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Distrib

limeira

Jornal Regional de Limeira

Gratuuiição ta

nº 9

saúde

Setembro de 2011

aniversário

promessas vazias Tucanos tentaram enganar o povo na eleição. Depois, viraram as costas e se foram

ra-tim-bum! Meiga e buliçosa, Limeira completa 185 anos de fundação

Pág. 2

compras

Um lugar nosso Obra de um shopping popular deverá ficar pronta em outubro

Pág. 3

basquetebol literatura

Fernando Morais lança novo livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria conta a saga de cinco heróis cubanos presos nos EUA

winner da gente

Pág. 4–5

Pág. 7

A história do time da cidade que está entre os grandes do Brasil


2 aniversário

Limeira faz 185 anos. Parabéns

Os tucanos mais uma vez se mostraram bons de bico. Suas expectativas não foram satisfeitas e eles deram uma banana para a população. Veja-se o horripilante caso da saúde de que o povo de Limeira e região é vítima atualmente. Candidato a presidente, o ex-governador José Serra prometia eficiência e rapidez na saúde, atendimento com hora marcada, exames no mesmo dia com equipamentos de última geração e profissionais qualificados. Tudo isso estaria sintetizado no AME – Ambulatório Médico de Especialidades –, cujas unidades, recém-inauguradas, ofereceriam aos médicos condições de diagnosticar os pacientes com segurança. Palavras vãs, promessas vazias. Leia a reportagem de capa desta edição e saiba o porquê. Agora, vamos às boas-novas. Limeira faz anos. Então, parabéns pra nós que construimos a cidade. Parabéns, também, ao nosso time de basquete que, em poucos anos, já figura entre as principais equipes do país. Parabéns ao jornalista Fernando Morais, que outra vez nos brinda com um livro surpreendente e empolgante. Por fim, parabéns pra nós mesmos. Afinal, o jornal Brasil Atual foi elogiadíssimo por sua edição anterior, que falou muito bem da festa do peão de Limeira, mas não se furtou de contar os maus-tratos a que estão submetidos os animais.

vale o que vier Me agradou muito a matéria do JBA 08 sobre os maus-tratos aos animais na festa do rodeio. Não sou contra a festa propriamente dita, mas sou contra o rodeio. Não existe necessidade de tantos maus-tratos para a diversão. Basta ter os shows com os cantores, que é o que Limeira precisa. Silvio Luciano – Limeira-SP

A história correu. Os senhores de engenho de Piracicaba, Itu, Porto Feliz logo perceberam que as terras virgens onde nascera a tal limeira eram pra lá de férteis. E trataram de se mudar – no censo

de 1822, na região da limeira havia 950 pessoas livres (sesmeiros, senhores de engenho, sitiantes, posseiros) e 546 escravos. Mas os caminhos que saíam dessas terras eram precários. Um grupo de fazendeiros, então, pediu a construção de uma estrada para facilitar o escoamento da produção da região. Inaugurada em  1826, surgiu à beira dessa estrada, num local conhecido como das limeiras, a freguesia de Nossa Senhora das Dores do Tatuibi. E Limeira surgiu. Contando ninguém acredita!

Em campanha

Bancários vão à luta Começa a discussão do acordo coletivo A data base para as negociações é 1º de setembro. Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de Limeira, Dalva Radeschi, “as exigências se distribuem em quatro eixos: remuneração e emprego, segurança bancária, saúde e condições de trabalho e sistema financeiro. Dentre as reivindicações estão a reposição da inflação, 5% de aumento real, ampliação do horário de atendimento (9 h a 17 h) com dois turnos de trabalho, contratação de mais funcionários, fim das metas abusivas e do assédio moral e aumento do piso.

Quanto à possibilidade de greve, o Comando Nacional dos Bancários informa que “é sonho da categoria não fazer greve e garantir o acordo coletivo nacional da forma mais

fácil possível. Contudo, caso as negociações não avancem, há a possibilidade de paralisação”. E, pelo andar da carrua-gem, tudo levar a crer que os bancários entrem em greve.

Que classe, que categoria! Dia 27, o Sindicato dos Bancários de Limeira fez festa para comemorar o dia do bancário. Teve almoço na Chácara Estrela da Manhã, com a Banda Trio Patinhas e a cantora Loraine, que interpretaram de MPB a rock para 200 bancários e seus familiares. Foi uma bela tarde de sol, com descontração e alegria – prazer, aliás, que nenhum banco proporciona aos funcionários.

ana lucia ramos

editorial

Ela surgiu matreira. Veja-se, por exemplo, a sua origem. A lenda conta que, em 1781, uma caravana se dirigia aos sertões de Araraquara e, de passagem por aqui, resolveu acampar às margens do córrego Bexiga – onde fica o Mercado Modelo. Para curar males de viagem e prevenir febres, frei João das Mercês trazia consigo um punhado de limas. Mas naquela noite, ele sentiu-se mal e morreu. Acabou sepultado ali mesmo com suas limas. De suas limas nasceu uma limeira.

ana lucia ramos

Olhando bem, ninguém lhe dá a idade que tem

Expediente Rede Brasil Atual – Limeira Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Ana Lucia Ramos, Dalva Radeschi, Ivanice Santos, Leonardo Brito, Tracy Ellen Caetano e William da Silva Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (19) 9708-0104 / (11) 3241-0008 Tiragem: 15 mil exemplares Distribuição Gratuita


3 Orçamento 2012

Compras

Audiências públicas Shopping popular, nova opção Inauguração está prevista para o mês que vem

A partir do dia 19, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa de São Paulo, presidida pelo deputado Mauro Bragato (PSDB), vai realizar 18 audiências públicas, distribuídas nas regiões administrativas e metropolitanas do Estado, para debater o Orçamento Estadual de 2012. A primeira audiência será em Presidente Prudente; a última, em São Paulo – Limeira participa no dia 7 de outubro, na cidade de Rio Claro. O objetivo é recolher propostas que representem as necessidades reais dos cidadãos paulistas – as pessoas indicam quais setores de sua região precisam mais de investimentos e con-

Limeira ganhará em outubro um shopping popular que ficará próximo ao novo terminal urbano, no antigo prédio da Máquinas São Paulo, uma das primeiras aquisições do prefeito Sílvio Félix, no primeiro mandato, em 2006. As obras estão estimadas em R$ 7,6 milhões. A mudança de local, no entanto, não agradou aos camelôs que estão há 15 anos na Praça do Museu, no Centro da cidade, no ponto final dos ônibus, onde transita muita gente e há garantia de venda. “Daqui a dois meses tudo se tornará restrito. Será que os clientes terão tempo de andar pelas barracas?” – questiona Antônio Luís Santos, 45 anos, representante dos camelôs.

tribuem para que o dinheiro público seja investido onde é mais necessário. A peça orçamentária será encaminhada pelo Executivo à Assembleia Legislativa até o dia 30 de setembro. Ela trata da receita e da despesa do Estado, fixando investimentos e custeios a serem feitos com recursos da arrecadação de impostos e demais aportes, como subsídios da União. As audiências são um espaço para a população apresentar sugestões sobre a aplicação dos recursos estaduais. Compareça às audiências agendadas e participe dos debates, enviando, a qualquer hora, sugestões eletrônicas.

ana lucia ramos

População precisa participar do debate

Local do novo shopping popular na Máquinas São Paulo

Os ambulantes se queixam de que ninguém da prefeitura conversou com eles, que souberam da mudança pelos jornais. “Quantas vezes chegamos lá e nos falaram que não sabiam de nada. Nosso medo é que, quando chegar outubro, eles resolvam nos tirar daqui às pressas. Quem vai bancar

nosso prejuízo?” – desabafa Antônio. O jornal Brasil Atual buscou a informação, por quatro vezes, na prefeitura. Em nenhum dos contatos souberam responder sobre o shopping popular e a situação dos camelôs. Até o fechamento da matéria, a assessoria de imprensa da prefeitura não se manifestou.

O sindicato pede

Marcas do desenvolvimento

O Sindicato dos Bancários de Limeira, por intermédio da presidenta, Dalva Radeschi, e da secretária-geral, Ana Lúcia Ramos Pinto, encaminhou à Assembleia Legislativa as seguintes propostas de Limeira e região para o Orçamento: Descentralização do orçamento do Estado de São Paulo; Programa de habitação social; Investimento na saúde: não à privatização e fortalecimento do SUS, com destinação de verbas do Estado que garantam a assistência de média e alta complexidade e especialidades. Gratuidade nos remédios de médio e alto custo; Iluminação e construção de passarela e rotatória no Km 1 da SP-151 – Limeira-Iracemápolis; Construção de passarela no Km 137,5 da Rodovia Anhanguera; Investimento na educação para garantir qualidade. Escolas e creches em horário integral; Implantação da Faculdade de Tecnologia de São Paulo Fatec – em Limeira; Implantação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – Cerest; Implantação do Poupatempo; Mais investimento para fortalecer a Reforma Agrária; Verbas especiais para a realização de conferências estaduais em todas as áreas.

O prédio restaurado para abrigar o Shopping Popular, da antiga Máquinas São Paulo, faz parte da história do desenvolvimento industrial de Limeira – entre 1907 e 1922 surgiam as primeiras indústrias mo-

dernas da cidade, embriões de outras em seus segmentos. Foram fundadas a Indústria de Chapéus Prada (1907), a Phosphoros Radium, a fábrica de pregos do grupo Levy (1912), a Indústria Machina São Paulo (1914), a fábri-

ca de calçados Buzolim (1915), a Café Kühl (1920) e a indústria de papel Santa Cruz (1922), atual Ripasa S.A, que, no começo deste ano, sofreu com as chuvas, desabou e passa por restauração.

anuncie Aqui! 3241–0008 E-mail: jornalba@redebrasilatual.com.br Telefone: (11)

Rede

Uma nova comunicação para um

novo brasil


4 literatura

Os Últimos Soldados da Guerra Fria Livro de Fernando Morais relata a saga de cinco heróis cubanos presos há 13 anos nos EUA

Por Paulo Donizetti de Souza

cubanas a atentados a bomba em hotéis. As reclamações diplomaticamente dirigidas ao governo americano eram ignoradas.

Como surgiu o livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria? Eu estava num táxi com a minha mulher quando ouvi no rádio que agentes da inteligência cubana tinham sido presos havia algumas horas. Originalmente eram 14, quatro escaparam. Cinco traíram, fizeram delação premiada, estão em algum lugar do mundo, com nome falso. E cinco não aceitaram fazer acordo, disseram: “Não somos espiões, nunca quisemos nem queremos tocar num único documento norte-americano, viemos aqui para nos infiltrar em organizações de extrema direita que estavam colocando bombas

em Cuba, sobretudo na indústria turística”. Quando ouvi essa história no rádio, comentei com a minha mulher: “Pô, isso aí dá um livro”. Na primeira oportunidade que tive de ir a Cuba, comentei com amigos lá da direção do partido: “Eu quero fazer essa história”. Eles diziam que isso podia comprometer a segurança pessoal de muita gente, que era segredo de Estado, e toda vez que voltava a Cuba eu insistia. Em 2005, fui a Havana para a bienal do livro. Na véspera de eu voltar para o Brasil, toca o meu celular. Era o Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional. Eu estava

jantando no Floridita, e ele foi até lá: “Ainda está interessado na história dos cinco?” Em 2008, comecei a falar com familiares, ouvi gente envolvida com eles, governo, inteligência, militares. Ao longo desses três anos pude entrevistar alguns dos presos, porque eles estão em cinco prisões de segurança máxima, cada uma em um Estado, com regimentos diferentes. Algumas permitiam que eu falasse por internet, outras não. Nas que não permitiam, eu chegava por meio da família, que tinha uma cota de telefonemas mensal; mandava perguntas pelas mulheres, filhos e tal.

Distante apenas 160 km do maior império militar do mundo, restava ao governo cubano, para defender-se, a inteligência. Os agentes da Rede Vespa, disfarçados em profissões inusitadas como instrutor de salsa em Key West ou personal trainer de milionários de Miami, protegeram seu país de centenas dessas operações. Em 1998, uma ofensiva do FBI levou à captura dos agentes. Quatro escaparam. Outros cinco negociaram a liberdade em troca de informações. Restaram René e seus companheiros Fernando González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Gerardo Hernán, ainda hoje encarcerados em diferentes presídios de segurança máxima, condenados pela Justiça americana a penas de 15 anos a prisão perpétua.

Habituado a grandes reportagens, o jornalista e escritor Fernando Morais foi atrás da história. O autor de A Ilha (1976, atualizado em 2001) e das biografias de Olga Benário Prestes, Assis Chateaubriand e Paulo Coelho (traduzido em mais de 40 países) conhece o caminho das pedras e dá a suas histórias narrativas cinematográficas. Antes mesmo de ser escrito, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, lançado em agosto, teve seus direitos vendidos para cinema. Trata-se, segundo o autor, de uma história eletrizante como um romance policial. Pena que, a exemplo dos 50 anos de agressões norteamericanas a Cuba, nenhuma de suas 350 páginas tenha uma linha sequer de ficção. É tudo verdade.

Ao longo desses três anos pude entrevistar alguns dos presos, que estão em cinco prisões de segurança máxima

Pouca gente em Cuba sabia dessa missão? Ninguém! Só o altíssimo escalão, Fidel, Raúl Castro e mais dois ou três dirigentes do partido. Os caras saem de Cuba como traidores, como desertores, gente que roubou avião... Teve um deles que arrancou com o avião de lá e pousou quase em pane seca em Miami. As mulheres não sabiam, os filhos não sabiam, não podiam saber. Era uma coisa dolorosa, porque a mulher era apontada na rua como a mulher do gusano (traidor). Haja frieza. Tem coisas muito interessan-

jailton garcia

do turismo, base da economia da Ilha depois da derrocada da União Soviética. As ações incluíam de rajadas de metralhadoras contra turistas em praias

jailton garcia

O agente René Gonzáles foi o primeiro a entrar na Flórida, em 1990. Saiu de Havana simulando ser um traidor da revolução cooptado pelo sonho americano. Nos dois anos seguintes, seria seguido por outros 13 companheiros, entre eles duas mulheres. A Rede Vespa, como foi batizada, estava pronta e tinha a missão de infiltrar-se nas organizações de direita, que jamais digeriram a revolução de 1959. Com apoio de empresários e políticos norte-americanos, essas organizações contratavam mercenários para sabotagens como lançar pragas contra as lavouras e interferir nas comunicações do aeroporto de Havana. No início dos anos 1990, passaram a privilegiar o terror à indústria


Mercenários eram contratados em Miami para botar bomba em hotel, em avião, em agência de turismo cubana Quem contratava mercenários? Era gente da extrema direita cubana, que começou a se exilar, gente que perdeu banco, usina, indústria, e fica em Miami financiando o terror contra Cuba. En-

tão, esses mercenários recebiam em média US$ 1.500 por bomba. Tem um deles preso em Cuba. Foi condenado à morte por fuzilamento e teve a pena comutada para 30 anos de prisão. Esses mercenários têm valor para os americanos... Claro... Tem um americano lá, Allan Gross, que foi a Cuba duas vezes. Na primeira conseguiu botar bomba e escapar, e na segunda foi preso, a partir de informações mandadas pelos cinco. Ia colocar cinco ou seis bombas por US$ 7.500. Eu fui falar com ele. É uma história de dar calafrio. E, com relação ao pedido de Carter a Obama, alguma expectativa? Eu não sei. O Obama não pode desagradar a bancada anticastrista, ele depende de maioria no Congresso, como todo mundo. Eu tenho esperança de que o Obama possa indultá-los não neste mandato, mas se for reeleito. Se indultar agora, a dificuldade de se reeleger vai ser grande, por isso e pela soma dos problemas que está vivendo. Você vê perspectiva de abertura do regime cubano? Você não pode ver Cuba como vê um país qualquer, não se pode discutir a realidade cubana sem considerar o bloqueio. Por exemplo, um navio japonês que aporte em Cuba – porque o país comprou dez tomógrafos da Toshiba, no Japão –, assim que atraca num porto cubano, ficará não sei quantos meses sem poder atracar em portos norte-americanos. Eles multam empresas pelo mundo. A expressão que usam não é “comercializar”, é “traficar” com Cuba. São 50 anos de agressões. Nenhum outro país na história foi vítima da agressão norte-americana durante tanto tempo em todos os sentidos, militar, político, econômico, diplomático.

Esta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua em todo o mundo. Nenhuma delas é cubana O regime mantido há 50 anos não ficou um tanto decrépito? O Raúl Castro já fez alguns acenos de abertura. É evidente que eles radicalizaram muito quando a revolução triunfou. Pô, estatizaram até quiosques de batata frita. Aí você tem de criar um ministério com um bando de burocratas para administrar quiosques de batata frita. Não é papel do Estado... Aparar a barba, cortar o cabelo? Barbeiro do Estado. É evidente que assim você desenvolve um dinossauro burocrático, e os cubanos percebem isso. O bloqueio justifica o regime tão fechado? Muita gente me pergunta por que sou solidário à Revolução Cubana até hoje se é um regime que tem tantas mazelas. Eu costumo responder o seguinte: tem um outdoor em Cuba que diz “Esta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua em todo o mundo. Nenhuma delas é cubana”. Que país pode fazer isso? A França? Imagina! No inverno, você vê imigrantes dormindo embaixo das pontes. No Japão? Eu fui ao Japão duas vezes para fazer o Corações Sujos, e você vê velhinhos morando em caixas de papelão na

rua, pedindo dinheiro. Em Nova York tem miseráveis. Falo de países do primeiríssimo mundo. Em Cuba você não vê ninguém descalço, banguela. É por isso que sou solidário. Você pode dizer que a liberdade é um valor universal. Tudo bem, mas eles transformaram um bordel norteamericano em um país civilizado, um país exemplar. Pode abrir, ter liberdade de expressão, de organização, partidária? Eu acho que, enquanto houver bloqueio e os Estados Unidos forem inimigos tão agressivos da Revolução Cubana, é difícil. O bloqueio é questão de honra, ou pirraça? É loucura! Cuba tem o PIB da Daslu, uma economia de nada, e é um país de 10 milhões de habitantes. A maior potência bélica, econômica e militar do planeta está ali, a 160 quilômetros de distância. É a distância de São Paulo a Piracicaba, do Rio de Janeiro a Juiz de Fora. O Fidel mandou para o Bill Clinton um contêiner do tamanho desta mesa com fitas de vídeo, áudios, grampos, dossiês dizendo quem eram os caras que estavam em Miami financiando o terrorismo. Por que não prenderam? Podem dizer o que quiserem, que sou dinossauro, não me importo. Uma das poucas coisas boas que eu conquistei na vida foi a minha independência.

divulgação

rack Obama indulte a pena deles e os coloque em liberdade. O processo judicial tem um erro atrás do outro. Primeiro, o fato de eles terem sido julgados em Miami, cidade anticubana. É a crônica da condenação anunciada. Conversei com muita gente em off que me deu dicas de onde procurar documentos. Folheei 30.000 páginas de material que eles mandaram para Havana, selecionei 6.000 folhas de papel para trazer e trabalhar em cima. O FBI já estava de olho neles três anos antes de prendê-los. Entrou em todas as casas clandestinamente e todos os dias copiava tudo que eles estavam mandando para Cuba. E esse material eu peguei todo. Tive acesso a grampo telefônico, filmagem de gente preparando atentado, transcrição de conversa de mercenários. Abundância de material secreto.

jailton garcia

tes. Um deles era comandante de uma coluna de tanques na África, durante a Guerra de Angola, um sujeito com formação em Engenharia Aeronáutica na Ucrânia, na União Soviética, que foi dar aula de salsa para os gays em Key West. Outro era comandante de MIG, de caça-bombardeiro, tinha longa experiência em combates, e foi trabalhar como personal trainer, fazer ginástica com milionários de Miami. Outro, o Gerardo, chefe do grupo, vendia charges para jornal em Miami. Todos moravam em quitinete, alguns tinham carro, nenhum tinha celular, que começava a aparecer. O primeiro, o René, vai para lá em 1990, depois vão os outros. Em 1992, a chamada Rede Vespa estava montada. E a ação deles nos EUA conseguiu evitar... Conseguiu evitar centenas de atentados e permitiu a prisão de vários mercenários, alguns dos quais eu pude entrevistar. Mercenários estrangeiros que eram contratados pelo pessoal de Miami para botar bomba em hotel, em avião, agência de turismo cubana. O turismo estava salvando a revolução, então era o que tinham de destruir. É uma história muito dramática e ao mesmo tempo eletrizante, você lê como quem lê um romance policial. Tem uma correspondência secreta entre o Fidel e o Bill Clinton, com informações que os cinco mandaram de Miami para Havana, e o pombo-correio entre o Fidel e o Clinton era o Gabriel García Márquez. (O objetivo era alertar o governo americano para que impedisse os atentados.) Há quem defenda afrouxar a pena? O ex-presidente Jimmy Carter declarou que espera que o Ba-

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6 saúde

O AME das promessas eleitorais e o AME de cada dia

Ambulatório de Especialidades, outro embuste estadual?

Pacientes de Limeira e região que dependem dos serviços médicos do Ambulatório de Especialidades (AME) estão na pior: o governador Geraldo Alckmin cortou a verba para os exames de média e alta complexidade – o mesmo governo que, durante a campanha eleitoral para a presidência, veio ao município mostrar as “maravilhas” do Ambulatório – e cancelou o convênio com a Santa Casa de Misericórdia, que também encaminhava pacientes para os mesmos exames. Além de Limeira, doentes de cidades vizinhas são prejudicados – Cordeirópolis, Engenheiro

Coelho, Iracemápolis, Araras e Conchal –, pois ficam sem os exames que auxiliam num tratamento completo. Quando o AME foi inaugurado, em 2010, o então governador José Serra garantiu que a sua manutenção ficaria por conta de uma parceria entre o Estado e o município. Mas, em seguida, o governo do Estado cortou a verba do repasse anual – de R$ 9 milhões para R$ 7 milhões. Para o diretor do AME de Limeira, Marcelo de Carvalho Ramos, a situação do atendimento no ambulatório ainda é normal, mas o coração da unidade está comprometido. “No

Srs políticos: resolvam o caso O AME é importante no diagnóstico do paciente. Na unidade, ele passa por exames e, se necessário, é encaminhado para tratamento de saúde. Sem os exames, porém, muitos ficam com diagnóstico incompleto e o tratamento pela metade.

Entre os exames que deixam de ser feitos estão a tomografia computadorizada, a ressonância magnética nuclear, o cateterismo e outros da medicina nuclear. Havia, em junho, 800 pacientes – 600 de Limeira e 200 de outras cidades – que estão sendo encaminhados aos

AMEs dos bairros do Mandaqui e Heliópolis, em São Paulo. Também em junho, o Conselho Municipal de Saúde aprovou ofício, endereçado a vereadores, deputados e ao governador apelando para a situação ser resolvida. Até hoje, nada.

Desamparo total Regiane Pascoto, 41 anos, filha do aposentado José Pascoto, de 70, contou que levou o pai muito mal, quase sem conseguir respirar, ao AME. “Imploramos à atendente para chamar um médico, pois o caso era grave, mas ela negou o atendimento” – conta. Desesperada, Regiane arrecadou R$ 150,00 com irmãos e vizinhos para custear a consulta e evitar a morte do pai. “O médico o internou.” Depois, ao procurar uma resposta de por que um exame dele, de tomografia computadorizada da coluna cervical, havia sido cancelado, não foi atendida nem pela assistente social do ambulatório. Regiane conse-

ana lucia ramos

geral estamos bem, mas o que preocupa é a falta de informação se voltaremos a fazer os exames de alta e média complexidade. Muitos pacientes da região de Limeira esperam esse atendimento” – diz ele. Para Gérson Hansen Martins, secretário de Saúde de Limeira, os pacientes que o AME deixa de atender não são responsabilidade do município. “Não temos pernas para realizar esses exames” – diz ele. E acrescenta: “os casos mais graves nós assumimos, mas o ambulatório é de responsabilidade do Estado e os pacientes precisam de uma resposta satisfatória de como será agora”. Hansen afirma que o ambulatório foi construído e mantido na campanha eleitoral sem um estudo certo do que o município precisava. “Enquanto havia campanha tudo era mantido em perfeita ordem, mas a campanha acabou, o convênio foi cortado, e não há como a gente assumir essa demanda” – explica. O secretário conclui que o mais grave é o governo não assumir o corte do convênio com a Santa Casa. “Sabemos 'de boca', pois nenhum documento oficial informa.”

José: abandonado pelo AME

guiu, afinal, que o pai fosse atendido pela Secretaria de Saúde do município. Se dependesse do AME, teria de aguardar uma vaga em Araraquara. Internado em estado grave, José foi submetido a intervenção cirúrgica na traqueia e está sob tratamento de radioterapia. “A única coisa que digo é que o AME nos abandonou” – desabafa.

Vítimas em família O menino Caio Henrique foi avaliado por um neurologista que detectou uma lesão no lado esquerdo do cérebro. Para maior exatidão do diagnóstico, foi pedido um exame de ressonância magnética. O AME então encaminhou Caio Henrique a uma clinica, mas o exame foi adiado. Só agora, seis meses depois, Caio fará o exame em São Paulo. A tia de Caio, Juliana Cristina da Silva, 28 anos, sofre de enjoos e adormecimentos no lado esquerdo da cabeça. Ela aguarda o exame de tomografia.

A assistente social mandou que ela procurasse a UAC – Unidade de Avaliação e Controle – para autorização do exame. Lá, pediram que ela procurasse um clínico geral, para que ele encaminhasse o pedido do exame. Até hoje ela não foi atendida pelo profissional.

ana lucia ramos

ana lucia ramos

Serra prometeu mundos e fundos com o Ambulatório de Especialidades. Veja no que deu

Caio e Juliana: na espera


7 Basquetebol

O time da Winner e os guerreiros de Limeira: cesta!

Festa do time campeão: na quadra e na rua, onde o ala Diego ergue a taça. Bela campanha em 2010

2009, a Winner disputou o título com Franca, centro tradicional do basquete brasileiro. Foram dois jogos aqui e dois jogos lá. A partida final, disputada no ginásio Pedro Murilo Afuertes, o Pedrocão, em Franca, foi tensa. Diante de sete mil espectadores – havia 120 torcedores limeirenses entre eles, mas, aqui na cidade, foi montado um telão no ginásio Vô Lucato e a partida foi acompanhada por umas 300 pessoas –, a Winner, com um time

de grandes estrelas – Teichmann, Nezinho e Tatu, entre outros – venceu fora de casa, valorizando mais o título do Campeonato Paulista. Tudo ia bem até que a crise financeira mundial, de setembro de 2008, atingiu em cheio a Winner. Decidiuse então que o time tirasse uma licença de até três anos do basquete. Mas Cassio Roque, apaixonado pelo basquete e lutador incansável pelo esporte de Limeira, não se abateu e foi atrás de outros

Decacampeã regional

Ramon e Guilherme Taishman, ambos queridos pela torcida. A Winner teve dois jogadores convocados para a seleção brasileira – Vitor Benite e Diego Pinheiro, este cortado por razões médicas – que se classificou para as Olimpíadas. O atleta Ronald Ramon também foi convocado para a seleção da República Dominicana.

divulgação

Jogadores que marcaram época Zanon, jogador e técnico da equipe; Brian Taylor, pelo carisma com as crianças; Nezinho, figura importante na conquista de 2009; Daniel Alemão, nascido em Limeira, que se afastou do basquete, trabalhou de torneiro mecânico e voltou ao esporte como ídolo da torcida; o americano Ronald

meios para trazer a equipe novamente às disputas. Um ano depois, a Winner despontava novamente, agora com pequenos apoiadores, para não depender apenas de um grande patrocinador, e o projeto “Sócio Torcedor”, onde cada pessoa contribui financeiramente com a equipe. Hoje a Winner conta com 145 sócios contribuintes. “Essa volta foi difícil” – relembra Denis. “O basquete é um esporte caro e era como montar um time novo. Além

de contratar jogadores, de buscar o entrosamento, havia problemas como o da procura dos imóveis para acomodar os atletas” – a Winner paga salários um pouco abaixo da média, mas dá aos jogadores plano de saúde, casa e alimentação. Diante disso, surge a torcida Os Guerreiros. A recompensa veio com a vitória do campeonato Paulista, em casa, contra o Pinheiros, por diferença de um ponto. Em 2011, a Winner está com um bom elenco, com Neto, Rogério Klafke, Vitor Benite e o ótimo pivô, o norte-americano Jon Rogers, que atuava no Unión Atletica do Uruguai. A intenção da equipe é atrair um público fiel para acompanhar os jogos, com foco nas crianças, que representam 20% do público. O projeto vem dando certo. Quando as partidas terminam, os atletas passam pela arquibancada e cumprimentam toda galera, o que agrada às crianças e a quem as acompanha, os pais.

A Winner representa Limeira nos Jogos Regionais. O time é decacampeão. Só perdeu o título para Campinas, em 2010, porque jogou com a equipe juvenil. Foi campeã de 2001 a 2009 e em 2011, quando apenas sete atletas disputaram os Jogos em Mogi Guaçu – Eric Tatu, Biro, Jhonatan, André Bambu, Daniel Alemão, Matheus Dalla e Guilherme –; no comando técnico

estavam Dedé Barbosa e Jece Leite, já que o técnico Demétrius Ferracciu comandava a seleção Sub-17, em São Sebastião do Paraíso (MG).

divulgação

A Winner Limeira nasceu em 2001, quando o empresário Cássio Roque juntou-se ao jogador de basquete Augusto Zanon para montar um time de basquete que tivesse uma cara diferente e representasse Limeira. No primeiro ano, a equipe ganhou o título de campeã regional. Depois, jogou a Segunda Divisão do Paulista, a A-2, e também foi campeã, o que lhe deu o direito de disputar a Primeira Divisão. Para isso, a equipe contratou dois jogadores norte-americanos o que, segundo Denis Fernando, assessor de imprensa da Winner, foi “um algo a mais” – nos anos seguintes, o time manteve dois jogadores estrangeiros, número permitido para o Campeonato Paulista. Em 2004, Zanon iniciou a carreira de técnico do time. Depois de eliminar equipes como Franca e Araraquara, a equipe foi vice-campeã paulista: perdeu a final do COCRibeirão Preto, na época um time imbatível. Houve então uma breve nova espera até que, em

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Equipe dá sequência ao Nosso Clube, que disputou campeonatos por 90 anos no Brasil


8 foto síntese – protesto

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Horizontal – 1. Divisão de ganhos ou despesas; Sigla de Rondônia 2. Nome de certo capitão, romance de Érico Veríssimo; Homem ruim 3. Agência Nacional (sigla); Cosmético em pó, avermelhado, que se aplica no rosto para deixá-lo corado; Partido Republicano 4. Sozinho; Associação Portuguesa de Aviação Ultraleve; Espaço vazio ou desocupado 5. Pessoa que não tem fé; O protocolo sob o qual assenta a internet 6. Sexta nota musical; Norma de proceder ou ponto de vista, em certas conjunturas (plural) 7. É, em francês; Época 8. Nome de uma cidade mineira; Passar pelo coador 9. Sorri; Labareda; Som do cabrito 10. Cabana indígena; Caminhonete usada no transporte coletivo de um pequeno número de passageiros 11. Pedido de socorro; Companheiro de Teodoro na dupla sertaneja

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Vertical – 1. Nascidos no Brasil 2. Referente aos nomes próprios 3. Rádio Difusora (sigla); Forma sincopada de está; Carta do baralho 4. Nome comum a vários peixes de forma achatada, com três barbatanas no rabo fino com um ferrão na ponta; Unidade Cristã (sigla) 5. C��lebre personagem de Walt Disney 6. Fêmea do cavalo; Alcoólicos Anônimos 7. Alimento preparado com leite coalhado por fermento lácteo; Museu de Arte Moderna 8. Bairro carioca 9. Aumentativo de vida; Caminhe 10. Lisonja, adulação; Aliança Ministerial Apostólica Internacional (sigla) 11. Metal dourado; Calmo, tranqüilo

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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

Respostas b r a s i l e i r o s

o n o m a s t i c o

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t i o p a t i n h a s

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Palavras cruzadas

p u r c a e o

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r o m a u p r v a o i p d e s a e o a r m e a n i o

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Sudoku

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Jornal Brasil Atual - Limeira 09