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Distrib

Bebedouro

Jornal Regional de Bebedouro

Gratuuiição ta

nº 9

Pedágio

mais caro Governo aumenta a tarifa nas 227 praças do Estado de São Paulo

Julho de 2011

Literatura

o estreante Fausto Lessa entra para o seleto time de escritores da cidade

Pág. 2

escultura

o calejado Noear, o homem que transforma pedaços de ferro em obra de arte

Pág. 6

futebol protesto popular

Ato quer enterrar prefeito e vereadores Frente dos Bebedourenses Indignados pretende ir a pé da Prefeitura à Câmara Municipal Pág. 3

o veterano Branco, o beque que era engraxate e hoje é um fazendeiro

Pág. 7


2 Literatura

Fausto Lessa, autor Noite de autógrafos foi em junho

vale o que vier

A história de Lenita

mauro ramos

Publicitário de formação, o bebedourense Fausto Lessa Guimarães lançou seu primeiro livro, na Herança Cultural Livraria, no Bebedouro Shopping, onde falou com parentes, velhos amigos e fãs do seu trabalho. O livro O Contorno e Suas Nuances tem 99 páginas e 22 textos e pode ser comprado naquela livraria. Fausto morou nos Estados Unidos. Atualmente, reside em São Paulo e prepara novos trabalhos. Fausto é filho da profes-

sora aposentada Maria Heloisa Lessa Guimarães e de Alny Antônio Guimarães, já falecido.

editorial Na campanha eleitoral do ano passado, quando a discussão sobre os pedágios estava mais acalorada, o PSDB de São Paulo, partido que governa o Estado há mais de 20 anos, fez uma série infindável de promessas, entre as quais uma que dizia respeito às estradas: faria um meticuloso estudo para, afinal, diminuir o número de praças de pedágio – que o próprio PSDB aumentou de 40 para 227 – e reduzir o preço das tarifas. Menos de um ano depois, observa-se o oposto. As praças continuam as mesmas – há quem diga que mais 60 novas praças serão instaladas – e, promessas eleitorais à parte, o valor cobrado aumentou. Uma sina que faz de São Paulo o Estado dos pedágios mais caros do planeta. Enquanto isso, aqui na cidade corre um bochicho que, aos poucos, vai se tornando um movimento animado, que pretende organizar um enterro dos nossos políticos – do prefeito aos vereadores. A Frente dos Bebedourenses Indignados marcou o ato – uma festa-protesto – para o mês que vem. Ainda nesta edição, há duas belas reportagens. Uma delas mostra a força de um negro, pobre e artista, que transforma pedaços de ferro em obras de arte. Outra nos revela como um branco, igualmente pobre e igualmente artista (este da bola), construiu sua carreira de engraxate a fazendeiro. Boa leitura!

“Li a história de Lenita, presa e torturada em 1970, torturada novamente e desaparecida pelos militares em 1971. Confesso que foi uma das melhores matérias jornalísticas que li em toda a minha vida. Parabéns ao jornal Brasil Atual pelo resgate da história verdadeira dos porões da ditadura. Nosso povo deve e tem o direito de saber do seu passado.” – Luiz Carlos de Freitas – Presidente do Diretório Municipal do PT de Bebedouro e Coordenador da Pastoral de Fé e Política da Diocese de Jaboticabal.

Cana Brava

Na reportagem sobre o músico Hamleto Stamato Júnior, Hamletinho, foi dito que existe uma avenida na entrada da cidade de nome Hamleto Stamato, em homenagem ao pai dele, também músico – chamado também na época de Hamletinho –, que morreu aos 33 anos. Não é fato. O nome da Via Hamleto Stamato foi dado em homenagem a outro senhor de nome Hamleto Stamato, grande líder político da cidade nos anos 1950 e 1960, amigo pessoal de Ademar de Barros (governador) e marido de dona Caçula, uma pessoa maravilhosa e adorada por todos, que morava onde hoje mora o Doutor Petrônio. Eu brincava no quintal da casa, onde havia jabuticabeiras, e ela era a nossa mãezona, muito afável e carinhosa. Esse senhor Hamleto era tio de Hamletinho, o pai do músico da reportagem. A confusão ocorreu porque ambos têm o mesmo nome do homenageado da via. Aliás, quando o pai do músico da reportagem era vivo, a via já tinha o nome de Hamleto Stamato. Claro que, se o nome dela fosse dado ao pai do músico da reportagem, seria uma justa homenagem pela pessoa humana e talentosa que foi, estimado por todos. Aliás, algum vereador poderia pensar numa homengem ao músico Hamleto, o pai, filho de Bebedouro, que casou e viveu aqui e era querido por todos, segundo contam meus irmãos mais velhos, que foram amigos dele. Quanto à reportagem, parabéns, muito boa. Valeu! – Professor Zóca

Parabenização

É interessante tomar conhecimento de tanta gente de nossa terra realizando grandes projetos, ainda que outros não honrem tanto nossa cidade. Gostei da reportagem sobre Hamleto Stamato Júnior. Parabéns. – Marli Ferraz De Biaggio – marliferraz@ig.com.br – Bebedouro.

Expediente Rede Brasil Atual – Bebedouro Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Leonardo Brito (estagiário) Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3241-0008 Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição Gratuita


3 Política

Partido dos Trabalhadores terá candidato a prefeito

mauro ramos

Decisão foi tomada no início de julho em seminário de planejamento do diretório local

A decisão do PT é ter candidato próprio a prefeito

O PT de Bebedouro decidiu que vai apresentar candidato próprio a prefeito nas eleições de 2012 e vai conti-

nuar trabalhando na construção de alianças políticas, para oferecer aos eleitores uma alternativa popular nas eleições

compõem o governo Dilma, o PT tem tudo para ser essa terceira via na cidade”. O PT administrou a cidade de 2001 a 2004, elegendo o prefeito e cinco vereadores. De lá para cá, a legenda perdeu espaço na política local. Segundo Claudemir Antônio Natale, outro dirigente partidário, o partido se reorganiza para voltar à Prefeitura. “O PT implantou projetos e ações positivas na cidade; agora, mais maduros, podemos administrar ainda melhor” – afirma Natale.

O cara mauro ramos

do ano que vem. Na avaliação dos petistas, a cidade vive uma crise política jamais vista em sua história, e apresentar uma candidatura que represente o povo é tarefa dos partidos do campo popular e democrático e do povo bebedourense. “Precisamos de uma terceira via para se contrapor ao candidato da elite, Fernando Galvão (DEM), e ao prefeito Italiano, que deve tentar a reeleição” – afirma o presidente local do partido, Luis Carlos de Freitas, que completa: “Junto com outras forças políticas que

O nome mais cotado para representar a legenda petista como candidato a prefeito é do ex-vereador Carlos Orpham, que já disputou o cargo em 2008. Procurado por nossa reportagem, o ex-presidente da Câmara disse que não quer falar sobre candidatura agora.

protesto popular

O enterro de vereadores, do prefeito e a crise política A operação Cartas Marcadas, as constantes acusações de corrupção na política e o descaso dos Poderes Executivo e Legislativo com a coisa pública são os alicerces do

movimento intitulado Frente de Esquerda dos Bebedourenses Indignados, que organiza uma manifestação para pressionar os vereadores a reabrir uma Comissão Processante

para investigar o prefeito Italiano e mobilizar a população para a necessidade de participação no momento de crise. O movimento vai promover um enterro simbólico de verea-

dores e do prefeito, mostrando o descaso deles com a cidade. O ato será dia 8 de agosto, às 19 h, em frente à Prefeitura, de onde as pessoas irão a pé até a Câmara Municipal.

mauro ramos

Frente dos Bebedourenses Indignados organiza ato que irá da Prefeitura à Câmara Municipal

Italiano: morte anunciada

Pouco-caso

Calçadão do lago é destruído por máquinas pesadas Depois de mais de um ano parada por problemas no projeto, a obra de alargamento e calçamento do calçadão do lago artificial de Bebedouro foi, enfim, concluída. A calçada e os mirantes cercados com parapeitos de metal foram construídos com recursos do Governo Federal – R$ 200 mil enviados pelo Mi-

nistério do Turismo –, afora a contrapartida do município. Apesar do dinheiro investido, a Prefeitura danificou boa parte da obra. A fim de preparar o local para a colocação de gabiões (caixas de malha metálica cheias de pedras) nas laterais do lago e evitar, assim, desbarrancamentos, as retroescavadeiras passaram por cima da calça-

da e destruíram o piso, que requeria um processo especial de assentamento por se tratar de lajotas encaixadas uma na outra. “Não dá para entender por que não se deu ordem para as máquinas entrarem pela parte de trás do lago, onde não existe calçamento” – lamenta um mestre-de-obras da cidade, que não quis se identificar.

mauro ramos

Parte dela realizada com recursos federais, obra podia ser concluída de outra forma

A Prefeitura passou por aqui


4 pedágio

A bruta carga que é a tarifa mais cara do planeta Desde o dia 1º de julho, os pedágios do Estado de São Paulo estão mais caros. Nas Rodovias Bandeirantes, Castelo Branco, Anchieta e Imigrantes o aumento é de 9,77%. Já nas Rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dom Pedro 1º, Marechal Rondon e no trecho Oeste do Rodoanel, o aumento é de 6,55%. Desta vez, os reajustes vão ser arredondados em R$ 0,10 – não mais em R$ 0,05 como no ano passado. A mudança, segundo as concessionárias, vai facilitar na hora de dar troco aos motoristas.

divulgação

Valor cobrado no Estado de São Paulo é doze vezes maior do que nas estradas federais

Praças de pedágio: mais 27 delas operam nas estradas paulistas desde o ano passado

O caminhoneiro Mauricio Antônio Leite, 48 anos, 28 de profissão, transporta mercadorias de Barretos para São Paulo e desembolsará, agora, para ir à Capital e voltar, R$ 132,20 nas 10 praças de pedágio existentes. O trecho com o menor valor, de R$ 4,00, é no km 217, em Itirapina, na Rodovia Washington Luiz (SP-310). Já o mais caro fica no km 282, em Araraquara, na mesma rodovia, R$ 12,40. Agora, em média, entram cerca de R$ 170 por segundo nas 227 praças de pedágio de São Paulo.

A cada pedágio uma nova facada. E a vítima é você

saída

bebedouro

reclamam da dupla cobrança de pedágio. Há trechos nela com buracos, sem acostamento e quase sem sinalização. O coordenador do Movimento Estadual Contra os Pedágios Abusivos, José Matos, de 42 anos, diz que a mudança na forma de cobrar manteve a tarifa abusiva. “O grande problema é que as concessionárias cobram a nova tarifa, nos dois sentidos, antes de entregar as obras de melhoria na rodovia” – explica José. Hoje, quem vem de São Paulo para cá (trajeto de 383 km) paga R$ 0,15 por km rodado. Já o motorista que sai de Rio Claro e vai no sentido de Araraquara – início da Taiúva R$

5,90

Rod. Brig. Faria Lima, km 357 – SP-326

mesma rota para Bebedouro – paga R$ 0,10 por km rodado. A conta é abusiva se comparada às rodovias federais. De Bebedouro a Belo Horizonte, por exemplo, o motorista paga R$ 41,10, cerca de R$ 0,06 por km. A diferença nos valores dos pedágios estadual e federal se deve aos contratos. As empresas que administram as rodovias de São Paulo fecham contratos de concessão onerosos. Por eles, as concessionárias cuidam da manutenção das rodovias e repassam o valor que elas querem aos motoristas nas praças de pedágio. “O correto seria alterar os contratos onerosos por dobrada

5,70

uma cobrança por km rodado, isso seria o mais próximo do justo, não o motorista pagar o custo total de manutenção da

rodovia” – acrescenta José Matos. Em 2010, as praças paulistas arrecadaram R$ 9,2 milhões.

mauro ramos

O trajeto de Bebedouro a São Paulo subiu de R$ 56,35 para R$ 59,40. O aumento se baseia no reajuste anual da Agência Reguladora de Transporte, a Artesp, e na liberação da cobrança do pedágio nos dois sentidos de uma mesma rodovia, que as concessionárias ganharam do governo estadual. Por exemplo, em 2009, no trecho do km 217-Itirapina, na rodovia Washington Luiz, sentido Bebedouro, era cobrado o pedágio de R$ 7,00. Não havia cobrança no sentido inverso. Mas, agora, os moradores de Limeira, Rio Claro e Itirapina, que também usam a mesma estrada,

A tarifa reajustada mais uma vez: caríssima araraquara

12,40

itirapina

4,00

R$

R$

R$

Rod. Brig. Faria Lima, km 326 – SP-307

Rod. Washington Luiz, km 282 – SP-310

Rod. Washington Luiz, km 217 – SP-310


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Greve sofre valor porque meu caminhão é pequeno, tem um eixo só, e eu pago como carro. Fico imaginando o quanto está sofrendo o carreteiro”, diz Greve, que completa: “No primeiro momento, eu diminuo minha margem de lucro; depois, sou obrigado a repassar esse custo para o consumidor, que, infelizmente, acaba pagando a conta”.

Segundo estimativa do Pedagiômetro, no fechamento da matéria, às 14h30, de 18 de julho, os pedágios de São Paulo arrecadaram mais de R$ 3,1 bi. pedagiometro.com.br mauro ramos

Um pedagiômetro calcula, desde 1º de julho de 2010, a arrecadação das 227 praças de pedágio estaduais de São Paulo. A ferramenta virtual estima em tempo real a arrecadação dos pedágios pau-

Caminhão paga de acordo com a quantidade de eixos

Assalto ao bolso No planeta, as tarifas variam de R$ 0,02 a R$ 0,04 por km rodado. Em São Paulo, elas vão de R$ 0,08 a R$ 0,16 e chegam a R$ 0,56 no caso da Marginal da Rodovia Castelo Branco. Há praças de pedágio espalhadas em todas as estradas paulistas. Em 2010, mais 27 praças entraram em operação no Estado. Cada lugar cobra um preço. Para ir de Marília à Capital, o motorista gasta R$ 50,70 em oito pedágios existentes – cinco na Rodovia Marechal Rondon e três na Castelo Branco. Quem se rio claro

6,60

desloca desde Piracicaba (165 km), pela Rodovia dos Bandeirantes, desembolsa R$ 20,10. De acordo com dados do pedagiômetro, as praças de pedágio arrecadam R$ 168,09 reais por segundo, mais de R$ 435,6 milhões todos os meses. O valor cobrado aqui é 12 vezes maior do que nas estradas federais – na Rodovia Fernão Dias, para ir de São Paulo a Belo Horizonte (586 km) o motorista paga R$ 10,40. Já nos 454 km que separam São José do Rio Preto de São Paulo, o viajante gasta R$ 67,80 – uma diferença de quase 600%.

limeira

4,70

listas com base nos relatórios das concessionárias. Os idealizadores do pedagiômetro, Eric Mantoani e Keffin Gracher, calculam que os pedágios paulistas arrecadam R$ 168,09 por segundo, ou R$ 605,1 mil por hora, chegando

perto de R$ 435,6 milhões por mês. “Quisemos criar algo que impacte e sensibilize as pessoas para perceberem que os valores são realmente muito altos e para que se analise que pedágio não deveria servir para lucro” – diz Gracher.

A bronca de Fininho Francisco Edilson Gomes, o Fininho, tem 50 anos e quase trinta de estrada. Ele considera o preço do pedágio “um abuso, um descaso com o trabalhador da estrada”. Fininho viaja sempre para São Paulo com um caminhão. Na ida, o seu Volks 17210 vai com três eixos, pois vai carregado, mas na volta, como vem vazio, Fininho ergue o terceiro eixo e viaja só com dois. “O valor total de ida e volta com pedágio é de RS 350,00, um absurdo” – desabafa. Fininho conta que vários de seus amigos que faziam a linha São Paulo–Santos desistiram e mudaram de profissão. Outra preocupação do caminhoneiro é com o risco que corre por ter que, às vezes, se

nova odessa

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submeter a caminhos inseguros para desviar dos pedágios. “Na estrada Washington Luiz, na praça de Araraquara, por exemplo, o pedágio é o mais caro da viagem, quase 40 reais. Ali tem um desvio, no

meio de um canavial, mas, dependendo da hora, ele é muito perigoso. Mesmo assim, os caminhoneiros se arriscam para economizar, colocando suas vidas em risco” – lamenta, preocupado.

mauro ramos

Marcelo Ligero Greve, tem 40 anos e é proprietário da Transportadora Rápido Bebedouro, empresa pequena que atua apenas no trecho entre Bebedouro e Ribeirão Preto. Numa distância de apenas 80 km, ele paga R$ 23,60 de pedágio, valor correspondente a um terço do que gasta de combustível. “Eu ainda pago esse

www.pedagiometro.com.br

As estradas paulistas: repletas de praças de pedágio

itupeva

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caieiras

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R$

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Rod. Washington Luiz, km 181 – SP-310

Rod. Anhanguera, km 152 – SP-330

Rod. Anhanguera, km 118 – SP-330

Rod. dos Bandeirantes, km 77 – SP-348

Rod. dos Bandeirantes, km 36 – SP-348

chegada

São Paulo Total:

59,40

R$


6 Arte em metais

O funcionário público que adora ser escultor

mauro ramos

mauro ramos

As artes plásticas sempre estiveram na vida deste guarda municipal por necessidade e artista por vocação. Desde pequeno, na escola Adilson Marcelino, ele já se sentia atraído pelo desenho e pela pintura. Pobre, filho de uma família de quatro filhos, hoje Noear, aos 44 anos, concilia as duas profissões. Numa, ele ganha o salário e ajuda a mãe, dona Sebastiana, com quem mora numa casa simples no Jardim Santo Antônio. Noutra, se realiza e investe metade do que ganha por mês como funcionário público. “Acham que a gente gasta dinheiro à toa, mas quase todos os artistas nunca foram muito bem compreendidos mesmo” – diz. Até os 33 anos, Noear se

mauro ramos

Nas mãos de Adilson Marcelino, o Noear, qualquer pedaço de ferro vira uma peça artística

O homem que transforma sucata em obra de arte

dedicou à pintura, participando do Mapa Cultural do Estado de São Paulo. Numa das edições, chegou à fase

final do concurso, incentivado pelo arquiteto e artista plástico Newton Jorge Silva e Quintella, hoje residen-

te em Araçatuba, e elogiado pelo crítico de arte Enock Sacramento. Depois, então, Noear se dedicou às escul-

turas. Hoje, o quintal de sua casa é um grande ateliê. Sucata, solda e betume são seus materiais, e uma máquina de solda e uma lixadeira, seus instrumentos de trabalho. Convidado assíduo da Cooperativa de Crédito Credicitrus para expor suas obras, Noear já mostrou seus trabalhos em São José do Rio Preto, Barretos e Bebedouro – na UniFAFIBE, na Biblioteca Municipal e no Paço Municipal, entre outros lugares. Original, Noear aluga obras para eventos e produz peças sob encomenda. Agora que acumulou um bom acervo, quer expor seu trabalho no eixo Rio–São Paulo. Por enquanto, ele tem agendada uma exposição no Bebedouro Shopping, em agosto.

Violência contra a mulher

bancários-SP

A luta desigual pela igualdade

Juvandia é eleita com 83% dos votos

Centro de Referência funciona desde o início do ano

divulgação

Outra presidenta

A chapa que venceu a eleição para o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região tem à frente Juvandia Moreira, a primeira mulher

eleita presidenta da entidade em 88 anos de história. Ela era secretária-geral quando, em maio de 2010, assumiu a direção da entidade após o então presidente, Luiz Cláudio Marcolino, licenciar-se para concorrer a deputado estadual. Agora, foi escolhida por 26.545 bancários, com 83,49% dos votantes. Funcionária do Bradesco desde 1992, formada em Direito e pós-graduada em Relações Internacionais, Juvandia tornou-se diretora do Sindicato em 1997.

O Centro de Referência e Atendimento da Mulher (CRAM) Ilda Ramos da Silva – homenagem à mulher estuprada e morta no Residencial Bebedouro anos atrás – atende mulheres em situação de violência física, psicológica e sexual. A unidade atende as cidades de Bebedouro, Pirangi, Vista Alegre do Alto e Severínea. O prédio, o mobiliário e um automóvel foram adquiridos com recursos federais. As profissionais e a manutenção são de responsabilidade do município.

Até junho foram atendidas 756 mulheres. “Um único caso pode ter várias ocorrências registradas” – explica a coordenadora Silvia Mara, para quem a maioria das agressões se relaciona ao álcool e às drogas. “As mulheres de maior poder aquisitivo, quando denunciam, procuram advogados e psicólogos particulares para não se exporem muito; as demais nos procuram, mas nem todas dão continuidade ao processo”, diz a psicóloga Gláucia Ribeiro, que completa: “As mulheres devem parar

de ir levando, precisam reconhecer-se como agredidas e melhorar sua autoestima”. Com a dificuldade de a mulher denunciar o agressor, o Centro aposta no trabalho de prevenção, com orientações e atividades que melhorem a autoestima. Várias ações visam esse objetivo, como o trabalho integrado aos programas de transferência de renda. Silvia Mara explica que as atividades lúdicas também são importantes. “Até festa junina e aula de dança do ventre a gente faz” – diz.


7 Futebol

Branco: um bom de bola que virou craque na vida

mauro ramos

Ex-jogador bebedourense rodou o Brasil atrás de seu sonho e de uma vida melhor

Branco teve a honra de vestir a camisa de vários times

O nome dele, Luciano Salomão, pouca gente sabe. Ele é conhecido mesmo por Branco. Aos 40 anos, o ex-jogador de futebol bebedourense mora na cidade com a esposa, a arquiteta Estela Giaqueto, e sua filha, Aisha, de dois anos. Aos 16 anos, depois de treinar na Comissão Central de Esportes (CCE), ele foi para a Ponte Preta de Campinas onde foi campeão paulista Sub-20 e da Copa Pelé, torneio que incluía times brasileiros, argentinos, uruguaios e norte-americanos. Dois anos depois era profissional.

Branco começou na meiaesquerda, mas um fato marcante o levou à lateral-esquerda. “Contra o Santos, no Campeonato Paulista, os dois laterais esquerdos do time se machucaram. Então, o técnico perguntou quem queria jogar na posição e marcar o ponta-direita Almir, jogador rápido. Ninguém queria pegar esse abacaxi” – lembra. “Pode me botar aí, professor” – falei. “Joguei, a partida empatou em zero a zero e fui eleito o melhor em campo. Daí em diante, virei lateral” – conta empolgado.

Após sete anos, Branco deixou a Ponte Preta e passou por diversos clubes – Sport Recife, Atlético Paranaense, Mérida (Espanha), Portuguesa de Desportos, Bahia, Paraná Clube, Santa Cruz, São José, Mogi Mirim e Olímpia. Pelo Bahia foi campeão estadual, em 1998, e venceu o torneio Maria Quitéria, em Salvador, enfrentando Corinthians, Palmeiras e Vitória. Em 2003, foi convidado pela Associação Atlética Internacional para encerrar a carreira, aos 33 anos, jogando pelo lobo vermelho. E aceitou.

Nascido na zona rural e, depois, morador da periferia, Branco, caçula de uma família de doze filhos, foi criado pela mãe, dona Generosa, e pela irmã mais velha, Cidinha – o pai abandonou a família quando ele ainda era de colo. Dos 10 aos 16 anos ele engraxou sapatos na rua para aju-

dar nas despesas da casa. Quando chegou em Campinas, para testes na Ponte Preta, tinha apenas um chinelo Havaianas, que, de tão gasto, deixava seu calcanhar raspar no chão. Antes de ir para a macaca, ele fez testes no América de Rio Preto, mas só conseguiu o dinheiro das passagens de ida e volta e ficou o dia

mauro ramos

O amigo Luisão

Branco e o padrinho Luisão

Durante a carreira, Branco fez vários amigos, porém, o maior deles, juntamente com o zagueiro Alex, é o ex-cen-

troavante da Seleção Brasileira Luisão, seu padrinho de casamento. Até hoje eles se visitam. A amizade começou quando ambos jogavam em Campinas, um na Ponte Preta e outro no Guarani. Apesar de adversários em campo, eles fizeram boa amizade fora dos gramados. “Sofremos juntos no começo da carreira. Um dava força para o outro e isso nos uniu” – conta Branco.

todo sem comer nada. Sua vida mudou mesmo com o futebol. “Não fiquei rico, mas ganhei algum dinheiro e tenho hoje uma vida digna” – diz. Branco deu uma boa casa para a mãe e colaborou com os irmãos. Tem uma fazenda em Minas Gerais com gado leiteiro de onde tira a renda para o sustento da família.

mauro ramos

De engraxate a fazendeiro

Hoje, com a mulher Estela e a filhinha Aisha

Por que Branco?

Professor

Luciano Salomão não ganhou o apelido por jogar na mesma posição do ex-lateral-esquerdo homônimo da Seleção Brasileira. Ele o traz desde pequeno por causa da cor da pele e do cabelo, muito claros.

Atualmente, Branco dá aulas de futebol para crianças da rede pública de educação nos CSUs – Centros Sociais Urbanos – dos bairros da cidade. Ele recebe um salário da Prefeitura, porém é um valor muito pequeno, quase simbólico. “O que me move é a vontade de fazer um trabalho social, que considero muito importante” – explica.

Estado civil, Paraná Branco é um homem realizado, mas não esquece as origens. Conta, sem vergonha ou preconceito, o mico que pagou num shopping de Campinas, depois de receber seu primeiro

salário. Na hora de fazer o cadastro, uma vendedora de loja perguntou seu estado civil e ele respondeu, por duas vezes: Paraná. Hoje ele dá muitas risadas com a história.


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Horizontal – 1. Temor; partamos 2. Magistrado mourisco que tem funções de administrador judicial e fiscal; Escola de Comunicação e Artes 3. O Estado dos mineiros 4. Lado da embarcação que se acha exposto ao vento; Relativo ao gato 5. Móvel que serve para sobre ele se porem as refeições; Moléstia infecciosa grave que invade o organismo através de ferimentos na pele e atinge o sistema nervoso central, ocasionando contraturas musculares 6. Feito sem formalidades 7. Associação de Ortodontia de Araraquara; Lavram; Sorri 8. Alimentado; Preposição diante de 9. Porção balanceada de alimento; Ação de ir de um lugar para outro 10. Bairro carioca 11. Sétima nota musical; Membro das aves guarnecido de penas; Solução de substância orgânica ou mineral usada para hidratar

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Vertical – 1. Museu de Arte Moderna; O gato é o único que faz; Assinado (abrev.) 2. Zola, escritor francês; Ligado (em inglês); Onomatopeia que mostra dor 3. Antigo habitante do planeta 4. País do Oriente Médio; O latido; Correia de couro, no Nordeste 5. São Francisco; O autor do segundo dos quatro evangelhos do Novo Testamento, dividido em 16 capítulos 6. Relativa à comida exclusivamente vegetal 7. Aquilo que acelera 8. Que vive no mar ou à beira-mar; Carta do baralho 9. Homem que não cresceu; Que foi ou se foi 10. O mesmo que iônio, ionte; Posição de contorno, espaço em volta de algo ou alguém 11. É, em inglês; Excelente (fem.)

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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

Respostas a s s m i a m a m

e d m i i n l o e s s o a n u r a o i

o v a m e c a s g e f e l a t e u m a r a r a t r i d a c a o c o n r a s a

Palavras cruzadas

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Jornal Brasil Atual - Bebedouro 09