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Jornal Regional de Bebedouro

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nº 26

Meio Ambiente

Junho de 2013

política

e a coleta seletiva? Com o final da Cooperlimpo, Prefeitura diz não saber o que fazer com os recicláveis

câmara municipal Vereadores aprovam a criação de 11 cargos de assessores

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escola

abílio manoel Memorial marca a empreitada rumo ao segundo centenário

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esporte Educação

analfabetismo ainda é um desafio Plano Nacional da Educação estipula erradicação do analfabetismo até 2020 Pág. 4-5

judô Com filosofia cidadã, judocas bebedourenses vivem no pódio

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Vereadores criam cargos de assessor

editorial A Cooperativa de Materiais Recicláveis de Bebedouro (Cooperlimpo), que atuava há seis anos no município, encerrou as suas atividades devido à falta de receitas e a dívidas acumuladas nesse período. Ao não incentivar ou subsidiar esta iniciativa (única na cidade), a gestão do prefeito Fernando Galvão (DEM) se coloca na contramão da história. Enquanto municípios de todo o país buscam implantar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (criada no governo do ex-presidente Lula), que tem na reciclagem de papel, plástico, vidro, metal um dos seus grandes pilares, nossa cidade perde mais uma vez a oportunidade de repensar a modernidade e conceber um desenvolvimento econômico sustentável, com redução de impacto ambiental e geração de emprego e renda. Ao contrário: agora são mais 14 trabalhadores desempregados e o fim da coleta seletiva por tempo indeterminado. Este é o tema da reportagem da página 3. Já nas páginas centrais desta edição, apresentamos uma reportagem sobre uma dívida histórica do Brasil: o analfabetismo. Hoje temos mais de 14 milhões de pessoas que não sabem ler. Apesar da considerável redução dos números nos últimos 40 anos – no período da ditadura civil-militar (64-85) mais de 33% da população era analfabeta –, diferentes programas de alfabetização se sucedem e não mostram total eficácia, se comparados à experiência do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, quando em 1963 coordenou uma equipe que alfabetizou 300 trabalhadores rurais em 40 aulas de uma hora cada. A pretensão de um país sem miséria deve ser indissociável do dever de um país sem analfabetos. O indivíduo só irá transcender a condição de oprimido se tiver acesso às ferramentas que possibilitem a sua autonomia.

No dia 27 de maio, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Resolução nº 05/2013, que estabelece a criação de 11 cargos de assessor parlamentar para a casa. A votação contou com nove votos favoráveis, uma abstenção, do vereador Engenheiro Nasser (PV), e um voto contrário do vereador Luiz Carlos de Freitas (PT). Segundo o vereador petista, o projeto foi incluído na pauta, por solicitação do vereador Lucas Seren (DEM), sem discussão entre os parlamentares e a população. “Houve apenas uma reunião interna, em que de imediato me coloquei contrário, pois jamais votaria uma proposta deste teor sem antes consultar a população, as pessoas que o meu mandato representa. Não houve discussões para amadurecer o projeto.” Freitas também ressalta que teve o seu pedido de vistas ao projeto (para ter conhecimento do que envolvia aquele item em votação) negado pelo presidente da Câmara, Ângelo Daólio (PSDB). “Nenhum vereador teve acesso às cópias do documento antes da votação do dia 27/5, muito embora nove vereadores tenham votado a seu favor. Durante a

divulgação

Votação polêmica gera debate sobre necessidade e gastos

sessão não houve a leitura do projeto aprovado.” O vereador Lucas Seren afirma que a criação dos novos cargos foi debatida internamente na Câmara ao longo dos útimos três meses, mas reconhece que isso não ocorreu abertamente nas sessões ordinárias da Câmara. “Eu sou professor universitário e debati com a minha base. Obviamente não eram 100% dos meus eleitores que estavam cientes.” Seren acredita que os assessores parlamentares facilitarão o exercício da vereança e não impactarão consideravelmente o orçamento do município. “O gabinete não pode ficar fechado quando o vereador viaja atrás de recursos. Não é possível fazer política apenas por telefone. Além do mais, por lei a Câmara tem direito a 5,7% da

arrecadação municipal e gastamos apenas cerca de 1,6%.” Já o vereador Freitas enxerga o momento como inoportuno para a criação de mais cargos públicos em Bebedouro. “É verdade que a Câmara tem a tradição de gastar pouco do orçamento a que tem direito, no entanto a saúde financeira do município está na UTI. O próprio setor da saúde, a infraestrutura, os serviços de maneira geral estão precários, as ruas estão esburacadas. Existem carências por todos os lados.” O pestista estipula que cada um desses novos funcionários vai custar cerca de R$ 3.500 ao mês. “Não podemos falar oficialmente desses valores, pois o projeto também não passou pela Comissão de Finanças e Orçamento, da qual eu faço parte.”

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Expediente Rede Brasil Atual – Bebedouro Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Edição Enio Lourenço Redação Lauany Rosa Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3295-2800 Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição Gratuita


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Meio Ambiente

Final da Cooperlimpo deixa cidade sem coleta seletiva timos, assim como os elevados gastos com a manutenção dos equipamentos e local de trabalho, foram determinantes para o encerramento das atividades da Cooperlimpo. “Estávamos com muitas dívidas e ninguém mais nos ajudava com qualquer subsídio ou apoio. A Prefeitura nos emprestava um dos dois caminhões que usávamos e cedia o espaço, porém nos cobrava impostos pela sua utilização.” De acordo com a trabalhadora, durante dois anos a cooperativa de crédito Credicitrus também auxiliou com o envio de cestas básicas mensais. “Não sei por que eles pararam de enviar. Nós tivemos que

nos reorganizar para garantir as cestas básicas do mês.” Ela ainda recorda que a cooperativa de serviços médicos Unimed e a cooperativa de trabalho odontológico Uniodonto também eram conveniadas à Cooperlimpo e ofereciam con-

Tratativas com o poder público Ainda em maio, uma última tentativa de reverter o final da Cooperlimpo aconteceu. Os cooperados se reuniram com representantes da Prefeitura e do Poder Legislativo a fim de encontrar uma solução para o imbróglio. Porém, Diná comenta que o encontro não trouxe nenhuma perspectiva e serviu para formalizar o que já era esperado: “Queríamos garantir ao menos uma cesta básica mensal, mas o senhor Archibaldo Brasil (chefe de Gabinete) não nos deu nenhuma esperança. Disse que a Prefeitura vai pensar em fazer algo somente em 2014, mas nós não temos como aguentar viver assim até lá. Tem meses que não ganhamos R$ 100 e precisávamos de apoio agora”.

A reportagem procurou Archibaldo Brasil, mas, até o final desta edição, não obtivemos retorno aos telefonemas. Entretanto, o diretor de Desenvolvimento Econômico Roberto Campanelli falou a respeito do final da Cooperlimpo via e-mail: “A Prefeitura de Bebedouro desconhece os motivos que levaram os dirigentes da Cooperlimpo a decidirem pelo encerramento das atividades da entidade. A Cooperlimpo tinha uma parceria para a manutenção por meio de um projeto com uma empresa privada. A Prefeitura de Bebedouro disponibilizava equipamentos como esteira, prensa, caminhão, barracão e o telefone”. E sobre o futuro da coleta seletiva de materiais recicláveis no município, informou: “A Prefeitura de Bebe-

douro está analisando a situação para viabilizar o projeto e assim que tiver alguma proposta concreta será divulgado amplamente”. Em tom de desabafo, Diná contesta a versão da Prefeitura e denuncia a discriminação que sofreram do poder público ao longo desses seis anos. “O trabalho da Cooperlimpo era para o bem da cidade. Nós retirávamos o lixo das ruas e fazíamos a reciclagem. O nosso trabalho também envolvia a proteção do meio ambiente e a conservação da limpeza urbana, mas poucos reconheceram esta importância. O prefeito não se importou. Os políticos nos procuraram somente nas eleições e prometem mil coisas, mas nunca cumprem.”

sultas médicas e assistência odontológica gratuita por algum tempo. “Eles nunca mais entraram em contato com a gente” – lamenta Diná. Contudo, a relação com a Prefeitura foi ainda mais conflituosa. “Nós começamos o

trabalho da Cooperlimpo na gestão do Hélio Bastos, em 2008. No ano seguinte, quando o ex-prefeito [João Batista Bianchini] Italiano assumiu a Prefeitura, já perdemos um pouco do apoio que existia. Ele nos ajudou apenas com o pagamento da conta telefônica e com o fornecimento de materiais de higiene. Agora esse daí [Fernando Galvão], em janeiro, teve como sua primeira medida cortar o nosso telefone, que era um instrumento muito importante para nós, pois era a forma de a população nos contatar para irmos até as suas casas fazer a coleta do material reciclável.”

E os trabalhadores? Neste mês, os trabalhadores da Cooperlimpo irão vender os bens da cooperativa, como o caminhão, as máquinas, as prensas e as últimas levas coletadas de materiais recicláveis, para pagar as dívidas e dividir o que sobrar entre eles. O desalento de Diná era explícito. Quando perguntada sobre o futuro, cabisbaixa, disse que voltaria a trabalhar no campo. Ela vive com o marido, a filha e a neta no assentamento Reage Brasil. “Eu ainda vou pra trabalhar na roça, plantar manga, e outras frutas e legumes, mas e os outros companheiros, o que vão fazer?” É o caso de Maria Nilza dos Santos, 47. A trabalhadora, que mora no bairro Pedro

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Ao final de maio, a Cooperativa dos Coletores de Materiais Recicláveis de Bebedouro (Cooperlimpo) fechou as portas devido à falta de receitas para continuar a desenvolver o trabalho de coleta, triagem, prensagem e venda de resíduos sólidos reutilizáveis. Desde 2008, a organização contava com 14 cooperados, que ganhavam uma média de R$ 300 ao mês, e era a principal responsável por este tipo de trabalho com plástico, papel, metal, vidro, entre outros, no município. Segundo a trabalhadora cooperada Diná Santana, 58, as dívidas contraídas em emprés-

enio lourenço

Prefeitura diz não saber o que vai fazer para suprir demanda de materiais recicláveis

Pascoal, é divorciada e tem três filhos. “Vou tocar a vida do jeito que eu puder. Eu me inscrevi para fazer parte da Frente de Trabalho (programa do governo do Estado que oferece uma bolsa aos trabalhadores desempregados, para trabalhar em atividades como limpeza e manutenção de órgãos públicos estaduais e municipais) que disseram criar nos próximos meses. Estou esperando que me chamem para voltar a trabalhar.”


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Analfabetismo, uma dívida histórica do Brasil Abril de 1963. Na presença do ex-presidente João Goulart chegava ao fim uma campanha vitoriosa na cidade de Angicos, a 170 km de Natal, no Sertão do Rio Grande do Norte: Trezentos trabalhadores rurais foram alfabetizados em 40 aulas, de uma hora cada uma, sob a luz de lampiões a querosene. Quinze universitários os ensinaram a ler, escrever e fazer contas. A coordenação chefiada pelo educador pernambucano Paulo Freire (1921-1997) constatou 70% de aproveitamento nos testes de alfabetização e 87% no de politização. O êxito da experiência atraiu o interesse da imprensa mundial. Abril de 1964. O golpe militar extinguiu o progra-

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14 milhões de pessoas não sabem ler, uma das mais altas taxas da América Latina Por Cida de Oliveira

ma nacional de alfabetização inspirado em Angicos, que começaria em um mês. Com a prisão e exílio de Freire, considerado subversivo e ignorante pelos militares, o regime abortava o projeto que

derrubaria as taxas de analfabetismo e, três anos depois, lançou o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), que passou a receber verbas em 1970, quando a taxa de analfabetismo era de 33,6%.

Sua proposta pedagógica era ensinar minimamente a escrita, a leitura e cálculos básicos e pretendia erradicar o analfabetismo em dez anos. Depois de reduzir em 2,7% a taxa de analfabetismo, o

programa foi extinto em 1985 pelo presidente Sarney, que criou a Fundação Educar. Em 1989, Fernando Collor instituiu o Programa Nacional de Alfabetização, que visava alcançar 21 milhões de pessoas em dez anos, em especial as mais jovens. Depois, Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) reduziu a taxa de 16,6%, em 1994, para 13,6%, em 2000, mas, ao contrário do que prometeu, não investiu mais no setor nem democratizou o acesso a cursos equivalentes às quatro séries finais do ensino fundamental para a população de 15 a 30 anos. Em 2003, o presidente Lula criou o programa Brasil Alfabetizado, que já beneficiou mais de 12 milhões de pessoas.

“Estou aprendendo. Não passo mais vergonha” – desab Passados 50 anos da experiência de Angicos, 8,6% dos brasileiros de mais de 15 anos – 60% dos quais têm mais de 50 anos – não sabem ler nem escrever. O percentual é menos da metade dos 20% de 1990. “Apesar da queda significativa, são 14 milhões de analfabetos, o maior número absoluto da América Latina” – diz Roberto Catelli Júnior, coordenador do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da ONG Ação Educativa. A posição do país em relação a seus vizinhos resulta de seu passado escra-

vocrata, em que a maioria da população não tinha direito à cidadania, com economia baseada na agricultura para exportação, sem investimentos em educação. Já as colônias espanholas tinham até universidades. No início do século 20, apenas a minoria da população do Brasil, diferentemente da Argentina, sabia ler e escrever. O atraso aprofundou as desigualdades. “Não podemos erradicar o analfabetismo como se erradica uma doença, mas podemos reduzi-lo a um nível bem menor” – diz Catelli. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica-

da (Ipea) de 2010 mostra que a baixa inserção de jovens e adultos em programas de alfabetização e sua ineficiência entre a população de mais de 65 anos explicam a lenta redução. Desigualdades diversas também. O Nordeste tem 52% dos analfabetos brasileiros. São 6,8 milhões de pessoas, 71% das quais estão na zona rural. A taxa média de analfabetismo é de 16,9%, quase o dobro da média nacional. Maria Edilma Batista Miranda é professora do EJA do Jardim Silvina, em São Bernardo do Campo. Com 15 anos de experiência, ela diz que são muitas as histórias de transfor-

mação pela educação. “Encontro ex-alunos que conseguiram emprego, foram promovidos, tiraram carteira de motorista; têm hoje uma vida melhor. Uma aluna, cujo marido a chamava de burra, hoje sustenta a família com seu trabalho” – conta. Uma de suas alunas é Alice Maria da Silva, 67 anos, pernambucana de Garanhuns, que passou grande parte da vida sem saber escrever o nome. “Segurei um lápis pela primeira vez aqui” – diz, referindo-se à turma que, como ela, alfabetiza-se. Os resultados já aparecem. Há pouco tempo trocou seus documentos. No lugar das digitais, assinou o nome. Nasci-


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aquém do esperado. Segundo Catelli, há problemas além do analfabetismo a serem superados: os educadores e os leigos têm deficiências na formação, há uso político do programa e falta um sistema de avaliação no qual os resultados sejam discutidos. “O principal problema, porém, é não se efetivar como política pública integrada às Secretarias de Educação dos municípios, permitindo a continuidade dos estudos” – aponta. “Sinto falta de uma política mais ofensiva do governo e do envolvimento da sociedade na cobrança do pagamento dessa dívida histórica com os milhões de analfabetos” – diz Luiz Marine José do Nascimento, membro da coordenação pedagógica do Instituto Paulo Freire. Em parceria com

a Petrobras, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), sindicatos, movimentos sociais e prefeituras, a entidade executa o programa Mova Brasil. “Até o Mobral era mais agressivo que as políticas atuais no sentido de envolver a sociedade.” Marine cobra também as universidades, que não ofe-

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bafa um recém alfabetizado dos e criados em Poções (BA), os irmãos Geivaldo e Jorgivaldo Ferreira Souza, de 30 e 28 anos, não tinham onde estudar perto de casa, num sítio afastado da cidade. Como ajudavam na roça da família, frequentaram uma sala de aula bem mais tarde. Hoje ambos trabalham na construção civil no ABC Paulista, querem estudar, melhorar de emprego e de vida. História semelhante viveu Luiz Deoclecio Pereira. Na infância, por causa do trabalho na roça, no interior do Ceará, não frequentou a escola. Aos 17 anos, temeu não conseguir estudar e aprender. O tempo passou e Luiz sempre no tra-

balho pesado, mal remunerado por falta de estudo. Recentemente, a empresa onde trabalha o mandou para a escola. “Estou aprendendo. Não passo mais vergonha” – diz. A seu lado, a colega Joana Batista Magalhães, 55 anos, não deixa de sonhar: “Novela fica pra outra hora. Aqui é mais divertido e aprendo”. Na infância pouco ia à escola, por ser longe. Quando teve escola perto, estava casada e o marido não a deixava ir. “Meu sonho é fazer um curso técnico de Enfermagem e lutar por um lugar na faculdade.”

recem cursos de licenciatura para a alfabetização de adultos. E defende ainda medidas de combate à elevada evasão nos cursos para adultos, a modernização da metodologia empregada em sala de aula e alternativas para problemas estruturais que desanimam o aluno, como aulas próximas

da moradia desses estudantes, em horários flexíveis. “Não existe Brasil sem miséria enquanto houver o analfabetismo.” Coordenadora do núcleo Rio de Janeiro do Mova Brasil, do Instituto Paulo Freire, Geanne Campos, conhece as dificuldades do setor e tenta contorná-las. Para atrair mais alunos, ela cria turmas em horários alternativos, em locais próximos das pessoas. Contra a evasão, faz parcerias com cursos profissionalizantes e entidades da economia solidária e incubadoras, para estimular a renda dos educandos. “O trabalho vale a pena quando a gente vê os alunos trabalhando, estudando, exercendo seus direitos, sua cidadania.”

Criador de ‘cascavéis’ Patrono da educação brasileira, Paulo Freire apresentou as bases teóricas de seu sistema de alfabetização de adultos em 1958. Em 1962, Freire foi procurado por autoridades potiguares para coordenar a campanha educacional em Angicos. O projeto começou em janeiro – e terminou em abril –, na presença fardada do comandante da Região Militar do Recife, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. Segundo historiadores, ele teria dito ao secretário de Educação potiguar: “Meu jovem, você está engordando cascavéis nesses sertões”. Com o golpe de 1964, Freire foi preso e acabou sendo procurado por soldados do

fundação paulo freire

O Plano Nacional de Educação (PNE) determina que até 2020 seja erradicado o analfabetismo absoluto e reduzido pela metade o analfabetismo funcional – em que a pessoa consegue ler, mas não compreende bem o texto. “É urgente rever o modelo e construir uma política nacional de educação de jovens e adultos. Não vejo nenhuma iniciativa capaz de fazer com que os 85 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais avancem na conclusão da educação básica” – diz Catelli. Para o educador, os resultados do programa federal Brasil Alfabetizado, que destina recursos para atender mais de 1 milhão de pessoas por ano, estão

rodrigo queiroz/rba

A ideia é que o problema acabe até 2020

quartel que queriam que seus parentes fossem alfabetizados. “Estou aqui justamente por alfabetizar” – justificou o educador, que, aos 43 anos, foi para o exílio e só voltou ao Brasil em 1979. Nesse intervalo, o mundo o descobriu. E também obras como Ação Cultural para a Liberdade, finalizada em Harvard em 1970, e a clássica Pedagogia do Oprimido. Para saber mais: <www.angi cos50anos.paulofreire.org>.


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6 escola

Abílio Manoel inicia segundo centenário No último mês de abril, ao completar 101 anos, a Escola Estadual Abílio Manoel deu início a empreitada rumo ao segundo centenário. A escola, fundada em 26 de abril de 1912, com o nome de Grupo Escolar, foi construída na Praça Valêncio de Barros, nº 186. O projeto do edifício, elaborado por José Van Humbeeck, era considerado arrojado para a época e trouxe consigo para o interior de São Paulo novos conceitos educacionais e arquitetônicos, inclusive a separação dos estudantes por gênero através das alas masculina e feminina. No primeiro ano letivo, a escola abrigou 405 alunos

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Após completar 101 anos de vida, escola continua sendo referência no município

(192 meninos e 213 meninas). O primeiro corpo docente era composto por Maria Pinto da Fonseca, Clotilde Barroso Litz, Gustavo Kuhlmann, Francisco Algodoal, João

Leite de Camargo, Luiza de Oliveira Algodoal, Beatriz da Cunha Lima Prestes, Fernando Viana, Maria Fernandes e Pedrina Mendes Pinto. Já o primeiro diretor foi Ludgero

Prestes (leia quadro abaixo). No ano de 1937, a escola passou a se chamar Grupo Escolar Abílio Manoel, em homenagem ao fazendeiro nascido em Caeté, na Bahia, e falecido em Bebedouro no ano de 1921. Em 1995, a instituição de ensino passou por um processo de restauração, enaltecendo todas as características originais do prédio. Foi então que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) – órgão ligado à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo – enxergou a sua importância histórico-cultural e realizou o tombamento de sua estrutura.

Ludgero Prestes

A preservação da história deve constituir uma série de ações de valorização da memória local. Pensando nisso é que a gestão da diretora Andrea Mesquita Bergamasco deu início à construção do “Centro de Memória Abílio Manoel”. “Com o restauro da escola (em andamento) foi necessária a reorganização do arquivo morto. Foi então que descobrimos muitos documentos antigos interessantes e tivemos a ideia de recuperar a memória do local” – conta a diretora. Ela também informa que solicitou aos ex-alunos todo tipo de colaboração, como boletins e fichas escolares, ou qualquer outro documento relativo à escola.

O primeiro diretor da Escola Estadual “Abílio Manoel”, Lugdero Prestes foi um sobrevivente do massacre de Canudos, na Bahia, em 1897. Essa informação consta da pesquisa “Canudos: guerras de memória”, da historiadora carioca Vanessa Sattamini Varão. Segundo o artigo, o escritor Euclides da Cunha, corres-

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Memória

“A ideia principal é fazermos a recuperação da história da educação na cidade. Por isso pedi a colaboração de toda a população de Bebedouro e das demais escolas da cidade.” O memorial está sendo financiado pela Ação Integral Coopercitrus/Credicitrus e tem o apoio técnico do Centro Universitário Unifafibe. A previsão de inauguração é para o mês de agosto.

pondente do jornal O Estado de S.Paulo no conflito – que depois narrou os eventos no clássico “Os Sertões” – retornou a São Paulo com o menino conhecido por “Jaguncinho” (apelido de Ludgero quando criança), que havia recebido como “presente” do general Artur Oscar, comandante da quarta e última expedição militar à Bahia. Em São Paulo, Ludgero

Atualmente, diversos segmentos sociais, ao lado dos professores, funcionários e estudantes, paticipam do “Projeto meu lugar, minha vida”. A ideia é valorizar as diferentes manifestações culturais trazidas pelos alunos de diferentes bairros e classes sociais, em sua relação direta com a escola e a comunidade no seu entorno, para construir a identidade coletiva da Abílio Manoel. É assim que a centenária bebedourense almeja promover em cada cidadão o sentimento de pertencimento à escola, com o objetivo maior de reinventar a educação, de forma a repensar modelos educativos que articulem tradição e inovação.

foi adotado pelo amigo e educador Gabriel Prestes. O primeiro diretor da Escola Abílio Manoel formou-se professor na Escola Caetano de Campos, na capital paulista, dirigida pelo seu pai adotivo. Já adulto, depois de uma passagem pela Escola de Serra Negra, chegou a Bebedouro para dirigir o então Grupo Escolar, em 1912.

Brasil Atual é usado em debate A reportagem “As verdadeiras causas da obesidade infantil”, veiculada no Brasil Atual nº 23, de janeiro de 2013, foi utilizada pelos professores como uma forma de conscientizar os alunos sobre os problemas causados pela

má alimentação na infância. A atividade realizada consistia na leitura do material e um debate a respeito das atitudes eficazes para ter uma vida saudável: evitar o consumo de salgadinhos, frituras, doces, refrigerantes e da importân-

cia da prática de exercícios físicos. “Todos os alunos participaram com muito entusiasmo, já que é um tema bastante polêmico e o problema atinge boa parte da juventude brasileira” – afirma a diretora Andrea Mesquita Bergamasco.


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Judô

ABEC/DME vive no pódio com filosofia cidadã Projeto existe há mais de 20 anos e tem como base a educação

é desenvolvido em algumas escolas públicas e particulares da cidade. Entretanto, a improvisação nesses espaços faz com que os estudantes mais interessados em seguir na modalidade acabem procurando a academia municipal. “A nossa orientação é necessariamente voltada para a educação. Trabalhamos com o esporte de uma forma bem lúdica. O esporte de competição gera lesão

e a nossa intenção não é essa. Valorizamos a saúde. Por isso desenvolvemos a formação do atleta voltada para a comunidade, para a educação e a cidadania” – diz o professor de judô e graduando em educação física Alexandre Martins. O trabalho distinto tem cativado crianças de todas as idades. Por influência familiar, Isadora Martins, de 3 anos, sobrinha de Alexandre, é a aluna mais nova da turma. “Ela viu o primo Eduardo lutando judô e me pediu para ir às aulas e eu vejo que ela tá gostando, porque está sempre animada, parece que ficou com mais energia” – conta Silvia Martins, mãe da menina. Isadora também pratica balé e natação. A pequena judoca surpreende quando fala das suas atividades. “Eu acho a minha faixa legal. Eu gosto de fazer os golpes tsuri-goshi e utsuri-goshi. Eu gosto de ir para o colégio, para o judô e para a natação.” E qual é o preferido, Isadora? “O colégio.”

crianças alcançam progressos dentro e fora do tatame. Muitos diretores de escola já vieram nos falar da melhoria em sala de aula dos alunos judocas, tanto no comportamento quanto no aprendizado.” Para o judoca, o fator da autoconfiança adquirida no esporte pode ajudar crianças e jovens a superar um problema recorrente. “Hoje tudo é bullying. O gordinho, o magrinho, qual-

quer um que não se encaixa na ‘turma’ é discriminado. O judô consegue valorizar a autoconfiança. A pessoa que pratica judô vai transferir o aprendizado dos treinamentos e lutas para a vida. Na escola ou no trabalho, ela vai saber da própria capacidade e compreender que pode alcançar seus objetivos, que irá vencer. É uma ideologia que ultrapassa o tatame.”

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Em 1990, aos nove anos, o garoto Alexandre Martins, inspirado pela conquista da medalha de ouro do judoca Aurélio Miguel nas Olimpíadas de Seul, em 1988, procurou a academia do professor Luís Carlos Garcia para aprender o esporte e se tornar um lutador profissional. Mais de 20 anos se passaram e o sonho daquela criança se tornou realidade. Além de judoca faixa preta, Alexandre se tornou o sensei (mestre) da Associação Bebedourense de Esporte e Cultura/ Departamento Municipal de Esporte (ABEC/DME). “Hoje eu vivo pelo judô e para o judô.” Com mais de 100 alunos na sua equipe, entre 3 e 50 anos, o judô bebedourense tem alcançado resultados expressivos, chegando às finais de campeonatos estaduais e conquistando títulos regionais. Os valores transmitidos aos atletas e ex-atletas extrapolam a conquista de medalhas: formam cidadãos. Maria Júlia Borella, de 12

anos, é um exemplo. A judoca começou a praticar o esporte há seis anos e tem frequentado constantemente os pódios das competições de que participa. No início de maio, ela ganhou a medalha de bronze na Copa Ipanema, em Ribeirão Preto. Ela também traz no cartel a sétima colocação no campeonato estadual de 2012 – após duas fases regionais eliminatórias, competindo na final

com outras 25 garotas –, um dos melhores feitos recentes da cidade na modalidade. No entanto, a atleta não se deslumbra com as conquistas. “Eu não descarto a possibilidade de me profissionalizar no judô, mas eu pretendo seguir outra profissão. Eu quero estudar medicina” – diz a aluna da sexta série do Colégio Anjo da Guarda. Além da academia da ABEC/DME, o judô também

O professor de judô Eduardo Pinto, de 35 anos, também motivado pela conquista de Aurélio Miguel, em Seul, foi um dos primeiros alunos da academia ABEC/ DME. O judoca faixa marrom acredita que o trabalho desenvolvido na academia é perene e intrínseco à filosofia do esporte. “Não quero falar mal de outros esportes de luta marcial, mas existem alguns que

enio lourenço

Um ippon no bullying são modismos e passam com o tempo. O judô nunca passa, porque ele tem conteúdo. É um esporte olímpico.” Eduardo enxerga o trabalho realizado na cidade como fundamental para ajudar crianças carentes. “Para muitas crianças que não têm uma estrutura familiar estável, o judô promove muitos avanços em suas vidas, principalmente quanto às noções de disciplina. Essas


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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato. p o r t u g u e s e s

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Respostas

Horizontal – 1. Alongada 2. Muito bom, de muito valor; Energia atômica; Ou, em inglês 3. Indivíduo de classe social inferior 4. Islamismo 5. Nome de certas flores coloridas, cultivadas como ornamentais; Produto de microeletrônica usado como sinalizador de avisos 6. Cabelo escuro entremeado de fios brancos 7. Arte, em inglês; Sigla do Paraná 8. The European Patent Network; Indolência, falta absoluta de energia 9. Capital do Cantão e mais ensolarada localidade suíça; Pôr toda a sua confiança em, fiar-se 10. Pessoa ou coisa divertida; Premiado seriado de televisão americano criado por Michael Crichton 11. Solitário; Exprime surpresa ou admiração; Serve para voar. Vertical – 1. Lusitanos 2. Via; Sigla de Roraima; 3,1416 3. Nascidos em Ormuz 4. Liga Oficial Pokémon; Escola Superior de Redes; Negação 5. Sigla do Espírito Santo; Convenção, assembleia; Relações Públicas 6. Matogrosso, cantor brasileiro; Sigla de Alagoas; Nome de um Estado do Norte do Brasil 7. Varredor de rua; Contiguidade de duas vogais pertencentes a sílabas diferentes 8. Capital da Noruega; A ti 9. Primeira nota musical; Fonema correspondente à letra L; Pequeno prato sobre o qual se assenta a xícara 10. Vestimenta metálica usada pelos guerreiros durante as batalhas; Deus do Sol do antigo Egito.

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Sudoku

6 8 9 5 1 7 3 4 2

5 7 1 2 3 4 6 8 9

3 2 4 9 6 8 5 7 1

2 3 5 6 7 9 4 1 8

4 9 6 1 8 2 7 3 5

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