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catanduva

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Jornal Regional de Catanduva

jornal brasil atual

jorbrasilatual

nº 11

violência

Distrib

Gratuuiição ta

Setembro de 2012

telefonia

cada vez mais perto Assaltos, roubos, estupros, sequestros, homicídios rondam Catanduva um pito Operadoras têm de promover melhorias na rede dos celulares

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homenagem

Obra de Fernando Botero

amor de caipira Mazzaropi, 100 anos depois, continua emocionando os fãs

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esporte perfil

o baterista do iê-iê-iê A história do itaririense Netinho, das bandas The Clevers e Os Incríveis da Jovem Guarda Pág. 4-5

crise eterna Basquetebol feminino e futebol de Catanduva podem sumir de vez

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Catanduva

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primavera

Telefonia móvel

Operadoras têm de melhorar

A violência está assustando a população da cidade. Afinal, há dois meses aumentou demais o número de assaltos e roubos, notadamente no comércio, em agências bancárias e casas lotéricas de Catanduva e região. Houve até um sequestro da esposa e de dois filhos de um gerente de banco de Ibitinga, que passaram a noite em um cativeiro, à mercê da bandidagem. As mulheres têm um motivo a mais com o que se preocupar: os estupros, atribuídos ao mesmo cidadão, forte, de estatura mediana, cabelos raspados e com idade que varia de 36 a 43 anos. Espera-se que a polícia responda à inquietude com firmeza, o que não significa mais violência. Esta edição também traz outra matéria de capa: o perfil de um itaririense (ainda que nascido em Santos) muito famoso no tempo da Jovem Guarda, Luiz Franco Thomaz, o Netinho, baterista das bandas The Clevers e Os Incríveis, nos anos 1960. Netinho relembra a infância na cidade vizinha ao litoral sul de São Paulo, as travessuras no Rio do Azeite, conta sua ida para São Paulo, como entrou no iê-iê-iê, relembra seu romance com a cantora italiana Rita Pavone e diz o que prepara para o seu futuro. Uma bela leitura!

jornal on-line Leia on-line todas as edições do jornal Brasil Atual. Clique www.redebrasilatual.com.br/jornais e escolha a cidade. Críticas e sugestões jornalba@redebrasilatual.com.br

de investimento para os próximos dois anos. A Claro comprometeu-se a investir R$ 6,3 bilhões; a Tim, R$ 8,2 bilhões; e a Oi, R$ 5,5 bilhões. Desses R$ 20 bilhões de investimento, R$ 4 bilhões são decorrentes das exigências da Anatel. Será realizado monitoramento

trimestral para garantir que as operadoras mantenham o padrão de qualidade definido pela agência. Se descumprirem o acordo, podem voltar a ter suas vendas suspensas. Também já está em vigor a regra que determina que as empresas não devem cobrar uma nova chamada quando a ligação cair, independentemente do motivo da interrupção – falta de bateria ou problemas na rede. Os usuários têm 120 segundos para refazer a chamada interrompida e só pagam por uma chamada. A norma é válida para todos os planos das operadoras – antes eram atendidos apenas os planos básicos.

xadrez

O nosso mestre internacional Ele tem 16 anos e aprendeu a jogar no São Mateus divulgação

editorial

A proibição, em julho, da venda de linhas de celular das operadoras Tim, Oi e Claro foi feita após análise nacional de doze meses da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ela ocorreu em Estados onde havia problemas de rede, má qualidade no atendimento e interrupções de chamadas. Foi exigido que as operadoras aumentem o número de antenas, a capacidade de transmissão de voz e dados e melhore o atendimento nos calls-centers. A venda de novos chips para serviços de voz e dados só foi liberada depois que as empresas apresentaram planos

divulgação

Anatel fará avaliações trimestrais nas empresas

O enxadrista Luís Paulo Supi é campeão das Américas e garantiu uma norma de Mestre da Federação Internacional. Seu feito foi ob-

tido entre mil enxadristas de 33 países. Segundo Gleison Begalli, que descobriu o talento, o jovem quer profissionalizar-se no esporte e seguirá treinando seis horas diárias. Supi aprendeu xadrez no Colégio São

Mateus. Ele tem cinco títulos estaduais, quatro brasileiros e jogou os torneios Sulamericano, Pan-americano e Mundial. Supi mostrou seus troféus este mês no Garden Shopping.

anuncie Aqui! Telefone: (11) 3295–2800 jornalba@redebrasilatual.com.br jornalbrasilatual@gmail.com

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Expediente Rede Brasil Atual – Catanduva Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Enio Lourenço, Florence Manoel e Lauany Rosa Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3295-2800 Tiragem: 12 mil exemplares Distribuição Gratuita


Catanduva

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Violência

A criminalidade aumenta em Catanduva. O que fazer? Entre julho e agosto, foram registrados roubos e assaltos ao comércio, três estupros e dois homicídios no mesmo dia. Por isso, o deputado federal Vanderlei Siraque (PT) veio à cidade, em 9 de agosto, a convite da deputada estadual Beth Sahão (PT), e promoveu uma audiência pública sobre o papel dos governos frente à violência. A segurança pública é um direito garantido pela Constituição.

mauro ramos

Roubos, assaltos, estupros, homicídios trazem preocupação a todos, autoridades e população

Siraque esclareceu que existem dois tipos de segu-

rança pública: a stricto sensu, de combate, que depende dos

órgãos policiais do Estado e da União, e a lato sensu, preventiva, que cabe ao município. Para haver crime, além do criminoso e da vítima, é necessário que haja o ambiente propício. Para eliminá-lo, a Prefeitura deve realizar ações simples, como melhorar a iluminação pública. “Além de deixar a cidade mais bonita, a luz ajuda no combate à violência” – diz Siraque. E completa: “Outra questão é social:

entre outras atribuições, o município deve cuidar das crianças, trabalhar os valores da cultura e do esporte e tratar os usuários de drogas, apoiando as unidades terapêuticas”. Diante do clima de violência, a orientação é para que não se espalhem boatos que possam atrapalhar as investigações em curso. Se alguém deparar com um suspeito, deve entrar em contato com a Polícia, por meio do telefone 190.

Estupros apavoram

Este ano, foram assaltadas sete agências bancárias, sete casas lotéricas e registrados nove ataques a caixas eletrônicos. Em 31 de julho, a esposa e os dois filhos do gerente de um banco de Ibitinga foram sequestrados e passaram a noite em cativeiro. Nos dois últimos meses, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região foi informado de quatro assaltos a casas lotéricas de diversos municípios, dois deles no mesmo dia.

Os três estupros de Catanduva ocorreram nos dias 3 e 7 de agosto. Duas vítimas descreveram o agressor com as mesmas características físicas e abordagem idêntica. As mulheres foram atacadas no fim da tarde, no Centro da cidade, por um sujeito que pediu informações e, em seguida, sacou um revólver, as obrigou a entrar num Gol de cor metálica, cinza escuro, e as levou a um canavial onde foram violentadas. Após o estupro,

mauro ramos

Insegurança bancária: perigosa

Segundo Paulo Franco, presidente do Sindicato, essa insegurança é fruto do descaso dos banqueiros com os trabalhadores e a população. “Eles investem apenas para proteger

o dinheiro” – afirma. Franco diz ainda que a legislação sobre segurança privada está ultrapassada. “Ela é ineficiente porque prevê poucos itens de segurança.”

ele abandonou-as na entrada da cidade. O chamado “Maníaco de Catanduva” é moreno, forte, de estatura mediana, tem cabelos raspados e entre 36 e 43 anos. Na mesma semana, ocorreram três outros estupros – um em Novo Horizonte, outro em Irapuã e um terceiro em Catanduva. Esses criminosos já foram identificados e presos. Quanto ao “Maníaco de Catanduva”, as Polícias Militar e Civil investigam o caso.


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Netinho, um baterista incrível, de fama mundial

reprodução

No Planalto Paulista, bairro paulistano tranquilo, com ruas largas, arborizadas e casas espaçosas vivem Luiz Franco Thomaz, o Netinho, e a esposa Sandra Haick. O sobrado de muros altos, com trepadeiras e portão imponente, passa o dia com janelas e portas trancadas, no mais absoluto silêncio. Os donos se levantam às 18 horas: eles trocam o dia pela noite desde os tempos em que o baterista tocava na madrugada. Então, as atividades da casa começam. Netinho nasceu em abril de 1946, na Beneficência Portuguesa de Santos, mas cresceu em Itariri, cidade vizinha ao litoral sul do Estado, numa casa perto do Rio do Azeite, feita pelo avô materno José Ferreira Franco, no tempo dos bailes, que atraíam pessoas da região, das Festas da Banana e do Sobá, dos imigrantes japoneses, das grandes quermesses. Itariri era festiva à beça. O Cine Teatro oferecia ótimos filmes e peças, algumas estreladas por dona Maria Franco Thomaz, a Mariazinha, mãe de Netinho. “Um dia encenamos Cala a Boca, Etelvina, de Armando Gonzaga, no teatro Coliseu, em Santos. Foi um sucesso.” A vocacão musical do garoto surgiu na igreja católica. Dona Mariazinha badalava os sinos que anunciavam o horário da missa. Um dia, atarefada, ela pediu que ele fosse em seu lugar. Foi esse blém-blom que o despertou para a música, que fez com que entrasse na fanfarra do colégio antes da idade permitida. “Ele tocava caixa nas paradas cívicas” – conta Mariazinha.

Por Enio Lourenço e Lauany Rosa

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Ele tocou em bandas da Jovem Guarda e foi um sucesso do iê-iê-ié

Netinho em casa, pintado por uma fã, na época do casamento e notícia mundial

A ida para um seminário era quase ritual. Os padres frequentavam a casa de dona Mariazinha e a convenceram de que no Diocesano São José, em São Vicente, as chances de aprendizado do pequeno seriam melhores. Mas Netinho nunca quis ser padre. Em menos de um ano, está de volta a Itariri: não se adaptara à vida clerical. Aos quinze anos, ele volta ao ginásio da cidade e começa um romance com uma moça mais velha, de uma família rival na política. A diretora da escola era tia da garota e expulsou o jovem do colégio. Então, o tio dele, João Franco, que era o prefeito, trocou a diretoria do ginásio para Netinho voltar a estudar. Houve greve de professores para boicotar a nova diretora. O caso gerou tanta confusão, que dona Mariazinha mandou o garoto morar em São Paulo, com a tia Guilhermina. A mudança fez bem pra ele. “Cheguei ao paraíso” – pensava, maravilhado com a cidade. A tia lhe arranjou emprego no Se-

nac e ele trabalhava e estudava. Um dia, ele foi ao badaladíssimo programa Ritmos para a Juventude, de Antonio Aguillar, na Rádio Nacional. “Fiquei encantado com o movimento e falei que ia ser músico.” À espreita de uma chance, Netinho encontra Urupê, o seu anjo – ou protetor – no seminário, que tocava no The Jordans e o apresentou ao The Clevers, que precisava de um baterista com bateria. Netinho então pediu ao avô Franco que lhe desse o instrumento. Ao entrar na banda que pertencia a Aguilar – The Clevers –, o queridinho do vovô ganhou enfim seu apelido. No dia de estreia, Netinho foi substituído no show por Ventania, um baterista profissional. “Foi uma decepção” – lembra. Mas não desistiu. Largou o emprego e deu uma de “gato”: alterou os documentos para tocar à noite nas boates. O The Clevers não era uma banda conhecida. Ela tocava em até quatro bailes por noite para conquistar fãs. O estouro dela se

deu com a vinda da cantora italiana Rita Pavone ao Brasil, convidada pela TV Record. Como não podia trazer sua orquestra, ela foi acompanhada pelo The Clevers. E, assim, ambos viram sucesso nacional. Mas à fama sucede o racha. Numa turnê à Argentina, Aguilar não viajou com o grupo, o que causou uma rusga entre o empresário e os músicos. Confundidos com uma banda americana, o pessoal decide se apresentar como Os Incríveis The Clevers. No Brasil, Aguilar fica fulo e monta um novo The Clevers. “Eles tinham uma dúzia de fãs e a gente era artista internacional” – diz Netinho, recordando-se de como o nome da banda virou Os Incríveis. No auge do sucesso, Os Incríveis ganham um programa na TV Excelsior. A intenção era ir na esteira do Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, na TV Record. “Acabava o programa deles, começava o nosso” – recorda Netinho. De-

pois, a banda ainda viajou para o Japão, gravou em japonês e fez o filme Os Incríveis Neste Mundo Louco, quando Netinho, numa viagem de navio pela Inglaterra, conhece Sandra Haick e se enamora da moça. Em 1970, eles se casam; em 1971, têm o primeiro filho, Sandro; em 1977, a menina Samandhi. Nos anos 1970, Os Incríveis separam-se. Netinho fica com os direitos do nome e da marca. Tenta montar outra banda de mesmo nome, sem sucesso. Surge então o Casa das Máquinas, de rock mais pesado, “uma banda de duas baterias” – explica Netinho. O Casa grava em italiano, em espanhol e faria uma turnê ao exterior, quando se desentendeu e terminou. Netinho volta-se para o lado espiritual e cria o selo Manancial de Amor. Nos anos de 1990, com Eduardo Araújo, produz o show Novo de Novo para comemorar os 30 anos da Jovem Guarda. Durante a divulgação do evento, no programa Jô Soares Onze e Meia, a voz de Netinho falha. Ele não dá entrevista. O médico Carlos Pontes descobre-lhe um câncer nas cordas vocais. Operado, ele reage bem e ainda participa do show na casa Tom Brasil, em São Paulo. Netinho, então, começa o projeto A Criança e o Futuro, com o Centro de Apoio à Criança Carente com Câncer (CACC), com mais 40 artistas e grava um CD com renda revertida para o projeto. Na última década, dedica--se a escrever o livro Netinho – minha história ao lado das baquetas.


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Um canto de criação

Política: uma herança de família ofereceram dinheiro para arcar com os gastos da campanha. “Fiquei horrorizado. Não tinha trabalhado para receber tanto dinheiro” – afirma. Netinho

O baterista já foi convidado a candidatar-se a vereador de Itariri. Curioso, ele participou de uma reunião do partido durante a qual lhe

pediu para conversar com a esposa e nunca mais pensou em candidatura. “Gostaria de ser político, mas sou bobo e ia ser passado para trás.”

Netinho possui em casa uma sala agregada, com sofás confortáveis e estantes repletas de discos, CDs, fotos, livros, bibelôs e suvenires de sua carreira. O livro Netinho – minha história ao lado das baquetas foi escrito nessa sala, durante as madrugadas, com a ajuda de Samadhi, a filha que mora na Austrália. “Por causa do fuso horário, a gente trabalhava junto, ela de dia e eu à noite, via Skipe, em tempo real” – diz. O baterista fez sucesso,

ganhou fama e dinheiro, mas nunca mexeu com finanças. Quem cuida das contas e administra a grana é a esposa Sandra. Até hoje ele não possui conta em banco. Tudo o que adquiriu foi gasto em viagens, pelo mundo afora. “Lotei vários passaportes.” O filho Sandro herdou o espírito aventureiro do pai e se lançou numa viagem à Turquia, para comprar pratos de bateria – segundo Netinho, “os melhores do mundo”.

A mídia descobriu o romance de Netinho e Rita Pavone e a notícia foi capa dos jornais do mundo. “Eu não era muito chegado nela; ela não era tão bonita e eu tinha outras namoradas” – diz. Netinho então se envolveu com outra cantora italiana, Mary di Pietro. Foto-

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Uma paixão. E a fofoca mundial

grafados juntos, de novo o baterista foi notícia mundial. O contrato com Rita Pavone foi rasgado e ele quase foi expulso do The Clevers. “Eu era moleque, não fazia por mal, mas para aproveitar as maravilhas do mundo” – conta Netinho, em meio a risos.

O que vem pela frente Netinho prepara o CD duplo Os Incríveis, dividido em Velhos Tempos, com os sucessos da banda original, e Novos Tempos, com músicas inéditas. Ele também

pensa num show pela passagem dos 50 anos da banda, reunindo artistas que fizeram parte de sua carreira num sítio em Cotia. Enquanto isso, ele finaliza

o livro Revisando Culpas, em que promete revelar as fases mais badaladas, os segredos pessoais, os amores e as brigas dos amigos da Jovem Guarda.

Aos 87 anos, dona Mariazinha guarda na memória a história da família, que se confunde com a do município. A enfermeira aposentada, que está trocando Itariri por Santos, lembra que seu pai, o português José Ferreira Franco, o seu Franco, era chefe de obras da Estrada de Ferro Sorocabana, no início do século 20. Com a expansão da linha de ferro SantosJuquiá e a construção da estação ferroviária em Itariri, o patriarca ficou na região com a família. Foi ele quem construiu a ponte férrea do Rio do Azeite. Depois, comprou terras, construiu as primeiras casas do povoado e

enio lourenço

As lembranças de dona Mariazinha, a mãe de Netinho

acabou prefeito. “Meu pai foi administrador da vila de Itariri e enfrentou dificuldades para, em 1938, virar Distrito de Paz – subordinado a Itanhaém até 1948. Ele teve problemas com grileiros nos processos das terras devolutas, mas ganhou todos no tribunal de Santos.” Seu irmão João também foi

prefeito duas vezes. Para ajudá-lo numa campanha, dona Mariazinha elegeu-se vereadora. A cidade se desenvolveu na infraestrutura com a gestão dos irmãos. “Na época, só havia água de poço. Meu pai pensara em colocar água encanada, mas foi João quem fez a grande reforma no saneamen-

to da cidade.” Ela se recorda também da praça do coreto: “João dizia que toda cidade tinha uma pracinha para as pessoas se encontrarem e questionava por que Itariri não tinha. Então construiu uma”. Das lembranças da infância de Netinho, dona Mariazinha resume que ele era “um menino normal, com saúde e levado. Jogava bola e se divertia no rio, saltando da ponte férrea construída pelo avô”. Ela conta que, aos 11 anos, o menino pegava o caminhão com o qual a família transportava banana para São Paulo e vinha com a irmã do sítio paterno a Itariri. “Ele dirigia para estudar teoria musical e

deixava o caminhão antes da delegacia de polícia. Eu só sossegava quando via o farol apontando de volta.” Depois, quando montaram um conjunto musical na cidade, o convidaram a participar. “Ele tinha uns 13 anos. Um grupo de senhores, liderados pelo maestro espanhol com quem ele tomava aulas de música, veio à minha casa pedir para que o deixasse tocar com eles. Tanto insistiram, que fui obrigada a deixar” – diz entre gargalhadas. “Tudo o que aconteceu em sua vida foi um processo contínuo, sem pular etapas.” E o dom? “Ah, a pessoa nasce com isso.”


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6 Homenagem

O Jeca, a história do caipira que o povo tanto gosta A exposição do centenário de Mazzaropi diverte e emociona a população

O filho do Jeca

que houve exibição dos filmes e se comprometeu a distribuir coletâneas das obras do pai em todas as cidades brasileiras – a Secretaria de Cultura de Catanduva já recebeu a sua. “Meu pai amava estar a cada

Mazzaropi adotou cinco filhos. André Luiz, o caçula, veio aos 14 anos, em Taubaté, cidade onde ficava a Produtora Amácio Mazzaropi (PAM), com a qual o artista produziu 24 de seus 32 filmes. “Sempre fui o filho mais próximo; talvez, em retribuição, ele tenha me levado para o cinema” – diz.

André fez quatro filmes: Jecão: um Fofoqueiro no Céu, Jeca e seu Filho Preto, A Banda das Velhas Virgens e Jeca e a Égua Milagrosa. “Desde 10 de setembro de 1983, data da morte dele, eu me visto de Jeca, de caipira e relembro seus textos. Meu pai ainda hoje está em todos os lugares.” divulgação

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Em comemoração ao centenário de nascimento de Amácio Mazzaropi, Catanduva realizou, no Espaço Cultural Professor Luiz Carlos Rocha, a Pérgula da Praça da República, de 15 a 19 de agosto, a exposição Mazzaropi – 100 Anos de Histórias, Risos e Emoções, idealizada há 29 anos por André Luiz Mazzaropi, filho do humorista – entre 1983 e 2012 houve 1.593 exposições, média de 55 eventos por ano. A mostra incluiu fotografias com a carreira do artista, exibição de filmes e um show cômico de André Luiz, com inúmeros causos e piadas contadas pelo pai. André garante que este foi o último ano em

fim de semana numa cidade diferente, para cantar as músicas de seus filmes e contar as histórias de caipira de que o povo tanto gosta. Onde vou encontro uma legião de fãs dele, de todas as idades.”

Festival de dança

Primeira Impressão rouba a cena Grupo disputou o festival pela primeira vez e arrematou seis premiações

cinco anos e meio, o Primeira Impressão ganhou projeção internacional e representou Catanduva na principal mostra

de dança do mundo, o Festival de Dança de Joinville. O grupo é composto por 23 bailarinos e contabiliza 199 prêmios.

O dançarino Renan Biduti, de 16 anos, começou a dançar na oficina da Paróquia Imaculada Conceição. Depois, ele cursou a extinta oficina de dança da Estação Cultura e foi convidado a integrar o Primeira Impressão. Talentoso, foi premiado em 22 apresentações solo. “Aos 13 anos ganhei o primeiro prêmio, como Destaque. Depois, fui considerado várias vezes Revelação do Festival e Melhor Bailarino” – orgulha-se.

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Dançarino de talento

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Depois de se apresentar por quatro anos seguidos no Festival de Dança de Catanduva como convidado, o grupo Primeira Impressão participou pela primeira vez da competição de dançarinos, na 14ª edição, realizada em julho, em dois ambientes: no Teatro Municipal Aniz Pachá e no palco aberto montado na Praça da República. O grupo levou seis prêmios, entre os quais o prêmio Grupo Revelação Catanduva 2012. Depois da vitória, o novo desafio: o grupo precisa de patrocínio para se apresentar no Festival Mercosul, em setembro, na Argentina. Em

Biduti estuda no Colégio São José e recebe patrocínio da escola. Ele também cursa Manutenção e Suporte em Informática, no Instituto Federal de Educação Tecnologia e Ciência de São Paulo (IFSP) de Catanduva.


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esporte

Basquetebol e futebol de Catanduva vão bem mal Depois de liderar a equipe de basquetebol feminino do Catanduva Club por mais de sete anos, o técnico Edson Ferreto deixou o time em julho e voltou para a equipe de Ourinhos. De 2005 a 2011, o time teve acesso à Série A e conquistou os títulos de campeão paulista, em 2008; vice-campeão brasileiro, em 2009; campeão brasileiro e dos Jogos Abertos, em 2010, e campeão dos Jogos Regionais várias vezes no período. A última competição de que o time participou foi o Campeonato Brasileiro 2011-2012,

mauro ramos

A equipe que ganhou tudo, agora precisa de investimentos para melhorar seu desempenho

que terminou em abril. Desde então, a equipe parou. “O Catanduva recebeu o apoio da Prefeitura de 2005 a 2011. Porém,

em 2012, tivemos apenas um aporte financeiro de três meses, insuficiente para prosseguirmos. As empresas também não

renovaram os contratos, o que tornou a situação mais crítica” – informa João Narciso Leite, assessor do clube. Agora, o time busca se reerguer por meio de incentivo do Ministério do Esporte e do apoio de empresas, mas a dificuldade é o alto custo da estrutura. A situação dos ginásios de esportes da região é precária, falta até piso adequado. Os que existem são de propriedades privadas, como escolas particulares. “Mas a gente luta para o nosso basquete recuperar a médio prazo seu nível de excelência” – conclui Leite.

Em crise No início do ano, o Grêmio Catanduvense subiu à Série A-1 do Campeonato Paulista pela primeira vez desde 1988. Mas degringolou e decepcionou seus torcedores: a equipe perdeu ou empatou a maior parte dos jogos disputados. Com pouco patrocínio e dívidas de mais de R$ 100 mil, o clube dispensou funcionários e diretores, conforme anunciado no próprio site do “Bruxo”, dia 26 de julho.

igualdade

Um protesto pelo direito das pessoas com deficiência A cidade comemorou, em 20 de agosto, o Dia da Pessoa com Deficiência com o Tributo à Inclusão, passeata que foi da Praça da Matriz ao Paço Municipal. Artistas da Secretaria de Cultura, atletas da CELT, alunos da APAE, escolas municipais e gente de cidades vizinhas participaram da caminhada.

Os atletas com deficiência que representaram Catanduva nos Jogos Regionais também foram homenageados – este ano, eles conquistaram 33 medalhas, 22 de ouro. Depois, o grupo Sem Fronteiras, da Estação Cultura, apresentou a coreografia Superação. Para Francisco Rodrigues

Neto, coordenador municipal de Inclusão Social, a adaptação da sociedade às pessoas com deficiência e a conscientização dessas pessoas sobre seus direitos são fundamentais na interação entre as partes. O Dia Municipal da Pessoa com Deficiência foi instituído em 2008.

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Manifestação Tributo à Inclusão traz à tona a luta de quem busca a igualdade de tratamento


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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato. p a g s i n a l u b o u s m e t s e d i u e u n a r c a r e t a a t a Ç a n o a r a r c o b

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Respostas

Horizontal – 1. Planta usada em projetos paisagísticos 2. Indício, vestígio; Nome de origem tupi, variante de Anahi (bela flor do céu) 3. Universal Boxing Organization; O fruto do urucuzeiro 4. Maneira de executar algo; Extraterrestre 5. Acertara o texto 6. União Europeia; Semelhante a monogamia 7. Fluido que respiramos; Guerra entre o Exército e o movimento de Antônio Conselheiro 8. Sem curvaturas; Escola de Artes e Ofícios; Linguagem de programação Turbo Basic 9. Criticai, reprovai; Cidade de São Paulo 10. Não, em inglês; Adiante! 11. Construção que ampara parede ou abóbada Vertical – 1. Música de Maria Bethânia 2. Produto Interno Bruto; Diz-se de quem ergue 3. Palavra que designa uma pessoa; Forma sincopada de está 4. Alcoólicos Anônimos; Conjunto de normas pedagógicas 5. Albumina vegetal; Associação Rio-grandense de Bibliotecários 6. Que possui o caráter de rotina 7. Beberrão; Magnetismo pessoal 8. Apoiado, firmado; Sigla da Bahia 9. Navio de velas redondas; Gosto muito; Designativo de tudo 10. Equipe; Indica objeto próximo do falante ou com ele relacionado 11. Ou, em inglês; Irmã da mãe; Soca

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