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jundiaí

Jornal Regional de Jundiaí

Distrib

Gratuuiição ta

nº 6

orçamento do estado

Janeiro de 2012

Segurança

o remendo nas emendas Controle do governo Alckmin na Assembleia tropeça nos aliados. E surge areia no esquema

fuga fácil Jundiaí vira passagem de marginais por falta de monitoramento

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cotidiano

um inferno Trânsito caótico irrita o motorista e redobra os casos de estresse

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futebol A privataria tucana

livro revela como o psdb roubou o país Propina, desvio, lavagem de dinheiro e espionagem, uma arte comandada por Serra e Dantas Pág. 3

ele voltou Paulista é bicampeão da Copa da Federação e promete grande 2012

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2 Segurança

Prefeitura precisa investir

editorial Esta edição traz um bom exemplo de como atua a velha mídia brasileira, apelidada de PIG – Partido da Imprensa Golpista. Para não perder seus privilégios, ela não dá vazão às denúncias de corrupção no governo tucano. Exemplo disso é a Assembleia Legislativa de São Paulo, há muito tempo um escritório de despachos de governos do PSDB. Pois um parlamentar da base aliada, Roque Barbiere, do PTB, disse que 30% dos deputados “vendem” suas cotas de emendas ao Orçamento paulista todos os anos – informação confirmada pela líder comunitária tucana Tereza Barbosa. O assunto ameaçava romper um velho laço aliado, formado pelos partidos da coalizão ao governo Alckmin, e podia dar numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Mas o PIG fez-se de “migué” e pôs uma pedra no assunto: não sabe e não viu. Nós não. Contamos como se dá o trambique. E falamos do clima de contestação que começa a surgir naquela Casa. Uma coisa é certa: aos tucanos não faltam professores de malandragem. Está nas livrarias o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que nos revela como o PSDB operou a maior falcatrua brasileira, nos tempos da privatização. Bons de bico, esses tucanos. É isso. Boa leitura!

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Jundiaí possui uma extensa rota para a fuga de marginais que cometem crimes na cidade. Por isso, ela é vulnerável e convidativa para os bandidos que migram de cidades que investem em câmeras de monitoração, principalmente em suas saídas. Na opinião do vice-presidente do PT de Jundiaí e vice-presidente do Sindicato dos Alimentícios, Gerson Sartori, a Prefeitura precisa investir pesado em monitoramento para contribuir com a segurança pública, principalmente no que se refere às entradas e saídas da cidade, muitas delas sem qualquer fiscalização. “Os bandidos sabem quando há um sistema eficiente de combate à criminalidade” – observa ele.

joÃo shimoto

Só assim a bandidagem terá receio de agir na cidade

A falta de postos da Guarda Municipal e da Polícia Militar nos bairros aumenta o tempo de resposta da polícia. “Se acontece um crime ou se a população precisa informar uma ocorrência, a polícia demora a chegar e o criminoso foge. Se houvesse uma base nos bairros, com policiais patrulhando a periferia, a criminalidade diminuiria” –

afirma o sindicalista. Gerson também lamenta que a performance não seja melhor por falta de estrutura dos governos municipal e estadual. “Os policiais trabalham bem, mas trabalhariam ainda melhor se eles fossem em maior número, tivessem mais viaturas, armamentos e melhores condições de trabalho e salário” – argumenta.

vale o que vier As prévias realizadas no PT de Campo Limpo Paulista definiram que o candidato às eleições municipais ao cargo de prefeito será o Dr. Japim. As prévias foram realizadas no domingo, 27 de novembro, culminando com a vitória do candidato apoiado pelo diretor da CUT regional Gerson Pereira, o advogado Dr. Adilson Messias e o ex-vereador José Luiz Pedroso. Compareceram às urnas o total de 215 filiados, dos quais 111 votaram favoravelmente ao Dr. Japim. Tcheco contou com 104 votos. Mesmo com a votação apertada, o pleito transcorreu de forma serena, não houve embates acirrados e a harmonia demonstrou a união dos partidários. Japim, em seu discurso de vitória, reforçou que a união deve prevalecer no processo que está por vir e que as prévias fazem parte do processo democrático. “O maior vencedor foi o PT” – disse ele. Tcheco parabenizou o adversário e disse que manteve seu nome até o final em nome da democracia e esse pensamento foi coroado com a expressiva votação dos filiados que compareceram em massa às prévias. “Estaremos juntos daqui por diante e trabalharemos em favor do PT” – disse Tcheco. O PT de Campo Limpo Paulista mais uma vez dá um grande passo a caminho das eleições de 2012, processo esse liderado pelo seu presidente, Patricio Barreto, que enfatizou que o Partido dos Trabalhadores realizará uma grande festa para apresentar seu candidato. O candidato a vice-prefeito poderá vir de dentro do partido, caso seja definido por uma chapa pura, ou de outro partido em caso de coligações, contudo, ainda não há definição. Adilson Messias – adilsonmessias@hotmail.com Expediente Rede Brasil Atual – Jundiaí Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Leonardo Brito (estagiário), Antonio Cortezani, Douglas Yamagata Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3241-0008 Tiragem 15 mil exemplares Distribuição Gratuita


3 A privataria tucana

Privatização: livro denuncia Serra, família e amigos Os tucanos comandaram o processo de privatização das empresas públicas na década de 1990, que movimentou US$ 2,5 bilhões e distribuiu propinas de US$ 20 milhões, segundo o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., de 320 páginas – 200 de texto jornalístico e 120 de reprodução de provas. Baseado em documentos, Amaury mostra como o PSDB vendeu o patrimônio público a preço de banana. Entre a compra e a venda, funcionava a lavagem de dinheiro e suas conexões com a mídia e com o mundo político. Os envolvidos são gente

divulgação

E conta como o PSDB comandou a maior falcatrua no Brasil, que movimentou US$ 2,5 bilhões

Serra, a filha Verônica, FHC e Ricardo Sérgio: tucanos no livro

do alto tucanato: o livro liga o ex-candidato do PSDB à presidência, José Serra, a um esquema de desvio e lavagem de

dinheiro e o acusa de espionar adversários políticos. “Quando ministro da Saúde, Serra criou uma central de montagem de

dossiês na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no governo FHC.” O livro afirma também que o esquema era feito por meio de empresas off-shore das Ilhas Virgens Britânicas, e foi idealizado pelo ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e ex-tesoureiro da campanha de Serra e FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira. Outros esquemas semelhantes eram realizados pelo genro dele, Alexandre Bourgeois, por sua filha Verônica – que mantinha empresa em sociedade com a irmã do banqueiro Daniel Dantas – e pelo seu sócio, Gregório Marin Preciado.

Como era o esquema de corrupção dos amigos e parentes de José Serra? O tesoureiro do Serra, o Ricardo Sérgio, criou um modus operandi de operar dinheiro do exterior, e eu descobri como funcionava o esquema. Eles mandavam o dinheiro da propina para as Ilhas Virgens, um paraíso fiscal. Depois, simulavam operações de investimento para a internação de dinheiro. Usavam umas off-shores que simulavam investir dinheiro em empresas que eram deles mesmos no Brasil, numa ação muito amadora. Como você pegou isso? As transações estão em cartórios de títulos e documentos. Movimentou bilhões? Bilhões. Os banqueiros, ligados ao PSDB, formados na PUC do Rio, com pós-

divulgação

A entrevista com o autor das denúncias

Amaury Ribeiro Jr.

-graduação em Harvard, sofisticaram a lavagem de dinheiro. A gente é simples, formado em jornalismo na Cásper Líbero, mas aprendeu a rastrear o dinheiro deles. Eles inventaram um marco para lavar dinheiro, seguido por criminosos como Fernando Beira-Mar, Georgina (de Freitas que fraudou o INSS). Os discípulos da Ge-

orgina foram condenados por operações semelhantes às que o Serra fez, que o genro dele, Alexandre Bourgeois, fez, que o Gregório Preciado fez, que o Ricardo Sérgio fez, que o banqueiro Daniel Dantas, que comandava a corrupção, fez. Serra espionava o Aécio? Está documentado. Ele contratou a Fence Consultoria, empresa que faz varreduras contra grampos clandestinos, no Rio de Janeiro. O Serra gosta de espionagem e manda espionar os inimigos dele. Ele contratou a empresa de um coronel baixo nível da ditadura. O pretexto era que fazia negócio de contraespionagem. O doutor Ênio (Gomes Fontenelle, dono da Fence) trabalhou na equipe dele. Para espionar o Aécio. E a ex-governadora maranhense Roseana Sarney?

Está no Diário Oficial. O agente era o Jardim (Luiz Fernando Barcellos), ligado ao Ricardo Sérgio. Mas a imprensa defende o Serra e não divulga. Dilma contra-atacou com arapongas também? Não. As pessoas que trabalhavam na campanha da Dilma eram ligadas ao mercado financeiro. Me chamaram porque vazava tudo. Os caras faziam uma reunião e, no dia seguinte, estava na imprensa. Eu achava que era coisa do (ex-deputado tucano Marcelo) Itagiba ou do (candidato a vice-presidente, deputado do PMDB, Michel) Temer. Aí veio a surpresa: era o fogo-amigo do PT, de Rui Falcão (atual presidente do PT e deputado estadual).

As perdas O governo FHC arrecadou R$ 85,2 bilhões com a venda das empresas públicas. Mas o país pagou R$ 87,6 bilhões para as empresas que assumiram esse patrimônio – R$ 2,4 bilhões a mais do que recebeu. O prejuízo veio porque o governo absorveu as dívidas das empresas, demitiu um monte de gente, emprestou dinheiro do BNDES aos compradores e aceitou como pagamento o uso de “moedas podres”, títulos do governo que valiam metade do valor de face. A “costura”, feita por Ricardo Sérgio, envolvia o pagamento de propina dos empresários que participavam do processo. O dinheiro era lavado em paraísos fiscais. Promoveu-se um desmonte das empresas públicas, fazendo-as parecer mais inoperantes do que eram – assim, quase foram pelo ralo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, o livro prova a importância do combate do movimento sindical ao processo de privatização. “A velha imprensa não repercute as graves denúncias e mostra a sua parcialidade. Esperamos que o Ministério Público e a Polícia Federal investiguem esses crimes de que trata o livro e retomem para os cofres públicos todo o dinheiro desviado.”


4 escândalo do orçamento

Surge areia no esquema da Assembleia Legislativa

O tucano Geraldo Alckmin, o fiel escudeiro Campos Machado (PTB) e Bruno Covas: zorra total

Meio Ambiente, deputado licenciado Bruno Covas (PSDB), confirmou o esquema ao jornal O Estado de S. Paulo, e citou o caso de um prefeito que lhe ofereceu 10% de uma emenda – R$ 50 mil –, que garantiu não ter aceitado. Convidado a se explicar ao Conselho

de Ética da Alesp, Covas não apareceu. Enviou carta afirmando que seu relato era uma situação hipotética e didática, usada em palestras, encontros e conversas. No Ministério Público do Estado, o promotor Carlos Cardoso abriu inquérito para apurar o escândalo. Para

ele, não pareceu ser apenas um exemplo didático. Um levantamento divulgado no site do deputado Bruno Covas indicava que, em 2010, ano eleitoral, seu gabinete repassara R$ 9,5 milhões em emendas para várias cidades paulistas – embora o limite

ernesto rodrigues/ae

alesp

MARCELLO CASALJR

O domínio do Executivo na Assembleia combina indicações a cargos públicos, divisão do poder regional e administração da liberação de recursos das emendas parlamentares ao Orçamento do Estado. Porém, falhas no gerenciamento dos partidos da base levaram alguns deputados do PTB a se incomodar com o governo Alckmin. Por causa do desprestígio e da redução de recursos repassados à Secretaria de Esporte, nas mãos dos petebistas, o cacique do partido, Campos Machado, cobrava atenção do governo às questões do partido. Até que o deputado Roque Barbiere (PTB) chutou o balde. Em entrevista ao site do jornal Folha da Região, de Araçatuba, em setembro, afirmou que de 25% a 30% dos deputados “vendem” as emendas a que têm direito anualmente em troca de abocanhar parte dos recursos liberados. E assegurou que o governo Alckmin foi alertado disso. O secretário estadual de

vander fornazieri

Alguns deputados “vendem” as emendas e abocanham parte dos recursos liberados Por Raoni Scandiuzzi de cada deputado seja R$ 2 milhões anuais. Procurado, ele silenciou. Sua assessoria justificou que o levantamento trouxe emendas de anos anteriores, pagas em 2010, e outras obras eram pedidos do governo, e não dele. Em 12 de outubro, o governo disse que divulgaria os recursos oriundos de emendas no site da Secretaria da Fazenda. A relação foi publicada em 4 de novembro. Nela, o presidente da Alesp, deputado Barros Munhoz (PSDB), é campeão de indicações, empenhando R$ 5,6 milhões no ano passado. Segundo o documento, Bruno Covas tem R$ 2,2 milhões em emendas. Mas a lista oficial não é confiável – o site do deputado licenciado informara um montante quase cinco vezes maior. Outro exemplo: tanto sua página eletrônica como a da prefeitura de Sales divulgam uma emenda no valor de R$ 100 mil para a construção da Praça Floriano Tarsitano na cidade. Na relação do governo o recurso nem aparece.

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) tem 94 deputados, 3.000 funcionários e orçamento anual de R$ 660 milhões. Desfruta da camaradagem da imprensa comercial – que se indigna com denúncias de Brasília e blinda o governo paulista. A maioria dos parlamentares submete-se em silêncio ao Palácio dos Bandeirantes,

onde, desde 1995, a morada do chefe do Executivo é também um ninho tucano. Em troca de apoio aos seus interesses eleitorais, deputados da base aliada mantêm o governador do Estado livre de qualquer dor de cabeça. É na Alesp que se discute e aprova o Orçamento do Estado – R$ 140 bilhões em 2011 – e onde se deve fiscalizar sua correta aplicação. É lá que se dis-

mauricio garcia de souza/alesp

Alesp atua como escritório de despachos dos tucanos cutem leis, desde a que proibiria a venda de porcarias de alto teor calórico em cantinas de escolas públicas até as que autorizaram o governo a vender o patrimônio estratégico – como do setor elétrico, do Banespa e da Nossa Caixa, a concessão de estradas e ferrovias. Lá é onde o governo sabe que denúncias e pedidos de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)

serão varridos para baixo do tapete. Quantas vezes você leu, ouviu ou viu notícias de que os deputados paulistas investigaram uma suspeita de superfaturamento em contratos do Metrô ou os abusos da Polícia Militar – seja na forma violenta como age na USP, seja quando persegue pobres na periferia ou reprime movimentos sociais?


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Fala o deputado que denunciou outros deputados

eduardo anizelli/folhapress

Roque Barbiere reafirma que levará o esquema de venda de emendas ao Ministério Público

Como o senhor se sente por ter feito as denúncias? Fiquei magoado pela maneira como o presidente da Assembleia (Barros Munhoz, PSDB) e o governo trataram do assunto, tentando me desqualificar, exigindo que eu desse nomes, quando a própria Constituição me ampara. Eles fingiram que não me conheciam. O governo me ignorou por completo, como se eu tivesse dito a maior mentira do mundo, como se ninguém tivesse nem cogitado que algo semelhante pudesse ocorrer na Assembleia. O governo se sentiu atingido pelas denúncias?

Em sexto mandato, o deputado estadual Roque Barbiere, do PTB, é da base aliada do governo há 16 anos. É dele a afirmação de que entre 25% e 30% dos deputados paulistas “vendem” as emendas ao Orçamento a que têm direito todos os anos. De acordo com o esquema, quando o recurso é repassado para pagar uma obra ou serviço, alguns deputados embolsam a “comissão”. Barbiere reafirmou que levará as informações de que dispõe ao promotor Carlos Cardoso, do Ministério Público – a investigação corre em segredo de Justiça, o que garante proteção aos acusados vista em que disse que 30% dos deputados vendem emendas? Não. Depois dela, tenho certeza de que vão sobrar mais recursos para o povo de São Paulo, as pessoas vão pensar dez vezes antes de fazer alguma coisa de errado. A base do governo rachou? Não sei como está, estou tendo pouco contato por causa dos problemas pessoais. Está descartada a hipótese de o senhor deixar a base? Não está nada descartado. Vou esperar aprovar o Orçamento, cumprir minha obrigação com o povo de São Paulo, depois,

Talvez, mas a denúncia foi para o bem, não para o mal. Alguém do governo estadual conversou com o senhor? Não. Nem na boa, nem na ruim. Virei um leproso politicamente falando, porque, no governo, ninguém tem coragem de chegar perto de mim. O que achou de o governo dizer que Bruno Covas gastou R$ 2,2 milhões em 2010? Ele primeiro disse que um prefeito ofereceu propina pra ele, depois que foi hipoteticamente. Do Covas eu gostava muito era do Mário. O senhor se arrepende da entre-

no ano que vem, vou me posicionar politicamente. Por que o presidente do PTB, deputado­Campos Machado, defendeu o governo? O Campos Machado é apaixonado pelo governador Alckmin, que realmente é uma pessoa cativante. Mas temos de separar o governador do governo. O Campos Machado não faz isso. O compromisso dele é apoiar o governo, dando certo ou errado. Não seria o momento de o senhor dizer algum nome, para não esfriar o assunto? Não posso, para satisfazer uma parte, prejudicar o todo.

Vou conversar com o promotor. Depois, se ele seguir o caminho, ele chegará aos nomes. Dona Terezinha, presidenta da ONG Centro Cultural Educacional Santa Terezinha, disse que 45% dos deputados vendem emendas... Isso é insignificante. Se 0,5% da Assembleia vender emendas, o Parlamento já está sujo. Isso aqui não é uma casa de anjos. Se com Jesus, que tinha 12 apóstolos, tinha um traidor, um falso e um incrédulo, imagine numa Assembleia com 94 deputados. Mas volto a dizer, a maioria daqui é gente boa.

Tereza Barbosa, 59 anos, coordena um instituto que atende crianças em Campo Grande, zona sul da capital. Ela conta: “Entrei em vários gabinetes e eles diziam assim: ‘Olha, eu dou o dinheiro para a senhora, mas a senhora me devolve a metade, para uma entidade minha, que não tem documentação’”. Dona Tereza descreve outra conversa. “Um prefeito me contou que eles dão a verba para a Prefeitura, mas quem contrata as empre-

raoni scandiuzzi

Líder comunitária conta como funciona o trambique

sas para fazer a obra é o deputado, e a construtora repassa 40%. Por isso a gente vê essas obras malfeitas. Uma vez fui reclamar

com uma construtora da Cidade Ademar e o dono me falou: ‘A gente não pode fazer nada com material de primeira, porque precisa devolver o dinheiro que chega pra gente’.” Dona Tereza, uma “apaixonada pelo PSDB”, não revela nomes por medo de sofrer represálias. Mas dá pistas. “Existe esquema em vários partidos – PSDB, PTB, PDT”. Por experiência própria, ela afirma que Roque Barbiere falou a verdade. “Ele não mentiu, não.

Só acho que a porcentagem é maior do que ele disse. Eu colocaria que uns 40% a 45% dos deputados vendem emenda.” A líder comunitária confirmou que, se convidada, iria ao Conselho de Ética. Como a apuração já estava sepultada, o promotor Carlos Cardoso foi ouvi-la. “Ela solicitou a deputados que patrocinassem emendas para financiar a entidade que ela preside. Uma parte deles, uns dez deputados, condicionaram o apoio à entidade à transferên-

cia de parte dos recursos para ONGs que eles indicariam. Ela achou estranho e não aceitou” – diz Cardoso. Terezinha não revelou nome de deputado algum. Mas o relato dela trouxe avanços na investigação. “Isso confirma que há uma prática pouco ou nada lícita por parte de alguns deputados, que manipulam as emendas, sem transparência e com propósito ilícito” – garantiu o promotor.


6 Eleições 2012

Dr. Japim, candidato a prefeito do PT

cortezani

Com ele, Campo Limpo Paulista já tem três nomes à sucessão de 2012

Dr. Japim é o candidato a prefeito do PT

Em 27 de novembro, foi realizada a prévia do PT de Campo Limpo Paulista. O Dr. Roberto de Andrade Japim – o Dr. Japim – foi escolhido como candidato a prefeito pelo partido. Ele é médico e filiado há mais de dez anos ao partido. Já concorreu ao cargo de vereador e a vice-prefeito. Agora, já são três os partidos

que escolheram seus candidatos na cidade – os outros dois candidatos são José Roberto de Assis (PR) e Luís Braz (PSDB). O candidato do PT sabe as dificuldades que irá encontrar em 2012 e ressalta a importância do envolvimento de toda sociedade. “Agradeço aos filiados que me apoiaram

na prévia, mas sei da grande responsabilidade que devo honrar. Nosso partido está unido. Vamos dar continuidade ao trabalho e envolver a população para sairmos vitoriosos em 2012. Campo Limpo Paulista é uma bela cidade, mas precisa ser melhor administrada e valorizada” – disse ele.

cotidiano

Rotatória da Nove de Julho causa transtornos

Obra do novo shopping trouxe ações emergenciais para minorar o trânsito caótico ping. Numa ata, ela registrou os problemas: o fluxo de trânsito era maior do que o calculado, havia dificuldade de acesso aos bairros e a sinalização era ineficaz. “Mas o morador nunca é ouvido” – diz ela. E exemplifica: “A Prefeitura fez um estudo virtual, que mostrou não ser preciso um semáforo. Mas a realidade era outra. Com o excesso

de veículos, só a sinalização de solo revelou-se insuficiente”. Ela conta ainda que a Avenida Coleta Ferraz de Castro foi maquiada, com obras superficiais. “Acabaram com os retornos. Há trechos sem calçadas. Falta planejamento. Resultado? Perigo para motoristas e pedestres e muita dor de cabeça pra quem mora nos bairros”.

mauro ramos

Com o início das obras do shopping na Avenida Nove de Julho, a Prefeitura construiu uma rotatória. Mas o local é confuso e perigoso. Houve vários acidentes, alguns graves. Em setembro, a moradora Leonina Shiavo reuniu-se com o povo do entorno para conversar com o prefeito Miguel Haddad e com o pessoal do shop-

Na rotatória houve acidentes, alguns graves

Trânsito e transporte coletivo irritam a população O Sistema Integrado de Transporte Urbano (SITU), implantado há seis anos e que é bandeira da administração do transporte eficiente, é ineficaz: faltam ônibus, linhas, itinerários mais racionais, o preço da passagem, R$ 2,90, é muito acima do que o sistema oferece em qualidade e quilometragem, uma vez que as linhas são curtas. As pessoas perdem tempo nos terminais e, quando o ônibus chega, ele está lotado, obrigando os usuários, inclusive

mauro ramos

Um grande problema dos jundiaienses é a mobilidade urbana: povo se aperta na condução

idosos, a se deslocar a pé. Para o presidente do Partido dos Trabalhadores de Jundiaí, Paulo Malerba, “a desorganiza-

ção das obras viárias da cidade torna o trânsito caótico”. Ele destaca a falta de planejamento urbano como causa dos trans-

tornos. “O transporte coletivo é ineficiente e de baixa qualidade. Isso desestimula as pessoas a deixar os carros em casa e usar o ônibus” – diz. Segundo ele, o bilhete único traria eficiência ao transporte. “O barateamento das tarifas e a melhoria no sistema viário, por meio de contrapartidas dos empreendedores que constroem a cidade, também garantiria a mobilidade urbana ideal de cidades planejadas, que respeitam e ouvem o cidadão” – observa Malerba.

Protestos

Para alertar a população dos problemas de trânsito e transporte público, o PT de Jundiaí realizou atos de protestos.Em 29 de novembro, os manifestantes foram à Avenida Jundiaí e colocaram cartazes para a sociedade debater o assunto. Em 8 de dezembro, a manifestação foi no Viaduto Sperandio Pelliciari (Duratex). Em ambas as ocasiões, eles foram vigiados pela PM.


7 futebol

Paulista é campeão da Copa da Federação. Mais uma vez Um campeão que chegou lá por causa do entrosamento, da união e da superação deu quando podia. O time foi derrotado pelo Comercial por 2 a 1, no Estádio Santa Cruz, mas levou a taça na somatória dos resultados agregados nos dois jogos da decisão – o tricolor havia vencido no Jayme Cintra por 2 a 0. Assim como em 2010, o time figura novamente na Copa do Brasil, em 2012. O Paulista foi pressionado pelo Comercial no primeiro tempo, assim como havia sido pelo Fluminense, em

Célio Messias/Tribuna Ribeirão

Os três ingredientes acima foram fundamentais para que o Paulista Futebol Clube, comandado por uma diretoria formada por gente de Jundiaí, conquistasse o título de bicampeão da Copa Federação Paulista, em Ribeirão Preto. O grupo superou até salários atrasados, buscou a união no momento certo e trouxe mais um título para a cidade. Num jogo emocionante e dramático no final, o Galo per-

São Januário, na conquista do título da Copa do Brasil, em 2005, sua maior façanha em 102 anos de vida. Festa de jogadores, desabafo de campeões. Mesmo diante das dificuldades financeiras, o Paulista Futebol Clube terminou o ano com chave de ouro. “Ganhar meu primeiro título perto de casa tem um sabor especial” – disse o técnico Wagner Lopes, no momento de grande comemoração.

Célio Messias/Tribuna Ribeirão

Wagner Lopes deixa o comando do Galo O técnico Sérgio Baresi, exSão Paulo Sub-20, é o novo técnico do Paulista, em substituição a Wagner Lopes que, depois da conquista da Copa Paulista, se desligou da equipe. Na chegada, o treinador destacou que o objetivo da equipe é buscar uma das vagas no Campeonato Brasileiro da Série D. “Estou confiante e logo que cheguei aqui senti um clima muito bom, que

nos dá satisfação para trabalhar e gerar resultado” – declara. Segundo ele, “o Paulista tem condição de conquistar a vaga. Mas precisa trabalhar bastante e minimizar os erros, porque o Campeonato Paulista é uma competição extremamente difícil”. Sobre o elenco do Galo, ele disse que recebeu algumas informações, mas ainda quer analisar melhor para conhecer

as necessidades. “Preciso saber quais atletas vão permanecer e quais vão deixar o clube. A partir daí, vamos analisar as posições mais carentes e onde vamos precisar nos reforçar. Alguma conversa com o São Paulo não está descartada, mas primeiro vamos ver quais as nossas necessidades” – diz. Baresi garante não haver problema em lançar novos

valores. Quando estava no São Paulo, ele lançou, por exemplo, o zagueiro Bruno Uvini, o volante Casemiro e o meia Lucas na equipe profissional. “Se o jogador tem qualidade, a pouca idade não é problema. No São Paulo, de 12 atletas das categorias de base que eu tinha no elenco, lancei seis, sem problema nenhum.”

cultura

Ateliê Casarão: um espaço dedicado aos artistas O Ateliê Casarão é um espaço cultural que tem o objetivo de servir de estúdio e pode ser usado em exposições, mostras, apresentações e debates. Inaugurado em fevereiro de 2008, o artista aluga o local, que tem duas salas para ensaios, espaço para criação de cenário e intervenções de artes visuais e estacionamento. Segundo o proprietário

Cláudio de Albuquerque, o Ateliê também oferece cursos e oficinas culturais, como dança (flamenco, do ventre), castanhola, cultura popular, teatro, capoeira e percussão, entre outras. Cláudio conta que a ideia de ter um espaço cultural nasceu da necessidade de ter um espaço de criação, porque os teatros da cidade e outros lo-

mauro ramos

Democrático, o estúdio é aberto aos que querem expor suas obras e não têm lugar adequado cais de exposição municipais são muitos disputados. “Assim, fomos atraindo artistas que viram no Ateliê um local amplo que atende as expectativas do público e de quem precisa expor seus trabalhos” – conta. O Ateliê Casarão possui ainda uma biblioteca com 500 livros, 150 textos, 600 DVDs e 400 CDs para pesquisa.

Serviço Ateliê Casarão – Rua Doutor Almeida, nº 265, Centro – Jundiaí. Telefone: 68523849, com Cláudio. Outras informações e programação dos cursos, oficinas e exposições: ateliecasarao.blogspot.com. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 18 h às 22 h; sábados, das 10 h às 22 h; domingos, apenas quando há eventos.


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Horizontal – 1. Centro de Controle Operacional; Cada uma das partes distintas da corola 2. Instrumento de cordas, de forma triangular, tocado com os dedos; Partir 3. Nome de árvore que fornece madeira resistente e dura; (Pl.) Unidade de medida de capacidade, correspondente ao volume de um decímetro cúbico 4. (Abr.) Cruzeiro; Dois, em algarismo romano 5. Herbívoro da África, de pele grossa, patas e cauda curta, cabeça grande e focinho largo 6. Que não está contido 7. Pedido de socorro; Interjeição usada para chamar a atenção de alguém; Composição poética do gênero lírico 8. (Abr.) Boletim de serviço; Aguardente que se obtém pela fermentação e destilação do melaço de cana-de-açúcar 9. Nome da letra p; Sovaco; 10. Nome de um planeta; Ilha de coral 11. Cidade de São Paulo; Membro das aves guarnecido de penas, que serve para voar

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Vertical – 1. Galanteador importuno de uma senhora casada ou viúva; 2. Relativos ou semelhantes à cabra ou ao bode; (Abr.) Rádio Patrulha 3. Reze; Partidos Comunistas; Alimento feito de farinha, especialmente de trigo, amassada e cozida no forno 4. Ação de voar; Nome comum a vários cervídeos que habitam as partes boreais da Europa, Ásia e América 5. Sigla em inglês de Phase Alternating Line; Cobertura de borracha com que calçam as rodas dos automóveis e outras viaturas 6. Muito boa, excelente 7. Falatório, murmuração; Soberanos, na língua persa 8. Diz-se do galo que, na rinha, ferido ou cansado, não podendo manter-se de pé, sustenta-se apoiando a cabeça no solo; Pedra, em tupi-guarani 9. Medida que se usa para as proporções nos corpos arquitetônicos 10. Limpo o nariz; Fila, separada por um espaço

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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

Respostas c h i c h i s b e u

c o a r p p e r v i p o n c o o s s r p e r a n p o a

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9 7 4 1 6 2 5 8 3

3 8 6 5 7 9 2 4 1


Jornal Brasil Atual - Jundiai 06