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campinas

www.redebrasilatual.com.br

Jornal Regional de Campinas

jornal brasil atual

jorbrasilatual

nº 03

Entrevista

Distrib

Gratuuiição ta

Outubro de 2013

meio ambiente

“estou no jogo” Lula concede entrevista a veículos mantidos por trabalhadores e fala de 2014

Fonte d’água Fonte no Residencial Colina das Nascentes é alvo de entulhos

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cidade

distrito Campo Grande e Ouro Verde podem se unificar e tornar-se um só

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social i trabalho

Bancos brasileiros na base da exploração Em oito anos, lucro aumenta 160%; trabalhadores adoecem e serviços são considerados ruins Pág. 3

Ceu Unidade deve ser inaugurada até o final do ano no Florence I

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Campinas

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A lógica do capital

meio ambiente

Fonte d’água é alvo de entulhos

Em outubro, a Constituição Federal completa 25 anos. A oitava Carta Magna do país desde a independência é um marco pelos princípios democráticos restabelecidos e pela retomada de direitos e garantias fundamentais ao povo brasileiro, outrora abandonados pela ditadura civil-militar (1964-1985). A volta das liberdades democráticas, a possibilidade de organização partidária e sindical, a liberdade de imprensa são algumas das conquistas de lutadores que foram calados à força pela arbitrariedade de generais e da elite econômica do país durante mais de duas décadas. No entanto, o aniversário da “Constituição Cidadã” é pertinente para fazermos uma reflexão. Dos direitos sociais da Carta, quantos se fazem valer de fato? As terras ainda continuam concentradas nas mãos dos oligarcas. Dezenas de milhares de pessoas vivem nas ruas das grandes cidades (muitas porque são expulsas do campo) sem acesso a moradia ou ao trabalho digno (subempregos para subsistência). Comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, têm seus direitos violados por “legislações ambientais” ou pelos mesmos latifundiários. A polícia militar continua com os mesmos métodos repressivos dos anos de chumbo. Agora, ao invés de perseguir e torturar militantes políticos, a PM extermina jovens pobres e pretos nas periferias do país. Ademais, uma série de artigos da Carta não foi regulamentado. é o caso da comunicação, que tem o espectro eletromagnético público e continua monopolizada nas mãos de algumas famílias, como os Marinhos, das Organizações Globo. Estamos falando de Direitos Humanos, oras. Não há democracia sem o respeito a esses princípios fundamentais. Até quando iremos viver com essa herança maldita de um dos piores momentos da história do Brasil? A justiça social tão aclamada na Assembleia Nacional Constituinte está longe de ser realidade. E é exatamente por isso que as pessoas não devem sair das ruas: por direitos!

nas questões ambientais.” Ele ressalta que já foram feitas fotografias da situação irregular na fonte d’água e encaminhadas ao Ministério Público. Os moradores do bairro também protocolaram queixas na Secretaria Municipal do Verde e na Secretaria do Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura cobrando fiscalização do poder público e registro para a “Santa Lúcia”. Segundo a comerciante Lídia Francisca Pereira, de 58 anos, a escolha do nome é uma homenagem à mãe do antigo proprietário do sítio onde se localizava a nascente. “A fonte não tinha nome. Então

decidimos colocar o nome de Lúcia Consetta, mãe do João Consetta, o antigo proprietário. Era ela que cuidava do lugar e utilizava suas águas para produzir alimentos.” O batismo ocorreu durante uma missa no dia 22 de setembro.

Outubro Rosa

Combate ao câncer de mama

Ações de conscientização são realizadas em todo Brasil O câncer de mama é a maior causa de morte das mulheres em todo o mundo. Apenas no Brasil, cerca de 50 mil novos casos da doença são descobertos anualmente. Como forma de alertar para a prevenção e tratamento deste mal que atinge mulheres e homens, na década de 1990, foi criado nos Estados Unidos o Outubro Rosa. O movimento utiliza esse mês para lembrar a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e tem o laço rosa como símbolo

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editorial

A fonte d’água que fica no bairro Residencial Colina das Nascentes, na região do Campo Grande, está sendo alvo de entulhos, lixo e as árvores em sua volta estão sendo arrancadas. Há alguns anos houve uma recuperação do local, mas parte da população voltou a desrespeitar o espaço, que sempre foi uma referência para a região. De acordo com o assistente administrativo Cecílio Serafim dos Santos , de 42 anos, uma associação deve ser criada para fiscalizar o local e exigir providências. “Queremos criar uma associação que cuide da nascente, para cobrar uma atenção especial da Prefeitura

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Ela fica no Residencial Colina das Nascentes

mundial da luta contra a doença. A campanha começou a ser realizada no Brasil em 2008, por iniciativa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). Entre as ações mais chama-

tivas, está a tradicional troca de iluminação de prédios públicos, construções históricas e marcos arquitetônicos pela coloração rosa. No dia 1º de outubro, o Congresso Nacional foi um dos primeiros órgãos a aderir ao movimento e promoveu o slogan: “Acenda sua consciência”. Monumentos como o Cristo Redentor, do Rio de Janeiro; a Igreja Maria Auxiliadora, de Cuiabá; a Ponte Hercílio Luz, de Santa Catarina; a Pinacoteca Benedicto Calixto, de São Paulo, também participam da campanha.

Expediente Rede Brasil Atual – Campinas Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Edição Enio Lourenço Redação Ana Paula Pereira, André Moraes, Alyson Oliveira, Edilson Damas, Flaviana Serafim, Juliano Ribeiro, Lauany Rosa, Lílian Parise, Marcos Álves, Nilseu Francisco, Orlando Teixeira, Vanessa Ribeiro e Wanderley Garcia Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3295-2820 Tiragem: 8 mil exemplares Distribuição Gratuita


Campinas

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trabalho

Crise econômica mundial não abala bancos brasileiros De 2005 até o mês de junho de 2013, o lucro dos bancos brasileiros saltou de R$ 23,7 bilhões para R$ 59,7 bilhões. Os números representam um crescimento de quase 160% – em tempos de recessão e crise econômica internacional. Na contramão da acumulação, os serviços oferecidos por essas instituições são caros e de péssima qualidade. Cerca de 53 milhões de brasileiros maiores de 16 anos não possuem contas bancárias ou acesso a crédito, pois aos bancos somente

interessa atender os grandes e médios centros urbanos. Desta forma, não há qualquer papel social de estímulo ao desenvolvimento das regiões mais pobres do país e da poupança nacional. Nesse jogo, só um lado está ganhando: o dos banqueiros, que engordam os cofres à custa da exploração dos seus funcionários. Segundo sindicalistas, o trabalhador bancário sofre com acúmulo de tarefas, assédio moral dos chefes, metas abusivas a cumprir,

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Exploração dos trabalhadores resulta em lucro de 160% nos últimos oito anos Por Flaviana Serafim

lesões decorrentes do trabalho repetitivo, falta de segurança nas agências e com a ameaça constante das políticas de terceirização. Frente a essas

arbitrariedades, no dia 19 de setembro, a categoria iniciou uma greve nacional reivindicando não apenas aumento salarial, mas mínimas condições

de trabalho, que equivalham aos lucros dos patrões. Outra prova da discrepância na relação patrão x empregado nos bancos é a alta rotatividade de funcionários. As megafusões bancárias promovem desemprego e a substituição por novos profissionais com salários rebaixados. Em 2008, quando o Itaú se juntou ao Unibanco, 6.818 postos de trabalho foram fechados, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf – CUT).

Juros exorbitantes e clientes insatisfeitos Além dos bancários, os clientes revelam seu descontentamento. De acordo com uma pesquisa da Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, os juros bancários do Brasil estão entre os maiores do mundo, principalmente os do cartão de crédito, que chegam à média de 323% ao ano (mes-

mo com apenas 8% de inadimplência). Assim, quem deixa de pagar uma fatura de R$ 10, em cinco anos terá uma dívida de R$ 45 mil. “Se eu dependo do banco para fazer um empréstimo, eles me cobram juros altíssimos. O funcionário pede aumento acima da inflação e eles não dão? Isso é uma rouba-

lheira!”, afirmou o ator Bruno Matos enquanto usava o caixa do autoatendimento do Itaú durante a greve. O valor dos serviços bancários é outro ponto crítico: houve reajustes de até 83% nos últimos cincos anos. Um percentual bem maior que a inflação de 32% medida no período pelo Índice Nacional

de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Perto do que aumentam as tarifas, acho ridículo um banco oferecer um aumento desses aos bancários”, comentou o chaveiro Landy Miranda, referindo-se às primeiras rodadas de negociação em que a Federação Brasileira dos Bancos propunha reajus-

te salarial inferior à inflação do período. “A bola está com eles. Se querem o fim da greve, têm de negociar. Dinheiro não falta. O que falta é respeito aos funcionários”, afirma Juvandia Moreira Leite, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Educação

Câmara Municipal aprova doação de terreno para IFSP

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Nova lei permite a construção do novo câmpus em até cinco anos; área é de 22 mil m2 No dia 16 de setembro, a Câmara Municipal de Campinas aprovou o projeto que doa um terreno do município de 22 mil metros quadrados, no bairro Satélite Íris I, para a construção do câmpus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Em 2009, a lei 16.222 já

havia autorizado a doação do terreno e dado o prazo máximo de dois anos para a construção do IFSP. Como o prazo se esgotou e as obras não foram concluídas, a nova lei renovou por mais cinco anos o tempo para a conclusão das obras. A doação do terreno é uma reivindicação antiga dos moradores e movimentos sociais

da região do Campo Grande. A expectativa é de que o IFSP seja inaugurado em 2016 e ofereça 1.200 vagas gratuitas em cursos técnicos e de ensino superior. A unidade Campo Grande será a segunda de Campinas. A primeira foi inaugurada neste semestre no CTI Renato Archer, localizado na região

dos Amarais, com 40 vagas para o curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. As vagas para os cursos do Instituto Federal são oferecidas através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Para participar do processo seletivo é necessário fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


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4 entrevista

roberto stuckert filho/IL

“Estou no jogo”, diz ex-presidente Lula

Manifestações

Eu acredito que o impacto de tudo que aconteceu em junho de 2013 deve servir como uma grande lição para a sociedade brasileira e, sobretudo, para os governantes. Certamente, muita gente de partidos políticos, sindicatos e movimentos organizados da sociedade civil foi pega de surpresa, porque foi um movimento que se deu à margem daquilo que nós conhecíamos como tradicional forma de organização. Eu me lembro que não aconteceu nada no Brasil nos últimos 40 anos que a gente não estivesse à frente. Seja o movimento sindical, sejam os partidos de esquerda, seja a UNE, sejam os sem-terra... Não foi um movimento em que as pessoas queriam derrubar o governo, mas um movimento em que as pessoas diziam: “nós queremos mais educação, mais saúde, mais transporte, mais qualidade de vida”. A nossa presidenta teve a sabedoria de dar uma resposta imediata, colocando a reforma política como fundamental para que a gente possa mudar a situação do Brasil, depois a

questão da saúde com o Mais Médicos, depois a aprovação de 75% dos royalties para a educação... Ou seja, foram medidas tomadas pela nossa presidenta que mostraram o governo num processo de evolução para tentar encontrar soluções.

“Se você quer mudar, mude através da política” A única coisa grave do movimento é a manipulação para a tentativa de negar a política. Tenho dito publicamente que toda vez na história ou em qualquer lugar do mundo que se negou a política, o que veio depois foi pior. Portanto, se você quer mudar, mude através da política. Participe, entre num partido, crie um partido, faça o que você quiser. Aqui no Brasil, o que teve foi o regime militar de 1964. No Chile foi o Pinochet, na Argentina foi a ditadura. Não queremos isso. Queremos democracia exercida em sua plenitude. E a sociedade quer isso. A sociedade quer debater

No dia 24 de setembro, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva concedeu a sua primeira longa entrevista após deixar o Palácio do Planalto a um grupo de jornalistas da Rede Brasil Atual, TVT e jornal ABCD Maior, no Instituto Lula, em São Paulo. No encontro, de cerca de 90 minutos, ele comentou os principais assuntos em voga no país e as eleições de 2014. Ao final, brincou com os profissionais: “Se tem uma coisa que tenho vontade é de falar”. Confira a seguir os principais trechos da entrevista e a íntegra em <www.redebrasilatual.com.br>. política, então vamos debater sem medo de qualquer assunto. Sou daqueles que acham que não tem tema proibido. Reforma política

Não é fácil avançar na reforma política. As pessoas que foram às ruas não vão votar no Congresso Nacional. É importante lembrar que fizemos a campanha das Diretas, que possivelmente foi um dos maiores movimentos cívicos deste país, em meses em que fomos à rua com todos os partidos políticos, com o movimento sindical, centenas e centenas de manifestações pelo Brasil inteiro, toda a sociedade querendo, e quando a proposta chegou ao Congresso não tínhamos número para aprovar e não aprovamos. Só teremos uma reforma política plena no dia em que tivermos uma constituinte própria para fazê-la. Achar que os atuais deputados vão fazer uma reforma política mudando o status quo é muito difícil. Acredito que é possível discutirmos uma mudança na votação, votar em lista, financiamento de campanha. Há um equívoco em fazer a sociedade

compreender que o financiamento público vai tirar o dinheiro da União. A forma mais eficaz, honesta e barata de se fazer uma campanha política é você saber que cada voto vale um centavo, R$ 1 real, R$ 10 reais e que cada partido vai ter tanto e se alguém pegar dinheiro privado tem de ser considerado crime inafiançável, para que as pessoas não fiquem subordinadas aos empresários. Por que os empresários não estão defendendo o financiamento público? Oras, é porque a eles interessa cada um construir a sua bancada. Os bancos têm as suas bancadas no Congresso Nacional, têm influência, porque cada um tem a lista de quem financia. A reforma política é a melhor possibilidade para se mudar a lógica da política no Brasil. E ter em conta que não é só para combater a corrupção, mas para facilitar as coalizões que são conseguidas, porque quando você ganha uma eleição com um partido aliado a outro tem que ter coalizão na hora de montar o governo. Acredito que para 2014 a gente vai conseguir fazer uma

reforma política muito capenga. Temos que levar em conta que há interesses partidários. Tem partidos para os quais está bom assim. O cara tem mandato e quer preservar o seu mandato. As pessoas podem querer fazer as coisas para 2018, 2020, mas para esta eu acho que não vai haver mudança.

“O rico tem que pagar a saúde do povo pobre” Mais Médicos

O ministro da Saúde Alexandre Padilha tem razão com o que ele fala: não se está buscando médico fora para substituir o médico brasileiro; se está buscando médico fora para trabalhar onde não tem médico. E o Padilha sabe que o programa Mais Médicos não vai resolver o problema da saúde. O Mais Médicos vai dar oportunidade ao cidadão que não tem acesso a nenhum médico de ter acesso ao primeiro médico e a tratamento. E quando esse cidadão tiver acesso, ele vai querer mais saúde, porque ele vai ter informações. Então vai precisar formar mais gente.


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Ação Penal 470 (“mensalão”)

Desde o começo do julgamento, tenho dito que qualquer manifestação minha só seria feita após terminar o processo, pois fui quem indicou alguns ministros que estão no STF. Não quero ficar colocando em dúvida questões da Suprema Corte, que tem uma importância muito grande para o Brasil. Fico um pouco chateado, pois se depender do comportamento de um ou de outro na imprensa, não precisaria nem de julgamento. O próprio diretor de jornalismo já condenaria as pessoas. O que deve ser garantido pelo Estado de Direito, algo pelo que a gente brigou tanto, e que para alguns editorialistas parece ser crime contra a humanidade: o direito de defesa. Tenho muita vontade de falar. Tenho ouvido os ministros falarem e vejo que alguns têm preocupação em estudar o caso, e outros não. Quando o julgamento terminar, seja qual for o resulta-

roberto stuckert filho/IL

Em 2007, derrubaram a CPMF. Foi um ato de insanidade dos tucanos em relação ao meu governo. Eles tiraram uma bagatela de R$ 40 bilhões por ano. Soma isso em quatro ou sete anos e vê a quantidade de dinheiro que tiraram da saúde, achando que iam prejudicar o Lula. Pois bem, quem eles prejudicaram? O povo. Achamos que o rico tem que pagar pela Saúde do povo mais pobre. Era por isso que tínhamos apresentado um programa chamado Mais Saúde em que a gente iria utilizar todo o dinheiro da CPMF para cuidar da saúde. Dilma e Padilha marcaram um gol com o Mais Médicos. Abriram um debate muito importante com a sociedade para as pessoas começarem a enxergar.

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do, eu vou ter muita coisa para dizer a respeito. Copa do Mundo e Olimpíadas

O Brasil é a sexta economia mundial e o país que mais ganhou Copas do Mundo. Agora precisamos ver se a Copa será um evento em que o Brasil fortaleça sua imagem para o mundo, ou se a gente vai fazer uma Copa fracassada por conta de problemas internos. Se tiver corrupção (nas obras dos estádios e infraestrutura), que digam quem fez, que se processem os responsáveis. O que não pode é trabalhar com o “denuncismo”. A teoria do domínio de fato não serve para isso. O país tem governos federal, estaduais e municipais envolvidos com a Copa do Mundo. O Ministério Público tem um procurador que foi designado para acompanhar os comitês organizadores da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Eu publiquei decretos federais em dezembro de 2009 determinando a criação de portais, para 2014 e 2016, para que seja acompanhado em tempo real para onde vai cada centavo da União que é investido nesses negócios. Até agora não há nenhuma denúncia. Não podemos permitir que alguma má informação seja passada para a sociedade sem que haja resposta. A minha preocupação é que os governos têm de mos-

trar o que está acontecendo e assumir as responsabilidades. As obras não vão ficar quando a Copa do Mundo for embora? Essa é uma preocupação que eu tenho: se não for assim, vamos ter 40 mil pessoas dentro de um estádio torcendo e outras 40 mil fora dizendo que houve corrupção. Já temos o Tribunal de Contas, a Procuradoria Geral, a Polícia Federal, o diabo a quatro... Agora é preciso construir uma narrativa do significado da Copa do Mundo e das Olimpíadas para o nosso país. Eleições 2014

O problema de fazer uma avaliação de 2014 é que eu precisaria de uma bola de cristal na minha frente. O que eu falar aqui pode ser desmentido em uma semana com o posicionamento de um partido político. Primeiro: eu trabalho com a ideia de que a presidenta Dilma deve fazer um esforço para manter sua base de sustentação. Acho que a maioria vai ficar com ela, que os tucanos vão ter candidato, talvez façam uma coalizão com o DEM, ou com outros partidos de direita, mas eles não podem fazer uma coligação com a imprensa, que é a grande aliada deles. Se a Marina conseguir o registro do partido (Rede Sustentabilidade), ela certamente será candidata. O Eduardo Campos (PSB) quer ser, mas já me disse que só decide em março ou abril do ano que vem. O PSDB ainda não sabe se vai de Aécio ou se o José Serra vai tentar criar um caso.

“Meu papel será o que a Dilma quiser que seja” Acho que o quadro é favorável. Falo da Dilma com muito orgulho. Vejo as pes-

soas colocarem defeitos nela, com essa história de que não gosta de conversar. Cada um tem um estilo. O que eu tenho consciência é que poucas vezes no mundo tivemos uma presidente tão decente como a Dilma. De caráter, competente e séria. Isso é condição fundamental para que o Brasil continue a trajetória que conseguimos implantar nos últimos dez anos. Papel do Lula nas eleições

O meu papel será o papel que a Dilma quiser que seja. Tenho que ter muito cuidado, porque não posso conversar com um partido político sem a orientação da presidenta ou do partido. Uma coisa que sei fazer, e espero estar em condições, é pedir voto. Eu me considero razoável de palanque. Gosto e me sinto bem. Agradeço a Deus todos os dias pela relação de confiança que a população construiu comigo.  Certamente que hoje ela precisa menos do que precisava em 2010, porque é a presidenta, está no mandato, tem exposição mais forte, vai ser julgada pelo que já está fazendo. Mas vou fazer o mesmo esforço que fiz em 2010. É como se fosse a minha campanha. A vitória da Dilma é a minha vitória. O sucesso dela é o sucesso do povo brasileiro, das camadas mais pobres. É difícil, gente, porque nem todo mundo acha prazerosa a ascensão dos mais pobres. Tem gente que fica incomodada dos mais pobres terem acesso às universidades, aos restaurantes, a exposições nas bienais. É um gesto ruim, pois acredito que, quanto mais o pobre ascender, melhor será para todos, já que a classe média sobe junto e todo mundo

ganha. Quando não tivermos mais miseráveis, teremos menos violência, menos assaltos. Isso que temos que ter consciência, que a Dilma pode nos ajudar a construir nos próximos anos. Como eu, ela vai fazer um segundo mandato infinitamente melhor do que o primeiro.

“São Paulo está perdendo nível industrial” No Estado de São Paulo

Acredito que nunca estivemos tão próximos de vencer as eleições em São Paulo. Por isso é preciso dividir o lado de lá. É preciso alcançar alianças além do PT, do PDT, do PC do B, para, então, construirmos um discurso apropriado. Estamos no caminho certo. Os tucanos estão num processo de fadiga de material. Eles não têm mais o que propor. Isso não significa dizer que o governador está acabado, está fraco. Alckmin é uma figura com força política no Estado e precisamos ter habilidade para derrotá-lo. Acho que ele não tem mais proposta para o ABCD ou para a Região Metropolitana. Não tem mais o que fazer em nível estadual. São Paulo está perdendo força, está perdendo nível industrial. Não tem propostas para a educação. É muito desagradável quando pegamos as avaliações do MEC sobre o ensino fundamental e vemos que São Paulo está entre os piores Estados. Está provado que o crime organizado derrotou o governo de São Paulo. Parece uma coisa sem controle. Acredito que se o Alexandre Padilha [ministro da Saúde] for realmente o indicado, teremos um ótimo candidato em São Paulo.


Campinas

6 cidade

Campo Grande e Ouro Verde podem formar um distrito Em 2011, um projeto do vereador Rafa Zimbaldi (PP) na Câmara Municipal gerou discussão entre os moradores das regiões do Campo Grande e Ouro Verde. A ideia do parlamentar era transformar as duas regiões em um único distrito, que se chamaria Campo Verde. Após a realização de estudos de viabilidade pelo Instituto Geográfico Cartográfico de São Paulo, em setembro, o debate voltou à tona porque a proposta foi aceita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). A população das duas regiões será convocada a participar de um plebiscito, que irá ocorrer na mesma data do primeiro turno das eleições

Janaína Maciel

Em 2014, moradores das duas regiões decidem em plebiscito sobre a criação

de 2014, para definir ou não a criação desse distrito. As regiões do Campo Grande e Ouro Verde possuem mais de 50 bairros, com cerca de 440 mil habitantes. O vereador Zimbaldi precisou de 1% das assinaturas dos eleitores

dessas regiões para encaminhar o projeto à Câmara e ao TRE. Para ele, a população pode obter vantagens com essa nova forma de organização, pois os distritos possuem subprefeituras. Ou seja, com um poder administrativo maior, os

moradores teriam mais facilidade para cobrar suas demandas do poder público. No entanto, ainda em 2011, a população divergia do projeto, porque não sabia quem seria o indicado ao cargo de subprefeito. Naquele mesmo ano, o ex-prefeito Hélio Oliveira Santos e o ex-vereador Sérgio Benassi (hoje secretário de Transporte e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) também eram contrários à elevação das regiões para a categoria de distrito Hoje, Campinas possui quatro distritos: Barão Geraldo, Sousas, Joaquim Egídio e Nova Aparecida. O último

Por Alyson Oliveira

prefeito era contrário ao projeto, pois sustentava a tese de que quanto mais se divide uma cidade, mais fraca fica a administração do município. Porém, o prefeito Jonas Donizette (PSB) apoia a criação do novo distrito. Por meio de nota oficial, ele classificou a criação de novos distritos como “importante”, devido ao crescimento de Campinas nos últimos anos. Campo Grande e Ouro Verde são as regiões que mais arrecadam impostos no município, como o Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU). Para Zimbaldi, a criação do distrito é importante para esses tributos voltarem como benefícios aos moradores.

As duas regiões

Em Campinas, além das subprefeituras dos quatro distritos, em 2009, as antigas Administrações Regionais (ARs) foram transformadas em macrorregiões (nas quais se encaixam hoje Campo Grande e Ouro Verde), que têm um planejamento específico, para centralizar e fa-

A região do Campo Grande tem como principal via a Avenida John Boyd Dunlop, que faz a ligação até o centro da cidade. Ela começa após a ponte da Rodovia dos Bandeirantes e vai até a divisa com o município de Monte Mor. A região do Ouro Verde abrange o Distrito Industrial,

cilitar os trâmites de gerenciamento dessas áreas. No caso dos distritos, um subprefeito é responsável pelos repasses da administração municipal e, em tese, conhece as necessidades do local administrado. Em 2011, Zimbaldi disse que “o novo distrito continuará recebendo verba da

Prefeitura para a sua estruturação”. Segundo o prefeito Jonas Donizette, o orçamento para as estruturas administrativas será feito somente em 2014. Para o funcionamento do distrito, além da subprefeitura, ainda é necessária a implantação de um cartório de ofício de registro civil.

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Funcionamento administrativo

onde ficam a fábrica da Mercedes-Benz e outras grandes empresas, além do Aeroporto de Viracopos. O Rio Capivari divide as duas regiões.


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Social i

CEU das Artes e do Esporte em fase final de construção A construção do Centro de Educação Unificada (CEU) das Artes e do Esporte – antiga PEC – , do Jardim Florence I, está em fase final e deve ser entregue ainda este ano. O espaço será uma importante opção de lazer, recreação e apoio social para cerca de 50 mil moradores do entorno e vai contar com uma biblioteca, anfiteatro para 125 pessoas, telecentro, salas multiuso, quadra poliesportiva coberta, quadra de areia, pista de skate, equipamentos de ginástica,

jogos de mesa e pista de caminhada construídos em 7 mil metros quadrados. De acordo com Soeli Alves Gava, da Unidade Gestora Local do CEU, a inauguração do espaço irá mudar a realidade social da região. “A gente não tem nenhum equipamento público no bairro, não existe área de lazer. Com o CEU vamos ter tudo isso, o que vai ser muito importante para buscar nossos jovens que estão nas ruas.” O CEU é um projeto financiado pelo Programa de

CIDADANIA

divulgação

Unidade vai oferecer opções de lazer e apoio social aos moradores do Jardim Florence I

Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e será administrado pela Prefeitura de Campinas (através das secretarias de Educação,

Esportes e Assistência Social) e pelos moradores da região do Campo Grande. A unidade deve abrigar também um Centro de Referência em Assistên-

cia Social (CRAS). Segundo Soeli, o horário de funcionamento deve ser de terça-feira a domingo, das 8 h às 22 h – com horário distinto para o atendimento do CRAS. As atividades e cursos oferecidos serão sugeridos pelos moradores e caberá ao grupo gestor definir a disponibilidade de vagas e critérios para participação. O CEU das Artes e do Esporte ficará na Rua Lasar Segal, ao lado da base da Guarda Municipal, no Jardim Florence I.

social ii

Adolescente cria grupo no Facebook

Banda dos professores vai lançar o primeiro álbum

“Sua promessa não vale nada até que você a cumpra.” Este é o primeiro ensinamento que Lucas Camargo, de 14 anos, fala ao Brasil Atual ao se referir aos políticos. O pré-adolescente, que vive com a avó Iracema Medeiros, morador do Jardim Satélite Íris, usou o Facebook para criar o grupo “Fiscalize Campinas”. “Criei a página para incentivar as pessoas a cobrarem a administração pública, pois é um direito que todos têm”, explica. A intenção do jovem estudante da oitava série da Escola Estadual Álvaro Cotomacci, no Jardim Novo Maracanã, foi reunir um grupo suprapartidário para debater, fiscalizar e denunciar problemas do poder público municipal: Prefeitura, Câma-

Em 1997, Luccas Soares, morador do Jardim Florence I, resolveu colocar em prática um projeto para retirar crianças das ruas e afastá-las da criminalidade através da música. Anelo – que significa desejo, vontade, anseio – foi o nome escolhido para denominar a iniciativa. Ele, então, reuniu um grupo de músicos, que dentre outras ações passou a ministrar palestras de combate às drogas e à violência em escolas e centros comunitários, a arrecadar alimentos para distribuir às famílias carentes do bairro, e, é claro, a fazer espetáculos musicais levando um pouco de entretenimento e cultura à comunidade. Como não dispunham de recursos financeiros, as reuniões do grupo eram re-

ra, secretarias, empresas públicas, autarquias, fundações, etc. A página já reúne mais de 1.200 participantes. As ambições de Lucas não param na criação de um canal em uma rede social. “Pretendo estudar medicina e depois de formado cursar a faculdade de História.” A determinação do jovem campineiro e o interesse pela coisa pública servem para os administradores da cidade se lembrarem de que a população está de olho na gestão. Se eles não se lembrarem, Lucas e o grupo virtual os lembrarão.

divulgação

O Instituto Anelo e a música

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“Fiscalize Campinas”

alizadas na casa de Luccas. No entanto, em 2000, o grupo investiu na ideia de montar definitivamente o Instituto Anelo e alugou um salão na Rua Professora Elizabeth Serafim de Oliveira. Foi então que a ONG aumentou o leque de atividades oferecidas, assim como o número de professores e voluntários. Mais de 1.700 crianças, adolescentes e jovens já passaram pelo Insti-

tuto, que hoje atende aproximadamente 200. E nos últimos meses a Banda Anelo (formada pelos professores do Instituto) se encontra em estúdio gravando o primeiro álbum. O lançamento será uma homenagem ao professor Alê Petrônio, que recentemente faleceu, mas se mantém na lembrança dos outros colegas.


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8 Palavras Cruzadas diretas

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foto síntese – Centro Islâmico

sudoku


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