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limeira

Jornal Regional de Limeira

nº 3

Setembro de 2010

eleições

Educação no estado

aprovação automática Jovens chegam à universidade com dificuldade de ler, escrever e fazer contas dilma dispara Candidata do presidente Lula vence em todas as pesquisas

Pág. 2

foto: Robson franco

desenho de bianca, 8 anos – http://pedagogia-unilasalle.zip.net

sp-151

perigo na estrada A repórter vai ver os problemas da rodovia. E acaba atropelada

Pág. 3

limeira

cinema

5x Favela, Agora por Nós Mesmos Cineastas dos morros cariocas mostram suas vidas como elas são Pág. 6

parabéns pra nós Aos 184 anos, a cidade esbanja vitalidade.

Pág. 7


2 eleições 2010

Dilma dispara nas pesquisas Candidata de Lula vence em todos os institutos de opinião As últimas pesquisas dos institutos de opinião pública do Brasil trazem dados semelhantes sobre a intenção de voto dos eleitores para o primeiro turno sensus dilma Serra

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da eleição presidencial no País: todos eles, com pequena diferença, apontam a liderança da candidata do presidente Lula, a petista Dilma Roussef, seguida de

datafolha

50,5

ibope

vox populi 51

51

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José Serra (PSDB), Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e dos demais candidatos, a maioria deles sem a preferência sequer de 1% do eleitorado.

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O jornal Brasil Atual-Limeira constatou que as escolas estaduais estão como as nossas estradas vicinais: num estado de dar dó. Graças a aprovação automática, método usado há mais de vinte anos em São Paulo, formam-se milhares de jovens todos os anos com enorme dificuldade de entender o que lê, escrever o que pensa e fazer uma simples conta. Se nada não for feito, teremos em breve uma legião de analfabetos funcionais, gente com muita dificuldade de crescer pessoal e profissionalmente. Também nesta edição, a gente foi ver a ginástica que fazem estudantes e moradores do bairro Nossa Senhora das Dores para atravessar a SP-151, estrada que liga Limeira a Iracemápolis. E se deu mal. Nossa repórter foi atropelada, teve fratura exposta na perna esquerda, esperou oito dias para ser operada (nossa saúde vai mal!) e convalesce até hoje! Ainda bem que ela tirou tudo isso de letra. E festejou, com toda Limeira, o aniversário da cidade com mais 280 mil pessoas.

vale o que vier Gostaria de parabenizar o jornal Brasil Atual de Limeira, gostei muito das matérias que li dos últimos dois meses, são interessantes, informativas e bem claras. Catia Santos As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual. com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP: 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

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Todos os institutos dão vantagem a Dilma

rodeio

Peãozada

Informe Publicitário

editorial

26,4

Mais de 150 mil pessoas foram ao 26º Rodeio de Limeira, no novo “Espaço Rodeio” – 260 mil m², com área para 8 mil carros, praça de alimentação e arena para 30 mil espectadores – , no km 3 da Estrada Horto Florestal, entre os dias 03 e 12 deste mês. Houve shows de Luan Santana, João Bosco e Vinícius, Fernando e Sorocaba, Jorge e Mateus e Zezé de Camargo e Luciano, entre outros. Antes, em 29 de agosto, o Desfile de Cavaleiros reuniu cavaleiros, charreteiros e troles da região.

Expediente Jornal Brasil Atual – Limeira Editora Gráfica Atitude Ltda – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Repórteres Ana Lúcia Ramos Pinto, Dalva Radeschi, Ivanice Santos, Marina Amaral e Robson Franco (fotos) Revisão Betto Ferreira Diagramação Leandro Siman Redação (19) 9708-0104 / (11) 3241-0008 Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição Gratuita


3 SP-151

Travessia macabra Os alunos do Isca – Instituto Superior de Ciências Aplicadas – e os moradores do bairro Nossa Senhora das Dores, que margeia a SP-151, a rodovia vicinal Dr. João Mendes da Silva Júnior que liga Limeira–Iracemápolis, exigem urgência na

construção de uma passarela próxima à escola. Até abaixoassinado foi feito pedindo segurança no local. Os pedestres arriscam suas vidas ao atravessar por lá. O trânsito é intenso. Caminhões, ônibus e carros trafegam em

alta velocidade. As pistas não têm acostamento. Não há iluminação. Espera-se um tempão para fazer a travessia. Construir uma rotatória, melhorar a sinalização e implantar uma passarela: isso é o que as pessoas pedem.

fotos: Robson franco

Uma passarela entre a vida e a morte

Atravessar a SP-151: uma roleta russa

Nossa repórter vai sentir o drama de atravessar a estrada. E é atropelada Por Dalva Radeschi Dia 24 de agosto, quartafeira, seis e meia da tarde. O Jornal Brasil Atual vive de perto a roleta russa de quem é obrigado a atravessar a SP-151. Gente comum está falando da sorte que tem de voltar vivo pra casa, sem um arranhão. O fotógrafo Robson e o

estudante Sílvio me aguardam do outro lado da pista. Está meio escuro. Espero cinco infindáveis minutos para atravessar, até ter certeza de que nenhum veículo se aproxima. É só eu não tropeçar num buraco da rodovia e pronto, estarei segura. Enfim,

aliviada, vejo meus colegas a dois metros de mim. De repente, à direita, um farol se aproxima velozmente. É uma moto. Corro, mas vem o choque. Um baque, um grito, um giro no ar. E meu corpo estendido no meio fio, com a perna esquerda quebrada. Pavor.

Vida que segue Na ambulância sou colocada em estado de choque. Sinto tremedeira, tenho medo, estou ansiosa. Tudo gira. Mal chego ao PS da Santa Casa e retiram-me o cobertor. Peço à enfermeira para me cobrir, mas – diz ela – “não há coberta no setor.” Com dó, o bombeiro me devolve o que usei no trajeto. Sigo para a ala vermelha, a emergência do hospital. Quanto tempo depois? Não sei. Vou para o quarto às duas

da manhã, imobilizada. E ganho um banho, antes de me colocarem na cama. As enfermeiras – dizem elas – preparam-me para uma cirurgia. Quinta-feira, quatro da tarde. Reclamo de fome. Ainda estou em jejum, quando um médico avisa que a operação será adiada porque “os médicos residentes estão em greve”. Fazer o quê? O dia segue dolorido, monótono. Passa sexta, sábado, domingo. A noção de tempo

quase se esvai. Segunda-feira, a greve continua. A Santa Casa é um hospital-escola. Os médicos residentes não operam sozinhos, só com os seus professores. Também só atendem aos pacientes do SUS. Mas a prática é diferente: eles atendem a todos os convênios médicos. Como eles estão em greve, não atendem ninguém. Então, ainda com a perna apenas imobilizada, pedi transferência de hospital.

Dalva é atingida por uma moto...

... cai no meio-fio e espera...

... até ser socorrida.

Carros, ônibus e caminhões seguem o fluxo, passando rente a mim, que não posso me mover. Desesperado, Robson me protege de um segundo atropelamento – este sim, fatal –, acena para os veículos e também corre risco. Ele liga 193, para o resgate. Parece uma eternidade. A dor na

perna é lancinante, mas o medo da morte é maior. As pessoas se aglomeram junto a mim. Penso que vou desmaiar, mas ouço: ‘chegou o resgate’. Alívio. Meu pescoço é imobilizado. Esticam minha perna. Eu berro. Colocamme na ambulância. Ganho um cobertor. Estou salva – pensei.

O fim da angústia No dia 30, à noite, vou para o Hospital Medical. Amanhã fará uma semana que fui atropelada. Estou com fratura semiexposta de tíbia e perônio, mas até agora só tomo analgésicos para afastar a dor. A minha perna continua imobilizada. Na quinta-feira, dia 2 – dizem-me – passo três horas na mesa de operação. Depois, o médico me avisa que tenho de ficar um mês de perna pra cima para me recuperar.

Depois, segue para o hospital...

No dia 6, no entanto, há uma leve complicação: recebo uma punção – 200 ml de sangue são retirados do ferimento. Fico ressabiada. Assaltam-me maus presságios. Até que no dia 9, tenho alta. Os amigos me levam embora. Eu choro ao entrar em casa, nos Altos da Graminha, e ganhar um abraço do meu filho Bruno, de 24 anos. Estou viva. Foram 15 dias de angústia.

... onde é operada oito dias depois


4 Educação no estado

Passar a qualquer custo forma aluno analfabeto Sem saber ler, escrever e fazer contas, nossos jovens ganham diploma e despreparo Por Suzana Vier

Lousa, giz e apagador, armas de combate ao analfabetismo

médio sem ter o conhecimento mínimo necessário. "A educação virou dado

foto: sxc.hu

Paula é professora de Português em escola do Estado há 21 anos. Ela conta que 30% de seus alunos da sexta série não sabem ler nem escrever. Por isso, ela faz um ditado nos primeiros dias de aula. “Tem aluno que entrega em branco, não sabe nada. Se vai escrever ‘bala’, por exemplo, ele coloca qualquer letra” – resume. Na progressão continuada o estudante é aprovado automaticamente. No máximo, ele é retido na quarta série, por um ano; depois segue, mesmo sem o conhecimento necessário. A aprovação certa, sem avaliação do conteúdo dominado pelo aluno, permite ao estudante terminar o ensino

estatístico. É porcentagem pra lá, porcentagem pra cá, mas não se analisa como o

aluno conclui o ensino médio. Ele é só mais um diploma" – alerta Tomé Ferraz, professor

de física e matemática das redes municipal e estadual de São Paulo. Cristina leciona Biologia e se esforça para alfabetizar quem vai mal. Ela cita que os alunos têm enorme dificuldade com sílabas complexas como tra e pla. "Eles conhecem somente formações silábicas básicas" – acentua. Na hora de avaliar alunos que não leem nem escrevem com fluência, Cristina usa métodos diferenciados na classe. "Uma avaliação escrita requer habilidade de leitura e escrita. Mas quem não compreende o teor da prova, não consegue responder; aí, a saída é uma prova oral.”

Analfabetismo funcional

Confusão

Uma parcela significativa de alunos chega ao ensino médio sem estar alfabetizada. Rosana Almeida é uma professora do estado que enfrenta essa dificuldade. Na sala em que está, superlotada, há alunos que não sabem ler e escrever. São os analfabetos funcionais, que até constroem palavras, mas não formam frases. Enfim, o jovem entende a explicação, mas não sabe escrever. Quando a professora pede para ele produzir um texto, surge a resistência. Como não participa da aula, o aluno é mais indisciplinado, faz muita bagunça" – na oitava série o índice de indisciplina é altíssimo.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco), o analfabeto funcional escreve o próprio nome, lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Isso dificulta seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Eduardo, professor universitário, afirma que os estudantes são vítimas de um círculo vicioso fatal para a vida profissional futura. “Se o aluno não compreende frases da língua, tudo vira uma enorme confusão. Como ele vai resolver questões de matemática?” – questiona. “Eles até sabem que 3 vezes 5 é 15, mas se você colocar na prova quanto é o triplo de 5 mais o dobro de 20, eles não vão saber” – exemplifica. “Se questões básicas não estão resolvidas, a estrutura fica afetada e o conhecimento que vem depois não se concretiza” – alerta Eduardo.

foto: Divulgação

Bagunça

Bibliotecas: cada vez mais vazias

Um futuro incerto No caso do professor universitário Anselmo Büttner, a saída foi criar metodologias específicas. “Eu levo figuras e desenho no quadro o que é almoxarifado, por exemplo, para eles compreenderem” – relata. “Mas eles não juntam as informações, não montam uma sequência, não têm base de

gramática e ortografia. E não é só. Há limitações também na capacidade de raciocínio lógico e matemático” – alerta. O jovem com deficiência de leitura e escrita vai enfrentar sérios problemas no mercado de trabalho, não importa a área em que decida atuar. Büttner também é crítico em relação

aos colegas professores. Ele diz que os educadores devem se adequar às necessidades educacionais dos alunos, com estratégias que os auxiliem a compreender o conteúdo. “O problema existe e é grave com alunos da escola pública, mas eu tento levar o conhecimento ao patamar dos alunos”.


5 Educação no estado

Progressão continuada ou aprovação automática? Adotada em 1988, ela permite ao aluno avançar nos estudos sem repetir de ano uma metodologia pedagógica avançada por propor uma avaliação constante, contínua e cumulativa, além de basear-se na ideia de que apenas reprovar o aluno não contribui para melhorar seu aprendizado. Sua aplicação, porém, transformou-se em sinôni-

mo de "aprovação automática", segundo professores e analistas. Essa ideia leva em conta que a progressão foi adotada, no Brasil, sem se mudarem as condições estruturais, pedagógicas, salariais e de formação dos professores.

foto: sxc.hu

A progressão continuada – política educacional responsável pela aprovação automática dos alunos – é o principal problema educacional do Estado de São Paulo, segundo professores ouvidos pela Rede Brasil Atual. Para os especialistas, essa é

foto: wordpress.com

A informática e as crianças

Computadores: cada vez mais presentes

Há crianças que nascem conectadas na informática e é difícil convencê-las a prestar atenção ou valorizar a educação da escola. “Parte das aulas é perdida em pedidos de atenção à aula ou para desligar o Ipod” – conta o professor Tomé Ferraz. “Eles não têm só celular, eles têm uma verdadeira tevê e levam para a sala de aula” – completa.

O protesto em Limeira professores e monitores nas salas de informática e inspetores que circulem na escola nos intervalos de aula para evitar as brigas entre os estudantes”. As alunas da Escola Estadual José Ferraz Sampaio Penteado, do Jardim Novo Horizonte, es-

fotos: Robson franco

“Salas de aula apertadas com buracos nas paredes, fiação elétrica exposta, janelas sem cortinas, carteiras quebradas, armários sem cadeados. A quadra, pintada, não tem cobertura nem água potável. Nos banheiros, não há papel higiênico e sabonete. Faltam

Alunas protestam: a escola não passa de ano

tiveram na Praça Toledo Barros, para contar tudo isso à população e distribuir a cartilha A Preocupante Situação da Escola Pública em São Paulo. O protesto era por uma “escola digna”. Presente ao ato, Silvana Ayres Barbosa, professora limeirense há 15 anos do estado, acha a situação da escola pública "precária". "A sensação de descaso é total" – diz. "Não existe investimento nem interesse do governo paulista em preparar os alunos. Ele apenas dita regras para manter a lógica da política social dos dominantes e dominados. Os diretores estão de mãos atadas, sem autonomia para tomar decisões".

Lidar com essa nova face da infância e da adolescência é difícil sem a colaboração da família. “Sobra tudo para a escola” – reflete Tomé. “Eu vou ensinar a pensar, sou uma professora à antiga, comer com garfo e faca é responsabilidade de pai e mãe” – diz a professora Rosana Almeida. “Os pais, por mais simples que sejam, precisam ter consci-

ência de que é preciso valorizar a lição de casa, dar um abraço, acompanhar o filho.” Os professores reclamam: os pais não participam da vida escolar das crianças. Para alguns deles, a escola transformouse em depósito de crianças. “Somos “baby sitters” (babás) de luxo.”

A queixa dos aposentados

A escola pública vai mal

Para a professora aposentada Maria Aparecida Rossi, da subsede da Apeoesp de Limeira, a política do governo é "infeliz": “Para garantir seu direito, o aposentado vê-se obrigado a entrar com ações na Justiça. Além das perdas salariais, os professores pagam o Instituto de Assistência

Médica dos Servidores do Estado – IAMSPE –, mas o atendimento é precário e, por isso, precisam de plano médico particular.” A professora diz ainda: “Os professores se aposentam e não têm o trabalho recompensado financeiramente, o que torna o profissional infeliz, com baixa estima, levando-o à depressão. Com o salário arrochado, o professor aposentado doente gasta parte do seu salário em remédios e não vê uma luz no final do túnel.”


6 cinema

5x Favela. Ou a favela por ela mesma

fotos: Divulgação

Cineastas de comunidades carentes se revelam num filme que mostra suas próprias vidas Por Xandra Stefanel

Em 1961, cinco jovens cineastas de classe média subiram morros cariocas e fizeram o filme 5x Favela. Lá estavam Cacá Diegues, Leon Hirszman,

Joaquim Pedro de Andrade, Marcos Farias e Miguel Borges, todos do Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Quase 50 anos depois, Cacá voltou a subir os morros cariocas – agora como produtor e na companhia de sete jovens de comunidades carentes do Rio. O longa-metragem 5x Favela, Agora por Nós Mesmos, lançado em agosto, tem cinco episódios, como o da década de 1960. Com uma diferença: os cineastas moram nos ambientes filmados. Foram precisos mais de três anos para concluir o filme, que traz histórias do dia a dia no morro. Valeu a pena: além de faturar sete prêmios no Festival de Paulínia, em São Paulo, ele foi exibido no Festival de Cannes, na França.

Quadro a quadro Cacá acompanhava os curtas-metragens produzidos nas favelas, que circulavam de uma comunidade a outra na década de 1990. Então, ele e a produtora Renata Almeida Magalhães montaram um projeto para dar aos jovens condições de produzir um filme de médio porte com acesso à economia formal do cinema. Em 2007, para escolher as histórias que seriam filmadas, a dupla organizou oficinas de roteiro nas cinco favelas que desenvolviam programas de audiovisual: Nós do Morro, no Vidigal; AfroReggae, na Parada de Lucas; Cinemaneiro, dos moradores da Linha Amarela; Central Única das Favelas (Cufa), na Cidade de Deus; e o Observatório de Favelas, no Complexo da Maré. Foram mais de 600 inscritos, dos quais 240 participaram de oficinas de capacitação. Todos tiveram aulas e palestras com Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Walter Salles, Fernando Meirelles, João Moreira Salles e Lauro Escorel.

A primeira geração audiovisual dos morros cariocas

Luciano Vidigal, 32 anos, já foi boleiro de tênis, trocador de van, carregador de feira. Começou a gostar de cinema aos 11 anos porque sua mãe era empregada doméstica do ator Otávio Müller. Ele é o diretor do episódio Concerto para Violino, em que três crianças juram amizade eterna, mas tomam caminhos diferentes na vida: um vira policial, outro, traficante e uma, violinista. Morador do Vidigal, seu curta Neguinho e Kika foi premiado em festivais nacionais e em Marselha (Fran-

ça). Trabalhou na preparação de atores de Cidade de Deus e Tropa de Elite 2 e atuou em longas, entre os quais Orfeu, O Primeiro Dia e Proibido Proibir. Luciana Bezerra, 36 anos, trabalha com cinema há 17 anos e mora no Vidigal. O episódio que dirigiu, Acende a Luz, retrata as dificuldades de vizinhos que estão sem luz às vésperas do Natal. “O Vidigal vive essa história a cada dia. A gente encara a vida mesmo com dificuldades”.

Em Arroz com Feijão, Rodrigo Felha, 30 anos, e Cacau Amaral, 38, dirigiram a história do menino Wesley que, ao ouvir o pai confessar que está cansado de comer o mesmo prato, tenta arrumar-lhe um frango. Felha mora na Cidade de Deus e conhece essa realidade. Ex-estoquista de loja de calçados, virou estagiário na Globo e, depois, coordenador do Núcleo de Audiovisual na Cufa, quando fez a direção de fotografia de Falcão – Meninos do Tráfico.

Manaíra Carneiro, 23 anos, esteve em Cannes e estranhou: “Foi um choque. Saí de uma realidade muito pobre para uma muito rica” – conta a jovem, que sonha em continuar a trabalhar com audiovisual para ajudar a família. Ela e Wagner Novais, o Wavá, de 25 anos, dirigiram o episódio Fonte de Renda, no qual o jovem padeiro Maicon leva drogas aos colegas para ter grana e estudar Direito. Uma realidade parecida com a sua. “Na época, mal tinha dinheiro para comer.”

Cadu Barcellos é o diretor de Deixa Voar, episódio em que Flávio deixa cair sua pipa no território da facção rival. “É um retrato singelo da Maré e suas 16 comunidades, 170 mil habitantes, todas as facções, polícia, milícias” – explica o diretor. Para Cadu, 5x Favela, Agora por Nós Mesmos é um marco da cinematografia brasileira. Ele filosofa: “Eu estava cansado de sentar em frente à televisão e receber luz. Eu queria mudar de lado e reluzir.”


7 aniversário de limeira

Ser caipira é bom à beça Limeira é um espanto. Cresce feito capim, fruto da explosiva combinação agroindústria e tecnologia de ponta. A cidade mistura suco de laranja, boi e computador no mesmo pasto e vai em frente. O resultado é que ela propicia qualidade de vida superior à da capital, com todas as modernidades imagináveis, sem o sufoco da metrópole.

No dia 15 de setembro, Limeira fez aniversário. Então, parabéns pra nós, do peão de rodeio aos jovens nos celulares, passando pelas belas moças apessoadas da cidade e do campo, cuja marca forte está no sotaque, de “erre” arrastado, marca registrada do caipira. Não admira, portanto, que o povo jovem ouça músi-

ca sertaneja no som da camionete e que, na roça, senhores amanheçam de chapéu de abas largas e botas, laçando e derrubando bezerros. Eles apenas cultivam a autoimagem, renovando a identidade herdada do avôs pioneiros que – dizem – transformaram essa vastidão selvagem na Califórnia brasileira.

foto: ARTExplorer

No dia 15, a cidade fez 184 anos com 280 mil habitantes

Quadro O Violeiro, de Almeida Jr: o caipira do passado

Memória

A inesquecível façanha da Internacional O time conquistou o Paulistão, em 1986, e calou milhares de torcedores no Morumbi

foto: divulgação

Nas semifinal, enfrentou o Santos. Venceu na Vila Belmiro, 2x0, e no Limeirão, 2x1. Na final, o time limeirense enfrentou o Palmeiras, que estava há 10 anos na fila, com os dois jogos no Morumbi. A primeira partida, diante de 104.136 pagantes, foi 0x0. No segundo confronto, também no Morumbi, aos olhos de 64.564 pagantes, a Internacional venceu o Palmeiras por 2x1, gols de Kita e Tato, numa partida eletrizante. O esquadrão mais famo-

Um time como esse, a gente nunca esquece

so da história do futebol do interior paulista jogou com Silas; João Luís, Juarez, Bolívar e Pecos; Manguinha,

Gilberto Costa e João Batista (Alves); Tato, Kita e Lê (Carlos Silva). Na conquista inédita, a Internacional ainda arrebatou a artilharia do Paulista com o Kita (24 gols) e conquistou a Taça dos Invictos, do jornal Gazeta Esportiva, ao ficar 17 partidas invictas – antes em poder do Santos, com 15 partidas. A campanha foi indiscutível: 42 jogos, 21 vitórias, 14 empates e sete derrotas. Foram anotados 59 gols e sofridos 33 gols.

A seleção da imprensa, publicado no jornal Folha de São Paulo, tinha sete jogadores da Inter: Silas, Juarez, João Luís, Gilberto Costa, João Batista, Tato e Kita – os intrusos foram o zagueiro Vágner, do Palmeiras, o lateral Nelsinho e o meia Pita, do São Paulo e o atacante Mauro, da Ponte Preta. A Internacional foi considerada a "Dinamarca Caipira" em alusão à seleção europeia, destaque da Copa do Mundo de 1986.

comunicação

A nova onda do rádio Ivanice da Silveira Santos, a voz do trabalhador

foto: Robson franco

O elenco de 1986 ganhou jogadores como Kita, Juarez, Manguinha e Gílson Gênio, e o comando de um bicampeão mundial, o técnico Pepe. A Inter terminou o primeiro turno em 6ª lugar, com 21 pontos. Mas o futebol dá reviravoltas, ainda mais com um time entrosado, rápido, solidário, de toques refinados. Faltando duas rodadas para acabar o segundo turno, a equipe havia assegurado o primeiro lugar e sua classificação.

No ar, nos 106,3 da rádio Paraíso, a Voz do Trabalhador O programa, que vai ao ar aos sábados, às 11 da manhã, faz parte de um projeto de democratização da informa-

ção da sociedade limeirense e é de responsabilidade do Sindicato dos Bancários de Limeira, com foco nas ques-

tões de interesse do trabalhador. A apresentação é de Silvio Luciano e Ivanice da Silveira Santos.


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Vertical – 1. Mestra 2. Organismo a cuja vida é imprescindível o oxigênio retirado do ar (fem.) 3. Antiga nota dó; Relativo à vida 4. Onde a professora anota a aula; É, em inglês 5. Mil Septiliões 6. Freguesia portuguesa de Viseu; Provocai dor física 7. Sigla de Roraima; Código ISO 639 para língua holandesa 8. Instrumento para cavar o solo; Caldo de galinha 9. Nome de abelha brasileira 10. Gracejar; Réplicas 11. O som do gado 12. Sexta nota musical; Emitir som de ave 13. Nome de escola modelo 14. Nhandus 15. Matéria baseada nos números.

M A T E M H A T R I C M A

Resposta E M A S

Horizontal – 1. Educador brasileiro; Chegam 2. Tocar mais uma vez; Sorri; Lodo 3. Quarto sufixo verbal; Para onde vai quem está passando mal; Antigo patrocinador do Palmeiras 4. Resto petrificado de animais ou vegetais que habitaram a Terra; Sigla do Amapá; Departamento de Suprimento Escolar 5. Exército Brasileiro; Sigla de Alagoas; Unidade de Terapia; Cada uma das duas extremidades inferiores do corpo humano 6. O que se diz ao concordar; Hospital Geral; Livro para aprender a ler 7. Sigla de Santa Catarina; Veloso, compositor brasileiro; 3,1416 8. Ordem dos Advogados do Brasil; Uma frequência radiofônica; Chato 9. Dois, em algarismo romano; Náusea; Agência Estado 10. Matérias de aulas publicadas para uso de alunos; Mensagem de alerta aos navegantes; Pessoa Ruim.

R E V I L A P R M A L A U D T P E C R T I L A O P I N C R I C J O O A E A S A R

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Palavras cruzadas P A U L O F R R E T O C A R O R U T I F O S S I L E B A L S I M H T S C C A E T O A B O M R I I E N A P O S T I L

foto: Robson franco

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Sudoku

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palavras cruzadas

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foto síntese


Jornal Brasil Atual - Limeira 03