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Jornal Regional de Bebedouro

Bebedouro

nº 14

poder do batom

Distrib

Gratuuiição ta

Dezembro de 2011

reage brasil

mulher coragem A trajetória de Ana Dias, a esposa de Santo Dias da Silva, morto pela ditadura

sob barracas Sagrada Família faz festa na capela do Assentamento

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prouni

jovem e doutor Programa do Governo Federal muda a vida de milhares de pessoas

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várzea escândalo do orçamento

como os deputados forjam as emendas Controle do governo Alckmin na Assembleia tropeça nos aliados. E surge areia no esquema Pág. 4-5

belos times Bairro Boa Vista decide campeonato da cidade e pede melhorias

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2 Assentamento Reage Brasil

Festa na Capela Sagrada Família

editorial Esta edição do jornal Brasil Atual traz um exemplo da região de uma mulher de coragem: Ana Dias, esposa de Santo Dias da Silva, o operário morto pela ditadura em 1979. Baseada na história do antigo companheiro, ela, que enfrentou com ele as dificuldades no campo nas imediações de Bebedouro, voltou à cidade e hoje mostra como é ser combativa, não se deixar abater e transformar a vida numa saudável militância. Esta edição também mostra como atua a velha mídia brasileira, o PIG – Partido da Imprensa Golpista. Para não perder os privilégios, ela nunca dá vazão às denúncias de corrupção no governo tucano. Pois bastou o deputado Roque Barbieri, do PTB, dizer que 30% dos deputados “vendem” suas cotas de emendas ao Orçamento paulista – afirmação confirmada pela líder comunitária tucana Tereza Barbosa –, ameaçando romper um velho laço aliado de apoio ao governo Alckmin, que o PIG sepultou o assunto. Fez-se de “migué”. Nós não. Contamos, nas páginas centrais, como se dá o trambique. Ainda bem que a gente vislumbra um futuro diferente em jovens como Daniel e Giovane, estudantes de baixa renda beneficiados pelo Prouni. Eles, sim, são o Brasil que está por vir. É isso. Boa leitura!

jornal on-line Leia on-line todas as edições do jornal Brasil Atual. Clique www.redebrasilatual.com.br/jornais e escolha a cidade. Críticas e sugestões jornalba@redebrasilatual.com.br

Domingo, 27 de novembro, hora do almoço, a Comunidade Sagrada Família da Paróquia de Santo Inácio de Loiola fez a festa na capela do Assentamento Reage Brasil. Com farta e boa comida, doces e música sertaneja, debaixo da barraca ou das mangueiras de espécies variadas, todos se divertiram bastante. E ainda deu para juntar um dinheirinho para ajudar nas despesas da Capela Sagrada Família. Para a irmã Maria Eunice da Silva, de 45 anos, da Congregação Servas do Senhor, o companheirismo e a dedicação

mauro ramos

Comemoração sob barracas beneficia a comunidade

de todos foram grandes. “É a primeira vez que participo e gostei muito do que vi” – diz a religiosa. As voluntárias Maria da Penha Mariano Campos, de 53 anos, e Irani Sass dos Santos, de 62, ajudaram na cozinha. Para ambas, “aqui

tudo é muito simples, mas o sentimento de fraternidade e o acolhimento são muito fortes”. Apesar da idade, Maria de Lourdes Bonafim, de 76 anos, presidente do voluntariado do Lar do Idoso, esteve presente e ajudou na organização.

seminário

PT debate Ética e Política Evento na OAB reuniu pessoas de outros partidos O Partido dos Trabalhadores (PT) de Bebedouro organizou um seminário sobre Ética e Política, no dia 8, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Além da maioria petista, estiveram no evento gente do Partido Verde (PV), do antagônico DEM e apartidários. Para Luis Carlos de Freitas, presidente do PT local, dada a importância do tema, o objetivo era “discutir com nossos pré-candidatos e aproveitar a presença do professor de Filosofia e Ética Walter Luiz Lara e debater com a sociedade” – disse ele.

O professor Walter, de Itatiba, citou filósofos – Sócrates, Maquiavel, Rousseau, Nietzsche e Weber – e discorreu sobre a ética da responsabilidade e a ética da razão. Para ele, “ainda há muita acomodação com os desvios éticos na política brasileira, porém há resistências, e os resistentes precisam ser incentivados. Tudo está mais transparente e a corrupção aparece mais. Mas o povo também cobra mais, e isso é bom” – explicou. Um ponto polêmico, defendido pelo palestrante, foi a limitação a dois mandatos para o Poder Legislativo.

O vice-prefeito, Gustavo Spido (PV), parabenizou o PT por discutir um tema relevante – a busca de uma política ética, séria e responsável. “Nossa cidade precisava disso” – disse. O ex-vereador, Carlos Orpham (PT), coordenador do seminário, disse que os objetivos foram atingidos. “A ideia era filosofar um pouco sobre o tema e trazer a ética para o cotidiano. Acho que a reflexão sobre a prática política na cidade ajuda a gente ter uma eleição e uma futura administração mais ética e responsável” – concluiu Orpham.

Expediente Rede Brasil Atual – Bebedouro Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Leonardo Brito (estagiário) Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3241-0008 Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição Gratuita


3 prouni

Programa dá oportunidades a jovens bebedourenses Desde 2005, o governo federal oferece bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior no País. O programa já atendeu 919 mil estudantes e mudou a vida de jovens de família de baixa renda pelo Brasil. Veja como, em Bebedouro, o futuro de dois jovens tomou rumo diferente do planejado pelas suas famílias Escola Dr. Paraíso Cavalcanti. Daniel sempre foi bom aluno. No último ano do ensino fundamental, ficou entre os 30 classificados no concurso de redação da EPTV e ao final do ensino médio foi indicado pela escola para participar do concurso “Jovens Embaixadores”, do governo do Estado. A mãe, Maria do Carmo, lembra que havia uma professora dele, Cristina Volpini, que levava apostilas de uma escola particular da cidade para ele estudar, “pois ele sempre estava adiantado e queria aprender mais, nunca tirou uma nota vermelha”. Depois de dois anos tentando passar na USP, fez um ano de cursinho na Escola Delta, cuja diretora, Angélica

mauro ramos

Daniel Moreira Fossaluzza, 22 anos, é filho de uma família de classe média baixa. O pai, João Roberto Fossaluzza, de 62 anos, é aposentado; a mãe, Maria do Carmo Martins Moreira Fossaluzza, de 50, é dona de um pequeno comércio no Jardim Alvorada, onde residem. Este ano ele terminou o terceiro período do curso de medicina na Universidade de Uberaba (Unibe), com bolsa de 100% pelo Prouni. Daniel fez as duas primeiras séries do ensino fundamental na Escola Orlando França, da terceira à sétima séries estudou no Centro Educacional do Sesi e a oitava fez na Escola Abílio Alves Marques. Os três anos do ensino médio ele fez na

Nociti Mendonça Peixoto, de 42 anos, o incentivou a prestar o Enem. “O Daniel era um jovem especial, determinado e consciente das dificuldades de se realizar um grande sonho. Os desafios enfrentados por ele fortaleceram sua determinação de ser médico e as dificuldades jamais o fizeram desistir desse sonho tão sublime. Nós, da equipe Delta, tivemos o prazer de conviver com ele por quase dois anos e aprendemos a acreditar que os sonhos são possíveis, quando são verdadeiros, e as pedras no caminho só fortalecem o desejo de vencer” – diz Angélica. Daniel, afinal, começou a cursar Medicina, sonho que embalava havia algum tempo. E reserva um elogio ao programa. “Mandaram eu abrir uma conta no Banco do Brasil para receber a ajuda de custo e o crédito vem todo mês, não falha um. Não é muito, mas ajuda bastante” – diz. Evangélico como a família, o pai, João Roberto, diz que o programa “é uma benção”. A mãe lembra que “muita gente diz que fulano estuda no Prouni e tem carro; eu digo que, se posso ter carro, jamais teria condição de bancar meu filho estudando medicina. Só a mensalidade é R$ 4.000,00” – diz Maria do Carmo.

Giovani José dos Santos, de 20 anos, vive em uma realidade diferente de Daniel, mas goza da mesma alegria de ser um atendido pelo programa. Filho de Maria Vanúbia de Oliveira, 43 anos, e José da Silva dos Santos, de 45, Giovani é o primeiro dos quatro filhos do casal de assentados no Assentamento Reage Brasil, em Bebedouro. Ele termina o 6º período do curso de Engenharia Ambiental na Fundação Educacional de Barretos (FEB), também com bolsa de 100% do Prouni. Vanúbia lembra que não via Giovani estudar em casa “mas ele sempre tirava notas boas”. A vida de toda a família nunca foi fácil. O menino Giovani chegou a morar oito anos numa barraca de lona, sendo quatro no acampamento à beira da estrada, enquanto aguardavam a posse de um lote de terra, e outros quatro já dentro do Assentamento. Hoje moram em seu próprio lote, em uma casa de alvenaria, porém sem reboco nem acabamento. Durante o ensino fundamental e médio, nas escolas Abílio Marques e Paraíso Cavalcanti, Giovani caminhava a pé pela estrada de terra para pegar o ônibus da Prefeitura e chegar à escola, depois de rodar 16 km. Para a mãe, Vanúbia, “o pro-

mauro ramos

O menino que vai ser médico... ...e o que veio da lona

grama é uma bênção que Deus proporcionou ao povo pobre, através de um presidente que sabe o que é o sofrimento do povo, o presidente Lula” – lembra emocionada. Tímido e de poucas palavras, Giovani diz que o Prouni “é uma janela de oportunidades que se abre para muitos jovens de baixa renda como eu”. Com pouco dinheiro para se manter fora de casa, o universitário já ficou hospedado em casas paroquiais, ONGs, e agora numa república, pois passou no concurso para estagiar remuneradamente no DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo e, assim, já pode contar com um dinheirinho a mais.


4 escândalo do orçamento

Surge areia no esquema da Assembleia Legislativa

O tucano Geraldo Alckmin, o fiel escudeiro Campos Machado (PTB) e Bruno Covas: zorra total

Meio Ambiente, deputado licenciado Bruno Covas (PSDB), confirmou o esquema ao jornal O Estado de S. Paulo, e citou o caso de um prefeito que lhe ofereceu 10% de uma emenda – R$ 50 mil –, que garantiu não ter aceitado. Convidado a se explicar ao Conselho

de Ética da Alesp, Covas não apareceu. Enviou carta afirmando que seu relato era uma situação hipotética e didática, usada em palestras, encontros e conversas. No Ministério Público do Estado, o promotor Carlos Cardoso abriu inquérito para apurar o escândalo. Para

ele, não pareceu ser apenas um exemplo didático. Um levantamento divulgado no site do deputado Bruno Covas indicava que, em 2010, ano eleitoral, seu gabinete repassara R$ 9,5 milhões em emendas para várias cidades paulistas – embora o limite

ernesto rodrigues/ae

alesp

MARCELLO CASALJR

O domínio do Executivo na Assembleia combina indicações a cargos públicos, divisão do poder regional e administração da liberação de recursos das emendas parlamentares ao Orçamento do Estado. Porém, falhas no gerenciamento dos partidos da base levaram alguns deputados do PTB a se incomodar com o governo Alckmin. Por causa do desprestígio e da redução de recursos repassados à Secretaria de Esporte, nas mãos dos petebistas, o cacique do partido, Campos Machado, cobrava atenção do governo às questões do partido. Até que o deputado Roque Barbiere (PTB) chutou o balde. Em entrevista ao site do jornal Folha da Região, de Araçatuba, em setembro, afirmou que de 25% a 30% dos deputados “vendem” as emendas a que têm direito anualmente em troca de abocanhar parte dos recursos liberados. E assegurou que o governo Alckmin foi alertado disso. O secretário estadual de

vander fornazieri

Alguns deputados “vendem” as emendas e abocanham parte dos recursos liberados Por Raoni Scandiuzzi de cada deputado seja R$ 2 milhões anuais. Procurado, ele silenciou. Sua assessoria justificou que o levantamento trouxe emendas de anos anteriores, pagas em 2010, e outras obras eram pedidos do governo, e não dele. Em 12 de outubro, o governo disse que divulgaria os recursos oriundos de emendas no site da Secretaria da Fazenda. A relação foi publicada em 4 de novembro. Nela, o presidente da Alesp, deputado Barros Munhoz (PSDB), é campeão de indicações, empenhando R$ 5,6 milhões no ano passado. Segundo o documento, Bruno Covas tem R$ 2,2 milhões em emendas. Mas a lista oficial não é confiável – o site do deputado licenciado informara um montante quase cinco vezes maior. Outro exemplo: tanto sua página eletrônica como a da prefeitura de Sales divulgam uma emenda no valor de R$ 100 mil para a construção da Praça Floriano Tarsitano na cidade. Na relação do governo o recurso nem aparece.

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) tem 94 deputados, 3.000 funcionários e orçamento anual de R$ 660 milhões. Desfruta da camaradagem da imprensa comercial – que se indigna com denúncias de Brasília e blinda o governo paulista. A maioria dos parlamentares submete-se em silêncio ao Palácio dos Bandeirantes,

onde, desde 1995, a morada do chefe do Executivo é também um ninho tucano. Em troca de apoio aos seus interesses eleitorais, deputados da base aliada mantêm o governador do Estado livre de qualquer dor de cabeça. É na Alesp que se discute e aprova o Orçamento do Estado – R$ 140 bilhões em 2011 – e onde se deve fiscalizar sua correta aplicação. É lá que se dis-

mauricio garcia de souza/alesp

Alesp atua como escritório de despachos dos tucanos cutem leis, desde a que proibiria a venda de porcarias de alto teor calórico em cantinas de escolas públicas até as que autorizaram o governo a vender o patrimônio estratégico – como do setor elétrico, do Banespa e da Nossa Caixa, a concessão de estradas e ferrovias. Lá é onde o governo sabe que denúncias e pedidos de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)

serão varridos para baixo do tapete. Quantas vezes você leu, ouviu ou viu notícias de que os deputados paulistas investigaram uma suspeita de superfaturamento em contratos do Metrô ou os abusos da Polícia Militar – seja na forma violenta como age na USP, seja quando persegue pobres na periferia ou reprime movimentos sociais?


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Fala o deputado que denunciou outros deputados

eduardo anizelli/folhapress

Roque Barbiere reafirma que levará o esquema de venda de emendas ao Ministério Público

Como o senhor se sente por ter feito as denúncias? Fiquei magoado pela maneira como o presidente da Assembleia (Barros Munhoz, PSDB) e o governo trataram do assunto, tentando me desqualificar, exigindo que eu desse nomes, quando a própria Constituição me ampara. Eles fingiram que não me conheciam. O governo me ignorou por completo, como se eu tivesse dito a maior mentira do mundo, como se ninguém tivesse nem cogitado que algo semelhante pudesse ocorrer na Assembleia. O governo se sentiu atingido pelas denúncias?

Em sexto mandato, o deputado estadual Roque Barbiere, do PTB, é da base aliada do governo há 16 anos. É dele a afirmação de que entre 25% e 30% dos deputados paulistas “vendem” as emendas ao Orçamento a que têm direito todos os anos. De acordo com o esquema, quando o recurso é repassado para pagar uma obra ou serviço, alguns deputados embolsam a “comissão”. Barbiere reafirmou que levará as informações de que dispõe ao promotor Carlos Cardoso, do Ministério Público – a investigação corre em segredo de Justiça, o que garante proteção aos acusados vista em que disse que 30% dos deputados vendem emendas? Não. Depois dela, tenho certeza de que vão sobrar mais recursos para o povo de São Paulo, as pessoas vão pensar dez vezes antes de fazer alguma coisa de errado. A base do governo rachou? Não sei como está, estou tendo pouco contato por causa dos problemas pessoais. Está descartada a hipótese de o senhor deixar a base? Não está nada descartado. Vou esperar aprovar o Orçamento, cumprir minha obrigação com o povo de São Paulo, depois,

Talvez, mas a denúncia foi para o bem, não para o mal. Alguém do governo estadual conversou com o senhor? Não. Nem na boa, nem na ruim. Virei um leproso politicamente falando, porque, no governo, ninguém tem coragem de chegar perto de mim. O que achou de o governo dizer que Bruno Covas gastou R$ 2,2 milhões em 2010? Ele primeiro disse que um prefeito ofereceu propina pra ele, depois que foi hipoteticamente. Do Covas eu gostava muito era do Mário. O senhor se arrepende da entre-

no ano que vem, vou me posicionar politicamente. Por que o presidente do PTB, deputado­Campos Machado, defendeu o governo? O Campos Machado é apaixonado pelo governador Alckmin, que realmente é uma pessoa cativante. Mas temos de separar o governador do governo. O Campos Machado não faz isso. O compromisso dele é apoiar o governo, dando certo ou errado. Não seria o momento de o senhor dizer algum nome, para não esfriar o assunto? Não posso, para satisfazer uma parte, prejudicar o todo.

Vou conversar com o promotor. Depois, se ele seguir o caminho, ele chegará aos nomes. Dona Terezinha, presidenta da ONG Centro Cultural Educacional Santa Terezinha, disse que 45% dos deputados vendem emendas... Isso é insignificante. Se 0,5% da Assembleia vender emendas, o Parlamento já está sujo. Isso aqui não é uma casa de anjos. Se com Jesus, que tinha 12 apóstolos, tinha um traidor, um falso e um incrédulo, imagine numa Assembleia com 94 deputados. Mas volto a dizer, a maioria daqui é gente boa.

Tereza Barbosa, 59 anos, coordena um instituto que atende crianças em Campo Grande, zona sul da capital. Ela conta: “Entrei em vários gabinetes e eles diziam assim: ‘Olha, eu dou o dinheiro para a senhora, mas a senhora me devolve a metade, para uma entidade minha, que não tem documentação’”. Dona Tereza descreve outra conversa. “Um prefeito me contou que eles dão a verba para a Prefeitura, mas quem contrata as empre-

raoni scandiuzzi

Líder comunitária conta como funciona o trambique

sas para fazer a obra é o deputado, e a construtora repassa 40%. Por isso a gente vê essas obras malfeitas. Uma vez fui reclamar

com uma construtora da Cidade Ademar e o dono me falou: ‘A gente não pode fazer nada com material de primeira, porque precisa devolver o dinheiro que chega pra gente’.” Dona Tereza, uma “apaixonada pelo PSDB”, não revela nomes por medo de sofrer represálias. Mas dá pistas. “Existe esquema em vários partidos – PSDB, PTB, PDT”. Por experiência própria, ela afirma que Roque Barbiere falou a verdade. “Ele não mentiu, não.

Só acho que a porcentagem é maior do que ele disse. Eu colocaria que uns 40% a 45% dos deputados vendem emenda.” A líder comunitária confirmou que, se convidada, iria ao Conselho de Ética. Como a apuração já estava sepultada, o promotor Carlos Cardoso foi ouvi-la. “Ela solicitou a deputados que patrocinassem emendas para financiar a entidade que ela preside. Uma parte deles, uns dez deputados, condicionaram o apoio à entidade à transferên-

cia de parte dos recursos para ONGs que eles indicariam. Ela achou estranho e não aceitou” – diz Cardoso. Terezinha não revelou nome de deputado algum. Mas o relato dela trouxe avanços na investigação. “Isso confirma que há uma prática pouco ou nada lícita por parte de alguns deputados, que manipulam as emendas, sem transparência e com propósito ilícito” – garantiu o promotor.


6 poder do batom

A vida na terra do Prudentão, um coronel da região O difícil caminho de Ana Dias, da luta nas fazendas à militância estadual

meeiros (lavrador que divide a colheita com o dono) – diz ela. “Havia, também, a caderneta, sistema em que o patrão anotava o que os trabalhadores comiam no comércio da fazenda, de modo que a gente sempre estava devendo” – conta Ana. Outra reminiscência, as vestimentas. Os colonos tinham o apelido de “os remendados” por usarem um conjunto de retalhos costurados, sem ordem ou combinação de cores.

Segundo Ana, Prudentão, como era conhecido José Dias Prudente Corrêa, dono da fa-

zenda e grande coronel da região de Bebedouro. “Sob ameaça de morte, ele invadia as

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O metalúrgico Santo Dias da Silva sempre é lembrado quando se fala nas greves que perturbaram a ditadura militar. Militante cristão, chefe da Pastoral Operária e integrante da Oposição Sindical dos Metalúrgicos paulistanos, antes de mudar para São Paulo e ser motorista de empilhadeira na Metal Leve S/A, ele foi lavrador, colono, diarista, eletricista, tratorista e boia-fria por todo o Estado. A companheira nas ações durante sua militância era Ana Maria do Carmo Dias, a Ana Dias, hoje com 68 anos. Ana nasceu em Pitangueiras e passou a juventude na Fazenda Floresta, em Terra Roxa – ela, a mãe e as irmãs eram cozinheiras, o irmão era da lavoura de café e o pai era retireiro, fazia a ordenha de vacas.

Por Leonardo Brito

pequenas propriedades do entorno e obrigava os produtores a trabalharem para ele como

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A serenidade do retorno de uma cidadã de luta Depois da morte do marido, Ana foi à luta com as mulheres pobres. Ex-diretora da Coordenadoria da Mulher em São Paulo, da Pastoral Operária, ela trabalhou com adolescentes grávidas. Em 2000, volta a Bebedouro, compra uma casa no Parque Eldorado

e, com o apoio da Prefeitura, cria o Conselho da Mulher, do qual é vice-presidenta. Ana é uma cidadã consciente. Participa da Pastoral da Fé e Política da Igreja Católica, é voluntária no combate ao câncer na Fundação Abílio Alves Marques e apoia famí-

lias no grupo de Proletárias do Bem, do Centro Espírita do Calvário ao Céu. Ela se orgulha da militância, mas diz que é uma vida difícil. “Nossa luta não surgiu da noite para o dia, ela vem desde a juventude nas fazendas”. Para ela, divulgar os nossos

mártires é importante para não se perder a história do país. A viúva tem a nítida impressão de que Santo Dias deixou uma marca na vida das pessoas. Ele e todos os militantes que derramaram o sangue pela liberdade e igualdade dos direitos do povo brasileiro.

Em 30 de outubro de 1979, durante o governo de Paulo Maluf, num piquete de grevistas na porta da indústria Sylvania, em Santo Amaro, zona sul da Capital, foi morto com um tiro à queima-roupa o operário Santo Dias da Silva, funcionário da Filtros

divulgação

Como a ditadura matou o operário Santo Dias Mann. Nascido em Terra Roxa, ele tinha 37 anos e representava os trabalhadores na Pastoral Operária. Na autópsia, assinada pelo legista Samuel Grummer, Santo morreu de hemorragia por causa de um tiro no tórax. O soldado PM Herculano Leonel, da Rota 220, foi acusado de

ser o autor do disparo. Condenado, em abril de 1982, a seis anos de prisão, o soldado recorreu da sentença. Em dezembro de 1983, o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo absolveu-o por unanimidade por entender que Leonel “não concorreu para o fato”.


7 Campeonato varzeano

Coisa do destino

Uma final só de Boa Vista

Conhecer Santo Dias foi coisa do destino. Ele nasceu em Terra Roxa, em 1942. Ela nasceu um ano depois, em Pitangueiras, a 54 km da cidade dele. Santo passou a juventude na Fazenda Guanabara, em Viradouro, cuja dona era Célia Prudente Corrêa, filha de José Prudente. O namoro com Santo começou em 1961, após alguns flertes e encontros na cidade. “Tudo se deu numa troca de olhares. Ele tinha olhos claros, era alto e de cor bonita. Quando eu passeava na cidade com meus irmãos, ele ia junto. Deixava a bicicleta na casa da minha mãe e embarcava no caminhão. Ele sempre dava um jeito de ficar perto de mim” – lembra Ana. Santo e Ana casaram-se em 1965. Santo era um visionário. Curioso, lia muito e conciliava roça e escola. Sua luta por justiça começou nos anos 1960, quando os trabalhadores queriam que os patrões assinassem suas carteiras de trabalho. Em resposta,

os fazendeiros expulsaram a todos, e Santo foi um deles. “Era difícil acompanhá-lo” – lembra Ana. Mesmo assim, ela militou nas mesmas causas, seguiu a mesma religião e sempre buscou melhor vida para os oprimidos. Não que Ana concordasse em tudo com Santo. “Brigávamos quando ele se aventurava na política e esquecia a família” – ela e os dois filhos, Luciana Dias da Silva, hoje com 43 anos, e o filho Santo Dias, que tem 45. Como nenhuma roça mais queria Santo, rotulado de comunista, ele virou boia-fria. Depois, mudou-se para Santo Amaro, em São Paulo. Na capital, Ana recorda que ele se envolveu com sindicatos e lutou contra a ditadura. “Para ele, revolução era mudança e o preço da liberdade era a queda da ditadura, com o povo participando das decisões do país. Infelizmente, ele não viu nem o fim da ditadura, nem o Partido dos Trabalhadores (PT) nascer e crescer” – lamenta Ana.

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Já estava garantido. Um dos times do Alto da Boa Vista seria o Campeão do Varzeano 2011. Na final, na manhã de domingo 4 de dezembro, no Stamatão, o Boa Vista jogou contra o Atlético Boa Vista. O Boa Vista goleou o adversário por 4 x 1 e levantou o caneco. Danilo Alves da Silva, do Atlético Boa Vista, foi o artilheiro do campeonato, com nove gols em nove jogos. João Victor da Cruz, do mesmo time, foi o goleiro menos vazado, com três gols sofridos em dez jogos. O ArtSol levou o Troféu Fair Play, de equipe mais disciplinada. O Departamento Municipal de Esportes (DME) premiou o campeão com R$ 1 mil e, o vicecampeão com R$ 500,00, além de troféus e medalhas. Todos os

times semifinalistas – Boa Vista, Atlético Boa Vista, Marajá e Sol Dourado – ganharam do DME uniformes completos –

camisa, calção e meião. O CPP/ Funerária São João, campeão dos Veteranos, também recebeu uniformes.

Bairro merece mais Silvio Aparecido Mariano, 38 anos, virou porta-voz dos moradores do Alto da Boa Vista. Ele, que vive no bairro desde que nasceu, diz que “o fato de os dois times do bairro fazerem a final do campeonato é indicativo de que merecemos um Centro Comunitário para a prática de esportes”.

Criança e Adolescente

Campanha arrecada R$ 100 mil Autor da Lei, Orpham marcou presença em solenidade Com uma palestra do auditor fiscal da Receita Federal de Ribeirão Preto, Júlio Alfredo Curvo, a Câmara de Bebedouro em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) entregou, em sessão solene na noite de 1º de dezembro, selos e diplomas da Campanha Contribuinte Cidadão às pessoas e empresas que destinaram parte do seu Imposto de Renda para o CMDCA. As destinações dos recursos podem ser feitas até o último dia útil de cada ano. Até novembro, 103 pessoas contribuíram com a campanha. Com isso, mais de R$ 100 mil financiaram projetos de 13 en-

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Bairro da cidade mostra sua força no futebol amador

tidades assistenciais. Para a presidenta do CMDCA, Neide Aparecida Rosa, a destinação de parte do imposto é um “gesto

simples”, mas que “representa muito” para a manutenção de programas sociais no município. Para Carlos Orpham, autor da lei que criou a campanha em 2003, “esse é um projeto pelo qual eu tenho grande apreço, é importante para a cidade e para as crianças”. A solenidade foi marcada por apresentações do Grupo Vozes do Coração e dos alunos de balé da ONG ArtSol, sob a coordenação do coreógrafo Anderson Luís.

Para enviar recursos

Em caso de pessoa física, veja quanto é 6% do imposto devido e deposite na conta do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Banco do Brasil, Agência 054-X, C/C 130.250-7. Pegue o recibo do banco, dirija-se à sede do Conselho e peça o recibo próprio. Guarde-o com a Declaração de Ajuste Anual do IR.


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Horizontal – 1. Centro de Controle Operacional; Cada uma das partes distintas da corola 2. Instrumento de cordas, de forma triangular, tocado com os dedos; Partir 3. Nome de árvore que fornece madeira resistente e dura; (Pl.) Unidade de medida de capacidade, correspondente ao volume de um decímetro cúbico 4. (Abr.) Cruzeiro; Dois, em algarismo romano 5. Herbívoro da África, de pele grossa, patas e cauda curta, cabeça grande e focinho largo 6. Que não está contido 7. Pedido de socorro; Interjeição usada para chamar a atenção de alguém; Composição poética do gênero lírico 8. (Abr.) Boletim de serviço; Aguardente que se obtém pela fermentação e destilação do melaço de cana-de-açúcar 9. Nome da letra p; Sovaco; 10. Nome de um planeta; Ilha de coral 11. Cidade de São Paulo; Membro das aves guarnecido de penas, que serve para voar

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Vertical – 1. Galanteador importuno de uma senhora casada ou viúva; 2. Relativos ou semelhantes à cabra ou ao bode; (Abr.) Rádio Patrulha 3. Reze; Partidos Comunistas; Alimento feito de farinha, especialmente de trigo, amassada e cozida no forno 4. Ação de voar; Nome comum a vários cervídeos que habitam as partes boreais da Europa, Ásia e América 5. Sigla em inglês de Phase Alternating Line; Cobertura de borracha com que calçam as rodas dos automóveis e outras viaturas 6. Muito boa, excelente 7. Falatório, murmuração; Soberanos, na língua persa 8. Diz-se do galo que, na rinha, ferido ou cansado, não podendo manter-se de pé, sustenta-se apoiando a cabeça no solo; Pedra, em tupi-guarani 9. Medida que se usa para as proporções nos corpos arquitetônicos 10. Limpo o nariz; Fila, separada por um espaço

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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

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