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barretos

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Jornal Regional de Barretos

jornal brasil atual

jorbrasilatual

nº 16

cultura

Distrib

Gratuuiição ta

Dezembro de 2012

tráfego

cem anos de forró Como Gonzagão, o maior sanfoneiro do Brasil, tornou-se o rei do baião

parando geral Prefeito eleito não crê que radares sejam uma solução no trânsito

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DEBATE

saúde Como a privatização prejudica os usuários, segundo o Dr. Chicão

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FUTEBOL COMUNICAÇÃO

tv câmara de Barretos, canal 64 vai, touro!

Ela iniciou as operações em sinal aberto com a premiação de Zumbi dos Palmares

A torcida para um time que tem de vencer outros dezenove na A 3

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Barretos

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Feliz Natal

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Prefeito quer melhorar trânsito Um estudo amplo e abrangente sobre o trânsito na cidade será uma das primeiras determinações do prefeito eleito de Barretos, Guilherme Ávila, que assume o comando do município em 1º de janeiro. O futuro prefeito defende mais investimentos em sinalização e educação de trânsito. Ele entende também que há necessidade de repensar a quantidade de radares implantados e suas localizações atuais. Ávila diz que está nos seus planos a revisão do atual contrato com a empresa Tec Det, que

Aquino José

Frota da cidade é estimada em 73 mil automóveis

ganhou concorrência pública para operar os radares que começaram a funcionar em 1º de dezembro – os equipamentos estão em 18 pontos da cidade e seu rodízio vai depender do índice de acidentes. “Não acredito

que a instalação de radares por toda a cidade seja a solução para o trânsito de Barretos. É preciso planejamento global, olhar a cidade e seu crescimento como um todo. Só assim vamos nos antecipar aos problemas.”

NEGÓCIOS

Esta edição natalina do jornal Brasil Atual – Barretos traz, em suas páginas centrais, uma reportagem sobre um ícone brasileiro: Luiz Gonzaga, o Gonzagão, rei do forró e o sanfoneiro mais popular que o Brasil já teve. Gonzagão começou sua carreira artística depois de levar uma “surra caprichada” de seu pai, seu Januário, quando, com ares de valentia, se arvorou a ameaçar de morte o pai de uma donzela por quem andava apaixonado. Porém, o resultado só foi favorável. Gonzagão se mandou para o Rio de Janeiro e, de modesto tocador de tangos de Gardel, virou o grande nome da música nordestina – e brasileira. Ele e o filho, Gonzaguinha, das músicas de protesto, são agora retratados no cinema por Breno Silveira, no longa metragem Gonzaga – de Pai pra Filho. Outro assunto é a questão da saúde. Afinal, de que forma o país vai se colocar para combater esse drama nacional? E como o SUS, que garante a saúde dos mais pobres, vai enfrentar os esfaimados convênios particulares? Um tema que esta edição começa a debater. É isso. Boa leitura!

jornal on-line Leia on-line todas as edições do jornal Brasil Atual. Clique www.redebrasilatual.com.br/jornais e escolha a cidade. Críticas e sugestões jornalba@redebrasilatual.com.br ou jornalbrasilatual@gmail.com facebook jornal brasil atual twitter @jorbrasilatual

Catálogo do Roteiro Turístico Ele deverá ser lançado em fevereiro de 2013 O Catálogo de Negócios do Roteiro Turístico de Barretos será lançado em fevereiro de 2013, por um grupo de empresários do setor, com o apoio do Sebrae – SP. O grupo foi apresentado no 4º Fórum de Turismo de Barretos, realizado em 28 de novembro, no Sindicato Rural. O catálogo deverá ter 16 empresas de alimentação, 10 de comércio diferenciado, 13 de empreendimentos rurais e urbanos, 7 de hospedagem, uma agência de turismo receptivo, e contará ainda com um grupo de artesãos.

Aquino José

editorial

O prefeito eleito Guilherme de Ávila (PSDB) reafirmou que, até o final do mandato, vai executar todos os proje-

tos planejados. “O sucesso só vai acontecer se o grupo permanecer unido” – disse ele, que acatou indicação do Projetur e anunciou como secretário municipal de Turismo Adriano Santos, que atua no setor hoteleiro e preside a Associação Barretense de Turismo – ABATUR. Adriano Santos diz que as empresas que estão no catálogo terão o privilégio do selo do Sebrae e o aval do grupo que integra o Projetur – Projeto do Roteiro Turístico de Barretos. O empresário Jerônimo Muzetti deverá assumir a presidência da ABATUR.

Expediente Rede Brasil Atual – Barretos Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Aquino José, Enio Lourenço e Lauany Rosa Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3295-2800 Tiragem: 6 mil exemplares Distribuição Gratuita


Barretos

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COMUNICAÇÃO

TV Câmara de Barretos transmite pelo canal digital 64 A TV Câmara de Barretos iniciou suas transmissões apresentando a sessão solene de entrega do Prêmio Zumbi dos Palmares, dia 23 de novembro. A TV é a primeira emissora do interior no País a ter publicada no Diário da União a portaria de autorização da Anatel para funcionamento para fins científicos e experimentais, fazendo parte da Rede Legislativa, que tem como objetivo dar maior visibilidade e transparência ao trabalho parlamentar. Coordenada pela TV Câmara, da Câmara Federal, a Rede transmite em sinal aberto e gratuito para São Paulo, Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. Mais 50 cidades aguardam a formalização das consignações. As Câmaras Municipais de Barretos, Ri-

Aquino José

Primeira emissora do interior da Rede Legislativa, transmissões são ainda em caráter experimental

beirão Preto, Jaú e Jacareí são as pioneiras na compra dos equipamentos de transmissão em sistema digital e aguardam apenas a publicação da Anatel para iniciar oficialmente suas transmissões, o que aconteceu primeiro para Barretos, em caráter experimental. Além de retransmitir

a programação da TV Câmara Federal, a Rede Legislativa tem a programação baseada nas Câmaras Municipais, com conteúdo de utilidade pública, mas está aberta para o município produzir seus próprios programas. Segundo a coordenadora Luciana Gomes, a TV Câmara vai trans-

mitir ao vivo todas as sessões ordinárias, extraordinárias ou solenes do Legislativo barretense, além de audiências públicas e outros eventos. Haverá ainda programação voltada à prestação de serviço. Ela informa que está sendo formado o Conselho Editorial da TV, que auxiliará na missão de traçar a linha editorial dos programas e seu caráter de utilidade pública. A emissora também poderá realizar convênios e contratos de parceria com entidades educativas, culturais ou beneficentes. O objetivo é veicular conteúdo produzido pelas entidades, desde que sem custos para a TV. Luciana Gomes explica que a TV Câmara não pode exibir publicidade ou divul-

gação comercial. “Ela se mantém com verba da Câmara Municipal e convênios para aquisição de conteúdo gratuito.” Os transmissores e a antena estão instalados na torre da Prefeitura, no Bom Jesus, ao lado da TV Barretos, da TV Bandeirantes, do SBT e da Record, bem como os demais equipamentos, como receptores e link para as transmissões ao vivo. “Os equipamentos de captação e edição de imagens são terceirizados. A equipe de reportagem e de entrevistas é composta por assessores da Câmara Municipal, mas haverá concurso público para contratação de profissionais exclusivos para a TV Câmara” – conclui. O custo de implantação da TV gira em torno de R$ 300 mil.

VIOLÊNCIA

Segurança Pública preocupa empresários Os empresários da cidade estão preocupados com a segurança pública neste fim de ano, quando há maior circulação de dinheiro no comércio. O tenente-coronel Luis Henrique Usai, comandante do 33º Batalhão de Polícia Militar do Interior, participou de uma reunião na Associação Comercial e Industrial de Barretos (ACIB) que debateu o tema. O comandante garantiu melhoria no sistema operacional em dezembro com a

Aquino José

População pode denunciar os suspeitos pelo e-mail 33bmmi@policiamilitar.sp.gov.br

redução de folgas de policiais em Barretos. A estratégia do policiamento já está montada. Ele pediu a colaboração da co-

munidade para fornecer informações sobre criminosos pelo e-mail acima ou pelo Disque Denúncia – 181, localizado em São Paulo. Em ambos os casos, a fonte das denúncias não é revelada. A PM espera também vistoriar 400 motocicletas por dia na região para reduzir o número de furtos e roubos, visto que os assaltantes usam bastante esse tipo de veículo para abordar suas vítimas. O presidente do Sindicato dos Bancários, Marco Antônio Pereira, participou do encon-

tro na Associação Comercial. Ele disse que como representante da sociedade civil organizada vai continuar cobrando dos órgãos públicos – municipais, estaduais e federais –, investimentos em políticas que combatam a criminalidade. Marco Antônio sustentou que a categoria bancária faz a sua parte, negociando com banqueiros as medidas de segurança que visam proteger a vida dos trabalhadores, clientes e usuários. “A colocação de biombos separando caixas,

a instalação de câmaras de segurança nas áreas externas e internas e a redução de tarifas nas transferência nos caixas estão entre as medidas defendidas pelos trabalhadores” – disse. Já o secretário executivo da ACIB, José Carlos Firmino da Silva, destacou a importância do encontro entre empresários e lideranças da cidade com a Polícia Militar e reafirmou que a sociedade precisa contribuir para a melhoria da segurança.


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Ele fugiu de casa e virou o rei do baião

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O início da trajetória que o coroaria rei do baião foi curioso. Apaixonado por uma moça de sua cidade – Exu, no sertão pernambucano –, ele tomou umas doses, apurou a valentia e ameaçou de morte o pai da donzela, que o chamou de “tocadorzinho”. No fim, ele não matou ninguém e levou uma “surra caprichada” dos próprios pais, seu Januário e dona Ana, conhecida como Santana. A surra doeu no corpo e na alma: o garoto, que ia fazer 18 anos, vendeu a sanfona, arribou de casa, alistou-se no Exército e ganhou o mundo. Foi ser artista no Rio de Janeiro. Dia 13 de dezembro, faria 100 anos. Morreu em 1989, aos 76. Nomeado Luiz com z por ter nascido no Dia de Santa Luzia; Gonzaga por causa do sobrenome do são Luís; e Nascimento por vir ao mundo no mesmo mês que Jesus, ele era o segundo de nove filhos. O pai tinha a rotina dura da roça e era famoso na região – o Sertão do Araripe, na divisa do Ceará –

Por Vitor Nuzzi

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Luiz Gonzaga, o Gonzagão, faria 100 anos em dezembro

por tocar e consertar sanfonas. Dona Santana vendia cordas de sisal na feira e era voz marcante nas novenas. Depois da surra e da fuga, Gonzaga voltou para casa já famoso, em meados dos anos 1940. Mas não escapou da bronca; afinal, tinha de respeitar Januário, com quem aprendeu os segredos da sanfona, e isso rendeu Respeita Januário, dele e do médico cearense Humberto Teixeira, parceiro constante, retratado no documentário O Homem Que Engarrafava Nuvens (2009), produzido pela

filha, a atriz Denise Dumont – dessa dupla saíram sucessos como Assum Preto, Qui nem Jiló, No meu Pé de Serra, Asa Branca e Baião, compostas nos anos 1940 e 1950, época de ouro do baião. O ritmo invadiu o país do samba-canção, mas perderia espaço na década seguinte, com o surgimento da bossa nova, até que os tropicalistas resgatassem Luiz Gonzaga. “Ele pôs o Nordeste no mapa da MPB. Não foi o pioneiro, porém o mais completo, consciente e talentoso promotor da

música regional” – escreveu o crítico e pesquisador Tárik de Souza. “Antes dele, não há referência ao forró” – diz o jornalista Assis Ângelo, garimpeiro da cultura popular, com 150 mil itens em seu acervo. Ele enumera: desde 1941, Gonzaga gravou 625 músicas, em 125 discos de 78 RPM, 41 compactos de 33 e 45 RPM e outros quatro, de 12 polegadas. É o autor mais regravado da música brasileira. Assis Ângelo dá mais destaque a Luiz Gonzaga no panteão musical brasileiro do que a Tom Jobim.

Argumenta: “Tom teve o jazz americano como fonte, Gonzaga buscou na própria terra”. A vida brasileira se acha na obra de Gonzagão, a partir do Nordeste. A denúncia vinha em canções como Vozes da Seca, dele e de outro parceiro perene, Zé Dantas: “Seu doutô, os nordestino têm muita gratidão/ Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão/ Mas, doutô, uma esmola/ A um homem qui é são/ Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. E alegria sobrava em pérolas como Lorota Boa: “Dei uma carreira num cabra qui mexeu c’a Maroquinha/ Começou na Mata Grande e acabou na Lagoinha/ Corri mais de sete légua, carregado como eu vinha/ Pois trazia na cabeça um balaio de galinha”. Homem da terra, Gonzagão eternizou o assassinato de seu primo, o boiadeiro Raimundo Jacó, em 1954. Além da composição A Morte do Vaqueiro, ajudou a criar a Missa do Vaqueiro, celebrada a partir de 1971.

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De tocador de tango de Gardel a sanfoneiro do forró

Na zona portuária e de prostituição do Rio, ele começou tocando boleros, tangos, polcas, valsas. Era apaixonado por Carlos Gardel. Até que, provocado por um grupo de estudantes nordestinos que morava em

uma pensão no Rio – entre eles o futuro ministro da ditadura Armando Falcão, aquele do “nada a declarar” –, começou a tocar música de sua terra. A inspiração para usar uma indumentária regional veio do músico gaúcho Pedro Raimundo. “Ele foi o artista do século para o Brasil” – diz a cantora pernambucana Anastácia, a Rainha do Forró. Ela se recorda de Gonzagão como uma pessoa alegre, que fazia gracejos. “Às vezes se fechava no mundo dele, não

sei se lembrava da pobreza que via. Sentia que ele ruminava aquilo, pensando se pudesse mudar.” Anastácia lembra ainda uma temporada de três meses na qual ela e Dominguinhos, seu marido na época e uma das “crias” de Gonzaga, abriam as apresentações em circos e teatros. “Eu cuidava do dinheiro e várias vezes tinha de dar dinheiro a alguém porque ele falava que a pessoa estava precisando” – conta. Mas ele não ajudava alguém que bebesse

– e Assis Ângelo observa que isso vem do trauma da surra que levou dos pais, ainda mocinho. Depois daquilo, nunca mais tomou bebida alcoólica. Gonzaga ajudava quem podia, não só com dinheiro. “Distribuiu mais de 200 sanfonas” – diz Assis Ângelo. “E morreu pobre.” Vindo de São Bento do Una, no Agreste pernambucano, o cantor e compositor Alceu Valença lembra que cresceu ouvindo aboiadores, emboladores, cantadores de

feira, sanfoneiros de oito baixos, enfim, convivendo com gente que ajudou Gonzagão a formatar seu estilo. Segundo Alceu, nota-se na origem da obra de Luiz Gonzaga a presença de gêneros como a polca, a valsa e a mazurca. “Seu estilo foi apurado a partir de diversas manifestações artísticas do Agreste e do Sertão”. Alceu sabe que quando compõe um rock ou um blues, ele está dando a sua leitura para um estilo de música americano. “É como ir a um restau-


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Um baita filme

o menino ainda era pequeno. Os padrinhos, Dina e Xavier, ficaram com Luizinho, como ele era chamado. Diferentes fisicamente, no pensamento e na personalidade, Gonzagão e Gonzaguinha tiveram convivência difícil. Mas superaram barreiras e conseguiram se aproximar a ponto, inclusive, de fazer um show juntos, entre 1980 e 1981, A Vida do Viajante. O filho conheceu a dimensão da obra do pai, e o pai soube respeitar o trabalho do filho, que morreu em um acidente em 1991, menos de dois anos depois de Gonzagão. Eram artistas da estrada.

rante japonês. Mesmo que o sushiman seja cearense, ninguém diz que a comida é nordestina. Com música é a mesma coisa” – acrescenta ele, que lamenta quando um artista brasileiro troca a grandeza da nossa identidade cultural pela música de mercado. Essa reflexão, aliás, surgiu de um pedido feito a ele pelo próprio Gonzagão, para não deixar o “forrozinho” morrer.

“Outro dia, num aeroporto, um rapaz se aproximou e disse que era cantor e compositor. Ele disse: ‘Faço rap, porque parece com a embolada’. Daí eu indaguei: ‘Então, por que não faz logo embolada?’.” Alceu acha, com isso, que o Brasil precisa recuperar sua trilha sonora, “ser mais culto e menos cult” – diz ele que, em 1983, gravou com Gonzagão a música Plano Piloto, em homenagem a Brasília.

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No final deste ano de centenário foi lançado o filme longa-metragem Gonzaga – de Pai pra Filho, de Breno Silveira, o mesmo diretor de Dois Filhos de Francisco (2005). Baseado no livro Gonzaguinha e Gonzagão – Uma História Brasileira, de Regina Echeverria, o filme mostra histórias de pai e filho, a relação muitas vezes conflituosa e o reencontro, inclusive musical, no final da vida. Gonzaguinha nasceu em 1945. Não foi criado pelos pais. O pai artista tinha rotina de viajante e a mãe, Odaleia, contraiu tuberculose – morreu quando

No norte do Estado, a 618 quilômetros de Recife, Exu tem 32 mil habitantes, divididos de forma quase igual entre as áreas urbana e rural. Durante anos, conviveu com guerra entre as famílias Alencar, Sampaio e Saraiva. O exuense Luiz Gonzaga se esforçou para pacificar sua terra, apelando até para o governo federal. E ajudou a levar melhorias à cidade, que foi recebendo luz, energia, telefone e até uma agência do Banco do Brasil. “Tive de convencer o gerente de que ele não seria morto na primeira semana” – disse ele em depoimento para o livro de Regina Eche-

verria. Em Exu fica o Parque Aza Branca (com “z” mesmo) e o Museu Luiz Gonzaga, na sua antiga fazenda. A música mais conhecida do sanfoneiro

era também a preferida dele, junto com A Triste Partida, do poeta Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré.

Universos que se tocam Daniel Gonzaga, 37 anos, filho de Gonzaguinha, segue a linha musical iniciada por “seu” Januário há mais de um século – o pai falava da liberdade, do povo, do desejo de mudança. O avô, certo dia, feliz de vê-lo em cima de um cavalo, em Exu, foi buscar um chapéu e o chamou de boiadeiro. “São dois universos complementares: o urbano e o rural, o político e o ingênuo. São dois universos que se descobriram e se tocam no fim. Uma mistura fantástica.” Gonzagão e Gonzaguinha, pessoas e artistas tão diferentes. Que lembranças eles trazem? Eles compõem seu xote relativo (título de uma canção de Daniel)? A definição já é fator de limite. Como se traduz uma personalidade? Pela força de seus atos? Quais atos? Acho

wilton montenegro/divulgação

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A terra e a guerra

que trabalhar com arte e sobreviver, seja em 1950, 1980 ou 2012, é coisa de gênio. São pai e filho, né? Se anulam e se completam. Meu avô gostava do povo, meu pai também. Meu xote relativo vem, sim, disso tudo e de outros fatores que me colocam na mesma linha de frente, diferente e igual. Soma e divisão.

Que canções você acha que melhor representam Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga Jr.? Acho que Asa Branca e O Que É o Que É representam um momento deles. E são emblemáticas de cada um. Pelo que você acompanhou, pai e filho conseguiram uma reconciliação plena? Sim. Meu avô no final da vida morava com meu pai, em Belo Horizonte. Meu pai ajudava nas festas de fim de ano em Exu e meu avô sabia muito mais da gente do que jamais soubera. O filme recém-lançado é fiel à história? Achei o filme bem fiel, sim. Minha reação foi bem doida, porque não dava pra saber se era filme ou a própria vida se desenrolando novamente. Uma emoção muito única.


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Privatização da saúde prejudica usuários, diz médico “A sociedade capitalista causa sofrimento e adoece as pessoas. Quem mais sofre são os pobres. Não é por acaso que a saúde é um dos principais motores da economia mundial.” A afirmação é do médico de família de Campinas Francisco Mogadouro da Cunha, o Chicão, que participou do Seminário sobre Política Pública e Direito à Saúde, em Barretos, no dia 1º de dezembro, com representantes de dez cidades paulistas. O médico lembrou que antes da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), no governo Collor, o atendimento era excludente. “O INAMPS prestava assistência médica somente a

Aquino José

A prática da terceirização dos serviços é a face mais visível de um sistema ruim e injusto

quem contribuía e a filantropia atendia aos miseráveis e indigentes. E o Ministério da Saúde realizava apenas ações preventivas, como campanhas e vacinação.” Ele ressaltou também que, segundo a Constituição Fe-

deral, é dever do Estado garantir, mediante políticas sociais e econômicas, medidas que visem reduzir o risco da doença. Também está garantido ao usuário o acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde. No

entanto, ele salientou que existem algumas contradições no atual sistema: “a universalidade e integralidade convivem com a participação complementar do setor privado; a saúde é um dever do Estado, mas também é um mercado livre à iniciativa privada”. No contexto político, houve avanços inegáveis com a promulgação da Lei Orgânica do SUS. O acesso ao serviço foi ampliado e boa parte dos que eram excluídos hoje utilizam o sistema previdenciário. Foram implantadas algumas políticas de excelência que são exemplo para o mundo todo, como o combate à Aids, as campanhas de vacinação e

os transplantes. “A Saúde é o setor pioneiro em realização de Conselhos e Conferências” – lembrou o médico. Chicão questionou alguns pontos do financiamento para o setor e o serviço que oscila entre o atendimento integral e a “cesta básica”. E condenou as privatizações na área, com a prática da precarização e terceirização das relações de trabalho, que aumenta a exploração dos trabalhadores. Por fim, ele criticou a falta de transparência, que favorece desvios e corrupção, e o atendimento prioritário que se dá às metas econômico-financeiras ao invés do atendimento às necessidades de saúde.

Aquino José

É preciso compromisso para combater a doença “É preciso compromisso político com a justiça social e respeito às pessoas em suas diversas singularidades e valores para combater a Aids” – disse Carlos Roberto de Oliveira, do Grupo Vida Viver é Preciso, no dia 1º de dezembro, data mundial de combate à doença. Ele sustentou que é preciso que as desigualdades sociais e

de gênero sejam minimizadas, caso contrário, continuará a disseminação da infecção pelo HIV e da Aids. O resultado disso será o fortalecimento do vírus, do preconceito e da discriminação social e econômica. Lutar contra a Aids é se posicionar contra a injustiça, a pobreza, a miséria e todas as formas de preconceito e dis-

criminação. Carlos Roberto Oliveira revelou que dados acumulados em Barretos de 2007 a outubro de 2012 apontam 258 casos da doença em homens e 225 casos em mulheres. Na região, no mesmo período, foram registrados 862 casos, dos quais 502 em homens e 360 em mulheres.


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FUTEBOL

BEC estreia contra Rio Preto na série A 3 do Paulista Em menos de três meses, equipe vai enfrentar dezenove adversários do interior

Jogos do Touro do Vale

Aquino José

A Federação Paulista de Futebol divulgou a tabela da Série A 3 do Campeonato de 2013, que começa no dia 27 de janeiro. O Touro do Vale estreia no Estádio Antônio Gomes Martins, o Fortaleza, diante do Rio Preto Futebol Clube, comandado pelo treinador Sérgio Caetano, que dirigiu o BEC, na Copa Paulista. A Comissão Técnica já trabalha na preparação da equipe que vai disputar o campeonato. A equipe é formada por: técnico, Geime Rotta; auxiliar técnico, Simão; preparador físico, Ivan Kanela; preparador de goleiros, Wilson Roberto; e massagista, Osvaldo.

Embora considere o campeonato difícil, Rotta diz que pretende trabalhar muito para classificar a equipe entre as oito melhores agremiações da competição e levar o time à Série A 2. O técnico

revela que não é retranqueiro e quer o time buscando sempre a vitória. Embora tenha vindo do Paraná, ele afirma que pretende utilizar principalmente jogadores do futebol paulista.

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Barretos x Rio Preto Palmeiras B x Barretos América x Barretos Barretos x Taubaté Guaçuano x Barretos Barretos x Joseense Itapirense x Barretos Barretos x Grêmio Novorizontino União São João x Barretos Francana x Barretos Barretos x Independente Barretos x São Vicente Marília x Barretos Votuporanguense x Barretos Barretos x Flamengo de Guarulhos Barretos x Sertãozinho Batatais x Barretos Barretos x Inter de Limeira São Bento x Barretos

várzea

Campeões da Liga na temporada 2012 Série B 1: Mutirão Gomes ganha no tapetão A Comissão Disciplinar da Liga Barretense de Futebol proclamou o Mutirão Gomes campeão da Série B 1 do Campeonato Varzeano. O julgamento ocorreu em virtude de a partida decisiva contra o Inter-Marília ter se encerrado ainda no primeiro tempo, quando o Mutirão Gomes vencia seu adversário por 1 a 0. No relatório do árbitro José Bispo dos Santos, ele justificou o fim do jogo por “falta de segurança”, em virtude do tumulto provocado por atletas e torcedores do time visitante. A arbitragem deixou o campo do Rochão, na manhã do dia 25 de novembro, protegida pela Polícia Militar. A confusão repercutiu negativamente nos meios esportivos. Os dois times estão classificados para disputar a Série A, em 2013. Com 30 gols marcados, Danigol, do Mutirão Gomes, foi o artilheiro do campeonato.

Série B 2: Villaço, o melhor time Aquino José

Série A: Camarões, o coringão da várzea A equipe mais popular da várzea, o Camarões, é a campeã da série de elite do futebol varzeano. Na decisão do campeonato, o time empatou com a Associação Desportiva da Polícia Militar, em 4 a 4, no campo do Frigorífico, dia 2 de dezembro – outro empate, 1 a 1, aconteceu no primeiro jogo entre as equipes. Para resolver o impasse de igualdade, o título foi decidido nos pênaltis. Os “Leões Indomáveis” venceram então por 3 a 1 gol e ficaram com o título de 2012. Jogadores e torcida comemoraram bastante a conquista. Nos 25 jogos da competição, o Camarões obteve 18 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. Marcou 83 gols e sofreu 28. Já a vice-campeã, ADPM, somou 20 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Marcou 119 gols, sofreu 24, mas teve o artilheiro, Alex Leite, 37 gols, e o melhor goleiro do campeonato, Flavinho.

Aquino José

Aquino José

As três séries dos campeonatos varzeanos de Barretos terminam com muita emoção

O Villaço é o melhor time da Série B 2 da várzea, na temporada 2012. Na partida final, disputada em 25 de novembro, no Rochão, o time ficou com o título de campeão ao derrotar por 3 a 1 o Unidos do Barretos II. Nos 22 jogos disputados, o Villaço conseguiu 16 vitórias, 5 empates e sofreu uma derrota. O ataque marcou 84 gols e a defesa sofreu 24 tentos. O artilheiro foi Adelson, do Unidos do Barretos II, com 22 gols marcados.


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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato. e n q u t r i c i o n a l

a v o c a d a

p e n i x o a u r n o l e o l a n o t o a a d c a b

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a d t e a v e i r o r a i n c i a

Palavras cruzadas

e i r r e m a a n o i e m n d a i d a c o c a r g o

s a o a m e i g a r

Respostas

Horizontal – 1. Instrumento usado para criar texturas em paredes 2. Dom, personagem de Miguel de Cervantes; Banda de rock norte-americana, extinta em 2011 3. Pessoa perita em certo assunto; Mulher que deu à luz 4. Associação de Recursos Naturais; Nome da letra V; O mesmo que anum 5. Que fabrica instrumentos de corda; Conhecido site 6. Ocidental; Cheiro agradável; Ave corredora parecida com o avestruz 7. Cor azul-esverdeado; Caminhar, ir 8. Espécie de macaco americano; Em, em inglês; Componente da psique 9. Ácido desoxirribonucleico; Fragmentos de vidros quebrados 10. Associação Acadêmica de Direito; Habitante do litoral que vive da pesca 11. Laboratório (abrev.); Extensão de água cercada de terra. Vertical – 1. Escola de Química; Pessoa que atribui a si própria uma tarefa 2. Relativo à nutrição 3. Certo instrumento de cordas; Amarrada 4. Mensageiro que leva oferendas aos orixás; Deus da agricultura e da fertilidade, na mitologia havaiana 5. Tampouco, em inglês; Cada argola de uma corrente; Acre 6. Adorno, enfeite; Alagoas 7. Preposição que também indica motivo ou causa; Condição ou hábito de errante 8. Atlético Clube Goianiense 9. Mulher que participa de congregação ou grupo religioso; Publicação de uma obra (livro, revista, etc.) 10. Restitui o ânimo 11. Tratar com meiguice; Que goza de saúde física e mental.

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