidos em acidentes ao demorar em reagir ou simplesmente por dormirem ao volante. Pensando nestas pessoas que precisam de um aviso para saber que estão no seu limite, foi criado o sensor de fadiga. O equipamento coleta dados que revelam como o motorista guia o automóvel no início de uma viagem e, posteriormente, compara -os com informações atuais em aspectos como ângulo do volante, tempo de ação e reação dos pedais e aceleração transversal. Também avalia se o condutor está sonolento e, se constatada a fadiga, emite um aviso sonoro com um alerta de perigo. Ligando o cruzeiro Carros não são como aviões, mas agora já podem ter seu próprio sistema de cruzeiro. O Adaptive Cruise Control usa radares de ultrassom para manter a velocidade selecionada pelo motorista e a dis-

20

revista sindloc

tância em relação ao veículo da frente. Para tanto, acelera e freia na medida do necessário, de forma que o espaço entre os automotores prevaleça sobre a rapidez. Para se reassumir o controle, basta apertar o pedal do acelerador ou do freio. Ao cair da noite Quem já foi ofuscado por um farol alto de outro veículo no sentido oposto ou ficou receoso na neblina, sem saber qual seria a melhor iluminação, não terá mais com que se preocupar. O sensor crepuscular nota as diferenças de claridade do ambiente, tratando automaticamente de ligar e desligar os faróis para assegurar a melhor visibilidade.

Park Assist Já apresentado pela Revista do Sindloc-SP (veja mais na seção Mundo da edição 153 de janeiro de 2014), os sistemas de estacionamento automático estão cada vez mais populares. Baliza? Isso não é mais desafio! Agora há vallets automáticos. Motorista-fantasma Os motoristas-fantasmas são condutores que erram a leitura da sinalização ou dormem ao volante e avançam na contramão. O resultado pode ser catastrófico, já que batidas frontais entre carros a 40 km/h, por exemplo, equivalem a colidir com um obstáculo fixo a 80 km/h! Para contornar isso, a Mercedes-Benz dispõe de um sistema com uma câmera instalada na parte interna do para-brisa, atrás do espelho retrovisor. A ferramenta lê os sinais de contramão e envia a informação para um aviso no painel. Se detectar que o veículo está prestes a adentrar no sentido de mão proibida, adverte com três bipes altos e acende um sinal de contramão piscante no mostrador principal. Aos poucos, os motoristas acostumam-se com a automatização e a segurança no trânsito agradece.

ssuaphoto/Thinkstock

MUNDO


ARTIGO

O desafio da atenção Vivemos a era da distração. O excesso de informações disponíveis, a facilidade de acesso a essas informações, os onipresentes smartphones e redes sociais. Tudo isso, o tempo todo, nos tira a atenção, nos distrai, leva nosso pensamento para longe daquilo que estamos fazendo e que devemos fazer. Não conseguimos ter foco! Nossa mente vagueia de uma atualização para outra, de uma foto para outra, de um vídeo para outro, de uma mensagem instantânea para outra. E só quando é tarde demais nos damos conta de que o tempo passou e não fizemos o que deveríamos, ou ainda cometemos dezenas de erros pela falta de atenção e concentração em nossa tarefa essencial. Tal é o cenário que já há autores e pesquisas indicando que, durante o trabalho, nossos pensamentos viajam para lugares distantes em mais de 50% do tempo. Preocupados com esse desafio, empresas e pessoas têm procurado formas de reeducar a nossa atenção. Companhias como o Google oferecem cursos de “mindfulness” (uma forma de exercício de meditação para se concentrar naquilo que está fazendo). Até mesmo universidades famosas como Harvard, MIT e INSEAD, nos Estados Unidos e na Europa, já contam com cursos que ensinam como se concentrar e dar total atenção ao momento presente. Esses treinamentos ensinam desde controle da respiração até exercícios simples de meditação dos monges orientais e ocidentais, como os beneditinos. Mosteiros têm se voltado a ensinar pessoas a prestar atenção ao que estejam fazendo, às pessoas com quem estejam conversando, às leituras que estejam fazendo etc. A verdade é uma só: é preciso reaprender a atenção, a concentração, o foco. Muitos jovens e adultos tornaram-se viciados nas redes sociais e passam o tempo todo reportando, postando, twitando o que estão fazendo, mas não se sentem realmente presentes onde estão. São repórteres de sua vida sem vivê-la com inten-

sidade e foco. Conheço pessoas que não conseguem ficar mais de alguns minutos sem checar a caixa de mensagens, as páginas nas redes e vivem num mundo da mais alta distração. É urgente que reeduquemos nossa atenção!

“Universidades famosas como Harvard, MIT e INSEAD, nos Estados Unidos e na Europa, já contam com cursos que ensinam como se concentrar e dar total atenção ao momento presente. Esses treinamentos ensinam desde controle da respiração até exercícios simples de meditação”

22

revista sindloc

E é preciso também reeducar a atenção ao outro, à outra pessoa, uma vez que corremos o risco de perder a capacidade de conversar presencialmente. Não é raro que eu entre em uma lanchonete e veja vários jovens, todos com seus smartphones na mão, “conversando” com pessoas que não estão à sua frente. Vejo almoços de família em que todos se voltam para seus celulares e se despedem sem praticamente conversar. Nas empresas, as pessoas estão perdendo a capacidade de se dirigir ao outro e falar. Muitos problemas poderiam ser resolvidos com uma simples troca de opinião verbal, ao vivo, frente a frente, em vez de dezenas de mensagem que entulham caixas postais e geram desinformação. Faça o exercício de prestar atenção no que esteja fazendo e nas pessoas com quem esteja conversando, um propósito e meta a ser conquistada. Reeduque a sua atenção e você terá mais motivação e bons resultados, pois aprenderá o valor dela e do foco. Pense nisso e sucesso!

Luiz Marins Antropólogo e escritor


3 MESES GRÁTIS Assistência 24 horas ofertada exclusivamente pelo SINDLOC SP

revista sindloc

23


Leo Burnett Tailor Made

Imagens meramente ilustrativas, com alguns itens opcionais. Rubik’s Cube ®

Respeite os limites de velocidade.

-

DIREÇÃO HI

DRÁULICA

-

excele nte relaca - - o custo-benefi cio -otimo valor de revend a Baixo custo de manut encao

-

fiat.vc/uno SAC 0800 707 1000

AR-CONDICI

ONADO

HSD - AIR BAG DUPLO E FREIOS ABS DE SÉRIE

RODAS DEconcessionárias. LIGA LEVE 15 HSD - AIR BAG DUPLO Procure o departamento de Vendas Diretas nas ” E FRE

IOS ABS DE SÉRIE


Revista Sindloc-SP, ed 156